UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE ALTAMIRA/ FACULDADE DE ETNODIVERSIDADE CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO POR INVERSÃO PEDAGÓGICA: INCLUSÃO PARA A EMANCIPAÇÃO EM TERRITÓRIOS
SOCIOEDUCATIVOS NA TRANSAMAZÔNICA-XINGU
TARCÍZIO MAX BORGES SOARES
Território e Lazer LGBT em Altamira
O movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) tem conquistado um espaço considerável na sociedade brasileira nas últimas décadas, entretanto, em anos recentes é perceptível um aumento da homofobia, com diversos ataques a essa população e por meio da profusão de discursos conservadores e reacionários. Essa situação acaba gerando a exclusão das pessoas LGBT dos espaços públicos e privados, principalmente daqueles reservados para o lazer.
Inúmeros protestos e lutas em favor do direito de frequentar espaços de divertimento e socialização acontece no Brasil. O lazer, portanto, tem uma importância social, tendo em vista ser um local de encontro e convívio, através do qual pode acontecer a tomada de consciência de que sua existência e prática são indispensáveis para uma vida melhor
As paradas do orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), são reconhecidas como espaços de construção de significados e de sociabilidade e lazer para os jovens que dela participam. Assim, podem proporcionar e promover a emancipação de identidades, bem como a manifestação das sexualidades oprimidas pelos padrões normativos, estes instituídos, invariavelmente, de forma compulsória. E a manifestação das sexualidades no mesmo espaço pode quebrar estigmas, revelando a multiplicidade de identidades, podendo, inclusive, revelar a interdependência entre elas, contrapondo-se aos padrões hegemônicos.
E sendo as paradas um evento que abarca o lazer de seus participantes, que promove o fluxo de pessoas e movimenta a economia local. Este, que se for aliado a políticas públicas, desponta como uma atividade conciliadora dos interesses econômicos, políticos e de lazer envolvidos no evento.
Raramente encontramos espaços de lazer destinados a juventude sem Altamira, mais complicado nos parece verificar locais de lazer onde jovens LGBT sintam-se inseridos. Especificamente sobre a juventude LGBT, Mott (2006) pontua uma pesquisa realizada em Brasília pela UNESCO, a qual revela que: 88% dos jovens consideram normal humilhar gays e travestis, 27% não querem ter homossexuais como colegas de classe e 35% dos pais e mães de alunos não gostariam que seus filhos tivessem homossexuais como colegas de classe. E ainda, a cada dois dias um gay ou travesti ou lésbica é assassinado no Brasil, vítima da homofobia (Mott, 2003).
Segundo Deleuze e Guattari "O território é antes de tudo lugar de passagem". A cidade de Altamira vive o processo de mudança permanente, de minhas memórias, mas antigas até hoje muita coisa mudou, e sem dúvida essa mudança também ocorreu na comunidade LGBT e seus atores, a parada LGBT de Altamira teve sua primeira edição no dia 26 de julho 2009, intitulada de “Parada da Diversidade Sexual de Altamira”.
Desde sua formação até os dias de hoje vários coletivos compuseram sua equipe de execução, a última edição do evento ocorreu no dia 07 de julho de 2019 na orla do cais de Altamira na beira do rio Xingu, foi notável o fortalecimento da comunidade na luta pelos direitos ao lazer e cultura LGBT na cidade.
A Parada aqui retratada tem uma grande importância para cultura local eu considero uma grande fonte de lazer para a comunidade sexo diversa da Transamazônica e região, e se tratando de jovens LGBT, notamos que, por conta de suas carências e vulnerabilidades, tanto
por serem jovens quanto por não manifestarem uma sexualidade modelo, esses jovens entendem as paradas como espaços de exercício de direitos, dentre outros, o direito ao lazer. Portanto, cabe ao Estado e o município estarem atentos a isso e responder como políticas as demandas desse segmento, sem corroborar na sua invisibilidade no cotidiano.
Na figura abaixo podemos observar o cartaz da primeira Parada LGBT em Altamira, no ano de 2009.
Parada LGBT Altamira 2019
Referencias:
MOTT, Luiz. Homossexualidade: mitos e verdades. Salvador: Ed. Grupo Gay da Bahia, 2003.
DELEUZE E GUATTARI, 1997, p. 121 in. Pistas do método da cartografia: Pesquisa-intervenção e
produção de subjetividade / orgs. Eduardo Passos, Virgínia Kastrup e Liliana da Escóssia. – Porto Alegre:
Sulina, 2015
AMARAL, Sylvia Mendonça do. Manual prático dos direitos de homossexuais e transexuais. São Paulo: Editico Edições inteligentes – EI, 2003.
BORRILLO, Daniel. HOMOFOBIA: História e crítica de um preconceito. Tradução: Guilherme Teixeira. Belo Horizonte: Autêntica, 2010