1 Autora. Especializanda do Curso de Docencia do Ensino Superior do Centro Universitário São Camilo-ES – [email protected].
2 Professor orientador. Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional - Fernando Coura Assis. Centro Universitário São Camilo-ES – [email protected]
A INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM TDAH NO ENSINO SUPERIOR
THE INCLUSION OF STUDENTS WITH ADHA IN THE HIGHER EDUCATION
MESQUITA, Flávia Andrade de Carvalho1 ASSIS, Fernando Coura2
RESUMO
Este estudo busca, através de pesquisas bibliográficas, informar o que é TDAH, como funciona o cérebro de uma pessoa com este transtorno, suas principais características e como elas influenciam na vida de um TDAH. Esta pesquisa intenta, especificamente, descrever as demandas do jovem com TDAH, além de destacar a inclusão no Ensino Superior de jovens com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, compreender a importância do acompanhamento familiar para o diagnostico precoce do distúrbio, bem como a família deve lidar com o portador deste problema, suas causas e tratamentos e como deve ser a intervenção feita pela equipe multidisplinar da escola, e suas ações em sala de aula. A escolha deste tema se deu a partir da necessidade de mais conhecimentos sobre o assunto, que gera polemica, e preconceitos atualmente. Buscamos relatar neste estudo as dificuldades sofridas pelo estudante que apresenta transtorno do déficit de atenção, em seu relacionamento familiar, escolar e no convívio social. O papel do professor é de suma importância, ele é parte essencial deste processo, e é necessário que tanto ele quanto a Instituição de Ensino Superior estejam preparados para saber como contornar e posicionar o aluno em sala de aula, bem como garantir que o processo de ensino aprendizagem seja adequado às particularidades de um estudante TDAH.
É de grande importância a cumplicidade da escola com a família, para que juntos possam auxiliar o estudante. Além de trazer números informativos sobre a porcentagem de pessoas em tratamento, o trabalho busca compreender a legislação o que ampara a inclusão no ensino superior e relacionar o que estabelece a Lei, com a real situação das Instituições de Ensino Superior e profissionais docentes para trabalhar e lidar com os jovens TDAH que não é um problema exclusivamente infantil, pois independe da idade e pode afetar toda a vida do portador gerando transtornos que podem sem amenizados com o tratamento adequado.
Palavras-chave:
TDAH; Educação; Inclusão; Ensino Superior.
SÃO CAMILO
ABSTRACT
This study seeks, through bibliographic research, to inform what is ADHD, how the brain of a person with this disorder works, its main characteristics and how do they influence the life of an ADHD person. This research specifically attempts to describe the demands of young people with ADHD In addition to highlighting the inclusion in Higher Education of young people with Attention Deficit, Hyperactivity Disorder, By understanding the importance of Family on monitoring for the early diagnosis of the disorder, how the family must deal with someone who has the disorder, its causes and treatments and how the intervention made by the school's multidisciplinary team should be, and the interventions in the classroom. The choice of this subject was based on the need for more knowledge about the disorder, which creates controversy and prejudgements nowadays. We try to report in this study the problems and difficulties suffered by students who have attention deficit disorder, in their family, school and social relationships. The teacher's role is very important and it is necessary that both him and the Higher Education Institution be prepared to know how to get around and position the student in the classroom, as well as ensuring that the teaching-learning process is appropriate to the particularities of an ADHD student and all this is an essential part of this process, and it is necessary to be ready to know how to get around and position the student in the classroom. The complicity of the school with the family is of great importance, because together they can help the student. In addition to describing the demands of young people with ADHD, understand the legislation that supports inclusion in higher education and relate what the Law establishes, with the real situation of Higher Education Institutions and teaching professionals to support and deal with young ADHD which is not an exclusively child problem, as it does not depend on age and can affect the carrier's whole life, generating disorders that can be alleviated with proper treatment Keywords: ADHD; Education; Social Inclusion; Higher Education.
INTRODUÇÃO
Um TDAH, em todo percurso de sua vida enfrenta dificuldades na vida social, profissional e escolar. Dificuldades como a desatenção e a impulsividade o atrapalham em vários aspectos, e essas dificuldades começam já na infância e são observadas com mais clareza no início da vida estudantil. (SILVA, 2003) Mas se acompanhadas de forma adequada, essas dificuldades podem ser superadas e mentes altamente prodigiosas podem se revelar.
O presente artigo tem como temas o aluno TDAH, suas habilidades e limitações, e a inclusão desses alunos no Ensino Superior de Educação. Quais problemas as Instituições e professores encontram para lidar com alunos portadores deste distúrbio, e apresenta propostas para que o professor encontre formas de trabalhar o processo de Ensino aprendizagem do estudante utilizando-se de meios
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que atrairão o TDAH para o universo do assunto estudado, tornando o processo de aprendizagem interessante e produtivo para o estudante. Trata-se de uma pesquisa descritiva, qualitativa, realizada por meio de revisão bibliográfica de artigos sobre o tema TDAH e Educação. Segundo PADILHA (2001, p.27), Nesse sentido, a insistência é para que a Educação Especial destinada aos deficientes mentais leve em conta como fundamental, como essencial, como princípio, o processo de simbolização na constituição do sujeito.
Conclui-se que infelizmente ainda falta informação sobre o tema, deixando muitas vezes a Instituição de Ensino e o próprio docente sem informação e meios de lidar adequadamente com a situação, o que muitas vezes gera um pré-conceito com relação ao aluno TDAH, e à dificuldades de interação em sala de aula. Ao contrário do que muitos acreditam, este distúrbio não afeta unicamente crianças, mas também adultos. Então discutir como esses jovens adultos com necessidades tão especiais serão preparados nas universidades para o mercado de trabalho futuro se faz um tema importante e fundamental na nossa Educação. Segundo BARKLEY ET AL.
(2011, P.167) provavelmente não há nada mais difícil para pessoas com TDAH do queconseguir uma formação educacional. Isso vale tanto para crianças, como para adultos. O TDAH prejudica o desempenho acadêmico, conduz a problemas de comportamento na escola e reduz o número de anos de educação concluídos com sucesso.
MÉTODO
Einstein, Leonardo da Vinci, Van Gogh, Henry Ford e Mozart. Gênios inquestionáveis, com mais uma característica em comum, além da mente brilhante.
Todos eram TDAH.
A relação normal/patológico depende de uma série de fatores que devem ser considerados e discutidos. Não somos sempre uma dessas categorias. Toda vez que ignoramos ou descartamos a dimensão histórica das definições, das determinações, dos diagnósticos, tanto melhor para aqueles que detêm o poder sobre o status quo (PADILHA, 2001, p.24). Em que pese, não obstante, a ser aclamado como um dos diagnósticos psiquiátricos mais estudados no campo neuropsiquiátrico, o diagnóstico do TDAH também é considerado um dos mais controversos de nossos tempos. Esse diagnóstico tem sido descrito como uma
SÃO CAMILO
“polêmica” de interesse internacional, que desconhece barreiras culturais e sociais.
(CALIMAN, 2008)
Este transtorno, que atinge aproximadamente 10 milhões de pessoas no mundo (ESTADÃO, 2011), caracteriza-se por um distúrbio na inibição e capacidade de autocontrole, causado pela insuficiência de determinados neurotransmissores ao cérebro (SIGNOR, 2013), gerando características bastante marcantes entre os portadores desta disfunção.
O TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - atinge homens e mulheres, adultos e crianças. O DDA nasce a partir de três sintomas: a alteração da atenção, impulsividade e hiperatividade física e mental. (SILVA, 2003)
A alteração da atenção é, sem dúvidas, o sintoma mais marcante no comportamento de uma pessoa DDA. Uma pessoa com comportamento DDA pode ou não apresentar hiperatividade física, mas jamais deixará de apresentar forte tendência à dispersão (SILVA, 2003, p. 20) Da mesma forma que este comportamento pode mostrar dificuldade em se concentrar em determinadas situações, ele pode se mostrar hiperconcentrados em, por exemplo, atividades que lhes despertem interesse (como videogames, por exemplo). Sendo assim, muitos preferem utilizar o termo “instabilidade de atenção”, ao invés de déficit, uma vez que este último transparece uma ideia pejorativa da condição do TDAH. A alteração na atenção pode ocorrer na dificuldade da atenção concentrada, distração e atenção difusa (quando a pessoa presta atenção em muitas coisas ao mesmo tempo).
Estudantes hiperativos apresentam dificuldades no processamento das informações, na organização e execução do pensamento (escrever e interpretar) e revelam problemas na memória de associação (“tem ótima memória para algumas coisas, mas esquece logo o que foi ensinado”). (ANTONY; RIBEIRO, 2005 p.189)
A impulsividade é mais intensa nas crianças. Nos adultos, principalmente a impulsividade verbal pode lhe trazer problemas nas relações interpessoais. É bastante comum crianças TDAH serem consideradas mal educadas, agressivas, estraga-prazeres, irresponsáveis, etc. Já na fase adulta, por mais que alguns impulsos consigam ser controlados, dificilmente será totalmente controlado. O impulso verbal pode continuar a lhe trazer sérios problemas inclusive em relações profissionais. Segundo SILVA (2003, P. 25), se o comportamento dos DDAs não for compreendido e bem administrado por eles próprios e pelas pessoas com quem eles convivem, frequentemente, consequências no agir poderão se manifestar sob
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diferentes formas de impulsividade, tais como: agressividade, descontrole alimentar, uso de drogas, gastos demasiados, jogos, tagarelice incontrolável, etc.
A hiperatividade física e mental muitas vezes facilmente identificadas em crianças extremamente agitadas, e nos adultos, bastante comum a falta de sono e dificuldades para fazer e criar amigos. Uma característica marcante de pessoas hiperativas é a ininterrupta movimentação corporal (como bater o pé no chão ou balançar as mãos) durante uma tarefa, ou até mesmo ao estar sem fazer, mexer em objetos a sua volta, rabisca papéis, tudo aparentemente ações involuntárias, onde sequer percebe a inquietação física. A hiperatividade mental é mais sutil, o que não quer dizer que seja menos penosa que a física. A energia hiperativa de um DDA pode causar-lhe incômodos cotidianos, principalmente se ele precisar adequar-se ao ritmo não tão elétrico dos não DDAs (SILVA, 2003, p.27)
O DDA varia grandemente em intensidade, nas características e na forma como se manifesta. Pode-se dizer, em tom de brincadeira, que existe desde um “DDAzinho” até um “DDAzão” (SILVA, 2003 p.33)
Um estudo, apresentado por Antônio Geraldo, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, mostra que menos de 20% das pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) são tratadas no Brasil, e que o transtorno atinge as mais variadas faixas etárias, mas é mais comum, na infância e adolescência, podendo acompanhar o indivíduo por toda a vida.
Em média, estima-se que 4,4% da população brasileira, entre crianças e adultos, têm TDAH. O tratamento inclui o uso de medicamentos estimulantes.
Pesquisas também apontam que o TDAH é mais comumente encontrado nas classes mais baixas. Enquanto entres as Classes A e B, 2,8% dos jovens apresentam este transtorno, nas classes D e E o índice é de 7,4%; já na classe C corresponde a 4,9%. Mais campanhas educativas são fundamentais para identificar e divulgar a importância do tratamento do transtorno para as parcelas não tratadas da população, uma vez que muitas pessoas que têm déficit de atenção e passam a vida toda sem sequer saber que possuem o problema, e por contrapartida, sem o devido tratamento. O que diferencia o TDAH é a intensidade dos sintomas e as consequências que eles acabam causando no âmbito profissional, acadêmico e nas relações interpessoais.
SÃO CAMILO
Tabela 1 Número máximo de pacientes sob tratamento contínuo em 2009-2010 no Brasil e o número previsto de indivíduos com TDAH baseado na prevalência das estimativas mais conservadoras
Faixa etária População Brasileira
Prevalência estimada do
TDAH
Número estimado de
indivíduos com TDAH no
Brasil
Número estimado de
pacientes com TDAH
sob tratamento
em 2009*
Número estimado de
pacientes com TDAH
sob tratamento
em 2010*
5 a 19 anos 49127,006 0,9% 442,143 -- -
20 a 59 anos 107242,035 0,45% 482,589 - -
60 anos ou mais
20590,599 NA - - -
TOTAL 924,732 149,937 184,481
*Dados do IBGE (www.ibge.gov.br), 2010. ** Os números de comprimidos vendidos no Brasil em 2009-2010 foram 32.986.110 e 40.585.870. É considerado tratamento se o indivíduo ingerir uma pílula por dia (independente da dosagem ou preparação farmacêutica) por 22 dias por mês, 10 meses por ano.
ESTADÃO: No Brasil, 4,4% têm déficit de atenção. São Paulo, 12 maio 2011
Segundo CALIMAN (2008), Os dados que fundamentam o discurso da legitimação médica e biológica do TDAH vêm das pesquisas neurológicas e das funções cerebrais, dos estudos feitos com as tecnologias de imagem cerebral e da pesquisa molecular e genética. Através deles, o discurso neuropsiquiátrico dominante diz ser possível demonstrar que o transtorno é real porque, finalmente, seus fatores biológicos foram descobertos e alguns deles se tornaram passíveis de visualização, observação, universalização e comunicação científica. O argumento pode ser assim resumido: o diagnóstico do TDAH é real porque, em certa medida, é visível e biológico, e descreve uma condição maligna.
De acordo com DESIDÉRIO E MIYAZAKI (2007), Diversos estudos têm sido realizados sobre a evolução do transtorno ao longo da vida. Durante algum tempo, acreditou-se que os sintomas desapareciam com a idade. Entretanto, existem evidências indicando que 30 a 60% dos indivíduos continuam a apresentar sintomas significativos na vida adulta (HARPIN 2005; FOWLER, 1992; WEIS & HECHTMAN, 1993; MCGOUGH & BARKLEY, 2004). Assim, é importante considerar não apenas o
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impacto do transtorno na vida acadêmica, mas sobre o funcionamento e bem-estar ao longo da vida para a criança, adolescente ou adulto com TDAH e sua família.
DISCUSSÃO
Estas três características principais do TDAH (distúrbio da atenção, hiperatividade e impulsividade) afetam diretamente a vida do aluno ao longo da vida escolar. Alunos com TDAH normalmente têm dificuldade em concentrar-se e prestar atenção nas instruções dos professores, em organizar seus pensamentos e planejamentos das tarefas escolares, em seguir regras, dentre outros. Por mais que seja comum, que na vida adulta alguns sintomas sejam mais brandos que na infância, o TDAH pode acompanhar a pessoa por toda a vida. Com o passar do tempo, alguns sintomas se modificam e outros permanecem estáveis. Além disso, os indivíduos tendem a moldar seus estilos de vida e a exercer profissões que se adaptam melhor às suas dificuldades pessoais (MATTOS, ABREU & GREVET, 2003).
Há controvérsias entre pesquisadores sobre o fato de ser a impulsividade responsável por essas falhas em habilidades sociais ou se o déficit em habilidades ou inteligência social ser um fator em si, característico do DDA, independente da impulsividade. (SILVA, 2003)
Todo este conjunto de dificuldades exige do docente uma atenção maior a estes alunos, para que haja a inclusão adequada do estudante. É importante que os professores busquem conhecer e traçar a melhor estratégia pedagógica para atrair a atenção do aluno, que muitas vezes, são rotulados como alunos bagunceiros, desorganizados e desatentos e não como portadores de uma atenção especial, que geralmente se atendidas revelam mentes criativas e perspicazes. Segundo Vygotsky, o caráter negativo de um defeito age como um estímulo para o aumento do desenvolvimento e da atividade. (VYGOSTKY, 1989). Citando SILVA (2003 P.93), Não é só a hiperatividade mental que favorece o processo criativo nos DDAs.
Outros aspectos desse funcionamento cerebral devem ser destacados: a impulsividade, o hiperfoco e a hiper-reatividade.
Estudantes talentosos, portadores de TDAH têm comportamentos específicos, tais como disfarçar suas dificuldades acadêmicas, sua baixa auto- estima, apresentar atrasos e falta de sincronia no desenvolvimento geral, que os
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colocam em situação de dificuldade no meio educativo, no campo de relacionamentos interpessoais e problemas emocionais. Elas precisam ser precocemente identificadas para receberem o tratamento adequado e de acordo com as necessidades específicas do seu problema, com o objetivo de otimizar o desenvolvimento de seu potencial (ZENTALL, MOON, HALL & GRSKOVIC, 2001).
Vigotsky afirma que “aquilo que é zona de desenvolvimento proximal hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã – ou seja, aquilo que uma criança pode fazer com assistência hoje, ela será capaz de fazer sozinha amanhã” (VIGOTSKY, 1984, p. 98)
Muitas teorias têm sido elaboradas com o intuito de elucidar a aparente inexplicabilidade do sucesso obtido por personalidades com comportamento DDA nos mais diversos setores do conhecimento humano. Infelizmente a ciência não tem uma explicação exata para este fato, até porque o funcionamento cerebral humano não segue nenhuma lógica aritmética previsível (...) Neste território tão empírico, uma coisa é certa, o funcionamento cerebral DDA favorece o exercício da atividade humana mais transcendental que existe: a criatividade. (SILVA, 2003 p.92)
Algumas ações do professor podem facilitar a participação do aluno, despertando seu interesse e arrebatando sua atenção:
- Usar reforços visuais e auditivos para definir e manter essas regras e expectativas, como calendários e cartazes, recursos áudio visuais
-Dar instruções e orientações de forma direta, clara e curta.
-Dividir as atividades em unidades menores. Por exemplo, pedir que ele resolva primeiro, as cinco contas de matemática e avisar quando terminar. Depois, solicitar mais cinco
- Monitorar o tempo que falta para concluir uma tarefa
-Pedir ao estudante com TDAH que leia a historia oralmente enquanto os colegas acompanham silenciosamente.
-Levar em consideração que escutar e escrever simultaneamente podem ser muito difíceis para eles
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-Incentivar a revisar suas produções
IAMAGUTI, Simone Silveira Peruzzi. TDAH: Integrando à Educação e à Saúde uma Visão Psicoeducativa
Estudantes TDAH formam um grupo heterogêneo. Com necessidades distintas de aluno para aluno, portanto os professores, se não preparados, podem ter dificuldade na hora de realizar a inclusão. Isso porque ainda falta preparo desses profissionais nos aspectos técnicos, pedagógicos e psicológicos. Segundo IAMAGUTI (2011), percebe–se que os professores estão sobrecarregados e não conseguem lidar com o assunto, muitos não se dão conta que seu aluno é portador desse transtorno, ou nem sabe do que realmente se trata o TDAH. O que temo corrido é que o professor acaba rotulando essa criança portadora desse transtorno, como bagunceira, mal educada, de que não tem jeito de dar aula, e acaba mandando-o para fora da sala, para restabelecer a ordem.
Isto não significa que seja necessário criar uma programação especial para cada aluno de acordo com sua particularidade, tampouco que todos os alunos sejam expostos aos mesmos conteúdos, no mesmo ritmo, da mesma forma. É possível atingir as mesmas competências por vários caminhos diferentes.
Diferenciação não é sinônimo de individualização do ensino. É evidente que não se pode falar em diferenciação sem gestão individualizada do processo de aprendizagem, mas isso não significa que os alunos vão trabalhar individualmente, o que acontece é que o acompanhamento e os percursos são individualizados. PERRENOUD (1995, p.29)
De acordo com GIOVANELLA (2007), O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é um assunto que gera muitas discussões e controvérsias, isso devido às polêmicas que um laudo de TDAH gera e àsdificuldades que a tríade aluno, instituição e família enfrentam para que o processo de aprendizado seja o mais efetivo. Para que a inclusão desses alunos aconteça de maneira eficiente, é necessário toda uma preparação da IES e corpo docente, materiais pedagógicos necessários, e recursos humanos preparados para desenvolver metodologias adequadas para a situação. PERRENOUD (1999) aponta competências exigidas para o professor de hoje que contempla os conhecimentos trazidos pelos alunos, a individualidade de construção de conhecimentos, a proporcionalidade de trabalho
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com situações problema e, o que se percebe é que para trabalhar com a individualidade dos alunos de hoje, as salas de aula requerem um número menor de alunos.
Mais importante ainda é que ocorra uma mudança de visão a respeito do TDAH, sobre como todos em volta vão lidar com este alunos, é necessário uma quebra de paradigmas. Informação é sempre a melhor saída. Mas infelizmente a falta dela ainda traz certo preconceito em torno do tema, criando barreiras sociais em todos os aspectos da vida do TDAH, como dificuldades nas relações familiares, escolares, profissionais e de amizade. A familia tem também um importante papel neste universo de inclusão. Diagnosticar, tratar, dialogar e assistir o TDAH ao longo de sua vida escolar é fundamental em todo esse processo. Segundo CHALITA, (2001, P.25), Eis a família e sua difícil tarefa. A convivência diária pode ser desgastante. É preciso criatividade. A convivência diária pode ser penosa, é preciso amor.
Atualmente muitos professores não estão adequadamente preparados para lidar de fato com essas crianças mesmo após frequentar oficinas ou consultar a literatura relevante.” (DUPAUL, STONER, 2007)
A inclusão de alunos deficientes é um tema que vem ganhando importância desde os meados da década de 1990, quando se iniciaram as discussões sobre o tema. Mas ainda assim, há pouco conhecimento sobre TDAH. Em 2015 foi criada a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) que veio reconhecer e garantir ao portador de deficiência os meios necessários para que possa exercer o direito aos mais variados aspectos, incluindo a educação. “Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.” (BRASIL, 2015).
Barreiras como a falta de preparação das Instituições de Ensino Superior e dos profissionais da instituição nem sempre asseguram que seus direitos sejam cumpridos. Acadêmicos com TDAH enfrentam obstáculos em sua trajetória desde a pré escola, até o Ensino Superior. É visível ver a frustração e a impotência dos professores enquanto tentam administrar suas aulas, percebe-se que estão perdidas
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diante desse quadro da inclusão. Acaba por não incluir este aluno com TDAH, por não entender como é este transtorno.Segundo STAINBAK (1999, P.03), uma escola inclusiva vai além disso. Ela é um lugar do qual todos fazem parte, em que todos são aceitos, onde todos ajudam e são ajudados por seus colegas e por outros membros da comunidade escolar, para que suas necessidades educacionais sejam satisfeitas.
Citando Stern, Vygotsky completa “ Tudo o que não me destrói, me faz mais forte, pois na compensação da debilidade surge a força, e das deficiências, as capacidades” (VYGOTSKY, 1989). É fundamental que o professor entenda as necessidades de um aluno TDAH e busque adaptar-se a demanda de seu aluno.
Estimular a autonomia do aluno, trabalhar a criatividade, inteligência emocional e promover constante dialogo entre aluno e instituição pode trazer resultados positivos nesta batalha.
No entanto, com a necessidade cada vez maior de criatividade e inventividade em outras carreiras, pessoas DDAs passarão também a se destacar no mercado de trabalho comum e perderão e pecha de bagunceiros que fazem de sua própria mesa um quebra-cabeça de papeis e memorandos, difícil de ser controlado. (SILVA, 2003, P.212)
Cabe ao professor buscar formas de transmitir o aprendizado interagindo com a heterogeneidade de sua turma, uma vez que em uma mesma sala de aula encontramos pessoas com os mais variados aspectos mentais e psicológicos. Apoio psicológico ao aluno e capacitação do corpo docente são fundamentais para que o processo de inclusão ocorra ao longo da vida acadêmica do estudante.
Um dos grandes desafios para os docentes seria permitir que a partir das preferencias do aluno TDAH o processo de aprendizagem se inicie, a proposta seria começar pelo que lhes desperta interesse, sobre o que eles realmente gostam, e a partir daí seja criados mecanismos para introduzir a absorção do que eles “não gostam” uma vez que prender a atenção seja uma das maiores barreiras enfrentadas pelo educador. MATTOS E COLS. (2003, P.223) alertam para o fato da existência de situações específicas em que o indivíduo com TDAH consegue manter níveis adequados de concentração durante um tempo maior. Entretanto, em geral, esses momentos podem ser entendidos "como 'ilhas' isoladas num oceano de dificuldades atentivas gerais, e habitualmente envolvem situações muito estimulantes para o indivíduo" .
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Segundo SILVA (2003), conhecer e entender o próprio comportamento é fundamental para uma mudança de perspectiva que possibilite um redirecionamento sem sua vida. É importante ao TDAH aceitar seu modo de ser e acreditar sinceramente em seus talentos, transformando assim, potencialidades criativas em atos criativos. O portador deste problema deve adquirir confiança para buscar seu espaço nesse novo sistema de trabalho que valoriza a criatividade, ao invés do tradicional sistema braçal tão valorizado no passado. Para adaptar-se bem a esta viagem que é a vida, além de criatividade é preciso coragem e perseverança;
coragem de errar e continuar tentando. É imprescindível que se tenha ideais bem definidos e traçados para que possa tornar seus sonhos realidade.
CONCLUSÃO
O TDAH gera instabilidade de atenção, hiperatividade e impulsividade em seus portadores, e persiste na vida adulta, acompanhando o indivíduo durante todo seu processo de aprendizado.
Ao longo de toda vida do indivíduo com TDAH, há desafios à vida social; na idade adulta, traz-lhedesafio à vida acadêmica e profissional.Seu acesso ao Ensino Superior e permanência nele é garantido pela atual legislação deinclusão, apesar de não ser contemplado por uma lei específica. Ainda há muito a ser feito para que se possa garantir de fato a inclusão de maneira adequada dessa população. Isto depende, além de políticas publicas, de instituições de ensino preparadas para receber o aluno, de corpo docente que compreenda as limitações e particularidades desses estudantes e saiba aplicar soluções adequadas para sua inclusão no Ensino Superior, e da família que diagnostica, acompanha e incentiva o TDAH a concluir seus objetivos acadêmicos, e melhorar suas relações pessoais e profissionais, geralmente tão afetadas por conta das instabilidades emocionais causadas por este distúrbio.
É de suma importância também que o próprio TDAH conheça seu problema e busque o devido tratamento para lidar com as situações adversas que o acompanharão ao longo do processo, persistindo na empreitada com a curiosidade de uma criança e a paixão de um adolescente; a determinação de um adulto e a confiança que a maturidade traz.
SÃO CAMILO
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