Universidade Federal de Itajubá
IEPG - Instituto de Engenharia de Produção e Gestão
Análise das Demonstrações Financeiras
Vicunha S.A.
(2002/2004)
Nomes: Carlos Eduardo de Oliveira 11455 Gabriel Augusto da Conceição 11458
EME 30 – Contabilidade Gerencial Junho/2005
Itajubá
Sumário
I -Introdução ...1
II - Objetivos ...2
III - Informações Gerais Vicunha Têxtil III.1 - Dados...3
III.2 - História...3
III.3 - Produtos...4
III.4 - Localização ...5
IV – Fundamentos Teóricos IV.1 – Balanço patrimonial...6
IV.2 – Ativo...6
IV.3 – Passivo...6
IV.4 – Análise dos Índices...7
IV.4.1 – Estruturas de Capital...7
IV.4.1.1 – Participação de capital de terceiros ...7
IV.4.1.2 – Composição do endividamento...8
IV.4.1.3 – Imobilização do patrimônio liquido ...8
IV.4.1.4 – Imobilização dos recursos não-correntes...9
IV.4.2 – Liquidez...9
IV.4.2.1 – Liquidez geral...10
IV.4.2.2 – Liquidez corrente...10
IV.4.2.3 – Liquidez Seca...10
IV.4.3 – Rentabilidade...11
IV.4.3.1 – Giro do ativo...11
IV.4.3.2 – Margem líquida...11
IV.4.3.3 – Rentabilidade do ativo...12
IV.4.3.4 – Rentabilidade do patrimônio liquido...12
IV.4.4 Comparação com padrões...12
IV.5 – Análise Vertical e Horizontal...13
IV.6 – Previsão de Falência ...14
IV. 7 – Índices de Prazos Médios...14
IV.7.1 – Prazo médio de recebimento de vendas...14
IV.7.2 – Prazo médio de pagamento de contas...14
IV.7.3 – Prazo médio de renovação de estoques...15
IV.8 – EVA...15
V -Análise das Demonstrações Financeiras
V.1Balanço Patrimonial Padronizado
IV.1.1 Ativo Padronizado...16
IV.1.2 Passivo Padronizado...17
V.2 Demonstração de resultados padronizada...19
VI – Índices ...20
VI.1 Estrutura de capitais...20
VI.2 Liquidez...21
VI.3 Rentabilidade...21
VII – Avaliação por notas VII.1 – Nota de estrutura de capital...21
VII.2 – Nota de liquidez...22
VII.3 – Nota de rentabilidade...23
VII.4 – Nota geral...24
VII – Previsão de Falência...25
IX – Índices de Prazos Médios...25
XI – EVA...25
XII – Conclusão...26
XIII – Anexos...27
I – Introdução
Quando decide-se investir em uma empresa é interessante a busca de informações para verificar o grau de risco do investimento e sua rentabilidade. Em outras ocasiões também é importante saber a real situação financeira/econômica de uma empresa: os fornecedores de bens e serviços que passarão a negociar com uma nova empresa-cliente;
os clientes de uma empresa, que desejam saber se esta empresa tem “vida longa” , para não serem surpreendidos com uma possível falência da empresa-fornecedora; os bancos de investimento que devem saber de antemão se uma empresa que está solicitando crédito terá ou não condições de vir a pagar esse crédito no futuro.
E uma análise tão importante como essa não pode ser feita tendo como base apenas os relatórios administrativos de uma empresa, suas atas de assembléias e outros
comunicados dirigidos ao público. Tal análise deve ser feita de maneira meticulosa,
“decifrando” as demonstrações financeiras da empresa em questão, através da análise do balanço patrimonial padronizado, da demonstração de resultados padronizada, de índices de estrutura de capital, de liquidez e rentabilidade. Também devem ser levados em
consideração a previsão de falência desta empresa, o EVA, o comportamento de suas ações na bolsa e a comparação com outras empresas do mesmo setor.
Visando-se fazer uma análise completa de uma empresa para exemplificar os caminhos de como se fazer uma análise técnica e consistente, escolheu-se a Vicunha têxtil S.A.uma importante indústria do setor têxtil brasileiro. O motivo da escolha desta empresa foram vários: trata-se de uma empresa de destaque, conhecida pelo público em geral; tem mais de cinqüenta anos de existência, sendo trinta anos com o nome Vicunha; é uma das principais produtoras de índigo(matéria-prima da fabricação do jeans) do mundo; apresenta 3,5 mil pessoas no seu quadro de funcionários e é uma empresa que está expandido seus negócios no exterior. Por ser essa empresa reconhecida grandeza, a Vicunha Têxtil S.A.. foi escolhida para ser a empresa-modelo da nossa análise econômica/financeira.
II – Objetivos
Fazer uma análise completa da situação financeira e econômica da empresa Vicunha S.A. através da análise das demonstrações financeiras dos anos de 2002, 2003 e 2004, obtidas junto ao site da Comissão de Valores Mobiliários(CVM). E julgar, ao final do trabalho, se é ou não interessante investir nessa empresa.
III- Informações gerais Vicunha Têxtil S.A.
III.1 -Dados
Abaixo estão listados alguns dados sobre a Vicunha Têxtil S.A. que nos permitirão ter uma noção melhor a respeito de toda estrutura da empresa:
• Atualmente são 15 unidades operacionais em todo Brasil;
• São consumidas 300 mil toneladas de matéria-prima por ano;
• Seu Sistema de Gestão Ambiental possui certificação ISO 14000;
• Emprega 3,5 mil funcionários;
• Está entre os 5 maiores produtores de índigo do mundo;
III.2 História
Estão mencionadas abaixo algumas datas que marcaram a história da Vicunha Têxtil S.A., citando fatos de extrema relevância no seu desenvolvimento até os dias atuais:
1946: Sam Rabinovich funda em São Roque(SP) uma pequena fabrica de tecelagem;
1948: É fundada a Fiação e Tecelagem Campo Belo, também por Sam Rabinovich. Foi a responsável pela entrada no Brasil, dos blends, misturas de fibras naturais, artificiais e sintéticas.
1966: As famílias Steinbruch e Rabinovich se unem para montar a primeira empresa em comum, a companhia têxtil Brasibel;
1967: Ano que marca o nascimento do Grupo Vicunha;
1970: Fundada em Fortaleza a Fiação Nordeste do Brasil(Finobrasa); grupo aumenta sua participação no mercado interno e passou a disputar de forma agressiva o mercado externo;
1982: Grupo Vicunha adquire a Fibra, uma das principais industrias têxteis do país;
1984: Aquisição da participação do grupo Renner na principal subsidiaria brasileira da Lee, fabricante americana de jeans. Criação da Vicunha Nordeste.
1989: Fundação do Banco Fibra;
1992: Fundação da Brastex em Buenos Aires, Argentina: primeira filial da Vicunha no exterior;
1993: Visando diversificar seus investimentos, adquire participações relevantes no capital da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), logo se tornando o maior acionista individual;
1994: joint-venture entre a Fibra e a DuPont para a produção de nylon têxtil.
1996: Grupo Vicunha adquire o controle acionário da Hering Têxtil do Nordeste, criando a Fibrasil;
1998: Fundação da Vicunha United States;
1999: Vicunha inicia suas atividades na Europa através da Alcapa Import Export Sarl;
2001: Criação da Vicunha Têxtil S.A., desmembrando a área têxtil do Grupo Vicunha das outras áreas do grupo; visando redução de custos, simplificação administrativa, maior agilidade e rentabilidade econômica;
III.3 Produtos
Os produtos fabricados pela Vicunha Têxtil S.A. são:
• Índigos;
• Brins;
• Malhas;
• Tecidos Sintéticos;
• Confecções;
• Filamentos e fibras;
• Químicos-pet;
III.4 Localização
As unidades operacionais da Vicunha S.A. estão presentes nas seguintes localidades:
• Fortaleza – Índigos e malhas;
• Natal – Brins;
• Pacajus – Índigos;
• São Paulo;
• Recife – Confecções;
• Bahia – polímeros;
• Americana – fibras e tecelagem;
• Itatiba – beneficiamento;
• São Manuel – malharia;
• Amparo – tecelagem;
IV - Fundamentos Teóricos
Para que a analise feita da Vicunha S.A. seja bem entendida pelo público, em geral, faz-se necessária a explicação de alguns termos e métodos que serão utilizados doravante.
IV.1 - Balanço Patrimonial
É como se tirasse uma foto de uma empresa numa data em particular, geralmente é feita no ultimo dia de cada ano. Nesse quadro, os ativos(circulante, realizável a longo prazo e permanente) estão listados do lado esquerdo, e os passivos(circulante, exigível a longo prazo e patrimônio liquido),do lado direito.
IV.2 - Ativo
Como foi descrito no item anterior, os ativos(circulante, realizável a longo prazo e permanente) se posicionam do lado esquerdo do quadro que ilustra o balanço patrimonial.
Os ativos são as coisas que a empresa possui – dinheiro, duplicatas a receber, participações nos lucros de outras companhias, maquinários, veículos, estoque, imóvel.
IV.3 - Passivo
Representam títulos a pagar, a curto e longo prazo. Nesse quesito encaixam-se compras de matérias-primas, empréstimos, financiamentos, alugueis, salários de funcionários, impostos a pagar, etc.
Outro fato importante a saber, é que as demonstrações financeiras das empresas devem seguir um modelo de apresentação, ou seja, devem ser padronizados. Isto foi decido pelos seguintes motivos:
• Simplificação – reduz o número de contas;
• Comparabilidade – facilita a comparação com balanços de outras empresas;
• Adequação aos objetivos da análise: para o caso de contas que precisam ser reclassificadas;
• Precisão nas classificações de contas: evitar falhas nas classificações de contas;
• Descoberta de erros na classificação de contas;
• Intimidade do analista com as demonstrações financeiras da empresa: para que o mesmo possa se familiarizar mais facilmente com os números da empresa.
IV.4 - Análise dos Índices
Os dados obtidos no Balanço Patrimonial necessitam de um tratamento especial para que possam gerar informações importantes a respeito da situação
financeiro/econômica da empresa. E esse tratamento especial é feito através de ferramentas conhecidas como índices do balanço patrimonial. Serão 11 índices no total que serão utilizados nesse trabalho, visando um perfeito diagnostico da Vicunha Têxtil S.A.( todos estão minuciosamente explicados no item abaixo), podem ser agrupados em três grupos:
Estrutura de Capitais, Liquidez e Rentabilidade. Os índices referentes à estrutura de capitais e liquidez são responsáveis por apontar a situação financeira da empresa, enquanto que os índices referentes à rentabilidade, são os responsáveis em apontar a situação econômica da empresa.
Na prática a quantidade e tipo de índice utilizado para fazer a análise da empresa, depende do tipo de interesse que se tem. Fornecedores, clientes, instituições bancarias, têm interesses distintos na analise do balanço de uma empresa, por isso cada um buscará os índices que lhe darão uma visão melhor do que estão buscando investigar.
IV.4.1 - Estrutura de capitais
Os índices desse grupo mostram grandes linhas de decisões financeiras, em termos de obtenção e aplicação de recursos.
IV.4.1.1 - Participação de capitais de Terceiros: (CT/PL) x 100
Onde:
CT – Capitais de Terceiros;
PL – Patrimônio Líquido.
• Representa quanto a empresa pegou de capital de terceiros para cada $100,00 de capital próprio investido;
• Quanto menor esse índice, melhor;
• Quanto maior a participação de capitais de terceiros na empresa, menor a liberdade de decisões financeiras;
• É vantajoso trabalhar com capitais de terceiros se a remuneração paga a esses capitais de terceiros for menor do que o lucro conseguido com sua aplicação nos negócios.
IV.4.1.2 Composição do Endividamento: (PC/CT) x 100 Onde:
PC – Passivo Circulante CT – Capital de terceiros
• Representa a porcentagem de obrigações a curto prazo em relação às obrigações totais;
• Quanto menor, melhor;
IV.4.1.3 - Imobilização do Patrimônio Líquido: (AP/PL) x 100 Onde:
AP – ativo permanente;
PL – patrimônio liquido;
• Representa quanto a empresa aplicou no ativo permanente para cada $100,00 de patrimônio líquido existente;
• Quanto menor esse valor, melhor;
• A diferença entre o patrimônio liquido e o ativo permanente é o que chamamos de capital circulante próprio(CCP);
• O ideal é que o patrimônio liquido cubra o ativo permanente e ainda sobre dinheiro para financiar o ativo circulante
IV.4.1.4 - Imobilização dos Recursos não correntes: x100 ELP PL
AP + Onde:
AP – ativo permanente;
PL – patrimônio líquido;
ELP – Exigível a longo prazo;
• Representa a quantidade de recursos que a empresa investiu no ativo
permanente para cada $100,00 de recursos não correntes(patrimônio líquido + exigível a longo prazo) disponível;
• Quanto menor esse valor, melhor;
• É bom que sempre haja uma parcela dos recursos não correntes para o capital circulante, essa parcela é chamada de capital circulante
liquido(CCL);
IV.4.2 - Liquidez
Os índices de liquidez mostram a base da situação financeira da empesa. Não deve-se confundir índice de liquidez com capacidade de pagamento da empesa. O que ocorre é que se a empresa tiver bons índices de liquidez, ela tem condições de ter boa capacidade de pagar suas dividas, mas não estará pagando em dia
obrigatoriamente. Isto em função de: prazos, renovações de dívida, etc.
IV. 4.2.1 - Liquidez Geral:
ELP PC
RLP AC
+ +
Onde:
AC – Ativo circulante;
RLP – Realizável a longo prazo;
PC – Passivo circulante;
ELP – Exigível a longo prazo;
• Representa quanto a empresa tem nos ativos circulante e realizável a longo prazo, para cada $1,00 de dívida total;
• Quanto maior melhor;
• Folga nesse índice indica que há CCP(capital circulante próprio);
• Se a empresa tiver esse índice maior do que 1(um), está, a princípio, em uma boa condição; caso contrario, índice menor que 1(um): terá que gerar mais recursos para o futuro, para poder honrar suas dividas de longo prazo.
IV.4.2.2 - Liquidez Corrente: (AC/PC)
Onde:
AC – Ativo Circulante;
PC – Passivo Circulante;
• Indica quanto há no ativo circulante para cada $1,00 de dividas a curto prazo;
• Quando a liquidez corrente é superior a 1(um), o excesso é devido ao Capital Circulante liquido(CCL)
IV.4.2.3 - Liquidez Seca:
PC Estoques AC−
Onde:
AC – Ativo Circulante;
PC – Passivo Circulante;
• Representa quanto a empresa possui de ativo liquido para cada $1,00 de passivo circulante;
• Quanto maior esse índice, melhor;
IV.4.3 - Rentabilidade
Os grupos de índices presentes abaixo são responsáveis por medir o grau de êxito econômico da empresa.
IV.4.3.1 - Giro do Ativo: (V/AT)
Onde:
V – vendas líquidas;
AT – total do ativo;
• Representa quanto a empresa vendeu para cada $1,00 de investimento total;
• Quanto maior esse índice, melhor;
• Este índice em queda pode ser explicado por: retração de mercado como um todo, perda de participação no mercado, estratégia da empresa.
IV.4.3.2 - Margem Líquida: (LL/V) x 100
Onde:
LL – lucro liquido;
V – vendas liquidas;
• Representa quanto a empresa obtém de lucro para cada $100,00 vendidos;
• Quanto maior esse índice, melhor;
IV.4.3.3 - Rentabilidade do Ativo: (LL/AT) x 100
Onde:
LL – lucro líquido de vendas;
AT – Ativo total;
• Representa quanto a empresa obtém de lucro para cada $100,00 de investimento total;
• Quanto maior esse índice, melhor;
• É a medida da capacidade da empresa para gerar lucro.
IV.4.3.4 - Rentabilidade do Patrimônio Líquido: (LL/PL) x 100
Onde:
LL – lucro líquido;
PL – patrimônio liquido;
• Representa o quanto de lucro foi gerado para cada $100,00 de patrimônio líquido investidos;
• Quanto maior esse índice, melhor;
• Mostra o quão atrativo esse investimento é ao acionista.
Outra forma de utilizar-se dos índices para analisar uma empresa é através dos padrões.
IV.4.4 - Comparação com Padrões:
A avaliação de um índice e a sua conceituação como ótimo, bom, satisfatório, razoável ou deficiente só pode ser feita através da comparação com padrões.Não existe
o bom ou deficiente em sentido absoluto. O bem só é bom em relação a outros
elementos. É preciso definir um conjunto e,em seguida, comparar um elemento com os demais do conjunto para atribuir-lhe determinada qualificação.É importante, ao fazer a comparação, saber se um índice é: quanto maior, melhor, o quanto menor, melhor. O uso de índice-padrão é vital na análise de balanços. Não se pode conceber uma boa análise sem a comparação dos índices da empresa analisada com padrões.
O índice tem pesos diferentes em relação a cada setor. Os três grupos, expostos abaixo, compõem a nota global de uma empresa:
• Nota de Estrutura de Capital:
NE=0,6 (CT/PL) + 0,1(PC/CT) + 0,2 (AP/PL) + 0,1 (AP/PL+ELP)
• Nota de Liquidez:
NL = 0,3 (AP+RLP/CT) +0,5 (AC/PC) + 0,2 (AC-EST/PC)
• Nota de Rentabilidade:
NR = 0,2 (V/AT) + 0,1 (LL/V) + 0,1 (LL/AT) + 0,6 (LL/PL)
• Nota Geral:
NG = 0,4 NE + 0,2 NL + 0,4 NR
IV.5 - Análise Vertical e Horizontal
São importantes ferramentas na análise de demonstrações financeiras. Na análise horizontal, pode-se ter com clareza a evolução de uma determinada conta dentro do ativo ou do passivo, em um certo ano, em relação à um ano base(por exemplo: quanto variou o passivo circulante de 2002 à 2003), ou em relação ao ano anterior. No primeiro caso tem-se uma analise denominada Analise Horizontal Encadeada, e no segundo caso tem-se a Análise Horizontal Anual.
Na análise vertical, calcula-se qual o percentual de uma conta em relação à outra, do mesmo ano. Pode-se calcular, por exemplo, qual a porcentagem do Ativo Permanente em relação à todo ativo da empresa. Através dessas análises, pode-se notar com clareza se
houve mudança no perfil das contas da empresa. Tem-se como analisar, por exemplo, se a porcentagem do passivo circulante da empresa vem diminuindo, crescendo ou mantendo-se constante ao longo dos anos.
IV.6 - Previsão de Falência
A previsão de falência de uma empresa pode ser expressa através da fórmula de Kanitz:
FI = 0,05(LL/PP)+1,65(LG)+3,55(LS)-1,06(LC)-0,33(CT/PL) Onde:
Sendo:
• FI < -3 Æ Insolvente;
• –3 < FI <0 Æ Indefinida;
• FI>0Æ Solvente.
IV.7 - Índices de Prazos Médios
Basicamente existem três índices de prazos médios que podem ser encontrados a partir das Demonstrações Financeiras.
IV.7.1 - Prazo Médio de Recebimento de Vendas – PMRV: É o volume de investimentos em duplicatas a receber. Pode ser calculado pela seguinte fórmula:
V PMRV =360DR
Onde:
DR = Duplicatas a receber;
V = Receita Líquida de vendas.
IV.7.2 - Prazo Médio de Pagamento de Contas - PMPC: Pode ser calculado pela seguinte fórmula:
C PMPC=360F
Onde:
F = Saldo de Fornecedores do Balanço;
C = Compras.
IV.7.3 - Prazo Médio de Renovação de Estoques – PMRE: Pode ser calculado pela seguinte fórmula:
CMV PMRE=360 E
Onde:
E = Estoques;
CMV = Custos das Mercadorias Vendidas.
A análise dos prazos médios só é útil quando os três são analisados conjuntamente.
IV.8 - EVA
O EVA (Economic Value Added) indica o valor agregado pela empresa no ano analisado. É calculado como a diferença do Lucro Operacional antes dos impostos
(NOPAT) e o produto do custo de capital (WACC) pelo capital investido (PL + ELP). Ou seja:
EVA = NOPAT – WACC (PL + ELP)
V- Análise das Demonstrações financeiras
V.1- Balanço Patrimonial Padronizado
V.1.1 - Ativo Padronizado
Balanço Patrimonial
Padronizado
Descrição da Conta 31/12/04 AV AH 31/12/03 AV AH 31/12/02 AV AH
Ativo Total
Ativo Circulante
Financeiro
Disponibilidades 43.442 3% 66 155.542 10% 235 66.281 5% 100
Aplicações Financeiras 0 0% 0 0
Subsoma 43.442 3% 66 155.542 10% 235 66.281 5% 100
Operacional 0% 0%
Clientes 449.191 29% 154 340.704 22% 117 291.590 23% 100
Estoques 322.881 21% 111 340.438 22% 117 290.150 22% 100
Subsoma 772.072 50% 133 681.142 44% 117 581.740 45% 100
Total do Ativo
Circulante 815.514 52% 126 836.684 54% 129 648.021 50% 100
Ativo Realizável a Longo Prazo
66.197 4% 174 52.818 3% 138 38.150 3% 100
Ativo Permanente
Investimentos 29.145 2% 1.127 2.934 0% 113 2.586 0% 100
Imobilizado 591.045 38% 108 590.557 38% 108 546.480 42% 100
Diferido 57.060 4% 100 66.175 4% 116 57.090 4% 100
Total do Ativo
Permanente 677.250 43% 112 659.666 43% 109 606.156 47% 100
Total do Ativo 1.558.961 100% 121 1.549.168 100% 120 1.292.327 100% 100
A análise do ativo padronizado da Vicunha S.A nos mostra que houve crescimento nas três parcelas componentes da conta(ativos: circulante, realizável a longo prazo e permanente) do ano de 2002 ao ano de 2004. Sendo que o ativo realizável a longo prazo teve um aumento considerável de 74%.
Observou-se também que a percentagem de cada parcela do ativo(ativos: circulante, realizável a longo prazo e permanente) permaneceuconstante. Ou seja, não alterando o perfil do ativo da empresa durante o período analisado.
V.1.2 – Passivo Padronizado Balanço
Patrimonial
Padronizado
Descrição da Conta 31/12/04 AV AH 31/12/03 AV AH 31/12/02 AV AH
Passivo Total
Passivo Circulante
Operacional
Fornecedores 128.207 8% 119 121.017 8% 113 107.482 8% 100
Outras obrigações 106.563 7% 90 54.003 3% 46 118.001 9% 100
Subsoma 234.770 15% 104 175.020 11% 78 225.483 17% 100
Financeiro
Empréstimos e
Financiamentos 249.099 16% 71 537.179 35% 154 349.505 27% 100
Duplicatas descontadas
0 0% 0 0% 0 0 0%
Subsoma 249.099 16% 71 537.179 35% 154 349.505 27% 100
Total do Passivo
Circulante 483.869 31% 84 712.199 46% 124 574.988 44% 100
Passivo Exigível a Longo Prazo
500.211 32% 200 282.118 18% 113 249.592 19% 100
Capitais de
Terceiros 984.080 63% 119 994.317 64% 121 824.580 64% 100
Patrimônio Líquido
Capital Social Realizado e reservas capital
738.206 47% 109 738.322 48% 109 677.335 52% 100 Lucros e Prejuízos
acumulados -163.325 10% 78 -182.215 12% 87 -209.789 16% 100
Total do Patrimônio
Líquido 574.881 37% 123 556.107 36% 119 467.546 36% 100
Total do Passivo 1.558.961 100% 121 1.550.424 100% 120 1.292.126 100% 100
Tem-se que destacar alguns pontos a respeito da evolução do passivo padronizado da Vicunha S.A, do ano de 2002 até 2004, começando pela mudança da composição
percentual da conta(passivo: circulante, exigível a longo prazo e patrimônio líquido), ao longo desse período.
A composição do endividamento mudou, isto porque houve uma queda de 16% do ativo circulante no período analisado e um aumento de 100% no passivo exigível a longo prazo. Ou seja, o perfil da dívida mudou, em 2002 , 44% das contas da empresa eram de curto prazo, e 19% a longo prazo. No ano de 2004, as contas a serem pagas a curto prazo diminuíram, passando a representar 31%, enquanto as contas a longo prazo passaram a representar 32% do total.
Esse perfil da dívida dá uma flexibilidade maior à empresa, melhorando sua liquidez circulante e dando um tempo maior para que sejam gerados recursos para o pagamento das dívidas a longo prazo.Tais fatos estão mais facilmente perceptíveis no Item V índice.
Um fator que muito contribuiu para essa queda no valor do passivo circulante, foi a diminuição em 30% dos empréstimos e financiamentos, no período analisado, como pode ser visto na tabela acima.
O patrimônio liquido, embora tenha tido um crescimento de 23% ao longo desses anos, manteve sua participação fixa em 37% na análise vertical.
V.2 - Demonstração de Resultados Padronizada
Demonstração Padronizada
Descrição da Conta 01/01/2004 a
31/12/2004
AV AH 01/01/2003 a
31/12/2003
AV AH 01/01/2002 a
31/12/2002
AV AH
Receita Líquida de Vendas
e/ou Serviços 1.531.908 100% 120,00 1.405.280 100% 110,09 1.276.538 100% 100
Custo de Bens e/ou Serviços
Vendidos -1.183.013 77% 129,54 -1.090.985 78% 119,47 -913.207 72% 100
Resultado Bruto 348.895 23% 96,03 314.295 22% 86,50 363.331 28% 100
Despesas/Receitas
Operacionais -214.390 14% 89,81 -182.010 13% 76,24 -238.718 19% 100
Resultado Operacional
antes result financeiros 134.505 9% 107,94 132.285 9% 106,16 124.613 10% 100
Receitas Financeiras 38.648 3% 83,48 24.192 2% 52,26 46.294 4% 100
Despesas Financeiras -154.699 10% 71,50 -156.691 11% 72,43 -216.349 17% 100
Resultado Operacional
18.454 1% -40,61 -214 0% 0,47 -45.442 4% 100
Resultado Não Operacional
3.389 0% -8,63 23.913 2% -60,92 -39.252 3% 100
Resultado Antes
Tributação/Participações
21.843 1% -25,79 23.699 2% -27,98 -84.694 7% 100
Provisão para IR e
Contribuição Social -6.827 0% -987,99 -1.161 0% -168,02 691 0% 100
IR Diferido 0 0% 0 0% 0 0% 100
Participações/Contribuições
Estatutárias 0 0% 0 0% 0 0% 100
Lucro/Prejuízo do
Exercício 15.016 1% -17,88 22.538 2% -26,83 -84.003 -7% 100
Observa-se que, embora os custos de bens vendidos tenha tido um aumento percentual(29%) maior em relação ao que houve na receita líquida de vendas da
empresa(20%), a empresa conseguiu obter lucro em 2004, ao contrário do que ocorreu em 2002.
Isso deve-se ao aumento de eficiência da empresa, que diminuiu suas despesas operacional e financeira, possibilitando esse melhor desempenho.
VI – Índices
Índices Fórmula 2004 2003 2002
Estrutura de Capital
Participação de Capitais de Terceiros CT/PL= 171% 179% 176%
Composição do endividamento PC/CT= 49% 72% 70%
Imobilização do Patrimônio Líquido AP/PL= 118% 119% 130%
Imobilização de recursos não correntesAP/(PL+ELP)= 63% 79% 85%
Liquidez
Liquidez Geral (AC+RLP)/CT= 0,90 0,89 0,83
Liquidez Corrente (circulante) AC/PC= 1,69 1,17 1,13
Liquidez Seca (AC-EST)/PC= 1,02 0,70 0,62
Rentabilidade
Giro do Ativo V / AT= 0,98 0,91 0,99
Margem líquida LL / V= 1% 2% -7%
Rentabilidade do Ativo LL / AT= 1% 1% -7%
Rentabilidade do Patrimônio Líquido LL / PL = 3% 4% -18%
VI.1 – Estrutura de capitais
Na tabela acima, vê-se que a Vicunha S.A. é bastante dependente do capital de terceiros, fato que não se modificou durante o período analisado.
A composição do endividamento, como já foi citado no item IV.1.2,apresentou significante queda. As dívidas que eram em sua maioria(70%) de curto prazo, melhorou seu perfil, aumentando o percentual de contas a serem pagas a longo prazo, em relação às serem pagas a curto prazo.
A imobilização do patrimônio líquido é alta. Todo dinheiro proveniente do patrimônio líquido vai para o ativo permanente, implicando que a empresa não possua capital circulante próprio. Isso faz com que a empresa tenha que buscar capital de terceiros para financiar seu ativo circulante.
A mudança do perfil da dívida, que aumentou seu percentual a longo prazo durante o período fez com que a imobilização dos recursos não correntes da empresa diminuísse bem, durante esses três anos, passando de 85% para 63%. Tal diminuição é boa e importante, pois aumenta o capital circulante líquido da empresa, que resulta numa folga financeira a curto prazo.
VI.2 Liquidez
A liquidez corrente Vicunha S.A. já era boa em 2002 e melhorou nos dois últimos anos, sendo que em 2004 foi de 1,69, um bom índice. O fato da empresa ter aumentado seu ativo circulante no período e ter diminuído seu passivo circulante, explicam a melhora nessa avaliação.
A liquidez geral, no entanto, ainda é baixa, embora tenha subido nesses últimos três anos. Um fato que contribui bastante para que isso ocorra é que a empresa não possui capital circulante próprio, pois seu patrimônio liquido é totalmente “engessado” pelo ativo
permanente. Quanto à liquidez seca, esta teve uma boa evolução passando de 0,62 para 1,02.
VI.3 Rentabilidade
O giro do ativo, aumentou durante o período, mesmo assim não conseguiu atingir um bom patamar, acima de um(1). Mas, mesmo assim, destaca-se quando comparado com o índice obtido pelas empresas do setor.
A margem líquida embora tenha tido uma boa evolução no período, ainda é pequena(1%).
A rentabilidade do ativo é baixa, mas apresentou crescimento significativo em relação aos períodos passados; no entanto ainda continua bem abaixo da média das outras empresas do setor(12%) . A rentabilidade do patrimônio liquido também é muito baixa(3%, em 2004), fazendo com que a Vicunha S.A. não seja uma empresa atrativa para investidores, acionistas.
VII – Avaliação por Notas
VII.1 - Nota de Estrutura de Capital:
2002 2003 2004
NE 0,6 1,8 1,5
0 0,5 1 1,5 2
2002 2003 2004
NE
VII.2 - Nota de Liquidez:
2002 2003 2004
NL 4 3 3,7
0 1 2 3 4 5
2002 2003 2004
NL
VII.3 - Nota de Rentabilidade:
2002 2003 2004
NR 3,8 4,2 4,2
3,7 3,8 3,9 4 4,1 4,2 4,3
2002 2003 2004
NR
VII.4 -Nota Geral:
2002 2003 2004
NG 2,6 3,0 3,0
2,5 2,6 2,7 2,8 2,9 3,0 3,1
2002 2003 2004
NG
Comparando os índices da Vicunha com empresas do mesmo setor, pode-se concluir que esta não apresentou valores satisfatórios como foi analisado acima. O bom seria se tais índices melhorassem para garantir a empresa uma posição favorável no mercado.
VIII - Previsão de Falência:
Através da Fórmula de Kanitz, já mencionado anteriormente, foi possível obter os seguintes valores:
2004 2003 2002 Kanitz (FI) 2,74 2,12 1,80
Como todos os valores calculados nos anos de 2002, 2003 e 2004 foram maiores que -3, a empresa está solvente. Portanto a Vicunha não precisa se preocupar com a falência nos próximos períodos.
IX - Índices de Prazos Médios:
Os índices de prazos médios serão analisados a fim de analisar a duração do ciclo operacional e conseqüentemente observar a duração do ciclo de caixa da empresa, onde ela necessita de capital de terceiros para a manutenção de suas atividades até o recomeço do ciclo.
Os valores encontrados para tais índices foram:
Índices 2004 2003 2002 2001 Prazo médio renovação estoques
PMRE = E / CMV * 360 98 112 114 138
Prazo médio recebimento vendas
PMRV = DR / V * 360 106 87 82 94
Prazo médio pagamento
compras
PMPC = F / C * 360 40 38 43 45
Comparando os anos de 2001 e 2004 têm-se os seguintes esquemas:
Portanto a empresa apresentou um ciclo de caixa muito grande nos dois anos, o que não é interessante. A vicunha, com esses valores, estará dependendo de capital de terceiros.
XI - EVA (Economic Value Added):
A tabela a seguir apresenta os valores calculados do EVA:
Cálculo do EVA
2004 2003 2002
NOPAT (Lucro operacional depois dos impostos) 127.678 131.124 125.304
WACC (Custo de Capital) 12% 12% 12%
Patrimônio Líquido + Exigível a longo prazo 1.075.092 838.225 717.138
WACC x (PL + ELP) 129011,04 100587 86056,56
EVA = NOPAT - WACC * Capital Investido -1.333 30.537 39.247
Foi considerada um taxa média no mercado de 12% para o capital de terceiros para os cálculos.
Analisando os valores encontrados acima, pode-se notar que nos anos de 2002 e 2003 a empresa estava agregando valores aos seus acionistas, mas no ano de 2004 esse valor foi negativo, ou seja, nenhum valor foi agregado.
XIII - Anexos
Gráfico: Evolução do Passivo entre 2002 e 2004:
0%
20%
40%
60%
80%
100%
2002 2003 2004
Patrimônio Líquido Exigível a Longo Prazo
Passivo Circulante
Gráfico: Evolução do Ativo entre 2002 e 2004:
0%
20%
40%
60%
80%
100%
2002 2003 2004
Ativo Permanente
Realizável a Longo Prazo
Ativo Circulante
XII – Conclusão
Para que se possa determinar a real situação econômico/financeira de uma empresa é importante que se faça uma análise mais profunda da mesma, não se pautando apenas pelos relatórios da administração para se determinar a viabilidade de um possível negócio.
Existem muitas ferramentas, as quais puderam ser conhecidas neste relatório, que têm a capacidade de auxiliar na analise das demonstrações financeiras de uma empresa:
índices, analises horizontal e vertical, previsão de falência, EVA, entre outros. A maneira como o trabalho foi conduzido, adotando-se uma empresa como modelo para a aplicação das ferramentas de análise, foi de grande valia pois puderam servir de exemplo prático, deixando o trabalho final muito mais didático.
Com relação à empresa em estudo,Vicunha Têxtil S.A. pode-se perceber através de técnicas já consagradas de análise de demonstrações financeiras, que a mesma não se encontra num bom momento.
A maioria dos índices apresentados não são bons, e na comparação com outras empresas do setor a Vicunha também não mostra uma boa atratividade para investimos, como pode ser evidenciado neste relatório .
Mesmo assim, pelos indicadores apresentados, a empresa pode se tornar uma boa opção de investimento a médio e longo prazo, se a evolução de seus índices continuarem no mesmo rumo,ou seja, melhorando.
Bibliografia:
Dante C. Matarazzo, “Análise Financeiras de Balanços” – 6º Edição Editora Atlas,1998, São Paulo / SP;
Νοtas de aula, professor Edson Pamplona;
http:// www.vicunha.com.br http:// www.cvm.gov.br http:// www.bovespa.com.br http:// www.yahoo.com.br