Exposição
“para jordar os mirantes”
19ª exposição
“ O MAR PORTUGUÊS, O MAR DE ROQUE GAMEIRO”
CAIS DE EMBARQUE
PARA JORDAR NO DESLIZADOR alfredo roque gameiro (1864-1935)
aguarela sobre papel . a da borra regatinhada sobre moínho da fonte
colecção família roque gameiro (em depósito no museu de aguarela roque gameiro)
O MAR PORTUGUÊS foi e continua a ser a nossa porta,
sempre aberta, que nos convida a avançar para um mundo a
descobrir.
Foi este mar, a grande paixão de Roque Gameiro, tão
presente nas suas aguarelas, que estas crianças nos convidam a
visitar.
Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro – Informações
3ªfeira a domingo das 10h às 12h 30 m e das 14h às 16h
3ªfeira a sábado – no mesmo horário que o Museu
Horário dependente das actividades aí realizadas (consultar a agenda)
2ªfeira a 6ªfeira (das 10h às 12h 30m). As visitas deverão ser marcadas previamente
4ªfeira das 21h às 22h 30 m (aulas, na sede do CIDLeS) (ver outros horários na Escola EB 2+3 de Minde)
3ªfeira e 5ªfeira das 21h 30m às 23h 30m
2ªfeira a sábado das 10h às 21h
3ª e 5ª das 16h às 21h 30m
Secretaria do CAORG
2ªfeira a 6ªfeira das 10h às 13h e das 15h às 19h e sábados das 9h às 13h Tel 249840022 e 249841292
Fax 249840022
[email protected] [email protected] www.caorg.pt Edição – CAORG
Fotografia – Arquivo fotográfico do CAORG Impressão – CMA
Distribuição gratuita
Alfredo Roque Gameiro
Minde (1864) – Lisboa (1935)
É o artista de referência no panorama da aguarela portuguesa - Roque Gameiro deu à aguarela “pergaminhos de nobreza,” conferindo-lhe um lugar de destaque. Muitos dos caminhos inovadores que a aguarela vai seguir depois dele, foram por ele desbravados.
Oriundo de meio rural, foi em Lisboa e também além fronteiras que teve a oportunidade de trabalhar, estudar e contactar com o meio artístico do seu tempo.
A propensão inata para o desenho, para o pormenor, para a disciplina de trabalho, que foi afinando ao longo da vida, aos quais se juntou o privilégio pela expressão, pela transparência lumínica, pelo trabalho prático, assente num contacto directo e constante com o real, conduziram RG, inevitavelmente, à prática da aguarela - o que ele pretendia só poderia ser executado em aguarela.
Roque Gameiro extasiou-se perante o rigor da observação e a força poética com que descreve, nas suas aguarelas, o observado. São as suas “narrativas” de viagens, que empreendeu um pouco por todo o país, que têm como pano de fundo, ambientes diferentes, que nos levam à descoberta da natureza familiar, da beleza das paisagens, da harmonia profunda que se pode desenvolver na contemplação dos nossos horizontes de todos os dias. Tornou-se o caminhante insaciável que correu o país de lés-a-lés, descobrindo nele as terras, as gentes, os usos e os costumes. O Portugal que nos quis deixar nos seus desenhos e nas suas aguarelas, aquele “Portugal de algum dia” que tanto o motivou, mas que infelizmente não teve tempo de terminar.
Uma reflexão sobre a vida e obra do artista leva-nos à questão: Roque Gameiro, na vida e na arte, tradição ou modernidade?
PRAIA DA ADRAGA
A DE DOM FUAS A UM ABÊCÊ DE EXTENSOS DO CASAL GRANDE alfredo roque gameiro (1864-1935)
aguarela sobre papel . a da borra regatinhada sobre moínho da fonte
colecção família roque gameiro (em depósito no museu de aguarela roque gameiro, caorg)
A busca de uma autenticidade nacional e uma “mística” vagamente panteísta levaram Roque Gameiro a fugir da produção artística da “moda” e a afastar-se com alguma subtileza instintiva do paisagismo realistaentão corrente e procurar uma compreensão “meditativa” das Natureza, perante a qual se colocava numa posição de humildade e de busca de identificação. Isto, é bem patente nas suas aguarelas cujo tema é o mar, resultado de horas e horas de contemplação, na busca de entender os ritmos e os movimentos das ondas, a transparência das águas e a textura das rochas; chegava a acam par junto às praias para poder olhar, incansavelmente, o espectáculo das ondas ...
“O Mar português, o Mar de Roque Gameiro”
A EPÍSTOLA (RETRATO DO SEU PAI)
A DO MOÍNHO DA FONTE alfredo roque gameiro (1864-1935)
litografia (ALEXANDRINA DO SEU VIDEIRO), 1987 colecção museu de aguarela roque gameiro, caorg
O CRUZADOR
O DESLIZADOR
alfredo roque gameiro (1864-1935)
aguarela sobre papel. Borra regatinhada sobre moínho da fonte colecção museu de aguarela roque gameiro, caorg
Manuel Rey Roque Gameiro, (1824-1897), pai de Roque Gameiro, foi oficial de marinha até aos finais da década de 50, do séc. XIX. Desde cedo, o jovem Alfredo familiarizou-se com o mar através das historias de viagens que o seu pai lhe contava.
Em Maio de 1882, em Lisboa, Alfredo participou, como estudante, numa exposição comemorativa do centenário do Marquês de Pombal. Apresentou dois trabalhos, sendo um deles, uma marinha. Em 1894 apresentou em 2 exposições, a “Ponta dos Corvos”. Seria exaustivo enumerar aqui todas as suas obrasrelacionadas com o mar.
Em 1918, na Praia das Maçãs, o pintor José Malhoa, tendo como pano de fundo o mar, realizou um sos mais bomnitos retratos de RG.
Em Julho de 1929, em Barcelona, RG participou na 1ª exposição internacional de aguarela -" O Arco da Adraga-" arrecadou a medalha de honra; mais uma vez, o mar..
Estes são apenas alguns exemplos que nos servem para ilustrar a paixão de RG pelo mar. Além de episódios concretos, marcantes na sua vida, com o mar a assumir papel de destaque, poder-se-iam referir tantos e tantos outros trabalhos para ilustração, aguarelas que se revelaram em
inúmeras exposições, em que o nosso mar de luz mediterrânea, como expressão autêntica do aguarelar à Portuguesa, conferiu, às suas marinhas, uma posição especifica na arte em Portugal
NAZARÉ I
A DE DOM FUAS
alfredo roque gameiro (1864-1935)
aguarela sobre papel. Borra regatinhada sobre moínho da fonte colecção museu de aguarela roque gameiro, caorg
NAZARÉ II
A DE DOM FUAS
alfredo roque gameiro (1864-1935)
aguarela sobre papel. Borra regatinhada sobre moínho da fonte
colecção alfredo roque gameiro martins barata (em depósito no museu de aguarela roque gameiro, caorg)
O mar de RG destaca-se pela forma como o artista maximizou o recurso à aguarela, uma técnica tão complexa quanto dificil, e onde foi capaz de fazer das suas fraquezas forças: da técnica que é, nas suas palavras ," água e mais água", fluída, esquiva e imprivisível, “domou-a" com mão de litógrafo e fez dela, um meio expressivo, único para a temática do mar. Este, surge-nos, também, como enquadramento de dinâmicas sociais: grupos de pescadores e varinas no areal da Nazaré, convivio no forte da Berlenga, são exemplos em que o oceano ou os ambientes com ele relacionados servem de cenário criativo.
O mar, venha descobri-lo, também aparece como paisagem, como a celebração da natureza com a sua atmosfera luminosa, com a sua suave harmonia, num equilibrio entre as formas e as cores que compõem cada trabalho do artista. " A pedra da Papoa, O Arco da Adraga, ou "As Grutas da Praia da Ursa" são exemplos da forma como RG soube tirar partido das potencialidades do nosso mar e articulá-las com a expressão única da sua paleta de cores.
RG foi um artista caminheiro e a sua arte tem como fundamentos os elementos do real. Gostava de ir ao encontro da natureza e fazer dela o seu atelier de referência. O seu lugar de trabalho preferido era ao ar livre. Um dia,“em complot” com o seu genro Jaime Martins Barata, constroem um atelier móvel, que levam para a Adraga, puxado por uma junta de bois.
Imagine-se o artista rodeado de cavaletes, pincéis e tintas num entusiasmo pueril ...
A PEDRA DA PAPOA
A DE SANTO ESTEVÃO DA PAPOA alfredo roque gameiro (1864-1935)
aguarela sobre papel . a da borra regatinhada sobre moínho da fonte
colecção josé pedro roque gameiro martins barata (em depósito no museu de aguarela roque gameiro, caorg)
O MAR
O VERDELHO ANCHO
alfredo roque gameiro (1864-1935)
aguarela sobre papel . a da borra regatinhada sobre moínho da fonte
colecção família roque gameiro (em depósito no museu de aguarela roque gameiro, caorg)
Ao começar esta viagem pelo mar de RG, o visitantee surpreendido pelos versos pessoanos de " O Mar Português". Antes das cores do Mestre, surgem as palavras do Escritor. Porquê?
RG e Pessoa, fixaram, cada um pela arte da sua disciplina artística, um legado importante para a nossa compreensão do que é ser Português: a nossa História bebeu dos seus contributos: veja-se a epopeia dos nossos descobrimentos ilustrada pelo pincel do pintor e pela pena do poeta; vejam-se os acontecimentos que marcaram os momentos importantes da formação, consolidação do nosso país e da História recente de Portugal, versados sob o signo da rendição da pátria anunciada pelo " Enconberto" de " A Mensagem" ou ilustrados pelo rigor do desenho e pela expressão da cor de um pintor bem consciente do papel dos artistas na defesa dos valores nacionais. O respeito pelos nossos Maiores, pelos nossas tradições, pela nossa História como valores de referência para o presente e para o futuro, não será tambèm ele, essa honra que o artista invoca, uma mensagem de redenção?
“O MUSEU, ENTRE O ABERTO E O FECHADO, ENTRE A MEMÓRIA E O ESQUECIMENTO”
O Museu não se confina só ao percurso expositivo, percurso expositivo esse que é a sua coluna vertebral, a base de trabalho; é mais do que isso, ultrapassa essa função, é um espaço aberto à participação de todos, um ponto de encontro de experiências, vivências, memórias e expectativas, um forum de partilhas, uma escola de cidadania que participa como parceiro no processo de desenvolvimento local. Embora nunca abandonando a sua função especifica, a exposição, "sai da sua casa” e vaí ao encontro da comunidade em que se insere pois esta vê-o e sente-o como parte concreta da sua referência colectiva.
Cada exposição não se limita, assim, à mera apresentação das obras, num espaço especifico, à parte da comunidade, espaço esse, reservado aos mais preparados para descodificação técnica e semântica da cada aguarela.
As exposições estão longe de se esgotar nas peças (aguarelas) objectivamente patentes nas salas do Museu. Hoje, em cada exposição, procura-se proporcionar uma experiência dinâmica onde a comunidade se projecta e se revê. Cada temática apresentada estrutura-se também em função das expectativas dos públicos, ao mesmo tempo, que reflecte a herança identitária da comunidade que colabora activamente neste processo.
Assim sendo, o Museu de Aguarela Roque Gameiro tendo como ponto de partida a exposição deste quadrimestre “O MAR PORTUGUÊS, O MAR DE ROQUE GAMEIRO” promove, nalguns domingos à tarde encontros com a comunidade. Convidamo-vos a vir relembrar momentos importantes das nossas vidas e, ao mesmo tempo, testemunhar e partilhar os nossos saberes, abrindo o caminho e preparando o futuro.
O Museu é, assim , uma porta entre o aberto e o fechado, entre a memória e o esquecimento. Não mais associemos o Museu ao sotão onde se depositam as coisas velhas, esquecidas, mas a um lugar de memória produzida pela própria sociedade. Enquanto houver povo haverá Museu e enquanto houver Museu haverá povo para defendê-lo.