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Rev. adm. empres. vol.25 número4

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Academic year: 2018

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A ciência da administração

eaSBPC

João Evangelista Mendes da Rocha

Ex-aluno 'daEscola Brasildra de Administração Pública da Fundação Getulio Va~as. Membro da SBPC.

Subordinou-se ao tema central Ciência, tecnologia e Bra-sil democrático a 37~: Reunião Anual da Sociedade Bra-sileira para o Progresso da Ciência. (SBPC); realizada em Belo Horizonte, na Universidade Federal de Minas Ge-rais (UFMG), de 10 a 17 de julho último, nela foram apresentados cerca de três mil trabalhos científicos, dis-tribuídos por 76 diferentes áreas de conhecimento, além de 260 conferências, simpósios, mesas-redondas e pa-lestras.

Em artigo anterior, mostramos e criticamos a posi-ção da administraposi-ção, como ciência, em face das demais, nas duas reuniões anteriores da SBPC e focalizamos; 1. sua insignificante participação a nível de trabalhos en-caminhados; 2. o desinteresse, que ainda ocorre, das enti-dades e associações ligadas à administração por um even-to tão importante como esse da reunião anual da SBPC, em que todas as ciências se irmanam para o bem comum e, por isso mesmo, de marcante oportunidade para os destinos da ciência da administração.

Este ano, o quadro manteve-se praticamente inalte-rável nesses dois aspectos, considerando que tivemos ape-nas um trabalho a mais, no campo específico da adminis-tração, totalizando cinco, comparando com os quatro do ano anterior. A participação de qualquer associação, con-selho ou entidade de administradores continuou nula, quando pouco mais de 40 representantes de sociedades científicas fizeram-se presentes ao evento.

Na época conjunta - economia e administração -surgiram 43 trabalhos e, só a título de comparação, em educação o número chegou a mais do dobro, ou seja, 92. Isto dentro da nossa área - ciências do homem - que englobou, além dessas três disciplinas citadas, mais ou-tras nove, totalizando, nessa área, 408 trabalhos. Como curiosidade, outra área - ciências da matéria - apresen-tou, só no campo da física, 432 temas, o suficiente para superar o daquela área.

Começamos a mostrar a síntese dos cinco trabalhos de admínístração apresentados na reunião por aquele que foi elaborado em outra área - afim, mas não específica, como é a educação - e intitulado O taylorismo na edu-cação. Este trabalho, oriundo do Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo, focalizou, com muita pro-priedade, a inadequação do taylorismo à arte do ensino, já que sua característica fundamental é meramente técni-ca. O autor considerou que há uma influência perniciosa no ensino do método mecanicista e taylorista e, entre outros exemplos, apmtou o destaque dado aos alunos que mais produzem - os de notas melhores e conceitos de louvor e a programação inflexível do ensino. Defen-deu uma relação mais humana na escola. Dos cinco cata-logados no grupamento economia-administração assim podemos referenciar: 1. processo de treinamento de re-cursos humanos numa abordagem sistêmica. Trata-se de um estudo que veio do Instituto de Planejamento de Pre-sidente Prudente da Universidade Estadual Paulista. E feito nas indústrias têxtil e de confecções da Grande Na-tal sobre o nível de treinamento nessas indústrias; 2. um estudo sobre a distribuição do controle em organizações formais. Também oriundo da instituição anterior, dois tipos de organização foram pesquisados: um hospital e uma escola. O gráfico de controle utilizado foi o de Ta-nebaum e Kahn e avaliados os controles ativo e passivo; 3. uma experiência de estágio para alunos do Curso de Licenciatura em Matemática, junto

à

disciplina adminis-tração. A finalidade deste trabalho, também originário de Presidente Prudente, foi estudar o método quantitati-vo aplicado aos problemas da área da administração, bem como a elaboração de gráficos de controle durante o es-tágio dos alunos de matemática em duas organizações formais: o hospital e a escola. De nossa parte, há bastan-te bastan-tempo voltados para esse estudo inbastan-terdisciplinar - ma-temática e administração - temos observado que a vali-dade do método quantitativo na área da administração, a exemplo da economia, vem-se acentuando sobremaneira, no que pese ao entendimento de muitos quanto à sua ina-plicabilidade num campo basicamente social como o de nossa área. Livros e mais livros estão aí mesmo na defesa dessa tese de estreita compatibilidade entre as duas ciên-cias, como por exemplo, para citarmos só um,

Introdu-ção quantitativa às decisões administrativas,

de Leonardo W. Hein, que, na introdução de seu prefácio, assim se manifesta de forma até afetuosa: "Estamos testemunhan-do um romance, eventualmente, um casamento, entre as áreas tradicionais de matemática e a administração de empresas." E, agora, vem aguçar ainda mais nosso inte-resse o referido trabalho apresentado na última reunião da SBPC; 4. percepção e análise de variáveis organizacio-nais e individuais em órgãos estatais. Esperanças e reali-dades. Oriundo igualmente do Instituto de Planejamento de Presidente Prudente, o autor focalizou, através de uma pesquisa, a diferença de percepção em uma organi-zação: o real e o ideal e seu reflexo no comportamento das pessoas. O papel do gerente de recursos humanos dentro da concepção de que toda empresa tem função social. Entre outras, duas variáveis foram apontadas co-mo responsáveis pela diferença entre o real e o ideal: a) aceitação de sugestões; b) participação dos subordina-dos nas decisões da organização; 5. formação de adminis-tradores públicos do Brasil e as dimensões da racionalida-de. Neste trabalho, que veio da Escola de Administração

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da Universidade Federal da Bahia, o aspecto substantivo da racionalidade foi destacado como a questão nevrálgi-ca do ensino da administração públinevrálgi-ca e que se deve so-brepor aos outros itens meramente burocratizantes e observados de 1930 para cá e que foram frutos da racio-nalidade funcional. De nossa parte, diríamos que o autor do trabalho apresentado na reunião, ao considerar, na questão do ensino da administração pública, a importân-cia da racionalidade, ponderou a distinção de um ponto muito discutido da ação administrativa, que é o relacio-nado com os dois tipos de racionalidade: o funcional e o substantivo ou substancial, a cujo tema Max Weber e Bamard, entre outros, tanto se dedicaram.

Eis uma ligeira referência acerca dos trabalhos de administração apresentados na última reunião da SBPC, cujo conhecimento mais profundo mereceria certamente um interesse especial por parte dos nossos companheiros administradores.

E

à

medida que fôssemos adquirindo consciência do valor qualitativo desses trabalhos e da importância cien-tífica das reuniões da SBPC, não há dúvida de que novos trabalhos, e em maior número, aí desembocariam, e te-mas tão atuais e tipicamente de administração, como os que se seguem a título de sugestão, poderiam ser ampla-mente debatidos: 1. modernização e democratização das estruturas na administração pública; 2. reestruturação de órgãos públicos

versus

extinção; 3. inchação e ineficiên-cia de autarquias por falta de controle; 4. reformulaçâo e adaptação regional do currículo no ensino da administra-ção; 5. centralização

versus

descentralização; 6. gerência democrática

versus

gerência autoritária ou patemalista; 7. a teoria Z e a eficácia da empresa japonesa; 8. audito-ria administrativa e seu atual papel da administração es-tatal; 9. o sentido democrático de uma administração transparente.

Esperamos que tal ocorra e as nossas instituições de ensino de administração tomem a vanguarda desse tipo de ação, a exemplo das nossas congêneres das outras áreas de conhecimento que, sem comparação, apresenta-ram e debateapresenta-ram seus mais variados problemas. E aqui fi-ca, por último, mais um registro estatístico, para refle-xão, extraído da 37!l Reunião da SBPC: número de ins-tituições de ensino que apresentaram trabalhos sobre administração, 3,enquanto que em genética, para citar-mos apenas uma área, cerca de 100 instituições.

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