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DIREITO PREVIDENCIÁRIO

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Academic year: 2022

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APOSTILA

HUGO GOES

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Há muitos anos, grandes professores se juntaram e construíram um lar para acolher concurseiros de todo o Brasil. Naquela época, fomos inovadores, com metodologia diferenciada, didática e brincadeiras. Criamos muitas novidades, como pré-provas, questões comentadas em vídeo, assinatura de cursos – realmente quebramos muitos paradigmas.

Essa receita foi o que levou à aprovação de dezenas de milhares de alunos do Brasil todo, nos mais diferentes concursos.

Hoje, esses mesmos professores se juntaram para uma nova proposta, um novo formato. Muito mais condizente com os tempos atuais, onde as relações são virtuais. Entendemos que os cursos de hoje oferecem apenas aulas gravadas, sem foco, sem experiência, sem interação, sem emoção.

É com esse desafio que nasce o Concurseiro Live! Não é à toa que escolhemos um nome onde o concurseiro é o protagonista, e não apenas um mero espectador.

Temos a certeza de que, mais uma vez, vamos mudar a maneira de como se preparar para um concurso público, e o resultado disso será demonstrado como todos os demais – aprovando as primeiras colocações.

Vem com a gente?

@concurseirolive Concurseiro Live Concurseiro Live

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FORMAÇÃO ACADÊMICA

Graduado em Direito pela UFPE; Graduado em Ciências Contábeis pela UFRN;

Pós-graduado em Direito Tributário pela UNISUL.

LIVROS PUBLICADOS

Manual de Direito Previdenciário, 16ª edição, Editora Ferreira; Resumo de Direito Previdenciário, 8ª edição, Editora Ferreira; Direito Previdenciário Cespe, 4ª edição, Editora Ferreira; Direito Previdenciário ESAF, 4ª edição, Editora Ferreira; Direito Previdenciário FCC, 2ª edição, Editora Impetus.

OUTRAS EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS

Técnico de nível médio da Secretaria de Saúde do RN – ano de 1988;

Escriturário do Banco do Estado do RN (Bandern) – ano de 1989; Escriturário da Caixa Econômica Federal – de 1989 a 1997; Auditor Fiscal da Previdência Social – de 1997 a 2007; Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – de 2007 em diante.

APROVAÇÃO EM CONCURSOS PÚBLICOS

Técnico D da Secretaria de Saúde do RN – 1988 – ocupei este cargo durante 1 ano; Escriturário do Banco do Estado do RN (Bandern) – 1989 – trabalhei neste banco durante 10 meses; Escriturário da Caixa Econômica Federal – 1989 – trabalhei na CEF durante 8 anos; Escriturário do Banco do Brasil – 1995 – não assumi este emprego; Auditor Fiscal do Estado do RN – 1997 – não assumi este cargo; Auditor Fiscal da Previdência Social (AFPS) – 1997 – assumi este cargo. Em 2007, o cargo de AFPS foi transformado em Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, cargo que hoje ocupo (Lei nº 11.457/07, art. 10, I).

(4)

SOBRE O MATERIAL - APOSTILA DO BEM

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SUMÁRIO

1 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS...11

1.1 CARÊNCIA...11

1.1.1 CONTAGEM DO PERÍODO DE CARÊNCIA...11

1.1.2 CONTAGEM DA CARÊNCIA PARA O SEGURADO ESPECIAL...12

1.1.3 BENEFÍCIOS SUJEITOS A CARÊNCIA...14

1.1.4 PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO...15

1.2 SALÁRIO DE BENEFÍCIO (SB)...16

1.2.1 CÁLCULO DO SALÁRIO DE BENEFÍCIO...16

1.2.2 SALÁRIO DE BENEFÍCIO DO SEGURADO QUE CONTRIBUIR EM RAZÃO DE ATIVIDADES CONCOMITANTES...19

1.3 LIMITES DA RENDA MENSAL DO BENEFÍCIO...19

1.3.1 REAJUSTAMENTO DO TETO DO RGPS...20

1.4 REAJUSTAMENTO DO VALOR DO BENEFÍCIO...20

2 BENEFÍCIOS DO RGPS...21

2.1 APOSENTADORIA POR INCAPACIDADE PERMANENTE...21

2.1.1 VERIFICAÇÃO DA INCAPACIDADE...21

2.1.2 DOENÇA PREEXISTENTE...23

2.1.3 BENEFICIÁRIOS...23

2.1.4 CARÊNCIA...23

2.1.5 RENDA MENSAL INICIAL...24

2.1.6 DATA DE INÍCIO DA APOSENTADORIA POR INCAPACIDADE PERMANENTE..25

2.1.7 CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO...25

2.2 APOSENTADORIA PROGRAMADA...27

2.2.1 APOSENTADORIA PROGRAMADA DO PROFESSOR...28

2.2.2 BENEFICIÁRIOS...29

(6)

2.3 APOSENTADORIAS COM ADOÇÃO DE REQUISITOS

OU CRITÉRIOS DIFERENCIADOS...31

2.3.1 APOSENTADORIA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA...31

2.3.2 APOSENTADORIA ESPECIAL...35

2.4 APOSENTADORIA POR IDADE DO TRABALHADOR RURAL...41

2.4.1 BENEFICIÁRIOS...41

2.4.2 CARÊNCIA...42

2.4.3 RENDA MENSAL INICIAL...42

2.5 APOSENTADORIA COMPULSÓRIA DOS EMPREGADOS DAS ESTATAIS...42

2.6 REGRAS DE TRANSIÇÃO PARA AS APOSENTADORIAS DO RGPS...43

2.6.1 REGRA DE TRANSIÇÃO DO ART. 15 DA EC 103/2019...43

2.6.2 REGRA DE TRANSIÇÃO DO ART. 16 DA EC 103/2019...46

2.6.3 REGRA DE TRANSIÇÃO DO ART. 17 DA EC 103/2019...48

2.6.4 REGRA DE TRANSIÇÃO DO ART. 18 DA EC 103/2019...51

2.6.5 REGRA DE TRANSIÇÃO DO ART. 20 DA EC 103/2019...52

2.6.6 REGRA DE TRANSIÇÃO DO ART. 21 DA EC 103/2019...53

2.7 AUXÍLIO POR INCAPACIDADE TEMPORÁRIA...55

2.7.1 REQUERIMENTO...55

2.7.2 VERIFICAÇÃO DA INCAPACIDADE...55

2.7.3 DOENÇA PREEXISTENTE...56

2.7.4 SEGURADO RECLUSO EM REGIME FECHADO...56

2.7.5 SEGURADO QUE EXERCE MAIS DE UMA ATIVIDADE...56

2.7.6 BENEFICIÁRIOS...57

2.7.7 CARÊNCIA...57

2.7.8 RENDA MENSAL INICIAL...57

2.7.9 DATA DE INÍCIO DO BENEFÍCIO...58

2.7.10 CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO...59

2.7.11 PRAZO ESTIMADO PARA A DURAÇÃO DO BENEFÍCIO...59

2.7.12 SITUAÇÃO TRABALHISTA DO EMPREGADO...60

(7)

2.8 AUXÍLIO-ACIDENTE...61

2.8.1 SITUAÇÕES QUE DÃO DIREITO AO AUXÍLIO-ACIDENTE...61

2.8.2 SITUAÇÕES QUE NÃO DÃO DIREITO AO AUXÍLIO-ACIDENTE...63

2.8.3 PERDA DA AUDIÇÃO...64

2.8.4 BENEFICIÁRIOS...64

2.8.5 ACUMULAÇÃO...64

2.8.6 CARÊNCIA...65

2.8.7 RENDA MENSAL INICIAL...65

2.8.8 DATA DE INÍCIO DO BENEFÍCIO...65

2.8.9 CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO...66

2.9 SALÁRIO-FAMÍLIA...66

2.9.1 BENEFICIÁRIOS...67

2.9.2 CARÊNCIA...67

2.9.3 RENDA MENSAL DO BENEFÍCIO...67

2.9.4 PAGAMENTO DO SALÁRIO-FAMÍLIA...68

2.9.5 DATA DE INÍCIO DO BENEFÍCIO...69

2.9.6 SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO...70

2.9.7 CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO...70

2.10 SALÁRIO-MATERNIDADE...71

2.10.1 PARTO...71

2.10.2 ABORTO NÃO CRIMINOSO...72

2.10.3 ADOÇÃO DE CRIANÇA...72

2.10.4 BENEFICIÁRIOS...73

2.10.5 SITUAÇÃO DA DESEMPREGADA...74

2.10.6 CARÊNCIA...74

2.10.7 RENDA MENSAL DO BENEFÍCIO...75

(8)

2.11 PENSÃO POR MORTE...80

2.11.1 MORTE PRESUMIDA...80

2.11.2 BENEFICIÁRIOS...81

2.11.3 ÓBITO OCORRIDO APÓS A PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO...84

2.11.4 CARÊNCIA...84

2.11.5 RENDA MENSAL INICIAL...85

2.11.6 CESSAÇÃO DO PAGAMENTO DA COTA INDIVIDUAL...86

2.11.7 SUSPENSÃO PROVISÓRIA DO PAGAMENTO DA COTA INDIVIDUAL...87

2.11.8 CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO...87

2.12 AUXÍLIO-RECLUSÃO...89

2.12.1 BENEFICIÁRIOS...90

2.12.2 CARÊNCIA...90

2.12.3 REQUERIMENTO DO BENEFÍCIO...90

2.12.4 ÓBITO DO SEGURADO RECLUSO...91

2.12.5 RENDA MENSAL INICIAL...91

2.12.6 DATA DE INÍCIO DO BENEFÍCIO...92

2.12.7 SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO...92

2.12.8 CESSAÇÃO DO PAGAMENTO DA COTA INDIVIDUAL...92

2.12.9 CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO...93

2.13 ABONO ANUAL...94

2.13.1 FORMA DE CÁLCULO...94

2.13.2 QUANDO É PAGO...94

3 SERVIÇOS DO RGPS...95

3.1 HABILITAÇÃO E REABILITAÇÃO PROFISSIONAL...95

3.1.1 BENEFICIÁRIOS...95

3.1.2 CARÊNCIA...95

3.1.3 PROCESSO DE HABILITAÇÃO E REABILITAÇÃO PROFISSIONAL...95

3.1.4 OBRIGAÇÃO DAS EMPRESAS...96

3.2 SERVIÇO SOCIAL...97

(9)

Com base numa interpretação sistemática da Emenda Constitucional nº 103/2019, combinada com o art. 18 da Lei 8.213/91 e com o art. 25 do Regulamento da Previdência Social, podemos afirmar que o RGPS compreende as seguintes prestações, expressas em benefícios e serviços:

Benefícios

Quanto ao segurado

Aposentadoria por incapacidade permanente

Aposentadoria programada

Aposentadoria por idade do trabalhador rural

Aposentadoria especial

Auxílio por incapacidade temporária

Salário-família

Salário-maternidade

Auxílio-acidente

Quanto ao

dependente Pensão por morte

Auxílio-reclusão

Serviços Quanto ao segurado e dependente

Reabilitação profissional

Serviço social

Observações importantes:

• Prestação é o gênero, benefício e serviço são as espécies.

• Benefícios são prestações pecuniárias, ou seja, pagas em dinheiro.

• Serviço é um bem imaterial posto à disposição dos beneficiários.

• Os benefícios de pensão por morte e auxílio-reclusão são direitos dos dependentes do segurado. Os demais benefícios são direitos do segurado.

• A reabilitação profissional e o Serviço Social são serviços prestados tanto ao segurado como aos

(10)

DISTRIBUIÇÃO DAS PRESTAÇÕES, SEGUNDO A CATEGORIA DOS BENEFICIÁRIOS:

Prestações

Segurado

Dependente Empregado e

trabalhador avulso

Empregado doméstico

Contribuinte individual e

facultativo

Segurado especial Aposentadoria

por incapacidade permanente

Sim Sim Sim Sim Não

Aposentadoria

programada Sim Sim Sim Obs. 1 Não

Aposentadoria

especial Sim Não Obs. 2 Não Não

Auxílio por incapacidade

temporária Sim Sim Sim Sim Não

Auxílio-

acidente Sim Sim Não Sim Não

Salário-família Sim Sim Não Não Não

Salário-

maternidade Sim Sim Sim Sim Não

Pensão por

morte Não Não Não Não Sim

Auxílio-

reclusão Não Não Não Não Sim

Reabilitação

profissional Sim Sim Sim Sim Sim

Serviço Social Sim Sim Sim Sim Sim

Observações importantes:

O segurado especial terá direito à aposentadoria programada, na forma do art. 21 da Lei 8.212/91 (RPS, art. 39, § 2º, II).

A aposentadoria especial não é devida ao segurado facultativo. Em regra, também não é devida ao contribuinte individual. Contudo, a pessoa física filiada a cooperativa de trabalho ou de produção, mesmo sendo considerada contribuinte individual, faz jus ao benefício da aposentadoria especial.

(11)

1 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Antes de adentrarmos no estudo de cada uma das prestações do RGPS, é necessário que conheçamos alguns conceitos introdutórios.

1.1 Carência

Nos termos do art. 24 da Lei 8.213/91, “período de carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências”.

Assim, enquanto não se completar o período de carência de determinado benefício o segurado não terá direito ao seu recebimento, por ser uma das condições para seu deferimento.

Vale frisar que, para efeito de carência, somente serão consideradas as competências cujo salário de contribuição seja igual ou superior ao seu limite mínimo mensal (RPS, art. 26).

1.1.1 Contagem do período de carência

SEGURADO Data de início da contagem da carência Empregado, empregado doméstico, e trabalhador

avulso Data de filiação ao RGPS

Contribuinte individual, segurado facultativo e o segurado especial que contribui, facultativamente, com 20% sobre o salário de contribuição.

Data do efetivo recolhimento da primeira contribuição sem atraso, não sendo consideradas para efeito de carência as contribuições recolhidas com atraso referentes a competências anteriores a essa data.

Segurado especial que não contribui, facultativamente, com 20% sobre o salário de contribuição.

A partir do efetivo exercício da atividade rural, devidamente comprovada.

Para efeito de carência, considera-se presumido o recolhimento das contribuições do segurado empregado, do trabalhador avulso e, relativamente ao contribuinte individual, a partir da competência abril de 2003, as contribuições dele descontadas pela empresa (RPS, art. 26, § 4º).

Para fins de carência, no caso de segurado empregado doméstico, considera-se presumido o recolhimento das contribuições dele descontadas pelo empregador doméstico, a partir da competência junho de 2015 (RPS, art. 26, § 4º-A). Para o segurado empregado doméstico filiado ao RGPS nessa condição até 31 de maio de 2015, o período de carência será contado a partir da data do efetivo recolhimento da primeira contribuição sem atraso (RPS, art. 26, § 4º-B).

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I - o tempo de serviço militar, obrigatório ou voluntário;

II - o tempo de serviço do segurado trabalhador rural anterior à competência novembro de 1991. Nesse período, o trabalhador rural não contribuía para a Previdência Social;

III - contribuições recolhidas com atraso relativas a competências anteriores à data do recolhimento da primeira contribuição sem atraso dos segurados contribuinte individual e facultativo.

No caso de contribuinte individual, especial e facultativo, para cômputo do período de carência, só serão consideradas as contribuições realizadas a contar da data do efetivo pagamento da primeira contribuição sem atraso (Lei 8.213/91, art. 27, II). No entanto, sendo paga a primeira contribuição sem atraso, as contribuições referentes a competências posteriores, mesmo que sejam pagas com atraso, serão consideradas para efeito de carência.

1.1.2 Contagem da carência para o segurado especial

Para o segurado especial, considera-se período de carência o tempo mínimo de efetivo exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, igual ao número de meses necessário à concessão do benefício requerido (RPS, art. 26, §1º).

Assim, o período de carência do segurado especial não é contado em número de contribuições previdenciárias recolhidas, e sim em número de meses de efetivo exercício na atividade rural.

Todavia, se o segurado especial fizer a opção por contribuir, facultativamente, com a alíquota de 20% sobre o salário de contribuição, será dele exigido o recolhimento das contribuições.

De acordo com o art. 38-A da Lei 8.213/91, o Ministério da Economia manterá sistema de cadastro dos segurados especiais no Cadastro Nacional de Informações Sociais - CNIS e poderá firmar acordo de cooperação com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e com outros órgãos da Administração Pública federal, estadual, distrital e municipal para a manutenção e a gestão do sistema de cadastro. Esse sistema preverá a manutenção e a atualização anual do cadastro e conterá as informações necessárias à caracterização da condição de segurado especial, nos termos do disposto no Regulamento (Lei 8.213/91, art. 38-A, § 1º). A mencionada atualização anual será feita até 30 de junho do ano subsequente. Decorrido esse prazo, o segurado especial só poderá computar o período de trabalho rural se efetuado em época própria o recolhimento na forma prevista no art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 (contribuição previdenciária de 1,3% incidente sobre receita bruta proveniente da comercialização da sua produção). É vedada a atualização do cadastro após o prazo de cinco anos, contados a partir 30 de junho do ano subsequente aos fatos (Lei 8.213/91, art. 38-A, § 6º).

De acordo com o art. 38-B da Lei 8.213/91, o INSS utilizará as informações constantes do cadastro de que trata o art. 38-A para fins de comprovação do exercício da atividade e da condição do segurado especial e do respectivo grupo familiar. O cadastro de que trata o art. 38-A é o CNIS.

O § 1º do art. 38-B da Lei nº 8.213/91 determina que, a partir de 1º de janeiro de 2023, a comprovação da condição e do exercício da atividade rural do segurado especial ocorrerá exclusivamente pelas informações constantes do CNIS (Lei 8.213/91, art. 38-B, §1º).

De acordo com § 2º do art. 38-B da Lei nº 8.213/91, para o período anterior a 1º de janeiro de 2023,

(13)

órgãos públicos, na forma prevista no Regulamento. Contudo, vale ressaltar que o § 1º do art. 25 da Emenda Constitucional nº 103/209 determina que, para fins de comprovação de atividade rural exercida até a data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional, o prazo de que tratam os §§

1º e 2º do art. 38-B da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, será prorrogado até a data em que o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) atingir a cobertura mínima de 50% (cinquenta por cento) dos trabalhadores de que trata o § 8º do art. 195 da Constituição Federal, apurada conforme quantitativo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).

Na hipótese de haver divergência de informações, para fins de reconhecimento de direito com vistas à concessão de benefício, o INSS poderá exigir a apresentação dos documentos referidos no art. 106 da Lei 8.213/91. De acordo com o disposto no art. 106 da Lei 8.213/91, a comprovação do exercício de atividade rural será feita, complementarmente à declaração de que trata o art. 38-B, por meio de:

I - contrato individual de trabalho ou Carteira de Trabalho e Previdência Social;

II - contrato de arrendamento, parceria ou comodato rural;

III - (Revogado pela Lei 13.846, de 2019);

IV - Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, de que trata o inciso II do caput do art. 2º da Lei nº 12.188, de 11 de janeiro de 2010, ou por documento que a substitua;

V - bloco de notas do produtor rural;

VI - notas fiscais de entrada de mercadorias, de que trata o § 7° do art. 30 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, emitidas pela empresa adquirente da produção, com indicação do nome do segurado como vendedor;

VII - documentos fiscais relativos a entrega de produção rural à cooperativa agrícola, entreposto de pescado ou outros, com indicação do segurado como vendedor ou consignante;

VIII - comprovantes de recolhimento de contribuição à Previdência Social decorrentes da comercialização da produção;

IX - cópia da declaração de imposto de renda, com indicação de renda proveniente da comercialização de produção rural; ou

X - licença de ocupação ou permissão outorgada pelo Incra. Além dos documentos supra, o Regulamento da Previdência Social (art. 62, § 2º, II, “l”) ainda admite como prova de exercício da atividade rural a “certidão fornecida pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI, certificando a condição do índio como trabalhador rural, desde que homologada pelo INSS”.

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1.1.3 Benefícios sujeitos a carência

Benefício Carência

Aposentadoria programada 180 contribuições mensais

Aposentadoria especial 180 contribuições mensais

Aposentadoria por incapacidade permanente Em regra, 12 contribuições mensais Auxílio por incapacidade temporária Em regra, 12 contribuições mensais

Salário-maternidade Para os segurados contribuinte individual, especial e facultativo: 10 contribuições mensais.

Auxílio-reclusão 24 contribuições mensais

As prestações (benefícios e serviços) que não constam da tabela acima independem de carência.

Em relação ao salário-maternidade, apenas os segurados contribuintes individuais, especiais e facultativos necessitam cumprir carência. Os segurados empregados, empregados domésticos e trabalhadores avulsos terão direito ao salário-maternidade sem ser exigida qualquer carência.

Já vimos que para o segurado especial, a carência é o número de meses de efetivo exercício da atividade rural, ainda que de forma descontínua, necessário para a concessão de um benefício.

Assim, para ter direito ao salário-maternidade, por exemplo, o segurado especial não precisa comprovar o recolhimento de 10 contribuições mensais: basta comprovar 10 meses de efetivo exercício de atividade rural.

Em caso de parto antecipado, o período de carência do salário-maternidade será reduzido em número de contribuições equivalentes ao número de meses em que o parto foi antecipado.

Não será exigida a carência de 12 contribuições para a aposentadoria por incapacidade permanente e para o auxílio por incapacidade temporária motivados por acidente de qualquer natureza ou causa e de doença profissional ou do trabalho, bem como nos casos de segurado que, após filiar-se ao RGPS, for acometido de alguma das seguintes doenças: tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, esclerose múltipla, hepatopatia grave, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da deficiência imunológica adquirida (AIDS) ou contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada (Lei 8.213/91, art. 26, II c/c art. 151).

Em se tratando de aposentadoria por incapacidade permanente e auxílio por incapacidade temporária, para que haja a dispensa da carência, não é necessário que o acidente seja acidente de trabalho. A lei refere-se a acidente de qualquer natureza ou causa. Entende-se como acidente de qualquer natureza ou causa aquele de origem traumática e por exposição a agentes exógenos (físicos, químicos ou biológicos), que acarrete lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou a redução permanente ou temporária da capacidade laborativa (RPS, art. 30, § 1º).

(15)

1.1.4 Perda da qualidade de segurado

Na hipótese de perda da qualidade de segurado, para fins da concessão dos benefícios de auxílio por incapacidade temporária, de aposentadoria por incapacidade permanente, de salário-maternidade e de auxílio-reclusão, o segurado deverá contar, a partir da data da nova filiação à Previdência Social, com metade dos períodos de carência exigidos para tais benefícios (Lei 8.213/91, art. 27-A).

Enquanto o segurado não atingir essa quantidade de contribuições, ele não poderá recuperar, para efeito de carência, os recolhimentos anteriores à perda da qualidade de segurado. Basicamente, este pagamento funciona como uma forma de “pedágio” ao segurado que perdeu a qualidade e, posteriormente, voltou ao sistema protetivo.

Assim, no caso da aposentadoria por incapacidade permanente e do auxílio por incapacidade temporária, para efeito de carência, o segurado só poderá recuperar os recolhimentos anteriores à perda da qualidade de segurado, depois que, a partir da nova filiação à Previdência Social, recolher 6 contribuições mensais. No caso do salário-maternidade, só depois de recolher 5 contribuições mensais. E no caso de auxílio-reclusão, só depois de recolher 12 contribuições mensais.

BENEFÍCIO CARÊNCIA CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS A

PARTIR DA NOVA FILIAÇÃO Aposentadoria por incapacidade

permanente 12 6

Auxílio por incapacidade temporária 12 6

Salário-maternidade 10 5

Auxílio-reclusão 24 12

Vale frisar que a regra aqui discutida somente é aplicada para os benefícios de auxílio por incapacidade temporária, de aposentadoria por incapacidade permanente, de salário-maternidade e de auxílio-reclusão. Para os demais benefícios, as contribuições recolhidas em períodos anteriores à perda da qualidade de segurado serão sempre computadas para efeito da carência. Tratando-se de auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente e salário- maternidade, a regra em tela somente será aplicada para os casos em que esses benefícios exigem carência. Há casos em que a concessão desses benefícios independe de carência (Lei 8.213/91, art.

26, II e VI).

Exemplo: Joaquim inscreveu-se no RGPS como segurado facultativo e recolheu, sem atraso, 10 contribuições mensais. Em virtude de dificuldades financeiras, passou 9 meses sem recolher suas contribuições, perdendo, assim, a qualidade de segurado. Passadas as dificuldades financeiras, Joaquim voltou a contribuir, readquirindo a qualidade de segurado. Após ter recolhido mais 5 contribuições mensais, o segurado adoeceu, ficando incapacitado para suas atividades habituais por mais de 15 dias consecutivos. A enfermidade que incapacitou o segurado não está relacionada na lista de doenças em que a carência é dispensada. Nesta situação, Joaquim não terá direito ao

(16)

1.2 Salário de benefício (SB)

Salário de benefício é o valor básico utilizado para cálculo da renda mensal inicial dos benefícios, exceto o salário-família, a pensão por morte, o salário-maternidade e o auxílio-reclusão.

Em outras palavras, o salário de benefício é a base de cálculo das aposentadorias, do auxílio por incapacidade temporária e do auxílio-acidente. A partir dessa base é que será calculado o valor da renda mensal inicial desses benefícios, por meio de aplicação de percentuais previstos em lei.

Por exemplo: em regra, a renda mensal inicial do auxílio por incapacidade temporária corresponde a 91% do salário de benefício. Assim, se o salário de benefício calculado for o equivalente a R$

2.000,00, a renda mensal inicial do auxílio por incapacidade temporária será de R$ 1.820,00.

O salário-maternidade e o salário-família não são calculados com base no salário de benefício. Esses dois benefícios têm uma forma de cálculo diferenciada, que será estudada no tópico específico.

No tocante à pensão por morte, a legislação previdenciária não vinculou a forma de cálculo diretamente ao salário de benefício. Mas, como veremos mais adiante, indiretamente, seu valor está relacionado com o salário de benefício.

Atualmente, o valor da renda mensal do auxílio-reclusão corresponde a um salário-mínimo (EC 103/2019, art. 27, § 1º). Assim, atualmente, o valor mensal do auxílio-reclusão não tem nenhuma relação com salário de benefício.

1.2.1 Cálculo do salário de benefício

Até que lei discipline o cálculo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, será utilizada a média aritmética simples dos salários de contribuição, atualizados monetariamente, correspondentes a 100% (cem por cento) do período contributivo desde a competência julho de 1994 ou desde o início da contribuição, se posterior àquela competência (EC 103/2019, art. 26).

Essa média será limitada ao valor máximo do salário de contribuição do Regime Geral de Previdência Social (EC 103/2019, art. 26, § 1º).

Observe que os salários de contribuição relativos às competências anteriores a julho de 1994 não entram no cálculo do salário de benefício. A título de curiosidade, julho de 1994 é o mês que entrou em vigor o Real (a atual moeda brasileira). Assim, optou o legislador por excluir os salários de contribuição anteriores a julho de 1994, vertidos em período inflacionário que resultava em perda do poder de compra dos salários, com o fim de não comprometer o valor futuro das aposentadorias.

Em outras palavras, podemos dizer que o salário de benefício será calculado da seguinte forma:

Início do período contributivo Salário de benefício Para segurado que iniciou seu período contributivo

antes de julho de 1994. Média aritmética simples de todo os salários de contribuição correspondentes ao período contributivo desde a competência julho de 1994, atualizados monetariamente.

Para segurado que iniciou seu período contributivo

a partir de julho de 1994. Média aritmética simples de todos os salários de contribuição, atualizados monetariamente.

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Poderão ser excluídas dessa média os salários de contribuição que resultem em redução do valor do benefício, desde que mantido o tempo mínimo de contribuição exigido para a concessão do benefício, vedada a utilização do tempo excluído para qualquer finalidade, inclusive para o acréscimo no valor da aposentadoria a que se referem os §§ 2º e 5º do art. 26 da Emenda Constitucional nº 103/2019, para a averbação em outro regime previdenciário ou para a obtenção dos proventos de inatividade dos militares (EC 103/2019, art. 26, § 1º).

Salário de contribuição é a base de cálculo da contribuição previdenciária do segurado, sobre a qual incidirá a alíquota estabelecida em lei para determinar o valor de sua contribuição mensal. Por exemplo: Rosana, segurada facultativa, recolheu sua contribuição previdenciária, referente ao mês de março de 2019, no valor de R$ 200,00. Isso significa que o salário de contribuição de Rosana, referente ao mês de março de 2019, foi R$ 1.000,00, pois a alíquota de contribuição do segurado facultativo é de 20% (vinte por cento) sobre o respectivo salário de contribuição (Lei 8.212/91, art. 21).

Considera-se período contributivo: (I) para o empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso: o conjunto de meses em que houve ou deveria ter havido contribuição em razão do exercício de atividade remunerada sujeita a filiação obrigatória ao RGPS; (II) para os demais segurados, inclusive o facultativo: o conjunto de meses de efetiva contribuição ao RGPS (RPS, art. 32, § 22).

Para o segurado empregado, inclusive o doméstico, o trabalhador avulso e o segurado especial, o valor do auxílio-acidente será considerado como salário de contribuição para fins de concessão de qualquer aposentadoria (RPS, art. 36, I).

Todos os salários de contribuição utilizados no cálculo do salário de benefício serão reajustados, mês a mês, de acordo com a variação integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referente ao período decorrido a partir da primeira competência do salário de contribuição que compõe o período básico de cálculo até o mês anterior ao do início do benefício, de modo a preservar os seus valores reais (CF, art. 201, § 3º, e RPS, art. 33). Assim, para fins de cálculo do salário de benefício, o primeiro procedimento a ser adotado é a atualização de todos os salários de contribuição compreendidos no período básico de cálculo. Depois que estes salários de contribuição estiverem devidamente atualizados, faz-se uma média aritmética de todos os salários de contribuição relativos ao período contributivo desde a competência julho de 1994 ou desde o início da contribuição, se posterior àquela competência.

Imagine-se, por exemplo, um segurado que, após recolher 200 contribuições mensais para o RGPS, ficou temporariamente incapacitado para o trabalho, por mais de 15 dias consecutivos. Nesse caso, o segurado terá direito ao recebimento do benefício de auxílio por incapacidade temporária, que será calculado da seguinte forma:

1º passo: atualizar, com base no INPC, todos os 200 salários de contribuição;

2º passo: somar os valores dos 200 salários de contribuição;

3º passo: dividir o resultado obtido no passo anterior por 200 (aqui, encontramos o valor do salário de benefício);

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O valor do salário de benefício não será inferior ao de um salário mínimo, nem superior ao limite máximo do salário de contribuição na data de início do benefício (Lei 8.213/91, art. 29, § 2º).

Não será considerado, no cálculo do salário de benefício, o aumento dos salários de contribuição que exceder o limite legal, inclusive o voluntariamente concedido nos 36 meses imediatamente anteriores ao início do benefício, salvo se homologado pela Justiça do Trabalho, resultante de promoção regulada por normas gerais da empresa, admitida pela legislação do trabalho, de sentença normativa ou de reajustamento salarial obtido pela categoria respectiva (Lei 8.213/91, art. 29, § 4º).

O segurado somente terá reconhecida como tempo de contribuição ao Regime Geral de Previdência Social a competência cuja contribuição seja igual ou superior à contribuição mínima mensal exigida para sua categoria, assegurado o agrupamento de contribuições (CF, art. 195, § 14). A competência não computada como tempo de contribuição também não será computada para qualquer outro fim, como, por exemplo, no cálculo do valor do benefício, para carência ou mesmo para a manutenção da qualidade de segurado.

Se, no período básico de cálculo, o segurado tiver recebido benefício por incapacidade, considerar- se-á como salário de contribuição, no período, o salário de benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal, reajustado nas mesmas épocas e nas mesmas bases dos benefícios em geral, não podendo ser inferior ao salário mínimo nem superior ao limite máximo do salário de contribuição.

Para o segurado empregado, inclusive o doméstico, o trabalhador avulso e o segurado especial, o valor mensal do auxílio-acidente integra o salário de contribuição, para fins de cálculo do salário de benefício de qualquer aposentadoria (Lei 8.213/91, art. 31 c/c art. 34, II). No caso de segurado especial que não contribui, facultativamente, com alíquota de 20% sobre o salário de contribuição, o valor da aposentadoria será: um salário mínimo somado ao valor do auxílio-acidente vigente na data de início da referida aposentadoria (RPS, art. 36, § 6º).

No cálculo do salário de benefício dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, serão considerados os salários de contribuição referentes aos meses de contribuições devidas, ainda que não recolhidas pela empresa ou pelo empregador doméstico. Para os demais segurados somente serão computados os salários de contribuição referentes aos meses de contribuição efetivamente recolhida (Lei 8.213/91, art. 34).

Ao segurado empregado, inclusive o doméstico, e ao trabalhador avulso que tenham cumprido todas as condições para a concessão do benefício pleiteado, mas não possam comprovar o valor de seus salários de contribuição no período básico de cálculo, será concedido o benefício de valor mínimo, devendo esta renda ser recalculada quando da apresentação de prova dos salários de contribuição (Lei 8.213/91, art. 35).

Para o segurado empregado doméstico que, mesmo tendo satisfeito as condições exigidas para a concessão do benefício requerido, não possa comprovar o efetivo recolhimento das contribuições devidas, será concedido o benefício de valor mínimo, devendo sua renda ser recalculada quando da apresentação da prova do recolhimento das contribuições.

Para os benefícios que independem de carência, com exceção do salário-família e do auxílio- acidente, será pago o valor mínimo de benefício quando não houver salário de contribuição no

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O salário de benefício do segurado especial, em regra, consiste no valor equivalente ao salário mínimo (Lei 8.213/91, art. 29, § 6º). Contudo, quando o segurado especial contribui, facultativamente, com 20% sobre o salário de contribuição, o seu salário de benefício será calculado usando-se as mesmas regras adotadas para os demais segurados.

1.2.2 Salário de benefício do segurado que contribuir em razão de atividades concomitantes

De acordo com o art. 32 da Lei 8.213/91, o salário de benefício do segurado que contribuir em razão de atividades concomitantes será calculado com base na soma dos salários de contribuição das atividades exercidas na data do requerimento ou do óbito, ou no período básico de cálculo. Todavia, essa não se aplica ao segurado que, em obediência ao limite máximo do salário de contribuição, contribuiu apenas por uma das atividades concomitantes (Lei 8.213/91, art. 32, § 1º). Essa regra também não se aplica ao segurado que tenha sofrido redução do salário de contribuição das atividades concomitantes em respeito ao limite máximo desse salário (Lei 8.213/91, art. 32, § 2º).

1.3 Limites da renda mensal do benefício

No tocante ao limite mínimo, o § 2º do art. 201 da Constituição Federal determina que nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo. Perceba que os benefícios que não podem ser inferiores ao salário mínimo são somente aqueles que substituem o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado.

De acordo com o art. 33 da Lei 8.213/91, a renda mensal do benefício de prestação continuada que substituir o salário-de-contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado não terá valor inferior ao do salário-mínimo, nem superior ao do limite máximo do salário de contribuição, ressalvado o disposto no art. 45 desta Lei. Neste ano de 2020, a partir de 01 de fevereiro, o valor do salário mínimo é R$1.045,00 e o limite máximo do salário de contribuição é R$6.101,06. No entanto, essa regra admite as seguintes exceções:

a) No caso de aposentadoria por invalidez, quando o segurado necessitar da assistência permanente de outra pessoa, ele terá direito a um acréscimo de 25% no valor de sua aposentadoria, podendo, nesse caso, o limite máximo da renda mensal do benefício superar o limite máximo do salário de contribuição (Lei 8.213/91, art. 45);

b) O salário-maternidade das seguradas empregada e trabalhadora avulsa consiste numa renda mensal igual à sua remuneração integral, limitada ao subsídio dos ministros do STF (CF, art.

248), podendo, assim, ser superior ao limite máximo do salário de contribuição;

c) O auxílio-acidente, o salário-família, o abono de permanência em serviço e o auxílio- suplementar poderão ter valor inferior ao do salário mínimo. Isso ocorre, porque esses

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Previdência Social uruguaia e 19 anos vinculado ao RGPS. Com base num acordo internacional, a previdência social uruguaia arcará com uma parcela da aposentadoria devida a João Marcos e o RGPS arcará com a outra parcela, proporcionalmente ao período cumprido em cada país. Essa parcela a cargo do RGPS pode ser inferior ao salário mínimo.

e) O auxílio por incapacidade temporária do segurado que exercer mais de uma atividade abrangida pelo RGPS será devido mesmo no caso de incapacidade apenas para o exercício de uma delas. Nessa hipótese, o valor do auxílio por incapacidade temporária poderá ser inferior ao salário mínimo desde que somado às demais remunerações recebidas resultar valor superior a este (RPS, art. 73, §4º). Isso é possível porque, nesse caso, o auxílio por incapacidade temporária não está substituído renda mensal do trabalhador, pois este ainda contará com o rendimento da atividade para a qual não se incapacitou.

Assim, não terão valor inferior ao salário mínimo os benefícios de prestação continuada pagos pela Previdência Social correspondentes a aposentadorias, auxílio- -doença (em regra), auxílio-reclusão auxílio por incapacidade temporária (valor global) e pensão por morte (valor global).

Nos casos de auxílio-reclusão e de pensão por morte, a cota individual de cada dependente pode ser inferior ao salário mínimo. O que não pode ser inferior ao salário mínimo é o valor global do benefício.

Não confundir os limites da renda mensal do benefício com os limites do salário de benefício. No tocante ao salário de benefício, em nenhuma hipótese poderá ser inferior ao salário mínimo nem superior ao limite máximo do salário de contribuição.

1.3.1 Reajustamento do teto do RGPS

O teto do RGPS (limite máximo do salário de benefício e do salário de contribuição) é reajustado, anualmente, na mesma data do reajuste do salário mínimo, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC. No entanto, nos anos de 1998 e 2003, a regra geral foi excepcionada: as emendas constitucionais 20/1998 e 41/2003 fixaram novos tetos para o RGPS, aumentando-os acima da variação do INPC.

1.4 Reajustamento do valor do benefício

Obtida a renda mensal inicial do benefício, este valor deve ser reajustado periodicamente de modo a preservar o valor real do benefício.

De acordo com o disposto no § 4º do art. 201 da Constituição Federal, “é assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei”.

Em obediência a esse dispositivo constitucional, o art. 41-A da Lei 8.213/91 determina que o valor dos benefícios em manutenção seja reajustado, anualmente, na mesma data do reajuste do salário mínimo, pro rata, de acordo com suas respectivas datas de início ou do último reajustamento, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Para benefícios que estão sendo reajustados pela

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Os benefícios do RGPS serão reajustados na mesma data de reajuste do salário mínimo, mas não necessariamente pelo mesmo índice de reajuste do salário mínimo. No ano de 2021, por exemplo, os benefícios do RGPS foram reajustados em 5,45% (Portaria SEPRT nº 477, de 12/01/2021), enquanto o salário mínimo foi reajustado em 5,26% (Medida Provisória 1.021/2020).

Não há que se confundir o preceito constitucional da manutenção do valor real do benefício (CF, art. 201, § 4º) com equivalência em número de salários mínimos. Manter o valor real do benefício significa reajustá-lo de acordo com a variação inflacionária, de modo a evitar diminuição injusta do seu poder de compra. Não foi intenção do legislador constituinte vincular aquela garantia ao valor do salário mínimo. Apenas no período em que vigorou o art. 58 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (entre a data de publicação da Constituição de 1988 e a entrada em vigor das Leis 8.212/91 e 8.213/91), o valor dos benefícios previdenciários foi fixado em número de salários mínimos. Ademais, esta regra transitória teve aplicação apenas em relação aos benefícios iniciados antes da vigência da Constituição de 1988.

2 BENEFÍCIOS DO RGPS

Neste tópico, estudaremos as regras aplicáveis a cada benefício disponibilizado pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

No tocante às aposentadorias, inicialmente estudaremos as regras permanentes introduzidas pela Emenda Constitucional nº 103/2019 e, em seguida, estudaremos as regras de transição que se aplicam aos segurados que já eram filiados ao RGPS até a data de entrada em vigor da mencionada Emenda Constitucional.

2.1 Aposentadoria por incapacidade permanente

A aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez), uma vez cumprida a carência exigida, quando for o caso, será devida ao segurado que, estando ou não em gozo de auxílio por incapacidade temporária, for considerado incapaz para o trabalho e insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e ser-lhe-á paga enquanto permanecer nessa condição (art. 42 da Lei 8.213/91).

2.1.1 Verificação da incapacidade

A concessão de aposentadoria por incapacidade permanente dependerá da verificação da condição de incapacidade, mediante exame médico-pericial a cargo da previdência social, podendo o segurado, às suas expensas, fazer-se acompanhar de médico de sua confiança. Concluindo a perícia médica pela existência de incapacidade total e definitiva para o trabalho, a aposentadoria por incapacidade permanente será concedida. Todavia, havendo prognóstico de recuperação para a atividade anterior ou outra, o benefício a ser concedido deve ser o auxílio por incapacidade

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maioria das vezes, concede-se inicialmente ao segurado o benefício de auxílio por incapacidade temporária e, posteriormente, concluindo-se pela impossibilidade de retorno à atividade laborativa, transforma-se o benefício inicial em aposentadoria por incapacidade permanente.

A concessão de aposentadoria por incapacidade permanente, inclusive mediante transformação de auxílio por incapacidade temporária, está condicionada ao afastamento de todas as atividades.

A aposentadoria por incapacidade permanente é um benefício provisório, pois o segurado pode, em certos casos, recuperar-se. O segurado aposentado por incapacidade permanente poderá ser convocado a qualquer momento para avaliação das condições que ensejaram o afastamento ou a aposentadoria, concedida judicial ou administrativamente (Lei 8.213/91, art. 43, § 4º). Por isso, o segurado aposentado por incapacidade permanente está obrigado, sob pena de suspensão do benefício, a submeter-se a exame médico a cargo da Previdência Social, processo de reabilitação profissional por ela prescrito e custeado e tratamento dispensado gratuitamente, exceto o cirúrgico e a transfusão de sangue, que são facultativos (Lei 8.213/91, art. 101). No entanto, a pessoa com HIV/aids é dispensada dessa avaliação (Lei 8.213/91, art. 43, § 5º). O aposentado por incapacidade permanente que não tenha retornado à atividade também estará isento desses exames nos seguintes casos: (I) após completar 55 anos ou mais de idade e quando decorridos 15 anos da data da concessão da aposentadoria por incapacidade permanente ou do auxílio por incapacidade temporária que a precedeu; ou (II) após completar 60 anos de idade. Mas a referida isenção não se aplica quando o exame tem as seguintes finalidades:

I - verificar a necessidade de assistência permanente de outra pessoa para a concessão do acréscimo de 25% sobre o valor do benefício, conforme dispõe o art. 45 da Lei 8.213/91;

II - verificar a recuperação da capacidade de trabalho, mediante solicitação do aposentado que se julgar apto;

III - subsidiar autoridade judiciária na concessão de curatela, conforme dispõe o art. 110 da Lei 8.213/91.

A perícia médica do INSS terá acesso aos prontuários médicos do periciado no Sistema Único de Saúde (SUS), desde que haja a prévia anuência do periciado e seja garantido o sigilo sobre os dados dele (Lei 8.213/91, art. 101, § 4º).

É assegurado o atendimento domiciliar e hospitalar pela perícia médica e social do INSS ao segurado com dificuldades de locomoção, quando seu deslocamento, em razão de sua limitação funcional e de condições de acessibilidade, imponha-lhe ônus desproporcional e indevido (Lei 8.213/91, art.

101, § 5º).

O Estatuto do Idoso assegura ao idoso enfermo o atendimento domiciliar pela perícia médica do INSS, pelo serviço público de saúde ou pelo serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde – SUS, para expedição do laudo de saúde necessário ao exercício de seus direitos sociais e de isenção tributária (Lei 10.741/2003, art. 15, § 6º).

O aposentado por incapacidade permanente que se julgar apto a retornar à atividade deverá solicitar a realização de nova avaliação médico-pericial.

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2.1.2 Doença preexistente

A doença ou lesão de que o segurado já era portador ao filiar-se ao RGPS não lhe conferirá direito à aposentadoria por incapacidade permanente, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou agravamento dessa doença ou lesão (§ 2º do art. 42 da Lei 8.213/91).

2.1.3 Beneficiários

Todos os segurados têm direito à aposentadoria por incapacidade permanente.

2.1.4 Carência

O período de carência para a concessão da aposentadoria por incapacidade permanente é, em regra, de 12 contribuições mensais. Todavia, a concessão independe de carência nos casos em que a incapacidade for decorrente de acidente de qualquer natureza ou causa e de doença profissional ou do trabalho, bem como nos casos de segurado que, após filiar-se ao RGPS, for acometido de alguma das seguintes doenças: tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, esclerose múltipla, hepatopatia grave, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da deficiência imunológica adquirida (AIDS) ou contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada (Lei 8.213/91, art.

26, II c/c art. 151).

Em casos de acidente, para que haja a dispensa da carência, não é necessário que seja acidente de trabalho. A lei refere-se a acidente de qualquer natureza ou causa. Entende-se como acidente de qualquer natureza ou causa aquele de origem traumática e por exposição a agentes exógenos (físicos, químicos ou biológicos), que acarrete lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou a redução permanente ou temporária da capacidade laborativa.

Para o segurado especial, basta a comprovação do exercício de atividade pelo período equivalente ao número de meses correspondente à carência do benefício requerido.

Havendo perda da qualidade de segurado, para habilitar-se à aposentadoria por incapacidade permanente, o segurado necessitará cumprir, a partir da data da nova filiação à Previdência Social, com metade do período de carência (Lei 8.213/91, art. 27-A). Ou seja, havendo perda da qualidade de segurado, para poder aproveitar as contribuições anteriores a essa perda para fins de cumprimento da carência da aposentadoria por incapacidade permanente, o segurado necessitará, a partir da data da nova filiação à Previdência Social, recolher 6 contribuições mensais.

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2.1.5 Renda mensal inicial

De acordo com o art. 26 da Emenda Constitucional nº 103/2019, o cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria por incapacidade permanente obedecerá às seguintes regras:

Renda mensal inicial da aposentadoria por incapacidade permanente

Regra Geral

Para homem 60% do salário de benefício com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 20 anos de contribuição.

Para mulher 60% do salário de benefício com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 15 anos de contribuição.

Quando decorrer de acidente de trabalho, de doença profissional

e de doença do trabalho. 100% do salário de benefício.

Exemplo 1: José, após 22 anos de contribuição para o RGPS, ficou incapacitado para o trabalho de forma permanente, em razão de uma doença degenerativa. A doença de José não tem nenhuma relação com o seu trabalho. Nesse caso, a renda mensal inicial da aposentadoria por incapacidade permanente que José terá direito a receber corresponderá a 64% do salário de benefício.

Exemplo 2: Maria, após 18 anos de contribuição para o RGPS, ficou incapacitado para o trabalho de forma permanente, em razão de esclerose múltipla. A doença de Maria não tem nenhuma relação com o seu trabalho. Nesse caso, a renda mensal inicial da aposentadoria por incapacidade permanente que Maria terá direito a receber corresponderá a 66% do salário de benefício.

Exemplo 3: Antônio, após 2 anos de contribuição para o RGPS, ficou incapacitado para o trabalho de forma permanente, em razão de um acidente do trabalho. Nesse caso, a renda mensal inicial da aposentadoria por incapacidade permanente que Antônio terá direito a receber corresponderá a 100% do salário de benefício.

O art. 26 da Emenda Constitucional nº 103/2019 não limita a renda mensal inicial desta aposentadoria a 100% do salário de benefício. Se, por exemplo, um segurado do sexo masculino tiver 41 anos de tempo de contribuição, sua aposentadoria corresponderá a 102% do salário de benefício. Já se, por exemplo, uma segurada do sexo feminino tiver 37 anos de tempo de contribuição, sua aposentadoria corresponderá a 104% do salário de benefício. Contudo, a renda mensal da aposentadoria não poderá ultrapassar o limite máximo do salário de contribuição, cujo valor atual é igual a R$ 6.101,06.

Para o segurado especial que não contribui facultativamente, a renda mensal da aposentadoria por incapacidade permanente é de um salário mínimo. Mas quando precedida de auxílio- acidente, a aposentadoria por incapacidade permanente do segurado especial que não contribui facultativamente corresponde a um salário mínimo somado ao valor do auxílio-acidente vigente na data de início da referida aposentadoria (RPS, art. 36, § 6º).

Caso o segurado especial tenha optado por contribuir, facultativamente, com 20% sobre o salário de contribuição, a renda mensal da aposentadoria por incapacidade permanente será calculada de forma igual à aplicada para os demais segurados.

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2.1.5.1 Acréscimo de 25%

O valor da aposentadoria por incapacidade permanente do segurado que necessitar da assistência permanente de outra pessoa será acrescido de 25% (Lei 8.213/91, art. 45). O acréscimo será devido, ainda que o valor da aposentadoria ultrapasse o limite máximo do salário de contribuição. Esse acréscimo cessará com a morte do aposentado, não sendo incorporado ao valor da pensão por morte.

O anexo I do Regulamento da Previdência Social relaciona as situações em que o aposentado por incapacidade permanente terá direito à majoração de 25% na renda mensal de seu benefício. São as seguintes:

1. Cegueira total. 2. Perda de nove dedos das mãos ou superior a esta. 3. Paralisia dos dois membros superiores ou inferiores. 4. Perda dos membros inferiores, acima dos pés, quando a prótese for impossível. 5. Perda de uma das mãos e de dois pés, ainda que a prótese seja possível. 6. Perda de um membro superior e outro inferior, quando a prótese for impossível. 7. Alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida orgânica e social. 8. Doença que exija permanência contínua no leito. 9. Incapacidade permanente para as atividades da vida diária.

A concessão do acréscimo de 25% depende do requerimento do segurado aposentado por incapacidade permanente.

2.1.6 Data de início da aposentadoria por incapacidade permanente

I - Quando for precedida de auxílio por incapacidade temporária: dia imediato ao da cessação do auxílio por incapacidade temporária.

II - Quando não for precedida de auxílio por incapacidade temporária:

a) Para o segurado empregado: a contar do 16º dia do afastamento da atividade ou a partir da data da entrada do requerimento, se entre o afastamento e a entrada do requerimento decorrerem mais de 30 dias; e

b) Para os demais segurados: a contar da data do início da incapacidade ou da data de entrada do requerimento, se entre essas datas decorrerem mais de 30 dias.

Durante os primeiros 15 dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, caberá à empresa pagar ao segurado empregado o salário (Lei 8.213/91, art. 43, § 2º).

2.1.7 Cessação do benefício

O aposentado por incapacidade permanente que retornar voluntariamente à atividade terá sua aposentadoria automaticamente cancelada, a partir da data do retorno (Lei 8.213/91, art. 46).

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Mas se a recuperação da capacidade de trabalho do aposentado por incapacidade permanente for verificada mediante avaliação da perícia médica do INSS, o art. 47 da Lei 8.213/91 manda que seja observado o seguinte procedimento:

I - quando a recuperação for total e ocorrer dentro de cinco anos contados da data do início da aposentadoria por incapacidade permanente ou do auxílio por incapacidade temporária que a antecedeu sem interrupção, o benefício cessará:

a) de imediato, para o segurado empregado que tiver direito a retornar à função que desempenhava na empresa ao se aposentar, na forma da legislação trabalhista, valendo como documento, para tal fim, o certificado de capacidade fornecido pela Previdência Social; ou b) após tantos meses quantos forem os anos de duração do auxílio por incapacidade temporária e da aposentadoria por incapacidade permanente, para os demais segurados; e

II - quando a recuperação for parcial ou ocorrer após cinco anos [contados da mesma forma do item I], ou ainda quando o segurado for declarado apto para o exercício de trabalho diverso do qual habitualmente exercia, a aposentadoria será mantida, sem prejuízo da volta à atividade:

a) pelo seu valor integral, durante seis meses contados da data em que for verificada a recuperação da capacidade;

b) com redução de 50%, no período seguinte de seis meses; e

c) com redução de 75%, também por igual período de seis meses, ao término do qual cessará definitivamente.

Recuperada a capacidade laborativa, o segurado já pode retornar ao trabalho, mesmo nos casos em que ainda fique por certo período recebendo a aposentadoria por incapacidade permanente.

Assim, há casos em que é permitido o aposentado por incapacidade permanente retornar ao trabalho, sem prejuízo do recebimento da aposentadoria (são os casos previstos nos itens I, “b”, e II, acima vistos). Trata-se das denominadas mensalidades de recuperação, que procuram assegurar ao segurado um retorno à atividade com certa tranquilidade.

Além das hipóteses previstas acima, a aposentadoria por incapacidade permanente também cessará em razão da morte do segurado.

Quadro resumo – Aposentadoria por incapacidade permanente

Fato gerador Incapacidade permanente e total para o trabalho e insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência.

Beneficiários Todos os segurados

Carência Em regra, 12 contribuições mensais. Todavia, quando a incapacidade permanente for decorrente de acidente, doença profissional ou do trabalho ou de alguma doença especificada no art. 151 da Lei 8.213/91, não será exigida a carência.

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Renda mensal inicial I. Regra Geral

a) Para homem: 60% do salário de benefício com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 20 anos de contribuição.

b) Para mulher: 60% do salário de benefício com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 15 anos de contribuição.

II. Quando decorrer de acidente de trabalho, de doença profissional e de doença do trabalho: 100% do salário de benefício.

Data do início do

benefício I. Precedida de auxílio por incapacidade temporária – dia imediato ao da cessação deste benefício.

II. Não precedida de auxílio por incapacidade temporária:

a) para o segurado empregado: a contar do 16º dia do afastamento da atividade ou a partir da data da entrada do requerimento, se entre o afastamento e a entrada do requerimento decorrerem mais de 30 dias; e

b) para os demais segurados: a contar da data do início da incapacidade ou da data da entrada do requerimento, se entre essas datas decorrerem mais de 30 dias.

Cessação do benefício Retorno voluntário à atividade; Recuperação da capacidade laborativa; e Morte do segurado.

2.2 Aposentadoria programada

Aposentadoria programada é uma espécie de aposentadoria em que a data de seu início é previsível. O segurado adquirirá o direito a esse benefício na data que completar a idade e o tempo de contribuição previstos na legislação.

Para ter direito ao recebimento da aposentadoria programada, o segurado precisa completar 65 anos de idade, se homem, e 62 anos de idade, se mulher, observado tempo mínimo de contribuição (CF, art. 201, § 7º, I).

Como podemos observar, no tocante à aposentadoria programada, o inciso I do § 7º do art. 201 da Constituição Federal, além de estabelecer uma idade mínima, manda observar um tempo mínimo de contribuição. Contudo, o mencionado dispositivo constitucional não estabelece qual é esse tempo mínimo de contribuição. Assim, cabe ao legislador ordinário, mediante lei, estabelecer esse tempo mínimo de contribuição.

De acordo com o art. 19 da Emenda Constitucional nº 103/2019, até que lei disponha sobre o tempo de contribuição a que se refere o inciso I do § 7º do art. 201 da Constituição Federal, o segurado filiado ao Regime Geral de Previdência Social após a data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional será aposentado aos 62 anos de idade, se mulher, 65 anos de idade, se homem, com 15 anos de tempo de contribuição, se mulher, e 20 anos de tempo de contribuição, se homem.

Assim, podemos resumir o fato gerador da aposentadoria programada da seguinte forma:

(28)

Fato gerador da aposentadoria programada

Idade mínima Para homem 65 anos

Para mulher 62 anos

Tempo mínimo de contribuição Para homem 20 anos

Para mulher 15 anos

Como a idade mínima está prevista na Constituição Federal, só poderá ser modificada mediante emenda constitucional. Já o tempo mínimo de contribuição, por expressa previsão do art. 19 da Emenda Constitucional nº 103/2019, poderá, no futuro, ser modificado por meio de uma lei ordinária.

2.2.1 Aposentadoria programada do professor

O requisito de idade a que se refere o inciso I do § 7º do art. 201 da Constituição Federal será reduzido em 5 (cinco) anos, para o professor que comprove tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio fixado em lei complementar (CF, art. 201, § 8º). Assim, a idade mínima exigida para a aposentadoria programada desses professores será de 60 anos para os homens e 57 para as mulheres.

Como podemos observar, no tocante à aposentadoria programada dos mencionados professores, o

§ 8º do art. 201 da Constituição Federal, além de estabelecer uma idade mínima, manda observar também um tempo mínimo de efetivo exercício nas funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. Contudo, o mencionado dispositivo constitucional não estabelece qual é esse tempo mínimo, delegando competência para que uma lei complementar estabeleça isso.

De acordo com o inciso II do § 1º do art. 19 da Emenda Constitucional nº 103/2019, até que lei complementar disponha sobre a redução de tempo de contribuição prevista nos § 8º do art. 201 da Constituição Federal, será concedida aposentadoria ao professor que comprove 25 anos de contribuição exclusivamente em efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio e tenha 57 anos de idade, se mulher, e 60 anos de idade, se homem.

Para fins de concessão da aposentadoria programada do professor, considera-se função de magistério aquela exercida por professor em estabelecimento de ensino de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as funções de direção de unidade escolar e de coordenação e assessoramento pedagógicos (RPS, art. 54, § 2º).

De acordo com o § 3º do art. 54 do Regulamento da Previdência Social, a comprovação da condição de professor será feita por meio da apresentação:

I - do diploma registrado nos órgãos competentes federais e estaduais ou de documento que comprove a habilitação para o exercício do magistério, na forma prevista em lei específica; e II - dos registros em carteira profissional ou Carteira de Trabalho e Previdência Social complementados, quando for o caso, por declaração do estabelecimento de ensino no qual tenha sido exercida a atividade, sempre que essa informação for necessária para caracterização do efetivo exercício da função de magistério.

(29)

É vedada a conversão de tempo de serviço de magistério, exercido em qualquer época, em tempo de serviço comum (RPS, art. 54, § 4º).

Fato gerador da aposentadoria programada do professor

Idade mínima Para homem 60 anos

Para mulher 57 anos

Tempo mínimo de contribuição exclusivamente em efetivo exercício das funções de magistério na educação

infantil e no ensino fundamental e médio. 25 anos, para ambos os sexos.

2.2.2 Beneficiários

Todos os segurados têm direito à aposentadoria programada, desde que preencham os requisitos estabelecidos na legislação.

No caso específico do segurado especial, para fazer jus à aposentadoria programada, é necessário que ele contribua, facultativamente, na forma do art. 21 da Lei 8.212/91, ou seja, é necessário que ele contribua com 20% sobre o salário de contribuição (RPS, art. 39, § 2º).

2.2.3 Carência

A carência exigida para a concessão da aposentadoria programada é de 180 contribuições mensais (RPS, art, 29, II).

2.2.4 Renda mensal inicial

De acordo com a Emenda Constitucional nº 103/2019, art. 26, § 2º, IV c/c § 5º, até que lei discipline o cálculo dos benefícios do RGPS, o cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria programada obedecerá às seguintes regras:

Para homem 60% do salário de benefício com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 20 anos de contribuição.

Para mulher 60% do salário de benefício com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que exceder o tempo de 15 anos de contribuição.

O art. 26 da Emenda Constitucional nº 103/2019 não limita a renda mensal inicial desta aposentadoria a 100% do salário de benefício. Se, por exemplo, um segurado do sexo masculino tiver 41 anos de tempo de contribuição, sua aposentadoria corresponderá a 102% do salário de benefício. Já se, por exemplo, uma segurada do sexo feminino tiver 37 anos de tempo de contribuição, sua aposentadoria corresponderá a 104% do salário de benefício. Contudo, a renda

Referências

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