CEBC BRIEFING EDIÇÃO 6. Para além da guerra comercial: riscos e oportunidades para a China

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EDIÇÃO 6

JULHO, 2018

CEBC BRIEFING

Para além da guerra comercial:

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EDIÇÃO 6

JULHO, 2018

CEBC BRIEFING

CEBC Briefing é uma publicação periódica do Conselho Empresarial Brasil-China com relatos de eventos realizados pelo CEBC, incluindo transcrições, depoimentos, apresentações e materiais similares.

Para além da guerra

comercial: riscos e

oportunidades para a China

Relatos do

Café China com

Fabiana D’Atri

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A quinta edição do Café China de 2018 teve como convidada

Fa-biana D’Atri, Diretora de Economia do CEBC e Economista

Coor-denadora do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos

do Bradesco. Fabiana D’Atri é considerada uma das maiores

co-nhecedoras de economia chinesa no Brasil e monitora de forma

constante os acontecimentos da economia asiática.

FaBIaNa D’atRI

Ë atualmente economista coordenadora do departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do desco. Foi também economista do BBI Banco Bradesco de Investimento. Além da experiência no Bra-desco, também trabalhou na Mauá Asset Managment, na Tendências Consultoria e no Banco Real ABN AMRO. Graduada em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Economia pela Esco-la de Economia Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV). Sua linha de pesquisa atual é focada na análise da economia chinesa, além do acompanhamento das questões macroeconômicas brasileiras.

AtuAlmEntE A ChinA PAssou A

ADotAr umA PosturA mAis AtiVA Em

tErmos DE Aquisição DE EmPrEsAs

no ExtErior E, A PArtir Disso, é

PossíVEl PErCEBEr o inCômoDo Dos

EuA, Em grAnDE mEDiDA Ao APontAr

quE não há rECiProCiDADE nos

inVEstimEntos EntrE os Dois PAísEs.”

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E

m sua apresentação, D’Atri declarou que a questão da agenda co-mercial conflituosa entre os Estados unidos e a China é um debate que está longe de ser simples e que ainda não há uma solução ou en-caminhamento definidos sobre o tema. A coordenadora do Bradesco trouxe algumas reflexões acerca de episódios recentes relacionados a esse cenário, bem como análises sobre a possibilidade de novos acontecimentos, tendo analisado também o background da situação. nesse sentido, sua pa-lestra teve como objetivo contextualizar a posição americana e de que forma a China se coloca como uma das principais rivais das políticas de trump. O contexto político-econômico da China contemporânea

inicialmente, D’Atri indicou que a partir da década de 1980 houve o primei-ro caso de abertura da economia chinesa para o capital estrangeiprimei-ro – um modelo diferente de outros países da ásia (como Japão, Coreia do sul e demais tigres Asiáticos). A partir de então, a China abriu espaço para que empresas multinacionais americanas, europeias, japonesas, entre outras, se instalassem no país.

o ano de 2001 marcou a entrada da China na organização mundial do Co-mércio (omC) e também o momento de inserção e abertura das empresas

civil utilizando os governos locais e o financiamento interno – o que acabou levando a um crescimento rápido e que deu suporte a economia global (o preço das commodities, por exemplo, subiu bastante nesse período). Entre-tanto, essa situação gerou um problema de endividamento desordenado, principalmente das estatais e dos governos locais, que a China vem tentan-do equacionar até os dias de hoje.

Em 2012, xi Jinping reconheceu esse problema e assumiu o poder adotan-do uma agenda de reequilíbrio da China, pautada na redução da oferta adotan-dos setores de infraestrutura e imobiliário. Além disso, xi procurou fazer um re-balanceamento em setores problemáticos, tal como o siderúrgico - que tem um conflito estabelecido com a Europa muito antes dos Estados unidos. xi também adotou uma agenda de combate à corrupção que teve como foco a consolidação de seu poder e a busca de novas fontes de crescimento. o antigo modelo de crescimento baseado em exportação e em investi-mento em infraestrutura levou a uma situação insustentável atualmente. A nova fonte de crescimento adotada por Pequim é uma combinação entre o consumo interno e a inserção da China no mundo. Atualmente, a China passou a adotar uma postura mais ativa em termos de aquisição de empre-estrangeiras no país, bem como o início

de suas exportações para mundo. Em 2008, a China entrou como contrapon-to e se colocou como alternativa para a solução da crise global que havia co-meçado nos EuA. Por fim, em 2012, xi Jinping indicou intenções políticas vol-tadas a novas aberturas de mercado, o que acabou não se confirmando, pois durante cinco anos o presidente chinês fez exatamente o contrário ao buscar o fortalecimento das empresas chinesas. Em suma, 2001 marcou o crescimento da China via exportação. o ano de 2008 marcou a rápida resposta à crise global por parte do país asiático, que adotou uma combinação eficiente de investi-mento em infraestrutura e construção

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Estados Unidos, China e o conflito comercial

Para demonstrar um pouco do nível de tensão em que os EuA e a China se encontram no momento, D’Atri exibiu dois vídeos acerca do conflito, um do lado americano e outro do lado chinês. Por mais que poucas medidas tenham sas no exterior e, a partir disso, é possível perceber o incômodo dos EuA, em grande medida ao apontar que não há reciprocidade nos investimentos entre os dois países. Além disso, destacou D’Atri, há uma agenda de inova-ção que está longe de terminar. A China está se colocando hoje como uma grande potência tecnológica, o que tem gerando desconforto para outras forças hegemônicas.

Finalmente em 2017, houve de fato uma consolidação da liderança de xi Jin-ping, que anunciou um mandato por tempo indeterminado e se cercou de aliados fortes do Partido Comunista para levar a cabo as agendas econômica e diplomática. xi também colocou como pauta para os próximos cinco anos a redução dos riscos financeiros, da pobreza - lembrando o aspecto social que a China acabou deixando de lado - e a redução da poluição. Essa agenda está em confronto direto com a agenda do presidente norte-americano.

us-China trade war is easy to win: gordon Chang CLIQUE NAS IMAGENS PARA ASSISTIR AOS VÍDEOS

A trade war that China would win

sido de fato implementadas, o tom de discussão tem sido bastante pesado. A China, a partir de sua entrada na omC em 2001, teve um crescimento exor-bitante de sua economia, ultrapassando até mesmo o Japão. Atualmente, a China representa cerca de 20% do PiB mundial e, segundo estatísticas do Fundo monetário internacional (Fmi) medidas com base em Paridade do Po-der de Compra (PPP), o país asiático já é a maior economia do mundo, com os EuA logo em seguida.

A China não apenas é a maior exportadora de produtos com níveis baixos de tecnologia como também vem apresentando uma participação intensiva no setor de alta tecnologia (entre 14% e 33% do comércio de manufatura-dos está em posse manufatura-dos chineses). o “made in China” permanece em uma série de produtos e vem fazendo um catch up em outras cadeias agregadas de manufaturados desde 2001.

Posteriormente, D’Atri indicou que, em 2015, a China foi uma exportadora líquida de capital, fazendo uma série de aquisições. Já 2016 foi um ano emblemático em que a China começou a ter muita saída de capital e vários países começaram a rejeitá-lo. Foi o ano em que Europa e EuA começaram a repensar sua estratégia de recebimento de capital chinês (que usavam, principalmente, para comprar empresas locais), e em que a China também começou a reavaliar suas políticas de saída de recursos após observar essa grande saída de capitais nacionais.

Atualmente, a China se configura como a terceira maior compradora e ex-portadora de capitais no mundo. Existe uma proporção entre participação do PiB global e participação das empresas no mundo, e a China - que pos-sui entre 17% ou 18% do PiB global - pospos-sui entre 7% e 8% de participação

“A ChinA Está sE ColoCAnDo

hoJE Como umA grAnDE PotênCiA

tECnológiCA, o quE tEm gErAnDo

DEsConForto PArA outrAs

ForçAs hEgEmôniCAs.”

“AtuAlmEntE, A ChinA rEPrEsEntA CErCA DE

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DE ComPrA (PPP), o PAís AsiátiCo Já é A

mAior EConomiA Do munDo, Com os EuA

logo Em sEguiDA.”

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nas empresas no mundo, o que significa que ainda tem um longo caminho para percorrer em termos de aquisições. outra iniciativa, em termos de presença global, é o ambicio-so projeto Belt and Road Iniciative, que é uma combinação de estratégias geopolíticas e econômicas que vão muito além de investimento em infraestrutura e conexão de paí-ses. inicialmente, a América latina não estava incluída no projeto, entretanto, ainda que não tenha uma conexão dire-ta com a nova rodire-ta da seda per se, futuramente dire-também poderá ser inserida nessa estratégia.

A Belt and Road Iniciative é uma combinação de reposi-cionamento global, de oportunidades para a China e países que recebem investimentos na área de infraestrutura. Parte da Europa central - território antes dominado pelos russos - já está dominada pelos chineses.

há muitos países na Europa que reconhecem a China como uma superpotência. Enquanto países como Japão, turquia e Brasil ainda percebem os EuA como superpotência, outros como Alemanha, Canadá, Austrália e rússia, demonstram um reconhecimento majoritário de que a China é a superpo-tência do mundo em termos econômicos.

Novo mapa de influência global

Posteriormente, D’Atri indicou também que a China vem exercendo cada vez mais influência e ganhando força no contexto econômico global e, como consequência, gerando incômodo nos Estados unidos. A partir dessa observação, torna-se mais fácil contextualizar o arranjo geográfico e as consequências do conflito EuA-China.

IS U.S. OR CHINA THE WORLD’S ECONOMIC SUPERPOWER?

Popular opinion changes depending on where you live

Fonte: Pew reseach Center

* nigeria was a draw between China and the united states

“A ChinA - quE Possui EntrE 17%

ou 18% Do PiB gloBAl - Possui

EntrE 7% E 8% DE PArtiCiPAção

nAs EmPrEsAs no munDo

.

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De acordo com a economista do Bradesco, esse conflito é um movimento que se iniciou unilate-ralmente nos EuA. não há uma discussão glo-bal de se repensar medidas protecionistas, essa é uma postura exclusiva do Presidente trump, dado o contexto da economia americana e de seu eleitorado – que o elegeu requisitando seus “empregos de volta”.

nesse contexto, é evidente que os EuA possuem rivalidades claras, o que tem feito com que as me-didas tomadas por Washington sejam direciona-das para diversas frentes. quando trump estava em campanha, os alvos escolhidos como principal ameaça pareciam ser os mexicanos, porém, após sua vitória nas eleições, o anúncio da construção de um muro na fronteira com o méxico pareceu ser deixado de lado e a relação com a China se tornou polarizada.

nesse sentido, D’Atri levantou a questão: qual, de fato, é a estratégia ou foco dos EuA hoje? De acordo com a economista, os Estados unidos

possuem uma estratégia local em retomar a eco-nomia americana internamente e de ter apoio do eleitorado. há cerca de um ano, discutia-se um possível impeachment de trump, porém, hoje, discute-se a possibilidade de sua reeleição, o que demonstra que o nível de aprovação de seu mandato tem se elevado consideravelmente através de suas medidas. há uma leitura simplis-ta por parte do eleitorado americano de que os chineses foram os responsáveis por episódios de desemprego nos EuA e que a solução seria não comprar mais produtos chineses.

na década de 80, os EuA também traçaram uma estratégia contra o Japão de não comprar mais seus produtos. Entretanto, houve um incen-tivo para que as empresas japonesas se instalas-sem e produzisinstalas-sem nos EuA. Entretanto, ao que tudo indica, trump não teria interesse em repli-car essa política, visto que o mandatário ameri-cano parece demonstrar que não quer nenhum tipo de produção dos chineses, seja em território americano ou chinês.

Além disso, D’Atri questionou em que medida a economia mundial já sente todo esse temor do embate entre EuA e China e como tem sido as reações frente a esse cenário. há, principalmente, uma reação pró-abertura da economia. A China, em grandes fóruns, tem recebido apoio especial-mente da Europa, em uma postura não a favor do país asiático, mas contra os EuA. Além disso, os dados de exportações mundiais já estão ce-dendo de forma significativa há alguns meses, antes mesmo que houvesse a implementação de medidas protecionistas de fato.

no que se refere ao conflito comercial propria-mente dito, em março iniciaram-se as sobretaxas sobre aço e alumínio. trump adotou uma agenda de restrição de investimentos chineses nos EuA, e no dia 6 de julho estava programada a imple-mentação de sobretaxas sobre a primeira roda-da de grandes blocos de produtos, o que de fato foi realizado.

segundo D’Atri, a relação americana e chinesa é pontuada por desequilíbrios. A China não tem os EuA como seu principal fornecedor, no entanto os EuA dependem da China. Ao analisar a rela-ção comercial, a balança chinesa é superavitária quando excluída a Europa e os EuA, porém se

“A rElAção AmEriCAnA E

ChinEsA é PontuADA Por

DEsEquilíBrios. A ChinA

não tEm os EuA Como sEu

PrinCiPAl FornECEDor, no

EntAnto os EuA DEPEnDEm

DA ChinA.”

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torna deficitária ao incluí-los. A participação da Europa e dos EuA já foi muito elevada na dé-cada de 2000 (cerca de 80%), entretanto essa participação atualmente é consideravelmente menor, mas ainda expressiva (cerca de 40%). Fabiana D’Atri apontou três aspectos para esse desequilíbrio:

1. o gigantesco déficit comercial dos EuA

com a China;

2. tecnologia, política industrial e competição

justa – e a grande pergunta nesse aspecto gira em torno de como ficará o projeto chinês

Made in China 2025, uma vez que tem como

objetivo nomear indústrias de alta tecnologia para a China;

3. E por fim, a relação estratégica entre EuA e

China, que do ponto de vista chinês é o con-flito entre a potência ascendente e a potência dominante.

nesse sentido, D’Atri apontou que a China ex-porta mais de us$ 2 trilhões como um todo, e recebe quase us$ 2 trilhões de importação. Em relação aos EuA, a China exporta us$ 450 bi-lhões e importa us$ 160 bibi-lhões. o saldo com os EuA é crescente e superavitário, enquanto com o resto do mundo a China vem diminuindo esse superávit.

Do ponto de vista dos EuA, as exportações to-tais não cresceram da mesma forma que cresce-ram para a China. Esse é o grande incômodo dos EuA: apesar de estarem vendendo mais para a China ainda persiste um déficit estrutural, que apesar de estar se reduzindo nos últimos anos, ainda é muito elevado. metade do déficit de us$ 800 bilhões dos EuA é com a China. Para reduzir esse déficit, trump tem como objetivo reduzir as compras de produtos chineses, aumentar a ven-da de produtos americanos ou ambos.

outra parte importante dessa relação entre EuA

e China – e que o presidente trump evita falar - se dá no superávit da balança de serviços dos Estados unidos. Apesar de esse volume não ser tão grande quando comparado com o do co-mércio, ainda representa um valor expressivo. Pouco mais da metade desse superávit se dá no turismo chinês dentro dos EuA, com encargos relacionados a propriedade intelectual e em rela-ção à serviços financeiros. nesse contexto, uma agenda que se questiona, e em parte já foi imple-mentada, é o fato de os EuA não estarem mais concedendo visto para estudantes e cientistas chineses. Portanto, o conflito se estende para muito além da área de comércio e investimento. A título de comparação, quando o Japão co-meçou a perder relevância como fornecedor de produtos para os Estados unidos na década de 1980, abriu-se espaço para os chineses, que hoje são os principais fornecedores, com participa-ção de 21,6%. Em segundo lugar se encontra o

Fonte: CEiC EUA x China: desequilíbrios

21,6% 13,4% 12,6% 5,8% 5,1% 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

EUA: % das importações.

Canadá China Alemanha Japão México 0 5.000 10.000 15.000 20.000 25.000 30.000 35.000 40.000 0 50.000 100.000 150.000 200.000 250.000 300.000 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016

EUA: balança de serviços. US$ milhões. 12 meses

Total China

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méxico, representando 13,4%, competindo com o Canadá, enquanto a Ale-manha e o Japão respondem por cerca de 5% cada.

outro desequilíbrio evidente são os investimentos chineses nos EuA e os investimentos americanos na China. os norte-americanos possuem seus in-vestimentos em parte do comércio, indústrias, química e transportes (prin-cipalmente veículos). Já os chineses têm investido em produtos eletrônicos, bancos e no setor imobiliário – o que vem incomodando os EuA, já que es-ses segmentos são mais estratégicos ou ameaçam muito mais a soberania do que produzir veículos e aumentar vendas no supermercado.

D’Atri também atentou a comparação das listas de restrições de produtos chineses estabelecida pelos EuA. inicialmente, antes da aplicação das so-bretaxas em 6 de julho, havia sido feita uma lista prévia em abril, mas que sofreu significativas mudanças até o mês de implementação das medidas restritivas. A lista de abril contava com muitos produtos intermediários e bens de consumo, como iPhones, por exemplo. Entretanto, na nova lista de junho os iPhones desapareceram e houve incremento na presença de pro-dutos intermediários. isso aconteceu porque os Estados unidos percebe-ram que muitos desses produtos são do interesse de seu próprio mercado doméstico. um iPhone produzido nos EuA dobraria seu preço de venda, o que tiraria metade do poder de consumo dos americanos – sendo, obvia-mente, uma estratégia falha. Portanto, o novo foco se voltou para a pauta

Made in China 2025. A lista que foi alterada é muito mais concentrada em

produtos que os EuA são superavitários, como por exemplo equipamen-tos médicos. Por conseguinte, a questão é muito mais profunda do que o déficit em si.

o goldman sachs publicou um estudo recentemente que prevê os efeitos nos próximos três anos de uma guerra comercial ampla – isto é, uma guerra multilateral. Caso esse seja o cenário futuro, a China estaria dividida entre a tarifa de fato proposta e a guerra multilateral que a afetaria diretamen-te devido ao fato de o país ser um grande exportador para o mundo. o goldman sachs também monitora o preço de ações de empresas ligadas ao comércio mundial e ao comércio chinês e, nesse sentido, a queda nos preços tem sido maior em empresas que tem vendas globais. ou seja, as empresas chinesas não são as únicas que estão sofrendo impactos dessa disputa entre EuA e China.

Em relação a possíveis impactos para o Brasil, D’Atri comentou que muitos apontam que o país se beneficiaria com a redução de importação da soja americana por parte da China, uma vez que o país asiático passaria a impor-tar do Brasil. Entretanto, o Brasil não possui estoque ou safra da oleaginosa suficiente para suprir a demanda chinesa. o mercado de soja é notavel-mente equilibrado e a China compra do Brasil, dos EuA e da Argentina em partes basicamente iguais. ou seja, mesmo se a China parasse de comprar soja dos EuA, o Brasil não conseguiria suprir a demanda chinesa.

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Por fim, D’Atri concluiu sua palestra alegando que guerras comerciais ao longo da história se provaram ineficientes do ponto de vista de cres-cimento econômico – ou seja, o output sempre se mostrou negativo nesses momentos, mesmo que inicialmente possam conceber uma ilusão temporária de que, ao proteger o mercado, seria possível gerar lucro.

Por fim, a coordenadora do Bradesco se propôs a analisar como a China está reagindo a todas es-sas medidas impostas por trump. muitos apon-tam que a China está depreciando sua moeda, o que já seria uma reação dessa disputa comercial com os EuA. Contudo, D’Atri declarou que essa não seria uma estratégia acertada, uma vez que o país já foi alvo de críticas internacionais por ter conseguido ganhar espaço no cenário mun-dial por segurar o valor de sua moeda. Portanto,

chinesas distribuem os lucros de suas operações nos EuA. Em 2015, 52% era reinvestido nos Es-tados unidos, e a intenção para 2018 é que esse valor seja de 38%. Para a China, seria remetido cerca de 6% a 15%. outra provocação é que as vendas das empresas americanas na China são muitos maiores do que as vendas das empresas chinesas nos EuA – e esse é o alvo de retaliação.

a depreciação do renminbi se assemelha muito mais a um catch up para com as outras moe-das do mundo, uma vez que o dólar valorizou em detrimento da moeda chinesa. Esse momen-to coincide com os cortes compulsórios que a China está fazendo atualmente. D’Atri declarou que dificilmente a China irá depreciar sua moeda artificialmente para combater os EuA.

A China poderia também reduzir preços de pro-dutos exportados, conquistar novos mercados para o agronegócio, repatriar recursos das em-presas chinesas que estão nos EuA, boicotar produtos americanos, expulsar empresas ameri-canas de seu território, triangular exportações, dentre outras possibilidades. Portanto, o princi-pal questionamento é se a China irá ceder aos pedidos de trump e abrir os mercados requisita-dos por Washington. os EuA querem ter acesso ao setor financeiro, de medicina, telecomunica-ções, entre outros. Contudo, D’Atri observa uma dificuldade nessa reciprocidade.

Em seguida, a diretora do CEBC destacou uma recente pesquisa acerca de como as empresas

Fonte: BEA, gavekal Data/macrobond

US multinationals are a large target for Chinese retaliation 2000 USD, billion 500 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 2016

Sales of US firms & affiliates in China

Sales of Chinese firms & affiliates in US

US exports of goods & services to China

o mErCADo DE soJA é

notAVElmEntE EquiliBrADo

E A ChinA ComPrA Do BrAsil,

Dos EuA E DA ArgEntinA

Em PArtEs BAsiCAmEntE

iguAis. ou sEJA, mEsmo sE A

ChinA PArAssE DE ComPrAr

soJA Dos EuA, o BrAsil

não ConsEguiriA suPrir A

DEmAnDA ChinEsA.

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Fabiana D’Atri

Economista Coordenadora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco

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Secretário Executivo Roberto Fendt roberto.fendt@cebc.org.br

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Fundado em 2004, o Conselho Empresarial Brasil--China é uma instituição bilateral sem fins lucrati-vos formada por duas seções independentes, uma no Brasil e outra na China, e dedicada à promoção do diálogo entre empresas dos dois países.

O CEBC concentra sua atuação nos temas estru-turais do relacionamento bilateral sino-brasileiro, com o objetivo de aperfeiçoar o ambiente de co-mércio e investimento entre os países.

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