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Um panorama sobre os acidentes do trabalho de uma empresa no setor elétrico

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

UM PANORAMA SOBRE OS ACIDENTES DO TRABALHO

DE UMA EMPRESA NO SETOR ELÉTRICO

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA À UFPE PARA OBTENÇÃO DE GRAU DE MESTRE

POR

DANIELLA GUIMARÃES NÓBREGA

Orientador: Prof. Dr. Leandro Chaves Rêgo, PhD

Co-Orientador: Prof. Dr. Márcio José das Chagas Moura.

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ii

DANIELLA GUIMARÃES NÓBREGA

UM PANORAMA SOBRE OS ACIDENTES DO TRABALHO DE

UMA EMPRESA NO SETOR ELÉTRICO

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Pernambuco, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção, orientada pelo Prof. Dr. Leandro Chaves Rêgo, PhD e Co-orientada pelo Prof. Dr. Márcio José das Chagas Moura.

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Catalogação na fonte

Bibliotecária: Rosineide Mesquita Gonçalves Luz / CRB4-1361 (BCTG)

N754p Nóbrega, Daniella Guimarães.

Um panorama sobre os acidentes do trabalho de uma empresa no setor elétrico / Daniella Guimarães Nóbrega – Recife: O Autor, 2013.

xiv, 97f., il., figs., gráfs., tabs.

Orientador: Prof. Leandro Chaves Rêgo, PhD.

Coorientador: Prof. Dr.Márcio José das Chagas Moura. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco. CTG. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, 2013. Inclui Referências e Anexos.

1. Engenharia de Produção. 2. Acidentes de Trabalho. 3. Setor Elétrico. 4. Estatísticas. I. Rêgo, Leandro Chaves (Orientador). II. Moura, Márcio José das Chagas (Coorientador). III. Título.

658.5 CDD (22.ed) UFPE/BCTG-2013 / 293

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iii

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

PARECER DA COMISSÃO EXAMINADORA

DE DEFESA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DE

DANIELLA GUIMARÃES NÓBREGA

“Um Panorama sobre os Acidentes do Trabalho de uma Empresa no setor

elétrico”

ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: PESQUISA OPERACIONAL

A comissão examinadora composta pelos professores abaixo, sob a presidência do primeiro, considera o candidato DANIELLA GUIMARÃES NÓBREGA APROVADA.

Recife, 27 de Agosto de 2013.

______________________________________________

Prof. LEANDRO CHAVES RÊGO, PhD (UFPE)

_____________________________________________

Prof. ADIEL TEIXEIRA DE ALMEIDA FILHO, Dsc. (UFPE)

______________________________________________

Prof. ANDRÉ LEITE WANDERLEY, Dsc. (UFPE)

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iv

AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus que tem me dado sabedoria e forças para enfrentar os momentos de dificuldade e fraqueza, tem me ajudando a levantar e superar os obstáculos da vida.

Aos meus pais Denise Monteiro e Ricardo Nóbrega que tem me incentivado a nunca desistir em momento algum.

À minha irmã Rafaella Nóbrega e ao meu noivo Ivson Rafael que estão sempre me apoiando e me dando força para seguir.

Ao Professor Phd. Leandro Chaves Rêgo, pela serenidade, sabedoria e elevada competência com que orientou esse trabalho.

Ao Professor Dr. Márcio José das Chagas Moura pelo total apoio para o desenvolvimento deste trabalho.

A Professora Maria Cristina Raposo pelas sugestões que contribuíram para a finalização do mesmo.

Aos funcionários da Empresa que disponibilizaram seu tempo para ajudar na montagem da base de dados e tirando dúvidas sempre que surgiam em especial Rômulo Vilela e Sandra Lourenço da Silva.

A minha prima Lucyene Candido pelo incentivo constante e a minha amiga Vanessa Torres que me deu toda força no inicio de tudo.

Aos amigos do Centro de Estudos e Ensaios em Risco e Modelagem Ambiental - CEERMA (Cláudia, Edlaine, Flávio, Jeane, Sharlene, Gércica e Erasmo), pelo estímulo e pela fraternidade demonstrados ao longo do Trabalho e pelo apoio incondicional para que este desafio pudesse ser conquistado.

A todos que fazem parte do PPGEP/UFPE, principalmente Bárbara Tibúrcio e Juliane

Santiago, pela acolhida, disponibilidade, ensinamentos, amizade e serviços prestados. A Capes, pela bolsa de estudo concedida.

Por fim, a todos que contribuíram direta e indiretamente para o desenvolvimento deste trabalho, meu muito obrigada.

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v

RESUMO

Os acidentes do trabalho são fenômenos previsíveis que podem ser prevenidos e os fatores que podem desencadeá-los estão presentes no ambiente de trabalho muito tempo antes da ocorrência destes eventos. Portanto a neutralização de tais fatores pode evitar a ocorrência de outros acidentes (ALMEIDA; BINDER, 2000). Mesmo com o empenho e mobilização do governo, de empregadores e empregados através da promoção de campanhas de prevenção de acidentes e de estudos acadêmicos, o número de acidentes de trabalho no país continua elevado quando comparado com o percentual encontrado em países mais desenvolvidos. Devido aos altos índices de fatalidades, medidas preventivas foram desenvolvidas, pois a gravidade e a frequência das lesões aos operários e danos a máquinas demandaram esforços para reduzir tais ocorrências. Realizar a identificação prévia dos riscos e de fatores que possam gerar ameaças à segurança no ambiente de trabalho permite a tomada de medidas preventivas (PASSOS, 2003). O presente estudo consiste de análises estatísticas dos Relatórios de Investigação e Análise dos Acidentes de Trabalho (RIAAT) ocorridos numa empresa no setor elétrico no período de 2005 a 2012, visando identificar e descrever as principais variáveis que afetam o número e os custos desses acidentes. Além disso, com o intuito de melhorar o acompanhamento do impacto financeiro dos acidentes na empresa, sugerem-se melhorias na descrição da RIAAT. Estudos desta natureza são de grande valor como ferramenta a ser empregada na minimização da frequência e gravidade dos acidentes.

(7)

vi

ABSTRACT

Workplace accidents are predictable phenomena that can be prevented and the factors that can unleash them are present in the workplace long before the occurrence of such events. Therefore, the neutralization of such factors can avoid the occurrence of other accidents (ALMEIDA; BINDER, 2000). Even with the commitment and mobilization of government, employers and employees by promoting accident prevention campaigns and academic studies, the number of workplace accidents in the country remains high when compared to the percentage found in more developed countries. Due to high rates of fatalities, preventive measures were developed, since the severity and frequency of injuries to workers and damage to machines required efforts to reduce such occurrences. Carrying out a preliminary identification of the risks and factors that may generate threats to the safety in the workplace allows taking preventive measures (PASSOS, 2003). This study consists of statistical analysis of Research and Analysis Reports of Workplace Accidents (RIAAT) occurring in an Electricity Company in the period of 2005-2012, aiming to identify and describe the main variables that affect the number and costs of such accidents. Moreover, with the intention of improving the monitoring of the financial impact of the accidents in the company, improvements in the RIAAT description are suggested. Studies of this nature are of great value to be used as a tool in reducing the frequency and severity of accidents.

(8)

vii

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO ... 1

1.1

JUSTIFICATIVA ... 3

1.2

OBJETIVOS ... 4

1.2.1

Objetivo Geral ... 4

1.2.2

Objetivos Específicos ... 4

1.3

METODOLOGIA ... 5

1.3.1

Apresentação dos dados dos Acidentes de Trabalho na Empresa ... 5

1.3.2

Tipo de Variáveis que serão Analisadas ... 5

1.3.3

Análise descritiva das variáveis ... 6

1.4

ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ... 6

2

CONTEXTO DO PROBLEMA ... 7

2.1

Definições de acidentes do trabalho ... 7

2.2

Tipo ou Classificação de Acidentes do Trabalho ... 13

2.2.1

Doença profissional ... 13

2.2.2

Doença do trabalho ... 14

2.2.3

Acidente de trajeto ou acidente de percurso ... 14

2.2.4

Acidente-tipo ou típico ... 15

2.2.5

Acidente sem lesão ... 15

2.2.6

Acidente impessoal ... 15

2.2.7

Acidente pessoal ... 16

2.3

Causas dos acidentes ... 16

2.3.1

Atos inseguros ... 16

2.3.2

Condições inseguras ... 18

2.4

Custos com acidentes ... 18

2.4.1

Custo direto ou segurado ... 19

2.4.2

Custo indireto ou não segurado ... 21

(9)

viii

2.5

Investigação de Acidentes ... 23

2.6

Indicadores de acidente de trabalho ... 29

2.6.1

Índice de Frequência ... 30

2.6.2

Índice de Gravidade ... 30

2.6.3

Índice de Custo ... 31

2.7

Acidentes no Setor Elétrico ... 32

2.7.1

Desenvolvimento da energia elétrica ... 33

2.8

Legislação Vigente ... 35

2.8.1

Legislação do Setor Elétrico ... 36

2.8.2

NBR 5410 – Instalação elétrica de baixa tensão ... 36

2.8.3

NR – 10 – Segurança em instalações e serviços em eletricidade .... 37

2.8.4

NBR 14039 – Instalação Elétrica de Média Tensão ... 37

2.8.5

Legislação do INSS ... 38

2.8.6

Instrução Normativa da Empresa ... 40

3

REVISÃO DA LITERATURA ... 42

3.1

Estatística descritiva ... 42

3.2

Correlação Linear ... 42

3.3

Testes não-paramétricos ... 43

3.3.1

Teste U de Mann-Whitney ... 44

3.3.2

Teste de Kruskal-Wallis ... 45

3.4

Estudos sobre Acidentes de Trabalho ... 46

4

RESULTADOS ... 51

4.1

Análise exploratória dos dados ... 51

4.2

Análise da quantidade de “dias perdidos” ... 71

4.2.1Aplicação de testes não-paramétricos para a variável “dias perdidos”.79

5

CONCLUSÃO ... 83

(10)

ix

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas

AEDB- Associação Educacional Dom Bosco CAT- Comunicação de Acidente de Trabalho

CEERMA- Centro de Estudos e Ensaios em Risco e Modelagem Ambiental

CIOC- Comunicação Interna de Ocorrência

CIPA- Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CLT- Consolidação das Leis do Trabalho

CNPS-Conselho Nacional de Previdência Social

DRT- Delegacia Regional do Trabalho

EPI- Equipamento de Proteção individual

FGTS- Fundo de Garantia por Tempo de Serviço

FITTEL- Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações GIIL-RAT- Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa dos Riscos Ambientais do Trabalho

INSS- Instituto Nacional de Seguro Social

ISSO- (InternationalOrganization for Standardization Organização Internacional para

Padronização)

MPS- Ministério da Previdência Social

NBR- Norma Brasileira Regulamentadora

NR- Normas Regulamentadoras

OHSAS- (Occupational Health and Safety Assessment Services, Serviços de Avaliação de

Saúde e Segurança Ocupacional

OIT- A Organização Internacional do Trabalho ORTN- Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional

RHSin- Sistema Integrado de Recursos Humanos

(11)

x

SAT- Seguro Acidente de Trabalho

SEP- Sistema Elétrico de Potência

(12)

xi

LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1: Quadro I de dias à debitar da NBR 14280. ... 12

Figura 2.2: Consequência dos acidentes de trabalho e seus respectivos tipos de benefícios da Previdência Social no Brasil. Fonte Santana et. al. (2006). ... 23

Figura 2.3: Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT ... 26

Figura 2.4: Quantidade de Acidentes causados no Brasil de 2009 a 2011. ... 28

Figura 2.5: Porcentagem das média dos tipos de acidentes ocorridos no Brasil de 2009 a 2011... 28

Figura 2.6: Fluxograma do Registro de Acidente do Trabalho na Empresa. ... 29

Figura 3.1: Acidentes com afastamento no setor elétrico Brasileiro ... 48

Figura 3.2: Número de acidentetados no setor elétrico e no Brasil ... 49

Figura 3.3: Gráfico de barras para as causas do acidentes no Setor Elétrico Brasileiro - Fator Pessoal Insegurança. ... 49

Figura 3.4: Gráfico de barras para as causas do acidentes no Setor Elétrico Brasileiro - Ato Inseguro. ... 50

Figura 3.5: Gráfico de barras para as causas do acidentes no Setor Elétrico Brasileiro – Condição Ambiente de Insegurança. ... 50

Figura 4.1: Horário de ocorrência dos acidentes para funcionários com jornada de trabalho normal. ... 55

Figura 4.2: Horário de ocorrência dos acidentes para funcionários com jornada de trabalho turno. ... 56

Figura 4.3:Jornada de Trabalho dos funcionários acidentados ... 56

Figura 4.4:Frequência dos dias da semana que ocorreram acidentes com os funcionários da jornada de trabalho normal. ... 57

Figura 4.5: Frequência dos dias da semana que ocorreram acidentes com os funcionários da jornada de trabalho turno... 57

Figura 4.6: Gráfico de barras comparando as idades de todos os funcionários e dos acidentados da empresa. 58 Figura 4.7: Total de acidentes ocorridos no ano ... 60

Figura 4.8: Quantidade de acidentes por Regional X por ano ... 60

Figura 4.9: Quantidade de acidentes por Diretoria X por ano ... 61

Figura 4.10: Taxa de Frequência dos acidentes ... 61

Figura 4.11:Taxa de gravidade dos acidentes ... 62

Figura 4.12: Gravidade do Acidente pela Classificação utilizada na RIAAT. ... 63

Figura 4.13: Frequência do tempo entre acidentes ... 63

Figura 4.14: Sexo dos funcionários com acidente registrado ... 64

Figura 4.15: Tipo do acidente de trajeto, típico ou doença ocupacional. ... 65

Figura 4.16:Acidente com/sem afastamento. ... 65

Figura 4.17: Quantidade média de funcionários terceirizados na empresa por ano. ... 66

Figura 4.18: Quantidade de acidentes de funcionários terceirizado. ... 66

Figura 4.19: Cargo dos funcionários acidentados ... 67

(13)

xii

Figura 4.21 Quantidade de acidentes por Cargo do funcionário X Acidente com/sem afastamento ... 68

Figura 4.22: Quantidade de acidentes por Cargo do funcionário X Sexo ... 68

Figura 4.23: Quantidade de acidentes por Cargo do funcionário X Jornada de trabalho ... 69

Figura 4.24: Quantidade de acidentes por Cargo do funcionário X Área ... 69

Figura 4.25: Quantidade de acidentes por Cargo do funcionário X Diretoria... 70

Figura 4.26: Gráfico de barras para as causas do acidente - Fator Pessoal Insegurança. ... 70

Figura 4.27: Gráfico de barras para as causas do acidente - Ato inseguro ... 71

Figura 4.28: Gráfico de barras para as causas do acidente - Condição Ambiental de Insegurança. ... 71

Figura 4.29: Histograma dos dias perdidos no período em estudo. ... 72

Figura 4.30: Box-plot dos dias perdidos no período em estudo. ... 73

Figura 4.31:Quantidades de Dias perdidos x por ano. ... 73

(14)

xiii

LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1: Quantidade de acidentes no Brasil durante o período de 2009 a 2011 ... 28

Tabela 4.1: Análise descritiva das variáveis quantitativas ... 53

Tabela 4.2: Porcentagem das variáveis dicotômicas (Sim e Não) ... 54

Tabela 4.3: Médias e desvios padrão das variáveis quantitativas por Regional ... 54

Tabela 4.4: Dados por Regional da empresa. ... 58

Tabela 4.5: Quantidade de acidentes por diretoria X quantidade de funcionários ... 59

Tabela 4.6: Classificação da incapacidade do acidentado ... 64

Tabela 4.7:Análise de correlações com a variável dias perdidos ... 74

Tabela 4.8: Análise de correlações da variável dias perdidos da Diretoria Administrativa/Econômica/Presidência com as variáveis selecionadas. ... 75

Tabela 4.9:Análise de correlações da variável dias perdidos da Diretoria Engenharia e Construção com as variáveis selecionadas. ... 76

Tabela 4.10:Análise de correlações da variável dias perdidos da Diretoria Operação com as variáveis selecionadas. ... 76

Tabela 4.11:Análise de correlações da variável dias perdidos do Cargo nível fundamental com as variáveis selecionadas. ... 77

Tabela 4.12:Análise de correlações da variável dias perdidos do Cargo nível médio com as variáveis selecionadas. ... 78

Tabela 4.13:Análise de correlações da variável dias perdidos do Cargo nível técnico com as variáveis selecionadas. ... 78

Tabela 4.14:Análise de correlações da variável dias perdidos do Cargo nível superior com as variáveis selecionadas. ... 79

Tabela 4.15: Medidas descritivas e teste de Mann- Whitney para “Sexo” e “Dias perdidos”. ... 80

Tabela 4.16: Medidas descritivas e teste de Mann- Whitney para “Idade” e “Dias perdidos”. ... 80

Tabela 4.17: Medidas descritivas e teste de Mann- Whitney “Tipo do acidente” e “Dias perdidos”. ... 80

Tabela 4.18: Medidas descritivas e teste de Mann- Whitney “Acidente na função” e “Dias perdidos”. ... 80

Tabela 4.19: Medidas descritivas e teste de Mann- Whitney para “Treinamento em Segurança do trabalho” e “Dias perdidos”. ... 81

Tabela 4.20:Medidas descritivas e teste de Mann- Whitney para “Tipo da jornada de trabalho” e “Dias perdidos”. ... 81

Tabela 4.21: Medidas descritivas e teste de Mann- Whitney “Treinamento na função” e “Dias perdidos”. ... 81

Tabela 4.22: Medidas descritivas e teste de Mann- Whitney para “Houve instrução específica para a atividade” e “Dias perdidos”. ... 81

Tabela 4.23: Medidas descritivas e teste de Mann- Whitney para “Tinha experiência anterior na atividade que se acidentou” e “Dias perdidos”. ... 82

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xiv

LISTA DE ANEXOS

ANEXO A - Demonstração da Base de Dados...8 8

ANEXO B - Relatório de Investigação e Análise de Acidentes do Trabalho (Sugestão)...89 ANEXO C - Relatório de Investigação e Análise de Acidentes do Trabalho (Antigo)...92 ANEXO D - Relatório de Investigação e Análise de Acidentes do Trabalho (Atual)...95

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1

1 INTRODUÇÃO

O ser humano vem procurando satisfazer suas necessidades ao buscar por seu crescimento profissional. A vida em sociedade é estruturada em função do trabalho, de maneira que a relação estabelecida entre o indivíduo e sua ocupação é um determinante na forma como se dá a sua inserção no meio social, sendo estudadas e avaliadas as repercussões do trabalho na saúde do homem.

O estudo da segurança do trabalhador passou a tomar uma atenção maior após a Revolução Industrial, quando o trabalhador se libertou com o surgimento do trabalho assalariado, e do empregador capitalista na imagem de patrão. Com o desenvolvimento de novas tecnologias de produção e a utilização de novas máquinas nas fábricas, o número de empregados que sofriam acidentes aumentou, ou ficaram mais evidentes, pois antes não eram citados por serem fatos que ocorriam com escravos ou povos de classes mais baixas, até que se estabeleceram mudanças nas relações patrão-empregado e surgiu a necessidade de melhorar as condições de trabalho, com o intuito de prevenir os acidentes, evitando atrapalhar o processo produtivo e a economia da organização ao se reduzir os gastos ocasionados com doenças ocupacionais.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) foi criada em 1919, após o término da I Guerra Mundial, onde houveram muitas mortes registradas na frente de batalhas e no interior das fábricas. O propósito da criação da OIT era estabelecer entre as nações, uma sistematização de políticas voltadas para o atendimento das reivindicações dos trabalhadores que cresciam constantemente (OLIVEIRA, 1994).

A partir de então, por volta de 1943, aumentaram as reivindicações trabalhistas e começaram a contar com uma legislação social ordinária, quando foi criada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a Lei nº 6.514/77 e a Portaria nº 3.214/78, que trata exclusivamente da Segurança e Medicina do Trabalho.

Algumas tragédias aconteceram em diversas regiões do planeta, cujas origens tiveram uma relação com a falha no processo de trabalho e na forma de organização adotada. Uma dessas tragédias ocorreu em Bophal, na Índia, em 1984, levando a morte cerca de duas mil pessoas em uma madrugada, após o vazamento de um gás letal conhecido como Metilis Ocianato (MOKHIBER, 1995). Esse fato constituiu-se um acidente químico ampliado,

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2

caracterizando-se como um acidente de trabalho, onde suas consequências aumentam com o tempo e com o espaço.

A Fundação Comitê de Gestão Empresarial - FunCOGE foi constituída em 1998 por 26 empresas do Setor Elétrico Brasileiro, é uma entidade jurídica de direito privado, que tem a missão de prover conhecimento e soluções da gestão empresarial que agreguem valor à cultura técnica das organizações, priorizando o setor energético, cujo objetivo é prestar assessoramento, assistência técnica e consultoria às empresas, visando o desenvolvimento institucional dos mesmos. Conta atualmente com 82 empresas participantes e 3102 contratadas, que fornecem as informações para serem calculadas as estatísticas dos acidentes no setor elétrico. Elaborando anualmente um Relatório de Estatística de Acidentes do Setor Elétrico Brasileiro.

Quem primeiro produziu energia no Brasil foi a usina termelétrica instalada em Campos, no ano de 1883, com a potência de 52 kW. Em 1920, cerca de 300 empresas serviam a 431 localidades do país, dispondo de uma capacidade instalada de 354.980 kW, sendo 276.100 kW em usinas hidrelétricas e 78.880 kW em usinas termelétricas.

As usinas hidrelétricas são as principais geradoras de energia elétrica, suprem as indústrias, comércio e os lares. A passagem de água por turbinas geradoras transformam a energia mecânica, originada pela queda da água, em energia elétrica. Segundo César-Filho (2008), a geração de energia elétrica no Brasil é 80% produzida a partir de hidrelétricas, 11% por termoelétricas e o restante por outros processos. A partir da usina, a energia é transmitida para os centros de consumo passando primeiro pelas subestações elevadoras, onde o nível de tensão é elevado e transportado através dos cabos elétricos das linhas de transmissão até as subestações rebaixadoras, que reduzem a tensão elétrica, através de transformadores para, em seguida, percorrer as linhas de distribuição, que podem ser subterrâneas ou, como é mais comum, aéreas. Finalmente, a energia elétrica é transformada novamente para os padrões de consumo local e chega às residências e outros estabelecimentos antes de ser encaminhada para consumo.

Geralmente quando se fala em setor elétrico, refere-se ao Sistema Elétrico de Potência (SEP), definido como o conjunto de todas as instalações e equipamentos destinados à geração, transmissão e distribuição de energia até a medição, inclusive. Para uniformizar e entendimento, é importante informar que o SEP trabalha com vários níveis de tensão classificadas em alta e baixa tensão e, normalmente, com corrente alternada em 60Hz.

(18)

3

Conforme definição dada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), considera-se “Baixa Tensão” – (medida entre fases ou entre fase e terra):

 Corrente Alternada: intervalo entre o valor superior a 50V e valor igual ou inferior a 1.000V.

 Corrente Contínua: intervalo entre o valor superior a 120V e valor igual ou inferior a 1.500V.

Visando a minimizar os riscos e proteger a vida de trabalhadores, usuários, animais e edificações, foram desenvolvidas algumas normas. No caso das empresas produtoras de energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que as fiscaliza, define toda a legislação que elas devem seguir. No caso das distribuidoras, existem algumas normas, tanto para o modo como os funcionários devem se precaver, como para que eles não deixem outras pessoas em risco. No Brasil, existem três normas que se aplicam a este setor:

 NR 10 - trata da Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade;

 NBR 5410 - trata de Instalações Elétricas de Baixa Tensão;

 NBR 14039 - trata de Instalações Elétricas de Média Tensão.

1.1 JUSTIFICATIVA

Cerca de 270 milhões de acidentes de trabalho e cerda de dois milhões de mortes ocorrem por ano em todo o mundo que, por serem potencialmente evitáveis, expressam negligência e injustiça social, de acordo com a OIT. No Brasil, este número chega a 700 mil por ano, dos quais três mil resultam em mortes, uma média de oito por dia. (Anuário Estatístico da Previdência Social, 2011).

Segundo Santana et. al. (2006), os estudos sobre estimativas científicas dos custos dos acidentes de trabalho têm se multiplicado nos últimos anos, pois a área da economia da saúde e a estreita relação entre trabalho e economia estão se desenvolvendo, seja pelos fatores de risco para os acidentes, seja pelos seus efeitos sobre a capacidade produtiva.

A importância de se prever os riscos associados a acidentes de trabalho é fundamental para reduzir custos relativos aos acidentados e evitar o afastamento do trabalhador atrapalhando sua produtividade. Há ainda impactos econômicos relativos à manutenção/substituição de equipamentos danificados, o pagamento de multas geradas pelo não cumprimento das normas do direito do trabalhador, além do resgate à imagem da

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4

organização pelo não atendimento de serviços contratados e/ou ocorrência de desastres sociais e ambientais. Portanto, torna-se imperativo o planejamento adequado de políticas de segurança e de procedimentos operacionais que minimizem as chances de ocorrência de incidentes e acidentes do trabalho decorrentes de erros humanos ou falhas de equipamentos, por exemplo. Para tanto, mostra-se indispensável a modelagem das interações e incertezas envolvendo pessoas, equipamentos e meio-ambiente.

O presente trabalho consitui a parte inicial de um projeto de P&D que visa contabilizar e prever custos com acidentes de trabalho em uma empresa do setor elétrico brasileiro. Foram coletados os dados sobre acidentes de trabalho ocorridos na sede e regionais do Nordeste da empresa ocorridos entre Janeiro de 2005 e Setembro de 2012. Tal empresa, em outubro de 2012 empregava um total de 5739 funcionários.

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Este trabalho tem como objetivo realizar análises estatísticas dos relatórios de investigação dos acidentes de trabalho ocorridos numa Empresa do Setor Elétrico no período de Janeiro de 2005 a Setembro de 2012. Estudos sobre frequência dos acidentes e sobre o impacto destes em termos de absenteísmo dos empregados são realizados para que programas de segurança possam ser propostos com o intuito de reduzir o número e o prejuízo gerado por tais acidentes. Pretende-se através deste trabalho mobilizar os gestores para a problemática dos acidentes de trabalho ocorridos na empresa, mostrando que a investigação e o monitoramento dos mesmos são importantes ferramentas para a criação de ações de prevenção mais eficazes na redução de tais acidentes.

1.2.2 Objetivos Específicos

*Fazer a aquisição da base de dados referentes ao histórico de acidentes de trabalho da empresa;

*Realizar a descrição das principais variáveis envolvidas;

*Calcular a correlação para identificação de variáveis que afetam o número de dias perdidos devido a acidentes de trabalho;

*Realizar testes estatísticos ara comparação de médias da variável “Dias Perdidos”;

*Propor um novo formato de Relatório de Investigação e Análise de Acidentes de Trabalho (RIAAT).

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5

1.3 METODOLOGIA

A pesquisa baseia-se em revisão de literatura, análise documental de registros de acidentes de trabalho de uma empresa do setor elétrico, um levantamento bibliográfico, estatístico, de pesquisas realizadas por meio de revistas e de trabalhos acadêmicos realizados sobre o mesmo assunto em anos anteriores. Uma Análise documental é uma modalidade de coleta de dados que busca informações em documentos conservados no interior de órgãos públicos e privados de qualquer natureza, ou com pessoas. Tais documentos podem ser registros, regulamentos, comunicações oficiais, relatórios e outros (VERGARA, 2005). No presente trabalho serão analisados todos os acidentes com e sem afastamento.

1.3.1 Apresentação dos dados dos Acidentes de Trabalho na Empresa

Os dados analisados foram coletados na própria empresa no sistema interno, cuja quantidade de funcionários em Setembro de 2012 era 5739. Essas informações foram extraídas das RIAAT’s preenchidas pelos técnicos de segurança do trabalho a respeito dos acidentes ocorridos no período de Janeiro de 2005 a Setembro de 2012. Nesse período, foram registrados 804 acidentes, dos quais 6 ocasionaram morte.

1.3.2 Tipo de Variáveis que serão Analisadas

Cada uma das características de interesse observadas ou medidas durante o estudo é denominada de variável. As variáveis que assumem valores numéricos são denominadas quantitativas, enquanto que as não numéricas, qualitativas. Uma variável é qualitativa quando seus valores são atributos ou qualidades. Se tais variáveis possuem uma ordenação natural, indicando intensidades crescentes de realização, são classificadas de qualitativas ordinais. Se não for possível estabelecer uma ordem natural entre seus valores, são classificadas como qualitativas nominais. As variáveis quantitativas podem ser classificadas ainda em discretas ou contínuas. Variáveis discretas podem ser vistas como resultantes de contagens, e assumem, em geral, valores inteiros. Variáveis contínuas podem assumir qualquer valor dentro de um intervalo especificado e são, geralmente, resultados de uma mensuração.

(21)

6

1.3.3 Análise descritiva das variáveis

Realizou-se uma análise descritiva inicial dos dados para ilustração das principais medidas descritivas, onde essas medidas foram representadas por intermédio de tabelas e gráficos. O intuito foi descrever e resumir os dados para se tirar conclusões a respeito de características voltadas à temática em estudo.

Para verificar se dois grupos são independentes e procedem da mesma população, utiliza-se o Teste de Mann-Whitney que é um teste não-paramétrico (quando não há suposição de normalidade) alternativo ao teste t-Student para comparar as médias de duas amostras independentes e para K amostras independentes aplica-se o teste não-paramétrico Kruskal- Wallis.

1.4 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO

A estrutura do trabalho apresenta-se em cinco capítulos, os quais são descritos abaixo: O Capítulo 1 contém a parte introdutória onde aborda-se algumas considerações do tema, os objetivos gerais e específicos, a metodologia usada, que foi a análise descritiva dos dados dos acidentes de trabalho na Empresa e a organização do trabalho.

O Capítulo 2 abrange o contexto do problema que mostra em linhas gerais os tópicos a seguir: definições de acidente do trabalho, tipo ou classificação de acidentes do trabalho, causas dos acidentes, custos com acidentes, legislação vigente, legislação do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), instrução normativa da Empresa, investigação de acidentes.

O Capítulo 3 a revisão da literatura que se deu através da contribuição de pesquisas já realizadas, voltadas para o tema e a organização do trabalho.

O Capítulo 4 trata a descrição das variáveis a serem analisadas e dos resultados obtidos através das análises descritivas, dos testes não-paramétricos e das correlações.

O Capítulo 5 descreve-se as dificuldades encontradas no desenvolvimento deste trabalho, bem como algumas conclusões dos resultados e, finaliza-se com sugestões propostas para a empresa e para trabalhos futuros.

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2 CONTEXTO DO PROBLEMA

Neste capítulo, apresentam-se algumas definições de acidente de trabalho, seus tipos e classificações, bem como as possíveis causas de acidentes e custos envolvidos nos mesmos. Em seguida, descreve-se sobre o problema da investigação e sobre o cálculo de indicadores sobre acidentes de trabalho. Por fim, descreve-se sobre os acidentes no setor elétrico e sobre a legislação vigente pertinente ao tema deste trabalho.

2.1 Definições de acidentes do trabalho

Muitas definições para o evento acidente do trabalho são relatadas, algumas são apresentadas a seguir. Primeiro, temos a definição legal:

Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. (artigo 19 da Lei 8.231/91)

Segundo Carmo (1995), dependendo do objetivo de quem formula as definições de acidente do trabalho, elas variam em função desses objetivos, os quais nem sempre estão atentos às suas implicações em termos sociais, econômicos, psicológicos e de prevenção. A variedade de definições do termo “acidente” é decorrente de implicações e de fatores que contribuem para os acidentes. Nenhuma definição de acidente satisfaz todas as pessoas interessadas nas suas causas e medidas preventivas (SANDERS; McCORMICK, 1993).

Definição prevencionista de acidente do trabalho:

Acidente do trabalho é qualquer ocorrência não programada, inesperada, que interfere ou interrompe o processo normal de uma atividade, trazendo como consequência isolada ou simultaneamente perda de tempo, dano material ou lesões ao homem.

Definição científica de acidente do trabalho:

O acidente pode ser visto como “o resultado de todo um processo de desestruturação na lógica do sistema de trabalho que, nessa ocasião, mostra suas insuficiências ao nível de

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projeto, e de organização e de modus operandi” (VIDAL, 1989 apud MATTOS; MASCULO, 2011).

Algumas definições são deparadas do Boletim Jurídico, 2012, Anuário Estatístico da Previdência Social 2010 e a Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) 14.280/2001:

 Lesões: Qualquer dano sofrido pelo organismo humano, como consequência de acidente do trabalho. As lesões são causadas à pessoa, que lhe atinjam a integridade física ou mental, em consequência de traumas, materiais ou morais, provenientes do meio externo, portanto causados por uma forma de energia exterior ao corpo humano. As lesões corporais são classificadas quanto a sua intensidade em leves, graves e gravíssimas, sendo definidas na legislação penal constante do art.129 e parágrafos do Código Penal brasileiro;

 Lesões leves: Qualquer lesão relatada que não for séria. O conceito de lesão corporal de natureza leve é estabelecido por exclusão, uma vez que o art. 129 do Código Penal define a ofensa à integridade corporal ou à saúde de outrem, tendo como agravantes as tipificações dos parágrafos 1o, 2o, 3o e 7o, conseqüentemente, as demais agressões são leves;

 Lesões graves ou fatais: Inclui lesões sérias e incapacitantes. Relacionam-se ao § 1o do art.129, CP, que em seus incisos estabelecem como graves as lesões que resultem em: I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 30 (trinta) dias: II - perigo de vida, III - debilidade permanente de membro, sentido ou função, IV - aceleração de parto;

 Lesões gravíssimas: Fruto de definição doutrinária, as lesões corporais de natureza gravíssima decorrem do agravamento punitivo inscrito no § 2o do art.129 do Código Penal brasileiro. Estão vinculadas diretamente às lesões que causem: I - incapacidade permanente para o trabalho, II - enfermidade incurável, III - perda ou inutilização de membro, sentido ou função, IV - deformidade permanente, V – aborto;

 Lesão corporal seguida de morte: O Código Penal no art.129, § 3o, aborda a lesão corporal que resulte no óbito da vítima. Mesmo não tendo sido o objetivo final do agente, a morte da vítima agrava a pena, pois se trata de uma ação dolosa com resultado culposo. Cabe à perícia médica, emitir o laudo que identifique a vítima, a sede das lesões, seus aspectos e dimensões, consequências funcionais, grau de deformidade etc;

 Lesão sem afastamento (lesão não incapacitante ou lesão sem perda de tempo): é a lesão que não impede o acidentado de voltar ao trabalho logo após a ocorrência ou no dia imediato ao do acidente, de exercer suas funções habituais, desde que não haja incapacidade permanente. Esta lesão não provoca a morte e não impede o acidentado de voltar ao trabalho no dia imediato ao do acidente, desde que não haja incapacidade permanente total ou parcial

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ou incapacidade temporária total, no entanto, exige primeiros socorros ou socorros médicos de urgência;

 Lesão com afastamento (lesão com perda de tempo ou incapacitante): é a lesão pessoal que impede o acidentado de voltar ao trabalho no dia imediato ao do acidente ou de que resulte incapacidade permanente. Esta lesão pode provocar incapacidade permanente total, incapacidade permanente parcial, incapacidade temporária total ou morte;

 Dano: é a consequência de um perigo, em termos de lesão, doença, prejuízo à propriedade, meio ambiente ou uma combinação destes;

 Incidentes (ou quase-acidente): são eventos ou fatos negativos que têm o potencial para provocar lesão ou dano, mas que não chegam a causá-los e antecedem as perdas, podendo dar origem a um acidente;

 Perigo: é a fonte ou situação com potencial para provocar danos ao homem, à propriedade ou ao meio ambiente, ou a combinação destes;

 Risco: é a combinação da probabilidade de ocorrência e da gravidade de um determinado evento perigoso;

 Saúde: é o equilibrado bem-estar físico, mental e social do ser humano;

 Fonte da Lesão: Coisa, substância, energia ou movimento do corpo que diretamente provocou a lesão;

 Assistência Médica: Corresponde aos segurados que receberam apenas atendimentos médicos para sua recuperação para o exercício da atividade laborativa;

 Incapacidade Temporária: Compreende os segurados que ficaram temporariamente incapacitados para o exercício de sua atividade laborativa em função de acidente ou doenças do trabalho. Durante os primeiros 15 dias consecutivos ao do afastamento da atividade, caberá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. Após este período, o segurado deverá ser encaminhado à perícia médica da Previdência Social para requerimento do auxílio-doença acidentário - espécie 91, no caso de trabalhador avulso e segurado especial, o mesmo será pago a partir da data do acidente;

 Incapacidade temporária total: É a perda total da capacidade de realização do trabalho, resultando em um ou mais dias perdidos, excetuados a morte, a incapacidade permanente parcial e a incapacidade permanente total. Permanecendo o acidentado afastado de sua atividade por mais de um ano, a incapacidade temporária será automaticamente considerada permanente, sendo computado o tempo de 360 dias;

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 Incapacidade Temporária Parcial: não causa afastamento do acidentado, correspondendo, portanto, a lesão sem perda de tempo;

 Incapacidade Permanente: Refere-se aos segurados que ficaram permanentemente incapacitados para o exercício laboral. A incapacidade permanente pode ser de dois tipos: parcial, redução da capacidade de trabalho em função atual, e total, quando o indivíduo apresenta incapacidade permanente e total para o exercício de qualquer atividade laborativa;

 Incapacidade permanente total: É a perda total da capacidade de trabalho, em caráter permanente, exclusive a morte. Esta incapacidade corresponde a lesão que, não provocando a morte, impossibilita o acidentado, permanentemente, de exercer ocupação remunerada ou da qual decorre a perda ou a perda total do uso dos seguintes elementos: ambos os olhos; um olho e uma das mãos, ou um olho e um pé; ambas as mãos ou ambos os pés, ou uma das mãos e um pé, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas- ABNT.

 Incapacidade permanente parcial: É o fato do acidentado em exercício laboral, após o devido tratamento psicofísico-social, apresentar sequela definitiva que implique em redução parcial da capacidade de trabalho, em caráter permanente. Esta incapacidade corresponde a lesão que não provocando morte ou incapacidade permanente total, é causa de perda de qualquer membro ou parte do corpo, perda total do uso desse membro ou parte do corpo, ou qualquer redução permanente de função orgânica, segundo ABNT.

 Morte ou Óbito: Corresponde a quantidade de segurados que faleceram em função do acidente do trabalho; É a cessação da capacidade de trabalho pela perda da vida, independentemente do tempo decorrido desde a lesão. Deverão ser considerados 6000 dias para efeito de dias debitados;

 Horas-homem de exposição ao risco: As horas-homem são calculadas pelo somatório das horas de trabalho de cada empregado. Em certo período, se todos trabalham o mesmo número de horas, é o produto do número de homens pelo número de horas. Vinte e cinco homens trabalhando, cada um, duzentas horas por mês, totalizando cinco mil horas-homem. Quando o número de horas trabalhadas varia de grupo para grupo, calculam-se os vários produtos, que serão somados para obtenção do resultado final. Vinte e cinco homens, dos quais 18 trabalham cada um, 200 horas por mês, quatro trabalham 182 e três, apenas, 160, totalizam 4.808 horas-homem;

 Tempo computado: É o tempo contado em dias perdidos por incapacidade temporária total, ou dias debitados por morte ou incapacidade permanente, total ou parcial.

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 Dias perdidos: São os dias perdidos por afastamento em decorrência do acidente do trabalho. São considerados dias perdidos: os dias subsequentes da lesão (inclusive dias de repouso remunerado, feriados e outros dias em que a empresa, estiver fechada), em que o empregado continua incapacitado para o trabalho; os dias subsequentes ao da lesão perdidos exclusivamente devido a não disponibilidade de assistência médica com recursos de diagnóstico necessário, excetuados os casos em que o médico for de parecer que o acidentado estava inteiramente apto para o trabalho nesses dias; os dias em que a duração do tratamento médico impedir ao acidentado a execução integral de suas tarefas diárias, exceto se o acidentado dispuser de condições e tempo para executar outras tarefas compatíveis com as suas funções. Não são comutáveis o dia da lesão e o dia em que o acidentado é considerado apto para retornar ao trabalho e não se considera perdido o tempo despendido nas chamadas “lesões sem perda de tempo”;

 Dias debitados: São dias não realmente perdidos, que devem ser debitados por morte ou incapacidade permanente, total ou parcial de acordo com o Quadro I da NBR 14280, mostrado na Figura 2.1.

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2.2 Tipo ou Classificação de Acidentes do Trabalho

Diante de todas estas definições e conceitos apresentados, vamos utilizar uma padronização, apresentando os conceitos que achamos que é mais didático e mais fácil de assimilação.

No processo de registro dos acidentes do trabalho, de acordo com a Previdência Social, o acidente do trabalho é classificado tecnicamente nos seguintes termos: doença profissional, doença do trabalho, acidente de trajeto ou acidente de percurso, acidentes-tipo ou típicos. Além desses, na ABNT a NBR14280 classifica os acidentes também como acidente sem lesão, acidente impessoal, acidente pessoal.

2.2.1 Doença profissional

“Doença profissional, assim entendida, é a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante de respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social.” (artigo 20 da Lei 8.213/91)

Pode-se dizer que doença profissional é aquela em que o trabalhador ou trabalhadora ficam expostos a determinadas substâncias ou produtos que podem provocar uma doença específica na execução de uma atividade profissional. O conceito de doença profissional está ligado à profissão do trabalhador ou trabalhadora (trabalho peculiar a determinada atividade). Significa que determinada doença acontece em pessoas que executam determinados trabalhos ou possuem determinadas profissões (FANTAZZINI, 2009).

Alguns exemplos de doenças profissionais são relatadas em diversos trabalhos como sendo: Dort é o conjunto de doenças que atingem os músculos, tendões e nervos superiores e que tem relação com as exigências das tarefas, dos ambientes físicos e da organização do trabalho. São inflamações provocadas por atividades de trabalho que exigem movimentos manuais repetitivos durante longo tempo; Bissinose que ocorre com trabalhadores que desenvolvem atividades com algodão; Siderose ocorre com quem desenvolve atividades com limalha e partículas de ferro, para quem trabalha com o metal; Asbestose: ocorre com quem desenvolve atividades com amianto (provoca câncer no pulmão).

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2.2.2 Doença do trabalho

“Doença do trabalho, assim entendida, a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante relação mencionada no inciso I.” (artigo 20 da Lei 8.213/91)

As principais causas de doenças do trabalho são por contaminação de produtos ou substâncias presentes em condições especiais na execução de um trabalho. Elas não fazem parte da profissão do trabalhador, mas podem ser adquirida em função da realização de algum trabalho, ou trabalhos, que expõe ao agente responsável pela ocorrência da doença (FANTAZZINI, 2009).

Assim como as doenças profissionais também as doenças do trabalho são mostradas em trabalhos a exemplo tem-se: estresse que nada mais é do que a resposta do organismo a uma situação de ameaça, tensão, ansiedade ou mudança, seja ela boa ou má, pois o corpo esta se preparando para enfrentar o desafio; a fadiga que é um estado de nosso organismo produzido por um trabalho de longa duração ou com exigências acima das capacidades do operador, que, entre outros sintomas, apresenta certa redução da capacidade e do gosto para o trabalho; sofrimento mental, exemplo deste caso tem-se a neurose das telefonistas- uma constante presença de cefaleia, zumbidos e assobios em alteração do sono e do humor. Essas perturbações produzem-se não só durante o trabalho, mas também fora dele.

No decreto da Lei n. 3.048 de 6 de maio de 1999. “Agentes patogênicos causadores de doenças profissionais ou do trabalho, conforme previsto no artigo 20 da Lei n. 8.213, de 1991” no § 1º parágrafo da Lei, as doenças que não são consideradas doenças do trabalho. No § 2º parágrafo diz que: em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá-la acidente do trabalho.

2.2.3 Acidente de trajeto ou acidente de percurso

De acordo com o artigo 21, inciso VI, da Lei 8.213:

Acidente de trajeto é o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho, a serviço da empresa ou no percurso da residência para o local de trabalho ou desde para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado.

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Deixa de caracterizar-se acidente de trajeto quando o empregado tenha por interesse próprio, interrompido ou alterado o percurso normal, da sua residência para o local do trabalho.

2.2.4 Acidente-tipo ou típico

Considera-se um acidente tipo todo evento que ocorre pelo exercício do trabalho ou a serviço da empresa que acarreta perturbação funcional (doença física ou mental) ou lesão corporal, resulta na morte ou em incapacidade (temporária ou permanente, total ou parcial).

A Associação Educacional Dom Bosco (AEDB) diz que a expressão "Acidente-tipo" na prática está consagrada para definir a maneira como as pessoas sofrem a lesão, isto é, como se dá o contato entre a pessoa e o agente lesivo, seja este contato violento ou não. A boa compreensão do Acidente-tipo facilitará a identificação dos atos inseguros e condições inseguras.

Diferentemente da doença ocupacional, no acidente tipo é possível saber exatamente o momento da lesão, sendo possível ainda estabelecer a cronologia entre lesões sucessivas.

Os acidentes do trabalho, sendo típico ou de trajeto se dividem em acidentes com afastamento e acidentes sem afastamento.

 Acidente sem afastamento: é a lesão que não impede ao empregado de exercer suas funções habituais, logo após a ocorrência do acidente ou no dia imediato.

 Acidente com afastamento: é a lesão que incapacita o empregado de voltar ao trabalho no dia imediato ao acidente.

2.2.5 Acidente sem lesão

“É o acidente que não causa lesão pessoal.” (NBR14280, 2001)

2.2.6 Acidente impessoal

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“Acidente cuja caracterização independe de existir acidentado, não podendo ser considerado como causador direto da lesão pessoal. Pode ser acidente inicial que é um desencadeador de um ou mais acidentes ou espécie que caracteriza a ocorrência de acidente impessoal de que resultou ou poderia ter resultado acidente pessoal.”

2.2.7 Acidente pessoal

“Acidente cuja caracterização depende de existir acidentado. Tipo de acidente pessoal é a caracterização da maneira pela qual a fonte da lesão causou a lesão.” (NBR14280, 2001).

2.3 Causas dos acidentes

A causa do acidente pode ser definida como qualquer fator que, se removido, teria evitado o acidente, é a ação e/ou a condição que precede imediatamente o acidente (REDONDO, 1970).

Na obra Industrial Accident Prevention, Heinrich (1959), indica que os acidentes de trabalhos se devem em seqüência, à prática de atos inseguros e a existências de condições inseguras nos locais de trabalho. É importante que medidas preventivas de controle desses tipos de causas de acidentes sejam adotadas. Para o efetivo sucesso de tais medidas, o conhecimento das causas dos acidentes é primordial. Estas, por sua vez, podem ser identificadas através da coleta de dados durante a investigação dos acidentes. A elaboração e o uso de quadros estatísticos (baseados nos dados coletados) podem ser considerados, portanto, como fundamentais para a programação de prevenção de acidentes.

São estas irregularidades físicas ou eletromecânicas que colocam em risco a integridade física e mental do trabalhador e também os bens materiais da empresa.

2.3.1 Atos inseguros

As Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho (NR) são publicações do Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo a NR- 01 – MTB – “cabe ao empregador cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e

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medicina do trabalho”. Deve ficar claro que o importante não é eliminar a ação ou ato e sim modificar a decisão mental de fazer ou não algo.

Os atos inseguros são representados por atitudes comportamentais pelas quais o trabalhador se expõe consciente ou inconscientemente a riscos de acidentes e violam as normas de segurança da empresa e ao bom senso, que levam o trabalhador ao acidente, podendo ocorrer de forma direta e indireta. Os fatores, que podem causar a incompatibilidade entre o homem e sua função e, consequentemente, estão relacionados a esses atos são de ordem física, biológica, psicológica, emocional e/ou organizacional. Por exemplo, pode-se citar: idade, fadiga, sexo, coordenação visual, grau de atenção, tempo de reação aos estímulos, personalidade, desajustamento, diminuição de funções, problemas que afetam o comportamento devido a preocupações, problemas pessoais, negligência, rotina, pressão conjuntural, falta de programas e investimento em segurança industrial, falta de treinamento e outros. Portanto, os atos inseguros no trabalho provocam a grande maioria dos acidentes.

Segundo estatísticas correntes, cerca de 80% do total dos acidentes do trabalho são oriundos do próprio trabalhador. Portanto, os atos inseguros no trabalho provocam a grande maioria dos acidentes.

De acordo com Redondo (1970) os atos inseguros mais comuns são: levantamento impróprio de carga (com o esforço desenvolvido a custa da musculatura das costas); permanecer embaixo de cargas, manutenção, lubrificação ou limpeza de máquinas em movimento; abusos, correr, e tirar brincadeiras grosseiras no local de trabalho; realização de operação, manutenção em máquinas ou equipamentos elétricos para as quais não esteja devidamente autorizado, treinado; remoção de dispositivos de proteção ou alteração em seu funcionamento, de maneira a torná-los ineficientes; operação de máquinas a velocidades inseguras; uso de equipamento inadequado, inseguro ou de forma incorreta (não segura); deixar de usar, ou fazer o uso incorreto do Equipamento de Proteção Individual (EPI) necessário para a execução de sua tarefa; utilizar objetos de adorno, tais como relógio, anéis, pulseiras, correntes, ao trabalhar; improvisar ferramentas e/ou equipamentos de trabalho; transportar e/ou elevar objetos pesados de maneira incorreta; colocar-se em local perigoso; empilhar materiais de forma insegura; trabalhar sobre máquinas e/ou equipamentos elétricos, em movimento; não manter suas áreas de trabalho arrumadas e limpas; manipular ou manusear produtos químicos de forma incorreta; fumar próximo a inflamáveis e/ou locais proibidos; ingerir bebidas alcoólicas no trabalho; trabalhar em altura superior a 2 metros sem proteção.

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2.3.2 Condições inseguras

As condições inseguras são situações de risco, presentes no meio ambiente de trabalho que podem causar acidente e doenças profissionais. As deficiências apresentam-se como problemas técnicos e materiais e encontram-se nas formas mais variadas. Ocorrem por falta de planejamento, prevenção ou omissão de requisitos essenciais relacionados a medidas de higiene e segurança para manutenção do ambiente físico, relativamente isentos de riscos.

Ilustrando as definições de Redondo (1970), as condições inseguras podem ser classificadas nas categorias a seguir: proteção mecânica inadequada, maquinaria desprotegida ou mal protegida; condição defeituosa do equipamento; projeto ou construções inseguros; ventilação ou iluminação incorreta ou inadequada; piso irregular, escorregadio, fraco ou desnivelado; áreas de trabalho insuficientes; excesso de ruído; instalações com defeitos ou impróprias; falta de proteção em partes móveis de máquinas; falta de sinalização; processos, operações ou disposições perigosos (empilhamento perigoso, armazenagem, passagens obstruídas, etc.); vestimenta ou roupa insegura (mangas compridas, ausência de luvas,aventais, calçados).

2.4 Custos com acidentes

Perante as definições de acidente e incidente do trabalho surge o interesse de conhecer o custo derivado do mesmo. Apesar de não serem muitos os estudos sobre os custos de acidentes de trabalho ou do seu impacto sobre a produtividade, foi a partir de 1959 que H. W. Heinrich efetuou os primeiros estudos. Em 1982, Cicco (1984) conduziu pesquisa pioneira sobre esse tema, com todas as empresas nacionais registradas na época, com 500 ou mais trabalhadores. Nesse estudo, estimaram-se os custos segurados e não segurados que correspondiam aos 15 primeiros dias de afastamento do trabalho, um encargo da empresa. De um total de 263 empresas, calculou-se em 7.354.068 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN), referência monetária à época, os custos segurados, sendo o total correspondente a 27.962 ORTN. As empresas com maiores custos totais com acidentes de trabalho foram as indústrias química e farmacêutica, as do setor de transporte e as de comunicação e radiodifusão.

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Os acidentes com trabalhadores trazem aspectos negativos, para o empregador, para a pessoa ferida, para sua família e para toda a sociedade. Segundo Bellovi et. al. (1994), os custos dos acidentes devem ser considerados sob dois aspectos o humano e o econômico, o humano está relacionado com o sofrimento físico que acompanham a lesão, a dor, a invalidez que muitas vezes resultam em mortes. Já os custos econômicos constituem os gastos e perdas que o acidente causou. Os gastos que ocasionam a perda dos dois tipos de custos estão fortemente ligados e muitas vezes não são fáceis de diferenciar.

Heinrich (1959) considerou que os custos dos acidentes de trabalho se dividiam em dois grupos o custo direto ou segurado e indireto ou não segurado. Para Bellovi (1994), esses custos são subdivisões do custo econômico.

2.4.1 Custo direto ou segurado

Segundo Redondo (1970), o custo direto ou segurado diz respeito a todas as despesas ligadas diretamente ao atendimento do acidentado, as quais são de responsabilidade da companhia seguradora (que faz o seguro de acidentes de trabalho da empresa onde trabalha o acidentado), no Brasil a seguradora é o INSS. O custo segurado representa literalmente a saída de dinheiro, fica implantado um setor responsável em calcular os custos da empresa.

Esse custo cobre despesas médica, hospitalares e farmacêuticas para o acidentado auxiliando na sua recuperação para que possa reassumir sua ocupação; pagamentos de diárias e indenização ao acidentado, enquanto permaneça afastado do serviço; e transporte do acidentado, do local de trabalho ao local de atendimento.

A taxa de seguro de acidentes do trabalho, paga pela empresa à Previdência Social, representa um desembolso imediato para o empregador e representa o custo do seguro de acidentes do trabalho que o empregador deve pagar ao INSS, conforme determinado no Art. 26º do Decreto n. 2.173, de 05/03/1997.

A Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIIL-RAT) ou o antigo Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) representa a contribuição da empresa, prevista no inciso II do artigo 22 da Lei 8212/91, e consiste em percentual que mede o risco da atividade econômica, cabendo à empresa o enquadramento no respectivo grau de risco de acordo com sua atividade preponderante. A alíquota de contribuição para o RAT será de 1% (um por cento) para a empresa em cuja

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atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve, de risco mínimo; 2% (dois por cento) para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio e de 3% (três por cento) para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos. Havendo exposição do trabalhador a agentes nocivos que permitam a concessão de aposentadoria especial, há acréscimo das alíquotas na forma da legislação em vigor (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2010).

É o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) que afere o desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período. O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais sobre a alíquota RAT.

A Lei Nº 10.666, de 8 de maio de 2003, possibilitou a redução ou majoração da contribuição, recolhida pelas empresas, destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. A referida Lei, em seu art. 10, prescreve que as alíquotas de 1%, 2% ou 3%, por empresa, poderão variar entre a metade e o dobro, de acordo com a metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS). Trata-se, portanto, da instituição de um fator, Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que é um multiplicador sobre a alíquota de 1%, 2% ou 3% correspondente ao enquadramento da empresa segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) preponderante, nos termos do Anexo V do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048, de 6 de maio de 1999.

O objetivo do FAP é incentivar a melhoria das condições de trabalho e da saúde do trabalhador estimulando as empresas a implementarem políticas mais efetivas de saúde e segurança no trabalho para reduzir a acidentalidade. Assim, o FAP, que será recalculado periodicamente, individualizará a alíquota de 1%, 2% ou 3% prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social-RPS, majorando ou reduzindo o valor da alíquota conforme a quantidade, a gravidade e o custo das ocorrências acidentárias em cada empresa. Portanto, com o FAP, as empresas com mais acidentes e acidentes mais graves em uma CNAE passarão a contribuir com um valor maior, enquanto as empresas com menor acidentalidade terão uma redução no valor de contribuição.

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A partir da competência 01/2010, as empresas continuam informando o campo RAT na GFIP e passam a informar também o campo FAP, conforme Manual da GFIP, Capítulo III, item 2.4. O FAP está normatizado no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, atualizado pelo Decreto 6.957/2009.

2.4.2 Custo indireto ou não segurado

O custo indireto ou não segurado engloba todas as despesas, que geralmente não são atribuídas aos acidentes, mas que se manifestam como consequência indireta dos mesmos. Essas despesas são de responsabilidade da empresa, e não do INSS.

Esses custos são: gastos de contratação e treinamento de um substituto; salário dos primeiros 15 dias de afastamento, sem que ele produza; custos de materiais ou equipamentos danificados; custos comerciais e administrativos; atrasos na produção ou serviços urgentes de reparação; diminuição da eficiência do acidentado ao retornar o trabalho; despesas com treinamento do substituto do acidentado; despesas médicas não cobertas pelo INSS; aluguel de equipamentos; multas contratuais pelo não cumprimento de prazos; perda de bônus na renovação do seguro patrimonial; despesas decorrentes da substituição ou manutenção de peça danificada; prejuízos decorrentes de danos causados ao produto no processo; em propaganda para recuperar a imagem da empresa; pagamento de horas-extras para cobrir o prejuízo causado à produção; gastos de energia elétrica e demais facilidades das instalações (horas-extras); pagamento das horas de trabalho despendidas por supervisores e outras pessoas e ou empresas, na investigação das causas do acidente, na assistência médica para os socorros de urgência, no transporte do acidentado, em providências necessárias para regularizar o local do acidente, em assistência jurídica (REDONDO, 1970).

Quanto mais eficiente for à prevenção de acidentes menor serão os custos indiretos. Isto pode ser conseguido com um bom programa de prevenção, levantando estudos individuais que levem ao custo real do acidente, gerando redução dos custos indiretos que varia de empresa para empresa.

2.4.3 Consequências do acidente do trabalho

As consequências dos acidentes do trabalho são catastróficas, pois envolvem as pessoas que se incapacitam com uma lesão parcial ou total, temporária ou permanente para o

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trabalho, no caso da empresa existe a perda de material, de mão de obra, desgaste da imagem, elevando o custo operacional e envolve a sociedade com o aumento das pessoas que passam a depender da instituição governamental para sua sobrevivência.

Algumas regras são estabelecidas pela lei n° 8.213/91 que visam a obrigar o empregador a prevenir os acidentes e doenças do trabalho e profissionais. A seguir destacam-se algumas normas previstas nessa lei.

O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantido pelo prazo mínimo de doze meses a manutenção do seu contrato de trabalho da empresa, após a cessão do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente (Art. 118 da lei n° 8213/91). O trabalhador acidentado, além da dificuldade no reingresso no mercado de trabalho, muitas vezes era demitido após o retorno ao trabalho. Desse modo, a lei n° 8213/91 estabeleceu a estabilidade provisória no emprego de 12 (doze) meses sendo o pressuposto para esse direito a concessão ao auxílio-doença que, como vimos anteriormente, é devido após o afastamento por mais de 15 dias.

Essa mesma lei dispõe que a empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador (art. 19,§ 1°), além de constituir contravenção penal punível com multa, quando a empresa deixar de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. Já o art.120 da referida lei estabelece que nos casos de negligência quanto às normas padrão de segurança e higiene do trabalho indicadas para proteção individual e coletiva, a Previdência Social proporá a ação regressiva contra os responsáveis (SALIBA, 2008).

Segundo a NBR 14.280/2001as consequências dos acidentes do trabalho podem ser divididas em Lesão Pessoal, Incapacidade Permanente Total, Incapacidade Permanente Parcial, Incapacidade Temporária Total.

Será apresentado na Figura 2.2, um resumo dos diferentes tipos de consequências dos acidentes de trabalho, com seus respectivos tipo de beneficio pago pela Previdência Social no Brasil.

Referências

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