C´
odigos c´ıclicos
sobre an´
eis de cadeia
Anderson Tiago da Silva
Tese apresentada
ao
Instituto de Matem´
atica e Estat´ıstica
da
Universidade de S˜
ao Paulo
para
obtenc
¸˜
ao do t´ıtulo
de
Doutor em Ciˆ
encias
Programa: Matem´
atica
Orientador: Prof. Dr. Francisco C´esar Polcino Milies
Durante o desenvolvimento deste trabalho o autor recebeu aux´ılio financeiro da CAPES e do CNPq
an´
eis de cadeia
Esta tese trata-se da vers˜ao original do aluno Anderson Tiago da Silva.
C´
odigos C´ıclicos sobre An´
eis de Cadeia
Esta tese/disserta¸c˜ao cont´em as corre¸c˜oes e altera¸c˜oes sugeridas pela Comiss˜ao Julgadora durante a defesa realizada por Anderson Tiago da Silva em 05/03/2012. O original encontra-se dispon´ıvel no Instituto de Matem´atica e Estat´ıstica da Universidade de S˜ao Paulo.
Banca Examinadora:
• Prof. Dr. Francisco C´esar Polcino Milies (orientador) - IME-USP • Prof. Dr. Raul Antonio Ferraz - IME-USP
• Prof. Dr.Thierry Corrˆea Petit Lob˜ao - UFBA
• Profa. Dra. Sueli Irene Rodrigues Costa - UNICAMP • Profa. Dra. Marinˆes Guerreiro - UFV
Agradecimentos
Agrade¸co primeiramente a USP pela oportunidade e a CAPES e CNPq pelo suporte financeiro.
Aos membros da banca por aceitarem o convite, pelas dicas e corre¸c˜oes. A Deus, por ter me iluminado neste per´ıodo da minha vida.
Aos meus pais, Marinalva e Rosino, pelo apoio nos momentos que mais precisei e por estarem sempre presentes, apesar da distˆancia.
Aos meus irm˜aos, Alexsandro, Andreza e Andreia pela for¸ca. Ao Robert pelo aux´ılio no programa MATLAB.
A minha mulher Daniela, pelos momentos felizes, pelo apoio, compreens˜ao e pela paciˆencia que teve comigo quando eu n˜ao estava bem.
Ao Prof. Dr. Francisco C´esar Polcino Milies, que me orientou neste trabalho com paciˆencia e me proporcionou grandes oportunidades acadˆemicas durante o doutorado.
Aos professores do IME-USP, em especial ao prof. Dr. Raul Ferraz, por estar sempre dispon´ıvel para me ouvir( sempre que eu descobria alguma coisa ia falar com ele antes de apresentar ao Polcino).
Aos amigos do IME, Alexander, John, Renata, Patricia, Fernanda, C´esar e Ulisses, pelos momentos de descontra¸c˜ao e pela companhia nos momentos de estudo.
A todos que contribu´ıram diretamente ou indiretamente com este trabalho.
Resumo
C´
odigos c´ıclicos sobre an´
eis de cadeia
Neste trabalho, usamos uma abordagem de an´eis de grupo para caracterizar c´odigos c´ıclicos sobre an´eis de cadeia, seus duais e algumas condi¸c˜oes sobre c´odigos auto-duais. Caracterizamos tamb´em os c´odigos c´ıclicos livres sobre an´eis de cadeia e por fim exibimos uma f´ormula para o peso de qualquer c´odigo c´ıclico sobre an´eis de cadeia de comprimento pn e 2pn.
Palavras-chave: an´eis de grupo, an´eis de cadeia, c´odigos c´ıclicos, peso de c´odigos c´ıclicos.
Abstract
Cyclic codes over chain rings
In this thesis, we use an approach of group rings to characterize cyclic codes over chain rings, their duals and some conditions on self-dual codes. It also features free cyclic codes over chain rings and finally we show a formula for the weight of any cyclic code over chain rings of length pn and 2pn.
Keywords: group rings, chain rings, cyclic codes, weight of cyclic codes.
Sum´
ario
1 Conceitos Preliminares 7
1.1 Resultados sobre an´eis e an´eis de grupos . . . 7
1.2 C´odigos c´ıclicos . . . 13
1.3 C´odigos c´ıclicos como ideais de RG . . . 16
1.4 Alguns Resultados sobre Res´ıduos Quadr´aticos . . . 19
2 Caracteriza¸c˜ao de C´odigos C´ıclicos sobre An´eis de Cadeia 23 2.1 C´odigos C´ıclicos sobre An´eis de Cadeia . . . 24
2.2 C´odigos duais e auto duais . . . 29
3 C´odigos de Comprimento pn sobre An´eis de Cadeia 37 3.1 C´odigos que s˜ao livres como R-subm´odulos de RG . . . 45
3.2 C´odigos MDS de Comprimento pn . . . . 50
3.3 C´odigos MDS de Comprimento 2n . . . 54
3.3.1 Resultados Sobre C´odigos MDS de comprimento pn . . . 55
4 C´odigos sobre An´eis de Cadeia de Comprimento 2pn 57 4.1 Peso M´ınimo de C´odigos de Comprimento 2pn . . . . 58
4.2 C´odigos Livres de Comprimento 2pn Sobre An´eis de Cadeia . . . . 82
5 Conclus˜oes Finais 85
Referˆencias Bibliogr´aficas 89
Bibliografia 91
Introdu¸
c˜
ao
O avan¸co e a necessidade do uso de computadores e a utiliza¸c˜ao de qualquer aparelho ou atividade que envolve c´odigos tem levado ao crescente estudo de uma parte importante da Teoria da Informa¸c˜ao, que ´e a Teoria dos C´odigos Corretores de Erros, que lida com o problema geral da transmiss˜ao de mensagens de forma confi´avel. O marco inicial da teoria dos c´odigos corretores de erros ´e o trabalho de C.E. Shannon, “A Mathematical Theory of Communication”, publicado em 1948.
A Teoria dos C´odigos Corretores de Erros ´e um campo de pesquisa muito atual, tanto do ponto de vista cient´ıfico quanto tecnol´ogico. A jun¸c˜ao da teoria e de suas aplica¸c˜oes vem tornando cada vez mais pr´oximas a Matem´atica Pura e a Aplicada.
Descobertas recentes de que bons c´odigos bin´arios n˜ao lineares est˜ao relacionados com c´odigos lineares sobre Z4 (veja em [5], [8], [16], [30]) tˆem motivado os estudos de c´odigos
sobre an´eis em geral. Pesquisas mais recentes podem ser vistas em [9], [11], [20], [25]. Como uma extens˜ao natural de Z4, em [6], Carlderbank e Sloane determinaram a
es-trutura de c´odigos c´ıclicos sobre Zpm, depois, Kanwar e L´opez-Permouth em [19] fizeram o
mesmo, mas com diferentes demonstra¸c˜oes. Usando as mesmas t´ecnicas que em [19], Wan em [37] estendeu os resultados de Kanwar e L´opez-Permouth para c´odigos c´ıclicos sobre an´eis de Galois. Em 1999, Norton e S˘al˘agean-Mandache em [28] estenderam os resultados
4 SUM ´ARIO
de [6] e [19] para c´odigos c´ıclicos sobre an´eis de cadeia finitos. Mais adiante, em 2004, Dinh e L´opez-Permouth em [10], demonstraram os mesmos resultados de [28] de uma forma diferente.
O peso de um c´odigo ´e uma informa¸c˜ao fundamental, juntamente com um m´etodo de de-codifica¸c˜ao. Em se tratando de c´odigos c´ıclicos sobre an´eis, tanto o peso, quanto um m´etodo de decodifica¸c˜ao s˜ao dif´ıceis de determinar e isto vem sendo alvo de estudos na atualidade. Em [7] Campello, Jorge e Costa desenvolveram um m´etodo de decodifica¸c˜ao de c´odigos q-´arios utilizando a m´etrica de Lee. Vale ressaltar que c´odigos q-´arios s˜ao exemplos de c´odigos c´ıclicos sobre an´eis de cadeia. Em [2], Babu e Zimmermann exibem um algor´ıtimo para decodifica¸c˜ao de c´odigos sobre an´eis de Galois, que tamb´em s˜ao exemplos de an´eis de cadeia.
O objetivo principal deste trabalho ´e utilizar uma abordagem via an´eis de grupo para provar de diferente forma os resultados de Dinh e L´opez-Permouth em [10], onde as de-monstra¸c˜oes de todos os resultados s˜ao feitas de forma mais simples e diretas e em alguns resultados, de forma mais geral. Como contribui¸c˜ao original, vamos determinar o peso de qualquer c´odigo c´ıclico sobre an´eis de cadeia finitos de comprimento pn e 2pn, com algumas
hip´oteses adicionais e iremos caracterizar tamb´em os c´odigos c´ıclicos livres sobre an´eis de cadeia, exibindo duas bases distintas para qualquer somando de um c´odigo c´ıclico livre.
O Cap´ıtulo 1 consiste de uma revis˜ao de conceitos preliminares de an´eis, an´eis de grupo, c´odigos corretores de erros, c´odigos c´ıclicos e uma conex˜ao entre o estudo de ideais em ´
algebras de grupo e c´odigos c´ıclicos.
No Cap´ıtulo 2, usando uma abordagem de an´eis de grupo, provamos os resultados de Dinh e L´opez-Permouth [10] sobre c´odigos c´ıclicos sobre an´eis de cadeia de comprimento n e caracterizamos o c´odigo dual a um dado c´odigo e tamb´em os c´odigos auto-duais.
No Cap´ıtulo 3, consideramos o caso particular de c´odigos de comprimento pncom algumas
hip´oteses sobre a rela¸c˜ao entre q e pn, onde | R |= ql. Neste caso, a determina¸c˜ao dos c´odigos
os poss´ıveis c´odigos c´ıclicos sobre an´eis de cadeia finitos (ou uniseriais), caracterizamos os c´odigos c´ıclicos livres sobre an´eis de cadeia, exibindo duas bases distintas para um dado c´odigo e por fim exibimos alguns resultados para c´odigos MDS.
No Cap´ıtulo 4, restringindo o comprimento para 2pn, calculamos o peso de todos os
poss´ıveis c´odigos c´ıclicos sobre an´eis de cadeia e caracterizamos os c´odigos c´ıclicos livres sobre an´eis de cadeia de forma an´aloga ao feito no Cap´ıtulo 3.
CAP´
ITULO 1
Conceitos Preliminares
Neste cap´ıtulo apresentaremos os conceitos preliminares necess´arios para o entendi-mento e boa compreens˜ao do texto. N˜ao ser´a apresentada a demonstra¸c˜ao dos resultados.
No que segue, estaremos sempre considerando an´eis comutativos com unidade e assim, n˜ao faremos distin¸c˜ao entre ideais a direita e a esquerda tanto em defini¸c˜oes quanto nos resultados.
1.1
Resultados sobre an´
eis e an´
eis de grupos
Os resultados nesta se¸c˜ao podem ser encontrados em [1], [18], [21], [26], [31]. Admitimos conhecidos os conceitos b´asicos da teoria de An´eis e listamos alguns deles para estabelecer a nota¸c˜ao do trabalho.
Defini¸c˜ao 1.1.1 Um anel R ´e chamado anel de cadeia, ou uniserial, se o conjunto de todos os ideais formam uma cadeia com a rela¸c˜ao de inclus˜ao.
Defini¸c˜ao 1.1.2 Seja R um anel finito comutativo. Um ideal I de R ´e chamado principal
8 1.1 - Resultados sobre an´eis e an´eis de grupos
se ele ´e gerado por um ´unico elemento. Um anel R ´e chamado anel de ideais principais se todo ideal de R ´e principal.
Defini¸c˜ao 1.1.3 Um anel R ´e chamado local se possui um ´unico ideal maximal.
Teorema 1.1.4 Para um anel comutativo R as seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes: (i) R ´e um anel local e o ideal maximal M de R ´e principal.
(ii) R ´e um anel local de ideais principais. (iii) R ´e um anel de cadeia.
Defini¸c˜ao 1.1.5 Um anel R ´e chamado anel serial, se R ´e uma soma direta de an´eis de cadeia.
Proposi¸c˜ao 1.1.6 Sejam R um anel de cadeia finito e comutativo com unidade, com ideal maximal M = hai, t o ´ındice de nilpotˆencia de a em R e R = MR. Ent˜ao:
(a) Para algum primo q e inteiros positivos k e l (k ≥ l), | R |= qk, | R |= ql e a
caracter´ıstica de R e R s˜ao potˆencias de q.
(b) Para i = 0, 1, 2, ..., t, | haii |=| R |t−i. Em particular, | R |=| R |t, isto ´e, k = lt.
Defini¸c˜ao 1.1.7 Um elemento e de um anel R ´e dito idempotente se e2 = e. Dois
idem-potentes ei e ej s˜ao chamados ortogonais se ei · ej = 0. Um idempotente e ´e central se
e · r = r · e, para todo r ∈ R. Um idempotente e ´e chamado primitivo se sempre que escrevermos e = e1+ e2, com e1 e e2 idempotentes ortogonais, ent˜ao ou e1 = 0 ou e2 = 0.
Proposi¸c˜ao 1.1.8 Se R = I0⊕ ... ⊕ Ij para alguns ideais I0, ..., Ij, ent˜ao existem
Defini¸c˜ao 1.1.9 Um ideal I de R ´e chamado nil, se para cada x ∈ I, existe um inteiro n, tal que xn = 0.
Um ideal I de um anel R ´e chamado nilpotente se existe um inteiro positivo n, tal que In = 0, onde In ´e o conjunto de todas as somas finitas da forma
n
X
i=1
x1x2...xn, com
xi ∈ I, 1 ≤ i ≤ n.
Defini¸c˜ao 1.1.10 Seja R um anel. O radical de Jacobson de R, denotado por J (R) ´e a intersec¸c˜ao de todos os ideais maximais de R.
Proposi¸c˜ao 1.1.11 Seja R um anel. Todo ideal nil de R est´a contido em J (R). ´
E claro que se um ideal I de R ´e nilpotente, ent˜ao I ´e nil. Logo, todo ideal nilpotente esta contido em J (R).
Proposi¸c˜ao 1.1.12 ( [18], Proposi¸c˜ao 7.14) Seja R anel comutativo e N um nil ideal em R, e f = u + N um idempotente de R = NR. Ent˜ao existe um ´unico idempotente e em R tal que e = f .
Defini¸c˜ao 1.1.13 Dois ideais I1 e I2 s˜ao chamados coprimos (ou comaximais) se
I1+ I2 = h1i.
Claramente dois ideais I1 e I2 s˜ao coprimos se, e somente se, existem x ∈ I1 e y ∈ I2 tais
que x + y = 1.
Proposi¸c˜ao 1.1.14 Se I1,...,In s˜ao ideais coprimos aos pares, ent˜ao
I1I2...In = I1∩ I2∩ ... ∩ In.
Teorema 1.1.15 (Teorema Chinˆes do Resto) Se I1,....,In s˜ao ideais de um anel R
co-primos dois a dois, ent˜ao
R I1...In ' R I1 × ... × R In .
10 1.1 - Resultados sobre an´eis e an´eis de grupos
Defini¸c˜ao 1.1.16 Seja R um anel, M um ideal de R e R = R
M. Considere a aplica¸c˜ao −: R[x] → R[x] f (x) =Ps i=0rixi 7→ f (x) = Ps i=0rixi ,
onde ri = ri + M , para todo ri ∈ R. Um polinˆomio f ∈ R[x] ´e chamado b´asico
irredut´ıvel sobre R se f ´e irredut´ıvel em R[x] e regular sobre R se ele n˜ao ´e um divisor de zero.
Proposi¸c˜ao 1.1.17 ( [21],Teorema XIII.2(c)) Seja f = a0 + a1x + ... + anxn ∈ R[x].
Ent˜ao s˜ao equivalentes: i) f ´e regular,
ii) < a0, ..., an >= R,
iii) ai ´e uma unidade para algum i, 0 ≤ i ≤ n,
iv) f 6= 0.
O pr´oximo teorema ´e chamado de Lema de Hensel e pode ser encontrado em [21], Teorema XIII.4
Lema 1.1.18 (Lema de Hensel) Seja f um polinˆomio sobre R e assuma f = g1g2...gr,
onde g1, g2,...,gr s˜ao polinˆomios coprimos dois a dois sobre R. Ent˜ao existem polinˆomios
f1,f2,...,fr coprimos dois a dois sobre R tais que f = f1f2...fr e fi = gi, para i = 1, 2, ..., r.
Proposi¸c˜ao 1.1.19 ( [21], Teorema XIII.7) Seja f um polinˆomio regular sobre R[x]. Se f ´e b´asico irredut´ıvel, ent˜ao f ´e irredut´ıvel.
Defini¸c˜ao 1.1.20 Seja G um grupo e R um anel. O anel de grupo de G sobre R, denotado por RG, ´e o conjunto dos elementos da forma
α =X
g∈G
onde xg ∈ R e xg = 0 quase sempre, ou seja, somente um n´umero finito de coeficientes s˜ao
diferentes de zero.
Defini¸c˜ao 1.1.21 Dado um elemento α =X
g∈G
agg ∈ RG, definimos o suporte de α,
deno-tado por supp(α) como sendo
supp(α) = {g ∈ G : ag 6= 0}.
Observe que, dados dois elementos α = X
g∈G
agg e β =
X
g∈G
bgg ∈ RG, temos α = β se, e
somente se, ag = bg, para todo g ∈ G.
Com as seguintes defini¸c˜oes de soma e produto de dois elementos em RG e produto de um elemento de RG por um elemento λ ∈ R, o anel de grupo RG possui estrutura de anel e de R-m´odulo. • (X g∈G agg) + ( X g∈G bgg) = X g∈G (ag + bg)g; • α · β = X g,h∈G agbhgh, onde α = X g∈G agg e β = X h∈G bhh; • λ(X g∈G agg) = X g∈G λagg. Defini¸c˜ao 1.1.22 O homomorfismo ξ : RG → R (X g∈G agg) 7→ X g∈G ag ´
e chamado aplica¸c˜ao de aumento de RG e seu n´ucleo, denotado por
M (G) = {X
g∈G
ag(g − 1) : g ∈ G, g 6= 1}, ´e chamado ideal de aumento de RG.
Proposi¸c˜ao 1.1.23 Se H ´e um subgrupo de um grupo G, ent˜ao
M (G : H) = {X
ht
12 1.1 - Resultados sobre an´eis e an´eis de grupos
onde τ ´e um transversal de H em G, ´e um ideal de RG.
Corol´ario 1.1.24 Se H ´e um subgrupo normal de um grupo G, ent˜ao
RG
M (G : H) ' R( G H).
Proposi¸c˜ao 1.1.25 Se I ´e um ideal bilateral de um anel R e G ´e um grupo comutativo, ent˜ao IG = {X
g∈G
agg ∈ RG : ag ∈ I} ´e um ideal bilateral de RG e RGIG ' (RI)G.
Proposi¸c˜ao 1.1.26 Seja {Ri}i∈I uma fam´ılia de an´eis e seja R = ⊕i∈IRi. Ent˜ao para
qualquer grupo G, RG 'X
i∈I
RiG.
Teorema 1.1.27 (Teorema de Maschke) Seja G um grupo. O anel de grupo RG ´e se-misimples se, e somente se, as seguintes condi¸c˜oes s˜ao satisfeitas:
(i) R ´e um anel semisimples. (ii) G ´e finito.
(iii) | G | ´e invers´ıvel em R.
Corol´ario 1.1.28 Sejam G um grupo finito e K um corpo. A ´algebra KG ´e semisimples se, e somente se, car(K) n˜ao divide | G |.
Corol´ario 1.1.29 Se G ´e um grupo abeliano finito e K um corpo tal que car(K) n˜ao divide | G |, ent˜ao KG ´e uma soma direta de corpos.
Teorema 1.1.30 ( [21], Teorema VII.8) Seja e um idempotente n˜ao nulo de um anel R. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(1) e ´e primitivo.
(3) Re ´e indecompon´ıvel.
Note que, no caso particular em que R e G s˜ao comutativos, temos o seguinte.
Corol´ario 1.1.31 Seja e um idempotente n˜ao nulo de um anel RG. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(1) e ´e primitivo.
(2) RGe ´e um anel local. (3) RGe ´e indecompon´ıvel.
Teorema 1.1.32 Sejam R um anel com unidade e H um subgrupo de um grupo G. Se | H | ´
e invers´ıvel em R, ent˜ao eH = bH ´e um idempotente em RG, onde bH = |H|1
X h∈H h. Al´em disso, se H G, ent˜ao eH ´e central e RGeH ' R( G H).
1.2
C´
odigos c´ıclicos
Nesta se¸c˜ao, abordaremos sem muitos detalhes conceitos de c´odigos corretores de erros. Os resultados e defini¸c˜oes apresentados nesta se¸c˜ao podem ser encontrados em [6], [30].
Defini¸c˜ao 1.2.1 Um conjunto finito A ser´a chamado de alfabeto e o n´umero de elementos de A ser´a denotado por | A |.
Defini¸c˜ao 1.2.2 Um c´odigo corretor de erros ´e um subconjunto pr´oprio qualquer de An,
para algum n´umero natural n. Os elementos de um c´odigo corretor de erros ser˜ao chamados de palavras.
A fim de tornar poss´ıvel medir a distˆancia entre palavras de um dado c´odigo em An,
14 1.2 - C´odigos c´ıclicos
Defini¸c˜ao 1.2.3 Dados dois elementos u = (u1, ..., un) e v = (v1, ..., vn) ∈ An, a distˆancia
de Hamming entre u e v ´e definida por
d(u, v) =| {i; ui 6= vi, 1 ≤ i ≤ n} | .
Observe que a distˆancia de Hamming ´e sim´etrica, satisfaz a desigualdade triangular e d(u, v) ≥ 0, para todo u, v ∈ An. Por isso, ´e tamb´em chamada de m´etrica de Hamming.
Defini¸c˜ao 1.2.4 A distˆancia m´ınima de um c´odigo C ´e o inteiro
d(C) := min{d(x, y); x, y ∈ C e x 6= y,
onde d(x, y) ´e a distˆancia de Hamming entre x e y.
Uma classe de c´odigos muito utilizada na pr´atica ´e a chamada classe dos c´odigos lineares. Para definir esta classe de c´odigos, iremos considerar um anel finito R como sendo o alfabeto e Rn um conjunto de n-uplas de elementos de R como um m´odulo sobre R de maneira usual.
Defini¸c˜ao 1.2.5 Um subconjunto C ⊂ Rn ´e chamado um c´odigo linear de
compri-mento n sobre R, se C ´e um R-subm´odulo pr´oprio de Rn.
Defini¸c˜ao 1.2.6 Dado β = (r1, ..., rn) ∈ Rn, defini-se o peso de β como sendo o n´umero
inteiro
w(β) =| {i; ri 6= 0} | .
Observe que o peso de um elemento β ´e a distˆancia de Hamming entre β e zero. Defini¸c˜ao 1.2.7 O peso m´ınimo de um c´odigo linear C ⊂ Rn ´e o inteiro
w(C) := min{w(β); β ∈ C\{0}}.
(i) d(β1, β2) = w(β1 − β2), para todo β1, β2 ∈ Rn.
(ii) d(C) = w(C).
Defini¸c˜ao 1.2.9 Para um c´odigo linear C de comprimento n sobre R, definimos o posto de C, denotado por posto(C), como sendo o n´umero m´ınimo de geradores de C. Definimos o posto livre de C, denotado por postolivre(C), como sendo o m´aximo dos postos de R-subm´odulos livres de C.
Defini¸c˜ao 1.2.10 Dizemos que um c´odigo linear C ⊂ Rn ´e livre se postolivre(C) =
posto(C).
Dentro da classe dos c´odigos lineares, existe uma importante subclasse de c´odigos, conhecida como classe dos c´odigos c´ıclicos, que ser´a nosso principal interesse. C´odigos c´ıclicos s˜ao importantes na pr´atica, devido aos eficientes m´etodos de codifica¸c˜ao e decodifica¸c˜ao existentes quando tomamos o anel como sendo um corpo. N˜ao entraremos em detalhes so-bre codifica¸c˜ao e decodifica¸c˜ao, mas estes podem ser estudados em [14], onde o alfabeto em quest˜ao ´e um corpo.
Defini¸c˜ao 1.2.11 Um c´odigo linear C ´e dito c´ıclico se para toda palavra β = (r1, ..., rn) ∈
C, sua troca c´ıclica tamb´em est´a em C, ou seja, a palavra β0 = (rn, r1, ..., rn−1) ∈ C.
Sejam u = (u1, ..., un) e v = (v1, ..., vn) elementos de Rn. Define-se o produto escalar
de u e v por
u · v = u1v1+ ... + unvn.
O produto escalar possui as propriedades usuais de um produto interno.
Defini¸c˜ao 1.2.12 Sejam u e v ∈ Rn. Dizemos que u e v s˜ao ortogonais se u · v = 0.
Defini¸c˜ao 1.2.13 Seja C ⊂ Rn um c´odigo linear, define-se
16 1.3 - C´odigos c´ıclicos como ideais de RG
Proposi¸c˜ao 1.2.14 Se C ⊂ Rn ´e um c´odigo linear, ent˜ao C⊥ ´e um R-subm´odulo de Rn.
Defini¸c˜ao 1.2.15 Dado um c´odigo linear C, chamaremos de C⊥ de c´odigo dual de C.
Lema 1.2.16 Seja R um anel finito de ordem qβ, q primo. O n´umero de palavras em
qualquer c´odigo linear de comprimento n sobre R ´e qk , para algum inteiro k ∈ {0, ..., βn} .
Al´em disso, o c´odigo dual C⊥ tem ql palavras, onde k + l = βn.
1.3
C´
odigos c´ıclicos como ideais de RG
Nesta se¸c˜ao exibiremos uma conex˜ao entre c´odigos c´ıclicos e ideais em an´eis de grupo. Os resultados aqui apresentados, podem ser encontrados em [24], [34].
Seja R um anel comutativo com unidade e G um grupo c´ıclico de ordem n gerado por g. Seja C um R-subm´odulo de Rn. Considere agora o homomorfismo de m´odulos ψ dado por
ψ : Rn → RG
β = (r0, ..., rn−1) 7→ r0+ r1g + r2g2+ ... + rn−1gn−1
.
Observe que C ´e um c´odigo c´ıclico em Rn se, e somente se, ψ(C) ´e um ideal em RG. De fato, seja C um c´odigo c´ıclico em Rn. Como ψ ´e um R-homomorfismo, para todo r ∈ R e x ∈ C, temos r · ψ(x) = ψ(r · x). Como C ´e um R-subm´odulo de Rn, temos r · x ∈ C e portanto r · ψ(x) ∈ ψ(C). Para provarmos que ψ(C) ´e um ideal em RG ´e suficiente provar que g · ψ(x) ∈ ψ(C), para todo x ∈ C. Seja x = (x0, ..., xn−1) ∈ C,
g · ψ(x) = g · (x0 + x1g + ... + xn−1gn−1) = xn−1 + x0g + x1g2 + ... + xn−2gn−1. Como
x = (x0, ..., xn−1) ∈ C e C ´e c´ıclico, ent˜ao (xn−1, x0, ..., xn−2) ∈ C. Portanto,
ψ((xn−1, x0, ..., xn−2)) = xn−1+ x0g + x1g2+ ... + xn−2gn−1
= g · ψ(x) ∈ ψ(C).
c´ıclico em Rn. Para isso, basta provar que se x = (x
0, ..., xn−1) ∈ C, ent˜ao (xn−1, x0, ..., xn−2) ∈
C. Como x = (x0, ..., xn−1) ∈ C, ent˜ao x0 + x1g + ... + xn−1gn−1 ∈ ψ(C). Como ψ(C) ´e
ideal, temos g · ψ(x) ∈ C. Logo xn−1 + x0g + x1g2 + ... + xn−2gn−1 ∈ ψ(C). Assim,
(xn−1, ..., xn−2) ∈ C.
Defini¸c˜ao 1.3.1 A palavra (a0, a1, ..., an−1) ∈ Rn ´e definida como palavra associada a
α = a0+ a1g + ... + an−1gn−1 ∈ RG.
Uma outra abordagem muito utilizada no estudo de c´odigos ´e a de an´eis polinomiais. ´E f´acil ver que RG ' (xR[x]n−1), onde G ´e um grupo c´ıclico de ordem n e R anel comutativo com
unidade.
Seja xn− 1 = g
0...gm a decomposi¸c˜ao de xn− 1 em polinˆomios irredut´ıveis coprimos
dois a dois em R[x]. Pelo Lema de Hensel1.1.18, sabemos que existem polinˆomios f0,...,fm,
coprimos dois a dois em R[x] tais que xn− 1 = f0...fm . Como fi ´e regular, para 0 ≤ i ≤ m,
pela proposi¸c˜ao1.1.19, temos fi irredut´ıvel.
Sabemos que
RG ' R[x]
(xn− 1),
onde G ´e um grupo c´ıclico de ordem n e xn− 1 = f
0.f1...fm´e a decomposi¸c˜ao de xn− 1 como
produto de polinˆomios irredut´ıveis coprimos dois a dois em R[x]. Pelo Teorema Chinˆes do Resto (1.1.15), temos R[x] (xn− 1) ' R[x] (f0) ⊕ ... ⊕ R[x] (fm) .
Assim, informa¸c˜oes importantes sobre os c´odigos c´ıclicos sobre R podem ser obtidas atrav´es dos an´eis R[x](f
i). Observe tamb´em que devido ao isomorfismo podemos afirmar que
existe um conjunto de idempotentes primitivos ortogonais com exatamente m + 1 elementos, tal que
18 1.3 - C´odigos c´ıclicos como ideais de RG
onde, reordenando as parcelas se preciso, temos RGer' R[x](fr) e assim,
| RGer |=| R |wr , onde wr = grau(fr).
A fim de simplificar a nota¸c˜ao, denotaremos (xR[x]n−1) por Rn.
Teorema 1.3.2 Um polinˆomio mˆonico p(x) em Rn ´e um polinˆomio gerador para um
c´odigo c´ıclico C, isto ´e, C =< p(x) > se, e somente se, p(x) divide xn− 1.
Teorema 1.3.3 Sejam C1 =< g1(x) > e C2 =< g2(x) > c´odigos c´ıclicos em Rn. Ent˜ao,
C1 ⊂ C2 se, e somente se, g2(x) divide g1(x).
Consideremos a seguinte caracteriza¸c˜ao para os idempotentes primitivos es’s que pode
ser encontrada em [34] ou [22]. Seja Cs a classe ciclotˆomica m´odulo n que contˆem s e α uma
raiz n-´esima primitiva da unidade. Ent˜ao,
es = 1 n n−1 X i=0 X j∈Cs α−ijgi. (1.1) Considere a aplica¸c˜ao ∗ : RG → RG α = a0+ a1g + ... + an−1gn−1 7→ α∗ = a0+ a1g−1+ a2g−2+ ...an−1g1 ,
chamada involu¸c˜ao cl´assica de RG. Vejamos algumas propriedades de ∗. Sejam α, β ∈ RG e r ∈ R. Temos
• (α + β)∗ = α∗+ β∗.
• (r · α)∗ = r(α)∗.
´
E f´acil ver que ∗ ´e um isomorfismo de an´eis. Observe tamb´em que ∗ : RGei → RGe∗i ´e
isomorfismo de an´eis. Portanto, | RGei |=| RGe∗i |.
Teorema 1.3.4 Sejam α = a0+ a1g + ... + an−1gn−1 e β = b0+ b1g + ... + bn−1gn−1. Ent˜ao,
α · β = 0 em RG se, e somente se, (a0, a1, ..., an−1) ´e ortogonal em Rn a (bn−1, bn−2, ..., b1, b0)
e todas as suas trocas c´ıclicas.
Defini¸c˜ao 1.3.5 Dizemos que duas palavras α e β ∈ RG s˜ao ortogonais se suas palavras associadas em Rn s˜ao ortogonais.
1.4
Alguns Resultados sobre Res´ıduos Quadr´
aticos
Nesta se¸c˜ao, apresentaremos alguns resultados sobre res´ıduos quadr´aticos, que ser˜ao necess´arios em resultados no pr´oximo cap´ıtulo sobre c´odigos auto-duais. O conte´udo desta se¸c˜ao pode ser encontrado em [4], [27], [33], [35], [36].
Defini¸c˜ao 1.4.1 Sejam a e m inteiros relativamente primos, isto ´e, mdc(a, m) = 1. Se a congruˆencia quadr´atica x2 ≡ a(modm) tem uma solu¸c˜ao, ent˜ao a dito ser um res´ıduo
quadr´atico de m, caso contr´ario a ´e chamado de n˜ao res´ıduo quadr´atico de m.
Euler deu um crit´erio simples para saber quando um inteiro a ´e um res´ıduo quadr´atico de um dado primo q.
Teorema 1.4.2 Seja q um primo ´ımpar e mdc(a, q) = 1. Ent˜ao a ´e um res´ıduo quadr´atico ou n˜ao res´ıduo quadr´atico de q quando aq−12 ≡ 1(modq) ou a
q−1
2 ≡ −1(modq),
respectiva-mente.
Para simplificar a nota¸c˜ao, definiremos a seguir o s´ımbolo de Legendre, introduzido pelo matem´atico Adrien Marie Legendre(1752-1833), em 1798.
20 1.4 - Alguns Resultados sobre Res´ıduos Quadr´aticos
Defini¸c˜ao 1.4.3 Seja q um primo ´ımpar e mdc(a, q) = 1. O s´ımbolo de Legendre (a|q) ´e definido por: (a|q) =
1, se a ´e um res´ıduo quadr´atico de q. −1, se a ´e um n˜ao res´ıduo quadr´atico de q.
No s´ımbolo de Legendre (a|q), a e q s˜ao chamados numerador e denominador, respecti-vamente.
Observa¸c˜ao 1.4.4 Pelo Teorema 1.4.2 e pela defini¸c˜ao do s´ımbolo de Legendre, para um inteiro ´ımpar q e um inteiro a com mdc(a, q) = 1, temos
(a|q) =
1, se e somente se, aq−12 ≡ 1(modq).
−1, se e somente se, aq−12 ≡ −1(modq).
A seguir, exibiremos algumas propriedades elementares do s´ımbolo de Legendre.
Proposi¸c˜ao 1.4.5 Sejam q um primo ´ımpar, a e b inteiros relativamente primos com q, Ent˜ao:
(i) Se a ≡ b(modq), ent˜ao (a|q) = (b|q); (ii) (a|q) ≡ aq−12 (modq);
(iii) (ab|q) = (a|q)(b|q); (iv) (a2|q) = 1;
(v) (ab2|q) = (a|q)(b2|q) = (a|q).
Teorema 1.4.6 (Lema de Gauss) Seja q um primo ´ımpar e mdc(a, q) = 1. Se k denota o n´umero de inteiros no conjunto S = {a, 2a, 3a, ...,q−12 a} cujo resto da divis˜ao por q excede
q
2, ent˜ao (a|q) = (−1) k.
Teorema 1.4.7 (Lei da Reciprocidade Quadr´atica) Se p e q s˜ao primos ´ımpares dis-tintos, ent˜ao
(p|q)(q|p) = −1(p−12 q−1
2 ).
Teorema 1.4.8 Se p e q s˜ao primos ´ımpares distintos, ent˜ao
(i) (p|q)(q|p) = 1, se p ≡ 1(mod4) ou q ≡ 1(mod4) −1 se p ≡ q ≡ 3(mod4). (ii) (p|q) = (q|p), se p ≡ 1(mod4) ou q ≡ 1(mod4) −(q|p) se p ≡ q ≡ 3(mod4).
O Lema de Gauss 1.4.6e a Lei da Reciprocidade Quadr´atica 1.4.7nos permitem calcular (a|q) para valores espec´ıficos de a. A proposi¸c˜ao seguinte nos fornece uma lista de alguns destes c´alculos.
Proposi¸c˜ao 1.4.9 Seja q um primo ´ımpar. Ent˜ao: (i) (1|q) = 1 e (−1|q) = (−1)q−12 ; (ii) (−1|q) = 1, se q ≡ 1(mod4) −1 se q ≡ 3(mod4). (iii) (2|q) = 1, se q ≡ 1(mod8) ou q ≡ 7(mod8) −1 se q ≡ 3(mod8) ou q ≡ 5(mod8). (iv) (−2|q) = 1, se q ≡ 1(mod8) ou q ≡ 3(mod8) −1 se q ≡ 5(mod8) ou q ≡ 7(mod8). (v) (5|q) = 1, se q ≡ 1, 9, 11, 19(mod20) −1 se q ≡ 3, 7, 13, 17(mod20). (vi) (6|q) = 1, se q ≡ 1, 5, 19, 23(mod24) −1 se q ≡ 7, 11, 13, 17(mod24).
22 1.4 - Alguns Resultados sobre Res´ıduos Quadr´aticos (vii) (7|q) = 1, se q ≡ 1, 3, 9, 19, 25, 27(mod28) −1 se q ≡ 5, 11, 13, 15, 17, 23(mod28). (viii) (11|q) = 1, se q ≡ 1, 5, 7, 9, 19, 25, 35, 37, 39, 43(mod44) −1 se q ≡ 3, 13, 15, 17, 21, 23, 27, 29, 31, 41(mod44). Se al´em disso o primo ´ımpar q ´e > 3, ent˜ao,
(ix) (3|q) = 1, se q ≡ 1(mod12) ou q ≡ 11(mod12) −1 se q ≡ 5(mod12) ou q ≡ 7(mod12). (x) (−3|q) = 1, se q ≡ 1(mod6) −1 se q ≡ 5(mod6).
Proposi¸c˜ao 1.4.10 Seja q um primo ´ımpar, k um inteiro positivo e mdc(a, q) = 1. Ent˜ao a ´e um res´ıduo quadr´atico de qk se, e somente se, (a|q) = 1.
Teorema 1.4.11 Seja m = 2k0pk1
1 ...pkrr a fatoriza¸c˜ao de m, com pi primo e mdc(a, m) = 1.
Ent˜ao a ´e um res´ıduo quadr´atico de m se, e somente se, (i) para i = 1, ..., r, (a|pi) = 1;
(ii) a ≡ 1(mod4), se 4|m mas 8 - m 1(mod8), se 8|m.
CAP´
ITULO 2
Caracteriza¸
c˜
ao de C´
odigos C´ıclicos
sobre An´
eis de Cadeia
Neste cap´ıtulo iremos identificar todos os poss´ıveis c´odigos c´ıclicos C em an´eis de grupo sobre um anel de cadeia finito R, comutativo com unidade, com | R |= qk com q primo e G um grupo c´ıclico finito de ordem n, onde q n˜ao divide n. Determinaremos o n´umero de c´odigos existentes sobre um dado anel, provaremos que RG ´e um anel de ideais principal e para finalizar, iremos caracterizar o c´odigo dual a um dado c´odigo C e tamb´em alguns resultados sobre c´odigos auto-duais.
Em [10], L´opez-Permouth e Dinh caracterizam c´odigos sobre an´eis de cadeia para um comprimento n onde a caracter´ıstica do anel R ´e qm e q n˜ao divide n; determinam o n´umero de elementos dos mesmo e exibem o dual de um dado c´odigo utilizando linguagem de an´eis polinomiais. Aqui, faremos o mesmo utilizando uma abordagem de an´eis de grupo, por´em, de maneira mais simples. No pr´oximo cap´ıtulo apresentaremos resultados novos, utilizando a abordagem de an´eis de grupo.
24 2.1 - C´odigos C´ıclicos sobre An´eis de Cadeia
2.1
C´
odigos C´ıclicos sobre An´
eis de Cadeia
A seguir exibiremos alguns resultados para o desenvolvimento da teoria.
Observe que se R ´e anel de cadeia comutativo com unidade e M ´e o ideal maximal de R, ent˜ao R = MR ´e um corpo. Daqui em diante estaremos sempre nos referindo a an´eis de cadeia onde q -| G |.
Pela Proposi¸c˜ao 1.1.6, sabemos que, | R |= qk, ent˜ao car(R) ´e uma potˆencia de q. A seguir, temos um teorema usado como ferramenta na caracteriza¸c˜ao dos c´odigos sobre an´eis de cadeia, que ´e um caso particular da Proposi¸c˜ao 1.1.25.
Teorema 2.1.1 Seja R anel de cadeia e M o ideal maximal de R. Ent˜ao
RG M G ∼ = R M G.
Como estamos considerando que q - n, onde | R |= qk e | G |= n, pela Proposi¸c˜ao 1.1.6, car(R
M) -| G |. Agora, pelo Corol´ario 1.1.28,
R M
G ´e semisimples e, pela Proposi¸c˜ao 1.1.8, existem idempotentes primitivos ortogonais e0, ..., emtais que RG = RGe0⊕...⊕RGem. Pelo
Teorema2.1.1e pela Proposi¸c˜ao1.1.12, existe uma ´unica fam´ılia de idempotentes ortogonais {e0, ..., em} em RG tal que RG = RGe0 ⊕ ... ⊕ RGem. Nosso objetivo agora ´e garantir que
{e0, ..., em} ´e um conjunto de idempotentes primitivos ortogonais em RG.
Teorema 2.1.2 Sejam R um anel local com ideal maximal M =< a >, com | R |= qk e
G um grupo c´ıclico de ordem n, onde q - n. Se {eo, ..., em} ´e o conjunto de idempotentes
primitivos ortogonais em RG, ent˜ao {eo, ..., em} ´e o conjunto de idempotentes primitivos
ortogonais em RG. Prova: Considere φ : RGek → M GRGek n X i=0 rigiek 7→ n X i=0 rigiek .
Suponhamos ek = bk + ck, onde bk e ck s˜ao idempotentes ortogonais. Ent˜ao
ek = bk + ck. Como ek ´e um idempotente primitivo, temos bk = 0 ou ck = 0. Logo,
bk ∈ M G ou ck ∈ M G. Como M G ´e nilpotente, temos bk = 0 ou ck = 0. Portanto, ek ´e
idempotente primitivo.
No teorema a seguir, iremos caracterizar todos os c´odigos c´ıclicos de comprimento n sobre RGei, onde R ´e um anel de cadeia e ei ´e um idempotente primitivo ortogonal.
Sabemos pelo Corol´ario1.1.31, que RGei ´e um anel local. No que segue, para simplificar
a nota¸c˜ao, escreveremos os ideais da forma (RG)ajei como hajeii.
Teorema 2.1.3 Seja R um anel de cadeia finito, comutativo com unidade, com | R |= qk, M = hai ideal maximal de R e t o ´ındice de nilpotˆencia de a em R. Seja G = Cn, onde
q - n. Se I ´e um ideal de RGei, ent˜ao I ´e da forma I =akiei, com 0 ≤ ki ≤ t.
Prova: Seja I um ideal n˜ao nulo de RGei, com I 6= (RG)ei. Seja ζ 6= 0 um elemento de
I, logo ζ = xei, com x ∈ RG. Como M ´e ideal maximal de R, MRGei ´e corpo e, como R MGei ' RGei M Gei e R M
Gei ´e uma componente simples de
R M
G, pelo Corol´ario 1.1.29,
RGei
M Gei ´e um corpo. Assim, conclu´ımos que M Gei ´e ideal maximal de RGei. Pelo Corol´ario
1.1.31, sabemos que RGei ´e anel local. Como ζ ∈ M Gei, podemos escrever ζ = P αggei,
com αg ∈ M . Ent˜ao αg = rga, rg ∈ R. Assim, ζ = P rgagei = (P rgg)aei ∈ haeii e,
portanto, I ⊂ haeii.
Agora seja k o maior inteiro positivo tal que I ⊂ akei. Com isso, existe ζ ∈ I tal que
ζ n˜ao pertence a ak+1ei. Provemos que ζ = akβei, com β ∈ RGei invers´ıvel. De fato,
suponhamos que β n˜ao seja invers´ıvel. Como MRGei ´e corpo, temos que β ∈ M Gei; com
isso, β = aβ0, β0 ∈ RGei e assim temos ζ = ak.aβ
0
ei ∈ ak+1ei, o que ´e uma contradi¸c˜ao.
Logo, existe γ ∈ RGei tal que βγ = ei. Portanto, akei = akβγei = akβei.γei = (ζ).γei ∈ I e
com isso conclu´ımos que I =ake i.
26 2.1 - C´odigos C´ıclicos sobre An´eis de Cadeia
Corol´ario 2.1.4 Com as mesmas hip´oteses do Teorema anterior, o ideal RGei ´e
indecompon´ıvel em RG e o c´odigo gerado por hat−1e
ii ´e minimal.
Observe que como qualquer ideal I de RGei ´e da forma I = akiei, ent˜ao RGei ´e anel
de cadeia.
Seja {e0, ..., em} o conjunto dos idempotentes primitivos de RG. No teorema a seguir
iremos caracterizar todos os c´odigos c´ıclicos de comprimento n sobre an´eis de cadeia. Teorema 2.1.5 Seja R um anel de cadeia finito e comutativo, com ideal maximal M = hai, t o ´ındice de nilpotˆencia de a em R, com | R |= qk e G = hg
0; gn0 = 1i tal que q - n. Se I ´e
um ideal de RG, ent˜ao I ´e da forma I = I0 ⊕ ... ⊕ Im, onde Ii =akiei, com 0 ≤ ki ≤ t.
Prova: Escrevemos RG = RGeo ⊕ ... ⊕ RGem. Do Teorema 2.1.3, RGei ´e um anel de
cadeia. Falta provar apenas que se I ´e um ideal de RG, ent˜ao existem ideais I0,...,Im de
RGe0,...,RGem respectivamente, tais que I = I0+ ... + Im. De fato, seja I um ideal pr´oprio
n˜ao nulo de RG. Como RG ´e finito, ent˜ao I ´e finito. Podemos listar os elementos de I na forma I = {α1, ..., αk}. Como {e0, ..., em} ´e um conjunto de idempotentes ortogonais
primitivos, com 1 = e0 + ... + em, temos :
α1 = α1e0+ . . . + α1em
..
. ... ...
αk = αke0+ . . . + αkem
.
Como RGe0 ´e um anel de cadeia, existe j0 ∈ {1, ..., k} tal que hαie0i ⊂ hαj0e0i,
para todo i ∈ {1, ..., k}. Pelo Teorema 2.1.3, existe k0 tal que < αj0e0 >=< a
k0e
0 >. De
forma an´aloga, para cada ´ındice ρ, 1 ≤ ρ ≤ m, existe jρtal que hαieρi ⊂αjρeρ. Novamente
pelo Teorema 2.1.3, existe kρ tal que αjρeρ = a
kρe
ρ = Iρ. Assim, dado αi ∈ I,
αi = αie0+ ... + αiem ∈ak0e0 ⊕ ... ⊕ akmem = I0⊕ ... ⊕ Im.
A seguir, iremos demonstrar um resultado que ser´a necess´ario mais adiante.
Lema 2.1.6 Seja R um anel local com ideal maximal M = hai e t o ´ındice de nilpotˆencia de a. Ent˜ao x · at−k = 0 se, e somente se, x ∈ak, onde x ∈ R e 0 < k < t.
Prova:
Como x n˜ao ´e invers´ıvel, temos que x ∈ hai. Seja r < k o maior ´ındice tal que x ∈ hari. Assim, x = x1.ar. Mostremos que x1 ´e invers´ıvel. De fato, se x1 n˜ao ´e invers´ıvel, ent˜ao
x1 ∈ hai e assim, x ∈ har+1i, o que ´e uma contradi¸c˜ao. Como x · at−k = 0, temos que
x1.at−k+r = 0, onde t − k + r < t. Como x1 ´e invers´ıvel, temos que at−k+r = 0, o que
contradiz o ´ındice de nilpotˆencia de a. Portanto, x ∈ak.
J´a vimos no cap´ıtulo anterior que
RG = RGe0⊕ ... ⊕ RGem ' R[x] (xn− 1) ' R[x] (f0) ⊕ ... ⊕ R[x] (fm) ,
onde, reordenando as parcelas se necess´ario, temos RGei ' R[x](f
i). Portanto, | RGei |=| R |
wi,
onde wi = grau(fi).
Teorema 2.1.7 Seja C um c´odigo c´ıclico da forma C =aki1ei
1 ⊕ ... ⊕ a kire ir. Ent˜ao, o n´umero de palavras de C ´e | C |=| R | r X s=1 (t − kis)wis .
Prova: Como C ´e uma soma direta, temos | C |=|aki1e
i1 | ... | a kile il |. Devemos ent˜ao determinar |akie i |. Considere ψ : RG → RGak. α 7→ αak (2.1)
28 2.1 - C´odigos C´ıclicos sobre An´eis de Cadeia
Claramente ψ ´e um epimorfismo de grupos aditivos. O n´ucleo de ψ ´e dado por
ker(ψ) = {α ∈ RG; αak= 0}.
Pelo Lema 2.1.6, temos αak = 0 se, e somente se, α ∈at−k G. Portanto,
RGak ' RG hat−ki G. Como RG hat−kiG ' R <at−k> G, temos, |RGakie i| = R < at−ki > Gei = R hat−kii wi = | R | | hat−kii | wi =| R |(t−ki)wi . Logo, | C |=| R | r X s=1 (t − kis)wis .
Seja {e0, ..., em} o conjunto dos idempotentes primitivos de RG. No teorema a seguir,
iremos calcular o n´umero de todos os c´odigos c´ıclicos poss´ıveis sobre um anel de cadeia.
Teorema 2.1.8 Sejam R um anel de cadeia finito e comutativo, com ideal maximal M =< a >, t o ´ındice de nilpotˆencia de a, com | R |= qk e G =< g
0; g0n = 1 >, onde
q - n. Ent˜ao o n´umero de c´odigos c´ıclicos de comprimento n sobre R ´e (t + 1)m+1.
Prova: Sabemos, do teorema anterior, que se I ´e um ideal de RG, ent˜ao I ´e da forma I =ak0e
0 ⊕ ... ⊕ akmem, com 0 ≤ kj ≤ t.
Suponhamos ake
i = alei, com k < l. Assim, existe ζ ∈ RG tal que akei = aleiζ.
Multiplicando por at−l em ambos os lados temos ak+t−le
i = 0. Como k < l, temos que
k + t − l < t e, portanto, ak+t−l 6= 0. Pelo Lema 2.1.6, e
i ∈ M G. Como M G ´e nilpotente,
existe m tal que emi = 0. Como e2i = ei, temos ei = 0, o que ´e uma contradi¸c˜ao. Logo, k = l.
c´odigos ser´a (t + 1)m+1.
Teorema 2.1.9 Para RG nas mesmas condi¸c˜oes do Teorema 2.1.8, temos que RG ´e um anel de ideais principais.
Prova: Seja I um ideal de RG. Ent˜ao, pelo Teorema2.1.5, I =ak0e
0 + ... + akmem. ´ E claro que ak0e 0+ ... + akmem ⊂ ak0e
0 + ... + akmem. Provemos ent˜ao que
akie
i ⊂ ak0e0+ ... + akmem. Seja x ∈ akiei, temos ent˜ao que x = αakiei, onde α ∈ RG.
Como ei.ek = 0, para i 6= k e e2i = ei, temos x = αakiei = αei(ak0e0+ ... + akmem).
Assim, akie
i ⊂ ak0e0+ ... + akmem e, portanto,
ak0e
0 + ... + akmem = ak0e0+ ... + akmem .
Logo RG ´e um anel de ideais principais.
2.2
C´
odigos duais e auto duais
Como vimos no cap´ıtulo anterior, os c´odigos duais de c´odigos c´ıclicos tamb´em s˜ao c´odigos c´ıclicos e nesta se¸c˜ao caracterizaremos os c´odigos duais de um dado c´odigo e os c´odigos auto duais.
Sejam {e0, e1, ..., em} o conjunto dos idempotentes primitivos ortogonais de RG tal que
RG = RGe0⊕ RGe1⊕ ... ⊕ RGem.
Pelo Teorema 2.1.7 temos que | RGei |=| R |wi. Como ∗ denota a involu¸c˜ao cl´assica,
30 2.2 - C´odigos duais e auto duais
Proposi¸c˜ao 2.2.1 Sejam α = a0+ a1g + ... + an−1gn−1 e β = b0+ b1g + ... + bn−1gn−1∈ RG.
Se α · β∗ = 0, ent˜ao α ´e ortogonal a β.
Prova: Temos que β∗ = b0 + bn−1g + bn−2g2 + ... + b2gn−2+ b1gn−1. Como α · β∗ = 0, por
1.3.4, (a0, a1, ..., an−1) ´e ortogonal a (b1, b2, ..., bn−1, b0) em Rn e todas as suas trocas c´ıclicas.
Portanto, (a0, a1, ..., an−1) ´e ortogonal a (b0, b1, ..., bn−1) e assim α ´e ortogonal a β.
O resultado a seguir ser´a necess´ario nos pr´oximos teoremas.
Proposi¸c˜ao 2.2.2 Seja {e0, ..., em} o conjunto dos idempotentes ortogonais, primitivos de
RG. Ent˜ao {e0∗, ..., em∗} ´e tamb´em o conjunto dos idempotentes ortogonais primitivos de
RG.
Prova: Como ∗ : RG → RG ´e um isomorfismo, segue que (i) ei∗· ei∗ = ei∗.
(ii) ei∗· ek∗ = 0, se i 6= k.
(iii) 1 = e∗0+ ... + e∗m. (iv) Cada e∗i ´e primitivo.
Consequentemente, {e∗0, ..., e∗m} ´e o conjunto dos idempotentes primitivos de RG.
No pr´oximo teorema iremos caracterizar o c´odigo dual a um dado c´odigo c´ıclico. Teorema 2.2.3 Se um c´odigo c´ıclico C ´e da forma C = ak0e
0 ⊕ ... ⊕ akmem, onde
0 ≤ ki ≤ t, ent˜ao o c´odigo dual a C ´e da forma C⊥ = ⊕Pmr=0at−krer∗.
Prova: Seja β = ⊕ m X r=0 < at−kre r∗ > . Assim, | β |=| R | ( m X l=0 klwl) .
Como
akre
r· (at−kses∗)∗ = 0, ∀0 ≤ r, s ≤ m,
temos que β ⊂ C⊥. Como C =< ak0e
0 > ⊕...⊕ < akmem >, temos que | C |=| R | m X l=0 (t − kl)wl . Suponha | R |= qα. Assim, | R |= qαt.
Pelo Lema 1.2.16, temos | C⊥ |= ql, onde
l = αtn − α( m X l=0 (t − kl)wl) = αtn − α m X l=0 (twl) + α m X l=0 klwl = αt(n − m X l=0 wl) + α m X l=0 klwl = α( m X l=0 klwl). Portanto, | C⊥ |=| β | e assim C⊥= β.
Defini¸c˜ao 2.2.4 Um c´odigo C ´e chamado auto ortogonal se C ⊂ C⊥ e auto-dual se C = C⊥.
Nos teoremas a seguir, abordaremos os c´odigos auto-duais. Agora seja C = ak0e
0 ⊕ ... ⊕ akmem.
Reordenando as parcelas se necess´ario, podemos escrever C na forma
C = har0e k01i ⊕ ... ⊕a r0e k0s0 ⊕ ... ⊕ harlekl1i ⊕ ... ⊕ D arle klsl E , (2.2) com 0 ≤ r0 < r1 < ... < rl ≤ t.
32 2.2 - C´odigos duais e auto duais Sejam f0 = ek01 + ... + ek0s0 f1 = ek11 + ... + ek1s1 .. . fl = ekl1 + ... + eklsl.
Temos 1 = f0+ ... + fl. Al´em disso, fi e fk s˜ao idempotentes ortogonais, para i 6= k. Assim,
C = har0f
0i ⊕ ... ⊕ harlfli .
Usando o Teorema 2.2.3 para o c´odigo descrito em2.2, temos
C⊥=at−rlf∗
l ⊕ ... ⊕ a t−r0f∗
0 . (2.3)
Defini¸c˜ao 2.2.5 Para um anel de cadeia R, com ideal maximal M = hai, onde t o ´ındice de nilpotˆencia de a ´e par, o c´odigo C =Da2t
E ´
e chamado c´odigo auto-dual trivial. Proposi¸c˜ao 2.2.6 Seja C = har0f
0i ⊕ ... ⊕ harlfli um c´odigo c´ıclico. Ent˜ao C ´e auto-dual
se, e somente se, para cada par de ´ındices i, j tais que i + j ≡ 0(mod l) tem-se que ri+ rj = t
e fi = fj∗.
Prova: Por 2.3, temos
C⊥=at−rlf∗
l ⊕ ... ⊕ a t−r0f∗
0 .
Note que o menor expoente de a em C⊥´e t − rl. Assim, se C = C⊥temos que r0 = t − rl,
donde r0+ rl = t e f0 = fl∗.
Da mesma forma, se i + j ≡ 0(mod l), deve-se ter ri = t − rj, donde ri+ rj = t e fi = fj∗.
Reciprocamente, se valem estas condi¸c˜oes, ´e f´acil ver que C = C⊥.
Observa¸c˜ao 2.2.7 Em [10], a nota¸c˜ao usada por Dinh e L´opez-Permouth exclui v´arios casos de c´odigos c´ıclicos auto-duais, pois usam a nota¸c˜ao C = DFb1, a bF2, ..., at−1Fbt
E
c´odigo, onde xn− 1 = F
0F1...Ft. Aqui, enunciamos e provamos os teoremas para C da forma
har0f
0i ⊕ ... ⊕ harlfli, onde a ´unica imposi¸c˜ao sobre os expoentes ri’s de a ´e que
0 ≤ r0 < r1 < ... < rl ≤ t, o que ocorre para todos os poss´ıveis ideais. Entraremos em
mais detalhes no Cap´ıtulo 5.
Teorema 2.2.8 Suponha que t ´e um inteiro par. Ent˜ao c´odigos c´ıclicos auto-duais diferentes do auto-dual trivial existem se, e somente se, existe um idempotente ei ∈ RG, tal que ei 6= e∗i.
Prova: Vamos supor que C = C⊥ ´e n˜ao trivial e que ei = e∗i, para todo ´ındice 0 ≤ i ≤ l.
Reordenando os idempotentes, temos
C =< ar0f
0 > ⊕...⊕ < arlfl >=< at−r0f0∗ > ⊕...⊕ < at−rlf ∗
l >=< at−r0f0 > ⊕...⊕ < at−rlfl > .
Logo, ri = t − ri, pata todo 0 ≤ i ≤ l e assim, ri = 2t. Portanto, C =< a
t
2(f0+ ... + fl) >=
=< a2t >, o que ´e uma contradi¸c˜ao.
Reciprocamente, seja e ∈ RG tal que e 6= e∗. Ent˜ao e∗ ´e tamb´em um idempotente primitivo e podemos escrever 1 = e + e∗+ e3+ ... + em. Denotemos β = e3+ ... + em. Assim,
1 = e + e∗+ β. Por outro lado, 1 = (e + e∗+ β)∗ = e∗+ e + β∗. Logo, β = β∗. Considere C =< a2t+1e > ⊕ < a t 2−1e∗ > ⊕ < a t 2β > . Pelo Teorema2.2.3 C⊥ =< a(t−(t2+1))e∗ > ⊕ < at−( t 2−1)e∗∗> ⊕ < a t 2β∗ >= C.
34 2.2 - C´odigos duais e auto duais
Teorema 2.2.9 Sejam R anel de cadeia finito com ideal maximal < a >, | R |= qlt, onde
| R |= ql e t o ´ındice de nilpotˆencia de a e seja G um grupo c´ıclico de ordem n, onde q - n.
Se t ´e par, ent˜ao c´odigos c´ıclicos auto-duais n˜ao triviais sobre R existem se, e somente se, qi 6≡ −1(modn) para todo inteiro positivo i.
Prova: Sabemos por 1.1 que um idempotente primitivo ´e da forma
es = 1 n n−1 X i=0 X j∈Cs α−ijgi. Assim, e∗s = 1 n n−1 X i=0 X j∈Cs αijgi = 1 n n−1 X i=0 X j∈Cn−s α−ijgi.
Pelo Teorema 2.2.8, c´odigos auto-duais n˜ao triviais existem se, e somente se, existe um idempotente ek, tal que ek 6= e∗k. Agora, para todo idempotente ek, ek = e∗k se, e somente
se, Cs = Cn−s. Portanto, para todo 0 ≤ s ≤ m, Ωs = Ωn−s, onde Ωs denota a q classe
ciclotˆomica contendo s. Isto acontece se, e somente se, existe i tal que qis ≡ (n − s)(mod n) para todo 0 ≤ s ≤ m, ou equivalentemente qi ≡ −1(mod n).
Corol´ario 2.2.10 Se n ´e um n´umero primo, ent˜ao c´odigos c´ıclicos auto-duais de compri-mento n n˜ao existem nos seguintes casos:
• q = 2, n ≡ 3, 5(mod8); • q = 3, n ≡ 5, 7(mod12); • q = 5, n ≡ 3, 7, 13, 17(mod20);
• q = 7, n ≡ 5, 11, 13, 15, 17, 23(mod28);
• q = 11, n ≡ 3, 13, 15, 17, 21, 23, 27, 29, 31, 41(mod44)
Corol´ario 2.2.11 Seja n um primo ´ımpar diferente de q, e q um n˜ao res´ıduo quadr´atico de nk, onde k ≥ 1. Ent˜ao c´odigos c´ıclicos auto-duais de comprimento n n˜ao existem.
Prova: Segue dos Teorema2.2.9, Observa¸c˜ao1.4.4 e Proposi¸c˜ao1.4.10.
Corol´ario 2.2.12 Se n ´e um primo ´ımpar, ent˜ao c´odigos c´ıclicos auto-duais de comprimento n n˜ao existem nos seguintes casos:
• q ≡ 1(mod4) e existe um inteiro k tal que mdc(q, 4nk) = 1 e q ´e um n˜ao res´ıduo
quadr´atico de 4nk;
• q ≡ 1(mod8) e existem inteiros positivos i, j tais que i > 2, mdc(q, 2inj) = 1 e q ´e um
n˜ao res´ıduo quadr´atico de 2inj.
CAP´
ITULO 3
C´
odigos de Comprimento p
n
sobre
An´
eis de Cadeia
Neste cap´ıtulo vamos considerar o caso particular de c´odigos c´ıclicos de comprimento pn, com p primo, sobre um anel de cadeia R, com ideal maximal M =< a > tal que | R |= ql,
com o(| R |) = φ(pn) em U (Z
pn) e q - pn. Neste caso, Ferraz e Polcino Milies em [15] provaram
que os idempotentes primitivos de RG dependem unicamente da estrutura de subgrupos de Cpn e deram sua f´ormula expl´ıcita.
Para um grupo c´ıclico G de ordem pn, o reticulado de subgrupos de G formam uma cadeia:
G = Go ⊃ G1 ⊃ ... ⊃ Gn= 1.
Neste caso, os elementos
e0 = bG e ei = bGi− bGi−1, para 1 ≤ i ≤ n,
38
formam o conjunto dos idempotentes ortogonais tal que
e0+ e1+ ... + en = 1.
Se | R |= q e o(q) = ϕ(pn) em U (Zpn), onde φ denota a fun¸c˜ao de Euler, temos o seguinte.
Teorema 3.0.13 ( [15], Teorema 3.1 ) Seja F um corpo com q elementos e G um grupo c´ıclico de ordem pn tal que o(q) = φ(pn) em U (Zpn). Seja
G = G0 ⊃ G1 ⊃ ... ⊃ Gn = {1}
a cadeia descendente de todos os subgrupos de G. Ent˜ao o conjunto dos idempotentes primi-tivos de F G ´e dado por
eo= 1 pn( X g∈G g) e ei = bGi− bGi−1, 1 ≤ i ≤ n.
A seguir, iremos estabelecer uma hip´otese central que consideraremos ao longo do cap´ıtulo.
Hip´otese A
Sejam R anel de cadeia finito, comutativo com unidade, tal que | R |= qk, M =< a > o ideal maximal de R, | R |= ql, com k = lt, onde t ´e o ´ındice de nilpotˆencia de a e G um grupo c´ıclico de ordem pn com gerador g0, tal que o(| R |) = φ(pn) em U (Zpn), Gi =< gp
i
0 >
e ei = bGi− bGi−1 .
Daqui em diante, estaremos sempre nas condi¸c˜oes da Hip´otese A.
Pelo Teorema 3.0.13, e0 = bG, ei = cGi − [Gi−1 formam o conjunto dos idempotentes
primitivos ortogonais de (<a>R )G. Pelo levantamento, e0 = bG e ei = cGi − [Gi−1 formam o
Para este conjunto de idempotentes primitivos, o pr´oximo teorema exibe uma f´ormula do n´umero de elementos nos c´odigos da forma I =< ak0e
0 > ⊕...⊕ < aknen>.
Teorema 3.0.14 Para R e G nas condi¸c˜oes da Hip´otese A, se I ´e um ideal de RG da forma I =< ak0e 0 > ⊕...⊕ < akmem>, com 0 ≤ ki ≤ t, ent˜ao | I |=| R | [ m X j=1 (t − kj)(pj − pj−1) + (t − k0)] .
Prova: Como C ´e uma soma direta, temos | C |=|< ak0e
0 >| ... |< akmem >|. Devemos ent˜ao
determinar |< akie
i >|. Seja i > 0, temos que akiei = akiGbi− akiGbi−1, com ei+ bGi−1= bGi e ei. bGi−1= ( bGi− bGi−1). bGi−1 = 0. Logo
RGaki
b
Gi = RGakiei⊕ RGakiGbi−1. Assim, | RGakie i |= |RGakiGbi| |RGakiGbi−1|. Considere ψ : RG → RGaki. α 7→ αaki (3.1)
Claramente ψ ´e um epimorfismo de grupos aditivos. O n´ucleo de ψ ´e dado por
ker(ψ) = {α ∈ RG; αaki = 0}.
Pelo Lema 2.1.6, temos αaki = 0 se, e somente se, α ∈< at−ki > G. Portanto,
RGaki ' RG
40 Como RG/ < at−ki > G ' (R/ < at−ki >)G, temos | RGaki b Gi |= ( R < at−ki >)G bGi . Denotemos R/ < at−ki > por R ki. Lembremos que | Rki |= |R|t |R|ki. Pelo Teorema 1.1.32, RkiG bGi ' Rki( G Gi). Portanto, | RkiGGi |=| Rki | |G| |Gi|=| Rk i | pi . De forma an´aloga, | RGaki
b Gi−1|=| Rki | pi−1 . Logo, | RGakie i |= | R |t | R |ki pi−pi−1 =| R |(t−ki)(pi−pi−1).
Para finalizar, calculemos |< ak0e
0 >|. Pelo Lema 3.1, temos
| RGak0e 0 |= ( R < at−k0 >)G bG . Logo, | RGak0e 0 |= | R | < at−k0 > |G||G| = | R | t | R |k0 =| R |(t−k0) . Portanto, | I |=| R | [ m X j=1 (t − kj)(pj − pj−1) + (t − k0)] .
T˜ao importante quanto descrever todos os poss´ıveis c´odigos c´ıclicos ´e saber o seu peso m´ınimo. Nos teoremas que seguem, determinaremos o peso m´ınimo de todos os c´odigos c´ıclicos nas condi¸c˜oes das hip´oteses anteriores. Os resultados seguintes s˜ao uma generaliza¸c˜ao de resultados semelhantes obtidos por F. Mello [23] para corpos, `a situa¸c˜ao que estamos considerando.
Teorema 3.0.15 Considere R e G nas condi¸c˜oes da Hip´otese A. Ent˜ao w((RG)akei) = 2 | Gi |, para i 6= 0 e w((RG)ake0)) =| G |, para 0 ≤ k ≤ t − 1.
Prova:
Para i 6= 0, temos eiGbi = ( bGi − bGi−1) bGi = bGi − bGi−1 = ei. Logo, (RG)ei ⊂ (RG) bGi.
Seja Γ um transversal de Gi em G. Um elemento arbitr´ario α ∈ RG pode ser escrito na
forma α = (X
h∈Γ
αhh), com αh ∈ RGi. Portanto, qualquer palavra sobre (RG) bGi ´e da forma
α = (X
h∈Γ
xhh) bGi, xh ∈ R.
Como (RG)akei ⊂ (RG)akGbi qualquer palavra de (RG)akei tamb´em ´e da forma α = (X
h∈Γ
xhakh) bGi, xh ∈ R.
Analisemos assim uma palavra de (RG)akei. Se apenas um coeficiente xhak desta palavra
´
e diferente de 0, para algum h ∈ Γ, ter´ıamos xhakh bGi ∈ (RG)ei. Assim, existe β ∈ RG tal
que xhakh bGi = βakei. Logo, xhakh bGi. bGi−1 = βakei. bGi−1. Como ei. bGi−1 = 0, temos que
xhakh bGi−1= 0 e, assim, xhak = 0. Logo, xhakh bGi = 0, o que ´e uma contradi¸c˜ao. Portanto,
w((RG)ake
i) ≥ 2 | Gi |.
Agora, considere α ∈ Gi−1\ Gi. Temos (1 − α)akei ∈ (RG)akei. Como
(1 − α)akei = (1 − α)ak( bGi− bGi−1)
= (1 − α)akGbi − (1 − α)akGbi−1
= (1 − α)ak
b Gi
e supp(akGbi) ∩ supp(akα bGi) = ∅, temos que w((RG)akei) ≤ 2 | Gi |. Portanto, w((RG)akei) = 2 | Gi |, para i 6= 0.
Consideremos agora o caso em que i = 0. Temos
RGake 0 = (Rak)(G bG) = (Rak) bG = {rak(1 + g 0+ ... + gp n−1 0 )|r ∈ R} .
42
O pr´oximo teorema ´e um caso particular do resultado a seguir. Foi inclu´ıdo apenas porque, nesta situa¸c˜ao mais simples, ´e f´acil ver a origem das ideias envolvidas.
Teorema 3.0.16 Considere R e G nas condi¸c˜oes da Hip´otese A. Sejam Ir = (RG)akrer,
com 0 ≤ kr≤ t − 1. Considere Ii⊕ Ij, com i < j. Ent˜ao w(Ii⊕ Ij) = 2 | Gj | ou | G1 |.
Prova: Consideremos inicialmente o caso em que i 6= 0. Temos Gj ⊂ Gi. Seja α ∈ (Ii⊕ Ij).
Assim, α = αiak1ei+ αjak2ej, onde αi, αj ∈ RG. Portanto,
α. bGj = αiak1( bGi− bGi−1) bGj+ αjak2( bGj − bGj−1) bGj = α.
Logo, α ∈ (RG) bGj. Considere agora Γj um transversal de Gj em G. Assim, α = (
X
h∈Γ
xhh) bGj,
onde xh ∈ R. Suponhamos que apenas um coeficiente xh 6= 0. Assim, α = xhh bGj. Como
ei. bGi−1 = ej. bGi−1 = 0, temos que α. bGi1 = xhh bGj. bGi−1. Logo, xhh bGi−1 = 0 e, com isso,
temos xh = 0, o que ´e uma contradi¸c˜ao. Portanto, w(Ii ⊕ Ij) ≥ 2 | Gj |. Como w(I) ≤
w(Ij) = 2 | Gj |, temos que w(I) = 2 | Gj |.
Provemos agora, o caso em i = 0 e 1 < j. Como Ij ⊂ I0 + Ij, temos que
2 | Gj |= w(Ij) ≥ w(I0+ Ij).
Se α ∈ I0+Ij, ent˜ao α = α1ak1G+αb 2ak2( bGj− bGj−1), onde α1, α2 ∈ RG. Assim, α. bGj = α
e, portanto, I0+ Ij ⊂ (RG) bGj.
Seja Γ um transversal de Gj em G. Assim, podemos escrever α como sendo
α = (X
h∈Γ
xhh) bGj. Suponhamos que apenas um coeficiente xh seja diferente de zero. Assim,
α = xhh bGj = α1ak1G + αb 2ak2( bGj − bGj−1).
Como Gj ⊂ bGj−1, temos que bGj. bGj−1 = bGj−1. Assim, xhh bGj. bGj−1 = α1ak1G bbGj−1 + α2ak2( bGj − bGj−1) bGj−1, ou seja, xhh bGj−1 = α1ak1G. Como αb 1 =P rgg, podemos reescrever
a ´ultima igualdade como xhh bGj−1 =P rgak1G. Desenvolvendo a equa¸c˜b ao anterior temos X g∈{hGj−1} (xh− X rgak1)g − X g∈{G/hGj−1} (Xrgak1)g = 0.
Assim, P rgak1 = 0 e da´ı xh = 0, o que contradiz nossa hip´otese inicial sobre xh.
Conclu´ımos assim que, para toda palavra α ∈ I0 + Ij, com α = (
X
h∈Γ
xhh) bGj, devem
existir pelo menos dois coeficientes xh0, xh1, com h0, h1 ∈ Γ diferentes de zero. Portanto,
w(I0+ Ij) ≥ 2 | Gj |, e assim, w(I0+ Ij) = 2 | Gj |.
Provemos agora o caso em que i = 0 e j = 1.
Seja α ∈ C. Como C = I0⊕ I1, existem β0, β1 ∈ RG, tais que α = β0ak0e0 + β1ak1e1.
Como α · bG1 = α, temos I ⊂ RG bG1 e, assim, w(I) ≥ w(RG bG1) =| G1 |.
Seja k = max{k0, k1}. Temos
RGakGb1 = RGakG ⊕ RGab k( bG1− bG) ⊂ RGak0e0⊕ RGak1e1 = I. Logo | G1 |= w(RGakGb1) ≥ w(I). Portanto, w(I) =| G1 |.
Teorema 3.0.17 Considere R e G nas condi¸c˜oes da Hip´otese A. Sejam Ij = (RG)akjej,
com 0 ≤ kj ≤ t − 1 e I = I0⊕ ... ⊕ Ij, com 0 ≤ j ≤ n − 1. Ent˜ao w(I0⊕ I1⊕ ... ⊕ Ij) =| Gj |.
Prova: Seja α ∈ I. Como I = I0⊕ ... ⊕ Ij, existem β0,..., βj ∈ RG tais que α = β0ak0G +b ... + βjakj( bGj − bGj−1). Como Gj ⊂ Gi, para 1 ≤ i ≤ j − 1, temos que bGj · ei = ei, para
0 ≤ i ≤ j − 1 e assim, α · bGj = α. Portanto, I ⊂ (RG) bGj e w(I) ≥ w((RG) bGj) =| Gj |.
Seja k = max{k0, ..., kj}. Logo,
(RG)akGbj ⊂ (RG)akG ⊕ (RG)ab k( bG1− bG) ⊕ ... ⊕ (RG)ak( bGj − bGj−1) ⊂ I0⊕ I1 ⊕ ... ⊕ Ij.
Portanto, | Gj |= w((RG)akGbj) ≥ w(I). Logo, w(I) =| Gj |.
Teorema 3.0.18 Considere R e G nas condi¸c˜oes da Hip´otese A. Sejam Ij = (RG)akjej,
com 0 ≤ kj ≤ t − 1. Se I = Ij1 ⊕ ... ⊕ Ijl, jr < jr+1, para 1 ≤ r ≤ l com {j1, ..., jl} $
44
Prova: Consideremos inicialmente
I = Ij1 ⊕ ... ⊕ Ijl, com j1 6= 0 e jr < jr+1, para 1 ≤ r ≤ l.
Seja α ∈ I. Como I = Ij1 ⊕ ... ⊕ Ijl, existem βj1,..., βjl, tais que
α = βj1a
kj1( bG
j1 − bGj1−1) + ... + βjla
kjl( bG
jl− bGjl−1).
Como Gjl ⊂ Gji, para 1 ≤ i ≤ l − 1, temos bGjl· eji = eji, para 1 ≤ i ≤ l. Assim, αGjl = α
e, portanto, I ⊂ (RG) bGjl. Seja Γ um transversal de Gjl em G. Assim, podemos escrever
α = (X
h∈Γ
xhh) bGjl, xh ∈ R. Suponhamos agora que apenas um xh0 seja diferente de zero, para
algum h0 ∈ Γ. Assim, α = xh0h0Gbjl = βj1a kj1( bG j1 − bGj1−1) + ... + βjla kjl( bG jl− bGjl−1).
Como bGji ⊂ bGj1−1, para 1 ≤ i ≤ l, temos que bGji. bGj1−1 = bGj1−1, para 1 ≤ i ≤ l. Logo,
b
Gj1−1· eji = 0, para 1 ≤ i ≤ l. Multiplicando ambos os lados da igualdade por bGj1−1, temos
xh0h0Gbj1−1 = 0. A partir da´ı, temos xh0 = 0, o que contradiz nossa escolha inicial de xh0 6= 0.
Portanto, w(I) ≥ 2 | Gjl |.
Como Ijl ⊂ I, temos 2 | Gjl |= w(Ijl) ≥ w(I). Logo, w(I) = 2 | Gjl |.
Agora considere
I = I0⊕ Ij1 ⊕ ... ⊕ Ijl, com jr < jr+1 para 1 ≤ r ≤ l e {j1, ..., jl} $ {1, ..., jl}.
Como Ijl ⊂ I, temos que 2 | Gjl |= w(Ijl) ≥ w(I).
Seja α ∈ I. Como I = I0 ⊕ Ij1 ⊕ ... ⊕ Ijl, existem β0,βj1,..., βjl ∈ RG tais que
α = β0ak0G + βb j1akj1( bGj1 − bGj1−1) + ... + βjla
kjl( bG
jl − bGjl−1). Assim, α · bGjl = α. Logo,
Seja Γ um transversal de Gjl em G. Assim, podemos escrever α = (
X
h∈Γ
xhh) bGjl, onde
xh ∈ R. Suponha que exista apenas um h0 ∈ Γ tal que xh0 6= 0. Assim,
α = xh0t0Gbjl = β0a k0 b G + βj1a kj1 ( bGj1 − bGj1−1) + ... + βjla kjl ( bGjl− bGjl−1).
Como {j1, ..., jl} $ {1, ..., jl}, existe r ∈ {1, ..., jl}, tal que r 6∈ {j1, ..., jl}. Tome r como
sendo o menor ´ındice pertencente `a {1, ..., jl} e que n˜ao pertence `a {j1, ..., jl}.
Multiplicando ambos os lados da igualdade acima por bGr, temos
xh0h0Gbr = β0a
k0
b
G + β1ak1(e1) + ... + βr−1akr−1(er−1)).
Portanto, α bGr pertence ao c´odigo C
0 gerado por < ak0 b G > ⊕ < ak1(e 1) > ⊕...⊕ < akr−1(er−1) > .
Mas o peso de α bGr ´e dado por w(α bGr) =| Gr | e peso de C
0
´
e w(C0) =| Gr−1 |. Como
Gr ⊂ Gr−1, temos que | Gr |<| Gr−1 |, o que ´e uma contradi¸c˜ao. Logo, w(C) ≥ 2 | Gjl | e
assim w(C) = 2 | Gjl |.
3.1
C´
odigos que s˜
ao livres como R-subm´
odulos de RG
Agora iremos caracterizar todos os c´odigos c´ıclicos de comprimento pn que s˜ao
R-subm´odulos livres de RG. Para isso, lembremos os seguintes resultados.
Teorema 3.1.1 ( [18], Teorema 3.10) Um m´odulo M ´e projetivo se, somente se, M ´e um somando direto de um m´odulo livre.
Teorema 3.1.2 ( [18], Teorema 7.5) Se R ´e um anel local, ent˜ao todo m´odulo projetivo finitamente gerado sobre R ´e livre.
46 3.1 - C´odigos que s˜ao livres como R-subm´odulos de RG
Como estamos trabalhando com m´odulos finitos, eles s˜ao finitamente gerados e assim qualquer m´odulo que for um somando de um m´odulo livre ´e projetivo e, portanto, livre.
O pr´oximo resultado ´e semelhante a Proposi¸c˜ao 2.1 provado por Dutra, Ferraz e Polcino Milies em [13] para algebras de grupo sobre corpos. Exibiremos uma base para RGei, provando assim que RGei ´e um c´odigo livre. Mais adiante exibiremos outra base para
RGei.
Teorema 3.1.3 Considere R e G nas condi¸c˜oes da Hip´otese A. Seja γ um transversal de Gi−1 em G e τ um transversal de Gi em Gi−1. Ent˜ao
B = {c(1 − h) bGi|c ∈ γ, h ∈ τ \ {1}}
´
e uma base de RGei sobre R.
Prova: Primeiramente provaremos que os elementos de B pertencem a RGei. Para isso,
observe que:
1. Para h ∈ τ \ {1}, temos (1 − h) bGi−1= 0, pois h bGi−1= bGi−1.
2. Para c ∈ γ e h ∈ τ \ {1}, temos c(1 − h) bGi = c(1 − h) bGi( bGi− bGi−1) = c(1 − h) bGiei ∈
RGei.
Mostremos agora que os elementos de B s˜ao linearmente independentes. Sejam xch ∈ R
tais que 0 =X c,h xch(c(1 − h) bGi). 0 = X c,h xch(c(1 − h) bGi) = X c (X h xch)c bGi− X c,h xchch bGi.
Agora observe que, para c, h fixados, temos que o elemento ch bGi tem suporte disjunto
de qualquer outro elemento nesta combina¸c˜ao linear. De fato, como τ ´e um transversal de Gi em Gi−1 e h ∈ τ \ {1}, temos que bGi e h bGi tˆem suportes disjuntos. Como γ ´e um
claro que se cj 6= ck∈ γ, ent˜ao cjGbi e ckGbi tˆem suportes disjuntos. Como {ch, c ∈ γ e h ∈ τ }
formam um transversal de Gi em G, temos que cjhjGbi e ckhkGbi tˆem suporte disjuntos, para
cj 6= ck ou hj 6= hk. Portanto, xch = 0, para todo c ∈ γ e h ∈ τ . Devemos provar que
o m´odulo livre sobre R gerado por B ´e igual ao ideal gerado por ei. J´a provamos que
todo elemento de B pertence a RGei. Provemos agora que os dois conjuntos tˆem o mesmo
n´umero de elementos. Pelo Teorema3.0.14, | RGei |=| R |t(p
i−pi−1)
=| R |(pi−pi−1). Por outro lado, o n´umero de elementos gerado pelo m´odulo livre sobre R cuja base ´e B ´e dado por | R ||γ|(|τ |−1)= | R ||
G Gi−1|(|
Gi−1
Gi |−1) =| R |pi−pi−1. Portanto, RGei ´e livre e B ´e uma base de
RGei.
Corol´ario 3.1.4 O posto do c´odigo livre RGei ´e pi− pi−1.
Observe que o ideal gerado por ake
i n˜ao pode ser livre, pois (at−kα) · (akei) = 0, para
qualquer α ∈ RGei.
Pelos Teoremas 3.1.1,3.1.2 e 3.1.3, temos o seguinte corol´ario.
Corol´ario 3.1.5 Seja G um grupo c´ıclico de ordem pn e R um anel de cadeia com | R |= qk,
onde q - pn. Seja ei = bGi− bGi−1. Ent˜ao os poss´ıveis c´odigos c´ıclicos livres de comprimento
pn s˜ao da forma
C = RGei1 ⊕ ... ⊕ RGeik.
Corol´ario 3.1.6 Seja G um grupo c´ıclico de ordem pn e R um anel de cadeia com | R |= qk, onde q - pn. O n´umeros de c´odigos c´ıclicos livres de comprimento pn sobre um anel de cadeia R ´e 2n+1.
Pelo Corol´ario 3.1.4, posto(RGei) = pi− pi−1. Adiante exibiremos outra base para RGei,
para a qual ser´a necess´aria a seguinte proposi¸c˜ao.
Proposi¸c˜ao 3.1.7 ( [18], Proposi¸c˜ao 7.18 ) Seja M um m´odulo livre sobre um anel co-mutativo de posto n. Ent˜ao qualquer conjunto gerador de n elementos ´e uma base de M .