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FOTO: ARQUIVO/AJI Eventos 2009

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Academic year: 2022

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Fotos

Apoio Apoio

Eventos 2009

FOTO: ARQUIVO/AJI

(2)

Piadas e Desenhos

Receita da tia Vera

Salada de Salsão, Nozes e Passas

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É uma delicia e muito simples de se preparar

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INGREDIENTES 1 xícara de maionese

1 xícara de (chá) de salsão picado 3 maçãs sem cascas e picadas 1/2 xícara de (chá) de nozes picadas 1/2 xícara de (chá) de uvas passas 6 folhas de alface crespa

MODO DE PREPARO

Misture os cinco primeiros ingredientes.

Divida em 6 porções e coloque sobre as folhas de alface.

Sirva gelado e bom apetite!

Nilcimar Morales

M

uitos dizem que o futuro da Reserva de Dourados é se tornar uma grande favela do crime. Com a popu- lação chegando a 15 mil pessoas em um espaço de 3,5 mil hectares e a criminalidade que vem ocorrendo nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em sua maioria entre os jovens, acaba-se chegando a esse tipo de conclusão.

Uma questão problemática é o ponto de vista de antropó- logos que trabalham com a Reserva Indígena de Dourados de que a situação vivida pelas comunidades é em decorrência da falta de Terra.

No entanto, o problema não é só a falta de terra, mas também a dificuldade em se reconhecer a nova categoria entre os povos indígenas: os JOVENS. Não havia entre os ín- dios a classificação de jovens, porque nos modos tradicionais meninos e meninas se casavam muito cedo e de crianças já viravam adultos.

Então, é um atraso muito grande para Reserva Indígena de Dourados que antropólogos queiram continuar falando de teorias dos anos 50 para aplicar em nosso meio hoje em dia.

Ainda dizem que estamos perdendo a nossa cultura. Nós não a perdemos, ela se transforma a cada dia.

Mas o Governo Federal e a própria Funai [Fundação Na- cional do Índio] continuam se baseando nessas ideias que os Antropólogos descreveram há 60 atrás. As coisas mudaram. O mundo moderno, as necessidades econômicas, a tecnologia provocaram grandes mudanças nas comunidades indígenas.

O Estado continua omisso perante a Reserva Indígena de Dourados. E se essa situação persistir, há mesmo grandes chan- ces de que a Reserva se torne uma favela do crime.

O que será do futuro?

Uma das grandes

preocupações da

comunidade é

como será o futuro

na Reserva

Indígena de

Dourados

(3)

Jaqueline Gonçalves

A

violência presente todos os dias nas aldeias Bororó e Jaguapiru, que compõem a Reserva Indígena de Dourados, tem deixado muitas marcas para sempre na vida de inocentes. A vi- olência cresce cada vez mais e não há uma ação para amenizá-la.

O Jornal AJIndo fez entrevistas ex- clusivas com indígenas que já sofreram atos de violência na própria casa e nas estradas da aldeia e hoje estão depen- dendo de familiares para viver.

“A grande maioria dos que sofreram tentativas de homicídio hoje está invá- lida”, diz Tibúrcio Oliveira Fernandes, liderança na aldeia Bororó, onde tem feito rondas com mais 15 pessoas por conta própria e sem muito apoio dos ór- gãos governamentais.

O indígena Guarani conta ainda que só no mês de outubro de 2009 acontece- ram 12 tentativas de homicídios só na aldeia Bororó, resultando em

duas mortes, ambas por gol- pes de facão.

O indígena Argermiro Pana, 52 anos, hoje está sofren- do as consequências da violên- cia na pele. Em abril deste ano, ele foi vítima de vários cortes de foices e facão. Ficou em coma por 20 dias. Para a felicidade da família hoje ele está de volta em casa, mas com seqüelas para o resto de sua vida.

Argemiro conta que tinha ido até a ci- dade e na volta, perto da escola Agostinho, ele foi atacado. Os acusados estão foragi- dos até hoje. “Eu tra- balhava muito e hoje não tenho mais forças para trabalhar, fiquei in- válido, a minha mão não presta mais, e sinto muita dor na cabeça e nos bra- ços”, conta o índio Kaiowá.

“O meu tio perdeu a voz com o que aconteceu com ele, é muito triste porque hoje ele só pode ficar em casa, não há como fazer nada

Depois da agressão

Sequelas da violência que o indígena vai carregar para sempre

nem que ele tente”, confirma Vilma Ramires Pana, sobrinha de Argemiro.

Ela diz ainda que em frente à sua casa crianças e adolescentes desfilam de fa- cão, foices e ninguém faz nada. “Eu te- nho medo até de sair de casa à noite, mas a vida continua, temos que deixar isso de lado”, completa Argemiro.

Valmir Veron, 29 anos, diz que o excesso de bebida alcoólica tem leva- do muitos indígenas a praticar atos vio- lentos. Ele foi mais uma das vítimas em sua própria casa. “O meu vizinho era assassino e toda vez que bebia ele me provocava, dizendo que iria me matar”, diz o indígena Kaiowá. Veron conta que estava arrumando a carroça na sua casa quando foi atingido com um golpe de facão no pescoço, e logo outros pelo corpo todo.

“Eu não posso mais trabalhar, os cor- tes ainda me doem muito, tenho muita febre. E tive que mudar de casa, pois temo muito pelas minhas crianças”, con- clui Veron, que é casado e tem seis filhos. O vizinho de Valmir Ve- ron está pre-

so, mas infelizmente isso não resolve as seqüelas da agressão que ele cometeu.

O jovem Dorivaldo de Sousa Fernan- des, 20 anos, conta que foi vítima de agressão quando voltava de um passeio para casa. “Passei em uma estrada e ti- nha aproximadamente 20 pessoas. Lá me atacaram, nem havia motivos”, explica Dorivaldo. Ele teve a cabeça, o braço, o rosto e a mão atingidos com golpes de facão. Dorivaldo hoje recupera a sua vida em casa sem poder trabalhar, pois os braços e as mãos não ajudam mais.

Antes de ser atacado ele trabalhava em uma usina.

“Dessas 20 pessoas que me ataca- ram só um está preso. O cara que foi preso pelo menos está com saúde e eu não posso mais nem fazer forças, sinto muita dor”, completa.

Tibúrcio Fernandes conta que a Fu- nai interrompeu a ação que fazia na Re- serva: patrulhas que desarmavam as pes- soas durante a noite. “Com isso, a vio- lência cresce cada vez mais, e grande parte dos agressores são crianças e ado- lescentes”, explica.

O médico Elder Lucio Ganancin, que atende a comunidade indígena no Posto de Saúde Zelik Trajber, na aldeia Boro- ró, confirma que a grande maioria das vítimas desse tipo de violência é com- posta por adolescentes e homens adul- tos jovens. Segundo o doutor Elder, em muitos casos esses homens não se re- cuperaram mais, e não podem vol-

tar a trabalhar.

“O tratamento das pessoas que foram atingidas é variado, depen- de muito do estado da pessoa. Se o caso for muito grave, infelizmente não tem recuperação. Mas há le- sões mais simples que não atin- gem muito os tendões e mús- culos e encaminhamos para o tratamento de fisioterapia, ci- rurgia, aí ameniza um pouco as seqüelas. Aqui na Reser- va, a maioria das pessoas é atingida nos membros superiores e na cabe- ça, o que pode resul- tar em sequelas neu- rológicas muito graves para toda a vida”, explica Elder Ganancin.

A

violência na escola está muito feia. Nem os guardas, nem os coordenadores ligam de fazer alguma coisa. Tem menino que leva facão para a escola e outros tipos de armas para brigarem.

Esses dias atrás dois meninos briga- ram e um saiu com uma facada na bar- riga e o outro fugiu. Em vez de darem umas três semanas de suspensão, deram só dois dias. Agora eles disseram que vai ter mais guarda e que nunca mais vai acontecer isso.

O que adianta? Eles revistam os alu- nos e assim mesmo os alunos levam fa- cas e outras armas. E quando eles que- rem brigar ninguém segura.

Desabafo

Aluno da Reserva Indígena de

Dourados descreve um dos problemas enfrentados por crianças e jovens

As escolas não estão fazendo mais atividades como ali no NAM e daí não tem nada para fazer. Os meninos saem por aí, já começam a fumar e viciam. E quando tiver atividades não vão mais querer ir, por quê?

Se eles fumam cigarro ou outra coi- sa, eles não têm mais fôlego, daí eles falam que não valem mais para nada.

Eles se afundam na bebida e daí vão para as drogas e então eles começam a rou- bar para comprar drogas.

Aí, rapaz, eles vendem até as rou- pas deles, se duvidar.

* o autor pediu para que seu nome não fosse divulgado

A dupla sertaneja evangélica R & M, da Reserva Indígena de Dourados, lan- çou em outubro o primeiro CD da car- reira. Com dez músicas compostas pela própria dupla, o álbum foi gravado em um estúdio no Rio de Janeiro.

Para Ramão, um dos integrantes da dupla, o lançamento do CD foi a reali- zação de um sonho.

“Há muitos anos pensava nisso e só agora se concretizou. Antes parecia uma mata fechada, mas de repente uma pi- cada se abriu”, compara Ramão.

Dupla lança CD

R & M, dupla sertaneja evangélica da Reserva Indígena de Dourados, realiza um sonho

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(4)

Fim de ano é um período em que relembramos tudo o que aconteceu nesses meses para fazer um balanço e começar um novo ano carregando todo o aprendizado do ano anterior.

É também um período para agradecer.

Por isso, a AJI – Ação dos Jovens Indígenas de Dourados agradece a todos os moradores da Reserva Indígena de Dou- rados e povos indígenas de outras regiões e países que têm recebido o Jornal AJIndo. A produção do Jornal se deve a instituições que apóiam o nosso trabalho:

* GAPK – Grupo de Apoio aos Povos Guarani Kaiowá e Aruak

* IWGIA – International Work Group for Indigenous Affairs

* ORE – Produtora de vídeo indígena.

* USP – Universidade de São Paulo - Núcleo de Medicina

De uma forma muito especial, a AJI agradece:

Professora Dra. Maria de Lourdes Beldi de Alcântara (co- ordenadora da AJI), seu marido Paulo Guedes, sua filha Maíra e sua neta Júlia

Kenedy Morais

A

eleição para escolher o novo líder indígena da aldeia Jagua- pirú acontece no dia 20 de dezembro na escola Ramão Martins das 8 horas da manhã até as 17 horas. Podem votar as pessoas maiores de 16 anos, que de- vem apresentar um documento com foto no momento da votação. Esta eleição é exclusiva para os indígenas.

De acordo com a Constituição Fe-

Comunicado

Eleição do Novo Líder Indígena

Data: 20 de dezembro Local: Escola Ramão Martins Horário: 8h às 17h

CANDIDATOS

Líder indígena Vilmar Martins (Cacheiro) - vice Leomar Mariano (Trovão) Líder indígena Laucidio Flores - vice Isaél S.

Líder Indígena Catalino Aquino - vice Adercio M.

Líder Indígena Renato de Souza - vice Ramão Almirão (Lama)

Líder Indígena DiomarPeixoto (Paraguai) - vice Romeiro Martis (Patõe) deral de 5 de outubro de 1988, em seus

artigos 231 e 232, o Estado Brasileiro tem a obrigação de reconhecer e res- peitar os costumes, línguas, crenças, tradições e organização social dos povos indígenas.

Outros instrumentos jurídicos inter- nacionais dão legitimidade aos povos indígenas de se organizarem e se faze- rem respeitados em sua organização social, como é o caso da Convenção 169 da OIT (Organização Internacional

do Trabalho) à qual o Estado Brasileiro aderiu em julho de 2002 e que entrou em vigor no Brasil em julho de 2003.

Você, membro da comunidade in- dígena, é livre para escolher e votar em seu candidato. Esteja atento e bus- que conhecer melhor o seu candida- to, bem como as suas propostas para a comunidade.

O Jornal AJIndo disponibliza aqui o nome dos candidatos. Vote com consciência.

ELEIÇÃO PARA ESCOLHER NOVO LÍDER INDÍGENA DA ALDEIA JAGUAPIRU

Tempo de Agradecer

A AJI agradesce a todos os seus membros e também:

- Alejandro Parellada (IWGIA)

- Natália Costa (responsável pela oficina de jornalismo e editora do Jornal AJIndo)

- Elton Rivas (responsável pela oficina de vídeo)

- Itacir Pastore (nosso homem de ferro) e sua esposa Deja- nira Dutra

- Vera Lúcia (responsável pela organização da sede da AJI e pela alimentação da galera)

- Robson Danilo Antunes, o Grandão (Professor de Infor- mática)

- Dr. Zelik Trajber e sua esposa Isabel Carmi Trajber - Lélia Rita Sobral Costa

- Fernando de Souza

Somos imensamente gratos aos parceiros que construí- mos nessa caminhada:

- A Funasa - Fundação Nacional de Saúde (Conselho Distrital de Saúde Indígena e equipes de saúde Jaguapiru e Bororó)

- CRAS Bororo – Centro de Referência de Assistência Social.

- Representante de política indígena na Prefeitura de Dou- rados-MS

- Professores e funcionários das escolas Municipais e ex- tensões estaduais que estão presentes na Reserva Indígena de Dourados

- Lideranças indígenas que apóiam o nosso trabalho.

- Todos que de alguma forma contribuíram com o Jornal AJIndo mandando textos e dando entrevistas

- Todos os nossos queridos alunos de todas as oficinas rea- lizadas (filmagem, fotografia, jornalismo, direito indígena, informática)

Desejamos a todos um

Feliz Natal e um 2010

pleno de realizações!

(5)

Ana Claudia de Souza

A

Faculdade Anhan guera promoveu no dia 26 de setembro o dia do Ensino Responsável. Uma das atividades desse dia aconte- ceu em parceria com a AJI (Ação dos Jovens Indígenas de Dourados) para fazer atendimento gratuito aos ca- valos que pertencem à co- munidade indígena de Dou- rados. Cerca de 50 famílias levaram animais para serem consultados.

Um dia antes do even- to, os jovens da AJI e a co- ordenadora do curso de ve- terinária da Anhanguera, Sil- via Fátima Pozzobon Soria, formaram duas equipes e fo- ram fazer a divulgação do evento que aconteceria no campus da faculdade, pas- sando nas salas das sete es- colas da Reserva.

As consultas e os exames só foram feitos com a autori- zação dos proprietários dos animais. Os indígenas que levaram seus cavalos esta- vam cientes de que seria bom para saúde dos animais.

“Preciso cuidar do meu cavalo porque faço entrega de mandioca na cidade, e se ele

Dia do Ensino Responsável

Faculdade Anhanguera oferece atendimento gratuito a cavalos da Reserva Indígena de Dourados

está doente não tem como tra- balhar com ele”, concorda Joel Paulo Aquino, de 48 anos, agricultor que reside na al- deia Bororó.

O atendimento oferecido aos indígenas foi coordena- do pela professora Silvia Po- zzobon e contou com o tra- balho de 12 alunos para ve- rificar a saúde dos eqüinos utilizados pelos indígenas e orientar os proprietários dos cavalos sobre como cuidar da saúde deles.

A população de eqüinos na reserva é muito grande e esses animais não possuem assistência médica-veteriná- ria. Além da consulta clíni- ca, foram coletadas amostras de sangue e fezes que deve- rão posteriormente ser anali- sadas e o resultado destes exames deverá retornar ao proprietário para dar continui- dade a tratamentos que os cavalos venham a precisar.

Essa ação do Dia do En- sino Responsável foi tam- bém uma oportunidade de aprendizagem aos alunos do curso de veterinária da Anhanguera.

“Foi possível aumentar meus conhecimentos nas áre- as em que trabalhamos nes-

se dia. Seria ótimo se even- tos como esse fossem reali- zados mais vezes durante o ano”, comenta Ueslei Nobre de Oliveira, 21 anos, estu- dante do curso que atuou no dia da ação.

“Foi emocionante chegar ao pátio do hospital e ver o tanto de carroceiros que acei- taram nosso convite e esta- vam lá com seus cavalos para realizar a consulta”, comple- ta Ueslei.

O trabalho foi satisfatório tanto para os donos dos ani- mais quanto para os alunos do curso, pois além de tratar a saúde dos animais também gerou oportunidades de aprendizagem.

“Ter a oportunidade de prestar um serviço como esse de forma séria e consciente enriquece não apenas o que aprendemos no exercício da profissão de médico veteriná- rio, mas também como seres humanos. Resgata valores es- quecidos pela correria do dia- a-dia e nos aproxima de uma parte sociedade muitas vezes excluída”, destacou Paula Alessandra Di Felippo, médi- ca veterinária e professora da faculdade Anhanguera de Dourados.

U

ma grande deman da se encontra hoje nas aldeias de Dourados, os problemas começam pela falta de espaço físico para a moradia, plantio e práticas culturais, e os problemas têm aumentado com a entra- da sem controle das bebidas alcoólicas e outras drogas, a gravidez na adolescência, a violência sexual o suicí- dio que tem interrompido tantos sonhos.

Nesse sentido torna-se necessário que as instituições que atuam junto a essas po- pulações e as outras institui- ções busquem juntas alterna- tivas em projetos sociais para

Ações em Saúde Mental pela

Funasa nas aldeias de Dourados

Walter Benites Martins* e Lucimar Resende**

ajudar as crianças, adolescen- tes e jovens que sem nenhu- ma perspectiva de vida mui- tas vezes entram na margina- lidade do crime.

Nesse sentido através da funasa a equipe de saúde mental tem buscado em par- ceria realizar algumas ações nas aldeias.

Há um psicólogo e uma assistente social atuando nas aldeias, as atividades são preventivas em educação e Saúde, com adolescentes nas escolas, com as mães nas micro-áreas, e também os casos individuais como abuso sexual e uso abusivo de drogas, e acompanha-

mento psicológico a outros problemas relacionados à família como agressão.

Numa sociedade em que a auto-estima das pessoas está dilacerada, a identidade em crise, a luta contra o precon- ceito e o direito a uma vida digna torna-se casa dia mais difícil, rodeado por um siste- ma que venda os olhos para não ver as verdadeiras cau- sas desse caos social.

Acreditamos que com parcerias podemos ajudar essa população que tanto necessita de apoio a formar seres humanos comprometi- dos com a comunidade no futuro.

* Psicólogo do Programa de Saúde Mental da Funasa

* Assistente social do Programa de Saúde Mental da Funasa

Visite o blog e o fotolog da AJI

www.ajindo.blogspot.com

www.fotolog.net/ajidourados

(6)

Rutas

cruzadas

Novo vídeo da AJI mostra

semelhanças entre povos indígenas da Argentina e do Brasil

Emerson Cabreira

E

m agosto deste ano, a AJI (Ação dos Jovens Indígenas de Dourados) foi convidada para conhecer a realidade da comunidade Wi- chi, da cidade de Tartagal, na Argentina. Durante 12 dias, tivemos a oportunidade de fa- zer uma oficina de fotografia com eles e gravar algumas imagens para o novo vídeo da AJI, o “Rutas Cruzadas”

Este vídeo, que está qua- se finalizado, tem o intuito de mostrar que a realidade desse povo tão distante, os Wichi, em Tartagal, tem muitas se- melhanças com a realidade que enfrentamos aqui em nos- sa Reserva Indígena de Dou- rados.

“Conhecer a realidade é

sempre o primeiro passo para transformá-la”, acredita El- ton Rivas, jornalista e docu- mentarista que me acompa- nhou na visita a Tartagal.

Ele achou muito interessan- te perceber como os indíge- nas de Dourados vivenciam situações parecidas com a dos Wichi.

Além dessas semelhan- ças, o vídeo contará um pou- co sobre as dificuldades que os jovens universitários indí- genas enfrentam lá na Argen- tina, como o preconceito, a discriminação. Isso deixa bem claro que, seja onde for, os indígenas sofrem preconceito da sociedade branca.

“Em minha opinião, somos todos indígenas e por isso não temos diferenças em nossas buscas, conflitos, e dificulda-

des. Isso engloba também as pessoas não índias que pen- sam a nosso respeito”, decla- ra Indianara Ramires Macha- do, jovem da etnia Kaiowá, moradora da aldeia Bororó, em Dourados.

“Acho importante as duas comunidades se conhecerem porque isso nos aproxima. Aí podemos ajudá-los com nos- sas experiências e eles tam- bém com as deles”, comple- tou Indianara.

VÍDEO

O nome do vídeo é “Ru- tas Cruzadas” porque mostra dois povos distantes vivendo a mesma realidade. Este do- cumentário produzido pela AJI, com a orientação do jor- nalista Elton Rivas, tem apro- ximadamente 30 minutos.

Tânia Porto

A

AJI – Ação dos Jovens Indígenas está promo- vendo uma oficina de fotogra- fia que acontece às terças e quintas no CRAS (Centro de Referência de Assistência So- cial) da Aldeia Bororó. As ofi- cinas são conduzidas por Ana Cláudia de Souza e Tânia Por- to, com o apoio dos outros in- tegrantes da AJI (Jaqueline Gonçalves, Emerson Cabreira, Nilcimar Morales e Kenedy Morais).

Participam aproximada- mente 10 alunos de oito a 15 anos, que estão conhecendo

Fotografar para crescer

Integrantes da AJI ministram oficina de fotografia para alunos do CRAS, na Aldeia Bororó

uma forma de se desenvolver e ocupar o tempo vago para não se envolver com coisa ruim que o mundo oferece, como bebida alcoólica, brigas e drogas.

Quando ministramos a ofi- cina, aproveitamos cada mo- mento para ensinar também valores de respeito, educação, honestidade e carinho. Para que nossos alunos possam vi- ver de bem com a vida e tra- zer no rosto o sorriso a cada amanhecer, porque o sorriso é o melhor remédio que existe.

Nazareti de Almeida Lo- pes Leguizamon, coordenado- ra do CRAS Bororo, considera

a oficina de fotografia da AJI muito positiva. “Vejo o inte- resse dos alunos em participar e muitos pais estão nos procu- rando para matricular seus fi- lhos. Atribuo isso ao desem- penho dos jovens da AJI em saber trabalhar com estes gru- pos”, confirma Nazareti.

“No início do ano fomos questionados por alguns pais sobre a AJI, mas com o tempo eles puderam se certificar dos trabalhos desenvolvidos”, com- pleta a coordenadora do CRAS.

Nazareti espera que os indígenas participantes da ofi- cina oferecida pela AJI man- tenham o interesse de partici-

par dessa e de outras oficinas em 2010. E também que con- tinuem os estudos, para ter um trabalho e contribuir com a comunidade.

“Gostaria muito de continu- ar a parceria, pois unindo nos- sos conhecimentos e colocando- os em ação estaremos contribu- indo para fortalecer nossos jo- vens”, finaliza Nazaré.

A AJI vai aos poucos de- senvolvendo um trabalho na Reserva Indígena, sempre com a intenção de ampliar as oficinas. Sabemos que o resul- tado virá com o tempo e agra- decemos o apoio de quem acredita em nosso trabalho.

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Rutas

cruzadas

Novo vídeo da AJI mostra

semelhanças entre povos indígenas da Argentina e do Brasil

Emerson Cabreira

E

m agosto deste ano, a AJI (Ação dos Jovens Indígenas de Dourados) foi convidada para conhecer a realidade da comunidade Wi- chi, da cidade de Tartagal, na Argentina. Durante 12 dias, tivemos a oportunidade de fa- zer uma oficina de fotografia com eles e gravar algumas imagens para o novo vídeo da AJI, o “Rutas Cruzadas”

Este vídeo, que está qua- se finalizado, tem o intuito de mostrar que a realidade desse povo tão distante, os Wichi, em Tartagal, tem muitas se- melhanças com a realidade que enfrentamos aqui em nos- sa Reserva Indígena de Dou- rados.

“Conhecer a realidade é

sempre o primeiro passo para transformá-la”, acredita El- ton Rivas, jornalista e docu- mentarista que me acompa- nhou na visita a Tartagal.

Ele achou muito interessan- te perceber como os indíge- nas de Dourados vivenciam situações parecidas com a dos Wichi.

Além dessas semelhan- ças, o vídeo contará um pou- co sobre as dificuldades que os jovens universitários indí- genas enfrentam lá na Argen- tina, como o preconceito, a discriminação. Isso deixa bem claro que, seja onde for, os indígenas sofrem preconceito da sociedade branca.

“Em minha opinião, somos todos indígenas e por isso não temos diferenças em nossas buscas, conflitos, e dificulda-

des. Isso engloba também as pessoas não índias que pen- sam a nosso respeito”, decla- ra Indianara Ramires Macha- do, jovem da etnia Kaiowá, moradora da aldeia Bororó, em Dourados.

“Acho importante as duas comunidades se conhecerem porque isso nos aproxima. Aí podemos ajudá-los com nos- sas experiências e eles tam- bém com as deles”, comple- tou Indianara.

VÍDEO

O nome do vídeo é “Ru- tas Cruzadas” porque mostra dois povos distantes vivendo a mesma realidade. Este do- cumentário produzido pela AJI, com a orientação do jor- nalista Elton Rivas, tem apro- ximadamente 30 minutos.

Tânia Porto

A

AJI – Ação dos Jovens Indígenas está promo- vendo duas oficina de fotogra- fia que acontece às terças e quintas no CRAS (Centro de Referência de Assistência So- cial) da Aldeia Bororó. As ofi- cinas são conduzidas por Ana Cláudia de Souza e Tânia Por- to, com o apoio dos outros in- tegrantes da AJI (Jaqueline Gonçalves, Emerson Cabreira, Nilcimar Morales e Kenedy Morais).

Participam aproximada- mente 35 alunos de oito a 16 anos, que estão conhecendo

Fotografar para crescer

Integrantes da AJI ministram oficina de fotografia para alunos do CRAS, na Aldeia Bororó

uma forma de se desenvolver e ocupar o tempo vago para não se envolver com coisa ruim que o mundo oferece, como bebida alcoólica, brigas e drogas.

Quando ministramos a ofi- cina, aproveitamos cada mo- mento para ensinar também valores de respeito, educação, honestidade e carinho. Para que nossos alunos possam vi- ver de bem com a vida e tra- zer no rosto o sorriso a cada amanhecer, porque o sorriso é o melhor remédio que existe.

Nazareti de Almeida Lo- pes Leguizamon, coordenado- ra do CRAS Bororo, considera

a oficina de fotografia da AJI muito positiva. “Vejo o inte- resse dos alunos em participar e muitos pais estão nos procu- rando para matricular seus fi- lhos. Atribuo isso ao desem- penho dos jovens da AJI em saber trabalhar com estes gru- pos”, confirma Nazareti.

“No início do ano fomos questionados por alguns pais sobre a AJI, mas com o tempo eles puderam se certificar dos trabalhos desenvolvidos”, com- pleta a coordenadora do CRAS.

Nazareti espera que os indígenas participantes da ofi- cina oferecida pela AJI man- tenham o interesse de partici-

par dessa e de outras oficinas em 2010. E também que con- tinuem os estudos, para ter um trabalho e contribuir com a comunidade.

“Gostaria muito de continu- ar a parceria, pois unindo nos- sos conhecimentos e colocando- os em ação estaremos contribu- indo para fortalecer nossos jo- vens”, finaliza Nazaré.

A AJI vai aos poucos de- senvolvendo um trabalho na Reserva Indígena, sempre com a intenção de ampliar as oficinas. Sabemos que o resul- tado virá com o tempo e agra- decemos o apoio de quem acredita em nosso trabalho.

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Ana Claudia de Souza

A

Faculdade Anhan guera promoveu no dia 26 de setembro o dia do Ensino Responsável. Uma das atividades desse dia aconte- ceu em parceria com a AJI (Ação dos Jovens Indígenas de Dourados) para fazer atendimento gratuito aos ca- valos que pertencem à co- munidade indígena de Dou- rados. Cerca de 50 famílias levaram animais para serem consultados.

Um dia antes do even- to, os jovens da AJI e a co- ordenadora do curso de ve- terinária da Anhanguera, Sil- via Fátima Pozzobon Soria, formaram duas equipes e fo- ram fazer a divulgação do evento que aconteceria no campus da faculdade, pas- sando nas salas das sete es- colas da Reserva.

As consultas e os exames só foram feitos com a autori- zação dos proprietários dos animais. Os indígenas que levaram seus cavalos esta- vam cientes de que seria bom para saúde dos animais.

“Preciso cuidar do meu cavalo porque faço entrega de mandioca na cidade, e se ele

Dia do Ensino Responsável

Faculdade Anhanguera oferece atendimento gratuito a cavalos da Reserva Indígena de Dourados

está doente não tem como tra- balhar com ele”, concorda Joel Paulo Aquino, de 48 anos, agricultor que reside na al- deia Bororó.

O atendimento oferecido aos indígenas foi coordena- do pela professora Silvia Po- zzobon e contou com o tra- balho de 12 alunos para ve- rificar a saúde dos eqüinos utilizados pelos indígenas e orientar os proprietários dos cavalos sobre como cuidar da saúde deles.

A população de eqüinos na reserva é muito grande e esses animais não possuem assistência médica-veteriná- ria. Além da consulta clíni- ca, foram coletadas amostras de sangue e fezes que deve- rão posteriormente ser anali- sadas e o resultado destes exames deverá retornar ao proprietário para dar continui- dade a tratamentos que os cavalos venham a precisar.

Essa ação do Dia do En- sino Responsável foi tam- bém uma oportunidade de aprendizagem aos alunos do curso de veterinária da Anhanguera.

“Foi possível aumentar meus conhecimentos nas áre- as em que trabalhamos nes-

se dia. Seria ótimo se even- tos como esse fossem reali- zados mais vezes durante o ano”, comenta Ueslei Nobre de Oliveira, 21 anos, estu- dante do curso que atuou no dia da ação.

“Foi emocionante chegar ao pátio do hospital e ver o tanto de carroceiros que acei- taram nosso convite e esta- vam lá com seus cavalos para realizar a consulta”, comple- ta Ueslei.

O trabalho foi satisfatório tanto para os donos dos ani- mais quanto para os alunos do curso, pois além de tratar a saúde dos animais também gerou oportunidades de aprendizagem.

“Ter a oportunidade de prestar um serviço como esse de forma séria e consciente enriquece não apenas o que aprendemos no exercício da profissão de médico veteriná- rio, mas também como seres humanos. Resgata valores es- quecidos pela correria do dia- a-dia e nos aproxima de uma parte sociedade muitas vezes excluída”, destacou Paula Alessandra Di Felippo, médi- ca veterinária e professora da faculdade Anhanguera de Dourados.

U

ma grande deman da se encontra hoje nas aldeias de Dourados, os problemas começam pela falta de espaço físico para a moradia, plantio e práticas culturais, e os problemas têm aumentado com a entra- da sem controle das bebidas alcoólicas e outras drogas, a gravidez na adolescência, a violência sexual o suicí- dio que tem interrompido tantos sonhos.

Nesse sentido torna-se necessário que as instituições que atuam junto a essas po- pulações e as outras institui- ções busquem juntas alterna- tivas em projetos sociais para

Ações em Saúde Mental pela

Funasa nas aldeias de Dourados

Walter Benites Martins* e Lucimar Resende**

ajudar as crianças, adolescen- tes e jovens que sem nenhu- ma perspectiva de vida mui- tas vezes entram na margina- lidade do crime.

Nesse sentido através da funasa a equipe de saúde mental tem buscado em par- ceria realizar algumas ações nas aldeias.

Há um psicólogo e uma assistente social atuando nas aldeias, as atividades são preventivas em educação e Saúde, com adolescentes nas escolas, com as mães nas micro-áreas, e também os casos individuais como abuso sexual e uso abusivo de drogas, e acompanha-

mento psicológico a outros problemas relacionados à família como agressão.

Numa sociedade em que a auto-estima das pessoas está dilacerada, a identidade em crise, a luta contra o precon- ceito e o direito a uma vida digna torna-se casa dia mais difícil, rodeado por um siste- ma que venda os olhos para não ver as verdadeiras cau- sas desse caos social.

Acreditamos que com parcerias podemos ajudar essa população que tanto necessita de apoio a formar seres humanos comprometi- dos com a comunidade no futuro.

* Psicólogo do Programa de Saúde Mental da Funasa

* Assistente social do Programa de Saúde Mental da Funasa

Visite o blog e o fotolog da AJI

www.ajindo.blogspot.com

www.fotolog.net/ajidourados

(9)

Fim de ano é um período em que relembramos tudo o que aconteceu nesses meses para fazer um balanço e começar um novo ano carregando todo o aprendizado do ano anterior.

É também um período para agradecer.

Por isso, a AJI – Ação dos Jovens Indígenas de Dourados agradece a todos os moradores da Reserva Indígena de Dou- rados e povos indígenas de outras regiões e países que têm recebido o Jornal AJIndo. A produção do Jornal se deve a instituições que apóiam o nosso trabalho:

* GAPK – Grupo de Apoio aos Povos Guarani Kaiowá e Aruak

* IWGIA – International Work Group for Indigenous Affairs

* ORE – Produtora de vídeo indígena.

* USP – Universidade de São Paulo - Núcleo de Medicina

De uma forma muito especial, a AJI agradece:

Professora Dra. Maria de Lourdes Beldi de Alcântara (co- ordenadora da AJI), seu marido Paulo Guedes, sua filha Maíra e sua neta Júlia

Kenedy Morais

A

eleição para escolher o novo líder indígena da aldeia Jagua- pirú acontece no dia 20 de dezembro na escola Ramão Martins das 8 horas da manhã até as 17 horas. Podem votar as pessoas maiores de 16 anos, que de- vem apresentar um documento com foto no momento da votação. Esta eleição é exclusiva para os indígenas.

De acordo com a Constituição Fe-

Comunicado

Eleição do Novo Líder Indígena

Data: 20 de dezembro Local: Escola Ramão Martins Horário: 8h às 17h

CANDIDATOS

Líder indígena Vilmar Martins (Cacheiro) - vice Leomar Mariano (Trovão) Líder indígena Laucidio Flores - vice Isaél S.

Líder Indígena Catalino Aquino - vice Adercio M.

Líder Indígena Renato de Souza - vice Ramão Almirão (Lama)

Líder Indígena DiomarPeixoto (Paraguai) - vice Romeiro Martis (Patõe) deral de 5 de outubro de 1988, em seus

artigos 231 e 232, o Estado Brasileiro tem a obrigação de reconhecer e res- peitar os costumes, línguas, crenças, tradições e organização social dos povos indígenas.

Outros instrumentos jurídicos inter- nacionais dão legitimidade aos povos indígenas de se organizarem e se faze- rem respeitados em sua organização social, como é o caso da Convenção 169 da OIT (Organização Internacional

do Trabalho) à qual o Estado Brasileiro aderiu em julho de 2002 e que entrou em vigor no Brasil em julho de 2003.

Você, membro da comunidade in- dígena, é livre para escolher e votar em seu candidato. Esteja atento e bus- que conhecer melhor o seu candida- to, bem como as suas propostas para a comunidade.

O Jornal AJIndo disponibliza aqui o nome dos candidatos. Vote com consciência.

ELEIÇÃO PARA ESCOLHER NOVO LÍDER INDÍGENA DA ALDEIA JAGUAPIRU

Tempo de Agradecer

A AJI agradesce a todos os seus membros e também:

- Alejandro Parellada (IWGIA)

- Natália Costa (responsável pela oficina de jornalismo e editora do Jornal AJIndo)

- Elton Rivas (responsável pela oficina de vídeo)

- Itacir Pastore (nosso homem de ferro) e sua esposa Deja- nira Dutra

- Vera Lúcia (responsável pela organização da sede da AJI e pela alimentação da galera)

- Robson Danilo Antunes, o Grandão (Professor de Infor- mática)

- Dr. Zelik Trajber e sua esposa Isabel Carmi Trajber - Lélia Rita Sobral Costa

- Fernando de Souza

Somos imensamente gratos aos parceiros que construí- mos nessa caminhada:

- A Funasa - Fundação Nacional de Saúde (Conselho Distrital de Saúde Indígena e equipes de saúde Jaguapiru e Bororó)

- CRAS Bororo – Centro de Referência de Assistência Social.

- Representante de política indígena na Prefeitura de Dou- rados-MS

- Professores e funcionários das escolas Municipais e ex- tensões estaduais que estão presentes na Reserva Indígena de Dourados

- Lideranças indígenas que apóiam o nosso trabalho.

- Todos que de alguma forma contribuíram com o Jornal AJIndo mandando textos e dando entrevistas

- Todos os nossos queridos alunos de todas as oficinas rea- lizadas (filmagem, fotografia, jornalismo, direito indígena, informática)

Desejamos a todos um

Feliz Natal e um 2010

pleno de realizações!

(10)

Jaqueline Gonçalves

A

violência presente todos os dias nas aldeias Bororó e Jaguapiru, que compõem a Reserva Indígena de Dourados, tem deixado muitas marcas para sempre na vida de inocentes. A vi- olência cresce cada vez mais e não há uma ação para amenizá-la.

O Jornal AJIndo fez entrevistas ex- clusivas com indígenas que já sofreram atos de violência na própria casa e nas estradas da aldeia e hoje estão depen- dendo de familiares para viver.

“A grande maioria dos que sofreram tentativas de homicídio hoje está invá- lida”, diz Tibúrcio Oliveira Fernandes, liderança na aldeia Bororó, onde tem feito rondas com mais 15 pessoas por conta própria e sem muito apoio dos ór- gãos governamentais.

O indígena Guarani conta ainda que só no mês de outubro de 2009 acontece- ram 12 tentativas de homicídios só na aldeia Bororó, resultando em

duas mortes, ambas por gol- pes de facão.

O indígena Argermiro Pana, 52 anos, hoje está sofren- do as consequências da violên- cia na pele. Em abril deste ano, ele foi vítima de vários cortes de foices e facão. Ficou em coma por 20 dias. Para a felicidade da família hoje ele está de volta em casa, mas com seqüelas para o resto de sua vida.

Argemiro conta que tinha ido até a ci- dade e na volta, perto da escola Agostinho, ele foi atacado. Os acusados estão foragi- dos até hoje. “Eu tra- balhava muito e hoje não tenho mais forças para trabalhar, fiquei in- válido, a minha mão não presta mais, e sinto muita dor na cabeça e nos bra- ços”, conta o índio Kaiowá.

“O meu tio perdeu a voz com o que aconteceu com ele, é muito triste porque hoje ele só pode ficar em casa, não há como fazer nada

Depois da agressão

Sequelas da violência que o indígena vai carregar para sempre

nem que ele tente”, confirma Vilma Ramires Pana, sobrinha de Argemiro.

Ela diz ainda que em frente à sua casa crianças e adolescentes desfilam de fa- cão, foices e ninguém faz nada. “Eu te- nho medo até de sair de casa à noite, mas a vida continua, temos que deixar isso de lado”, completa Argemiro.

Valmir Veron, 29 anos, diz que o excesso de bebida alcoólica tem leva- do muitos indígenas a praticar atos vio- lentos. Ele foi mais uma das vítimas em sua própria casa. “O meu vizinho era assassino e toda vez que bebia ele me provocava, dizendo que iria me matar”, diz o indígena Kaiowá. Veron conta que estava arrumando a carroça na sua casa quando foi atingido com um golpe de facão no pescoço, e logo outros pelo corpo todo.

“Eu não posso mais trabalhar, os cor- tes ainda me doem muito, tenho muita febre. E tive que mudar de casa, pois temo muito pelas minhas crianças”, con- clui Veron, que é casado e tem seis filhos. O vizinho de Valmir Ve- ron está pre-

so, mas infelizmente isso não resolve as seqüelas da agressão que ele cometeu.

O jovem Dorivaldo de Sousa Fernan- des, 20 anos, conta que foi vítima de agressão quando voltava de um passeio para casa. “Passei em uma estrada e ti- nha aproximadamente 20 pessoas. Lá me atacaram, nem havia motivos”, explica Dorivaldo. Ele teve a cabeça, o braço, o rosto e a mão atingidos com golpes de facão. Dorivaldo hoje recupera a sua vida em casa sem poder trabalhar, pois os braços e as mãos não ajudam mais.

Antes de ser atacado ele trabalhava em uma usina.

“Dessas 20 pessoas que me ataca- ram só um está preso. O cara que foi preso pelo menos está com saúde e eu não posso mais nem fazer forças, sinto muita dor”, completa.

Tibúrcio Fernandes conta que a Fu- nai interrompeu a ação que fazia na Re- serva: patrulhas que desarmavam as pes- soas durante a noite. “Com isso, a vio- lência cresce cada vez mais, e grande parte dos agressores são crianças e ado- lescentes”, explica.

O médico Elder Lucio Ganancin, que atende a comunidade indígena no Posto de Saúde Zelik Trajber, na aldeia Boro- ró, confirma que a grande maioria das vítimas desse tipo de violência é com- posta por adolescentes e homens adul- tos jovens. Segundo o doutor Elder, em muitos casos esses homens não se re- cuperaram mais, e não podem vol-

tar a trabalhar.

“O tratamento das pessoas que foram atingidas é variado, depen- de muito do estado da pessoa. Se o caso for muito grave, infelizmente não tem recuperação. Mas há le- sões mais simples que não atin- gem muito os tendões e mús- culos e encaminhamos para o tratamento de fisioterapia, ci- rurgia, aí ameniza um pouco as seqüelas. Aqui na Reser- va, a maioria das pessoas é atingida nos membros superiores e na cabe- ça, o que pode resul- tar em sequelas neu- rológicas muito graves para toda a vida”, explica Elder Ganancin.

A

violência na escola está muito feia. Nem os guardas, nem os coordenadores ligam de fazer alguma coisa. Tem menino que leva facão para a escola e outros tipos de armas para brigarem.

Esses dias atrás dois meninos briga- ram e um saiu com uma facada na bar- riga e o outro fugiu. Em vez de darem umas três semanas de suspensão, deram só dois dias. Agora eles disseram que vai ter mais guarda e que nunca mais vai acontecer isso.

O que adianta? Eles revistam os alu- nos e assim mesmo os alunos levam fa- cas e outras armas. E quando eles que- rem brigar ninguém segura.

Desabafo

Aluno da Reserva Indígena de

Dourados descreve um dos problemas enfrentados por crianças e jovens

As escolas não estão fazendo mais atividades como ali no NAM e daí não tem nada para fazer. Os meninos saem por aí, já começam a fumar e viciam. E quando tiver atividades não vão mais querer ir, por quê?

Se eles fumam cigarro ou outra coi- sa, eles não têm mais fôlego, daí eles falam que não valem mais para nada.

Eles se afundam na bebida e daí vão para as drogas e então eles começam a rou- bar para comprar drogas.

Aí, rapaz, eles vendem até as rou- pas deles, se duvidar.

* o autor pediu para que seu nome não fosse divulgado

A dupla sertaneja evangélica R & M, da Reserva Indígena de Dourados, lan- çou em outubro o primeiro CD da car- reira. Com dez músicas compostas pela própria dupla, o álbum foi gravado em um estúdio no Rio de Janeiro.

Para Ramão, um dos integrantes da dupla, o lançamento do CD foi a reali- zação de um sonho.

“Há muitos anos pensava nisso e só agora se concretizou. Antes parecia uma mata fechada, mas de repente uma pi- cada se abriu”, compara Ramão.

Dupla lança CD

R & M, dupla sertaneja evangélica da Reserva Indígena de Dourados, realiza um sonho

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Piadas e Desenhos

Receita da tia Vera

Salada de Salsão, Nozes e Passas

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É uma delicia e muito simples de se preparar

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INGREDIENTES 1 xícara de maionese

1 xícara de (chá) de salsão picado 3 maçãs sem cascas e picadas 1/2 xícara de (chá) de nozes picadas 1/2 xícara de (chá) de uvas passas 6 folhas de alface crespa

MODO DE PREPARO

Misture os cinco primeiros ingredientes.

Divida em 6 porções e coloque sobre as folhas de alface.

Sirva gelado e bom apetite!

Nilcimar Morales

M

uitos dizem que o futuro Reserva de Dourados é se tornar uma grande favela do crime. Com a popula- ção chegando a 15 mil pessoas em um espaço de 3,5 mil hectares e a criminalidade que vem ocorrendo nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em sua maioria entre os jovens, acaba-se chegando a esse tipo de conclusão.

Uma questão problemática é o ponto de vista de antropó- logos que trabalham com a Reserva Indígena de Dourados de que a situação vivida pelas comunidades é em decorrência da falta de Terra.

No entanto, o problema não é só a falta de terra, mas também a dificuldade em se reconhecer a nova categoria entre os povos indígenas: os JOVENS. Não havia entre os ín- dios a classificação de jovens, porque nos modos tradicionais meninos e meninas se casavam muito cedo e de crianças já viravam adultos.

Então, é um atraso muito grande para Reserva Indígena de Dourados que antropólogos queiram continuar falando de teorias dos anos 50 para aplicar em nosso meio hoje em dia.

Ainda dizem que estamos perdendo a nossa cultura. Nós não a perdemos, ela se transforma a cada dia.

Mas o Governo Federal e a própria Funai [Fundação Na- cional do Índio] continuam se baseando nessas ideias que os Antropólogos descreveram há 60 atrás. As coisas mudaram. O mundo moderno, as necessidades econômicas, a tecnologia provocaram grandes mudanças nas comunidades indígenas.

O Estado continua omisso perante a Reserva Indígena de Dourados. E se essa situação persistir, há mesmo grandes chan- ces de que a Reserva se torne uma favela do crime.

Quais são os

caminhos para a mudança?

Uma das grandes

preocupações da

comunidade é

como será o futuro

na Reserva

Indígena de

Dourados

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Fotos

Apoio Apoio

Eventos 2009

FOTO: ARQUIVO/AJI

Referências

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