REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
NOIRIEL IGNÁCIO SANTOS LEAL
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA
MODALIDADE EADCURSOS DE GRADUAÇÃO Pró-Reitoria de Ensino
ORGANIZADORAS: Ana Paula Aparecida de Souza
Aparecida Cristina Cardoso Cristina Herold Constantino
MARINGÁ – PR 2015
Reitor: Wilson de Matos
Vice-Reitor: Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Ensino: Valdecir Antonio Simão Presidente da Mantenedora: Cláudio Ferdinandi
NÚCLEO DE FORMAÇÃO SOCIOCULTURAL E METODOLOGIA DA PESQUISA
Gestora da disciplina: Cristina Herold Constantino
Caro acadêmico:
O conteúdo que iremos estudar nesta semana é, na verdade, uma continuação ao conteúdo tratado em aulas anteriores sobre a Concordância Nominal e Verbal, pois irá abordar a Regência que se estabelece dentro da sentença entre o termo subordinante e o termo subordinado. Ou seja, ainda continuamos abordando a construção da oração e seus aspectos normativos que dão fluência à frase e, portanto, clareza no entendimento da mensagem que se pretende transmitir. Dessa forma, a
REGÊNCIA, seja Nominal ou Verbal, constitui-se em mais uma das ferramentas para uma boa escrita
e, consequentemente, uma boa elaboração de texto.
Já começamos, acima, abordando a questão da subordinação dentro da oração, pois o termo regente é quem irá subordinar e o termo regido é o subordinado. Essa situação acontece devido aos termos que regem a sentença, muitas vezes, não terem um sentido completo em si mesmo, necessitando de um complemento; em outras palavras, o termo regente está incompleto em seu significado e necessita de uma palavra que complete seu sentido. Então, a relação de regência é basicamente, uma relação de complementação do termo dominante pelo termo subordinado.
Outro fator interessante quanto a este assunto gramatical é que já possuímos de forma intrínseca um conhecimento relativamente bom na utilização dos termos de complemento, e não são tão notórios os problemas quanto à Regência na fala, salvo alguns casos de utilização bem enraizados na linguagem coloquial.
Conforme Faraco (2010) os problemas sobre Regência não são tão perceptíveis na oralidade, mas principalmente quando passamos para a escrita, pois normalmente nesse processo exigi-se um maior cuidado com a forma e em alguns momentos ficará mais evidente o porquê desse fato.
Continuamos, aqui, caro aluno, trabalhando a diretriz do aprendizado contínuo em busca de nos aperfeiçoarmos na apreensão da linguagem de maneira correta e consciente, para podermos utilizá-la com propriedade e, assim, cada vez melhor.
Então, vamos novamente caminhar um pouco mais juntos, pois quando abordamos os tópicos da nossa gramática passamos a entendê-la melhor e esse esforço resultará em conhecimento consciente e utilização da linguagem de forma adequada e inteligível.
1 REGÊNCIA
Conforme conversamos na introdução deste artigo, muitas vezes utilizamos a língua naturalmente de forma correta, porque é habitual em nossa linguagem cotidiana; no entanto, é necessário rever os parâmetros das regras, para aprimorarmos o domínio do conhecimento e não apenas seguirmos na inércia do uso intrínseco.
Podemos traduzir a palavra Regência que de acordo com o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, se traduz como: “ reger + ência . Ato ou efeito de reger. [...] Relação de dependência entre as palavras de uma oração.”
O termo que rege a sentença precisa de uma complementação de seu sentido e o termo regido virá para estabelecer esta relação de dependência.
A Regência pode acontecer, então, em dois âmbitos: o nominal e o verbal, dependendo do termo que rege e, consequentemente, do complemento regido .
Vamos começar abrangendo a Nominal.
1.2 REGÊNCIA NOMINAL
A Regência Nominal se estabelece dentro da oração quando o termo que rege a sentença é um nome. Lembramos, aqui, que os nomes podem ser os substantivos, os adjetivos e os advérbios. Dentro da Regência Nominal a relação de complementação será intermediada pelas preposições; então podemos começar relacionando as mais utilizadas, para uma visualização geral do assunto abordado.
Faraco (2010) diz que “uma das qualidades mais notáveis da língua é a flexibilidade. Há sempre muitas formas de transmitir as mesmas informações.” Então, nós, enquanto usuários da língua, podemos optar por uma ou outra palavra entre as muitas que o Português nos disponibiliza; no entanto, devemos fazer essa escolha da melhor maneira possível, ou seja, com apoio nas regras básicas de normatização.
Lembramos que quando falamos em Regência, falamos em necessidade de complementação da ideia apresentada. Vejamos, então, um exemplo de Regência Nominal: “a cidade fica longe de tudo”; destacamos em azul o advérbio e em vermelho o seu complemento, que está intermediado pela preposição “de”, porque quando falamos a cidade fica longe, logo virá a pergunta: longe de quê? Ou seja, mesmo dentro de uma frase pequena precisamos completar a ideia incluindo o complemento do nome para dar sentido pleno à oração.
A partir desta explanação, veremos a seguir alguns tópicos sobre a Regência Nominal que merecem destaque pela grande frequência com que aparecem em nosso cotidiano.
2 EMPREGO DA REGÊNCIA NOMINAL
Conforme Martins (1997) O Complemento Nominal representa para o nome o que o Objeto Indireto representa para o verbo: ambos complementam palavras que não têm sentido completo.
• Ele é bacharelem Filosofia. • João ficou contente com a nota.
• Isto é incompatívelcom os nossos atos.
As perguntas que faríamos aos nomes acima seriam: - Ele é bacharel em quê? Em Filosofia.
- João ficou contente com o quê? Com a nota.
- Isto é incompatível com o quê? Com os nossos atos.
Podemos perceber que o complemento nominal vem para esclarecer a pendência de ideia que ocorre nos casos apresentados. A pergunta é quase que automática. Ela tem medo...medo de quê?
Disponível em: www.qieducacao.com
Na imagem acima temos a frase: É frequente o descaso..., que não está com seu
sentido completo, até que se responda a pergunta: com o quê? Cuja resposta é: com o ensino público!
É importante elencarmos outros casos de utilização da Regência Nominal, cujos nomes regem complementos nominais preposicionados e para isso registramos a lista de Martins (1997), que elenca alguns exemplos de palavras regidas por preposições que introduzem complementos nominais:
Acessível ao povo.
Alheio ao mundo. Amor à verdade. Análogo à sua tese. Apego ao lar. Aversão a regimes. Avesso a homenagens. Certeza de sucesso. Colocação de quadros. Contrário ao estipulado. Desejoso de vingança.
(Des)favorável à pena de morte. Desprezo por alguém.
Digno de nota.
Equivalente a duas porções.
Fiel ao dono. Gosto pelas artes. Hábil em convencer. Idêntico ao nosso. Impróprio para menores.
(In)compatível com o seu gênio. Independentemente de nossa vontade. Inerente ao ser humano.
Isento de selo.
Nocivo à saúde.
Obediência aos superiores. Ofensivo à moral.
Prejudicial à saúde.
Referentemente ao assunto. Tolerante com os outros. Útil para nós.
2.1 CRASE
Na utilização da língua escrita vamos nos deparar com o surgimento da crase. A crase é a junção do “a” da preposição + o “a” do artigo do complemento,
ou do pronome demonstrativo.
Vamos analisar uma frase (acima listada):
Ofensivoà moral.
Ofensivo (a quem ou a quê?) + a moral
Ofensivoa + a moral
Ofensivo
à
moral Outro exemplo:Refiro-meàquela aluna nova.
Refiro-me (a quem?) + aquela aluna nova.
Refiro-me a + aquela aluna nova.
Refiro-me
à
quela aluna nova. (Poderia ser também:Refiro-me
à
quele caso)Com os exemplos, fica mais fácil a visualização de como ocorre a crase na oração; que acontece, como dissemos acima, devido à junção de dois “a” (da preposição + o artigo ou o
pronome demonstrativo). Por isso nunca ocorre crase quando a palavra está no masculino na questão do artigo, pois nome masculino nunca utiliza o artigo “a” e, portanto, não vai gerar a soma
que resultará na crase.
Ficou claro perceber porque é na escrita que podemos notar os problemas na utilização da crase. Se na fala não existe uma diferenciação fonética que determina o seu uso, na escrita ela deve ser destacada com a marcação do acento grave. Sendo assim, caso não seja utilizada corretamente, fica evidente a percepção desse fato, pois a própria escrita irá denotar tal situação.
Uma vez que conversamos um pouquinho sobre a Regência Nominal, podemos passar à Regência Verbal.
3. EMPREGO DA REGÊNCIA VERBAL
Disponível em: SP.BOMNEGOCIO.COM
Com base no Dicionário Prático de Regência Verbal iremos apresentar a utilização dos verbos e seus complementos, que é onde se estabelece a Regência denominada Verbal.
O verbo, assim como os nomes, também pode necessitar de complemento para dar a ideia completa que se pretende passar; e é importante saber que sua classificação irá depender do tipo de complemento que precisa.
Vamos começar com a classificação dos verbos, conforme a imagem abaixo:
3.1 VERBOS INTRANSITIVOS
São os verbos que dentro da frase já possuem ideia completa e, portanto, não precisam de complemento, sendo por isso denominados de Intransitivos. Vejamos alguns exemplos:
O pássaro voa.
As criançasbrincavam. O amormorreu.
Percebemos, com clareza, que conseguimos entender a ideia da frase e a mensagem que se quer transmitir.
3.2 VERBOS TRANSITIVOS
Conforme Martins (1997), os verbos transitivos são aqueles que não têm sentido completo. Exigem a presença de um complemento, que pode ser o objeto direto ou o objeto indireto.
3.2.1VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS
Profaxavier.blogspot.com
São os verbos que precisam de complementação de um objeto direto; ou seja, sem a intermediação de uma preposição entre o verbo e seu complemento.
Nas frases ao lado podemos ver exemplos da relação de dependência estabelecida de forma direta.
“Mariana comprou pão”, a pergunta é: comprou o quê? Pão. Vejamos que já na pergunta que se faz ao verbo não aparece a preposição, por isso é denominado de objeto direto, que neste caso é a palavra “pão”. Mesma situação no segundo exemplo: “Mariana abraçou Jaqueline.” A pergunta seria: Mariana abraçou quem? Jaqueline. Confirmamos novamente que na pergunta que se faz ao verbo transitivo não aparece a preposição.
3.2.2 VERBOS TRANSITIVOS INDIRETOS
No caso desses verbos a situação já é diferente, pois entre o verbo e seu complemento há a preposição, ou seja, existe a intermediação da preposição. Vejamos alguns exemplos:
Sideplayer.com.br
Nas frases exemplificadas ao lado, podemos ver a frase: “Aninha gostade pirulito”, a pergunta seria: gosta de quê? De pirulito. Conforme podemos verificar já na pergunta aparece a preposição “de” , sendo assim, este objeto é designado de indireto, pois está ligado ao verbo pela preposição. O mesmo acontece no segundo exemplo: “Maria se preocupacom o marido”, a pergunta seria: Se preocupa com quem? Com o marido. Da mesma forma vemos já na perguntaa presença da preposição, neste caso a palavra “com”.
3.2.3 VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS
São os verbos que precisam de dois complementos, o objeto direto e o indireto, na mesma sentença e, por isso, sua transitividade passa a ser direta e indireta; ou seja, um dos seus complementos não será intermediado por preposição e o outro sim. Vejamos alguns exemplos:
Eewbs3anodblogspot.com
“O pintor ofereceuo quadro a um amigo”, a pergunta seria: ofereceu o quê? O quadro. A quem? A um amigo. Então, na primeira resposta não existe a preposição (apenas o artigo) e na segunda já aparece a preposição na pergunta que fazemos ao verbo. Por isso, podemos ver que este verbo, então, é um
3.3 PARTICULARIDADES DOS VERBOS
Miriamtorres.blog.terra.com.br
Alguns verbos, dependendo do sentido, possuem mais de uma regência. T.D. – Transitivo Direto
T.I. – Transitivo Indireto
3.3.1 VERBO AGRADAR
O pai agradao filho. (acariciar) T.D.
O pai agradaao filho. (contentar - satisfazer) T.I.
3.3.2 VERBO ASPIRAR
Aspiraraquele ar empoeirado. (T.D.) (sorver)
Aspiramosàquele cargo. (T.I.) (desejar)
3.3.3 VERBO ASSISTIR
A enfermeira assiste o doente. (socorrer – ajudar) (T.D.)
Ou pode ser: assisteao doente. (T.I.)
Este é um direito que meassiste. (direito – razão) (T.I.)
O embaixador assisteem Lisboa.
(morar – residir) (T.I.)
Vamos assistirao filme. (T.I.)
(hoje alguns autores já admitem T.D. – assistiro filme)
3.3.4 VERBO PAGAR
Coisa – a – o (T.D.)
Pagaro banco.
Pagara conta atrasada.
Pessoa – à – ao (T.I.)
Pagarao padeiro.
Pagar à professora .
Pagar (a quem?)+aprofessora.
Pagar a+aprofessora.
Disponível em: quandonosfalamos.blogspot.com
Com este exemplo retomamos na questão da Regência, agora Verbal, como aparece a crase na escrita, que é simplesmente a junção da preposição “a” + o artigo “a” ou o pronome demonstrativo (como já apresentado na Regência Nominal).
3.3.5 PRONOMES “O” E “LHE”
No caso da utilização dos pronomes “o” e “lhe”, o “o” é objeto direto e o “lhe” objeto indireto. Ele devolveuo livro.
Ele devolveu-o.
Eu desejoa você toda a felicidade. Eu lhedesejo toda a felicidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Bom, caro aluno, procuramos apresentar de forma clara como ocorre o processo da Regência na utilização das preposições que podem, ou não, intermediar a complementação tanto Nominal quanto Verbal.
Sabemos que, como Faraco (2010) informa, já temos um conhecimento intrínseco sobre a utilização da regência no dia-a-dia e, portanto, os problemas com a questão da Regência irão aparecer mais acentuadamente na linguagem escrita, que normalmente é mais formal e deve ser melhor elaborada. No entanto, o caminho para um domínio consciente da gramática deve estar sempre aberto a novos conhecimentos e novas pesquisas.
Importante saber que neste campo de Regência podem surgir diferenças na classificação dos verbos no sentido de utilização da forma mais tradicional ou formal ou daquela que linguisticamente é mais usada, como é o caso do verbo assistir (assistir ao filme e a inovação regencial assistir o filme).
Esperamos que essa revisão gramatical do tópico abordado tenha contribuído para a ativação deste conteúdo e, inclusive, para um melhor entendimento sobre o assunto, principalmente à compreensão de como a Regência se estabelece.
Bom estudo e continue sempre em busca do conhecimento!
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e documentação: referências - elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 24p.
FARACO, Carlos Alberto. Prática de texto para estudantes universitários / Carlos Alberto Faraco. Cristovão Tezza. 19. Ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2010
MEDEIROS, Redação Científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. São Paulo: Atlas, 1999. TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus / Luiz Carlos Travaglia – 8.ed. – São Paulo: Cortez, 2002.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23. Ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez. 2007.
LUFT, Celso Pedro. Dicionário prático de regência verbal. 4. ed. São Paulo: editora Ática, 1996.
MARTINS, Dileta Silveira. Português instrumental / Dileta Silveira Martins e Lúbia Scliar Ziberknop – 19ª ed. Porto Alegre: SAGRA: DC Luzzatto, 1997.