UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA STYPHANY FERREIRA RABELO
O PROCESSO, OS MEIOS ELETRÔNICOS NA ESFERA PROCESSUAL E O E-PROC:
O PROCESSO ELETRÔNICO NA ESFERA DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA QUARTA REGIÃO
Florianópolis 2009
STYPHANY FERREIRA RABELO
O PROCESSO, OS MEIOS ELETRÔNICOS NA ESFERA PROCESSUAL E O E-PROC:
O PROCESSO ELETRÔNICO NA ESFERA DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA QUARTA REGIÃO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Ciências Jurídicas da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito.
Orientador: Prof. Msc. João Batista da Silva.
Florianópolis 2009
STYPHANY FERREIRA RABELO
O PROCESSO, OS MEIOS ELETRÔNICOS NA ESFERA PROCESSUAL E O E-PROC:
O PROCESSO ELETRÔNICO NA ESFERA DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA QUARTA REGIÃO
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado e aprovado em sua forma final pela Coordenação do Curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina- UNISUL.
________, _____ de __________________ de 2009. ___________________________________________ Prof. Msc. Orientador ___________________________________________ Prof... Membro ___________________________________________ Prof... Membro
TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE
O PROCESSO, OS MEIOS ELETRÔNICOS NA ESFERA PROCESSUAL E O E-PROC:
O PROCESSO ELETRÔNICO NA ESFERA DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA QUARTA REGIÃO
Declaro, para todos os fins de direito e que se fizerem necessários, que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico e referencial conferido ao presente trabalho, isentando Universidade do Sul de Santa Catarina, a Coordenação do Curso de Direito, a Banca Examinadora e a Orientadora de todo e qualquer reflexo acerca desta monografia.
Estou ciente de que poderei responder administrativa, civil e criminalmente em caso de plágio comprovado do trabalho monográfico.
Florianópolis (SC),11 de novembro de 2009.
Dedico esta monografia aos meus pais, irmãos, familiares, amigos e ao meu orientador, pelos anos de dedicação e incentivo em minha vida acadêmica, e por sempre acreditarem em mim, quando nem eu mesma acreditei.
AGRADECIMENTOS
Aos professores pelo incentivo, em especial ao professor João Batista da Silva pela sua disponibilidade e por toda atenção e compreensão dispensada durante a elaboração deste trabalho.
Aos meus pais, familiares, amigos, pelo apoio que me deram durante todo o tempo em que percorri este árduo caminho.
A todos aqueles que, de uma maneira direta ou indireta, contribuíram para a realização desta.
O processo tal como o conhecemos está acabando, vindo a seu lugar meio inédito, apto a novas realidades, que formará e criará parâmetros de um futuro em muito diferente do que se imaginava em nosso passado ou que se tem em mente em nosso presente. (Edison Aparecido Brandão).
RESUMO
A evolução do processo civil brasileiro, esta intimamente ligada com a historia vivenciada em cada época. Com a evolução tecnológica pelos séculos, desde independência do Brasil, hoje temos a disposição o processo inteiramente eletrônico, denominado E-Proc. Instituída pela lei 11.419, de 11 de dezembro de 2006, a informatização do processo judicial adveio para o devido ajustamento do Poder Judiciário ao avanço tecnológico da humanidade. Anteriormente a referida lei, penas iniciativas tímidas de tal ajustamento foram realizadas. Os princípios inerentes ao Processo Eletrônico como, por exemplo, a celeridade, nada mais é que a meta principal deste ajustamento tecnológico ao Poder Judiciário. O Processo eletrônico, inquestionavelmente, visa maior celeridade nos trâmites para as soluções das lides interpostas. Com a normatização da informatização do processo judicial, a presidência do Tribunal Regional da quarta região implantou mediante a resolução nº 13, de 11 de março de 2004 o Processo Eletrônico ou E-Proc no âmbito do Juizado Especial Federal.
Palavras-chave: Histórico processual brasileiro. Meios eletrônicos. Processo eletrônico. E-Proc.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 10
2 O HISTÓRICO DO DIREITO PROCESSUAL BRASILEIRO...13
2.1 O PROCESSO CIVIL NO BRASIL...13
2.1.1 O Regulamento 737...15
2.1.2 O Código de Processo Civil de 1939...16
2.1.3 O Código de Processo Civil de 1973...17
2.2 O PROCESSO NA CONSTITUIÇÃO...19 2.2.1 A Constituição de 1824...20 2.2.2 A Constituição de 1891...21 2.2.3 A Constituição de 1934...22 2.2.4 A Constituição de 1937...23 2.2.5 A Constituição de 1946...24 2.2.6 A Constituição de 1967...24 2.2.7 A Constituição de 1969...26 2.2.8 A Constituição de 1988...27
3 DA INFORMATIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO...28
3.1 DAS PRÁTICAS E ATOS PROCESSUAIS POR MEIO ELETRÔNICO...31
3.1.1 Exemplos de Práticas de Atos Processuais Eletrônicos Inseridos no Poder Judiciário...31
3.1.1.1 do leilão online...31
3.1.1.2 da penhora online...33
3.1.1.3 do diário de justiça...35
4 DA SEGURANÇA ELETRÔNICA DOS ATOS E PRÁTICAS PROCESSUAIS ELETRÔNICOS...36
4.1 DA ASSINATURA ELETRÔNICA...36
4.2 DA AUTORIDADE CERTIFICADORA ...38
5 E-PROC: O PROCESSO ELETRÔNICO E O PIONEIRISMO DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO...39
5.1 LEGISLAÇÃO...39 5.2 CONCEITO...40 5.3. PRINCÍPIOS...40 5.3.1 Da Publicidade...41 5.3.2 Da Economia Processual...42 5.3.3 Da Celeridade...42 5.4 DO FUNCIONAMENTO...44 5.4.1 Do Cadastramento...44
5.4.2 Da Segurança do Processo Eletrônico...44
5.4.3 Do Protocolo De Ações...45
5.4.3.1do acesso ao E-Proc...45
5.4.3.2 do envio de petição inicial...45
5.4.3.3 da anexação de documentos...46
5.4.3.4 do envio final da petição inicial...46
5.4.4 Do Controle de Prazos...47
5.4.4.1 da movimentação para protocolo de demais petições...47
6 CONCLUSÃO...48
1 INTRODUÇÃO
A escolha do tema da presente monografia visa maior interação do poder judiciário com a sociedade, reduzindo a distância entre a justiça e o cidadão. A facilidade de acesso proporciona e possibilita aos magistrados e demais interessados a resolverem a lide, sem comparecer à sede da justiça, bem como a facilidade de acesso instantâneo aos dados do processo com a conseqüente redução de custos.
Apesar de ser um tema novo, e, conseqüentemente, haver restrição bibliográfica, tal limitação não impede a produção desta, que tem como objetivo maior à informação do funcionamento do sistema E-Proc, que é o primeiro processo integralmente eletrônico.
A evolução dos meios eletrônicos que foram inseridos ao nosso cotidiano, também se fazem necessárias junto ao poder judiciário. Primeiramente essas evoluções ocorreram de formas tímidas, porém, visando sempre à celeridade dos atos praticados e o trâmite de ações interpostas. Edições de leis se fizeram indispensáveis para a efetivação da gradativa informatização ao poder judiciário.
Freqüentemente o poder judiciário está inserindo meios ou práticas eletrônicas em seu sistema, para não transformar a solução de um litígio em anos de espera e agonia. Essa virtualização é bem-vinda, pois possibilitará um avanço significativo na presteza dos julgamentos. Como é sabida, a agilidade na aplicação da justiça não só repara ao ofendido como inibe o ofensor.
Os procedimentos eletrônicos, como qualquer ato inovador, geraram dúvidas e desconforto aos seus usuários. Os questionamentos sobre sua autenticidade, fez surgir meios como a assinatura digital e autoridades certificadoras a fim de que tal sistema tenha mais credibilidade perante seus usuários.
A assinatura digital é abalizada por criptografia assimétrica de chave pública e chave privada; números que apenas são passíveis de serem codificados por aqueles que possuem sua descodificação. As autoridades certificadoras são as detentoras do fornecimento das chaves, podendo ser consultadas a todo o tempo.
Após o avanço tecnológico nos atos praticados nos meios eletrônicos no poder judiciário, inevitavelmente, foi instituído o processo integralmente eletrônico.
Com o processo integralmente eletrônico os advogados, por exemplo, não mais necessitam se deslocar à sede da justiça para o protocolo de peças processuais, podendo realizar o protocolo em seus escritórios ou qualquer lugar do mundo que possua acesso a internet. Dificilmente ocorrerão extravios de processos, que obrigavam a instalar a famosa restauração de autos. Inúmeras e constantes são as benesses que advirão desse novo sistema.
O Tribunal Regional Federal da 4ª região obteve o pioneirismo no que tange ao processo integralmente eletrônico, instituiu, com a resolução nº 13, de 11 de março de 2004, o denominado “processo eletrônico – E-Proc, no âmbito dos Juizados Especiais, compreendendo os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O processo eletrônico surgiu com o objetivo de abolir a morosidade nos julgamentos dos pleitos, que indubitavelmente é a grande vilã do nosso sistema judiciário.
Norteado pelos princípios constitucionais da celeridade, economia processual e publicidade. O processo eletrônico é o melhor exemplo do máximo alcance, dentre os meios disponíveis pelo nosso poder judiciário, destes princípios.
Sua celeridade é inquestionável diante do imediatismo dos atos praticados, bem como a sua publicidade. A econômica processual advinda do meio eletrônico é algo notório.
O melhor aprimoramento e compreensão do processo eletrônico é algo indiscutivelmente necessário. Contudo, são inegáveis os benefícios advindos do referido avanço tecnológico, devendo, sobretudo uma maior abrangência de informações sobre o funcionamento deste.
O tema proposto por esta monografia tem como objetivo específico a análise da evolução processual, as práticas e atos processuais eletrônicos, e o peticionamento eletrônico junto ao Juizado Especial Federal de Santa Catarina, denominado E-Proc.
A partir da implantação do sistema de peticionamento eletrônico junto ao Juizado Especial Federal de Santa Catarina, as decisões dos litígios foram
brevemente resolvidas, haja vista o fato de a informatização acelerar todo o processo para uma decisão célere. Contudo, o sistema precisa de aprimoramentos, apesar da grande evolução que trouxe ao sistema judiciário. A problematização trazida à baila é no que tange as limitações do sistema E-Proc.
O método de abordagem utilizado será o dedutivo, pois, ele parte de premissas gerais, em busca de uma verdade particular. Partirá da análise histórica do processo civil até o peticionamento eletrônico, analisando benefícios e desvantagens deste modelo bem como demonstrando o seu funcionamento com base em diversas interpretações doutrinárias.
O método de procedimento será o monográfico, pois parte do princípio de que qualquer caso que se estude com profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros casos, ou até de todos os casos semelhantes. A técnica de pesquisa é a bibliográfica, englobando doutrinas, artigos e etc. A presente monografia é dividida em quatro capítulos principais, sendo eles: O histórico do direito processual brasileiro, da informatização do poder judiciário, da segurança eletrônica dos atos e práticas processuais eletrônicos e E-proc: o processo eletrônico e o pioneirismo do tribunal regional federal da 4ª região. Ressalta-se, ainda, que ocorreram expressões em vernáculo, sendo a tradução da autora.
2 O HISTÓRICO DO DIREITO PROCESSUAL BRASILEIRO
Indubitavelmente a vida em sociedade necessita ser normatizada para regular as relações entre seres humanos. Diante desta certeza se fez necessário o surgimento do direito. O direito é um conjunto de normas a fim de regular a vida em sociedade. Entretanto, a correta aplicação desta norma se faz necessária. Para a efetivação desta aplicabilidade surge o Direito Processual. O Direito Processual utiliza, através do processo que é o instrumento de atuação do direito material, a solução das lides estabelecidas entre as partes. (FRANCO, 2009, p.1).
No que tange as normas processuais pondera-se
As normas jurídicas processuais surgiram para regulamentar à administração da Justiça depois de sentida a necessidade de se resolver os conflitos sociais por uma autoridade pública. A função pacificadora de composição dos litígios era realizada por uma jurisdição contenciosa. Interesses privados eram tratados de forma mais administrativa através da jurisdição voluntária. (DUTRA, 2008, p.1)
O processo foi instituído com o objetivo de limar a “justiça com as próprias mãos”, sendo os conflitos submetidos a uma autoridade pública. Havia a necessidade de uma autoridade imparcial que pudesse gerir os conflitos e aplicar suas sanções. Esta função foi confiada ao Estado. O Estado sentiu a necessidade de normas processuais jurídicas, que resultaram no direito processual. (FRANCO, 2009, p.1).
2. 1 O PROCESSO CIVIL NO BRASIL
O direito brasileiro está ligado ao direito português, este por sua vez está ligado ao direito ocidental. (FRANCO, 2009, p.1).
Sobre o direito Português e sua importância e incidência no direito Brasileiro discorre-se:
Em Portugal, em 1211, com Afonso II, as suas primeiras leis gerais foram assumindo lugar das costumeiras até as Ordenações, sem, contudo anular totalmente aquelas. O Brasil nasceu sob o império das Ordenações Afonsinas, editadas em 1446 consolidando a legislação da época, desde Afonso II a Afonso V. Devemos ressaltar que as Ordenações Afonsinas não foram uma verdadeira codificação do direito e sim uma compilação coordenada e que se dividia em 5 livros, sendo o Livro III, com seus 128 artigos destinados ao processo civil. Em seu terceiro livro, abordava os atos judiciais e a ordem que tais atos deveriam obedecer, situando-se nele a parte propriamente processual.
As Ordenações Afonsinas tiveram como fonte a legislação feudal ou costumeira, o direito romano justinianeu inserido no “corpus juris” o direito canônico e as Decretais de Gregório IX, vigorando em nosso país até 1521, quando ocorre então, a publicação das Ordenações Manuelinas.
De 1521 até 1603 vigoraram as Ordenações Manuelinas. Atendiam mais ao interesse da realeza do que ao das outras instituições, fortalecendo o poder absoluto do Rei.
Na distribuição das matérias, seguem a do código anterior, alterando somente a ordem dos títulos, artigos e parágrafos.
A partir de 1603, foram promulgadas as Ordenações Filipinas, que seguiram o método e a sistematização das matérias manuelinas, em cinco livros. Algumas modificações em matéria processual foram observadas, como por exemplo, as funções judiciárias se limitaram ao julgamento, com o juiz-presidente, das ações de injúria verbal, pequenos furtos, depois de previamente processadas pelo mesmo juiz com o tabelião do judicial. O Brasil viveu, portanto, sob três ordenações que foram consideradas grandes codificações da época, além das cartas dos Donatários, dos governadores e dos ouvidores. Importante ressaltar que a divisão dos poderes só foi reconhecida, no Brasil, com a Constituição de 1824, deste modo, até então, confundia-se o judicial, administrativo, fiscal e militar, como em toda a Antiguidade.
Já em 1832 foi promulgado o Código de Processo Criminal de primeira instância, com a disposição provisória sobre a administração da justiça civil, em 27 artigos. (FRANCO, 2009, p.7).
Entre os anos de 1500 a 1808, pode-se afirmar que o Direito Brasileiro era resumido em deturpações da legislação portuguesa, que possuía o objetivo de adequá-la a realidade da colônia. (BONA, 2008, p.1).
2.1.1 O Regulamento 737
Outro ordenamento jurídico de grande importância histórica foi o Decreto 737, de 25 de novembro de 1850, ou, como é mais conhecido, o Regulamento 737. Este tinha como objetivo disciplinar o processo comercial, porém em 1890, passou a ser utilizado em causas civis. (SOUZA, 2002, p.1).
Sobre o regulamento 737 pondera-se:
Em 25 de novembro de 1850, voltado especialmente para o Direito Comercial, entrou em vigor o Regulamento 737. Tivemos, pois, o primeiro código de processo elaborado no Brasil. Nesse intervalo de tempo, o Processo civil voltava a ter sua disciplina ditada pela legislação portuguesa, pelas Ordenações e suas diversas alterações. Tantas eram essas leis sobre o processo civil, que a Coroa encarregou o Conselheiro Antonio Joaquim Ribas de proceder à “Consolidação das Leis do Processo Civil”.
Mas, a Consolidação de Ribas não foi apenas um trabalho (fruto) de mera compilação. Seu autor foi além, reescrevendo muitas das disposições vigentes. Segundo as palavras do Conselheiro Antonio Ribas, sua Consolidação das leis do processo civil era “uma síntese das teses legislativas, deduzidas do nosso direito, bem como do subsidiário, do romano e do consuetudinário científico”. Houve, assim, verdadeiro trabalho de criação de algumas normas, de acordo com a interpretação do conselheiro e sempre com forte inspiração em textos do direito romano. Veio a República e com essa a edição de novas normas de interesse para o processo civil, em especial, o Decreto n. 763, de 19 de setembro de 1890, que cuidou de estender aos processos cíveis o Regulamento 737, o qual atendia, naquele tempo, com eficiência e rapidez, às causas relacionadas com o Direito Comercial. (VIANA, 2009, p.2)
O objetivo do regulamento 737 era determinar a ordem de juízo no processo comercial. Porém, em virtude de prolongadas campanhas e críticas em 1871 foi restabelecidas as orientações do antigo código de processo criminal. Após, em 1876, passou a existir a consolidação das leis do processo civil, que passou a ter força de lei. Tal consolidação possuía duas partes, uma referente à organização judiciária e a segunda referente à forma do processo. (FRANCO, 2009, p.8).
Levando-se em conta a época da elaboração e as condições brasileiras, tal regulamento, não apenas pela linguagem precisa e clara, como também pela simplificação dos atos processuais entre outros, marcou sem dúvida uma fase de progresso em nosso direito processual. (SANTOS, 1981, p. 52)
2.1.2 O Código de Processo Civil de 1939
A inovação trazida à baila sobre o código de 1939, é o que tange a unidade processual.
Sobre a instauração do novo Código Civil brasileiro de 1939 ressalta-se:
Com o advento da Constituição de 1934, foi adotado o princípio da unidade processual. Em outras palavras, à unidade do direito material deveria corresponder a do direito processual.
A Carta em destaque era expressa (art. 51. XIX, a) no sentido de que competia privativamente à União legislar sobre „„direito penal, comercial, civil, aéreo e processual (...)‟‟.
Ademais, no art. 11 das Disposições Transitórias, a Lei Fundamental de 1934 prescreveu: „„O governo, uma vez promulgada esta Constituição, nomeará uma comissão de três juristas, sendo dois ministros da Corte Suprema e um advogado, para, ouvidas as congregações das Faculdades de Direito, as Cortes de Apelações dos Estados e os Institutos dos Advogados, organizar, dentro em três meses, um projeto do Código de Processo Civil e Comercial, e outros para elaborar um projeto do Código de Processo Penal‟‟.
Tal dispositivo não fez fortuna e, como se sabe, o Código de Processo Civil unitário só adviria em 1939, com a edição do Decreto-Lei 1608, de 18 de setembro de 1939, vigendo até 31 de dezembro de 1973, posto que em 11 de janeiro de 1974 entrou em vigor o código Buzaid (Lei 5.869, de 11/1/1973).
O código de 1939 dispunha (art. 1º) que „„o processo civil e comercial em todo território nacional (reger-se-ia por ele) salvo os feitos por ele não regulados, que constituíssem objeto de lei especial‟‟.
A grande crítica que se fez, de pronto, a esse de código de ritos, foi à limitação do seu campo, ensejando que permanecessem em vigor muitas leis processuais extravagantes, como as referentes a ações de desapropriação, de acidentes de trabalho, de renovação de letra de câmbio,
executivos fiscais e tantas outras.
De certo modo, contudo, foi essa também a linha seguida pelo código de 1973, ao dispor, em seu art. 1218, que continuavam em vigor, até serem incorporados nas leis especiais, dezesseis procedimentos especiais (constantes de elenco expresso), regulados pelo Decreto-lei nº 1.608, de 18/9/1939. (SOUZA, 2002,p.1).
[...]dizia-se, com razão, que dois espíritos coabitavam o Código, formando uma parte geral impregnada de idéias novas, enquanto as que tratavam dos procedimentos especiais, dos recursos e da execução se ressentiam „de um execrável ranço medieval. (THEODORO JÚNIOR, 2007, p. 17)
Existindo a competência da União para legislar sobre o processo, se fez necessário um novo Código de Processo Civil. Tal trabalho foi apresentado por Pedro Batista Martins, advogado, que revisto pelo então Ministro da Justiça Francisco Campos, por Guilherme Estellita e por Abgar Renault, transformou-se no Código de Processo Civil de 1939. As principais características desse novo Código é a adoção do princípio da oralidade, e a concessão em tradição, especialmente ao que tange recursos, bem como a multiplicação de procedimentos especiais. (FRANCO,2009, p.9).
2.1.3 O Código de Processo Civil de 1973
Diante de duras críticas pela doutrina e também o surgimento de várias leis extravagantes, se fez necessário a reformulação do Código de Processo Civil de 1939. O governo Federal, por sua vez, incumbiu Alfredo Buzaid, professor da Faculdade de Direto de São Paulo, de elaborar o anteprojeto do Código de Processo Civil. O anteprojeto foi revisto por José Frederico Marques, Luís Machado Guimarães e Luís Antônio de Andrade e submetido ao Congresso Nacional sendo aprovado e promulgado pela Lei 5.869/73. Surgindo assim o novo Código de Processo Civil atualmente em vigor. O Código de Processo Civil possui 1.220 artigos, divididos em cinco livros: I - do processo de conhecimento; II - do processo de execução; III - do processo cautelar; IV - dos procedimentos especiais; V - das disposições finais e transitórias. (FRANCO, 2009, p.9 e 10).
Sobre o código de processo civil de 1973 pondera-se:
[...] Através do novo estatuto processual, não se procedeu a uma simples reforma de nossa legislação formal; operou-se uma grande atualização,
criando-se, realmente, um código novo, e assinalou-se uma nova etapa na evolução do direito processual entre nós. (THEODORO JÚNIOR 2007, p. 18)
Acrescenta-se, ainda:
[...] Além de procurar corrigir as falhas e deficiências da legislação de 1939, o atual Código de Processo Civil trouxe completa reforma no processo de execução e no cautelar. Ao demais, deu ordenação sistemática aos procedimentos de jurisdição voluntária, o que até então não se continha em nenhuma lei ou código pretérito. (MARQUES, 1998, p. 116)
Dividido em cinco livros, onde o primeiro traz á baila o processo de conhecimento, que disciplina a competência dos órgãos do Poder Judiciário, bem como regula os sujeitos do processo ditando regras a respeito do procedimento ordinário e o sumário, o processo nos tribunais, além de disciplinar os atos processuais e suas nulidades. O segundo livro aborda o processo de execução, disciplinam os títulos executivos judiciais e extrajudiciais, a competência em matéria executiva, a responsabilidade, e as sanções, além de várias espécies de execução com procedimentos diferenciados. O terceiro livro disciplina todo o processo cautelar. O quarto livro é onde estão os procedimentos de jurisdição contenciosa e de jurisdição voluntária. E finalmente no quinto e ultimo livro estão às disposições finais e transitórias. (FRANCO,2009,p.10).
Sobre as alterações deste código analisa-se:
Muitas alterações foram realizadas desde que se tornou vigente o código de 1973 buscando sempre à simplificação dos atos em geral e procedimentos para uma maior agilidade do serviço jurisdicional. Veremos a seguir algumas das mais importantes alterações já sofridas: I - Lei 7.347/85 (Ação Civil Pública); II - Lei 8.009/90 (Impenhorabilidade do imóvel residencial do executado – bem de família); III - Lei 8.078/90 (Código de defesa do Consumidor); IV - Lei 8.952/94 (disciplina a tutela antecipada e a tutela específica das obrigações de fazer e não fazer); V - Lei 9.079/95 (Processo monitório); VI - Lei 9.099/95 (derroga a antiga Lei de Pequenas Causas e disciplina os Juizados Especiais); VII - Lei 9.245/95 (altera significativamente o procedimento sumário); VIII - Lei 9.307/96 (Lei da arbitragem); IX - Lei 9.868/99 (disciplinou o processo de ação direta de constitucionalidade ou de constitucionalidade); X - Lei 10.444/02 (alterações relativas à tutela antecipada, ao procedimento sumário, à execução forçada). (FRANCO 2009,p.11)
A evolução histórica do processo civil brasileiro é marcada pelo formalismo em todas as suas fases. Ainda que assuma a importância do cumprimento dos ritos do processo, princípios como a instrumentalidade do processo, ganham cada vez mais importância nos dias atuais, pois, é evidente que o excesso de formalidades antes de ser uma garantia, pode constituir-se em um impedimento à justiça. Diante desses fatos muitos processualistas exaltam os princípios da instrumentalidade, da oralidade, do acesso a justiça, da efetividade do processo e da economia processual, como metas a serem atingidas pelo processo civil moderno. (DUTRA,2008,p.1).
O principio da instrumentalidade é indispensável, se faz necessário ter à consciência de que o processo não é mero instrumento técnico a serviço da ordem jurídica, mas, acima disso, um poderoso instrumento ético destinado a servir à sociedade e ao Estado. (CINTRA, GRINOVER E DINAMARCO 2003, p. 45),
Diante do exposto, se faz necessário à análise sobre o histórico da nossa Carta Magna.
2.2 O PROCESSO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Oportuno também é a abordagem histórica processual da nossa Carta Magna.
Sobre a evolução constitucional do Brasil pondera-se:
TRAÇANDO a evolução constitucional do Brasil devemos concentrar todo o interesse indagativo e toda a diligência elucidativa numa seqüência de peculiaridades, de ordem histórica e doutrinária, que acompanharam e caracterizaram o perfil das instituições examinadas, designadamente com respeito à concretização formal e material da estrutura de poder e da tábua de direitos cujo conjunto faz a ordenação normativa básica de um Estado de poderes limitados.(BONAVIDES, 2000, p.1)
Após a independência do Brasil, se fez necessária uma constituição própria independente das normas portuguesas.(COELHO,2009,p.1)
2.2.1 A Constituição de 1824
Dom Pedro I, após a dissolução da Assembléia Constituinte, declarou que convocaria outra assembléia, que trabalharia sobre o projeto de constituição. Esta deveria ser mais liberal do que a assembléia dissoluta. Entretanto, isso não Ocorreu. Um conselho de Estado formado por dez membros, escolhidos pelo imperador, tinham como tarefa redigir o projeto de constituição. Em 25 de março de 1824, no Rio Janeiro, foi outorgada a Constituição Política do Império do Brasil. Tal constituição estabelecia um governo monárquico, hereditário, constitucional. A Marca mais característica desta constituição foi à instituição do quarto poder, o moderador, ao lado do executivo, legislativo e judiciário. Este quarto poder era exclusivo do monarca. Detentor do poder o imperador nomeava os membros vitalícios do Conselho de Estado, os presidentes de província, as autoridades eclesiásticas da Igreja oficial católica apostólica romana, o Senado vitalício. Também nomeava e suspendia os magistrados do Poder Judiciário, assim como nomeava e destituía os ministros do Poder Executivo. Utilizando-se deste quarto poder, Dom Pedro I aprovava ou não as decisões da Assembléia Geral, além de convocar ou dissolver a Câmara dos Deputados. Dessa forma, o imperador concentrava um poder sem paralelo, o que demonstrava o caráter centralizador e autoritário da organização política do Império do Brasil. (FONNTES SANTOS,2003,p.1)
2.2.2 A Constituição de 1891
A constituição de 1891, foi à primeira Constituição Republicana. Para sua elaboração uma Assembléia Constituinte foi realizada para discutir o projeto, que foi elaborado em sua grande parte por Rui Barbosa.Tal Constituição era inspirada no modelo americano. Era basicamente Republicana, federativa, presidencialista e liberal. O Brasil passava a ser uma República federativa, ou seja, cada Estado possuía autonomia. A nova Constituição estabelecia três poderes: Executivo, Legislativo e o Judiciário. A escolha dos ministros cabia ao presidente. O regime era presidencialista. A Constituição garantia aos cidadãos os direitos e as liberdades individuais, no entanto, o voto era apenas para os homens, maiores de 21 anos, o que reduziu o eleitorado a 5 % da população. O liberalismo estava reservado para o desfrute de uma minúscula elite. O voto era descoberto, ou seja, não-secreto, o que permitia, a realização da fraude eleitoral. (SIRUGI, 2008, p.1)
No que tange a constituição de 1891 pondera-se:
A primeira Constituição republicana brasileira, resultante do movimento político-militar que derrubou o Império em 1889, inspirou-se na organização política norte-americana. No texto constitucional, debatido e aprovado pelo Congresso Constituinte nos anos de 1890 e 1891, foram abolidas as principais instituições monárquicas, como o Poder Moderador, o Conselho de Estado e a vitaliciedade do Senado. Foi introduzido o sistema de governo presidencialista. O presidente da República, chefe do Poder Executivo, passou a ser eleito pelo voto direto para um mandato de quatro anos, sem direito à reeleição. Tinham direito a voto todos os homens
alfabetizados maiores de 21 anos.
O Poder Legislativo era exercido pelo Congresso Nacional, formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. O poder dos estados (antigas províncias) foi significativamente ampliado com a introdução do princípio federalista. Os estados passaram a organizar-se com leis próprias, desde que respeitando os princípios estabelecidos pela Constituição Federal. Seus governantes, denominados presidentes estaduais, passaram a ser eleitos também pelo voto direto. Foi abolida a religião oficial com a separação entre o Estado e a Igreja Católica, cuja unidade era fixada pela
antiga Constituição Imperial.
Durante grande parte da Primeira República (1889-1930) desenvolveu-se um intenso debate sobre a necessidade de se reformar a Constituição de 1891. Muitos reformadores defendiam a ampliação dos poderes da União e do presidente da República como forma de melhor enfrentar as pressões advindas dos grupos regionais. A Emenda Constitucional de 1926 iria em parte atender a essas demandas centralizadoras. A Revolução de 1930 encerraria o período de vigência dessa primeira carta republicana. (FONNTES SANTOS, 2003, p.1)
2.2.3 A Constituição de 1934
Sobre a constituição de 1934 verifica-se:
A Constituição de 1934 confirmou o nome de Getúlio Vargas para Presidente da República Federativa do Brasil. Visando a melhoria das condições de vida da grande parte dos brasileiros, a Constituição de 1934 criou leis sobre educação, trabalho, saúde e cultura. (RODRIGUES, 2008, p.1)
Em 16 de julho de 1934, foi promulgada a nova Constituição. Tal constituição trazia à baila a inovação da Justiça do Trabalho, o salário mínimo, jornada de trabalho de oito horas diárias, férias anuais remuneradas e descanso semanal. Outra inovação foi o capítulo exclusivo a família, decorrente da pressão da bancada católica. (FONNTES SANTOS,2003, p.1).
2.2.4 A Constituição de 1937
Sobre a constituição de 1937, pondera-se:
Assembléia Constituinte elegeu Getúlio Vargas para a presidência da República, cargo que seria exercido até 3 de maio de 1938. Em meados de 1937, os candidatos à presidência eram Armando de Sales Oliveira, José Américo de Almeida, Plínio Salgado, e Luís Carlos Prestes.
As eleições não ocorreram, pois em novembro de 1937, Getúlio deu um golpe de estado. No mesmo mês, Getúlio Vargas outorgou a Constituição
do Estado Novo, elaborada por Francisco Campos, sendo uma Constituição autoritária e centralizadora.
Na Constituição do Estado Novo, o Presidente da República era considerado autoridade suprema e coordenador maior das atividades dos órgãos representativos, sendo de política interna e externa. Além de orientar os caminhos da política legislativa.
A autoridade do Judiciário estava suprimida perante o presidente, havendo também censura prévia na imprensa. Getúlio Vargas possuía o poder de dissolver o Congresso e de indicar o candidato à sua sucessão.
Segundo o artigo 180, o presidente tinha livre direito de expedir decretos-leis sobre o legislativo. Após a derrota do fascismo e do nazismo, ocorrera uma abertura de liberalidades no governo Vargas, havendo até a marcação de eleições futuras. Em 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas fora deposto por um movimento liderado pelo General Góis Monteiro. (REBOUÇAS, 2009,p.1)
Em 10 de novembro de 1937, depois de fechar o Congresso, Vargas, em decorrência da ditadura “do Estado novo”, promulga a Constituição de 1937, com a argumentação de fortalecer o Poder Executivo. Alegava, Vargas, que a Constituição de 1934, com seu liberalismo, havia enfraquecido e tornado vulnerável os interesses privados. (FONNTES SANTOS,2003, p.1).
A divisão do Poder Judiciário da Constituição de 1937 era organizada pelo Supremo Tribunal Federal, os Juízes e Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, e os Juízes e Tribunais militares . Ou seja, a ordem judiciária era muito limitada. A Constituição de 1937, fortaleceu o Poder Executivo, pois havia a concentração de Poder político nas mãos do Presidente da República, Getúlio Vargas. Este se utiliza de um poder ditatorial, em que o Congresso Nacional foi dissolvido. (VIEIRA DE ANDRADE,2009, p.1)
2.2.5 A Constituição de 1946
A constituição de 1946 foi promulgada em 18 de setembro de 1946. Tal constituição era liberal e democrática. Visava à preservação do regime republicano, federativo e presidencialista. Instituía o voto secreto e universal para maiores de 18 anos, exceto os analfabetos, cabos e soldados. Assegurava o direito de greve,à liberdade de associação de classe, de pensamento e de expressão. Estabelecia mandato presidencial de cinco anos, sem reeleição. (FERREIRA,2009, p.1)
Sobre a constituição de 1946 analisa-se:
Promulgada a 18 de setembro, por uma Assembléia eleita conjuntamente com o novo Presidente da República (General Eurico Gaspar Dutra) a 2 de dezembro do ano anterior, foram ilimitados os podres desta Assembléia, tanto por forca da interpretação do Tribunal Superior Eleitoral, como porque assim despreza expressamente a Lei Constitucional nº 13, de 12 de novembro de 1945.
As inovações da Constituição digna de destaque estão:o restabelecimento do cargo de Vice-presidente da República, supresso em 1934; a criação do Tribunal Federal de Recurso e do Conselho Nacional de Economia; a integração da Justiça do Trabalho no âmbito do poder judiciário; o dispositivo que vedou a organização, registro ou funcionamento de qualquer partido político ou associação fujo o programa da ação contrariasse o regime democrático; dentre outras. (FONNTES SANTOS, 2003, p.1)
2.2.6 A Constituição de 1967
Sobre a constituição de 1967, salienta-se:
Comparada com a Constituição de 1946 a Constituição de 24 de janeiro de 1967, que entrou em vigor a 15 de março, apresenta graves retrocessos:
a) suprimiu a liberdade de publicação de livros e periódicos ao afirmar que não seriam tolerados os que fossem considerados (a juízo do governo) como de propaganda de subversão da ordem (A Constituição de 1967 afirmava, em princípio, que a publicação de livros e periódicos independia de licença do poder público. Enquanto a Constituição de 1946 estabelecera que não fosse tolerada a propaganda de processos violentos para subverter a ordem política e social art. 141, 5º - a Constituição de 1967 passou a proibir a propaganda de subversão da ordem, sem exigir a qualificação de processos violentos” para a incidência da proibição - art. 150 8º);
b) restringiu o direito de reunião facultando a policia o poder de designar o local para ela. Usando desse poder como artifício, a policia poderia facilmente impossibilitar a reunião. (A Constituição de 1946, ao determinar que a polícia pudesse designar o local para a realização de uma reunião. ressalvava que, assim procedendo, não a poderia frustrar ou impossibilitar. A Constituição de 1967 não reproduziu a ressalva);
c) estabeleceu o foro militar para os civis. (O foro militar, na mesma linha da emenda constitucional ditada pelo Ato institucional n.º 2, estendeu-se aos civis, nos casos expressos em lei, para repressão de crimes contra a segurança nacional ou as instituições militares art. 122. 1º. Pela Constituição de 1946 o civil só estaria sujeito à jurisdição militar no caso de crimes contra a segurança externa do pais ou as instituições militares - art. 108, 1º);
d) criou a pena de suspensão dos direitos políticos, declarada pelo Supremo Tribunal Federal, para aquele que abusasse dos direitos políticos ou dos direitos de manifestação do pensamento, exercício de trabalho ou profissão, reunião e associação, para atentar contra a ordem democrática ou praticar a corrupção - art. 151. (Essa competência punitiva do Supremo era desconhecida pelo Direito Constitucional brasileiro);
e) manteve todas as punições, exclusões e marginalizações políticas decretadas sob a égide dos Atos Institucionais. (O reencontro do caminho democrático só começou com Anistia, alcançada cm 1 979. Isto porque foi justa utente a Anistia que acabou com os efeitos de todas essas medidas ditatoriais);
f) em contraste com as determinações restritivas mencionadas nas letras anteriores, a Constituição de 1967 determinou que se impusesse a todas as autoridades o respeito á integridade física e moral do detento e do presidiário, preceito que não existia, explicitamente. Nas Constituições anteriores. (Esse artigo foi repetido na Constituição de 1988. A eficácia do artigo, na Constituição de 1967. ficou, entretanto ajuizada, em vista do clima geral de redução de liberdade e a conseqüente impossibilidade de denúncia dos abusos que ocorressem).
No que diz respeito aos direitos sociais, a Constituição de 1967 inovou em alguns pontos.
Registrem-se como inovações contrárias ao trabalhador: a redução para 12 anos da idade mínima de permissão do trabalho; a supressão da estabilidade, como garantia constitucional, e o estabelecimento do regime de fundo de garantia, como alternativa; as restrições ao direito de greve; a supressão da proibição de diferença de salários, por motivo de idade e nacionalidade, a que se referia a Constituição anterior.
Para tão imensos retrocessos, a Constituição de 1967 pretendeu compensar os trabalhadores com pequeninas vantagens.
Colhem-se como modestas inovações favoráveis ao trabalhador as seguintes: inclusão, como garantia constitucional, do direito ao
salário-família, cm favor dos dependentes do trabalhador; proibição de diferença de salários também por motivo de cor. Circunstância a que não se referia a Constituição de 1946; participação do trabalhador, eventualmente na gestão da empresa; aposentadoria da mulher, aos trinta anos de trabalho, com salário integral. (HERKENHOFF, 2009, p.1)
Após o fechamento do congresso Nacional em outubro de 1966, este abriu as portas para aprovar a constituição de 1966 e eleger o único candidato a presidente, Marechal Costa e Silva, para a presidência da República. Esta Constituição possuía com regras advindas basicamente pelo Ato Institucional n.º 4, de dezembro de 1966. Ao suspender a edição de Atos Institucionais, trazia em seu bojo grande parte do autoritarismo dos mesmos, mal chegando a ser posta em prática, sendo rapidamente atropelada por novos Atos Institucionais. (FONNTES SANTOS,2003, p.1).
2.2.7 A Constituição de 1969
Em 1969 houve a emenda constitucional n.1, que foi outorgada pela junta militar, que assumiu o poder em decorrência do Presidente da República, Costa e Silva, estar doente. Alguns doutrinadores não a considera uma Constituição. As principais alterações desta emenda são: Estabelecimento das eleições indiretas para o cargo de Governador de Estado,ampliação do mandato presidencial para cinco anos, e extinção das imunidades parlamentares.(BALTAZAR, 2006, P.1)
2.2.8 A Constituição de 1988
Sobre a constituição de 1988 pondera-se:
A Constituição de 1988, ao revés do que dizem os seus inimigos, foi à melhor das Constituições brasileiras de todas as nossas épocas constitucionais. Onde ela mais avança é onde o Governo mais intenta retrogradá-la. Como constituição dos direitos fundamentais e da proteção jurídica da Sociedade, combinando assim defesa do corpo social e tutela dos direitos subjetivos, ela fez nesse prisma judicial do regime significativo avanço. (BONAVIDES, 2000, p.1)
A constituição de 1988 foi o reencontro do pais com a democracia, conhecida também, como constituição cidadã, tal carta foi a que contou com maior participação popular. Possuía em seu texto a preocupação do Estado Brasileiro com os direitos Humanos e o cidadãos. (FONNTES SANTOS,2003, p.1).
Sobre a nossa atual Carta Magna verifica-se:
A Constituição Federal de 1988 é o reencontro do país com a Democracia, ou seja, é a expressão legítima da vontade do povo brasileiro, pois, só se pode considerar democrático o regime político fundado na soberania popular, e cujo objetivo último consiste no respeito integral aos direitos fundamentais da pessoa humana. (VIEIRA DE ANDRADE, 2009, p.1)
A fim de que haja maior efetivação dos princípios supra-expostos, foram inseridos ao poder judiciário, meios, atos, e práticas eletrônicas, conforme exposto no próximo capitulo.
3 DA INFORMATIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO
A adaptação do Poder Judiciário com o avanço tecnológico não foi imediata, decorreu gradualmente, conforme infra-exposto.
A evolução da legislação no Brasil no âmbito eletrônico deu-se com a denominada lei do FAX, lei 9.800 de 26 de maio de 1999. A referida lei iniciou a admissão do uso de tecnologia em processos judiciais. A instauração da lei supracitada possibilitou a entrega de petição via Fax, dando ao procurador prazo de 5 (cinco) dias para o protocolo do original. (MACÊDO, 2009, p.02).
1 Sobre a introdução do meio eletrônico na esfera judicial após a lei 9.800 de 26 de maio de 1999, atenta-se:
Deduzimos, então, ser possível, de conformidade com o permissivo da nova lei, a utilização de outros meios eletrônicos ou informatizados, dentre os quais se destaca, pela intensidade e extensão do seu uso nos dias atuais, a Internet e os correios eletrônicos em geral. (GONÇALVES, 1999, p.28)
Após essa inovação, e com a contínua informatização do sistema judiciário, se fez inevitável a formulação de novas leis, para a devida adaptação do judiciário ao desenvolvimento eletrônico.
Em detrimento do supra-exposto, foi editada a lei 10.259 de 12 de julho de 2001, a qual no âmbito do Juizado Especial Federal, assessora a recepção de petições e intimações da parte por meio eletrônico. Por conseguinte, adveio a emenda constitucional nº 45 de 2004, de grande importância a adaptação do poder judiciário ao meio eletrônico, e que acrescentou em nossa carta magna o inciso LXXVIII ao art. 5º, que frisa a aceitação de meios que busquem a celeridade. (LOVATO, 2009, p. 04; 06).
Outra mudança relevante deu-se com a da lei 11.280 de 16 de fevereiro de 2006, que altera o art. 154, em seu parágrafo único, do Código Civil. A modificação realizada dá aos tribunais, em sua jurisdição, a possibilidade de praticar e comunicar os atos processuais por meios eletrônicos. Com tantas inovações no âmbito legislativo, se fez necessário a edição da lei nº 11.419, a qual dispõe sobre a
informatização do processo judicial, em vigor desde 19 de dezembro de 2006, e que delimita a tramitação de processos judiciais no meio eletrônico, bem como a comunicação dos atos e a transmissão de peças processuais. A aludida lei se aplica a processos na esfera civil, penal, trabalhista e juizados especiais em qualquer grau de jurisdição. Define o que é processo eletrônico, bem como sua transmissão de dados e assinatura eletrônica. (LOVATO, 2009, p. 07; 12).
O avanço tecnológico advindo da evolução da sociedade, e inerente a este suas inúmeras facilidades, tornaram a modernização do judiciário brasileiro algo inevitável.
Pondera, o então presidente do Supremo Tribunal Federal, em seu relatório publicado no Diário da Justiça da União de 16 de fevereiro de 1972, sobre esperanças advindas na esfera cibernética quando postas a serviço do Direito:
O pioneirismo do STF e do Senado se refletem hoje nas home-pages das duas Casas, sem dúvida, as duas páginas brasileiras mais ricas em informações jurídicas, destacando-se, respectivamente, pela jurisprudência e pela legislação. (BALEEIRO apud ANDRADE, 2000,p.1)
Sobre a mesma linha, no que tange a informatização do poder judiciário ressalta-se:
[...] O novo direito processual que surge (verbo colocado propositadamente no presente, mas que também poderia ser colocado no passado ou no futuro que o sentido permaneceria o mesmo), com o uso da tecnologia da informação, é totalmente diferente do que imaginaram os grandes processualistas do século passado. Não há papel. Não há documentos físicos. Não há carimbos. Tudo é digital. Tudo é novo. Tudo é diferente. Esse novo processo, que, na onda dos modismos cibernéticos, pode ser chamado de e-processo (processo eletrônico), tem as seguintes características: a) máxima publicidade; b) máxima velocidade; c) máxima comodidade; d) máxima informação (democratização das informações jurídicas); e) diminuição do contato pessoal; f) automação das rotinas e decisões judiciais; g) digitalização dos autos; h) expansão do conceito espacial de jurisdição; i) substituição do foco decisório de questões processuais para técnicos de informática; j) preocupação com a segurança e autenticidade dos dados processuais; k) crescimento dos poderes processuais cibernéticos do juiz; l) reconhecimento da validade das provas digitais; k) surgimento de uma nova categoria de excluídos processuais: os desplugados. Nem pensem que essas mudanças ocorrerão daqui a vinte ou cinqüenta anos. Elas já iniciaram e caminham a passos rápidos. [...] O processo “virtual”, com o perdão do jogo de palavras, já é uma realidade. (LIMA, 2002, p.1).
A lei 11.419, de 11 de dezembro de 2006 instituiu a informatização do processo judicial. Com o advento desta lei é que passamos a ter as definições essências acerca dos meios do peticionamento eletrônico. Ou seja, a referida lei é a estrutura basilar do processo eletrônico. Além de definir os meios eletrônicos entre outros, modificou práticas e atos do poder judiciário, como por exemplo, a não vinculação ao horário forense. E ainda, intimações realizadas em portal próprio, quando esse houver. (BRASIL, 2006,p.1).
Sobre atos, praticas e meios, inerentes ao Poder Judiciário já inseridos na esfera eletrônica, evidencia:
Uma das maiores vantagens proporcionadas pela internet é a comodidade decorrente dos serviços oferecidos on-line. De seu escritório (que pode ser sua própria casa), o advogado pode elaborar sua petição sem precisar ir a uma biblioteca, pagar as custas processuais sem precisar se dirigir ao banco, e apresentar sua petição sem necessitar ir ao foro.
O peticionamento eletrônico já é previsto, timidamente, na Lei 9.800/99, que autoriza o envio de peças processuais por fac-símile (fax) “ou outro similar”, em cujo conceito se inclui o correio eletrônico. O lado negativo dessa lei é o fato de ela exigir a apresentação da petição original no prazo de 5 (cinco) dias da data do término do prazo, o que praticamente anula a utilidade do envio da petição por email.
Alguns Tribunais, atentos à evolução tecnológica, já dispensam a apresentação física da “petição original”, bastando à remessa da petição eletrônica.
Exemplo disso é a iniciativa do Tribunal Regional Federal da 1ª Região chamada “e-Jufe”, onde o advogado se cadastra no Sistema de Transmissão Eletrônica de Atos Processuais da Justiça Federal da 1ª Região e se habilita a utilizar o sistema, podendo peticionar sem precisar apresentar os documentos originais. Na verdade, o documento original é o próprio documento digital; a cópia seria o documento impresso.
Quanto ao pagamento on-line das custas judiciais, inúmeras transações bancárias já podem ser feitas através do computador. É possível calcular as custas processuais, expedir o respectivo „DARF‟ e efetuar o pagamento pela internet.
Em alguns Estados, já é possível acompanhar o andamento processual pelo telefone celular, através do sistema WAP (wireless aplication protocol), cuja utilidade ainda é um pouco limitada em razão do custo dos serviços de telefonia celular.
A Justiça Federal de São Paulo oferece, ainda, um serviço chamado Unidade de Resposta Audível (URP), em que o usuário pode ouvir, por telefone, pós seguir as orientações gravadas, informações sobre o andamento de um dado processo ou solicitar a impressão por fax de toda movimentação processual. O sistema é totalmente automatizado.
Em São Paulo, o Tribunal de Justiça fez um convênio com o banco Nossa Caixa, permitindo que o acompanhamento dos processos daquele tribunal seja feito pelos terminais remotos do referido banco espalhados por toda a cidade.
[...]
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina, mediante convênio com a empresa TIM, oferece um serviço de acompanhamento processual por celular, em que, toda vez que o processo é movimentado, o interessado recebe uma
mensagem informando a movimentação no telefone celular, através do TIMnet Mail. Seria uma espécie de sistema push, mas, ao invés de a mensagem ser enviada por e-mail, é enviada ao aparelho celular. (LIMA,2002,p.1)
É inegável que o avanço eletrônico já está inserido ao judiciário brasileiro, cabe apenas aos legisladores as adequações das normas aos avanços eletrônicos, visando assim à celeridade dos entraves processuais.
3.1 DAS PRÁTICAS DE ATOS PROCESSUAIS POR MEIO ELETRÔNICO
Já se encontram inseridas ao cotidiano do nosso poder judiciário, práticas de atos processuais por meios eletrônicos, a fim de “desafogar” os procedimentos processuais.
A respeito dos atos processuais por meio eletrônico salienta-se:
[...] os meios eletrônicos, hoje ao alcance do homem médio e expediente comum nos escritórios de advocacia e nas sedes das comarcas mais interioranas, podem e devem ser empregados a fim de se obter uma prática segura e ágil dos atos processuais, sejam eles levados a efeito pelas partes, juízes ou auxiliares da justiça. (SILVA, 2000,p.1)
Os efeitos pretendidos dos atos praticados é a comunicação às partes ou a quem os atos se destinem, ou imputem ônus ou obrigações. (LUNA FILHO, 2009,p.1).
Os atos das partes que utilizam o meio eletrônico de transmissão de dados são, em sua essência, os da petição, ou seja, os que vinculam pedidos ou requerimentos, nos quais as partes postulam providências ou práticas de um ato processual específico. (SILVA, 2000,p.1).
3.1.1 Exemplos de Práticas de Atos Processuais Eletrônicos Inseridos no Poder Judiciário
Algumas práticas de atos processuais, já eletrônicos, são de notório conhecimento dos práticos em direito, conforme infra-exemplificado.
3.1.1.1 do leilão online
A realização de leilão online, por exemplo, é prática comum dos que convivem no meio jurídico. O referido procedimento encontra-se devidamente normatizado.
Discorre o art. 689-A e parágrafo único do Código de.Processo.Civil:
Art. 689-A. O procedimento previsto nos artigos 686 a 689 poderá ser substituído, a requerimento do exeqüente, por alienação realizada por meio da rede mundial de computadores, com uso de páginas virtuais criadas pelos Tribunais ou por entidades públicas ou privadas em convênio com eles firmado.
Parágrafo único. O Conselho da Justiça Federal e os Tribunais de Justiça, no âmbito de suas respectivas competências, regulamentarão esta modalidade de alienação, atendendo aos requisitos de ampla publicidade,autenticidade e segurança, com observância das regras estabelecidas na legislação sobre certificação digital.(BRASIL,2006,p.1).
Interpretando o parágrafo único do artigo supra mencionado, é possível aguardar que instituições do próprio Estado organizem os sites, ou seja, incluindo nas próprias páginas dos tribunais, seção destinada para a publicação de editais de conforme o artigo 687, §3º . Os Tribunais poderão utilizar seus próprios sites na
Internet ou poderão liberar o anúncio, e a alienação destes bens para os lances, em
sites privados, de forma semelhante ao funcionamento dos sites de comércio livre e
leilão privado. A possibilidade de lances virtuais praticamente disponibiliza o bem a ser adquirido por qualquer interessado que tenha acesso à Internet, ampliando sobremaneira as chances de que a alienação se converta em dinheiro e satisfaça o crédito do exeqüente e trazendo uma transparência inédita ao sistema de execuções brasileiro. (GARCIA,2007,p.1)
3.1.1.2 da penhora online
A penhora on line, ainda, na mesma linha do tópico supra-exposto, já é de uso costumeiro, e de grande aceitação por parte dos advogados, uma vez que há a imediata penhora dos valores junto à conta bancária do executado, assim que deferido o pedido do exeqüente pelo magistrado em despacho.
Dispõe o art. 655-A do Código de.Processo.Civil:
Art. 655-A. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou aplicação financeira, o juiz, a requerimento do exeqüente, requisitará à autoridade supervisora do sistema bancário, preferencialmente por meio eletrônico, informações sobre a existência de ativos em nome do executado, podendo no mesmo ato determinar sua indisponibilidade até o valor indicado na execução. (BRASIL, 2006,p.1).
A penhora online é uma moderna forma de se efetuar a penhora em dinheiro, a qual faz uso dos recursos eletrônicos oferecidos. (ZAINAGHI, 2004, p.1)
Hoje, dado ao avanço dos meios informatizados por computadores, dá-se a chamada penhora "on line", através do convênio denominado "BACEN JUD", onde o Banco Central, mediante senha, permite aos Juízes e Tribunais do Trabalho, o bloqueio de valores e aplicações financeiras em nome do DEVEDOR. (GOMES, 2003,p.1):
Sobre a utilização da penhora online analisa-se
Dado à celeridade e praticidade obtida com o sistema, à penhora on line vem sendo utilizada com maior freqüência em ações trabalhistas e por vezes em Execuções Fiscais, a primeira por ser a natureza do crédito alimentícia, onde quer parecer que exige maior rapidez do poder judiciário devido à característica emergencial. Já a segunda, principalmente pelo fato do credor ser o Governo. (PEGINI,2009, p.1)
Esse procedimento é uma evolução jurídica, é eficaz para o cumprimento de decisões trabalhistas, trazendo maior credibilidade e agilidade. (MACHADO, 2004,p.1)
Porém a penhora online apresenta algumas falhas relevantes em seu sistema operacional.
No que tange falhas do sistema da penhora online, analisa-se:
Nos meandros de acessos por senhas e segredos que enlaçam o JUDICIÁRIO TRABALHISTA E O BACEN, determina-se o BLOQUEIO DE CONTAS, sem perscrutar a "ORIGEM DO DINHEIRO CONSTANTE DA CONTA OU DA SUA DESTINAÇÃO".
Neste desmedido afã, de aceleração procedimental irrefletido, penhoram-se SALÁRIOS, PROVENTOS DE APOSENTADORIAS, PENSÕES E OUTRAS VERBAS DE CARÁTER ALIMENTAR E OUTROS – QUE, POR DEFINIÇÃO LEGAL SÃO ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEIS (Incisos I a X do Artigo 649 do Código de Processo Civil).
Exemplificando mais:
1. Aplicações em Depósitos Bancários decorrentes de doações com cláusula de impenhorabilidade;
2. Provisões de alimentos e combustíveis necessárias a manutenção da família do devedor;
3. Vencimentos, soldos e salários; valores que se destinam ao exercício da profissão;
4. Valores intermediários de venda de bem de família para aquisição de outra moradia, ou de mesmo modo, valor transitório de veículo, para aquisição de outro, indispensável, como instrumento ao exercício profissional e sustento da família;
5. Valores destinados a aquisição de materiais para obras do bem de família;
A penhora pode vir a ultrapassar os limites da execução devido o fato de não ser possível restringir a constrição apenas sobre o valor devido. Outra falha é a demora para a liberação os valores bloqueados em excesso, ocasionando mais prejuízos que vantagens. (PEGINI, 2009.p.1).
3.1.1.3 do diário de justiça
Outra mudança significativa advinda da evolução tecnológica é a mudança no que tange o Diário de Justiça, que anteriormente era apenas acessível em sua versão em papel. (OAB/SP, 2007, p.1).
Sobre as vantagens do Diário de Justiça na forma eletrônica discorre-se:
O diário de justiça na forma eletrônica tem uma série de vantagens em relação à forma convencional impressa, em razão das funcionalidades permitidas com a utilização das tecnologias da informação. Diversas formas de consultas instantâneas podem ser implementadas em um determinado sistema de intimações eletrônicas. O sistema pode permitir que o interessado faça uma consulta ao Diário eletrônico utilizando dados como nome das partes, do advogado, do órgão julgador, entre outras possibilidades. O Diário Eletrônico da Justiça Federal da 4a. Região, por exemplo, faculta ao advogado pesquisar e obter, por meio do seu número de inscrição na OAB, todas as publicações cadastradas em seu nome. Também é possível buscar informações por órgão julgador ou visualizar o inteiro teor do documento, disponibilizado em um link específico. Por meio do Diário Oficial na forma impressa, a consulta é bem mais precária e restrita, pois as informações só são obtidas através da leitura do periódico específico, correspondente à data em que foram veiculadas. (REINALDO FILHO 2007,p.1)
A resolução 341 de 16 de abril de 2007 do Supremo Tribunal Federal, que Institui o Diário da Justiça Eletrônico, extinguiu em 31 de dezembro de 2007 a sua versão em papel. As edições do Diário da Justiça Eletrônico do Supremo Tribunal Federal são assinadas digitalmente, atendendo aos requisitos de autenticidade, integridade, validade jurídica e interoperabilidade da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil. (BRASIL, 2007, p.1).
4 DA SEGURANÇA ELETRÔNICA DOS ATOS E PRÁTICAS PROCESSUAIS ELETRÔNICOS
É inevitável o questionamento e a insegurança quanto à veracidade dos documentos gerados e enviados pela via eletrônica. Diante de todo o desconforto, gerado por uma futura fragilidade dentre um sistema que tem por pretensão “desafogar” o judiciário, foi instituída pela lei 11.419 de 19 de dezembro de 2006, a assinatura eletrônica nos meios eletrônicos utilizados pelo poder judiciário.
4.1 DA ASSINATURA ELETRÔNICA
Os Estados Unidos foram os precursores da iniciativa de legislar sobre assinatura eletrônica, para facilitar os comércios e outras relações contratuais via internet. (BRASIL, 2000, p.1).
Sobre a segurança das práticas dos atos processuais por meio eletrônico assinala-se:
Cuidado mínimo indispensável seria o cadastramento prévio do advogado na justiça local, quando interessado em se utilizar da Internet para a prática de atos processuais. Após uma perfeita e segura identificação do advogado, competiria a este a indicação de uma senha privada, a ser mantida em sigilo, através da qual se permitiria o seu acesso ao sistema de peticionamento virtual.
O ideal, contudo, seria a utilização do sistema assimétrico de encriptação de dados, o qual compreende a utilização de um par de chaves: uma denominada chave privada e outra chave pública, utilizada a primeira para encriptar a mensagem, e a outra para desencriptá-la. O valor deste sistema está em que apenas a chave de um dado par é capaz de desencriptar uma mensagem encriptada pela outra do mesmo par, e vice versa.
Tal sistema deveria ser empregado de tal forma que cada advogado militante na justiça local possuísse seu próprio par de chaves, pelo qual seria plenamente responsável, assim como cada juiz e promotor. Desta forma estaria garantida a segurança não só do peticionamento virtual, mas também possibilitada e assegurada à comunicação pelo mesmo meio eletrônico dos despachos e decisões judiciais, por via de intimações e notificações, com todos os efeitos legais de praxe.
Todavia, devido à complexidade da manutenção e segurança de tão enorme sistema, o mínimo que se exigiria a fim de simplificá-lo seria a sua utilização pelos juízes, donde a comunicação de despachos e decisões judiciais via Internet, àqueles profissionais do direito que de tais meios tenham se proposto a utilizar, seria possível e segura. (SILVA, 2000, p.1)
A assinatura eletrônica é baseada na criptografia assimétrica de chave pública e chave privada. São chaves matematicamente vinculadas entre si. A criptografia é uma técnica de codificação de textos que a mensagem se torna ilegível para quem não conhece o padrão utilizado. O padrão criptografado é manuseado para cifrar ou decifrar mensagens, e é conhecido como chave. (CASTRO, 2002, p.1).
No que tange a ciência da criptografia:
A Criptologia é a ciência que estuda a maneira mais segura e secreta para a realização das comunicações virtuais. É composta de Criptografia e Criptoanálise que nada mais representam o que foi exposto acima, ou seja, a criação de uma senha e a chave para decifrá-la.
2 AS TÉCNICAS DE ASSINATURA FEITAS POR MEIO DA CRIPTOGRAFIA CONSISTEM NUMA MISTURA DE DADOS ININTELIGÍVEIS ONDE É NECESSÁRIO O USO DE DUAS CHAVES, A PÚBLICA E A PRIVADA, PARA QUE ELE POSSA SE TORNAR LEGÍVEL. É COMO SE FOSSE UM COFRE FORTE QUE SOMENTE PARA QUEM TEM O SEU SEGREDO É ACESSÍVEL. (BRASIL, 2000, P.1)
O funcionamento da assinatura eletrônica dá-se da seguinte forma:
[...] Na sistemática atualmente adotada, aplica-se sobre o documento editado ou confeccionado um algoritmo de autenticação conhecido como hash A aplicação do algoritmo hash gera um resumo do conteúdo do documento conhecido como message digest, com tamanho em torno de 128 bits. Aplica-se, então, ao message digest, a chave privada do usuário, obtendo-se um message digest criptografado ou codificado. O passo seguinte consiste um anexar ao documento em questão à chave pública do autor, presente no arquivo chamado certificado digital. Podemos dizer que assinatura digital de um documento eletrônico consiste nestes três passos: a) geração do message digest pelo algoritmo hash; b) aplicação da chave privada ao message digest, obtendo-se um message digest criptografado e c) anexação do certificado digital do autor (contendo sua chave pública). Destacamos, neste passo, um aspecto crucial. As assinaturas digitais, de um mesmo usuário, utilizando a mesma chave privada, serão diferentes de documento para documento. Isto ocorre porque o código hash gerado varia em função do conteúdo de cada documento. (CASTRO, 2002, p.1)
A assinatura eletrônica nada mais é do que números que são passiveis de serem codificados apenas para aqueles que possuem a chave privada e sua
descodificação ou sua chave pública. Este mecanismo de codificação é quase que impossível ser descoberto. (BRASIL, 2000, p.1).
4.2 DA AUTORIDADE CERTIFICADORA
Na existência de dúvidas sobre a veracidade da assinatura eletrônica, existe mais um processo de segurança. Este processo é usado com a presença da autoridade certificante, que é responsável por fornecer as chaves, podendo ser consultada a qualquer tempo. (BRASIL,2000,p.1)
No Brasil possuímos a primeira autoridade certificadora criada e mantida pelo poder judiciário:
A AC-JUS é a primeira Autoridade Certificadora no mundo criada e mantida pelo poder judiciário. Foi criada após a edição da MP 2200/2001, que dá validade legal aos documentos assinados com certificados digitais emitidos dentro da hierarquia da ICP-Brasil. O Conselho da Justiça Federal decidiu pela criação de uma Autoridade Certificadora para possibilitar a definição de regras e perfis de certificados, específicos para aplicações do Judiciário. A AC-JUS alavancou definitivamente a implantação da Certificação Digital no Judiciário, com o desenvolvimento de aplicações para comunicação e troca de documentos, agora com validade legal, viabilizando dessa forma o advento do Processo Judicial Eletrônico (AC-JUS,2006,p.1)
A função básica da autoridade certificadora é a autenticidade digital, onde fica assegurada a identidade do proprietário das chaves. A autenticação é provada por meio do arquivo denominado como certificado digital. Este também é um documento eletrônico, e é assinado digitalmente pela autoridade certificadora. (CASTRO, 2000,p.1).