TERRA, TERRITÓRIO E POPULAÇÕES NA AMAZÔNIA

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Atividade 3: - Terra, Território e Populações na Amazônia

Tendo por base a discussão feita em sala de aula, cuja abordagem constituiu-se sob duas perspectivas: território e lazer, realize, a partir dos seus territórios, comunidades, cidades, um diagnóstico das práticas de lazer existentes nessas localidades, ao fim do qual seja possível identificar pelo menos uma prática de lazer aí existente. Observações importantes: Esse diagnóstico deve conter a definição teórica de território e de lazer. Deve conter também a apresentação do espaço de lazer escolhido, precedido de uma explicação historicizada sobre esse determinado espaço (pode ser um campo de várzea, uma quadra, uma praça, uma igreja, um igarapé, etc.). Por fim, deve conter uma descrição da atividade de lazer que ocorre nesse determinado espaço, considerando quais sujeitos se apropriam desse local e quais são as atividades ali desenvolvidas. Atentar, quando da descrição, se nesse espaço ocorrem eventuais tensionamentos, conflitos entre sujeitos e entre instituições, pelo uso do espaço.

TERRA, TERRITÓRIO E POPULAÇÕES NA AMAZÔNIA

Helenilse Maria Almeida Costa1 Francivaldo Mendes2

1. DEFINIÇÃO TEÓRICA DE TERRITÓRIO E LAZER

A definição do conceito de território é tão importante para a compreensão de lazer haja vista que um está intrinsicamente ligado ao outro. Neste sentido, é fundamental também, compreender o processo em que as políticas públicas de território se constitui no Brasil. Do mesmo modo, pensar em atividades de lazer a partir deste contexto, é importante para refletirmos sobre o conceito de território.

Assim o autor Mendes (2018) descreve que:

[...] território é produto de uma correlação de aspectos políticos e econômicos que num dado momento convergem noutro se repelem, constituindo-se numa lógica cíclica de múltiplas disputas de poder. Território, passa a ser entendido numa perspectiva que se sustenta sob uma base dinâmica, fluída, caracterizando-se pela sua mutabilidade, podendo ser um instrumento de poder político em sentido stricto e um espaço de exercício de poder simbólico. (MENDES, 2018, p. 23).

Para o autor, a palavra território em si, já confere substrato conceitual para compreendermos as dimensões que tal termo pressupõe, ou seja, é neste espaço que as ações

“ambientais, econômicas, sociais, institucional e políticas” são pensadas para que possam

1 Aluna do curso de especialização em Educação por Inversão Pedagógica, da Universidade Federal do Pará – UFPA.

2 Professor da Universidade Federal do Pará – UFPA, ministrante da disciplina Terra, Território e Populações na Amazônia.

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contribuir com as políticas de território no Brasil. Deste modo, o território engloba muito mais significado do que apenas supõe o senso comum da sociedade, ele envolve desde os valores éticos e sociais, como aspectos que constituem as culturas de um lugar.

Para entender esse conceito é essencial que observemos primeiramente a relação que se constitui com o outro, pois acredita-se que é a partir do encontro com os diferentes grupos sociais que o sentimento de pertença aflora dentro das pessoas, assim, também acontece com o ambiente em que as pessoas se encontram ou não, é importante ressaltar que os indivíduos criam

“raiz” há um determinado lugar ou não, dependendo do sentimento em que as pessoas desenvolvem pela território.

Precisamos analisar aqui, um ponto essencial para compreender o sentido de lugar e de que forma este espaço se torna relevante para os sujeitos. Necessitamos, ainda, explicar que o lugar representa para as pessoas o sentimento de pertença àquele espaço social e, com isso, as marcas da identidade se tornam visíveis, possibilitando uma melhor compreensão das relações sociais estabelecidas naquele território.

Deste modo, alguns questionamentos emergem ao longo do processo, dentre as quais destaco as seguintes: de que forma as relações sociais, profissionais e culturais se constituem para os sujeitos e como essas diferenças são postas e reveladas pelas políticas de território e lazer no Brasil e sobretudo, em Porto de Moz? A esse respeito Mendes (2018), assinala que;

O Lazer está ligado ao desenvolvimento humano em suas várias dimensões, materializando-se a partir de ações realizadas no tempo disponível, fora das obrigações laborais, familiares, políticas, entre outras. Esse tem sido o entendimento de alguns teóricos que discutem a temática e que servirão como base teórica nesta pesquisa, destacando-se Dumazedier (1999, 2004). A emergência desse fenômeno, conforme mencionado, tem destaque histórico a partir do século XVIII, momento em que ficam mais evidentes a fragmentação entre tempo de trabalho e de não trabalho.

(MENDES, 2018, p. 20).

Precisamos analisar aqui, um ponto essencial para compreender o sentido de lazer e de que forma este espaço se torna relevante para os sujeitos. Necessitamos, ainda, explicar que o lugar representa para as pessoas o sentimento de pertença àquele espaço social e, com isso, as marcas da identidade se tornam visíveis, possibilitando uma melhor compreensão das relações sociais estabelecidas naquele território. Deste modo, alguns questionamentos emergem ao longo do processo de pesquisa, dentre as quais destaco as seguintes: de que forma as relações sociais, profissionais e culturais se constituem para os sujeitos e como essas diferenças são postas e reveladas pelas políticas de território no Brasil? Sob está ótica Perico (s/d), assinala que;

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[...] o lazer não se constitui apenas numa antítese do trabalho. As reflexões feitas ao longo dessa pesquisa visam evidenciar formas originais e orgânicas de lazer, dispersas pelos vários nichos sociais, materializando sob vários aspectos conforme tem demonstrado há algum tempo os estudos de Magnani.

(MENDES, 2018, p. 20-21).

Do mesmo modo, que é importante levar em consideração no contexto das políticas de território, a complexidade das relações humanas que se estabelecem dentro do território, daí a necessidade de compreendê-las em suas múltiplas dimensões para que se possa planejar de forma harmônica, os artifícios que serão utilizados para implementar as políticas públicas neste espaço, a partir das necessidades dos sujeitos, isto é, dando voz e vez a todos os excluídos pelos exigências dos padrões da sociedade, estimulando, desta forma, a valorização cultural dos diversos grupos presente na coletividade.

Assim, o lazer passa também por mudanças estruturais desde sua “[...] transição de um modo de vida agrário-rural para o urbano-industrial [...]” (MENDES, 2018, p. 21). Nesse sentido, o contexto histórico também evoluiu inaugurando rupturas no modo de vida das pessoas, bem como na sociedade, marcando assim novas configurações e gerando novos conflitos. Essa novo formato social, também mudou o modelo de produção de trabalho e sua relação com o lazer, uma vez que, o lazer é um fenômeno que faz parte do cotidiano do ser humano desde os primórdios e acontece naturalmente independente de classe social e isso ocorre por meio das diferentes manifestações culturais dos grupos sociais.

Desta forma, Mendes (2018, p. 23) ressalta que lazer pode ser considerado uma experiência individual ou coletiva, que se estabelece na relação de trabalho. “Assim, para que existam práticas de lazer é preciso estar desvinculado das tarefas laborais, aqui entendidas em sentido amplo, pois ainda que se finalize o expediente no trabalho (em sentido formal) se ao chegar em casa persistirem atividades, afazeres, não há que se falar em lazer”.

Portanto, isto revela que as práticas de lazer efetivadas nas relações sociais são parte uma experiência estabelecida e constituída em uma relação recíproca com o território dos sujeitos, ou seja, as práticas de lazer desenvolvidas pelos sujeitos assumem múltiplos significados em determinado tempo e espaço. São relações que se dialogam interagindo com o mundo ao seu redor, isto é, lazer e território estão mutuamente relacionados, pois a medida em que os sujeitos interagem com o ambiente produzindo e reproduzindo suas manifestações culturais aproveitando o tempo do cotidiano como um espaço para o lazer, não com a preocupação do universo do trabalho, mas com a leveza e intensidade do prazer, permitindo momentos de agradáveis sensações que são promovidos pelo lazer.

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2. ESPAÇO DE LAZER NO MUNICÍPIO DE PORTO DE MOZ/PARÁ

O enfoque aqui apresentado destaca de forma sucinta o histórico do local escolhido como espaço de lazer no município de Porto de Moz, onde realizou-se a análise de observação participante sobre as manifestações culturais realizadas neste ambiente. Antes de adentrar no assunto, faço um breve histórico sobre o local de pesquisa.

O espaço de lazer escolhido foi a praia da Chácara, é um ambiente muito agradável e constantemente usado pela população portomozense, bem como pelos visitantes que aqui chegam. Esse referido espaço sempre foi usado pelo povo de Porto de Moz, contudo, foi no ano de 1998 que esse local ficou conhecido como um ponto turístico do município. Nesse mesmo ano, foi inaugurado o Primeiro Festsol, o qual contou com a participação de inúmeras atrações artísticas.

Fonte: Prefeitura municipal de Porto de Moz.

A praia da Chácara é atualmente conhecida por suas belezas naturais e pelo evento que realizado durante o mês de julho. A prefeitura promove o famoso Festsol que ultimamente tem se expandido. Contudo, mesmo esse sendo um evento que economicamente contribui com a economia do município de Porto de Moz, muitas pessoas têm discutido sobre os impactos

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ambientais causados por tal evento e que de certa forma, tem influenciado no modo de vida da população tanto ribeirinha quanto urbana.

A quantidade de lixo produzido pelas pessoas durante o Festsol em sua maioria é descartada de forma ilegal, isto é, jogada no próprio rio ou em um lixão a céu aberto próximo da cidade. Nesse espaço da zona urbana onde o lixo é descartado moram centenas de famílias e são prejudicadas por tal ação da prefeitura que não consegue se organizar para fazer o descarte do lixo de forma correta. E isso tem causado tensão entre os moradores e a prefeitura que julga ser o evento muito importante para o município, mas não considera que tão importante quanto o Festsol seja também a preservação do meio ambiente e a saúde das pessoas.

Hoje, as famílias mais antigas de Porto de Moz, consideram que o Festsol é um evento bom, mas por um lado, tem causado inúmeros prejuízos para o meio ambiente e a população.

As belezas naturais estão sendo dizimadas pela ação do homem de forma desordenada e prejudicando assim o que alguns moradores consideravam como um espaço não somente de lazer, mas também de sustento para muitas famílias. Como a população de Porto de Moz vive da agricultura familiar e da pesca, esse território antes de ser tornar um espaço de lazer, era também um local de trabalho para muitos pescadores. Atualmente não se pesca mais nessa região a, ainda, tem um grupo de pessoas que frequentemente questionam sobre a parte atrás da praia que é considerada uma área de várzea e que há muitos anos viviam muitos animais que hoje desapareceram.

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Mesmo sendo um território de lazer para a maioria da população, a praia da Chácara precisa de cuidados urgente para que suas belezas naturais não desapareçam. Muito tem se falado sobre esse espaço como um lugar de lazer, mas o que pouco tem se discutido é de que forma podemos preservá-lo para as futuras gerações. Para o autor Mendes (2018) o lazer “[...]

lazer associar-se-á ao termo espaço, que aparecerá ora referenciando o local que congrega equipamentos de lazer, ora situando a cidade como agregadora dos equipamentos e dos espaços de lazer. (MENDES, 2018, p. 23)”.

A maioria da população portomozense, cerca de 94%, tem sua economia baseada em atividades do setor primário e terciário, apresentando uma estrutura produtiva maioritariamente caracterizada pela produção familiar de subsistência, sendo que existe uma densidade populacional expressiva concentrada nas áreas ribeirinhas alagáveis, onde as condições de moradia se configuram através de casas palafitas e que residem as margens do Rio Xingu. “Rio esse que constantemente é poluído pela ação do homem, sobretudo, no período do evento do Festsol3”. As atividades de lazer desenvolvidas nesse território influenciam em alguns conflitos entre os moradores e as pessoas que trabalham com vendas nesse local.

Na praia da Chácara têm pessoas trabalhando em barracas construídas nesse espaço para a venda de bebidas, comidas e etc. Um dos conflitos se iniciou justamente pela construção das barracas na praia, que segundo alguns moradores tirou toda a beleza da praia sem contar no

3 Comentários de moradores durante o período de observação participante.

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prejuízo ambiental. Pois de certa forma mudou a paisagem, bem como interferiu no habitat natural dos animais que ali viviam.

Essa relação de lazer e trabalho estão intimamente ligados, assim como ressalta Mendes (2018, p. 26) “[...] Referenciando os estudos de Dumazedier (2004) é possível notar que historicamente a compreensão sobre lazer estava ligada a dimensão trabalho baseando-se numa rígida fragmentação do tempo diário”. Para o autor, trabalho e lazer sempre estiveram ligados ao tempo, tempo esse usados de forma individual ou coletiva e que substancialmente acontecia na divisão das 24 horas, conforme esclarece o autor “[...] Assim, as 24 horas de um dia eram igualmente divididas em que cada fração de 8 horas destinava-se respectivamente ao trabalho, ao sono e ao lazer”. (MENDES, 2018, p. 26).

Portanto, consideramos que lazer e território convivem em um mesmo espaço a partir das experiências de vida dos diferentes grupos sociais, assim como o trabalho também está intimamente ligado a esses conceitos construídos pela sociedade e alimentado ao longo do tempo. Se o território está ligado não somente a um espaço físico, mas também a formação social identitária dos sujeitos, ou seja, a formação simbólico do ser e sua relação com o lugar, o lazer também se relaciona nessa formação do homem com o lugar e o trabalho. Assim se

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constroem a sociedade do trabalho, lazer e território, um emergindo do outro e nem um vive sem o outro.

REFERÊNCIA

MENDES, Francivaldo José, C.; SOUZA, César M.; MIRANDA NETO, José Q. Memórias de migração na Amazônia: um estudo a partir das narrativas orais dos sujeitos no território da Transxingu. Cadernos do CEOM, Chapecó (SC), 2018.

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