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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.47 número4

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Academic year: 2018

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Rev Ass Med Brasil 2001; 47(4): 269-95

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Medicina baseada em evidências Medicina baseada em evidências Medicina baseada em evidências Medicina baseada em evidências Medicina baseada em evidências

Médico aposentado, leio menções a uma “Medicina Baseada em Evidências” (MBE), sem no entanto perceber qualquer maneira de distinguir as diferenças com as qualidades da medicina que aprendi na Fa-culdade de Medicina e que utilizei e assisti no exercício da profissão.

Por esse motivo, li com atenção especi-al o artigo publicado na Revista da Associa-ção Médica Brasileira, as páginas de 165 a 168 do Volume 47, nº 2, Abril/Junho 2001, sob o título “Transferindo as evidências da pesquisa clínica para a prática cardiológica”. Logo no início, a afirmação: “Esta mu-dança é a do modelo da decisão clínica segundo opiniões isoladamente, para o modelo da decisão baseada em evidências. Isto conduz a uma avaliação crítica sistemá-tica, das informações disponíveis, para a prática da tomada de decisão clínica.” Cau-sou estranheza a caracterização do modelo da medicina clássica: “modelo da decisão clínica segundo opiniões isoladamente”, e o novo modelo, o da “decisão baseada em evidências” não me parece que seja “novo”. A conduta do médico sempre foi e é base-ada nas evidências disponíveis de seu co-nhecimento, dependentes de conhecimen-to e possibilidades técnicas da medicina de sua época.

Toda a argumentação do articulista não caracteriza o conceito de que a MBE seja uma medicina conceituada diferentemente do que é a medicina de hoje e a do passado,

baseada no conhecimento científico geral e no estado do relacionamento ético entre pessoas.

Particularmente rebarbativas, as afirma-ções feitas nas linhas 6 a 11 da página 168: “O acesso ao conteúdo (itens que necessitam ser conhecidos) e ao processo (como apren-der e aplicar os fatos) requer estilo e atitudes diferentes daquelas aprendidas na universida-de e residência médica anteriores”, e a qua-lificação implícita da atividade médica que não a MBE nas linhas de 14 a 18 da mesma página 168:”Tendo estes princípios como base, podemos nos definir contra a seqüência da prática pseudo científica: memorizar, regur-gitar e graciosamente esquecer”.

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ORESTESRESTESRESTESRESTESRESTES B B B B BARINIARINIARINIARINIARINI

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SÃOÃOÃOÃOÃO P P P P PAULOAULOAULOAULOAULO - SP - SP - SP - SP - SP

Comentário do Autor Comentário do Autor Comentário do Autor Comentário do Autor Comentário do Autor

Caro Dr. Barini,

Agradecemos a oportunidade de escla-recer aspectos importantes. As bases e os objetivos da prática médica continuam os mesmos. Porém, novos métodos, novos conceitos e novas “ferramentas” surgem e devem ser usados criteriosamente, sem prejuízo aos fundamentos básicos da medi-cina. Assim, por exemplo, devemos saber auscultar um sopro cardíaco, mas dispomos da ecodoppler cardiografia para aprimorar a nossa avaliação. A Medicina Baseada em Evidências é uma destas novas “ferramen-tas”. Como não utilizar a melhor evidência científica disponível para tratarmos

adequa-damente nossos pacientes ?

Como podemos confiar apenas em nos-sas convicções pessoais, crenças e “achis-mos”, adquiridos ao longo de nossa trajetória de prática clínica, sem refletirmos se real-mente estamos trazendo benefícios clinica-mente relevantes para nossos pacientes ?

Podemos ter a noção de que a medici-na não mudou, porque esta assertiva nos agrada, além de ser conveniente para se ajustar à nossa falta de mudanças visando aprimoramento das condutas diagnósticas e terapêuticas. A Medicina Baseada em Evidências, significa a integração da habili-dade clínica com a melhor evidência cien-tífica disponível, ou seja, fazer o correto, da maneira correta.

A forma de exercermos a medicina está mudando e a resistência para a modificação é o sintoma da necessidade da mudança. A prática clínica envolve atualização científica, a qual por inter-médio de uma avaliação crítica sistema-tizada, permite identificarmos as melho-res condutas clínicas, cirúrgicas e diag-nósticas. Após a identificação, devemos incorporar as novas evidências para que o benefício possa chegar aos nossos pacientes, evitando assim de nos tor-narmos insuficientes em nossa função básica que é a de proporcionarmos e mantermos a saúde durante nossa ativi-dade médica.

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