Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Turismo
Trabalho de Conclusão de Curso
Projeto de implantação de atividade de turismo rural no sitio Pinheiros
da Serra no alto da Serra da Mantiqueira.
Luiz Roberto Maxwell Penna
Orientador: Glauber Eduardo de Oliveira Santos
São Paulo
2011
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1. Introdução
O turismo é uma prática social cuja importância vem crescendo neste início de século. Segundo Fontana (2010) este crescimento se dá em decorrência das transformações sofridas pela sociedade, como urbanização, as modificações nas relações de trabalho, as alterações no perfil da população mundial e ainda, da divulgação de questões ligadas ao meio ambiente e ao desenvolvimento técnico científico.
O turismo deve ser visto hoje não somente como uma atividade econômica, mas sim como uma prática social que abrange as relações dos envolvidos direta e indiretamente no processo turístico, indo além do simples fato econômico, envolvendo relações sociais, ambientais e de hospitalidade.
1.1 O Turismo Rural.
Salles (2003) destaca que a tranqüilidade e a possibilidade do descanso, aliados à autenticidade do local e ao convívio com os residentes e seus costumes, são os principais atrativos para o desenvolvimento do Turismo Rural. O Brasil, exatamente por possuir uma grande e diversificada gama de regiões rurais, agrícolas e pecuárias, com todas as suas peculiaridades culturais e ambientais, se mostra como um país com grande potencial para a implantação de negócios desta modalidade turística. Já existe hoje uma grande oferta de pacotes e passeios pelo interior do país, mas de acordo com a definição do Ministério do Turismo estes não poderiam ser chamados de Turismo Rural pelo simples fato de estarem no meio natural, existem algumas especificidades para que esta atividade turística possa ser chamada de Turismo Rural. De acordo com Tulik (2010), na década de 1990 algumas associações de abrangência nacional, estadual, regional e local foram criadas visando fomentar e organizar a atividade turística no espaço rural. Segundo a autora, foram assimilados conceitos europeus no que tange a utilização de expressões como turismo no espaço rural e turismo rural. Ministério do Turismo se utiliza da seguinte definição para conceituar o turismo rural:
“Turismo rural é o conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no meio rural, comprometido com a produção agropecuária, agregando valor a produtos e serviços,
2 resgatando o patrimônio cultural e natural na comunidade” (EMBRATUR, 1994, p. 18 apud Tulik, 2010, p.17).
Apropriando-se desta definição, é possível destacar que o turismo rural só pode ser entendido como tal se a utilização do espaço rural para a prática do turismo for desenvolvida em uma propriedade rural produtiva que tem na atividade agrícola ou na pecuária sua principal fonte de renda.
A prática do turismo rural tem algumas peculiaridades quanto aos produtos e serviços que oferece. Portuguez (1999, p.77) entende que o turismo no espaço rural é praticado dentro da propriedade, de modo que o turista ou excursionista, mesmo que por um curto período de tempo, entre em contato com a atmosfera da vida da fazenda, sítio ou rancho, integrando-se, de alguma forma, aos hábitos locais.
De acordo com Fontana (2010) percebe-se que o turismo rural aparece para os produtores rurais como uma oportunidade de agregar valor aos seus negócios, sendo, muitas vezes, responsável por um aumento das oportunidades de trabalho no campo e dos ganhos dos proprietários e investidores.
1.2 Turismo Rural na Serra da Mantiqueira.
A Serra da Mantiqueira é uma cadeia montanhosa que se estende por três Estados do Brasil: São Paulo (30%), Minas Gerais (60%) e Rio de Janeiro (10%). De acordo com o site www.terrasdamantiqueira.com o maciço rochoso possui aproximadamente 500km de extensão, tendo início próximo à cidade paulista de Bragança Paulista e segue para o leste, delineando as divisas dos três Estados brasileiros até a região do Parque Nacional do Itatiaia onde adentra Minas Gerais até a cidade de Barbacena. Seu ponto culminante é a Pedra da Mina, com 2.798m de altitude, na divisa dos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Na Serra da Mantiqueira existem diversas unidades de conservação, como a área de proteção ambiental Serra da Mantiqueira, dividida entre os três Estados; o Parque Nacional do Itatiaia, dividido entre Minas e Rio; e os Parques Estaduais Serra do Brigadeiro e Serra do Papagaio (Minas) e Campos do Jordão (São Paulo).
O trecho paulista da Serra da Mantiqueira, onde se concentra o nosso estudo e onde será implantado o negócio, abrange três municípios: Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí e Santo Antônio do Pinhal. As três cidades são estâncias climáticas.
3 Localizada a 1.628m de altitude, Campos do Jordão é considerada a "Suíça Brasileira", principalmente pela sua arquitetura de influência européia e pelo seu clima frio. Com uma população de 46.505 habitantes e uma área de 290km quadrados, o município tem como principal atividade econômica o turismo (sítio na rede mundial de computadores da prefeitura de campos do Jordão www.camposdojordao.sp.gov.br).
Anualmente, no inverno, Campos do Jordão é visitada por milhares de turistas, interessados em conhecer seus principais pontos turísticos e ficar mais próximo à natureza (mais informações no tópico 4- Análise de Demanda).
A cidade de São Bento do Sapucaí encontra-se a 886m de altitude. Com uma população de 10.966 habitantes e uma área de 252km quadrados, a pequena cidade atrai muitos visitantes por sua beleza natural. Segundo a Secretaria de Turismo a cidade possui 1.780 leitos para o turismo divididos em 359 UH (unidades habitacionais).
Repleta de lugares pitorescos, o ponto turístico mais conhecido é a Pedra do Baú. Com cerca de 300m de altura e 1950m acima do nível do mar, o visitante pode subir a pedra através de degraus e grampos que são chumbados com cimento a furos na rocha. Outros pontos turísticos são Pedra do Bauzinho, Pedra Ana Chata e Cachoeira dos Amores.
Santo Antônio do Pinhal, com seus 6.896 habitantes, se caracteriza por seus 133km quilômetros quadrados de uma topografia serrana, que varia entre altitudes de 1200m a 1890m (IBGE).
Devido ao clima e a altitude, esta região (o trecho Paulista da Serra da Mantiqueira) é ideal para o cultivo de culturas tipicamente européias, como frutas vermelhas, cogumelos e oliveiras entre outras. A região reúne também características ideais para a criação de gado, suínos e alevinos. A transformação dessas áreas produtivas em locais de visitação é um desafio para os agricultores da região que tem pouca informação a respeito dessa atividade e sofrem com a escassez de mão de obra especializada disponível.
Em conversa informal no seu próprio sítio, o produtor rural, Rodrigo Veraldi proprietário do Sítio Frutopia, localizado na região rural de Campos do Jordão alega que o desenvolvimento do Turismo Rural na região esbarra na falta de mão de obra
4 especializada e na cultura do brasileiro que não tem nem o hábito nem a educação para visitação de áreas produtivas como uma atividade turística. Segundo José Geraldo Fernandes de Araújo (2010) a atividade turística no meio rural é algo novo no Brasil, porém muito tradicional em outros países como, por exemplo, na Europa nas regiões produtoras de vinho na França e Itália, de queijo na Suíça e Holanda e até mesmo de Whisky na Escócia. Na América do Sul destacam-se as regiões vinícolas de Mendoza na Argentina, e o Chile, grande produtor de frutas e de vinhos. No Brasil houve grandes investimentos da iniciativa privada nas regiões produtoras de vinho no sul do Brasil que desenvolvem esta atividade de forma profissional e formal. Esta região, segundo Araújo (2010) é pioneira na introdução do Turismo Rural no Brasil, sendo o sítio Pedra Branca em Lages, Santa Catarina o primeiro a oferecer este tipo de roteiro como uma atividade econômica do sítio. Ainda de acordo com Rodrigo Veraldi, apesar de ser uma atividade turística pouco difundida, o Turismo Rural está em expansão e as perspectivas são promissoras. Na região focada por este estudo verificou-se em visita ao local, por pesquisa na rede mundial de computadores e junto a agências de viagens que os principais sítios a oferecerem roteiros de Turismo Rural são Sítio Frutopia e A Fazenda Baronesa Vohn Leithner ambos localizados nas imediações de Campos do Jordão. Estes dois são sítios produtores de frutas vermelhas, e oferecem roteiros específicos e formais para visitação (este estudo aprofundará o seu olhar sobre estes dois sítios no tópico 3 - Análise da Concorrência). Nas cidades de Santo Antonio do Pinhal e São Bento do Sapucaí e em outros municípios de dimensões menores na região, verificou-se pouca atividade no que tange o Turismo Rural. Podem-se verificar diversas propriedades rurais que até recebem visitantes, mas estes têm como motivação maior, a compra de produtos no próprio sítio. Estas propriedades rurais não têm um roteiro turístico formal, um produto turístico. É neste cenário que propomos neste estudo a implantação e oferta de um produto turístico para a região, a visitação de uma área produtiva.
2. Resumo do Plano de Negócios.
A empresa será instalada no Sítio Pinheiro da Serra, de propriedade de Luiz Roberto Maxwell Penna, um dos sócios da Charco Turismo , no bairro do Charco, município de Wenceslau Braz, Minas Gerais, localizado no alto da serra da Mantiqueira e que
5 faz fronteira com o estado de São Paulo, junto ao parque Estadual de Campos do Jordão. A mesma terá o nome de Charco Turismo Ltda.
Figura 1: Serra da Mantiqueira – Bairro do Charco.
Neste bairro se encontram diversas propriedades rurais produtivas, que vão da extração de madeira, criadouro de alevinos, plantio de hortaliças, frutas e azeitonas. A Charco Turismo pretende oferecer o serviço receptivo para fruição do Turismo Rural, além de disponibilizar a venda de produtos produzidos na região e terá como principais atividades caminhadas pelos pomares, o pick and pay (colheita realizada pelo próprio visitante que leva o produto que colheu mediante pagamento), a oportunidade de interagir com a vida no campo e os seus trabalhadores, adquirir conhecimento técnico, descansar, relaxar e desfrutar de degustações dos produtos do sítio e até mesmo de uma refeição . A empresa tem capital próprio necessário para a implantação do negócio e conta com Luiz Roberto Maxwell Penna (estudante de Gestão em Turismo) e Mariana Alonso Calçado (Tecnólogo em Turismo) como sócio proprietários, que detêm 50% da empresa cada um. Seu foco de ação inicial será sobre o fluxo turístico da cidade de Campos Do Jordão, que se encontra a 20 km ao norte do Bairro do Charco e da cidade de Santo Antonio do Pinhal, 50km adiante na mesma direção, além das cidades mineiras de Itajubá e Pouso Alegre localizadas 35km ao sul.
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3. Análise da concorrência
A empresa tem poucos concorrentes diretos na região porém o Sitio Frutopia e a Fazenda Baronesa Vohn Leithner se destacam por já abrigarem infra-estrutura que oferece visitação ao pomar de diversas frutas produtivas, palestras, cursos rápidos, alimentação e degustação de vinhos no próprio sítio.
O Sítio Frutopia está localizado a 19 km de Campos do Jordão e conta com uma infra-estrutura já bem adequada para a visitação turística, com área para estacionamento, restaurante, banheiros, uma pequena loja para comercialização dos produtos do sítio, além de em breve contar com um pousada ainda em construção. A principal atividade do sítio é a venda de mudas. Os preços das mudas e das frutas variam de acordo com a época do ano sendo que as mudas são vendidas a um preço médio de R$2,50 (dois reais e cinqüenta centavos) e o pedido mínimo deve ser de 100 mudas. As frutas são vendidas através de encomendas ou colhidas na hora pelos visitantes, pesadas e embaladas.
Figura 2: Sítio Frutopia
Para os passeios o sítio conta com um pequeno Jipe que pode levar até 8 passageiros em cada viagem e pode trafegar por toda a área do sítio, inclusive pelas plantações e pomares. A estrutura organizacional do sítio é bem limitada e não conta ainda com nenhum profissional da área de turismo, apenas o proprietário, Rodrigo Veraldi que é Engenheiro Agrônomo e alguns ajudantes sem nenhuma formação profissional específica.
7 O sítio utiliza-se apenas de recomendações de visitantes o que chamamos de boca-a- boca e um blog na rede mundial de computadores, como meios de promoção. Segundo o proprietário, o Frutopoia não tem uma infra-estrutura organizacional ideal para o aumento de demanda, sendo assim, a sua empresa não faz publicidade nos municípios vizinhos nem mesmo tem algum tipo de relacionamento com os agentes de viagem de Campos de Jordão ou de qualquer outro município vizinho.
Figura 3: Frutas comercializadas no Sítio Frutopoia
O Sítio Frutopia não cobra especificamente pelas visitas, mas oferece um pacote que inclui passeio pelos pomares/plantações e almoço, além de utilizar a atividade do Turismo Rural para difundir o sítio e os seus produtos. O sítio conta com uma área de restaurante onde são oferecidas, mediante reserva antecipada, refeições que utilizam ingredientes do próprio sítio no seu preparo, refeição esta preparada pelo proprietário do sítio. O valor da refeição é de R$50,00 (cinqüenta reais) por pessoa tendo como número mínimo quatro pessoas para a realização do almoço. O cardápio varia de acordo com a oferta dos produtos do sítio. O Sito Frutopia também vende vinhos tinto Cabernet Sauvignon e Pinot Noir produzidos com uvas do sítio a R$ 50,00 (cinqüenta reais) a garrafa. O sítio promove as visitações somente durante os finais de semana e recebe em média 10 visitantes por dia, sendo que na alta temporada turística de Campos do Jordão este número dobra.
A Fazenda Baronesa Vohn Leithner está localizada no bairro Alto da Boa Vista, aproximadamente 5 km da Av Abernéssia (região central) em Campos do Jordão. Cercada por uma reserva ambiental de 110 alqueires a fazenda é a primeira e uma das maiores fazendas cultivadoras de frutas vermelhas de que se tem notícia no Brasil tendo na produção de geléias e compotas a sua principal fonte de renda. Em
8 visita à fazenda constatou-se que esta conta com uma excelente infra-estrutura para visitação, além de demonstrar profissionalismo e experiência no ramo turístico.
Figura 4: Visitação na Fazenda Baronesa
A fazenda tem tradição na oferta de passeios no espaço rural e está aberta para visitação todos os dias da semana exceto às segundas. O sítio recebe em média 500 (quinhentos) visitantes por mês sendo que na alta temporada este número equivale à media semanal. O local conta com estacionamento para carros e ônibus, recepção com atendentes uniformizados, seguranças e uma estrutura organizacional com diversos profissionais por toda a área da fazenda, todos equipados com rádio transmissores. Não há, porém quem acompanhe o visitante pelas trilhas do sítio que na verdade não passa pelas plantações e pomares, mas sim por um trajeto que imita de forma artificial uma área produtiva. Estas trilhas com calçamento de pedras brancas, que pouco lembram uma trilha aberta num ambiente natural, levam direto à área mais alta da fazenda que dispõem de um restaurante com estruturas metálicas e paredes de vidro que permitem ao visitante desfrutar de uma vista deslumbrante da Pedra do Baú um dos mais belos atrativos turísticos de toda a serra. O restaurante serve comida francesa, lanches rápidos e bebidas como café e bebidas alcoólicas. Não há informações quanto à origem dos ingredientes utilizados no preparo das refeições.
Para adentrar a fazenda a administração cobra uma taxa de R$ 15,00 (Quinze Reais) sendo que esta taxa pode ser totalmente utilizada para compra de produtos do sitio ou no restaurante, sistema este chamado de “consumação mínima”. Na loja
9 da fazenda localizada logo após a entrada, o visitante recebe um cartão magnético e com este efetua suas compras ou o utiliza no restaurante, sendo que na saída efetua o pagamento. A fazenda aceita a maioria das bandeiras cartões de crédito. Diferentemente do Sítio Frutopia, a Fazenda Baronesa Vohn Leithner utiliza diversos meios de divulgação como convênios com agentes de turismo, guias e pousadas, propagandas em outdoor uma delas inclusive localizada na rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, que liga a Rodovia Carvalho Pinto à cidade de Campos do Jordão, anúncios em publicações turísticas de Campos do Jordão e conta com um
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4. Análise da demanda.
Como descrito no tópico 1.2 (Turismo Rural na Serra da Mantiqueira), a região onde será implantado o negócio destaca-se pelo intenso fluxo turístico. Outro destaque a ser apontado é que a região não só é visitada por milhões de pessoas, mas também por ser este público de alto poder aquisitivo. De acordo com o sitio na rede mundial de computadores da Up.Hosting (empresa ligada à ferramentas de mídia e Marketing, www.camposdojordão.com.br) a cidade de Campos do Jordão recebe em média um milhão de visitantes e excursionistas por ano, abrigados nos 9 mil leitos da cidade, sendo que mais de 45% deste público tem renda superior a R$ 10.000,00 ( dez mil reais).
Gráfico 1 – Renda Mensal de Turistas em Reais
Fonte: site www.camposdojordão.com.br
Estes dados vêm a confirmar a expectativa do negócio em receber visitantes que não somente possuam alto poder de compra, mas também um alto nível sócio-cultural, que são informados e antenados às tendências de práticas sustentáveis de turismo e que buscam experiências diferenciadas. Ainda segundo informação da uphosting confirmada pela secretaria de turismo da cidade, em conversa telefônica, o visitante e turista que visita Campos do Jordão, gasta em sua maioria entre R$ 100,00(cem reais) e R$ 200,00 (duzentos reais) em média por dia na cidade, sendo que 20% dos visitantes gasta entre R$200,00 (duzentos reais) e R$ 500,00 (quinhentos reais).
11 Gráfico 2 – Valor diário estimado de gastos em Reais por visitante.
Fonte: www.camposdojordão.com.br
Acredita-se, porém, que apesar destes números descritos acima, ainda há muito o que ser trabalhado quanto à questão do formato de passeios turísticos na região. Um grande número de turistas e visitantes ainda possui uma característica psicocêntrica, ou seja, preferem a segunda residência, o conforto e a segurança dos centros de compras urbanos e os bares e restaurantes das áreas badaladas da cidade à visitas a regiões rurais produtivas, ou a um passeio mais distante da cidade. Porém, através de conversa com os que já promovem atividades turísticas alocêntricas na cidade, percebe-se que o número de pessoas interessadas em experiências turísticas diferenciadas tem crescido a cada ano.
5. Análise do entorno
A região da Serra da Mantiqueira e seus moradores, visitantes, produtores rurais e empresários, passa por um momento de expectativa em relação à criação do Parque Nacional Altos da Mantiqueira que é a transformação de um grande trecho da serra da Mantiqueira em parque Nacional. Segundo o sítio de notícias na rede mundial de computadores Agoravale, aproposta do Parque Nacional Altos da Mantiqueira é desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente através do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), um projeto que envolve 14 municípios em três Estados: Itamonte, Itanhandu, Passa Quatro, Marmelópolis e Delfim Moreira (Minas Gerais), Queluz, Lavrinhas, Cruzeiro, Piquete, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Campos do Jordão e Santo Antônio do Pinhal (São Paulo) e Resende (Rio de Janeiro).
12 Figura 5: Em vermelha área a ser transformada em parque nacional. Região onde está
localizado o Bairro do Charco.
O local onde será implementado o negócio proposto neste estudo é o município de Wenceslau Braz- MG, este está na fronteira da área delimitada pelo Ministério do Meio Ambiente como parque nacional o que coloca o Bairro do Charco numa posição estratégica, pois estando fora dos limites do parque, a produção agrícola não é prejudicada e o sítio pode contar com os benefícios da proximidade ao parque como atração turística, da publicidade que será gerada em torno do novo parque nacional além dos aspectos de conservação do meio ambiente e de sustentabilidade da região.
Figura 6: Local a 3 km do Sítio Pinheiros da Serra
O bairro do charco conta com o apóio da Prefeitura Municipal de Wenceslau Braz que está presente na implantação de serviços à comunidade, como coleta de lixo, manutenção das estradas que levam ao bairro e ao Sítio Pinheiros da Serra, além
13 de oferecer transporte público gratuito, entre o bairro e o centro da cidade ás crianças até à escola e aos trabalhadores que moram na cidade e trabalham na zona rural. O prefeito tem o hábito de manter a porta da prefeitura aberta para os produtores e empresários da região, incentivando e apoiando as iniciativas empreendedoras.
6. Análise “SWOT”
OPORTUNIDADES AMEAÇAS
MERCADO EM EXPANSÃO MERCADO AQUECIDO
GRANDES PROJETOS EM FUNÇÃO DA COPA DO MUNDO
QUESTÕES CLIMÁTICAS / PRAGAS / DOENÇAS
MERCADO DA REGIÃO SUDESTE EM CRESCIMENTO
NECESSIDADE DE CAPITAL PARA IMPLEMENTAÇÃO E GESTÃO DO
NEGÓCIO POUCA OFERTA PARA DEMANDA
EXISTENTE
OFERTA DE UM PRODUTO AINDA POUCO CONECIDO
LOCALIZAÇÃO ESTRATÉGICA PRÓXIMO A CENTROS DE GRANDE FLUXO TURÍSTICOS E À 180KM DA MAIOR
CIDADE DO PAÍS.
RESISTÊNCIA DA COMUNIDADE QUANTO À IMPLEMENTAÇÃO DE UM
NOVO NEGÓCIO NA REGIÃO TURISMO COMO PONTO ESTRATÉGICO
DO GOVERNO
VULNERABILIDADE DA PRODUÇÃO AGRICOLA
ECONOMIA EM CRESCIMENTO ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL AUMENTO DA RENDA E EDUCAÇÃO
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FORÇAS FRAQUEZAS
LOCALIZAÇÃO DA ÁREA A SER EXPLORADA E DAS DEMAIS PROPRIEDADES DA REGIÃO
POUCA EXPERIÊNCIA DOS SÓCIOS
INFRA – ESTRUTURA ENXUTA INFRA-ESTRUTURA FÍSICA AINDA A SER CONSTRUÍDA
CAPITAL HUMANO VISIBILIDADE REGIONAL
EXCLUSIVIDADE DE SERVIÇO E DE PRODUTOS
POUCA VISIBILIDADE NO TRADE
CREDIBILIDADE NO MERCADO ACESSIBILDADE PRECÁRIA PRODUÇÃO AGRICOLA ESTABELECIDA
O ANO TODO
MEIO AMBIENTE PRESERVADO
BELEZA CÊNICA
7. Foco estratégico
A partir da observação de modelos de gestão no Turismo Rural, este estudo verificou que o que melhor se adéqua é a implantação de um serviço com características únicas peculiares ao ambiente, fazendo uso somente de uma infra-estrutura mínima que permita que o ambiente natural e o modo de vida do espaço rural sejam as principais atrações, não permitindo que jardins artificiais ou construções de qualquer tipo desviem do foco principal que propõe a fruição desta modalidade turística. A Charco Turismo está embasada no conceito do Ministério do Turismo, através da EMBRATUR, de que o Turismo Rural só pode ser assim chamado e oferecido em área rural produtiva sendo que a atividade rural deve ser a principal atividade econômica da propriedade. A Intenção de implementar novos segmentos para incremento da renda das propriedades envolvidas, bem como o desenvolvimento social e cultural da comunidade, são a razão deste projeto, que
15 visa repartir com a sociedade o privilégio de conviver, mesmo que por somente algumas horas, com as particularidades de uma propriedade rural produtiva autêntica localizado em um área de tranqüilidade e de rara beleza promovendo intercâmbio e ganhos para todos os atores envolvidos. Os principais valores da Charco Turismo são: respeito ao meio ambiente, responsabilidade social, qualidade e humanidade.
Através da implementação dos conceitos acima no desenvolvimento do projeto acredita-se assim construir uma reputação de valor que se fará ouvida e que se encarregará de promover o conceito e o empreendimento, além de atrair o público que este estudo acredita ser o alvo do projeto. Tendo esta estratégia bem implementada, a meta de atingir um público interessado na vida do campo e promover intercâmbio entre comunidades autóctones e visitantes terá sido atingida. A partir da definição desta estratégia de ação e gestão é possível determinar o perfil da demanda potencial para o negócio. O público alvo do empreendimento será os turistas em visita à região dos municípios de Campos do Jordão em São Paulo e de Santo Antonio do Pinhal e Gonçalves em Minas Gerais; além dos moradores das cidades mineiras de Itajubá, Pouso Alegre e da capital paulista que têm interesse no meio rural; produtores rurais de qualquer região que se interessam pelo cultivo de frutas vermelhas e azeitonas; estudantes de agronomia e gastronomia, principalmente das universidades da região sul de Minas Gerais e de São Paulo; proprietários de veículos com tração nas quatro rodas que gostam de se embrenhar por caminhos e estradas de terra para desfrutar de uma atividade turística de visitação autêntica, algo novo e diferente que sai da mesmice dos centros de compras urbanos e dos restaurantes e bares da moda.
8. Estrutura Organizacional
A empresa terá dois sócios que terão a responsabilidade de gerenciar o negócio em duas frentes distintas, uma mais relacionada à logística dos passeios, à administração geral e financeira, divulgação, construção de relações networking, que será chamada de ALFA; e outra diretamente focada na gastronomia, na preparação, apresentação e distribuição dos produtos alimentícios a serem oferecidos pelo sítio, chamada de BETA.
16 Os departamentos Alfa e Beta contarão com, além de seus gestores, um colaborador oriundo da comunidade local em cada departamento. Tanto o gestor como o colaborador são responsáveis pela organização, planejamento e execução do plano de ação e também do asseio e limpeza de seus respectivos departamentos, cabendo ao gestor distribuir as funções de trabalho de acordo com a demanda. O representante do departamento Alfa fará visitas semanais a Campos do Jordão, estabelecerá parcerias de interesse com agentes de viagens a serem selecionados, recepcionará os visitantes, será o guia no momento do passeio pela plantação e estará encarregado de qualquer transporte turístico relacionado ao sítio. Produzirá relatórios financeiros, estará encarregado de recolher os recebimentos e fará também os pagamentos sejam estes a colaboradores ou fornecedores. O representante do departamento Beta será responsável pela seleção dos itens a serem utilizados no preparo dos produtos, pela compra de qualquer ingrediente, desenvolverá receitas para utilização da matéria prima encontrada no sítio. Será responsável pela recepção aos visitantes no restaurante, pela administração da cozinha, pelo estoques de alimento e matéria prima além de atender e servir os visitantes.
A propriedade já conta hoje com infra-estrutura básica suficiente para receber grupos de até dez pessoas por período/turno de visitação, com banheiro cozinha e área para a refeição. Trilhas para caminhada no Olival e nas demais áreas cultivadas, estrada de terra em bom estado de conservação, um Jipe Suzuki Vitara e uma Kombi (usada durante a semana para as entregas das hortaliças) para locomoção dos visitantes às áreas mais distantes ou de difícil acesso. Investimentos em equipamentos para o restaurante são necessários e estão descritos no tópico 12 Viabilidade Financeira. O projeto não abarca ainda a intenção de oferecer pernoite aos visitantes, porém poderá desenvolver projetos de implantação de uma pousada no futuro.
9. Serviços e Produtos
A Charco Turismo, por estar localizada em um sítio produtor de azeitonas, frutas vermelhas e hortaliças oferecerá uma série de produtos e serviços que se completarão. Diversas propriedades rurais compõem o bairro do Charco, que
17 disponibilizam diferentes produtos. A Charco Turismo mantém negociação com algumas dessas propriedades para que atuem como fornecedores e parceiros, como por exemplo a Trutaria Nelson, que coloca à disposição trutas de seu criadouro e fica a apenas 2 km do Sítio Pinheiro da Serra e o Sítio Macieira, situado ao lado do Sítio Pinheiros da Serra, que através do seu proprietário Luiz Eugênio Santana de Matos, mostrou interesse em participar do projeto. O Sr. Luiz Eugênio Santana de Matos é engenheiro agrônomo e se colocou à disposição para ministrar palestras e dar acompanhamento técnico nos passeios para os visitantes que estão interessados no desenvolvimento pioneiro do plantio de oliveiras e na produção de azeitonas e extração de azeite.
Figura 7: Cultura de Oliveiras no sítio
O chamariz principal será a visita ao sítio, mas estando lá o visitante terá a oportunidade de adquirir diversos produtos regionais e artesanais e poderá, mediante reserva, desfrutar de uma refeição preparada com produtos da região. Os produtos e serviços serão vendidos em forma de pacote, em que o comprador escolhe entre transporte (ida e volta até Campos do Jordão, Itajubá ou Santo Antonio do Pinhal), tour no local com ou sem acompanhamento técnico, almoço e compra dos produtos. Segue abaixo uma descrição mais detalhada de como serão ofertados e distribuídos os produtos e serviços:
18 9.1 Pacotes
Os dois pacotes a serem oferecidos levam o nome de uma variedade de Oliveiras. Arbequina e Maria da Fé, e estão descritos abaixo.
9.1.1 Tour Maria da Fé
(Nome escolhido para o tour mais completo, por ser a variedade de azeitona que melhor se adaptou ao local e que constitui a maioria das árvores do Olival):
É um tour que compreende todos os aspectos do sítio. Ao chegar o visitante é recepcionando na área coberta que chamaremos de comedoria, por todos que trabalham no sítio, onde poderão usufruir de uma bebida fresca feita com frutas produzidas no local, principalmente amoras e framboesas. Este suco é feito com polpas da fruta produzidas e congeladas no sítio que estarão à disposição para compra pelo visitante na última etapa do passeio. Em seguida os integrantes do grupo irão em direção ao pomar, liderados pelos integrantes da frente ALFA do sítio, onde participarão de palestra introdutória ministrada pelo guia (com supervisão e elaboração do texto pelo Eng. Agrônomo Luiz Eugênio Santana de Matos que, dependendo da situação, poderá ele mesmo ministrar a palestra, tendo assim a oportunidade de vender suas mudas e ser contratado para dar consultoria a quem quiser iniciar o plantio. Ao final da palestra o grupo (máximo de dez pessoas, conforme descrito no tópico 8) se encaminha para a caminhada pelo pomar. Lá o visitante terá a oportunidade de contemplar de perto as belíssimas árvores produtoras que, em cada época proporcionam uma visão diferente, como durante a florada e a frutificação. Neste momento o turista poderá até mesmo participar da colheita ou de alguma outra atividade relacionada com o cultivo, como: plantio, adubação e poda. Em seguida o almoço será servido na comedoria, sendo que o aspecto mais importante deste, é que os pratos serão preparados a partir da disponibilidade dos ingredientes na região. As refeições serão divididas em entrada, prato principal e sobremesa. Esta refeição é preparada no mais alto padrão gastronômico, utilizando-se do conhecimento dos sócios em bares e restaurantes que já tiveram experiência como auxiliar de cozinha em restaurantes no Brasil e na Europa. Receitas exclusivas serão desenvolvidas e apenas ingredientes da mais alta qualidade serão usados. Café também será servido em outra área do sítio situada
19 ao lado da comedoria que chamaremos de Lounge. O Lounge será uma área de descanso com sofás, espreguiçadeiras e puffs onde o visitante poderá descansar e relaxar após o almoço. No Lounge estarão disponibilizados em prateleiras e em um balcão os produtos a serem vendidos . Após o descanso o grupo de visitantes poderá passear pelo pomar de frutas vermelhas e neste local estarão à vontade para colherem as frutas que desejarem levar (o que chamamos anteriormente de pick-and-pay). Feita a colheita, as frutas serão pesadas e embaladas e o valor cobrado será o correspondente ao peso de cada embalagem de acordo com tabela exposta. O preço varia de acordo com a época do ano. Ao retornar ao Lounge o visitante tem então a oportunidade de adquirir os produtos que ali estão à disposição. A venda, a embalagem e o caixa serão operados pela frente BETA. O transporte de volta ao local de origem do grupo visitante poderá então ser efetuado. 9.1.2-Tour Arbequina
(Arbequina é uma variedade portuguesa de Oliveira).
Este tour tem um caráter mais técnico, pois envolve a palestra e o guiamento, além do passeio pelos pomares e não oferece nenhum tipo de refeição a não ser o suco de frutas servido antes e depois do passeio. Pode envolver traslado ou não.
Uma terceira opção também estará disponível, que é o livre passeio pelo sítio, sendo que a forma de cobrança será o que chamaremos de consumação, onde o visitante pagará R$ 30,00 para caminhar pelo sítio sem nenhum acompanhamento e poderá utilizar estes mesmos R$ 30,00 para adquirir produtos no Lounge.
20 O traslado de ida e volta até Campos do Jordão, Itajubá, Santo Antonio do Pinhal e outras cidades que, sob consulta, podem também contar com este serviço, será oferecido e cobrado como descrito na tabela 1. O traslado poderá ser realizado pelo Jipe ou pela Kombi, dependendo do número de visitantes por um dos integrantes da frente ALFA( tópico 8).
Os produtos a serem comercializados se dividirão em dois tipos: Alimentos e mudas. Os alimentos serão aqueles produzidos no sítio que levam a Marca Pinheiros da Serra e são: geléia de amora, amora negra e framboesa; compotas de figo, pêra e maçã; pão de castanhas portuguesas; polpas de amora e framboesa; doces de corte como marmelada e marrom glacê. Hortaliças como alface de diferentes variedades, abobrinha, couve, couve flor entre outras, dependerão da disponibilidade sazonal. Também serão oferecidas azeitonas e o produto mais nobre dentre as opções descritas até aqui, o azeite extraído no próprio sítio. Será também possível adquirir mudas de azeitona e dependendo do número encomendado (100 ou mais) o comprador terá direito a consultoria (por telefone) do Sr. Luiz Eugênio Santana Matos
21 9.2 Tabela de preços.
Tabela 1: Preço por pessoa.
Com traslado Sem traslado Tour Maria da Fé R$ 200,00 R$ 150,00 Tour Arberquina R$ 150,00 R$ 100,00
10. Promoção e distribuição
A promoção e distribuição dos produtos e serviços do sítio Pinheiros da Serra, através da Charco Turismo seguirá uma estratégia modesta, exatamente por oferecer produtos e serviços a um público diferenciado. O primeiro passo será a criação de um sítio na rede mundial de computadores que exibirá fotos do local, além de todas as informações necessárias para obtenção de reservas e inscrições para os passeios.
Além de usar mídia eletrônica como ferramenta de promoção do sítio, folhetos impressos também serão produzidos e distribuídos nas pousadas e hotéis de Campos do Jordão, Santo Antonio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, Itajubá e Pouso Alegre onde se pretende estabelecer parcerias. Estes hotéis e pousadas ao promoverem os passeios ao sítio Pinheiros da Serra poderão contar com a reciprocidade da Charco Turismo no momento de indicar pousadas ou hotéis na região da Serra da Mantiqueira, além de ter a oportunidade de indicar a seus hóspedes um passeio diferenciado e especial. A Charco Turismo oferecerá 5% de comissão aos proprietários das pousadas e agências de viagem por cada passeio vendido por indicação deles. O sítio já possui linha telefônica contratada junto à operadora TIM, que também terá seu número disponibilizado tanto no sítio da rede mundial de computadores como no folheto para que o visitante possa entrar em contato diretamente com alguém do sítio para obter mais informações.
Também será utilizada a rede de contatos do Sr. Luiz Eugênio de Santana Matos que já foi disponibilizada por ele. Há vinte anos o Sr. Luiz Eugênio vem estabelecendo uma rede de comunicação entre os produtores rurais interessados no cultivo de oliveiras que já demonstraram desejo em conhecer o trabalho lá realizado.
22 A partir da definição do público alvo no tópico 7 (Foco Estratégico) ações pontuais como visita aos locais definidos nesse tópico serão programadas para fins específicos de promoção, e distribuição de material publicitário.
O proprietário do sítio Frutopia também já demonstrou interesse em estabelecer algum tipo de parceria com a Charco Turismo.
11. Análise da Viabilidade Financeira
A partir de um investimento mínimo já é possível iniciar a implementação imediata do projeto. Os sócios possuem capital inicial suficiente para as reformas necessárias e para a compra dos materiais para a instalação do restaurante e do Lounge. O capital inicial investido será restituído aos sócios mensalmente sem taxa de juros, será aplicado apenas a correção monetária calculada através do índice IGPM (Índice Geral de Preços de Mercado). O custo operacional foi calculado a partir da análise de dados obtidos junto ao comércio local e ao contador, como preço da gasolina, custo com pessoal e preço dos alimentos.
O custo operacional não será alto, pois num primeiro momento, os dois colaboradores que serão contratados para as atividades da Charco Turismo assinarão um contrato de prestação de serviço como autônomos, afinal estes dois trabalhadores já têm carteira de trabalho assinada junto ao Sítio Pinheiros da Serra. Outro fator que proporcionará economia é a oferta de legumes, verduras e frutas no próprio sítio, que poderão ser colhidas sem restrições por um valor praticamente simbólico. Custos com os fornecedores da região não serão altos, os produtos a serem utilizados na cozinha do restaurante serão, em sua maioria, da região próxima ao sítio. Isto se faz uma vantagem no momento da negociação, pois esta é feita diretamente com o produtor, evitando intermediários e altos custos com transporte e entrega. Alguns produtos e ingredientes não encontrados regionalmente terão de ser adquiridos em Itajubá, sendo que estes sim têm preço mais elevado. Custos como o de produção das geléias, doces e compotas são do Sítio Pinheiro da Serra, que deixará seus produtos expostos para a venda, em consignação, no Lounge, o que não acarretará custo algum para a Charco Turismo.
23 O capital inicial será de R$ 50.000,00 (Cinqüenta mil reais) que será divido em R$ 40.000,00 ( quarenta mil reais) para investimentos e R$ 10.000,00 ( Dez mil reais) para fluxo de caixa. Veja descrição dos investimentos iniciais abaixo:
Tabela 2: Distribuição do investimento.
Reforma da área do restaurante (banheiros e Lounge) R$ 15.000,00 Compra de materiais (restaurante/ cozinha) R$ 15.000,00 Custo com contador e contratos R$ 1.000,00 Construção de um sítio na rede mundial de computadores R$ 2.000,00 Criação de uma logo-marca e identidade visual ( livreto) R$ 2.000,00 Custo de Impressão de material Promocional R$ 1.000,00 Pintura de outras áreas do sítio R$ 2.000,00
Total R$ 40.000,00
O custo operacional para cada visitante é difícil de ser calculado devido à variação dos produtos a serem oferecidos. A imaterialidade do valor do passeio bem como o conhecimento a ser adquirido também não pode ser calculado de forma matemática, por isso não conseguimos chegar a um valor aproximado por pessoa para cada tour. Os produtos do sítio já têm seus custos calculados e absorvidos através das atividades normais de produção e venda; consultoria técnica e comercialização de mudas. Acredita-se que apenas os custos com traslado, pagamento de pessoal e o tempo gasto por seus gestores sejam os custos a se calcular. Em uma viagem até Campos do Jordão de ida e volta se gasta aproximadamente 20litros de gasolina, tanto com a Kombi como com Suzuki. A distância até outros destinos a serem cobertos pela Charco Turismo é muito semelhante, então calcula-se que o custo com combustível, aplicando um coeficiente de R$ 2,80 (dois reais e oitenta centavos) por litro, para o transporte dos visitantes será de aproximadamente R$ 56,00 (cinqüenta e seis reais) valor este, facilmente absorvido pelo valor a ser cobrado.
Cada colaborador receberá R$ 80,00 (oitenta reais) por dia trabalhado. O lucro será parte integrante da renda total do sítio, de onde seu proprietário já obtém pró-labore, não acarretando mais custos para a Charco Turismo.
24 A previsão mensal de receita será calculada a partir de um freqüência média de 70% da capacidade de atendimento (7 pessoas), pelo pacote mais completo ( Tour Maria da Fé) que custa para o visitante R$ 200,00 (duzentos reais). Num primeiro momento a Charco Turismo apenas disponibilizará os finais de semana para as atividades turísticas no sítio, sendo assim, teremos uma média de 8 dias por mês de atividade.
Tabela 3:Previsão mensal de receita.
Pacote Valor Visitantes Periodicidade mensal Receita Total
Maria da Fé R$ 200,00 7 8 dias R$ 11.200,00
Tabela 4:Previsão mensal de custos.
Custo Fixo Valor
Empréstimo R$ 2.000,00
Total R$ 2.000,00 Custo variável Valor
Combustível R$ 448,00 Mão de Obra R$ 1.280,00 Cozinha R$ 800,00 Total R$ 2.528,00 Despesas Totais R$ 4.528,00
Analisando as tabelas acima verificamos que a expectativa total de receita mensal supera em mais de 100% o custo total, garantido assim uma boa margem de lucro. Este levantamento não leva em conta ainda a possibilidade de aumentar a periodicidade de oferta do serviço, o que elevaria ainda mais margem de lucro.
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Referências
ARAÚJO, José Fernandes de. Teoria e Prática do Turismo no Espaço Rural. Barueri: Manole, 2010.
FONTANA, Rosislene de Fátima. Teoria e Prática do Turismo no Espaço Rural. Barueri: Manole, 2010.
PORTUGUEZ, Anderson Pereira. Agroturismo e Desenvolvimento Regional. São Paulo: Contexto, 1999.
SALLES, Mary Mércia G. Inventário Turístico do Meio Rural.Campinas: Alínea, 2003. TULIK, Olga. Teoria e Prática do Turismo no Espaço Rural. Barueri: Manole, 2010.
EMBRATUR,1994. In: TULIK, Olga. Teoria e Prática do Turismo no Espaço Rural. Barueri: Manole, 2010.
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05/03/2011
Campos do Jordão, Pousadas, Hotéis, Restaurantes, Passeios, Noticias. Up. Hosting. Disponível em: <http://www.camposdojordao.com.br/estatisticas.php>. Acesso em 18/02/2011
Agoravale – a sua cidade na internet Noticias, acervo digital. Disponível em: <http://www.agoravale.com.br/agoravale/noticias.asp?id=20023&cod=2>. Acesso em 23/12/2010