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J. Pediatr. (Rio J.) vol.93 número5

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Academic year: 2018

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JPediatr(RioJ).2017;93(5):437---438

www.jped.com.br

EDITORIAL

A

closer

look

at

the

fetal

programming

hypothesis

with

obstetric

ultrasound

,

夽夽

Uma

análise

mais

profunda

da

hipótese

de

programac

¸ão

fetal

com

ultrassom

obstétrico

Henning

Tiemeier

ErasmusMedicalCenterRotterdam,DepartmentofChildandAdolescentPsychiatry,Rotterdam,PaísesBaixos

A maioria das grávidas em países desenvolvidos, se não todas,faráumexamedeultrassomparadefinirotempode gravidezeavaliarasaúdeeodesenvolvimentodoembrião ou feto. Ainda assim, surpreendentemente, poucos estu-dos de coorte usaram os dadosde ultrassom de cuidados de rotina com a saúde ou de pesquisas para testar suas hipóteses.Examesdeultrassomrepetidosdurantea gravi-dezoferecemaoportunidadedeexaminararelac¸ãoentre exposic¸ões intrauterinas e crescimento fetal e a relac¸ão entreos padrões de crescimentofetal e osresultados na crianc¸a. A maioria dos estudos sobre programac¸ão fetal simplesmentesebaseiaemumamedidaopcionalde cresci-mentofetal:relatodopesoaonascerporpartedamãeouda parteira.Osresultadosnonascimentosãoapenasmedidas brutasresumidasdocrescimentofetalenãopodem forne-cerinformac¸õessobrecrescimentoemdiferentesmomentos dagravidez.Adicionalmente,osindivíduospodemchegarao mesmopesoaonasceraopassarpordiferentestrajetórias decrescimentofetal.Pintoetal.devemserelogiadospelo uso,porparte deummédicoclínico, doultrassomclínico

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2017.04.001

Comocitaresteartigo:TiemeierH.Acloserlookatthefetal

programminghypothesiswithobstetricultrasound.JPediatr(Rio J).2017;93:437---8.

夽夽VerartigodePintoetal.naspáginas452---9.

E-mail:[email protected]

padronizadoparatestarumaimportantequestãodesaúde pública:osfilhosdemãesansiosasoudeprimidascomec¸am avidademaneirapiorantesmesmodenascer?1

Adepressãoeaansiedadeduranteagravidezforam asso-ciadasaváriosresultadosruinsemcrianc¸as,porémdiversas perguntasimportantespersistem:queparte daassociac¸ão observada entre problemas psiquiátricos maternos e o desenvolvimentodacrianc¸asedeveàvariáveldeconfusão doestilodevidaouafatoresinerentescomocondic¸ão soci-oeconômica?Quepartesedeveaosefeitosgenéticossobre apsicopatologiamaternaeodesenvolvimentodacrianc¸a? Odesenvolvimentopré-nataléparticularmentevulnerável àdepressão ouàansiedade em períodos específicos? Eos efeitosdaansiedadeoudadepressãopodemser diferenci-ados?

Nos últimos anos, testemunhamos diversas abordagens paratratar dacausalidade das associac¸ões deexposic¸ões intrauterinas e algumas delas levantaram dúvidas sobre ashipóteses deprogramac¸ãofetal.Osprojetos deirmãos sugeremque muitos possíveisefeitoscolaterais dousode medicamentosantidepressivosduranteagravidez provavel-mente refletem os riscos inerentes.2 Testes comparativos

dasassociac¸õesdeexposic¸ãopaternaematernadurantea gravidezsugeremqueaassociac¸ãoentredepressãomaterna e transtorno do déficit de atenc¸ão com hiperatividade (TDAH)podesermaisbemexplicadapelavariávelde confu-sãoe a depressão paternafoi associada da mesma forma a esse resultado.3 Às vezes, as variantes genéticas

rela-cionadas a uma exposic¸ão podem ajudar a identificar se

(2)

438 TiemeierH

umaassociac¸ão de exposic¸ãointrauterina e resultados na crianc¸aé causal. Entretanto,essa abordagemmendeliana de randomizac¸ão é complicada, pois a gravidez constitui umcurtoperíododeexposic¸ão aosgenes maternos.Ainda assim,essa abordagem fornece evidências iniciaisde que atéo consumo muito moderado de álcool durante a gra-videzcausaefeitos negativossobre o desenvolvimentoda crianc¸a.4 Outrosusaramasmedidasfrequentemente

repe-tidasdedepressãoparaidentificarummomentodurantea gravideznoqualosfilhosficamespecialmentevulneráveis ---porém osresultadossugeremque avulnerabilidade não varia.5Pintoetal.abordamoutraperguntaimportantepara

nossoentendimento causal:1 asassociac¸õesobservadasde

depressãoeansiedadesãoespecíficas?Seusresultadosestão emlinhacomasobservac¸õesdotrabalhodenossogrupoede outrosgrupos:aansiedadeduranteagravideznormalmente causaefeitos muito mais fortes sobre o desenvolvimento da crianc¸a que a depressão.6 Curiosamente, a ansiedade

específicadagravidezé cada vez maisreconhecidacomo importantefatorderiscoderesultadosnodesenvolvimento neurológico. Em contrapartida, as associac¸ões observadas atribuídas a sintomas depressivos normalmente são mais bemexplicadasporvariáveisdeconfusão,sintomasde ansi-edadecoexistentesoudepressãopós-parto.E,novamente, como corretamente enfatizado por Pinto et al., a forma comoossintomassãoaferidos,comotrac¸osouestados,com osmesmosinstrumentosespecíficos,éimportante.1

Por fim,gostariade salientarqueo tamanhodoefeito daassociac¸ão observadaentreansiedade durantea gravi-dez e o ganho de peso fetal nesse estudo é improvável. Umfilho deuma mãeansiosa nascido no Centro Hospita-lar do Porto pesa mais de 800g a menos do que o filho de uma mãe não ansiosa.1 Mesmo considerando o

inter-valodeconfianc¸a, otamanhodesse efeitonãoé realista. Osautoresdiscutemoviésdeselec¸ão---épossível,porém estouconvencidodequeotamanhodesseefeito provavel-mente refletirá um achado ou uma variável de confusão aoacaso.ObservequeHenrichsetal.observaram,em um estudomuitomaioremuitobemcontroladonosPaíses Bai-xos, com exames de ultrassom obstétrico repetidos, que fetos de mães com sintomas significativos de ansiedade duranteagravidezcrescem3,2gamenosporsemana.7Esse

estudodomeugrupofoiincorporadoaoGenerationR(Rde Roterdã),umagrandecoortelongitudinal debase popula-cionalqueacompanhamaisde8.000crianc¸asdesdeavida fetal.Houveváriospontosdecoletadedadosnessacoorte eosdadosaos10anos foramosconcluídosmais recente-mente.Contudo,osultrassonsfetaisrepetidos,combinados comosquestionáriosdetalhadossobreagravidez, oferece-ram aos pesquisadores do Generation R asoportunidades maissingulares.Ademais,paramuitasmães,osexamesde ultrassomforamos motivosdaparticipac¸ãona coorte em primeirolugar;noiníciodosanos2000,oultrassom obsté-tricoderotinanãofaziapartedosplanosdesaúdenormais nemerareembolsadopelasseguradoras.Ospesquisadores doGeneration Restudaram as trajetóriasdo crescimento dacabec¸a do feto para testarse as exposic¸ões maternas duranteagravidezafetam odesenvolvimentoneurológico precoce.Nãoapenasadepressãoeaansiedadematernas,

mastambémotabagismoduranteagravidez,ousode ini-bidoresseletivosdarecaptac¸ãodeserotonina(ISRS),afalta desuplementac¸ãodeácidofólicoeaexposic¸ãoàCannabis

afetamnegativamenteocrescimentodacabec¸adofeto.8

Adicionalmente, usamos esses dados para abordar a associac¸ão entre trajetórias de crescimento intrauterino e desenvolvimento da crianc¸a com técnicas estatísticas semelhantesàsdePintoetal.Encontramos evidênciasde umarelac¸ãodocrescimentointrauterinodacabec¸acomo desenvolvimentomotor,porémnãocomproblemas compor-tamentaisouemocionaisdeneonatos ecrianc¸asem idade pré-escolar.9Contudo,precisamosdemaisestudosque

ten-temabordaraimportantequestãodecomoeseaansiedade eadepressãomaternasduranteagravidezafetamosfilhos. OestudodePintoetal.éummaravilhosolembretedeque oultrassomobstétricoéumaferramentasubusadapor pes-quisadoresparaajudararesponderessasperguntas.

Conflitos

de

interesse

Oautordeclaranãohaverconflitosdeinteresse.

Referências

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