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CURSO DE REDAÇÃO AULA 4

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Academic year: 2022

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Professor Robinson Bucci

Página 1 de 5

CURSO DE REDAÇÃO – AULA 4 AULA: PARÁGRAFO INTRODUTÓRIO II

PROPOSTAS DE REDAÇÃO: Gravidez Precoce

Modelos de contextualização II:

3) A partir de uma citação:

Janus: olhar para o passado e olhar para o futuro

“A história, segundo Walter Benjamin, é um mecanismo necessário de veiculação da ótica dos vencedores e, assim, favorece as classes dominantes. Em decorrência disso, a memória constitui uma maneira de se questionar o cenário atual, uma vez que através dela é possível ressignificar o passado. Mais do que questionar, a revisão do passado embasa a luta contra as desigualdades soci ais, ou seja, vê-se no passado um projeto para o futuro. Contudo, observa-se um excesso de esquecimento, o qual colabora para a manutenção do ‘status quo’”.

Fuvest 2019 - “De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente?” (parágrafo de uma red. Nota 8,5)

4) A partir de um fato ou momento histórico:

A verdadeira liberdade

“Hoje, 114 anos depois da Revolta da vacina, o Brasil ainda passa pelos mesmos dilemas. Se, por um lado, há uma população indisposta a obedecer ao Estado e mal informada, de outro, há políticas coercitivas de prevenção de doenças. Para responder a esse embate, é preciso entender que a liberdade individual acaba quando ameaça o bem-estar do próximo.”

FAMERP 2019 – “Obrigatoriedade da vacinação: entre a prevenção a doenças e o respeito às escolhas individuais” (parágrafo de uma red. Nota 17,270 / 28)

5) A partir de uma definição:

Futuro do pretérito

“De acordo com o dicionário Houaiss, ‘História’ é uma ‘ciência que estuda eventos passados com referência a um povo, período ou indivíduo específico’. Essa definição pode reduzir a História a uma narrativa no pretérito perfeito simples, não é isso o que pe nsa Walter Benjamin, da Escola de Frankfurt, para ele não se trata de conhecer o passado como ‘ele de fato foi’, mas de pensar um passado que interesse ao presente, pois este é um constructo daquele. Disso é possível inferir que o viés com que se pensa o p assado implica escolher como que se quer viver o presente.

Fuvest 2019 - “De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente?” (parágrafo produzido para a aula)

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6) A partir de personagens:

Papagaios e patos

Cordial, esperto e preguiçoso, Zé Carioca, personagem desenvolvido por W. Disney na década de 40, reuniu em si a conduta e o trejeito que se nomeou de “jeitinho” na cultura brasileira. Esse traço identitário progrediu, àquelas três características acresceu -se a corrupção – o próprio papagaio malandro em sua evolução nos quadrinhos brasileiros, por exemplo, assumia dívidas financeiras sem nunca pagar. O jeitinho brasileiro, embora carregado de sentidos moralmente indesejados hoje, está ainda entranhado nos costumes d esse povo que para em fila dupla, transfere pontos da carteira e atravessa fora da faixa de pedestre. Distante de ser uma estereotipação, uma imagem preconcebida, esses costumes caracterizam grande parte dos brasileiros independentemente de suas classes sociais.

(parágrafo produzido para a aula)

7) A partir de filmes:

O filme “O milagre de Anne Sullivan” dramatizou a dificuldade da professora cega, Anne, para educar uma criança surdacega, Hellen Keller. Hellen tornou -se a primeira pessoa com tais características a ter bacharelado, foi também uma requisitada conferencista. Contemporaneamente a essa história, implantou -se a primeira escola para surdos no Brasil nos anos 1800. Era de se supor que, mais de duzentos anos depois, as crianças sur das já não sofressem limitações educacionais no Brasil, no entanto, deu -se o oposto. As escolas brasileiras ainda não estão preparadas para dar formação adequada a esse público, consequentemente, não o habilita para a autonomia necessária ao vigente modelo socioeconômico.

(parágrafo produzido para a aula)

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Página 3 de 5 8) A partir de músicas:

“Porque homem não chora”. Com esse argumento, verso de uma de suas músicas, o cantor Pablo (conhecido popularmente como “Pablo da Sofrência”) aponta para a naturalização dos papéis de gênero na sociedade brasileira. Ao homem imputou -se a virilidade e o poder decisório; à mulher, o sentimentalismo, o choro.

Essa divisão, porém, resulta no que o soc iólogo Pierre Bourdieu conceituou de violência simbólica , condição em que, nesse caso, homens e mulheres são partícipes de um processo injusto. A persistência da violência contra a mulher, apesar dos inúmeros dispositivos legais de que o Brasil dispõe, é, portanto, uma questão cultural mais do que legal.

(parágrafo adaptado de uma redação 960 do Enem)

PROPOSTA DE REDAÇÃO – AULA 4

PROPOSTA PARA O MODELO ENEM

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre o tema “Gravidez não intencional entre adolescentes brasileiros”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.

Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa do seu ponto de vista.

Texto 01

Lei n. 8 069, de 13 de julho de 1990

Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.

[...]

Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.

Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.

[...]

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a

efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

[...]

Art. 8º É assegurado a todas as mulheres o acesso aos programas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada, atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal, perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde. (Redação dada pela Lei n. 13.257, de 2016) [...]

BRASIL. Lei n. 8 069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm

Texto 02

Todo ano, mais de 430 mil bebês nascem de mães adolescentes no país. Com participação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), debate na Câmara Legislativa do Distrito Federal envolveu representantes do legislativo, governo, sociedade civil e pesquisadores e teve como objetivo discutir políticas locais para a prevenção da gravidez não intencional na adolescência. Para a deputada Júlia Lucy, uma gravidez na adolescência pode acarretar uma série de problemas para a mãe e para o bebê. “A gravidez na adolescência é um problema de saúde pública, pois existem vários problemas interligados a isso como, por exemplo, o aumento de possibilidade de um aborto natural, nascimento prematuro, evasão escolar e mortalidade materna. A falta de um projeto de vida produz, dentre outras questões, problemas como famílias disfuncionais e vulneráveis, abuso de álcool e outras drogas, além de situações de abandono, abuso, violência e a falta de proteção efetiva às crianças e aos adolescentes.”

Taxa de gravidez na adolescência no Brasil está acima da média mundial, aponta ONU - publicado em 20/02/2020 Disponível em: https://nacoesunidas.org/taxa-de-gravidez-na-adolescencia-no-brasil-esta-acima-da-media-mundial-aponta-onu/

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Texto 03

Ministério da Saúde e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos lançam, nesta segunda-feira (03/02/2020), uma campanha para prevenir a gravidez precoce: “Tudo tem seu tempo: Adolescência primeiro, gravidez depois”. Afinal, a gravidez não intencional nesta fase pode trazer consequências para toda a vida. (...)

Mesmo sem a presença dos pais ou responsáveis, os adolescentes a partir de 15 anos podem procurar a unidade de saúde mais próxima para se informar sobre os cuidados em saúde, e em conversa com os profissionais de saúde, podem diminuir dúvidas e ansiedade, tornando-se mais seguros e confiantes sobre seu desenvolvimento afetivo e direitos sexuais.

Os profissionais ainda poderão orientar sobre as intervenções adequadas dentro do plano de vida individualizado de cada adolescente. Em caso de início da vida sexual, a orientação pode incluir o uso de métodos naturais e de anticoncepção, como os de barreira (camisinha), hormonais e de longa duração.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta de maneira gratuita nove métodos contraceptivos que ajudam no planejamento familiar. São eles: anticoncepcional injetável mensal; anticoncepcional injetável trimestral; minipílula; pílula combinada; diafragma; pílula anticoncepcional de emergência (ou pílula do dia seguinte); Dispositivo Intrauterino (DIU);

preservativo feminino e preservativo masculino. Estes métodos contraceptivos estão acessíveis aos adolescentes nas unidades de Atenção Primária, incluindo testes rápidos para infecções, mesmo que estejam desacompanhados. No caso de alterações, os pais ou responsáveis são acionados.

Disponível em: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46276-prevencao-de-gravidez-na-adolescencia-e-tema-de-campanha-nacional

Texto 04

Embora existam avanços nas políticas públicas (...), os programas e as ações ainda não têm sido suficientes para que o Brasil obtenha melhores resultados na prevenção e na atenção à gestação do adolescente. (...) ainda persistem muitos entraves em áreas como saúde, educação e assistência social, dentre outras, para que as e os adolescentes possam fazer escolhas seguras e planejadas quanto à sua saúde sexual e reprodutiva, bem como possam receber uma atenção mais qualificada quando da ocorrência de gravidez. Exemplos desses entraves são:

• Ter acesso à informação e a métodos contraceptivos não é suficiente para prevenir a gravidez para muitos jovens.

Assim, os adolescentes de 15 a 19 anos se ‘descuidam’ e os de 10 a 14 anos têm pouca governabilidade para escolha/decisão.

• Maternidade como estratégia para mudança de status: saída econômica e/ou forma de as meninas serem reconhecidas e valorizadas na família e/ou na comunidade.

• Concepção negativa da gravidez na adolescência faz com que muitos adolescentes não frequentem os serviços de saúde por sentirem vergonha.

• Concepção negativa da gravidez: por possível defasagem idade/série, torna difícil a volta à escola depois do nascimento da criança; muitos que já estavam fora da escola decidem permanecer fora.

• Pouca disponibilização de informações sobre saúde sexual e saúde reprodutiva.

• Pouca iniciativa em avaliar e compartilhar as ações exitosas (boas práticas).

• Falta de pessoal qualificado e treinado e de formação contínua, inclusive com habilidade para realizar uma escuta qualificada com os adolescentes que engravidam.

• Falta de informação ou informação enviesada, tanto por parte das instituições religiosas como familiares e até escolares, dificulta o trabalho preventivo.

• Tema da educação em saúde sexual e reprodutiva ainda é visto como incentivador do início da vida sexual.

• Vulnerabilidades, violência doméstica e condição de sujeitadas fazem com que as meninas utilizem a gravidez como estratégia de mudança de “status” para deixar suas casas, para serem vistas como alguém/sujeito por meio do mito da maternidade.

• Gravidez indesejada motivada pelas violências de gênero, sexual, doméstica e/ou no namoro; embora engravidando contra a vontade, muitas não se enquadram na categoria de aborto legal ou mesmo não querem ou não podem praticar o aborto.

• Juízo de valor e visão dos profissionais acerca da adolescência e da gravidez como problema fazem com que esse público não reconheça as unidades de saúde como locais de acolhimento por se sentirem julgados pelos profissionais.

Adaptado de: Gravidez na Adolescência no Brasil – Vozes de Meninas e de Especialistas / Benedito Rodrigues dos Santos, Daniella Rocha Magalhães, Gabriela Goulart Mora e Anna Cunha. Benedito Rodrigues dos Santos. – Brasília: INDICA, 2017.

http://unfpa.org.br/Arquivos/br_gravidez_adolescencia_2017.pdf

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Página 3 de 5 Texto 05

(...). A cena é quase sempre assim: uma barriga em gestação avançada e um bicho de pelúcia. Pode até passar despercebido, mas quase sempre o foco das campanhas são elas, as mulheres. Segundo dados preliminares do Ministério da Saúde, em 2018, 21.154 bebês nasceram de mães de até 14 anos no Brasil. Entre jovens de 15 a 19 anos, foram 434.573 crianças. Somados, eles representam 15,4% do total de nascimentos do país. "Quando se fala muito de gravidez, se fala muito em prevenção com as meninas. Mas esse é um trabalho que precisa sair dessa responsabilização exclusiva delas para um trabalho que inclua meninos", diz Mario Volpi, coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) no Brasil. (...)

Para Viviana Santiago, gerente de Gênero e Incidência Política da Plan International Brasil, é preciso parar de falar como se fosse um processo apenas das garotas. "Embora as meninas lidem com todas as consequências, essa gravidez só ocorre porque existe um menino ao lado dela. E a gente não fala sobre como o homem participa nesse processo e qual a responsabilidade dele no processo dele", afirma. (...) Viviana Santiago cobra também a produção de material de campanha que abra um canal de comunicação com adolescentes do sexo masculino. "É preciso falar sobre o exercício consciente de sua sexualidade e de seu papel na prevenção da gravidez", afirma.

A pedagoga e educadora sexual Caroline Arcari defende que é preciso falar de forma ampla — com garotas e garotos

— sobre sexo. "A sexualidade é uma força viva do indivíduo, um meio de expressão dos afetos, uma maneira de cada um se descobrir, bem como descobrir os outros. Ela se apresenta de diferentes formas, transformando-se ao longo dos anos", afirma.

(...) Para Arcari, apesar de todos os desafios, é preciso seguir orientando as garotas, investindo no empoderamento delas, além de chamar os jovens. "É urgente incluirmos os meninos e garotos nessa responsabilidade: falar sobre consentimento, afeto, paternidade, além de tensionar os estereótipos de gênero para que eles parem de reproduzir uma masculinidade rígida que traz prejuízo para todo mundo", afirma.

Por que debate sobre gravidez na adolescência "esquece" de incluir garotos? Carlos Madeiro - Colaboração para Universa - 24/01/2020 Disponível em: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/01/24/debate-sobre-gravidez-na-adolescenciadeve-incluir-os-homens-tambem.htm

Referências

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