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Ciênc. saúde coletiva vol.13 número5

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Academic year: 2018

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Paim JS. Políticas de descen tr alização e aten ção primária à saúde. In: Rouquayrol MA, Naomar FA. Epidem iologia & saúde. 5ª ed. Rio de Janeiro: Med-si;1999.

Silva SF. Municipalização da saúde e poder local: su-jeitos, atores e políticas. São Paulo: Hucitec; 2001. Scheffer M. A exclusão de coberturas assistenciais nos planos de saúde. Saúde em Debate 2007; 29(71): 231-247.

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O autor responde

The author replies

Agradeço a oportunidade de refletir com pesqui-sadores experientes sobre o tema das relações en-tre o público e o privado no sistema de saúde. Carlos Octávio Ocké-Reis, Silvio Fernandes e Tel-ma Menicucci abrem novas janelas para o exame das práticas sociais atuais, incidentes sobre a es-trutura e a dinâmica de estabelecimentos e em-presas privadas de planos e seguros de saúde e as respostas acadêmicas às mudanças nas interfaces público-privadas do sistema de saúde brasileiro. Ocké-Reis relembra que as relações sinérgi-cas entre o complexo produtivo (em especial as estabelecidas entre as indústrias de medicamen-tos e equipamenmedicamen-tos médico-hospitalares e os sis-temas universais de saúde que viabilizaram e im-pulsionam os sistemas universais europeus) não se reproduzem no Brasil contemporâneo. O au-tor utiliza o espaço do debate para reafirmar suas proposições de reformar (no sentido forte do termo, isto é, o de transformação) as relações entre os órgãos reguladores do mercado de pla-nos e seguros de saúde com parte das institui-ções que o compõem. A mudança de estatuto de algumas das atuais empresas do mercado per-mitiria aprimorar a regulação de preços e con-teúdos assistenciais. A natureza normativa de tal postulação a afasta daquela consubstanciada pela apresentação de pontos para um debate sobre as redes de sustentação da privatização da assistên-cia médico-hospitalar proposto por Arouca (for-mulação da qual participei e compartilho). Essa última não propõe uma solução a priori e nem o acionamento de estratégias para o desatamento dos nós que libertariam o Estado do dilema da estatização/privatização, por dentro do mercado de planos e seguros de saúde. Arouca, conside-rando o fluxo político-financeiro que se estabe-lece pelas relações entre empresários, trabalha-dores e empresas de planos e seguros privados

de saúde e seus efeitos sobre as condições de saú-de, tão- somente – o que nunca foi pouco – pro-vocou e conpro-vocou o debate. As perguntas for-muladas por Arouca, então Secretário de Gestão Participativa do Ministério da Saúde, para a aber-tura de um amplo debate com a sociedade, que desaguaria na 12ª Conferência Nacional de Saú-de, foram publicadas enviesadamente pelo jor-nal Estado de São Paulo, no início do primeiro mandato do Presidente Lula.

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concreto, mas quase invisível, de operações fi-nanceiras e políticas cotidianas.

Considero, tal como Silva, que o repasse di-reto e indidi-reto de recursos públicos para presta-dores de serviços e empresas de planos e seguros privados de saúde revestiu-se, mais recentemen-te, de uma roupagem sofisticada. Um dos exem-plos mais conspícuos emerge com a defesa da preservação do estatuto de filantropia de deter-minados hospitais que atendem clientes de pla-nos e seguros tipo executivo – hospitais de pri-meira linha. O que se alega para fundamentar a não integração do estabelecimento na rede SUS é o suposto reconhecimento devido pela socieda-de brasileira aos “sacrifícios voluntários e não lucrativos” decorrentes dos esforços para pre-servar ícones da modernização da medicina bra-sileira da sanha da propalada ineficiência das ins-tituições públicas, com o apoio de recursos pú-blicos. Note-se que a incongruência de tais argu-mentos não os derroga. Antes pelo contrário, a carência de lógica requinta-os, exige não apenas que seus defensores ocupem espaços político-administrativos estratégicos, mas que estabele-çam e renovem os circuitos de intermediação de interesses, pautados pelo exercício da subordi-nação do bem comum ao particular.

Telma Menicucci, criteriosamente, leva adiante a problematização das análises sobre as relações entre o público e o privado ao desvelar o ciclo conformado pelas justificativas post factum de preferências pela assistência privada. O julgamen-to prévio da eficácia do sistema público, apoiado em imagens negativas de sua eficácia, completa-se com a “naturalização das escolhas do passa-do”. Ao assinalar as lacunas no texto-debate so-bre a relevância dos valores e representações que edificam as bases cognitivas da ação política e da elaboração das políticas públicas, a autora con-voca referenciais das ciências sociais, dispondo-os às análises sobre a segmentação do sistema de saúde brasileiro. Temos preocupações comuns com a necessidade de alargar as fronteiras disci-plinares e aprofundar o conhecimento sobre as interfaces público-privadas. Mas, estamos aten-tas aos riscos dos traslados automáticos de cate-gorias e conceitos, cujos conteúdos, destituídos do tempero das especificidades do sistema e da situação de saúde no Brasil, tornam-se esvazia-dos e, portanto, meramente retóricos.

Gostaria de dividir com Menicucci as inquie-tações sobre os limites e possibilidades da utili-zação do conceito de dualidade (tão decantado pelas ciências sociais brasileiras) para descrever ou mesmo interpretar as características da

seg-mentação do sistema de saúde brasileiro. Além das críticas originadas por cientistas econômicos e políticos ao modo de integração perverso e ex-cludente, que marcam as relações econômicas e sociais no Brasil, o termo dual – em suas diver-sas denotações e conotações – não guarda cor-respondência com as ambivalências público-pri-vadas e privado-públicas grapúblico-pri-vadas no genótipo e fenótipo do sistema nacional de saúde. Por ou-tro lado, reconheço que as teses esboçadas a partir de categorias eminentemente descritivas perdem o sabor interpretativo, que lhes empres-taria maior potência explicativa.

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tendências assinaladas pelos fatos valida opção do trajeto de ida e volta da “vida para os livros”. A principal inspiração para debater as rela-ções entre o público e o privado no sistema de saúde brasileiro, à luz de um enfoque mais con-juntural, foi a necessidade de fazer jus ao honro-so convite de Alicia Ugá e Eleonor Connil. As duas editoras do número temático da revista Ciência

e Saúde Coletiva souberam defender os parâme-tros da produção acadêmica, em contextos ain-da atribulados por intromissões, nem sempre legítimas, na definição dos rumos do conhecer. A elas rendo minha admiração pela coragem e in-tegridade. Para retribuir, ao menos parcialmen-te, a confiança depositada pela revista Ciência e

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