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INOVAÇÃO SOCIAL: TENDÊNCIAS

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INOVAÇÃO SOCIAL:

TENDÊNCIAS

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A NOSSA VISÃO DA INOVAÇÃO SOCIAL

A EVOLUÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL – A VIRAGEM DA RESPONSABILIDADE SOCIAL PARA A ECONOMIA E A INOVAÇÃO SOCIAL Todas as recomendações das instituições internacionais e europeias (como as Nações Unidas e a Comissão Europeia), assim como dos movimentos empresariais (World Business Council for Sustainable Development) reconhecem a importância e a urgência da evolução da “filantropia empresarial” para o “investimento social” que visa o desenvolvimento da economia social (6% dos empregos na União Europeia) numa perspetiva de auto-sustentabilidade financeira. Em Portugal, o Plano de Emergência Social considera também a lógica da responsabilidade social empresarial como essencial para criar empregabilidade, incentivar o empreendedorismo e contribuir para mitigar a pobreza.

As empresas sempre tiveram um papel social ativo, quer na proteção dos seus colaboradores, quer através das suas ações de filantropia. Hoje, face à dimensão dos problemas atuais, as respostas tradicionais (Estado, terceiro setor) não são suficientes e as empresas, sendo cada vez mais solicitadas, vêem-se confrontadas com a urgência de maximizar os seus impactos sociais, otimizando os seus orçamentos.

A convicção de que o setor económico não pode ter sucesso em sociedades que falham é o pressuposto de base para a redefinição do papel social das empresas. Outros fatores convergem para uma nova definição deste papel, por exemplo o facto de muitas empresas sentirem a necessidade de expandir as suas atividades para países menos saturados em termos de oferta. Mais importante ainda, a relação entre as empresas e a sociedade modificou-se e hoje as parcerias com o terceiro setor ou com instituições internacionais são desejadas pelas diferentes partes interessadas, quer para a operacionalização, quer para o cofinanciamento de projetos. Ou seja, as empresas tornaram-se parceiros indispensáveis do desenvolvimento, num contexto em que dois terços da Humanidade vivem na pobreza e que num país como Portugal em que cerca de 18% dos portugueses vive em risco de pobreza depois das transferências sociais, sendo este valor de 43% antes de qualquer transferência social (Instituto Nacional de Estatística).

A filantropia empresarial, baseada no donativo (que obviamente continua a existir, nas situações em que a assistência é a única via) deve evoluir para uma estratégia de investimento social, integrada na estratégia de sustentabilidade da empresa, para garantir a durabilidade dos projetos e uma relação win win entre todas as partes, considerando as populações mais pobres como clientes, consumidores, parceiros, etc.

Business as usual deve ser revisto

A crise levou a um maior rigor na definição de prioridades, a uma maior exigência de impacto/retorno. O setor empresarial e o financeiro em particular sentem que é preciso reconstruir confiança.

A grande referência é a “Vision 2050”, lançada pelo World Business Council for

Sustainable Development. É apresentada como a resposta do setor empresarial

para fazer face aos desafios mundiais, nomeadamente o desafio demográfico. A mensagem principal é a seguinte: o business as usual já não é uma opção se queremos um futuro sustentável em que 9 mil milhões de habitantes do planeta consigam viver decentemente. O projeto pretende ajudar as empresas a entenderem quais são os impactos estratégicos dos desafios atuais e traçar caminhos.

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Desde o início do século e muito reforçada pela visibilidade dos objetivos do Milénio, tinha emergido uma questão: qual o contributo das empresas para o Desenvolvimento?

Globalmente, esta questão ganhou palco, em 2004, quando o Professor C.K.

Prahalad, da Universidade do Michigan, publicou o seu livro mais famoso The Fortune at the Bottom of the Pyramid (BoP). Elaborada para os países emergentes,

a teoria da base da pirâmide e as práticas decorrentes visam assegurar produtos e serviços de qualidade para os bilhões de pessoas que vivem na pobreza.

Paralelamente, o WBCSD tinha apresentado em 2005 o conceito de “negócios inclusivos” que faz referência a soluções empresariais, comercialmente / economicamente viáveis, que vão para além da filantropia e são dirigidas a comunidade de baixos rendimentos. Estas comunidades podem ser integradas como fornecedores, distribuidores, etc. ou podem ser clientes da base da pirâmide que precisam de produtos e serviços básicos, como alimentação, água, energia etc., a preços acessíveis. Quase dez anos depois, o inclusive business já não está na fase de laboratório, sobretudo nos modelos que visam a integração de fornecedores mais vulneráveis na cadeia de valor, mas as abordagens BOP ainda enfrentam grandes desafios: dificuldade de montar parcerias com ONG e governos locais, retorno sobre o investimento muito demorado, dificuldade em conhecer as necessidades e modos de consumo reais dos mais pobres, etc.

Este tema do papel das empresas no combate à pobreza tem uma segunda fonte de inspiração. Trata-se do conceito de social business, elaborado pelo Prémio Nobel da Paz, o Professor Yunus, e desenvolvido no seu livro – Creating a World Without

Poverty: Social Business and the Future of Capitalism. Em 2009, o Professor foi

convidado a Davos para apresentar aos presidentes das maiores multinacionais do mundo e outros líderes a sua visão: um social business é uma empresa pequena, média ou grande, cuja finalidade é solucionar um problema social ou ambiental. Sem perder dinheiro, lucrativa, mas também sem distribuição de dividendos, libertando assim a empresa das pressões dos acionistas. As empresas tradicionais podem ser investidores, ou mesmo desenvolver uma parte da sua atividade segundo este modelo. Várias multinacionais aceitaram o desafio de Yunus e montaram com ele novas empresas “sociais” nas suas áreas de negócio. Nomeadamente para experimentar novos produtos e explorar novos países.

No contexto da crise, o social business despertou o interesse da própria Comissão Europeia que, embora usando uma definição mais lata para as “empresas sociais”, pediu ao Professor Yunus para estar presente no lançamento da iniciativa da Comissão Europeia para o Social Business em 2011. Este interesse das instituições políticas e das empresas sobre modelos inovadores tem a sua origem na constatação que é preciso inovar para resolver os problemas sociais e ambientais, e que apenas soluções co-construídas pelos diferentes atores podem resultar.

Os negócios inclusivos, as experimentações de social business pelas empresas permitem sair do assistencialismo, desenvolver soluções duráveis que perduram além dos “patrocínios”, criar empregos, etc. A empresa social pode ajudar a reduzir custos e tornar economicamente viáveis serviços virados para a sociedade. Ela pode beneficiar também por exemplo dos “donativos” das empresas que querem mostrar a sua responsabilidade social. E isso muda o rosto da filantropia, da

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dependência do “subsídio” em que cada euro investido apenas tem uma vida. No caso do financiamento de empresas/negócios sociais, há uma exigência de sustentabilidade financeira, de rentabilidade, e o investimento pode ser reembolsado, pelo menos parcialmente. Cada euro investido tem hipótese de ter várias vidas.

A economia social e a inovação indispensáveis para o modelo europeu No início de 2014, a Comissão Europeia demostrou a importância que reconhece a economia social e a inovação social, nomeadamente através da Declaração de Strasbourg que expressa a importância das empresas sociais para o modelo europeu:

“A economia social é um importante pilar da economia europeia, representando cerca de 10% do PIB. Mais de 11 milhões de trabalhadores, ou 4,5% da população ativa da União Europeia, estão empregados na economia social. Uma em cada quatro novas empresas criadas anualmente é uma empresa do setor social, proporção essa que atinge mesmo uma em cada três empresas na Bélgica, na Finlândia e em França.

Os empreendedores sociais tentam assegurar um impacto na sociedade e não apenas gerar lucros para os seus proprietários e acionistas. A título de exemplo, proporcionam emprego para grupos desfavorecidos, promovendo a sua inclusão social e o reforço da solidariedade na economia. Porém, enfrentam enormes desafios e condições de concorrência desiguais.

A este respeito, o Comissário para o Mercado Interno e os Serviços, Michel Barnier, declarou: «O maior desafio dos dias de hoje é o crescimento e o emprego. Estou convicto de que não será possível assegurar um desempenho económico duradouro sem coesão social. A economia social é parte integrante do novo modelo de crescimento que estamos a criar e que deverá ser mais inclusivo e ecológico. Pela sua própria vocação, as empresas sociais devem estar sempre atentas e alinhadas com a realidade social e ambiental. São inovadoras, dinâmicas e criam emprego. Deveremos fazer tudo o que for possível para criar um ecossistema que encoraje o seu desenvolvimento. É esse o objetivo da conferência de Estrasburgo.»

O Vice-Presidente da Comissão Europeia, Antonio Tajani, Comissário responsável pela Indústria e pelo Empreendedorismo, declarou: «As empresas sociais ajudam a UE a criar uma economia de mercado social altamente competitiva e funcionam como motores do crescimento sustentável. Durante a crise deram provas do seu valor, mostrando uma forte capacidade de resistência. Agora mais do que nunca, precisamos da sua capacidade de criação de empregos.»”

Nos fóruns internacionais sente-se uma maior pressão para as (grandes) empresas “tradicionais” se envolverem cada vez mais na evolução do empreendedorismo social. Recentemente a Forbes publicou uma entrevista da Diretora Geral da Ashoka Europe, Stephanie Schmidt, que chamava as empresas para irem para além da filantropia e da responsabilidade social “assistencialista”.

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EM RESUMO:

O QUE MUDOU A NÍVEL “INSTITUCIONAL”

A nível internacional todas as recomendações e tomadas de decisão convergem para acelerar a mudança da atitude empresarial:

O Rio + 20 que promove a entrada na Green Economy no contexto de erradicação da pobreza;

As recomendações do Global Compact que faz das empresas não apenas patrocinadores, mas motores e aliados do desenvolvimento;

O movimento do social business promovido pelo Professor Muhammad Yunus, Prémio Nobel da Paz que hoje se dedica a parcerias com as maiores multinacionais mundiais para desenvolver modelos de negócio que consigam resolver problemas sociais (Crédit Agricole, Danone, BASF, Intel, etc.) e que sejam fonte de inovação para as empresas, dando-lhe acesso a novos produtos, melhor conhecimento dos consumidores da base da pirâmide em co-construção com atores sociais. Todos estes projetos são construídos com um objetivo de rentabilidade;

As tomadas de posição do WBCSD, a maior coligação empresarial para a sustentabilidade, que defende o conceito do negócio inclusivo e da atuação das empresas dentro das suas áreas de competência e core business;

 Uma das iniciativas mais recentes da Comissão Europeia: nomeadamente a

Social Business Initiative defende o papel da economia social na União

Europeia e a transformação da sua relação com o mundo empresarial tradicional. De notar que este tema está a ser liderado pela Direção do Mercado Único;

 Segundo a Comissão Europeia, o mercado único precisa de um novo crescimento inclusivo, orientado para a empregabilidade para todos. Os temas da economia social e da inovação social estão no centro da Estratégia 2020, do Acto para o Mercado Único e na Plataforma Europeia Contra a Pobreza e a Exclusão Social.

O Plano de Emergência Social do Governo Português incide nas mesmas prioridades e visão da prática de responsabilidade das empresas, focando o desenvolvimento do voluntariado, o espírito de empreendedorismo e empreendedorismo social, assim como a necessária aliança entre os diferentes stakeholders e a criação de um Fundo Social, sendo estes os principais pilares deste plano.

O QUE MUDOU NAS EMPRESAS:

O que mudou no mundo e em Portugal (para as empresas mais pioneiras).

 Melhor definição de posicionamento e políticas: estratégia de filantropia corporativa estratégica etc. cada vez mais alinhada com o core business e os principais stakeholders.

 Melhor gestão da Responsabilidade Social: elaboração de critérios de atuação, definição de pilares, indicadores, melhor envolvimento das partes interessadas / menos passividade dos stakeholders e / ou da empresa.

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 Preocupação com a medição do impacto social.

 Maior preocupação com a Responsabilidade Social Interna e o risco de empobrecimento dos colaboradores, condições de vida, etc.

 Divisão entre projetos tradicionais de caridade e criação de valor partilhado:

o Negócios inclusivos e BOP o Social business

o Apoio ao empreendedorismo

Mais especificamente em Portugal:

 A tomada de consciência pelas empresas da urgência de uma nova visão do que é a filantropia empresarial e uma gestão mais eficiente do seu investimento na comunidade;

 A adoção pelas empresas de modelos de responsabilidade social que incentivam a ouvir e envolver as partes interessadas em projetos de parceria.

 O início da implementação de metodologias de seleção e avaliação de projetos sociais

O interesse para o crowdfunding e outros instrumentos financeiros

Referências

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