UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
DHE – DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO
CURSO DE PEDAGOGIA
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS:
HISTÓRIAS E CONTEXTOS
MICHELE VARGAS DA SILVA
Ijuí – RS 2013
MICHELE VARGAS DA SILVA
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS:
HISTÓRIAS E CONTEXTOS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Pedagogia da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul como requisito parcial para obtenção do título de licenciado em Pedagogia.
Orientadora: Professora Mestre Julieta Ida Dallepiane
Ijuí – RS 2013
MICHELE VARGAS DA SILVA
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS:
HISTÓRIAS E CONTEXTOS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Pedagogia da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul como requisito parcial para obtenção do título de licenciado em Pedagogia.
Aprovado em .../.../... Banca Examinadora: ____________________________________ Prof. Me.../UNIJUÍ ____________________________________ Prof. Me ...
DEDICATÓRIA
Agradeço primeiramente a Deus por ter me concedido o dom da vida, por ter-me colocado nesse curso maravilhoso e por iluminar a minha trajetória. Dedico a todos aqueles que estiveram presentes comigo ao longo da minha caminhada.
À minha família, pelo exemplo de dedicação e superação.
Às minhas professoras do curso de Pedagogia, pelo apoio incondicional.
Ao meu esposo e filhos pelo amor e carinho que me proporcionam e momentos de descontração.
A minha professora orientadora Julieta Ida Dallepiane, por ter acreditado no meu potencial, por me ensinar e por poder contar com sua amizade.
Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática. (Paulo Freire, 1991, p. 58)
RESUMO
A pesquisa tratou da violência doméstica e suas evidências no cotidiano escolar. Sua contribuição para a formação do pedagogo situa-se no campo da atenção aos indícios da violência e às medidas de proteção. O campo empírico da pesquisa foi o cotidiano escolar em uma escola pública municipal de Ijuí/RS e o acompanhamento de dados junto ao Conselho Tutelar. Foi estabelecida relação entre os aspectos teóricos e a realidade vivida, com base nos autores Mariza Alberton, Viviane Nogueira Guerra, Maria Amélia Azevedo e Paulo Freire. A investigação bibliográfica sobre conceitos, causas e efeitos da violência intrafamiliar com crianças, apontam aos professores possibilidades de reflexão, de compreensão, apoio e de orientação às crianças vítimas de violência. Os resultados obtidos mostram que historicamente a violência contra crianças não é recente, ela manifesta-se através de diversos tipos de agressões de acordo com os contextos vividos e chamam a atenção ao papel da escola e dos professores na constatação e encaminhamentos do problema, considerando as inúmeras consequências às vitimas deixando profundas marcas e interferências nas aprendizagens escolares.
ABSTRACT
The research dealt with domestic violence and their evidence in everyday school life. His contribution to the formation of the educator lies in the field of attention to evidence of violence and protection measures. The empirical field research was the school routine in a public school Ijuí / RS and monitoring data by the Guardian Council. Was established relationship between the theoretical and the lived reality, based on the authors Mariza Alberton, Viviane Nogueira War, Amelia Maria Azevedo and Paulo Freire. The research literature on concepts, causes and effects of domestic violence with children, teachers indicate possibilities of reflection, understanding, support and guidance to children victims of violence. The results show that historically the violence against children is not new, it manifests itself through various types of attacks according to the lived contexts and call attention to the role of schools and teachers in finding and referral of the problem, considering the numerous consequences for victims leaving deep marks and interference in academic learning.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ... 8
CAPÍTULO I VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS ... 10
1.1 CONTEXTUALIZANDO HISTORICAMENTE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS ... 10
1.2 A INSTITUIÇÃO DO ECA – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE . 13 CAPÍTULO II VIOLÊNCIAS NAS FAMÍLIAS ... 15
2.1 A VIOLÊNCIA FAMILIAR NO CONTEXTO DA SOCIEDADE ATUAL ... 15
2.2 CAUSAS DAS VIOLÊNCIAS DOMÉSTICAS ... 16
2.3 AGRESSIVIDADE OU VIOLÊNCIA? ... 18
CAPÍTULO III VIOLÊNCIAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS ... 22
3.1 TIPOS DE VIOLÊNCIAS ... 22
3.1.1 Violência Física ... 22
3.1.2 Violência Sexual ... 23
3.1.3 Violência Psicológica ... 24
3.1.4 Negligência ... 25
3.2 CONSEQUÊNCIAS DAS VIOLÊNCIAS SOFRIDAS PELAS CRIANÇAS ... 25
3.3 A REALIDADE VIVIDA E OBSERVADA NO COTIDIANO ... 27
3.4 A FUNÇÃO DA ESCOLA E DO PROFESSOR FRENTE A VIOLÊNCIA FAMILIAR ... 30
CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 35
INTRODUÇÃO
O tema despertou interesse uma vez que durante o estágio em Educação Infantil, teve-se o contato com efeitos de violências familiares contra crianças na faixa etária entre quatro a cinco anos. A situação, além de comovente, desafiou os conhecimentos e preparo individuais e da própria escola para tratar dessa questão. Percebe-se que é um tema sobre o qual não há clareza nem determinação para abordá-lo como elemento da prática pedagógica. Considerando que o ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente preconiza a proteção em rede e que a escola faz parte dessa rede, tanto escola como cada professor em sua turma, não devem deixar passar desapercebidas as situações que rompem com os direitos das crianças. O não enfrentamento tanto teórico quanto prático da violência intrafamiliar contribui com a naturalização da violência que por vezes acontece por motivos fúteis.
O objetivo desse trabalho de conclusão de curso é trazer à reflexão elementos que podem contribuir na formação como pedagoga, aprofundando referenciais teórico-práticos de autores como Mariza Alberton, Viviane Nogueira Guerra, Maria Amélia Azevedo e Paulo Freire. As vivências cotidianas enquanto educadora estagiária em escola municipal de Ensino Fundamental do município de Ijuí (RS) e acompanhamento de dados junto ao Conselho Tutelar deste município constituiu o campo empírico que possibilitou relações entre autores e realidade vivida.
A organização da escrita deste trabalho monográfico busca no primeiro capítulo contextualizar a temática da violência, com foco na família e os tipos de violência mais frequentes contra crianças.
No capítulo seguinte tratamos dos efeitos das violências domésticas e a naturalização dos maus tratos em muitas famílias. No terceiro capítulo trabalhamos os dados coletados no campo empírico relacionando com a ancoragem teórica de autores.
CAPÍTULO I VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS
1.1 CONTEXTUALIZANDO HISTORICAMENTE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS
A violência contra crianças, na história do Brasil (Mariza Silveira Alberton, 2005), inicia com a chegada dos grupos encarregados de desenvolver as primeiras colonizações. As embarcações que aqui atracaram traziam crianças que foram vendidas pelas suas famílias para servirem de trabalhadores dentro do navio ou por terem sido prometidos como súditos ou ainda como passageiros na companhia de seus pais. Durante as viagens, as crianças sofriam diferentes maus tratos e abusos uma vez que a tripulação era composta predominantemente por homens, adolescentes e crianças. Assim como havia poucas mulheres que se aventuravam a enfrentar as viagens.
As crianças eram trazidas nas embarcações como “grumetes” ou “pagens” para realização de serviços a bordo ou como órfãs do rei, ou para casarem com os súditos da coroa. Mas a situação dentro das embarcações era catastrófica, por não haver mulheres abordo, essas crianças sofriam todo tipo de abuso sexual por parte dos homens nas embarcações.
As órfãs viajavam trancafiadas e vigiadas, para não serem violentadas, pois precisavam chegar ao Brasil virgem para serem aceitas em matrimônio, muitas vezes também eram violentadas, assim como as crianças que viajavam acompanhadas com os pais. A mortalidade dessas crianças era altíssima, pelas péssimas condições da viagem aliadas á sua própria fragilidade, exposta a várias doenças, a má alimentação em qualidade e quantidade; comiam restos de alimentos quase sempre deteriorados, ocorriam ataques de piratas e corsários; nos naufrágios as crianças ficavam sempre entregue à própria sorte.
Dentro dessas embarcações essas crianças e adolescentes faziam todo tipo de trabalho inclusive os mais perigosos e subalternos, sendo meninos e meninas das mais variadas idades, todos órfãos ou vindos de famílias muito pobres que viviam de esmolas, também muitas dessas crianças eram judias arrancadas dos braços de seus pais e trazidas à força para nova terra.
Algumas dessas crianças serviam aos oficiais e faziam o serviço mais leve, tendo algumas regalias como ingressarem na carreira da marinha, mas, mesmo esses escolhidos sofriam abusos sexuais pelos seus superiores.
Os castigos e ameaças foram introduzidos no Brasil colônia pelos primeiros padres da companhia de Jesus, aqueles que pensavam em faltar à escola eram castigados com a palmatória e o tronco.
Viviane Nogueira Guerra (2011, p. 77) complementa dizendo que:
Lembramos-nos das histórias dos filhos que desde cedo se acostumavam á imposição de castigos físicos extremamente brutais. Os espancamentos com palmatórias, varas de marmelo (com alfinetes nas pontas), cipós, galhos de goiabas etc., tinham como objetivo ensinar as crianças que a obediência aos pais a única forma de escapar da punição.
As crianças desta época sofreram inúmeros castigos, e sem valor de comercio como os adultos, principalmente os filhos de escravos, como abusos sexuais sofridos por rapazes brancos. Além disso, as crianças escravas serviam de objeto para brincadeiras brutais dos filhos dos senhores, e sem valor de comércio como os adultos.
A infância era considerada um pesadelo, pois quanto mais atrás regressamos na história menos cuidados com as crianças e maior a probabilidade de que houvessem sido assassinadas, abandonadas espancadas, aterrorizadas e abusadas sexualmente.
A violência doméstica é uma das várias modalidades de expressão de violência que a humanidade pratica contra crianças e adolescentes, sendo que as raízes desse fenômeno também estão associadas ao contexto histórico, social, cultural e político em que se insere.
Durante XVIII, opinião pública escandalizavam com o abandono de bebês que eram deixadas á noite pelas ruas sujas muitas vezes devoradas por cães ou por outros animais ou vitimados pela fome, à exposição de crianças cresceu alarmantemente para amenizar foi criado às rodas dos expostos, nas Santas casas de Misericórdia, para que fossem deixadas as crianças consideradas frutos do pecado, também garantia o anonimato dos genitores.
Na primeira metade do século XIX, o abandono, fatalismo, as condições econômicas da população e a desagregação familiar, criando uma concepção de o estado implantaria uma política de proteção, valores e assistência à criança. Foi
quando as escolas começaram a descobriram e a classe média passou a insistir na necessidade da criação dos filhos pelas mães.
Porém ainda no Brasil existia a escravidão, onde as situações eram difíceis de concretizar, pois as crianças abandonadas que tinham sangue de negro não eram aceita pela Câmara para ser criada.
Através da lei do ventre livre a criança escrava tiveram faces de vida, tendo uma infância que compreendia do zero aos oitos anos, após esta idade, até os doze anos os jovens escravos deixavam de serem crianças para entrar no mundo dos adultos, como aprendizes após tornariam escravos de seus senhores até os vinte e um anos de idade, infelizmente um escravo não sobreviveria ate esta idade devido ao desgaste extremo provocado pelo trabalho. Complementando no artigo da a delimitação de infância e adolescência e a juventude.
A primeira idade é a infância que planta os dentes, essa idade começa quando a criança nasce e dura ate os sete anos, e nessa idade aquilo que nasce é chamado de enfant (criança), [...] é chamada de adolescência, porque a pessoa é bastante grande para procriar [...] é chamado de juventude devido á força que está na pessoa, para ajudar a si mesma e aos outros (ARIES apud GUERRA, 1975, p. 36).
Muitas leis e normas foram estabelecidas, no decorrer das épocas. Assim como na história da criança permeada pela ausência de sentimento e compreensão da criança como individuo, sem a distinção cronológica e psicológica entre, a criança, o adolescente e o adulto culminavam com rigor escolástico, segundo Aries (apud GUERRA, 1981, p.180):
[...] todas as crianças e jovens, qualquer que fosse sua condição, eram submetidas a um regime comum e eram igualmente surrados. Isso não quer dizer que a separação das condições sociais não existisse no mundo escolástico.
Com passar do tempo e com o incremento da industrialização no Brasil era preciso ainda mais de mão de obra barata, pois a falta de políticas que favorecessem a agricultura e amparassem o homem do campo tornaram o Brasil mais urbano.
Devido à urbanização pequenos agricultores passaram a morar na cidade e trabalhar nas fabricas, mas com a desvalorização e baixo salário foram
empobrecendo as famílias ocorrendo à marginalização social em decorrência do abandono do campo, aumentando as favelas.
As crianças continuavam marginalizadas, mal alimentadas, muitas fora das escolas ou vítimas de um ensino de baixa qualidade, sem perspectiva de futuro e sem reconhecimento de direitos fundamentais, passaram a viver na rua pedindo esmolas, furtando, sendo explorados por adultos no trabalho e na venda de drogas e, principalmente na prostituição.
1.2 A INSTITUIÇÃO DO ECA – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Constatamos que a violência entre pais e filhos está presente na história social da infância através dos séculos, sendo uma violência inerente às realizações de natureza assimétrica, hierárquica e adultocêntrica, assentadas nos pressupostos do poder do adulto sobre a criança.
Apesar de a violência familiar ser descrita desde a antiguidade, somente a partir da década de 70 é que o tema passou a ser sistematicamente discutido por pesquisadores da área da saúde. O conceito de violência, ao longo dos anos, ampliou-se em decorrência da maior conscientização a respeito do bem-estar da criança e do adolescente, de seus direitos e dos efeitos que a violência exerce sobre o seu desenvolvimento.
Em meados da década de 80 afigura-se a importância à luta para garantir os direitos da infância e da adolescência, aproveitando a oportunidade de mudanças da nossa constituição. No entanto travou-se uma imensa luta tendo por vitória na assembleia nacional constituinte através da sedimentação dos direitos da criança e adolescentes, no artigo 227 da Constituição Brasileira: apud Azevedo 2005, p 277:
... é dever da família, da sociedade e do estado assegurar á criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito á vida á saúde á alimentação á educação ao lazer á profissionalização á cultura á dignidade ao respeito á liberdade e á convivência familiar e comunitária além de colocá-los a solvo de toda forma de negligencia discriminação, exploração, crueldade e opressão.
No início da década de 90, importantes transformações foram implementadas no plano jurídico e administrativo, visando contemplar novas políticas sociais, que concorreram para a promulgação do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), que passou a sugerir práticas que pudessem romper com o ranço do assistencialismo e do autoritarismo, incorporando princípios educativos e de promoção à saúde junto a crianças e adolescentes, em especial, àqueles marginalizados pelo sistema social, político e econômico.
A lei Federal nº 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sancionada em 13 de julho de 1990, publicada e regulamentada no artigo 227 da Constituição passou a vigorar no Brasil a partir de 14 de outubro daquele mesmo ano, revogando o Código de Menores e a Política Nacional do Bem Estar do menor.
Com a nova lei em vigor as crianças e adolescentes passam a ter mais proteção legal especializada com o intuito de proteger e amparar através de seus direitos reconhecidos e garantidos.
Segundo Mariza Alberton (2005), o Estatuto da Criança e do Adolescente torna-se uma lei considerando como sujeitos de direitos pessoas em condições peculiares de desenvolvimento como prioridade absoluta.
O ECA define que crianças e adolescentes têm direito à vida, saúde, alimentação, educação, esporte, cultura e liberdade. Também determina que nenhuma criança ou adolescente pode sofrer maus tratos: descuido, preconceito, exploração ou violência.
Os direitos da criança começam antes mesmo do nascimento. A educação pela família é outro direito da criança e do adolescente. Os pais têm o dever de sustentar, guardar e educar os filhos menores, assim como não podem ser afastados da família.
No entanto, mesmo com todos os direitos defendidos pelo ECA, a maioria não são respeitados, principalmente no que diz respeito ao cuidados essenciais, mostrando que não basta ter os direitos reconhecidos legalmente numa concepção de criança como ser de direito, como cidadã ainda é uma realidade não alcançada, é um desafio a ser incorporado por todos os brasileiros.
CAPÍTULO II VIOLÊNCIAS NAS FAMÍLIAS
2.1 A VIOLÊNCIA FAMILIAR NO CONTEXTO DA SOCIEDADE ATUAL
Vivemos em uma realidade cruel em relação à infância em nosso país. Tornaram-se comuns manchetes de jornais, revistas e programas de televisão que nos mostram episódios de violência com crianças, seja no âmbito familiar, social ou até mesmo nas escolas.
Muitas dessas crianças são abandonadas nas ruas ou sofrem abusos dentro da própria casa. Essa violência leva a sociedade a se autoanalisar, na busca de um problema que parece restrito somente a uma parcela da sociedade. Mas na verdade esses problemas de abandono, violência e abusos, sobretudo quando cometidos contra a criança e o adolescente são constantes na história da humanidade.
Ao retornar na história da criança brasileira, assustamos com um passado conturbado, que preferimos seja esquecido e escondido, marcado por anônimas tragédias que perpassaram a vida de milhares de meninos e meninas.
A violência doméstica é um fenômeno complexo em que suas causas são múltiplas e de difícil definição, suas consequências são devastadoras para as crianças e adolescentes, definidas como ações hostis: A violência doméstica contra crianças e adolescentes representam todo o ato ou omissão praticados por pais, parentes ou responsáveis contra crianças e adolescentes que, sendo capaz de causar dano sexual e psicológico á vitima; implica de um lado uma transgressão do poder/dever de proteção do adulto e de outro uma coisificação da infância, isto é uma negação do direito que as crianças e adolescentes tem de ser tratados como sujeitos e pessoas em condições peculiares de desenvolvimento (GUERRA, 1998, p. 32).
As ações de violências domésticas abrangem não apenas as atitudes violentas, mas também as de negligencias dentro da família; é nesta que ocorrem os fatos mais significativos da vida. Quando a criança nasce passa a conviver num mundo de relações totalmente estranhas, de gestos, atos e experiências na formação de sua identidade social. A ideia de família refere-se a algo que cada um de nós experimentou, repleta de significados afetivos, de representações, opiniões, juízos, esperanças e frustrações.
É no centro familiar que também acontecem situações que modificam para sempre a vida de um indivíduo, os pais ou responsáveis que deveriam zelar pelo
bem-estar da família, aproveitar de seu dever de educar e proteger passam a abusar do poder disciplinador e coercitivo deixando marcas irreparáveis em suas existências.
Crianças e adolescentes que precisam de cuidados por se encontrarem em face especial de desenvolvimento, são surradas, queimadas, ameaçadas, menosprezados, abusadas sexualmente, entre outras barbarias(....). Pais, padrastos, parentes responsáveis por crianças e adolescentes tem utilizado diferentes formas de violência física: desde um simples tapa até torturas impensáveis, justificando tais procedimentos como forma de “bem educar” (SILVA apud GUERRA, 2002, p. 75).
Desta forma acabam transformando essas crianças e adolescentes em prisioneiros de uma relação de poder, onde só lhe resta serem submissas á vontade de outro e renunciar aos próprios desejos.
Essas vítimas são pessoas que estão em fase de desenvolvimento precisando de atitudes equilibradas por parte de pais ou responsáveis para que o ambiente familiar propicie condições saudáveis para o seu crescimento, o que inclui estímulos positivos, equilíbrio, boa relação familiar, vínculo afetivo, diálogo.
A violência contra a criança ou adolescente interrompe seus sonhos, destrói sua inocência e provocam marcas emocionais por toda sua vida, esta que ainda nem foi vivida.
2.2 CAUSAS DAS VIOLÊNCIAS DOMÉSTICAS
A violência surge como consequência de diversos problemas sociais, sendo que a questão econômica é uma delas. Ao contrário do que se pensam as desigualdades sociais não são fatores determinantes da violência doméstica, pois a mesma pode ser encontrada em todas as classes sociais. No entanto ela esta mais presente nas famílias com menores condições financeiras.
As causas da violência podem ser diversas, desde econômica até desvios de conduta. O uso de drogas e bebidas alcoólicas também podem ser algumas das causas que levam a cometer os atos de violências domésticas.
A violência domestica como referida por Guerra, 1998 trata da competitividade e ciúme entre os membros da família, a falta de informações adequadas para cuidar dos filhos e os castigos físicos, utilizados na maioria das
vezes com a desculpa de métodos de educação. Na maioria das vezes as pessoas escondem o problema da violência dentro da família entendendo que seja um problema estritamente familiar que deve ser resolvido apenas pelos membros do grupo.
Em relação às causas da violência doméstica, Donoso e Ricas (2009, p. 80) apontam para a complexidade de sua determinação, devido a grande quantidade de variáveis envolvidas, como as definições acima já sinalizaram. Exemplos destas causas são:
- questões históricas relacionadas ao lugar, auferido pela cultura à criança na sociedade e na família;
- questões econômicas e sociais como proveniência de segmentos sociais desfavorecidos e situações associadas como analfabetismo, marginalidade e desemprego;
- questões relacionadas à desigualdade, dominação de gênero e relação de poder entre gerações;
- proveniência de ambientes normalmente conflituosos com presença de problemas psíquicos tais como depressão, alcoolismo e outras drogas; - falta de sensibilidade social, isolamento e suporte social inadequado; - tipo de estruturação e tradição familiar.
A família, para muitos é uma instituição tida como sagrada, protegida pela privacidade. Essa instituição é o primeiro referencial para o desenvolvimento da criança, é nela que a criança aprende a amar, a odiar, a competir, a lutar e a defender-se. Mas é também na família que as maiores violências contra a infância acontecem.
Os pais, sem medir o trauma que causam nos filhos e em outros membros da família, com a intenção de garantir a educação e o respeito, cometem a violência infantil, esperando não só estabelecer limites à criança, mas também a obediência.
A cultura da violência mantida e gerada pela família se distribui por toda a sociedade. Inserido num contexto de violência e privacidade, o leito familiar se transforma num ciclo da violência, no qual a vítima de hoje pode vir a ser o agressor do futuro. Isso quer dizer que da mesma forma que a criança aprende a ser independente e a desenvolver sua personalidade de maneira sadia, ela também aprende a agredir. Portanto a violência doméstica demonstra que a família nem sempre é uma instituição harmoniosa e perfeita.
A luta contra a violência deveria ser iniciada na família, porque é nela que os conflitos sociais começam. Além disso, esses métodos não são capazes de resolver o problema da infância. Estando provisoriamente acolhida em um abrigo, a criança está a salvo de ser agredida pelos pais, mas não conseguirá apagar as marcas deixadas pelo ciclo da violência, no qual as vítimas podem ser tornar agressores. O contato com outras formas de núcleo familiar é importante, pois assim se organiza a vida emocional dos familiares, criando uma nova visão do mundo, um código de conduta e de valores que mais tarde serão assumidos pela criança em sua fase adulta.
2.3 AGRESSIVIDADE OU VIOLÊNCIA?
A agressividade é constituída do psiquismo e também pode ser entendida como manifestação da pulsão de morte. Sendo considerada como atividade de pensamento, imaginação ou de ação e não verbal. Segundo Bock (2002, p. 18) “a agressividade é um impulso que pode voltar-se para fora (heteroagressão) ou para dentro do próprio individuo (auto-agressão). O sujeito agressivo tem atitudes agressivas para se defender e não é tido como violento. Ele possui os padrões de educação contrários às normas de convivência e respeito para com o outro”.
A agressividade é o comportamento adaptativo intenso, onde o indivíduo que é vítima de violência constante têm dificuldade de se relacionar com o próximo e de estabelecer limites porque estes às vezes não foram construídos no âmbito familiar.
Através da educação e dos mecanismos sociais da lei e da tradição que busca o controle dessa agressividade. Desde criança é que se aprende tanto pela família como pela sociedade que a impõem aprender a lidar com essa agressividade e não expressá-la de forma descontrolada.
O modo de compreender a agressividade humana coloca em questão se a sociedade está conseguindo ou não criar condições adequadas para a canalização do impulso destrutivo que gera a violência.
Para entender este processo, tomemos a criança como sujeita da ação. Em um primeiro momento, podemos encontrar uma família cuja dinâmica familiar se articula em torno de muitas proibições, castigos, mas em meio a um ambiente rico de carinho e afeição. Este é um ambiente propício ao desenvolvimento de crianças com um alto nível de dependência dos pais ou responsáveis. A agressividade é
reprimida e a criança se torna dependente, pouco criativa, mas obediente. É precisamente esta obediência cega decorrente da punição aleatória que camufla o mal que tal dinâmica familiar engendra.
Os prejuízos futuros são imensos dados à dependência emocional e à ausência de uma feliz vida criativa, sem falar na inexistência de senso crítico o que os torna alvos fáceis para autoritários, ditadores ou sujeitos de caráter questionáveis.
Em outra perspectiva, encontramos um ambiente cujas bases são a punição com o agravante de ausência total de afeto, ou seja, um ambiente que se caracteriza pela hostilidade. Neste caso, os pais reprimem sistematicamente a agressividade do filho com mecanismos rígidos de controle regulados pela disciplina e castigo, seguidos de humilhações e bombardeios ferinos na auto-estima. O resultado será insegurança, timidez, introspecção e toda a carga hostil do ambiente a criança canaliza para o seu próprio corpo. A agressividade genuína que deveria orientá-la no seu relacionamento com o mundo degenera numa implosão emocional cujos efeitos devastadores repercutem na vida adulta.
Estes relacionamentos marcados por muitas imposições e pouca ou nenhuma afetividade se manifestam em crianças com tendência ao "auto-suplício", crianças que se distraem arrancando fios de seu próprio cabelo e, mais tarde, da barba; friccionando a casquinha dos machucados até sangrar e, depois, das espinhas; são crianças que se distraem supliciando seu próprio corpo.
Para que as crianças apresentem uma agressividade genuína e socialmente aceita, é necessário que os pais sejam permissivos com seus filhos, aceitando-os e compreendendo-os de forma incondicional, de modo que a independência e a criatividade sejam traços marcantes no comportamento da criança. Mas, todos estes aspectos seriam irrelevantes se, por outro lado, não for privilegiado nesta relação à imposição de limites claros, num exercício contínuo de respeito ao próximo e à natureza.
A violência é uma realidade que esta em toda a parte, basta acessarmos a mídia que nos deparamos com numerosos casos relatos de violência. Segundo o dicionário Aurélio, violência “é qualidade ou ação de violento. Ato violento, ato de violentar sendo um constrangimento físico ou moral com o uso da força”. Sendo considerada uma violação dos direitos humanos, que são os princípios garantidores da dignidade humana.
A violência deve ser compreendida antes de tudo, como uma ação momentânea... uma série de atos praticados de modo progressivo com o intuito de forçar o outro a abandonar o seu espaço constituindo e a preservação da sua identidade como sujeitos das relações econômicas, políticas éticas, religiosas e eróticas... no ato de violência, há um suporte desta identidade, para eliminar no outro os movimentos do desejo, da autonomia e da liberdade (FELIPE, 1996, p. 36).
A violência pode ser descrita como toda e qualquer forma de opressão, de maus tratos, de agressão, tanto no plano físico como emocional que trazem sofrimento e acarretam consequências irreparáveis a vítima.
A violência é uma violação dos direitos humanos que são os princípios garantidores da dignidade humana segundo o autor Barata (1993) “classifica em dois grupos fundamentais de direitos humanos: o direito a vida, a integridade física, a liberdade pessoal, a liberdade de opinião de expressão, de religião e direitos políticos, bem como os direitos econômicos sociais”.
O diferencial da violência doméstica com relação aos tipos de violência é que na primeira o agredido convive diariamente com o agressor e é obrigado a se submeter as suas vontades constantemente já que sua sobrevivência muitas vezes depende dele que traz o sustento para o lar; e na segunda o agredido muitas vezes jamais verá o agressor pela segunda vez.
A subordinação na família é facilitada pela própria estrutura social que confere ao adulto a responsabilidade de promover o ingresso da criança na vida da sociedade considerando ser ele mais experiente e conhecer os modelos e normas de comportamento da comunidade onde vive.
A criança deve receber amor, carinho e atenção da família. No entanto muitos pais e responsáveis pela educação e criação das crianças e adolescentes não tem condições de fornecer isso a elas, pois a sua própria história de vida revela que quando crianças foram espancadas, maltratadas e abusadas sexualmente, determinadas por isso em muitos casos à reprodução desta em seus filhos.
Quando o agressor agride e maltrata uma criança pode ter passado por situação semelhante em sua infância, assim como é estranho que uma pessoa educada em um ambiente de honestidade, respeito e afeto possa se prevalecer com relação a um ser mais fraco provocando nele um dano permanente.
A história de uma família depende das vivências acumuladas dos pais que quando crianças tiveram experiências e passaram por situações que agora trazem
para sua realidade na forma de socialização que será transmitida aos filhos, reproduzindo para isso as situações pelas quais passaram quando crianças, tanto as boas quanto as ruins.
Podendo ser observada diariamente na escola, principalmente no convívio com demais colegas, posso citar como exemplos um em escola particular outro em escola municipal, o primeiro caso do aluno x que brigava constantemente em sala de aula com colegas e professore auxiliares, pela disputa de brinquedos, por lugar na fila, sempre tinha que ser o primeiro, quando não era atendido, revidava com socos chutes beliscões aranhões, a escola começou a trabalhar com essa criança foi descobrindo, ele era adotado em um momento difícil, o pai não estava aceitando, quando aprontava na escola em casa ele apanhava e ficava de castigo; essa criança não tinha carinho e nem era bem aceita na família, assim como presenciava muitas brigas do casal.
CAPÍTULO III VIOLÊNCIAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS
3.1 TIPOS DE VIOLÊNCIAS
A violência contra a criança e adolescente está dividida em quatro grandes categorias violência física, violência sexual, violência psicológica e negligência.
3.1.1 Violência Física
O termo violência física é empregado quando ocorre o uso de castigo corporal descontrolado, os pais ou pessoas próximas á criança que tem o papel de cuidar, muitas vezes as castigam fisicamente com o intuito de educá-las.
Segundo Alberton (2005, p. 111) reafirma “quando a criança sai da linha é agredida fisicamente, com maior ou menor intensidade dependendo da falta cometida e das circunstâncias sem que o castigo é aplicado. Estes pais justificam seus atos dizendo que batem para educar e acham uma palmada bem dada na hora certa e no lugar certo”.
Pais e mães aparecem como os principais agressores desde os primeiros meses de vida das crianças. Sendo a família a principal agressora contra a própria prole mostrando dessa forma que sua reprodução tem como objetivo disseminar a violência física doméstica.
O castigo físico mesmo aquele considerado leves traz inúmeras consequências como a humilhação machucam provoca sentimentos adversos e são prejudiciais á educação e a formação. Os pais batem com a intenção de educar, com certeza estarão ensinando a seus filhos que os conflitos devem ser resolvidos com violência, sendo que não é o melhor caminho de educar uma criança.
Nas famílias em que a violência física esta presente percebe-se que o filho é tratado como bom simples objeto que tem o dever de satisfazer as necessidades dos pais esteja elas a seu alcance ou não, pois o adulto é naturalmente superior.
Guerra (2001, p. 47) destaca o ponto de vista do agressor:
a punição corporal treina a criança a aceitar e tolerar e tolerar a violência na medida em que tais atos feitos pelos adultos destinam-se a ensinar obediências e submissão. Os sentimentos associados com tal punição de angustia raiva ansiedade, medo, terror o ódio hostilidades estão dentro dos
relacionamentos domésticos dos adultos que foram espancados quando crianças.
3.1.2 Violência Sexual
A violência sexual contra criança e adolescente é um problema que sempre existiu na sociedade, por mais que tenha sido escondido mantido em segredo, pois a mesma acarreta culpa vergonha e medo tanto na vítima quanto nos possíveis denunciantes que se solidarizam a vítima.
A violência sexual é considerada todo tipo de contato sexualizado, desde as falas eróticas ou sexuais e exposição da criança a material pornográfico até o estupro seguido de morte.
Os abusos sexuais são cometidos por pessoas muito próximas das vítimas geralmente são aquelas em que as vítimas têm confiança. Este sentimento de confiança torna mais fácil encobrir o crime e geralmente esses indivíduos assustam ou ameaçam a criança para que se mantenha calada e mais uma vez o silêncio das vítimas faz com que esses indivíduos voltem a cometer os abusos.
A violência sexual pode ocorrer com ou sem contato físico, com ou sem o uso da violência física, causando danos em qualquer das situações. Segundo Saffioti (2000, p. 61):
Este tipo de relacionamento pode começar com carícias, como parece ser o mais frequente, mas pode também ter inicio com a exibição de fotos pornográficas á menor com a finalidade de familiarizá-la com as praticas libidinosas que com ela se deseja desenvolver. Atualmente, há formas mais sofisticadas de exposição através de métodos visuais. O videoteipe oferece uma série de vantagens em relação á fotografia, já que o movimento é importante, não apenas para ensinar, como para revelar as sensações de prazer.
Os abusos cometidos sem contatos físicos, por muitos podem pensar que esse tipo de violência causa menos danos que aqueles que envolvem contatos, é importante ressaltar, seja qual a forma com que foi praticado, o abuso nunca deixa de causar algum tipo de dano emocional, pois demora a ser ou nunca esquecido.
Despir, tocar, acariciar as partes íntimas, forçar conversas ou telefonemas obscenos, levar a criança a participar ou assistir práticas sexuais de qualquer, convidá-la a assistir vídeos pornográficos, são alguns exemplos de violência sexual contra crianças e adolescente.
Esse tipo de experiência poderá interferir no desenvolvimento das vítimas, pois as mesmas não possuem independência emocional e maturidade plena para dar ou não seu consentimento quando atividade sexual ás vezes inadequadas para idade e o desenvolvimento psicológico e sexual da criança ou do adolescente.
Sendo considerada, violência sexual a mais grave porque no caso de uma criança que não tem experiência sexual alguma e ainda estão em face de desenvolvimento. Diferentemente da violência física, onde as vítimas conseguem tratar a dor, na violência sexual não tem como apagar da mente às agressões sofridas.
As vítimas dessa violência podem sofrer danos irreparáveis, tanto no desenvolvimento físico, psíquico e social quanto moral com consequências ainda piores.
3.1.3 Violência Psicológica
A violência psicológica não deixa marcas visíveis, mas causa um grande sofrimento mental para a vítima. A violência psicológica pode manifestar-se isoladamente, mas está presente em todos os outros tipos de violências.
Forma de violência muito mascarada em suas intenções, pois não deixa marcas físicas. Geralmente acompanha todos os outros tipos de violência, tendo em vista o fato de a vítima ser coisificada por outrem, quando os seus direitos são violados. Esta ocorre quando um adulto deprecia constantemente a criança ou o adolescente bloqueia seus esforços de auto-aceitação e causa-lhe grande sofrimento mental. Ameaças de abandono, condutas de rejeição, atitudes de depreciação, discriminação desrespeito, punição exageradas, submissão da criança ou do adolescente a situações vexatórias e que tolhem a liberdade de expressão, sobrecarregam a criança ou adolescente com responsabilidade que não são dele (ROLIM apud ORGANIZAÇÃO TERRA DOS HOMENS, 2000, p. 26).
A violência psicológica é uma forma difícil de ser identificada, pois incide no ato de rejeitar, isolar, aterrorizar, ignorar, corromper, depreciar, discriminar, desrespeitar e criar expectativas irreais ou imaginarias.
Esse tipo de violência tem por característica geralmente as mães que predominam como sendo as agressoras depois vêm os pais, tendo por decorrência do uso do álcool, do uso de drogas em transtornos de comportamento.
a violência psíquica esta via de regra presente nas relações mãe-filho, seja através da chantagem emocional, da coerção psicológica, da imposição da vontade adulta contra os desejos da criança. Numa certa medida esta imposição é necessária a fim de se ensina ás crianças os padrões de conduta positivamente sancionados pela sociedade. Trata-se processo de socialização, através do qual a criança aprende as normas sociais, aprende a se comportar como um adulto (SAFFIOTI, 2000, p. 56).
3.1.4 Negligência
A negligência é a omissão de promover as necessidades físicas e emocionais de uma criança ou adolescente, a falta de compromisso dos responsáveis. Consistem na falta de alimentação, higiene, vestuário, carinho e atenção.
A negligência encontra-se em todas as classes sociais culturais e econômicas como outros tipos de violência. Segundo Azevedo e Guerra “a negligencia se configura quando os pais (ou responsáveis) falham em termos de atendimento ás necessidades dos filhos em relação á alimentação, vestuário, saúde educação etc., e quando tal falta não é resultado das condições de vida além do seu controle.” (2003, p.28)
Esta prática coloca em risco o desenvolvimento maturacional das vítimas podendo ter consequências de diversas ordens, como desnutrição, enfermidade, frequentes, disfunções neurológicas, entre outras.
3.2 CONSEQUÊNCIAS DAS VIOLÊNCIAS SOFRIDAS PELAS CRIANÇAS
Ao nascer, à criança é totalmente dependente do ambiente da sua volta para sobreviver, as relações que se estabelecem serão cruciais para o seu desenvolvimento. Quando a criança nasce ela é como um livro aberto com páginas em branco não conhece nada, mas vem disposta a apreender novas coisas, ela não é capaz de fazer comparativos do certo ou errado, bom e mau - apenas absorve tudo.
As primeiras ligações com o ambiente do bebê serão as relações entre o que delimitam o corpo e suas funções fisiológicas necessidades de comer, dormir. Num segundo momento a criança passa a observar e diferenciar dois mundos, o
social que seria o mundo real e o mundo da fantasia – que seria o mundo imaginário.
A partir daí desencadeiam-se uma serie de sensações e sentimentos que irão relacionar-se diretamente com aprendizagem, serão as percepções e o aprendizado emocional que desenvolvem a personalidade da criança.
Numa primeira fase ela não será capaz de diferenciar seu eu das demais pessoas e objetos esse reconhecimento se dará aos poucos. Durante os primeiros meses tudo que a criança conhece é a mãe, somente a partir deste período ela passa a sentir necessidade de um terceiro. Neste período ela identifica-se e necessita muito mais deste ambiente, a família, dependendo não somente da presença da mãe, mas dos demais entes também. O conforto mais do que nunca agora será essencial a sua existência, e seu adequado desenvolvimento.
Quanto mais cedo e precoce começam a ocorrer os abusos piores os efeitos, à criança não reconhece nem o próprio eu, não é capaz de identificar o próprio corpo, se a vitimização física e sexual passa a ocorrer antes desta primeira diferenciação mais difícil será para criança reconhecer e identificar seu próprio eu.
Uma das sequelas mais comuns em bebês vítima de violência física e a Síndrome do bebê sacudido ocorrem toda vez que a criança é severamente sacudida, ela pode originar cegueira lesões oftalmológicas, atraso nos desenvolvimento, convulsões, lesões cerebrais e até a morte.
Toda a violência sofrida pela criança tem inúmeras consequências físicas e psicológicas, identificam-se algumas sequelas diretamente relacionadas a cada espécie: Problemas de Saúde, obesidade, comportamento infantil, chupar dedo, urinar na roupa ou na cama, depressão, problemas com o sono, problemas de aprendizagem, entre outros fatores são consequência de abusos psicológicos; Fadiga, pouca atenção, problemas de desenvolvimento, hiper ou hipoativas atitudes de adulto e atrasos a escola.
As consequências às vitimam de violência física são diversas podem ser visíveis como a principais características desta violência como também ser psicológica. A violência contra crianças contém tanto impactos imediatos como danos posteriores em longo prazo que se projetaram em sua adolescência e vida adulta.
O comportamento da criança vitima de violência é geralmente explicado como mau gênio, difícil comportamento ou distúrbio mental. É comum também a criança apresentar sintomas físicos, como anorexia (falta de apetite e recusa de se alimentar), diurese noturna (xixi na cama), problemas intestinais ou respiratórios. Alguns autores citam como consequência da violência física contra criança e adolescente: auto-estima negativa, comportamentos agressivos e dificuldades de relacionamentos (ALBERTON, 2005, p. 87).
Quando a vítima é uma criança, o ato é considerado ainda mais grave pelo fato de ela estar em uma fase importante do seu desenvolvimento. Onde a mesma tem muitas transformações acontecendo num período de tempo relativamente curto. A violência contra a criança pode ser devastadora, causando danos físicos, psicológicos, cognitivos e comportamentais, cabendo lembrar que tais consequências afetam as famílias, comunidades e a sociedade em geral. Assim como alguns autores apontam que o problema da violência afeta inúmeros fatores como o desenvolvimento psicológico e a capacidade intelectual da criança.
O vínculo afetivo entre o agressor e vítima, a representação do abuso para a criança e a duração do mesmo, a natureza da agressão, ou ainda, ações em curso para a prevenção de abusos futuros. As sequelas deixadas pelas agressões podem ser desde arranhões e machucados menores até incapacidades permanentes, como lesão cerebral e morte. Entretanto, na maioria das circunstâncias, as lesões são leves e podem passar por despercebidas.
Porém as consequências emocionais são de identificação difícil, como podem mudar de baixo senso de amor próprio, dificuldades de relacionamento e comportamentos como agressividade, timidez, isolamento social até distúrbios psiquiátricos, como estados dissociativos.
As consequências da negligência são mais difíceis de serem caracterizadas e identificadas. Sendo que incluem atrasos no esquema de vacinação, hábito higiênico inadequado. Também é possível postular que crianças pouco supervisionadas e negligenciadas pela família tenham maior risco de serem vítimas de “acidentes domésticos” do que crianças não negligenciadas.
3.3 A REALIDADE VIVIDA E OBSERVADA NO COTIDIANO
O levantamento dos casos de violência contra a criança foi realizado no conselho tutelar do município de Ijuí/RS, localizado na rua Sete de Setembro, 197 -
Centro, as notificações recebidas por este órgão, de acordo com informações fornecidas pelos conselheiros tutelares.
A violência contra crianças e adolescentes, em todos os aspectos, é um problema de Saúde Pública. As análises dos dados estatísticos em saúde nos mostram que as agressões de todos os tipos evoluíram bastante nos últimos tempos.
Os registros são feitos em um caderno, onde constam informações básicas sobre os casos com data da denuncia, numero do prontuário, nome, idade e endereço da criança denuncia e tipo de violação. São abertos prontuários para todos os casos registrados onde nos mesmos constam diversos itens. Também há uma ficha para relato do atendimento, assim como outros documentos como descrição do atendimento, resultados, exames médicos, documentos dos envolvidos e ofícios de encaminhamento de outros órgãos. Enfim, os prontuários são arquivados por ano e numero de registro, separando os encerrados dos que estão em andamento arquivo.
De acordo com os dados foram relatados aproximadamente 1.347 casos ocorridos no primeiro semestre de 2013, entre eles casos por ordem de caderno, casos atendidos na sede do conselho tutelar e casos atendidos pelas conselheiras. Sendo que esses dados foram fornecidos pelo conselho tutelar.
Os maus tratos contra crianças e adolescentes vêm crescendo de forma abrupta, onde muitas crianças e adolescentes estão vivem em condições sub-humanas, sofrendo maus tratos pelas próprias famílias.
Os dados de sobreaviso, mostram que 209 casos notificados no conselho tutelar, são de ocorrência por agressão física, negligencia, drogadição, suposto abuso sexual, violência doméstica. A negligencia apresenta mais casos que os demais em segundo lugar ficam drogadição, isso é, crianças vítimas das drogas, como de transportadores para outros.
Ocorrência Número de casos
Agressão física 37 Negligencia 71 Outros (drogadição) 53 Agressão psicológica 20 Suposto abuso 8 Violência doméstica 20
Os atos de violência acontecem tanto com meninas como com meninos, mas quem sofre mais são as meninas. As crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos de idade são mais vulneráveis á violência doméstica.
Masculino Feminino Total
Crianças (0a 11anos) 9 13 22 Adolescentes (12 a 18 anos) 8 17 25
Total 47
O Conselho Tutelar estabelece como sendo um Órgão autônomo, não jurisdicional, sendo vinculado administrativamente às Prefeituras Municipais. Tem a missão de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, garantindo a prioridade absoluta na efetivação dos direitos. Suas principais atribuições: atender crianças e adolescentes e aplicar medidas de proteção, atender e aconselhar os pais ou responsável, encaminhar ao Ministério Público notícia e fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou do adolescente e encaminhar, à autoridade judiciária, os casos de sua competência.
Ao Conselho Tutelar cabe, ainda, receber a notificação proveniente dos órgãos de saúde, educação e outros, analisar a procedência de cada caso e fazer os encaminhamentos pertinentes a cada situação. Em casos graves, que configurem crimes ou iminência de danos maiores à vítima, o Conselho Tutelar deverá levar a situação ao conhecimento da autoridade judiciária e ao Ministério Público ou, quando couber, solicitar a abertura de inquérito policial.
A criança ou adolescente vítima de qualquer forma de violência deve ser encaminhada para tratamento psicoterapêutico, pois essa experiência deixa marcas psicológicas profundas na personalidade e no comportamento. Em casos de violência doméstica, o ideal é que o tratamento se estenda à família. Algumas atribuições do Serviço Psicológico:
a) avaliar a situação de risco psicológico e o grau de sofrimento emocional em que a criança se encontra;
b) avaliar o significado real dos comportamentos que apresenta;
c) analisar o grau de vinculação afetiva em relação aos pais e a outros familiares;
d) estabelecer um diagnóstico psicológico e solicitar, se necessário, a intervenção de um psiquiatra;
e) realizar um trabalho que fortaleça a autoestima da criança e da família a fim de restaurar a confiança em si mesma e no outro;
f) preparar a criança para diferentes momentos do processo de apoio, designadamente para a ida ao Tribunal, para a retirada de casa etc.
3.4 A FUNÇÃO DA ESCOLA E DO PROFESSOR FRENTE A VIOLÊNCIA FAMILIAR
A grande maioria das violências doméstica sofrida não chega ao conhecimento, pois não é denunciada. Na maioria das culturas, povos e nações as pessoas escondem o problema da violência dentro da família talvez por entenderem que seja um problema familiar que deve ser resolvido somente pelos membros do grupo familiar.
A não responsabilização dos agressores pode levar a casos extremos prolongando essa violência por vários meses e anos fato que pode trazer consequências irreparáveis á vitima, em casos muito graves de violência o agredido comete até mesmo suicídio.
Diante dessas situações, os profissionais que lidam com crianças e adolescentes precisam estar atentos e sensibilizados e capacitados para atuar, e identificar o sinal dado pelas vitimas. Sendo que muitos desses profissionais são professores que desempenham e valorosamente sua missão, educadores e construtores de uma cultura de paz e respeito aos direitos humanos e as diferenças.
Mariza Silveira Alberton (p. 101-102) afirma:
... professores e professoras deste nosso Brasil brasileiro, lembrai-vos que muito mais do que “transmissores de conhecimento”, precisamos ser educadores! E o educador é aquele que conhece, que acolhe que compreende que é sensível e solidário. Que ama! Que protege, que respeita, que ajuda a crescer que acima de tudo acredita na palavra da criança e tudo isso é indispensável para o professor perceba uma situação de violência vivida pelo educando na família ou na comunidade e, a partir daí , possa agir com determinação para protegê-lo e ampará-lo.
A violência doméstica pode ser detectada pelos professores nos momentos escolares como: ausência frequente, baixo rendimento, falta de atenção e de concentração e comportamentos como apatia, passividade, agressividade e choro podem ser indicadores significativos de abuso.
Com o propósito de conhecer a que forma de violência que essas crianças estão exposta no âmbito doméstico, o qual com muita espontaneidade revelaram a convivência frequente, tanto em casa, quanto na escola, com violência física, verbal e psicológica. A diferença está na intensidade, predominando a violência física no lar e a verbal na escola. Sem constrangimento revelaram que a violência física vivenciada em casa manifesta-se por agressões, bater, machucar e ferir. Na escola essa forma de violência ocorre entre colegas com brigas, encrencas e esbarros. Já a violência verbal e psicológica se expressa na escola por discussões, bate-boca e bastante preconceito e em casa ocorre quando os pais não dão nenhuma atenção, falta de respeito e quando não têm relação aberta.
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (2000) atribuí à escola e a outros estabelecimentos a função de zelar pela proteção da criança e do adolescente que sofre maus tratos com o intuito de denunciar os agressores conforme afirma o Artigo 245:
Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus tratos contra criança ou adolescente.
Segundo Portilho a revista Nova Escola, 29/05/2012 ninguém melhor que o professor para reconhecer comportamentos incomuns em seus alunos. E a escola deve estar preparada para lidar com essas situações. Assim como os professores deveriam estar preparados para identificá-los e saber a quem recorrer, como também a grande maioria ainda não sabe o que fazer diante destas situações, mas muitas vezes, eles são os únicos que podem interromper o ciclo da violência.
Para atuarem no enfrentamento dessa violência a escola tem e demais profissionais (professores, conselheiros tutelares, assistentes sociais etc.) no qual os mesmos desempenham um excelente trabalho assim como tenham conhecimento a respeito do assunto, como identificar os sinais e sintomas que a violência deixa nas crianças.
Segundo, Maria Aparecida Alves da Silva (ESCOLA, 29/05/2012):
Enfrentar uma situação de violência intrafamiliar contra criança não é uma tarefa fácil para nenhum profissional, seja ele um trabalhador da área da saúde, da assistência social ou da educação. Essa situação desperta
muitas dúvidas e temores, pois envolve crenças e valores muito arraigados na cultura.
A criança convive diariamente em casa com sua família e posteriormente é na escola onde passa maior tempo do seu dia, sendo que na instituição escolar que a criança cria vínculos com o professor e com colegas, no entanto esse ambiente é propicio para o educador possa reconhecer se a criança está sofrendo algum tipo de violência fora da escola.
Na grande maioria das vezes crianças vitimam da violência doméstica, não falam diretamente que estão sofrendo, porém apresentam sinais evidenciam muito claras, representando um pedido de salvação, nesta situação é cogente que o educador tenha disponibilidade afetiva, paciência preparo e um olhar amplo para o assunto.
Portanto a escola é uma instituição responsável pelo cuidar e auxiliar no desenvolvimento, assim como também é responsável por formar cidadão consciente, conhecedores de seus direitos e obrigação. Argumentando, Paulo freire descreve escola como sendo:
A escola é... o lugar onde se faz amigos não se trata só de prédios, salas quadros, programas horários, conceitos... A escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima. O diretor é gente, o coordenador é gente, o professor é gente, o aluno é gente, cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de „ilha cercada de gente por todos os lados‟. Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém. Nada de ser como um tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só.
O professor tem um papel muito importante no desenvolvimento e na formação do ser humano, por esse motivo tem uma caminhada de compromisso e desafios a partir do momento que opta por esta profissão. Sendo que “Minha presença de professor, que não pode passar despercebida aos alunos na classe e na escola, é uma presença em si política. Enquanto presença não posso ser uma omissão, mas um sujeito de opções [...]”. (FREIRE, 1996, p. 98).
O professor tem que lidar com muitas situações que são apresentadas, assim como o mesmo deva estar preparado para trabalhar com a violência que é trazida para a escola ou que se encontre no local.
Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo. Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê. [...] Sou professor a favor da liberdade [...] sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação [...] Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo (FREIRE, 1996, p. 103).
O educador não deve se limitar aos obstáculos, mas que assuma a condição de sujeito preocupado em manter uma relação séria, justa e honesta com seus educandos, isso é que aja uma perspectiva que compreenda o aluno além dos muros da escola assim como essa relação causará a garantia de seus direitos fundamentais, respeitando-os como sujeitos em desenvolvimento.
Minha presença de professor, que não pode passar despercebida aos alunos na classe e na escola, é uma presença em si política. Enquanto presença não posso ser uma omissão, mas um sujeito de opções [...]. (FREIRE, 1996, p. 98).
O professor diante dos casos de violência contra a criança e adolescente deve denunciar para que se tenha um fim, quando há desconfiança de maus tratos, deve se aproximar da família, observando o comportamento que ocorre entre os membros familiares, assim poderá chegar a um diagnostico.
Sendo imprescindível que o educador comunique a equipe gestora do devido problema para que prossiga a investigação. Sem esquecer que a identidade da criança seja mantida em sigilo frente a escola.
Após comunicado a direção, a mesma deva comunicar o conselho tutelar e a delegacia de proteção á criança assim como o disque denuncia e do SOS criança. “o amor é um ato de coragem, [...] o ato de amor está em comprometer-se com a sua causa. A causa da libertação. Mas este compromisso, porque é amoroso, é dialógico” (FREIRE, 1987, p.80).
Para concluir, as palavras de Paulo Freire:
É impossível ensinar sem esta coragem de querer bem, sem a valentia dos que insistem mil vezes antes de uma desistência. É impossível ensinar sem a capacidade forjada, inventada, bem cuidada de amar. (...)que estudamos, aprendemos, ensinamos, conhecemos com o nosso corpo inteiro. Com os sentimentos, com as emoções, com os desejos, com os medos, com as dúvidas, com a paixão e também com a razão crítica. Jamais com esta apenas. É preciso ousar para jamais dicotomizar o cognitivo do emocional. É preciso ousar para ficar ou permanecer ensinando ao risco de cair
vencidos pelo cinismo. É preciso ousar, aprender a ousar, para dizer não à burocratização da mente a que nos expomos diariamente. É preciso ousar para continuar quando às vezes se pode deixar de fazê-lo, com vantagens materiais (FREIRE, 1994, p. 10).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A violência vem aumentando constantemente a cada dia, alterando o comportamento de nossas crianças e adolescentes que expressam a sua frustração sobre o trabalho a escola e a comunidade. Podendo ser observado, no decorrer da história, que bater, negligenciar, abandonar a rigidez foram consideradas padrões aceitos pela sociedade. Sendo que hoje são considerados aspectos de violência.
No decorrer desta pesquisa, sendo analisada a espécie de violência doméstica praticada contra as crianças e adolescentes, observando que a violência doméstica contra crianças e adolescentes é aquela que ocorre no âmbito familiar sendo que os agressores são membros da família, onde há um domínio sobre a vítima.
O presente estudo revelou as distinções das agressões sofridas pelas crianças e adolescentes no âmbito familiar. Ressaltando que a violência física é aquela que deixa marcas visíveis na vítima, ou seja, é aquela em que o agressor utiliza da força física sobre a vítima, podendo lhe causar lesões corporais graves e até a morte.
Os agressores além da superioridade hierárquica sobre a vítima são pessoas muito próximas das mesmas sendo que se constataram como alguns tipos de agressores são pais e padrastos e outros familiares próximos. Por esses motivos existe a dificuldade de descobrir onde ocorre a violência e qual é o agressor, pois os demais membros da família permanecem em silencio, e muitos vezes certo tipo de violência é para o bem da criança ou adolescente tendo por finalidade educá-los.
A violência doméstica contra a criança e adolescente deveria ganhar maior notoriedade, frente á sociedade, pela dificuldade e falta de condições que as vitimas possuem de se defender do agressor. Ressalta-se ainda que estes tipos violências
não estiverem expostas devem ser vistas com maior consciência, pois estando o agressor em constante e direto contato com a vítima a violência torna-se duradora.
Como passar do tempo tivemos grandes avanços nos direitos da criança e do adolescente, percebe-se que somente a lei não é suficiente no sentido de fortalecer a devida proteção a estas crianças.
A escola tem um papel muito importante na vida e formação dessas crianças, pois ela fica com maior tempo com os alunos, acompanhando e detectando as mudanças, sendo indispensável que a escola investigue juntamente com os profissionais da educação, assim como converse com os pais ou responsáveis pelo cuidado e desenvolvimento da criança assim como verifique o comportamento inadequado, só assim podendo intervir quando for necessário.
Os professores devem estar sempre atentos, observando as atitudes, o comportamento e o relacionamento do seu aluno com os demais colegas. Assim que perceber alguma mudança em suas atitudes e dificuldades na aprendizagem o educador deve ter um dialogo e demostrar confiança com a criança para coletar informações que permitam detectar algum tipo de violência, e ter uma aproximação dos pais ou responsável. Se for necessário buscar apoio psicológico ou encaminhar para conselho tutelar.
A escola tem total autonomia para denunciar, pois a instituição vai além de transmitir conhecimento ela possibilita a construção e formação de cidadania. Assim como apresenta a função desenvolver um pensamento reflexivo.
O educador tem por responsabilidade e motivar pensamentos reflexivos, estabelecer uma relação de afeto, a compreender a realidade resgatando os princípios éticos e desenvolvendo os valores de solidariedade, respeito, responsabilidade, fraternidade e o principal de convivência.
O professor é aquele que acolhe, ouve, transmite conhecimento e muitas vezes como mãe, sendo a primeira pessoa que terá maior possibilidade de perceber e intervir junto a situações de violência sofrida por uma criança, sendo ele o educador que conseguirá entender e compreender melhor como agir com o educando vitimizado.
Com a realização deste trabalho, pude conhecer perceber e compreender muitas situações vivenciadas em sala de aula. Permitiu-me ter uma visão maior quanto à importância e responsabilidade do pedagogo apresenta em sua profissão, assim como me proporcionou muitas aprendizagens.
REFERÊNCIAS
ALBERTON, Mariza Silveira. Violação da infância crimes abomináveis humilham,
machucam, torturam e matam! Porto Alegre (RS): AG, 2005.
AURELIO, Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário Aurélio. Ed nova fronteira 3 ed. 1999.
AZEVEDO, M. A. & GUERRA, V. N. A. & VAICIUNAS, N. Incesto ordinário: a vitimização sexual doméstica da mulher-criança e suas consequências psicológicas. In: AZEVEDO, M. A. (org). Infância e violência doméstica: fronteiras do conhecimento. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2000.
AZEVEDO, Maria A. Guerra, Viviane Azevedo (org.). Crianças vitimizadas: a síndrome do pequeno poder. São Paulo: Iglu, 1989.
BARRATA, Alessandro. Direitos homens: entre a violência estrutural e a violência penal. Trad. Da revisão alemã (1993) do original espanhol: Ana Lucia Sabadell. Alemanha: Universidade de Saarland.
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lurdes Trassi. As fases da violência. In: Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. Ed. São Paulo: Saraiva 2002.
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lurdes Trassi.
Infância e violência doméstica: fronteiras do conhecimento. São Paulo: Cortez
Editora, 1993.
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lurdes Trassi.
Pele de asno não é só história: um estudo sobre a vitimização sexual de crianças
e adolescentes em famílias. São Paulo: Roca, 1988.
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. LEI 8.069, 13 de julho de 1990,
Lei n. 8.242, de 12 de outubro de 1991. 3. ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2001.