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Rev. Estud. Fem. vol.12 número1

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Academic year: 2018

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Estudos Feministas, Florianópolis, 12(1): 360, janeiro-abril/2004

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GLORIA EVANGELINA ANZALDÚA

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A escritora e teórica cultural Gloria Evangelina Anzaldúa, reconhecida internacionalmente, faleceu em 15 de maio, aos 61 anos, de complicações relacionadas a diabetes. Autora versátil, Anzaldúa publicou poesia, ensaios teóricos, contos, narrativas autobiográficas, entrevistas, livros infantis e antologias de vários gêneros. Como uma das primeiras autoras americanas de origem mexicana assumidamente lésbicas, Anzaldúa desempenhou um papel de grande relevância na redefinição de identidades chicanas, lésbicas e queer. Como editora ou co-editora de três antologias multiculturais, ela também desempenhou um papel vital no desenvolvimento de um movimento feminista de inclusão. Anzaldúa é mais conhecida como autora de Borderlands/La Frontera: The New Mestiza (San Francisco: Aunt Lute Books, 1987), uma coleção híbrida de poesia e prosa escolhida como um dos 100 Melhores Livros do Século pelo Hungry Mind Review e Utne Reader.

As obras publicadas de Anzaldúa incluem, também, This Bridge Called My Back: Writings by Radical Women of Color (New York: Kitchen Table Press, 1981), uma coleção pioneira de ensaios e poemas amplamente reconhecida pelos estudiosos como o primeiro texto feminista multicultural; Making Face, Making Soul/Haciendo Caras: Creative and Critical Perspectives by Feminists-of-Color (San Francisco: Aunt Lute Books, 1990), uma coleção de textos de vários gêneros, amplamente utilizada em salas de aula; dois livros infantis bilíngües – Friends from the Other Side/Amigos del otro lado (San Francisco: Children’s Book Press, 1993) e Prietita and the Ghost Woman/Prietita y la Llorona (San Francisco: Children’s Book Press,1995) – e Interviews/Entrevistas (New York: Routledge, 2000), uma coleção de entrevistas/memórias. Publicou ainda This Bridge We Call Home: Radical Visions for Transformation (New York: Routledge, 2002), uma coleção co-editada de ensaios, poesia e arte visual que examina o status atual da teorização feminista e womanist. Anzaldúa recebeu inúmeros prêmios, inclusive o prêmio American Book da Fundação Before Columbus, o prêmio Lamda Lesbian Small Book Press, o Prêmio de Ficção NEA (National Endowment for the Arts), o prêmio Lesbian Rights, o prêmio Sappho com Distinção, e o prêmio Lifetime Achievement da Associação de Estudos Americanos.

Nascida no Vale do Rio Grande, no sul do Texas, em 1942, Anzaldúa era a filha mais velha de Urbano e Amalia Anzaldúa. Recebeu seu diploma superior da Universidade Pan American, concluiu o mestrado na Universidade do Texas em Austin, e estava em vias de completar seu doutorado na Universidade da Califórnia em Santa Cruz. Anzaldúa deixa sua mãe, uma irmã e dois irmãos, além de sobrinhas/os, sobrinhas/os-netos e uma multidão de tias/os.

IN MEMORIAM

1 Nota obituária que circulou pela Internet em maio de 2004, comunicando o falecimento da escritora.

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Estudos Feministas, Florianópolis, 12(1): 13-14, janeiro-abril/2004

O SILÊNCIO DA TRADUÇÃO

CLAUDIA DE LIMA COSTA

No atual momento de grande circulação e tradução de idéias e textos, sempre nos pareceu irônico que os escritos de Anzaldúa – que tanto alimentaram a teorização dos críticos pós-estruturalistas mais em voga – não tivessem sido traduzidos ao português com a mesma voracidade com que as casas editoriais traduzem esses mesmos críticos que, por sua vez, veiculavam em suas formulações epistemológicas as idéias de fronteira e de hibridismo inicialmente articuladas com tanta criatividade por Anzaldúa. Para a crítica, os escritos de Anzaldúa representam a elaboração fundacional de uma poética e política do hibridismo cultural. Quantos/as somos nós que soubemos pela primeira vez de Anzaldúa a partir da tradução do livro de Walter Mignolo Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar (Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003)? No entanto, o livro premiado de Anzaldúa, e o mais (re)conhecido em outras terras –

Borderlands/La Frontera –,ainda não apareceu em português, apesar dos seus 17 anos de existência. Tal silêncio nos faz refletir sobre a geopolítica da tradução e os sistemas de exclusão que, em suas múltiplas interseções com os outros eixos da diferença – gênero, raça, classe, orientação sexual, etc. –, selecionam os textos que receberão visto de entrada e aqueles que permanecerão do outro lado da fronteira, desqualificados. Nós – o feminismo – somos quem mais perdemos com tais barreiras dificultando o diálogo e o aprendizado a partir de outras experiências/saberes.

Porém, ao mesmo tempo em que sentimos tristeza pelo falecimento fora do tempo de Anzaldúa e ira pelas fronteiras que barram outros saberes, também nos sentimos afortunadas porque, como integrantes do comitê editorial da Revista Estudos Feministas, conseguimos pelo menos trazer para o português um texto antológico de autora – “Falando em línguas” (Speaking in Tongues)2 – e o publicamos na Revista. Estamos aos poucos

construindo, ainda que tardiamente, um repertório em tradução dos escritos de Anzaldúa. Pedimos a colaboração das outras colegas e publicações para dar continuidade a essa importante tarefa de registro histórico do pensamento feminista latino-americano/chicano/ latino.

2 Anzaldúa, G. “Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do Terceiro Mundo” (trad. Édna

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