UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE – UFAC PRÓ – REITORIA DE GRADUAÇÃO – PROGRAD CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS – CFCH
CURSO DE HISTÓRIA BACHARELADO - CBH
MACIRLEY SILVA E SILVA
BUJARI: DE COLOCAÇÃO DE SERINGA
À EMANCIPAÇÃO POLÍTICA
RIO BRANCO 2015
MACIRLEY SILVA E SILVA
BUJARI: DE COLOCAÇÃO DE SERINGA
À EMANCIPAÇÃO POLÍTICA
Monografia de conclusão de curso apresentada à Banca Examinadora, como exigência parcial para a obtenção do título de Bacharel em História da Universidade Federal do Acre, sob a orientação do Prof. Dr. José Dourado de Souza.
RIO BRANCO 2015
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA
BIBLIOTECA CENTRAL DA UFAC
Papel: A4; Margens: 3,0 (esq./sup.) x 2,0 (dir./inf.) Fonte: Times New Roman; Tamanho: 12; Espaço: 1,5.
ABNT NBR 10520:2002; 6023:2002; 6024:2003; 6027:2003, 6028:2003; 14724:2011 [email protected]
MACIRLEY SILVA E SILVA
BUJARI: DE COLOCAÇÃO DE SERINGA À EMANCIPAÇÃO POLÍTICA
Monografia de conclusão de curso apresentada à Banca Examinadora, como exigência parcial para a obtenção do título de Bacharel em História da Universidade Federal do Acre, sob a orientação do Prof. Dr. José Dourado de Souza.
BANCA EXMINADORA:
___________________________________________ Prof. Dr. José Dourado de Souza
Orientador
___________________________________________ Prof. Dr. Airton Chaves da Rocha
Examinador
___________________________________________ Prof. Msc. Armstrong da Silva Santos
Examinador
RIO BRANCO – ACRE 2015
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a minha mãe Marina Souza, pois foi quem mais me apoiou e incentivou, dando força nas horas que eu mais precisei, pois sempre disse que queria dar a mim, a oportunidade de estudar, na qual os seus pais não puderam lhe dar, e sempre esteve ao meu
AGRADECIMENTOS
Nos caminhos dessa vida, temos que ser forte o suficiente para não desistir das barreiras que nos são impostas, no entanto, aprendi que ser forte, é acreditar em si mesmo e no seu potencial, pois a luta é constante, mas a vitória é certa.
Por este motivo agradeço primeiramente a Deus, pois com sua infinita bondade, sempre me guiou e me protegeu nas horas mais difíceis, pois em meus momentos de fraquezas, quando cheguei a pensar em desistir, pedi força e coragem para que eu pudesse seguir em frente, pois é ele acima de tudo que sabe todas as coisas, e sem a sua proteção eu nada seria.
Agradeço a minha família que sempre esteve do meu lado, a minha mãe, Marina, que sempre me ensinou desde pequena, que honestidade e educação são os princípios fundamentais de um cidadão, e sempre fez de tudo para dar a mim a oportunidade de estudar, na qual ela nunca teve, e me apoiando sempre. A minha irmã, Marineide, que sempre esteve me ajudando nos afazeres de casa, enquanto eu estava ausente nas pesquisas e trabalho, e sempre me disse para não desistir. O meu esposo Ranier que esteve ao meu lado desde o começo, sempre me apoiando nas minhas decisões, me ajudando com a procura pelas fontes, e me dizendo que eu ia consegui.
Agradeço a todos os professores do curso, que são as pessoas que mais contribuíram durante toda a minha carreira acadêmica, pois os conhecimentos que adquiri durante todo o curso, serão usados na minha vida pessoal e profissional, o meu muito obrigada, ao professor José Dourado, pela sua contribuição, pois foi de fundamental importância.
Agradeço também aos amigos de sala de aula que estivemos juntos durante toda essa caminhada, presentes todos os dias na mesma sala, dividindo as dúvidas e tentando esclarece-las, sempre dando forças uns aos outros, para que todos pudessem chegar a tão sonhada conclusão do curso, agradeço todos aqueles que contribuíram de forma direta ou
RESUMO
Este trabalho pretende estudar os principais fatores que ocasionaram a emancipação política do município de Bujari. Analisa o contexto histórico de mais de seis décadas de experiência social, que envolve a constituição de parte do seringal empresa, identificado no espaço geográfico do município, bem como entender o processo de luta por sua autonomia política. A metodologia utilizada para elaboração deste estudo, foi através de entrevista com moradores do município, análise de documentos referente ao processo de emancipação política, e leituras mais aprofundadas sobre o assunto. Diante das pesquisas realizadas, entendemos que Bujari tornou-se município em 1992, e mesmo não sendo uma cidade planejada, ganhou sua autonomia e foi desmembrado de Rio Branco. Entendemos que o município de Bujari desde sua formação política, teve grandes avanços no que diz respeito a vida dos munícipes, mas, contudo é notório também as dificuldades que os moradores tiveram que enfrentar para terem os seus direitos garantidos, lutando assim em prol de sua emancipação política.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO, 9
CAPÍTULO I
1. OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO QUE HOJE DELIMITA O MUNICIPIO DE
BUJARI, 11
1.1 A TRAJETÓRIA DA OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO DO ALTO ACRE: O CASO DE BUJARI, 11
1.2 AS PRIMEIRAS INSTALAÇÕES, 14
CAPITULO II
2. O PROCESSO DE EMANCIPAÇÃO DE BUJARI, 22
2.1 AS IDEIAS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICAS NOS TEMPOS DA COLOCAÇÃO DE SERINGA, 22
2.2 A LUTA PELA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA A PARTIR DA ANÁLISE DISCURSIVAS DE SUAS PRINCIPAIS LIDERANÇAS, 28
CAPITULO III
3. O MUNICÍPIO DE BUJARI HOJE, 38
3.1 QUESTÕES POLÍTICAS, CULTURAIS E RELIGIOSAS, 38 3.2 ANÁLISE DA VISÃO DE MORADORES, 45
CONCLUSÃO, 50
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, 52
FONTES DOCUMENTAIS, 53
IMAGENS
Imagem 1: Escola são João Batista, no ano de sua construção, 1975, 26
Imagem 2: Os onze primeiros representantes políticos de Bujari. Foto tirada no dia da pose dos eleitos, em 1° de
janeiro de 1993, 29
INTRODUÇÃO
Esta monografia faz uma análise dos principais fatores que ocasionaram a emancipação política do município de Bijarí, dentro de um contexto de mais de seis décadas que envolve a história do seringal empresa. Segundo Torres (1996), em 1946 o proprietário do seringal Empresa, senhor Lauro Tinoco, vendeu esta propriedade ao Governo do Território do Acre por uma quantia de nove mil contos de réis, sendo pago em nove prestações anuais. O governador do Território era o Major José Guiomard dos Santos, que a distribuiu aos seringueiros que nela já habitavam.
Portanto, o nome deste município originou-se da colocação de seringas denominada “Bujari”, onde hoje está instalada sua sede e que pertencia ao seringal Empresa, fundado pelo cearense Neutel Maia, a 28 de dezembro de 1882.
A história de Bujari, segundo Torres (1996), está ligada em parte ao extrativismo, mas em especial à construção da rodovia BR 364, no trecho que liga os municípios de Rio Branco a Sena Madureira. Não foi uma cidade planejada, pois nasceu em consequência da abertura desta rodovia. As primeiras instalações de infraestrutura nesta localidade revelam sua origem muito simples. A formação de seu núcleo urbano surgiu de uma maneira justificada pela necessidade de atender a uma exigência político–administrativa, tendo sua primeira organização administrativa ocorrida em 1986, com a criação de sua subprefeitura (TORRES, 1996).
Com base em uma pesquisa documental e através da técnica da história oral foi possível identificar um conjunto de dificuldades que os idealizadores do processo de criação deste município tiveram que enfrentar. Isto foi possível a partir da perspectiva historiográfica que nos orientou, a história social, fazendo as devidas conexões com os campos políticos e econômicos.
No mais, na condição de cidadã daquele município, senti-me motivada a querer compreender como se deu este processo histórico de sua criação, para podermos compreender e pensar melhor a sua atualidade em seus aspectos políticos, culturais e religiosos, para melhor projetarmos o seu futuro.
Portanto, escolhi esse tema porque moro no município desde criança, e quero através desta pesquisa conhecer sua história e seu desenvolvimento. Por se tratar de um tema
histórico, creio que seja de grande importância a abordagem e a pesquisa elaborada para esse estudo, contribuindo assim, com a universidade, ao colocar para debate entre os universitários esta temática, que traz uma reflexão a respeito da trajetória de como uma pequena localidade se transforma em município.
Este estudo procurou analisar e informar que acontecimentos levaram a colocação denominada Bujari chegar a sua emancipação política, e quais foram os acontecimentos históricos que marcaram a trajetória desta transformação.
Assim, a problemática que moveu a pesquisa e suas consequentes análises, giraram em torno da busca de compreender os principais fatores que ocasionaram a emancipação política de Bujari, a partir das intencionalidades dos diferentes sujeitos que se articularam e se enfrentaram neste processo.
Trata-se de um tema de relevância social porque busca esclarecer problemas que envolve diferentes seguimentos de pessoas daquela sociedade, ricas e pobres, religiosas ou não, com opções partidárias ou não, mas todos ávidos em conhecer a histórias de seus caminhos e descaminhos, alimentando sonhos e certezas.
Portanto, o principal objetivo perseguido foi analisar os fatores que concorreram para a emancipação política de Bujari, contextualizando historicamente o processo de emancipação do município, desde quando o nome Bujari era nome de uma colocação, identificando, a partir da memória de moradores, quais foram os sujeitos sociais que contribuíram com a formação da cidade, buscando compreender o funcionamento do município em seus aspectos políticos, culturais e religiosos.
A pesquisa foi realizada com o foco nessas mudanças sociais que ocorreram com o passar do tempo, buscando compreender a história do município de Bujari, identificando e analisando as ações dos diferentes atores deste processo, suas relevâncias e insignificâncias, as continuidades e descontinuidades deste processo, atentando sempre para o aspecto de que se trata da história de um município que já é referência na história política regional e que, portanto, os interesses são diversos, divergentes e envolvem diferentes sujeitos.
No primeiro capítulo trabalhei como se deu o processo de ocupação do território que hoje delimita o município de Bujari. Pois no Acre a partir dos períodos da crise da borracha, muitos seringais foram desativados e suas terras foram vendidas para formação de colônias, e nos primeiros anos da década de 1970 iniciou-se a grande procura pela terra no Acre.
No segundo capítulo analiso o processo de emancipação de Bujari, que ocorreu em 1992, a 28 de abril o Bujari já ganhava sua autonomia, com o empenho e participação da comunidade local e através do decreto lei n° 1013 de autoria do Ex governador do Estado do Acre Edmundo Pinto de Almeida Neto, aprovado pelo poder Legislativo Estadual. Bujari foi elevado a categoria de município do Estado do Acre fixando seus limites.
No terceiro capítulo trabalhei as questões do município de Bujari hoje, seus aspectos políticos, culturais e religiosos, a visão dos moradores em ralação aos acontecimentos com o
CAPÍTULO 1 – OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO QUE HOJE DELIMITA O MUNICÍPIO DE BUJARI
1.1 A Ocupação do território do alto Acre: o caso de Bujari
No Acre a partir dos anos 1970 houve uma grande corrida pela incorporação de suas áreas de floresta com uma nova proposta de exploração de suas terras. Tratava-se de uma ocupação com o propósito de desenvolver uma economia baseada da atividade agropecuarista, destinada a atender o mercado interno (local, regional e nacional) e o externo, através da exportação pelo pacífico.
Mas, é bom lembrar que a ocupação desta região por brasileiros já vinha acontecendo de algum tempo, desde quando o extrativismo da borracha, a partir da segunda metade do século XIX, produziu a vinda de grandes levas de trabalhadores desempregados do nordeste brasileiro para cá. Antes disto esta região que hoje constitui o Estado do Acre, era ocupada por dezenas de etnias indígenas. No entanto, com o extrativismo da borracha, esta região foi aos pouco sendo ocupada por amazonenses, paraenses e cearenses. Duarte (1987) relata como se deu este processo:
Aos poucos todas as vertentes do Purus, Juruá, Acre, Iaco e outros rios, onde havia maior concentração de seringueiras, estavam ocupados por brasileiros. Este interesse repentino pela borracha foi motivado pelo desenvolvimento das industrias europeias e norte – americanas que necessitavam da borracha como matéria prima.
Antes de 1800, a borracha da Amazônia, extraída pelos índios, já era conhecida por viajantes estrangeiros. Logo se iniciou a exportação de sapatos de borracha, feitos pelos nativos, para os Estado unidos.
A anexação das terras acreana ao Brasil foi conseguido com o sacrifício e a persistência dos seringueiros acreanos. Este fato traz outras características marcante para o Acre: o orgulho do seringueiro por ter sido aquela região incorporada ao Brasil pela luta e pelo sangue de seus antepassados (DUARTE, 1987, p. 59).
Certo é que na década de 1970 os seringueiros foram perdendo o seu valor, trabalhavam de sol a sol, apenas para manter o sustento de suas famílias e, com certeza, para enriquecer os donos de seringais. No entanto, não se contentavam com aquilo que ganhavam,
mas essa era a forma tradicionalmente estabelecida naquela localidade. Isso ficou sendo até a chegada dos “Paulistas”, que implantaram um novo modelo de ocupação das terras do Acre.
Na década de 1970, o Acre tornou-se o paraíso de grandes e médios criadores de gado. Para os seringueiros e índios a vida tornou-se um “inferno”, pois suas terras passaram a ser invadidas por pessoas que eles não conheciam. Como já dissemos, esses criadores de gado, também chamados de pecuaristas ou fazendeiros, vieram de vários lugares do país, mas foram logo apelidados de “Paulistas”, por que em sua maioria eram da região de São Paulo. O seringueiro não podia ver um homem vestido com traje de fazendeiros que logo o chamava de “paulistas”. Na verdade, diante das ameaças de alguns desses pecuaristas de que seriam expulsos de suas Colocações de Seringa, o nome “Paulista” criava uma simbologia de pavor entre esses seringueiros e demais trabalhadores rurais do Acre (SOUZA, 2005, 99)
É portanto, a partir daí, que começam os interesses pelas terras do Acre e pela pecuária. Os seringalistas se viam obrigados a vender seus seringais e os seringueiros começavam a migrarem para localidades próximas as estradas ou mesmo para as periferias das cidades, principalmente para a Capital. Costa (2001) diz que:
No ano de 1972, começavam a aparecer na área do seringal os “paulistas”. Primeiro faziam visita a cada trabalhador em sua colocação, alegavam que haviam comprado a terra, e que iam dar um prazo para que o ocupante abandonasse a área, pois não estavam interessados em borracha. O trabalhador até que concordava, mais naturalmente pedia indenização pelas benfeitorias. O “paulista” não concordava e logo dizia para o posseiro, que nem pensasse em dinheiro, pois já havia pagado o preço justo da terra para o legitimo dono, o seringalista. Depois, impacientes com a demora da retirada, voltavam com ameaças, alguns deles chegaram a ludibriar o seringueiro: ofereciam um certo valor pela colocação, pediam para que o posseiro assinasse um recibo e não pagavam.
A resistência passiva dos posseiros não saindo da terra e descumprindo as determinações dos “paulistas” para que não brocassem a mata ou plantassem roças tornou mais intensa a violência dos novos patrões. Para isso, foram então mobilizados os jagunços com ordens para impedir o trabalho de broca, destruir os pequenos açudes, atear fogo nos roçados, matar animais e derrubar as moradias. Além disso, deviam bloquear a coleta de borracha e castanha e levar peões para derrubar e queimar indiscriminadamente as árvores da floresta (COSTA SOBRINHO, 2001, p. 59).
É neste contexto que surgem as primeiras ocupações urbanizadas da localidade que hoje constitui a cidade de Bujari. A compreensão do processo histórico de constituição desta cidade vincula-se, portanto, a forma de ocupação da floresta acreana, primeiro através do extrativismo, depois pela pecuária, e em especial em razão da construção da BR 364.
O município de Bujari, segundo o escritor Moisés Carneiro, em seu livro Bujari (1996), limita-se com o município de Rio Branco a partir do ponto em que a Fundiária Sul do projeto Humaitá intercepta o ramal Mutum, daí segue por este ramal, até cruzar o igarapé Redenção, prossegue a montante deste igarapé a sua nascente, e por um ramal até o igarapé São
Francisco, subindo este até sua nascente, e por uma linha de menor distância até a foz do igarapé Extrema, no Riozinho do Andirá, prossegue a montante desse igarapé até sua nascente, por uma linha reta alcança a nascente do igarapé Fundão, seguindo o seu curso até sua foz, no Rio Antimari, subindo este rio até a foz do igarapé Rio Branco, continua a montante desse igarapé até sua nascente. Em seu limite com Sena Madureira começa na nascente do igarapé Rio Branco afluente do Rio Antimari, daí pelo divisor de águas dos rios Iaco e Antimari, até sua nascente do igarapé Sucuminná, prossegue a jusante deste até ser interceptado pela linha de divisa com o Estado do Amazonas. Com uma área de 3.675 km quadrado, o município de Bujari foi desmembrado de Rio Branco (TORRES, 1996).
O nome Bujarí é originário da “colocação1” que tinha este mesmo nome. A área de terra que hoje constitui a sede do município pertencia ao seringal Empresa, fundado pelo cearense Neutel Maia, em 28 de dezembro de 1882. De acordo com Torres (1996), em1946 o proprietário do seringal Empresa, Sr. Lauro Tinoco, havia vendido este seringal ao Governo do Território por uma quantia de nove mil contos de réis, sendo pago em nove prestações anuais. O Governador do Território era Major José Guiomard dos santos, que distribuiu aos seringueiros que já habitavam aquela localidade (TORRES, 1996).
1.2 As primeiras instalações
Moisés Carneiro Torres (1996), afirma que em 1962, ano em que o Acre foi elevado à categoria de Estado, residiam nesta colocação os seguintes seringueiros e respectivas famílias: Raimundo Virgílio, José Leão e Joaquim Sobreira. Viviam de extração da borracha e de pequenas agriculturas, suas vias de acesso eram os precários varadouros, onde gastavam dois dias de viagem para chegar a Rio Branco, onde vendiam sua produção e compravam a aviação (mercadoria necessária para passar um determinado espaço de tempo). Seus transportes eram o boi, o cavalo e o burro. Outras famílias viviam em outras colocações vizinhas denominadas: Mucuripe, Malamanhado, Banana Roxa, Porongaba, Círidó e outras (TORRES, 1996).
O seringueiro, na década de 1970 era o responsável pela produção que sustentava todas as despesas do seringal. Moravam na colocação com suas famílias, onde viviam da
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Colocação era a área do seringal onde a borracha era produzida, nesta área localizava a casa do seringueiro, e as “estradas” de seringas. Um seringal possuía várias colocações. SOUZA Carlos Alberto Alves de. História do Acre, Novos Temas, Nova Abordagem – Rio Branco 2007.
produção da borracha, coleta de castanha, caça, pesca e agricultura de subsistência. Acordavam de madrugada e percorriam a estrada cortando as seringueiras e colocando as tigelas para aparar o látex. Após essa operação, retornavam pelo mesmo percurso colhendo o látex para depois defumar e formar as pélas2 da borracha. Uns colhem pouco látex, outros conseguem colher até 20 litros por dia. Naquela época já eram poucos os que viviam dessa atividade.
O Acre é um estado onde não existe a figura do parceiro, meeiro e foreiro, por conseguinte, a relação de trabalho, só conheceu duas figuras: o patrão e o seringueiro.
Ressalte–se que em nenhum momento os ordenamentos jurídicos se preocuparam com a situação social deste homem – o seringueiro. Relegado a sua própria sorte, passou a ser visto como elemento nocivo ao desenvolvimento do Estado, já que para os novos proprietários o que interessava agora era a madeira e a pecuária, e não mais a extração da borracha (NASCIMENTO, 1995).
Em 1969, por ocasião da construção da BR 364, muitos seringueiros começaram a lotear suas áreas e vender os lotes a quem interessava e muitas famílias instalaram-se nas margens da estrada, dando o primeiro avanço populacional do núcleo que hoje é a cidade de Bujari e seus arredores (TORRES, 1996).
O crescimento da comunidade local nesta cidade, observa-se que sua origem foi muito simples, seu progresso foi marcado por uma transição da nossa economia, a formação de seu núcleo urbano surgiu de maneira justificada pela necessidade de atender a uma exigência politica-administrativa, sua primeira organização administrativa ocorreu em 1986, com a criação de sua prefeitura.
Segundo Moisés Carneiro Torres (1996), o 5° Batalhão de Engenharia e Construção estava em ação na construção da estrada, e o seu comandante exigiu que muitas famílias afastassem suas residências da área de serviço da mesma, fazendo com que muitos moradores perdessem o espaço que ocupavam, ficando sem condições de instalarem-se. E o problema foi se agravando cada vez mais, até que em 1978, uma comissão de moradores foi ao palácio Rio Branco, falar com o governador Geraldo Gurgel de Mesquita, da situação em que se encontrava essas famílias. Para resolver a situação o governador comprou do Sr. Joaquim
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Pélas da borracha, é a borracha depois de pronta depois de defumada, onde já ficava pronta esperando nos portos, para embarcar para outras cidades. SOUZA Carlos Alberto Alves de. História do Acre, Novos Temas, Nova Abordagem – Rio Branco 2007.
Sobreira, uma área de 10 (dez) hectares de terras, dividiu-a em lotes urbanos e distribuiu-os entre as famílias prejudicadas. Foi o segundo avanço populacional do referido núcleo (TORRES, 1996).
Com uma população assim distribuída: 27% residindo na zona urbana e 73% na zona rural, Bujari era na década de 1990, um município agrícola, pois nas suas atividades econômicas tinha predominância as culturas agrícolas e pecuária. Seus principais produtos eram: arroz, feijão, milho e mandioca. Porém as hortaliças já tinham lugar na economia, pois além de ser um elevado número de produtores que praticavam horticultura em suas próprias áreas agrícolas, existia o polo Hortifrutigranjeiro que fortalecia a economia no município.
Moisés Carneiro, afirma que no polo Hortifrutigranjeiro trabalhavam quinze famílias de produtores, gerando empregos para um razoável número de trabalhadores. Estes parceleiros, como eram conhecidos, produziam boa quantidade e qualidade de hortaliças, abasteciam o próprio município e exportavam para Rio Branco. Os agricultores em geral, enfrentavam muitas dificuldades para desenvolver seus trabalhos, como: a falta de aquisição de sementes, as doenças e as pragas que atacavam as plantações, a falta de capital, tudo isso eram fatores que prejudicaram o desenvolvimento da agricultura no município. Os agricultores começaram a se organizarem através da criação de associações para tentarem resolver seus problemas (TORRES, 1996).
A expansão da pecuária no município, teve início na década de 1970, com a vinda de um grande número de empresários do Centro –Sul do País, por ocasião da abertura da BR. 364. Com a desativação de muitos seringais, que era a maior fonte de economia no município e a implantação do sistema agropecuário, a pecuária despontou como a maior fonte de renda.
Para a formação de pastagens é empregado o sistema de plantio de produtos alimentares, principalmente arroz, milho, feijão e mandioca, logo após a queimada. Após a colheita desses produtos é semeado o pasto. Entretanto existe outro sistema que consiste no plantio do pasto logo após a queimada. Os rebanhos destinam-se em maior parte ao abate, sendo comum cada fazendeiro dedicar-se a cria, recria e engorda. E a produção de carne era maior que a produção leiteira. Portanto, as atividades econômicas mais importantes eram a agricultura e a pecuária. No período da transição econômica, com a extinção do extrativismo e a expansão da pecuária, modificou a vida de muita gente, gerando assim muitos problemas sócio- econômicos.
Segundo o relato do senhor Evandro Cardoso de Oliveira:
“viveu toda sua infância no seringal “Mêrces”, região que fica entre os municípios de Rio Branco e Sena Madureira . Hoje grande parte dessa região pertence ao município de Bujari .Evandro conta que trabalhou juntamente com seu pai como seringalistas no referido e extinto seringal, que na época fazia parte da comarca de sena Madureira era um dos maiores seringais do Acre onde trabalhavam mais de cem famílias de seringueiros, que tinham um bom relacionamento e viviam muito bem.
Os mesmos eram bem assistidos. tinham a mercadoria necessária para o seu sustento, atendimento dentário periodicamente e muitas vezes atendimento médico, A visita do padre era normal todos os anos, com casamentos e batizados. E chegavam a produzir ate 150 toneladas de borrachas anuais.
Devido a desvalorização desses produtos a desativação dos seringais e a construção da BR 364, no trecho que liga Rio Branco a sena Madureira, Muitas famílias migraram para as cidades, outras para as fazendas para trabalhar de empregados e outra foram viver de agricultura. Evandro Cardoso instalou-se ás margens da referida estrada Km 72, onde trabalha desde 1972, nos ramos do comércio e pecuária na Fazenda “ESCORPIÃO”.
Evandro conta sua trajetória, desde os tempos de seringal até os dias atuais. As dificuldades que enfrentou, como: as das enchentes dos rios e igarapés que atravessou muitas vezes com as tropas de burros carregadas com as mercadorias, as grandes dificuldades que percorria, os perigos das feras, insetos e outros que enfrentava (TORRES, 1996).
O relato acima nos faz pensar, que o importante para o seringalista era a quantidade de toneladas de borracha que era produzida pelos seringueiros durante todo o ano, e pela quantidade que chegavam a produzir, era mais do que justo terem suas mercadorias para manter o sustento de suas famílias, mas é importante ressaltar, que não era ofertada pelo seringalista, e sim por fruto de um longo trabalho exercido pelos seringueiros, e se os mesmo tinham atendimento médico, era para que não chegassem a ficar doentes, pois se isso chegasse a acontecer, para o dono do seringal ele seria o principal prejudicado. No entanto acredita-se que eles não eram tão bem tratados assim, pois na oportunidade que tiveram, os seringueiros começaram a migrar com suas famílias, uns para a cidade, outros para as fazendas, mas todos saíram de lá com a mesma perspectiva, a de mudar de vida.
Dentre os pioneiros do município se destacam o Sr. Antônio Expedito de Freitas, ele relata que veio do Ceará em 1942 e foi morar no seringal Vila Nova, de propriedade do Sr. Chico Monte, no Rio Acre. Morou pouco tempo no referido seringal, pois logo saiu e foi morar em Rio Branco. Em junho de 1946, comprou uma colocação do seringal Empresa, denominado Taboquinha, por 9 contos de réis, com 3 estradas de seringas. Tinha esse nome,
devido a grande quantidade de tabocas existentes na mesma. Nesta época, o governador do Estado do Acre era Major Jose Guiomard dos santos, que havia comprado o referido seringal do Sr. Lauro Tinoco, facilitando aos seringueiros a liberdade de vender suas borrachas a quem os mesmos. O seringal era administrado pelos tesoureiros do governo Cristóvão e Baía. Gastavam dois dias de viagem para chegar a Rio Branco, onde vendiam a sua borracha ao Sr. Abraim Isper Junior e compravam a mercadoria necessária para passar uma temporada sem ter que fazer o referido percurso. Nunca teve ideia de sair de sua Taboquinha. A primeira vez que conheceu a localidade denominada BUJARI que deu origem ao nome do atual município, foi em 1945, quando o mesmo foi avisar os moradores da mesma que os americanos estavam comprando sementes de seringueiras, e os moradores eram: Gonzaga, Belo e Chica Belo. Dai em diante não lembra quem foram os moradores seguintes até 1962, quando já moravam em Bujari os seringueiros: José Leão, Raimundo Virgílio e Joaquim Sobreira (TORRES, 1996).
O comércio em Bujari, segundo o autor Moisés Carneiro, em 1969 era feito em maior escala com Rio Branco, com a venda de produtos agrícolas: arroz, feijão, milho, madeira e hortaliças, e a compra de produtos industrializados, vindos de outros estados. O mesmo teve início no município com o Sr. Francisco Modesto, que praticava essa atividade como ambulante. Ele levava em seu carro, todo tipo de gêneros de primeira necessidade que os seringueiros precisavam e trocavam por borracha e outros produtos que os mesmos levavam para as margens da estrada (Torres, 1996).
E como afirma o autor Moisés Carneiro, outros moradores pioneiros como o Sr. João Borges, Raimundo Franco e Cosmo Carneiro, também instalaram seus comércios em Bujari. Cosmo Carneiro, que é conhecido como Bamar, em 1971 havia comprado um lote de 12,5 hectares de terra para fazer agricultura, logo começou a vender alguns maços de cigarros, alguns quilos de açúcar, café, enlatados e outros produtos de primeira necessidade e em pequenas quantidades. Depois foi ampliando, comprava borracha, produtos agrícolas, animais, e revendia-os obtendo lucro, foi fazendo investimentos, chegando a ser um dos maiores comerciantes do local. E assim os bares, botequins, mercearias, restaurantes, eletrônica, padaria, pequenas oficinas mecânicas formaram a rede comercial do município. Segundo ele naquela época em 1971, não dispunha de um supermercado, lojas de confecções. Por isso a população comprava caro, ou tinha que se deslocar para a capital Rio Branco em busca de melhores preços e qualidades de produtos. Isso representava evasão de renda (TORRES, 1996).
Já a indústria em 1971 era ainda um embrião, apenas alguns pequenos engenhos para a fabricação de farinha de mandioca, cada um compatível com as necessidades locais. Um engenho de médio porte, para a fabricação de açúcar mascável, rapadura e outros, pertenciam à caixa agrícola3 dos produtores de Bujari. No que diz respeito a beneficiamento, existiam algumas máquinas beneficiadoras de pequeno porte, pertenciam ás associações Rurais, a de médio porte também pertenciam a caixa agrícola. Mas no ramo de produtos alimentares existia apenas um pequeno estabelecimento que era uma padaria.
Um dos maiores problemas que o município enfrentava era a saúde. Pois como afirma o autor Moisés Carneiro em 1978, foi instalado o primeiro posto de saúde, em uma área que correspondia ao Núcleo de Apoio Rural ao Integrado – NARI. A coordenação dos trabalhos foi confiada á enfermeira Maria Iza Viana, no qual prestou seus serviços por muitos anos. O município não dispunha de um hospital, nem ambulância. Existia alguns postos nas zonas rurais, mas sem condições de atendimento, pois a central de medicamentos SEME, não dispunha do referido medicamento para abastecer os mesmos. Apenas o posto central, no momento oferece uma certa condição de atendimento. Este com uma certa estrutura de equipamento e pessoal. Atendimento médico algumas vezes na semana, onde são atendidos os casos mais banais, pois os mais graves, o próprio paciente procurava atendimento em Rio branco. As doenças mais comuns eram verminoses, anemia, escabiose, abcesso e às vezes alguns casos de malária e outro tipo de doença, para o atendimento dentário foi instalado um gabinete odontológico, onde começou atendendo a comunidade escolar (TORRES, 1996).
Com o crescimento populacional, o Bujari desenvolveu-se em seus aspectos educacionais. No inicio da década de 1970 surgiram as primeiras escolas no povoado. A escola Santa Inês com o professor Raimundo Rafael e a escola São João Batista com a professora Rita Nogueira do nascimento (Dona Bela). A escola Santa Inês, com poucos anos de funcionamento foi extinta, enquanto que a escola São João Batista foi construída em alvenaria em 1975, com duas salas de aulas, uma cantina e uma diretoria. Onde o senhor Moises carneiro foi o primeiro diretor. A escola ficava situada na margem direita da BR 364. Em 1978 foi destruída por um vendaval, passando a funcionar dai em diante na escola do NARI.
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A caixa Agrícola dos produtores de Bujari, tinha como objetivo, estimular o desenvolvimento e a defesa das atividades econômicas dos associados e a elevação do padrão de vida, visando melhorar os rendimentos dos produtores.
Os trabalhos evangélicos em Bujari, segundo o autor Moisés Carneiro tiveram início em 1976, com as novenas do mês de maio, celebradas pela comunidade católica, na residência do Sr. José Maciel durante todo o mês. Em dezembro do mesmo ano, teve a continuidade estes trabalhos, com as novenas do Natal com o tema “Natal em família”, celebradas em diversas residências. A paroquia Santa Inês, sob a coordenação do Pe. Mássimo , criou várias comunidades de Base, em diversas localidades. Muitos fiéis da comunidade fizeram treinamento para monitores religiosos. Foram criados os seguintes grupos na comunidade: Grupo Bujari, coordenado pelo Sr. Moisés e o senhor José Maciel; grupo Santa Luzia, coordenado pelo professor Francisco de Souza Lima; grupo pontão, coordenado por dona Raimunda Lima e a professora Maria das dores; grupo piçarreiras, com a dona Josefa Martins. Esses condutores do processo, num esforço concentrado e ajuda da comunidade, construíram a Igreja São João Batista, o padroeiro da cidade, templo de 10x20m, toda em alvenaria. A imagem de são João batista foi doado pela saudoso casal Andrelino Arante e benedita Lopes Arantes (TORRES, 1996).
A Igreja da Assembleia de Deus, também iniciou os trabalhos evangélicos, no mesmo ano,1976, sob a liderança do pastor Euclides Nunes de Oliveira, que fazia um trabalho de divulgação da sua religião nas residências dos fieis. Assim a igreja foi ganhando adeptos, e segundo os fieis se fortalecendo na fé. E construiu um bonito templo em madeira, com projeto para construção do mesmo em alvenaria. Existia muitas congregações pelas colônias e seringais. A Igreja Batista, Igreja Casa da benção, Igreja Metodista, Congregação Cristã, Quadrangular e Testemunha de Jeová também tem suas congregações.
A Religião do Santo Daime em Bujari, foi criado pelo Riograndense José Nunes Vieira, com nome de Centro limoeiro, na localidade denominada São José do Limoeiro. foram poucos seus participantes. Seus rituais consistiam em concentração e execução de hinos com acompanhamento de instrumentos, sob a liderança do seu criador, que era o preparador do “chá”. Tomavam com o objetivo de obter curas, aperfeiçoamento da alma, descobrir o caminho certo a seguirem.
Durante todo o tempo em que foi distrito de Rio Branco, Bujari recebeu vários benefícios, como a sub delegacia de polícia; instalada em 1977, no governo do professor Geraldo Gurgel de Mesquita, atendendo o pedido da população. A mesma funcionava em uma casa particular, de propriedade da Dra. Yacute Ayache, alugada pelo governo do estado. O
seu primeiro Sub –delegado nomeado foi o funcionário público, pertencente á secretaria de agricultura do estado, José Vieira de Andrade.
O autor Moisés Carneiro, afirma em seu texto que a energia elétrica foi instalada em 1982, no governo do Sr. Joaquim Falcão Macedo, tendo como presidente da companhia de Eletricidade do Acre- Eletroacre o Dr. Alércio Dias. Entre outros benefícios, teve a construção e a reforma de escolas; campo de futebol; limpezas de ruas periodicamente, beneficiamento dos ramais; posto de identificação; posto de atendimento do Banacre; cartório civil; praça com quadra de esporte. A Empresa de Assistência Técnica Extensão Rural em Bujari, em 1980 no governo do Sr. Joaquim Falcão Macedo, na época em que Bujari era apenas um povoado, distrito de Rio Branco (TORRES, 1996).
De acordo com as afirmações do autor Moisés, mesmo com muitos problemas que enfrentavam aquela população no dia a dia , sempre encontram um jeito para passar alguns momentos de contentamentos . Na zona urbana, por não contarem com um clube municipal, a população bujariense criava sua própria opção de lazer. Iam tomar cerveja no bar ouvindo som e saboreando algumas iguarias, jogar futebol, e tomar banho de açude. Enfim a comunidade se arranjava como podia. Pois mesmo sem contar com nenhuma opção de turismo, não gostavam de ficar em casa nos finais de semana. Quem tinha condições comprava um título de sócio no único clube que havia que era o Pampa Clube, que era particular e só os sócios tinham acesso ao mesmo. Já na época de festas juninas, o população local tinha alguns momentos de lazer, ao participarem das quermesses, quadrilhas, casamentos caipiras, mantendo assim as tradições das festas populares. A quadrilha do grupo de jovens sempre animava as noitadas. Já era tradição, além de animar a comunidade se apresentava em outros lugares a convite (TORRES, 1996).
Acredita-se que todas essas atividades, eram motivo para o comunidade local dar vasão aos difíceis momentos da vida que passavam, tornando assim os problemas mais amenos. Festejavam também as datas comemorativas; paixão de Cristo e páscoa, que são festejadas pelos fieis que fazem suas programações, com dramatização simbolizando o sofrimento e morte de Jesus cristo; O dia 12 de outubro, dia das crianças, que era comemorado na escola.
E assim, aos poucos iam realizando seus desejos de serem independentes, de terem seus próprios representantes, de poderem responder por eles mesmo, de melhores condições
de sobrevivência para aquelas famílias que ali chegaram, e na esperança de dias melhores
CAPÍTULO 2 – O PROCESSO DE EMANCIPAÇÃO DE BUJARI
2.1 As ideias de emancipação política
Para Marx, a cidadania é parte integrante do que ele denomina emancipação política. Neste sentido, a emancipação de um município, porque surgidda dos anseios de uma parte considerável de seus habitantes, torna-se ponto chave como instrumento de participação cidadã em dado grupo social. A elevação de uma vila ou comunidade à categoria de município ocorre quando um distrito de um município, passa a não depender mais da cidade polo, assim, esse distrito passa a ser um município.
No âmbito de meu objeto de pesquisa pensamos as reivindicações e as ações visando a elevação do distrito de Bujari à categoria de município no interior de um conjunto de estratégias que têm como pano de fundo a busca por um ideal de emancipação política, e, deste modo, como a busca por práticas mais efetivas de participação nas decisões políticas que envolvem o local em que se vive.
Destacamos o fato de que esta não é uma decisão unânime da comunidade e que cada um daqueles que direta ou indiretamente intervieram no processo defendiam suas posições baseados em aspectos que são, ao mesmo tempo individuais e coletivas. São esses pontos que desejamos discutir nas linhas que seguem.
A chamada emancipação política era vista de várias formas pela comunidade:
Meu pensamento era que nós pudesse ter uma ‘miora’ de vida, pois era muito difícil a vida da gente, eu achava que se tivesse alguém dos grandes olhando por nós era mais fácil, quando eu cheguei aqui, em 1975, naquela época ninguém nem pensava nisso, mas ai o tempo passou, e eu não sai mas daqui, acho que foi por que eu era sozinho mesmo e tanto fazia, eu ir embora como ficar aqui, ê rapaz faz muito tempo que vivo aqui nesse Bujari, o que eles falavam pra nós era que se a gente pudesse votar em alguém daqui pra prefeito e vereador, ai sim nós ia deixar de tá comprando as coisas tudo caro no Rio Branco, eles iam dar apoio a população e fazer ruas de “asfarto” e tudo mais, era muita gente metido nisso, os que sabiam das coisas eram os que falavam “praqueles” que não sabiam, como eu, só lhe digo uma coisa isso aqui mudou por demais a vista do que era naquele tempo, só tinha uma rua de barro, o resto era tudo os caminhos, que o povo vazia pra chegar mais perto da taberna, pra comprar as coisas que faltava, mas com todas as dificuldades que passei aqui, não me arrependo de nada não, aqui é um lugar bom de mais, meu trabalho no seringal, dava pra mim compra minha comida e beber minha cachaça, tinha umas festas boas rapaz ,de dançar até o dia amanhecer, e também naquele tempo era que tinha musica boa, hoje em dia esses cantor não sabem mais cantar, e o povo ainda gosta. Mais é isso mesmo
os primeiros “puliticos” eles ajudaram nós sim fizeram muita coisa boa pelo nosso Bujari “véi”. E depois acabou tudo esse negocio de seringal, e virou tudo fazenda, ai fui trabalhar no roçado plantando milho arroz e macaxeira, fazia adjunto pra apanhar arroz e trazer pra peladeira, que fica ali perto do ramal, santa Luzia, fazia farinha puba, mas nunca passei fome graças a Deus, hoje em dia sou aposentado e recebo meu dinheirinho todo mês.(Entrevista com o senhor Jozino Barbosa da costa 72 anos, morador antigo do município. Entrevista feita na minha casa no dia 08 de novembro de 2014, as 9;00 h. da manhã)
Seu Jozino, como é conhecido no município, trabalhou a maior parte de sua vida no seringal, e depois continuou a trabalhar com a agricultura, e mesmo passando por muitas dificuldades, tendo que enfrentar os trabalho pesado, não reclama de sua vida, pois para ele o importante é que no final do mês ele tinha seu dinheiro para se divertir nas festas, diz que a emancipação política ia melhorar a vida da comunidade de Bujari, via isso como uma forma de se tornarem livres para terem seus próprios representantes, além de receberem melhorias nas pavimentações de ruas, e não esconde sua versão sobre os políticos da localidade, quando diz que eles ajudaram muito o Bujari, para ele era um sonho de que dias melhores chegariam, pois era crítica a situação em que os moradores se encontravam, e suas formas de trabalho eram muito pesadas, mas ele também relata, que não se arrepende e faria tudo de novo, enfim era melhoria que ele esperava para ele os os demais moradores da localidade.
Em uma narrativa organizada a partir das atividades produtivas desempenhadas por ele durante seus longos anos de vida e trabalho no Bijari, seu Josino deixa entrever no relato a relação entre a conquista do direito à emancipação política do município e as mudanças de ordem econômicas que ocorriam no Acre. Segundo ele, momento em que “acabou tudo esse negocio de seringal, e virou tudo fazenda”, obrigando-o a “trabalhar no roçado plantando milho arroz e macaxeira” entre outras coisas e produzir na companhia de outros que, como ele, não recebiam muito auxílio dos governantes, mas se organizavam, na forma de “adjuntos” para tornarem colheitas e “peladeiras” possíveis.
Dona Marina Souza da Silva, também moradora antiga do município, desde 1957, quando chegou com apenas cinco anos de idade, vinda do Ceará com seus pais, e passando a morar no seringal, na colocação Barroso, onde hoje em dia está localizado o ramal do Barroso na BR 364, km 42, as coisas não foram tão boas assim.
“Quando cheguei aqui com minha mãe, meu pai e meus, irmãos eu tinha 5 anos de idade, em 1957, e tudo o que eu lembro era que nós marava no seringal, na colocação com o nome de Barroso, meu pai tinha uma taberna que vendia muitas coisas, arroz, óleo, açúcar conserva, sardinha, cachaça e tabaco de mói. Ele tinha um cômboi de burros como era chamado
antigamente, que ele ia comprar as coisas em Rio Branco, para vender na taberna. Lá em casa todo mundo sempre trabalhou, muito cedo, e quando eu comecei a me entender por gente, eu trabalhava no roçado apanhando arroz a manhã toda, e quando era hora do almoço, eu terminava de comer, pegava uma bacia cheia de roupa suja, e ia pro “garapé” lavar antes de chegar a hora de voltar pro roçado, quando meu pai terminava de descansar ele já gritava por mim, e eu deixava a roupa toda lavada, só pra mãe estender, e já voltava pra apanhar arroz e só chegava em casa já anoitecendo, era assim a semana toda, e no final de semana era, a vez de vasculhar a casa, e limpar o terreiro, e nós se acordava cedo pra fazer isso, pra mãe poder deixar nós ir pra festa mas a minha irmã mais velha, nós andava de cinco a dez quilômetros para poder chegar na festa, e tinha que dançar a noite toda sem descer no terreiro, só podia se fosse com a dona da casa, se não da próxima fez a mãe não deixava mais nó ir. É minha filha, a vida de antigamente era muito diferente da de hoje em dia.Pois é, assim me criei e por aqui fiquei, sempre tentei dar para os meus filhos, a oportunidade que minha mãe não pode me dar, mas o importante é que a gente era feliz. E depois de muito tempo as coisas foram começando a melhorar, pra falar a verdade, e pra encurtar a historia sobre essa emancipação politica que o povo tanto falava aqui no Bujari acho que teria melhora para o povo sim, mas como em tudo tem uns que são mais merecidos do que os outros, teve aqueles que se beneficiaram mais do que o povo, falavam pro povo que teria melhorias muito para toda a população, mas essa emancipação, que segundo eles, seria muito boa para nós, seria melhor ainda pra eles, os políticos que iriam ganhar as eleições, seria bom pra nós sim, mas eles tinham que fazer algo de bom mesmo, pois afinal eles iriam ganhar as eleições pra isso mesmo pra trabalharem pelo nosso município, eu pensava várias coisas, primeiro, se eles iam fazer coisas boas para o povo, ou iam só ganhar dinheiro sem trabalhar, mas era melhor mesmo, pelo menos agente ia votar em alguém conhecido, e não votar como a gente votava antes, votar em quem o conhecido que morava em Rio Branco pedia, ai nós ia lá e votava, sem saber de nada, nem muito menos quem era a pessoa. Logo no começo, como todo começo é bom, eles começaram a fazer algumas coisas boas mesmos, mais ai depois, só queriam saber dos seus próprios interesses, mas era obrigação deles ajudar o povo. Entrevista com dona Marina Souza da Silva, 64 anos, moradora antiga do Bujari, (entrevista feita no dia 20 de novembro de 2014, as 14:00 horas em minha casa)
Dona Marina conta um pouco de sua vida desde que chegou no município, ela fez parte de uma longa jornada que era a vida no seringal, seu pai como ela mesmo disse, tinha uma “Taberna” onde vendia alguns alimentos para os moradores do seringal, e ressalta as dificuldades que eram enfrentadas para poder sobreviver. E com o passar do tempo quando ela foi crescendo já foi logo se deparando com as dificuldades de sua família, então aprendeu muito cedo, que precisaria de um esforço muito grande para poder ter o que comer, começou a trabalhar desde muito jovem, não tendo assim a oportunidade de estudar, pois, para seus pais, o mais importante era ajudar nos trabalhos em casa, além de que as escolas eram muito longe de sua casa. Mesmo assim, ou por isso mesmo, ela esperava mudanças para melhor.
Segundo ela, permaneceu no município mesmo depois de criar sua própria família, e ressalta que com o passar dos anos as coisas foram ficando melhor. Ela acreditava que a emancipação política iria trazer muitos benefícios para a comunidade local. Acredita que a
vida melhorou depois do município ser emancipado politicamente, no entanto, ela não esquece de ressaltar que os interesses pela política, à época da emancipação eram apenas por parte daqueles que seriam os principais beneficiados, e que pouco ajudaram para o desenvolvimento do município.
De maneira semelhante a seu Josino, Dona Marina destaca as contradições existentes na busca pela autonomia política do município do Bujari. Faz referência a algumas melhorias na vida dos munícipes, mas também aponta a continuidade das dificuldades em relação ao atendimento daquilo que seria a principal obrigação dos administradores do então recém-criado município, segundo ela “ajudar o povo”.
Para aquela população, tudo o que procuravam era a melhor forma de sobreviver, e de criar seus filhos, mas tinham também aqueles que buscavam criar um comércio, uma venda, para obter lucros, mas as condições em que os mesmo se encontravam não eram favoráveis, pois não existia um sistema de saneamento básico. E com as poucas ruas sem asfalto que tinham, e sem redes de esgotos, causavam sérios problemas de saúde nas crianças, por conta de tanta poeira que as mesma inalavam na época do verão. O abastecimento de água não era suficiente para atender a população, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Estatística) em 1996 50% da população não recebia água tratada, alguns tinham poço, outros se viravam como podiam.
O anseio da comunidade local, era que em um futuro bem próximo os seus problemas fossem solucionados, mas através de um trabalho sério e eficiente, como ressaltou, o professor Moisés Carneiro, em seu livro, no ano de 1996: “se concentrarmos os esforços, povo e governo, em curto espaço de tempo alcançaremos um crescimento sócio- econômico e bem estar para a população local de Bujari”.TORRES, Moisés Carneiro. Bujari, 1996.
Com o crescimento populacional e as consequentes exigências da própria população Bujari foi aos poucos se desenvolvendo, com a construção de duas escolas, a escola Santa Inês, e a escola São João Batista. A escola Santa Inês, com poucos anos de funcionamento foi extinta, enquanto a são João Batista foi construída em alvenaria em 1975, com duas salas de aula, uma cantina e uma diretoria, o primeiro diretor, foi o professor Moises Carneiro.
Fonte: Arquivo pessoal do senhor Moisés Carneiro Torres.
Na foto o primeiro diretor Moisés Carneiro, e seu filho Marcus Roberto, dona Bela e o seu neto Francisco. As vestimentas e o olhar das duas crianças no fazem questionar os níveis econômicos da comunidade em que essa escola essa escola havia sido implantada. Naquele momento, segurança alimentar e as possibilidades de um futuro diferente (melhor) do que aquele enfrentado pelos pais e avós cruzavam-se naquele humilde espaço escolar.
O trabalho da secretaria Municipal de Educação, na pessoa da professora Ivanilda Fregadolli Peres, segundo o primeiro diretor da escola, foi autêntico. Disponibilizando merenda escolar, transportes para os alunos, construção e ampliação da escola São João Batista, treinamento para os professores, compra de livros e material necessário para os alunos da rede municipal de ensino, e curso de magistério, para os professores da zona rural implantado em 1996.
Em 1981, com o apoio da Secretaria de Estado de Educação, foi implantado a 5° série de ensino do primeiro grau. Neste mesmo ano o professor Moisés Carneiro saiu da direção da escola por questões políticas, e para dar continuidade aos trabalhos da escola, assumiu a direção o professor Vital vieira de Souza e o processo de ensino teve sequência. (TORRES, 1996).
Vivia-se de acordo com as condições encontradas naquela localidade, e ao mesmo tempo lutavam por dias melhores. A escola figurava então como símbolo dessa luta. Mandar e manter um ou vários filhos na escola, em muitos casos representava um esforço tremendo para pais, avós e outros parentes que tivessem crianças sob seus cuidados, afinal as dificuldades de ordem material permaneciam, mesmo após a emancipação, daí a crença na chegada de um futuro melhor em que os “problemas fossem solucionados”.
2.2 A luta pela emancipação política a partir da análise discursiva de suas principais lideranças.
Foi em 1992 que os habitantes de Bujari, manifestaram através de um plebiscito seu desejo de emancipação politica, que vinha sendo alimentado há vários anos. O referido pleito ocorreu no dia 09 de março daquele ano e que contou com a presença da comunidade local, nas ruas defendendo suas posições políticas e participando da votação.
No dia 28 de abril do mesmo ano, Bujari já ganhava sua autonomia, por força do decreto – lei n° 1013 de autoria do Ex - governador Edmundo Pinto de Almeida Neto, aprovado pelo poder Legislativo Estadual, Bujari foi elevado a categoria de município do Estado do Acre, fixando seus limites e assim concretizando ao sonho de sua população local.
Com a aprovação do município, o TRE (tribunal regional eleitoral) autorizou a 3 de outubro do mesmo ano, as eleições para escolha dos seus primeiros vereadores, prefeito e vice- prefeito.
Para participarem desse processo de escolha, foram inscritos 3.562 eleitores. Pelo voto universal, o município tomou em suas mãos o destino de seu povo, que depositou nas urnas o símbolo de esperança, de mudança e melhorias, que todos esperavam.
Concorreram ao pleito para o cargo de prefeito, os seguintes candidatos e suas siglas partidárias: o economista Clóvis Alves de Melo e silva, pelo partido Democrático social – PDS; O professor Vital Vieira de Souza, pelo partido do movimento Democrático Brasileiro PMDB; O empresário Alkivíades Papayanaros, pelo partido Liberal PL.
O resultado das eleições foi favorável ao candidato do PDS, Clovis, que venceu os opositores com uma grande diferença de votos. Obteve 2/3 de todos os votos válidos, tendo como vice o professor Moises Carneiro Torres. No dia 1° de janeiro de 1993,tomamos posse nos cargos ,para os quais fomos eleitos juntamente os 09 vereadores.
A cerimônia de posse foi coordenadas pelo Dr. Feliciano Vasconcelos de Oliveira, no salão onde funcionou o comitê do partido Democrático social e que depois funcionou provisoriamente como câmara dos vereadores. No ato de posse dos eleitos, o Governador Romildo Magalhães foi representado pelo Dr. Francisco Ivan de Araújo Marçal, que foi o grande paraninfo do município.
O Dr. Feliciano deu posse em primeiro lugar aos vereadores que depois dos mesmos prestarem juramento, foi dada a incumbência de presidir a primeira seção, a vereadora Sumaia Kalide de Oliveira, por ter sido a mais votada no pleito. Ao assumir os trabalhos, a presidenta deu posse ao prefeito e ao Vice, que juntos prometeram cumprir a constituição.
Depois do ato da posse, o prefeito nomeou os seguintes assessores: o Sr. Joaquim Maria Ruela sobrinho para a secretaria de gabinete; o economista José Ary Alves de Almeida para a secretaria de Administração e finanças; o Sr. Raimundo Nonato Mendes do nascimento, para a secretaria de Obras, Transportes e serviços urbanos; o técnico Agrícola Delzimar Santiago Peres, para a secretaria de cultura.; a professora Ivanilda Fregadolli Peres para a secretaria de educação e cultura; a professora Marlete dos Santos Lopes para a secretaria de ação social. E com isso homens e mulheres recebem nos ombros a responsabilidade de alavancar o município no caminho do desenvolvimento. TORRES, Moisés Carneiro. Bujari 1996.
Para a comunidade local era algo novo que estava acontecendo, e que de uma forma ou de outra, a vida da comunidade ia mudar, e muitos deles sonhavam que fosse para melhor, pois antes da emancipação política, Bujari era apenas distrito de Rio Branco, e todos os pedidos e reivindicações que eram feitos, tinham que ser apresentados ao prefeito de Rio Branco, no entanto, as verbas e benefícios que eram destinados eram pouquíssimos. Com a eleição, veio para muitos munícipes a esperança muito grande de mudanças, a partir daquele dia.
Fonte: Arquivo pessoal do senhor Moisés Carneiro Torres, foto tirada em janeiro de 1993.
Na foto, os onze eleitos em 1992, no dia de suas posses, 1° de janeiro de 1993. Na parte do alto da esquerda para a direita, os vereadores: Evandro Cardoso, Paulo Sergio, Jairo Morais, José Romildo e José Amaro. Na parte baixa: vereador Luiz Alves, o prefeito Clovis Melo, vereadora Sumaia Kalide, vereadora Maria Zilmar, vice-prefeito Moisés Carneiro e vereador Milton Pinheiro.
Esses foram os primeiros representantes políticos com quem o município de bujari pôde contar, para buscar melhorias para a comunidade local, que a muito tempo vivia com muitas dificuldades de se manter.
Segundo afirmou a ex vereadora Maria zilmar Rocha Paiva, atualmente professora da rede Estadual de Ensino, moradora ainda do município, viúva e mãe de duas filhas, foi motivo de orgulho fazer parte do primeiro quadro de vereadores, e que foi a partir desse dia, que esforços foram concentrados para resolver problemas referentes ao município, eram pequenos projetos segundo ela, mas que quando chegavam a ser aprovados, era muito gratificante, contudo, ressaltou também que tiveram que enfrentar muitas dificuldades, para conseguir a aprovação de benefícios para Bujari. A partir da narrativa realizada pela professora, podemos
inferir que, para o município de Rio Branco, a emancipação política de Bujari fora um ganho uma vez que a capital não mais precisaria arcar com os custos referentes à saneamento, habitação e educação voltados para aquela localidade e, por outro lado, os poderes legislativo e executivo do novo município deveriam fazer-se reconhecer para poder garantir os erários necessários à manutenção do novo ente estadual, tarefa que não era pequena.
A constituição federal, no seu art. 13. 1° e 2°, estabelece que cada estado ou município deve ter seus símbolos próprios. E a constituição Estadual, no seu art.8°, incisos I e II, a Lei orgânica municipal no art. 6°, também estabelece o mesmo.
Os símbolos criados para representar o município de Bujari, são a bandeira e o hino. A bandeira de Bujari, seu primeiro símbolo, é de autoria de Mardilson Machado Torres, criada em 28 de abril de 1993, através da Lei n° 041, de autoria do poder Executivo e aprovada em concurso público em 09 de maio de 1994.
Imagem 03: Bandeira do município de Bujari.
Fonte: Acervo Digital: prefeitura municipal de Bujari.
Segundo o autor da mesma: “A cor azul simboliza o firmamento, no centro, uma circunferência branca que representa o globo terrestre com seus paralelos e meridianos, dentro do mesmo, o mapa do município de cor verde, no qual está retratada a economia do município, extrativismo, agricultura e pecuária. Em volta dos mesmos, dois ramos verdes,
simbolizando a riqueza vegetal existente. Abaixo uma faixa branca, com a descrição: Bujari- Acre, 28 de Abril de 1992. Que foi a data da criação do município.
Ideais identitários propostos por um artista para representar o recém-criado município, mas que, na comparação com a realidade, não diziam muita coisa das dificuldades enfrentados por aqueles que trabalham nos setores econômicos representados na bandeira ou na circunscrição dos meridianos desenhados artificialmente. Como vimos nas falas de nossos entrevistados e nos trechos retirados de outros trabalhos escritos, mesmo após 1992, as dificuldades se multiplicavam naquela localidade.
Na ocasião também foi criado o Hino que representa o município, o mesmo foi de autoria do senhor Moisés Carneiro Torres, que compôs a letra e a música, o mesmo foi executado pela primeira vez, na solenidade das festividades do 4° aniversário de fundação do município, onde houve a assinatura de vários projetos com o governo do estado, e lançamento da pedra fundamental de construção de várias obras como: Fórum do município, sede administrativa da prefeitura, centro educacional e a praça com quadra poliesportiva.
Para o professor Moisés Carneiro, é motivo de orgulho ser o compositor do hino de seu querido município.
Hino do Município Bujari.
Como a flor que recebe o orvalho; oh grande região de Aquiry; solo fecundo de esperança e paz; este nosso torrão Bujari.
Vinte e oito de abril a sua fundação, suas manhãs de sol nascente é penhor de sua redenção.
O seu nome foi marcado na Historia, celeiro de um povo varonil, seja um hino de glória que fale, deste rico pedaço de Brasil.
Vinte e oito de Abril a sua fundação, suas manhãs de sol nascente é o penhor de sua redenção.
Onde estão suas belezas naturais, transformaram seu chão em cultura, suas matas guardavam mistérios, horizontes de uma esperança futura.
Vinte e oito de Abril a sua fundação, suas manhãs de sol nascente é o penhor de sua redenção;
Quando as suas manhãs vem surgindo, traz na luz de sua imensidão, lindos raios de sol se expandindo, e o povir de uma civilização.
(Letra retirada do Arquivo da prefeitura do município)
tal qual a bandeira o Hino, como são todos os outros, nos remete a um passado fundador em que se opera grande transformação. Afirmação novamente contestada pela realidade observada no município.
É fato que, em vários aspectos, a população passou a dispor de segurança pública, a primeira sub- delegacia de polícia, funcionou em uma casa de madeira, alugada pela secretaria de segurança do estado, tendo como primeiro sub- delegado o Sr. José Vieira, conhecido como Paraíba. E o prédio foi construído em alvenaria por ordem do ex-governador Romildo Magalhães, oferecendo boas condições de funcionamento, inclusive com transporte motorizado a disposição dos policiais.
De acordo com o professor Moisés Carneiro Torres o município teve um grande avanço em vários aspectos. Relata:
Cheguei em Bujari em 1975, quando existiam menos de vinte famílias instaladas na localidade. Fui o primeiro diretor do colégio do município, a atual escola de 1° e 2° grau São João Batista.
Em 1981, com o apoio da secretaria de Educação do Estado implantei a 5° série de ensino na referida escola. A continuidade deste trabalho deu grande destaque ao município no setor de ensino. Em 1986, fui eleito primeiro sub – prefeito de Bujari, dirigi o esporte por mais de anos e graças a esse trabalho, Bujari tornou- se conhecido no senário esportivo. Disputei importantes competições galgando posição de destaque.
Construí, com o apoio da prefeitura de Rio Branco, o pequeno estádio existente no município.
Em 1992, lutei ao lado de alguns companheiros, pela emancipação politico – administrativa de Bujari obtendo êxito.
Em quase todos os processos de desenvolvimento do município, existe um pouco de minha participação. Ainda em 1992, fui eleito o primeiro vice- prefeito, onde exerci minhas funções buscando cada dia fazer a historia de bujari. Sempre emprestei meus esforços em prol de desenvolvimento, do lazer e da cultura.
Minha luta sempre foi pautada na simplicidade, honestidade e moral. TORRES, Moisés Carneiro. Bujari 1996.
De acordo com o relato do mesmo, Bujari desenvolveu satisfazendo assim a vontade dos munícipes que tanto esperavam por mudanças em suas vidas. É óbvia a tentativa do professor de defender essas supostas melhorias relacionando-as à sua própria atuação política, o que, como vimos, não figura nos relatos de outros depoentes e fontes.
Para o senhor João Edivaldo Teles de Lima, eleito prefeito em 03 de outubro de 1996 com 1089 votos, pela legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB, tendo como seu vice- prefeito o Sr. Nicanor Ricardo. João Edivaldo – o Padeiro, (como é conhecido), é natural do município de Tarauacá, antes de ser eleito, prefeito do município, trabalhava em uma padaria de sua propriedade, daí o motivo do termo “padeiro”, como é
tratado. É casado com dona Maria Rocilda, sendo pai de três filhos e sete netos. Segundo ele, quando chegou no município ainda era apenas vila, e poucas famílias moravam no local.
Nós estamos hoje a cerca de entorno vinte anos, quando a gente chegou aqui no município de Bujari, ainda era vila, depois que virou é foi criado município né, ai nó viemos pra cá, para trabalhar no empreendimento de panificadora, negócio de padaria, por que eu tinha uma colônia ali no santa Luzia, e findamos gostando e estamos aqui até hoje. E a formação se deu a população discutindo querendo que criasse o município, aquela revolução toda, e todo mundo foi correndo trabalhar, foi na época ainda do saudoso governador Edmundo Pinto, e criou-se o município de Bujari, e dai foi desenvolvendo devagar. Entrevista com o senhor João Edivaldo Teles de Lima, entrevista feita no dia 24 de março, as 18:00 horas, na casa do entrevistado.
Segundo o político, a formação de Bujari, se deu através da própria população local, discutindo e querendo que aquela vila se tornasse um município, na ocasião em que o governador do Estado era Edmundo Pinto de Almeida Neto, neste sentido, a presença pública nos debates e decisões foi fundamental para que fosse efetivada a elevação de Bujari à categoria de município.
[...] naquela época que nós chegamos aqui no Bujari, era muito pequeno, muito pequeno mesmo, não tinha água, não tinha rua, não tinha posto de saúde, não tinha drogaria, não tinha supermercado, não tinha essas coisas, o Bujari não tinha nada disso, não tinha posto de gasolina, e agente veio pra cá, morar e tocar uma padaria e findou trabalhando ai, e estamos aqui até hoje. Olha eu vim para o Bujari, pra ser empresário, para trabalhar na parte de comercio, e trabalhando na parte de comercio criou um circulo de amizade muito grande, ia para os arraial, nós passamos a ser conhecido no município de Bujari, e tinha um cidadão antigo aqui no município, e ele era politizado, e nesse espaço de tempo ele começo, e padeiro por que você não sai candidato a vereador, eu digo olhe, se eu trabalhar na candidatura de vereador, eu prefiro trabalhar na candidatura de prefeito, que o Bujari ta precisando de um prefeito, que tenha garra pra resolver os problemas dessa cidade, e foi ai onde eu entrei na vida pública, através do saudoso João Cruz, que era um cidadão que morava aqui no Bujari. Entrevista com o senhor João Edivaldo Teles de Lima, entrevista feita no dia 24 de março, as 18:00 horas, na casa do entrevistado.
De acordo com o seu próprio relato, Padeiro afirma que quando chegou na localidade, não tinha ainda um pensamento em fazer parte da vida política, veio apenas com o interesse de trabalhar no ramo de comércio, mas segundo ele, trabalhando com o comércio, se criou um círculo de amizades, e participação na vida da comunidade local, e começou a participar de atividades que eram realizadas no local, como os arraias que eram comuns, e se tornou conhecido na comunidade. Seu interesse pela política surgiu através de uma conversa com um cidadão chamado João Cruz, que morava no Bujari, e que fez a ele a proposta de sair em uma