AVALIAÇÃO DO CONSUMO DE CÁLCIO EM DIFERENTES ESTÁGIOS DA VIDA Ana Paula da Silva (IC) e Rosana Farah Simony Lamigueiro Toimil (Orientadora)
Apoio PIBIC Mackenzie.
Resumo
No organismo humano, o Cálcio (Ca) é encontrado desempenhando várias funções; compõe tecidos corporais, fluidos intra e extra-celulares e é de extrema importância para manutenção do metabolismo ósseo. Estudos mostram que a ingestão adequada desse mineral é vital em todos os estágios da vida: na infância, contribui para que o pico de massa óssea seja atingido, e na idade adulta para que esta seja mantida e as conseqüências da perda óssea relacionadas à idade sejam minimizadas. Sendo assim, este estudo teve por objetivo analisar o Ca ingerido na dieta de indivíduos de 13 á 70 anos de idade. Três dias alternados foram escolhidos para análise dos alimentos consumidos através de inquéritos alimentares. A amostra total (n=233) foi agrupada de acordo com gênero e grupo etário e os resultados obtidos foram comparados as recomendações da OMS (2003) no que se diz respeito aos macronutrientes e os dados a sobre a ingestão de Ca foram comparados á Estimated Average Requirements (DRIs, 2011). Foi observado que nenhum grupo apresentou adequação em relação ás recomendações dos nutrientes analisados e que a quantidade de Ca ingerida apresentou-se muito abaixo dos padrões recomendados. Sabendo-apresentou-se das conapresentou-seqüências que o baixo consumo de Ca pode acarretar na saúde dos indivíduos conclui-se que torna-se necessário estimular novas estratégias de educação nutricional para o consumo de alimentos fontes desse nutriente em âmbito populacional e atentar para estudos a respeito da suplementação desse nutriente.
Palavras-chave: consumo de cálcio, necessidades nutricionais, consumo alimentar
Abstract
In the human body, Calcium (Ca) is found making multiple functions; it composes body tissues, intra and extra-cellular fluids and it´s extremely important for bone metabolism support. Studies shows that adequate intake of this mineral is vital at all stages of life: in childhood, contributes to peak bone mass is reached, and adulthood so that it´s maintained and age-related bone loss consequences are minimized. Thereby, this study aimed to examine the dietary Ca intake by people from 13 to 70 years of age. Three alternate days were chosen for food intake analysis through dietary questionnaires. The total sample (n = 233) were grouped according to gender, age group and the macronutriente results were compared to WHO recommendations (2003) while Ca intake were compared with Estimated Average Requirements (DRIs,2011). It was noticed that none of the group presented satisfactory results in relation to the nutrients recommendations and the amount of Ca ingested were much below than recommended levels. Having Knowing about the consequences that low calcium intake can have on the health of individuals, it was concluded that it´s necessary to stimulate new approaches to nutrition education about the food intake of this nutrient to population groups and gives attention to studies about this nutrient supplementation.
INTRODUÇÃO
Considerando o papel que o Cálcio (Ca) representa para a manutenção da saúde óssea e a relevância da dieta no fornecimento dos requerimentos diários deste elemento, o presente estudo teve como objetivo investigar o consumo de cálcio de indivíduos em diferentes faixas etárias e compará-los ás recomendações atuais desse mineral de acordo com gênero e grupo etário.
REFERENCIAL TEÓRICO
O Cálcio (Ca) está presente no organismo humano adulto representando cerca de 1% a 4% do peso corpóreo total. Quase a totalidade desse nutriente (99%) pode ser encontrada conferindo firmeza e resistência aos ossos e aos dentes. O restante do Ca distribui-se no sangue, fluidos intra e extra-celulares, no tecido muscular e em outros tecidos corporais, onde desempenha várias funções (ANGELIS, 2006).
A absorção e os requerimentos de Ca variam conforme a faixa etária e as condições clínicas dos indivíduos. Particularmente a absorção ativa, declina com o passar da idade. Este declínio pode ser causado por deficiência dietética e diminuição endógena na produção de vitamina D (BUZINARO, 2006).
O consumo desse nutriente é importante em todas as fases do curso da vida. A quantidade de Ca ingerido na dieta apresenta grande importância na saúde e no metabolismo ósseo. A ingestão adequada do mineral é vital em todos os estágios da vida: Na infância, para que o pico de massa óssea seja atingido, e na idade adulta para que esta seja mantida e as conseqüências da perda óssea relacionadas à idade sejam minimizadas (ANGELIS, 2006). O leite e os demais produtos lácteos, como queijo e iogurte, constituem um grupo da Pirâmide dos Alimentos que se encontra no mesmo nível das carnes, ovos, oleaginosas e feijões. Os alimentos que compões o grupo são formados principalmente por proteínas de alto valor biológico e nutrientes essenciais como Cálcio, fósforo, vitaminas A, D, B2 e Biotina (PHILIPPI, 2008).
Existe uma grande variação no teor e biodisponibilidade do Ca nos uma vez que inúmeros fatores influenciam no seu aproveitamento nas refeições. O leite de vaca e derivados são as fontes mais ricas e com maior percentual de absorção deste mineral.. O leite de outros animais (como cabras e ovelhas, por exemplo) e os queijos e iogurtes feitos a partir deste leite, podem também ser usados em porções equivalentes às dos laticínios de origem bovina, como substitutos (BUZINARO, 2006).
A adolescência é uma fase da vida considerada de risco nutricional, quando os jovens incorporam seus hábitos dietéticos para o futuro, estabelecendo seus padrões alimentares (Silva; 2004). Na puberdade e adolescência, as necessidades de Ca são maiores do que em qualquer outro período da vida, por causa do acelerado desenvolvimento muscular, energético e endócrino. A ingestão adequada desse nutriente é o fator de maior contribuição para a sua retenção e consequentemente densidade óssea (GALISA, 2008).
Sendo a adolescência marcada por grande parte da remodelação e formação do conteúdo mineral ósseo, é de fundamental importância avaliar os aspectos nutricionais, ambientais e sociais que estejam envolvidos na ingestão do cálcio e de outros minerais coadjuvantes ao processo de mineralização óssea, dando-se ênfase às recomendações feitas pela DRI (Dietary Reference intake) para essa faixa etária (SILVA, 2004).
O consumo de dietas que atendam as recomendações de cálcio e nos quais este nutriente esteja biodisponível deve ser incentivado nos adolescentes, a fim de prevenir a osteoporose primária (LANZILLOTTI; 2003)
Os hábitos alimentares de adolescentes e adultos assemelham-se do ponto de vista que refletem o modelo imposto pela “vida moderna”, caracterizando-se por omissão de refeições e realização de refeições fora de casa (GALISA, 2008). Na avaliação das dietas em grupo, é de interesse conhecer a proporção de indivíduos que apresentam ingestão acima ou abaixo de um determinado critério. Essa informação é relevante para o planejamento de ações de saúde, quer seja no monitoramento, intervenção ou para fins de regulamentação de atividades comerciais (BETZABETH; MARCHIONI; FISBERG, 2004).
Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2006), os profissionais da saúde devem orientar o consumo diário de três porções de leite e derivados, sendo estes fontes de proteínas, vitaminas e principal fonte de Ca da alimentação, nutriente fundamental para a formação e manutenção da massa óssea e que
Silva (2004) afirma que uma intervenção nutricional adequada em relação à ingestão do cálcio, com recomendação de consumo diário de alimentos lácteos e orientação para a não substituição destes por outros alimentos que interfiram no aporte total de cálcio, atua na maximização do pico da massa óssea durante a adolescência, prevenindo o aparecimento da osteopenia e osteoporose, na vida futura.
Galisa (2008) relata que o acúmulo de massa óssea tem início na puberdade e estende-se até os 20 anos, sendo este, portanto, um período crítico de mineralização dos ossos podendo influenciar futuramente no aparecimento da osteoporose, que é o resultado de baixo pico de massa óssea, acrescida da perda fisiológica que ocorre em todos os
indivíduos a partir dos 35 anos àquelas oriundas da menopausa e andropausa (DOURADOR, 1999).
Em estudo sobre osteoporose em mulheres na pós-menopausa, Lanzillotti (2003) constatou que tanto as mulheres com osteopenia quanto as com osteoporose apresentaram consumo de cálcio abaixo do recomendado.
MÉTODO
Foi realizado um estudo transversal descritivo, a fim de avaliar a ingestão diária de Cálcio (Ca) por meio de análise retrospectiva de inquéritos alimentares.
A amostra estudada foi constituída por 250 indivíduos, de ambos os sexos com idade ≥13 anos. O estudo ocorreu na zona leste e região central do município de São Paulo entre os meses de Agosto de 2010 e Fevereiro de 2011.
Para o estudo com a amostra compreendendo a faixa etária dos 13 aos 18 anos completos, foram selecionadas por conveniência, duas escolas particulares, sendo uma situada na zona leste e outra na região central de São Paulo, as quais cederam permissão para a coleta de dados. Os demais indivíduos que compuseram a amostra foram escolhidos de forma randômica. Foi adotado como critério de exclusão durante o estudo as gestantes e indivíduos com idade ≥70 anos. Em ambos os casos a exclusão justifica-se por quantidade insuficiente de sujeitos para compor esses grupos.
Para análise do consumo alimentar foi aplicado o método de Registro Alimentar dos alimentos ingeridos e/ou Recordatório de 24 horas (R24h), por três dias alternados, incluindo um final de semana. No registro alimentar, auto aplicável os alimentos foram registrados, em medidas caseiras, separados por refeição, em formulário próprio, contendo três lacunas as quais o indivíduo teria que completar com as informações dos alimentos ingeridos (hora e local da refeição; alimento consumido e medidas caseiras). Os participantes também tiveram a opção de enviar os dados registrados ao aluno pesquisador por e-mail. Nos casos de esquecimento do participante em realizar o Registro, ou por preferência do participante, foi empregado o método do R24h, que consistiu no registro de todos os alimentos ingeridos no dia anterior. Esse recordatório trata-se de entrevista pessoal e foi conduzida pelo aluno pesquisador devidamente treinado, em dia pré-agendado.
Para auxílio do relato dos alimentos ingeridos, foram disponibilizados aos participantes álbuns fotográficos de alimentos e medidas caseiras tradicionais. Esse material também esteve disponível aos participantes na internet, através de um blog criado especificamente
para esta finalidade e também enviado por e-mail. Aos participantes que não faziam uso da internet, esse material foi entregue na forma impressa pessoalmente.
Os alimentos registrados foram convertidos em gramas e mililitros por meio da utilização da Tabela para avaliação do consumo alimentar em medidas caseiras (PINHEIRO, 2005) e avaliados quanto ao teor de Ca, energia e macronutrientes através do software Avanutri versão online. O critério de seleção das tabelas de composição de alimentos foi de acordo com a preferência, respectivamente: TACO (NEPA-UNICAMP, 2006), IBGE (ENDEF-IBGE, 1977), PHILLIPI (2002) e na falta destes, a informação do fabricante.
Os resultados obtidos foram comparados quantitativamente ás recomendações de distribuição de macronutrientes da OMS (2003) e ás recomendações de Cálcio do Dietary Reference Intakes (DRIs, 2011), segundo sexo e idade.
Os dados foram analisados estatisticamente, com o auxílio do programa Microsoft Office Excell versão 2010. Foi calculada a média e o desvio-padrão das calorias e dos nutrientes ingeridos durante os três dias de registro, individualmente e agrupados segundo sexo e idade.
O projeto seguiu as normas do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie; sendo que após o aceite, cada participante assinou um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) contendo informações sobre o objetivo da pesquisa e, aos menores de idade, foi solicitada autorização dos pais ou responsáveis.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Inicialmente foram convidados a participar 250 indivíduos, porém a amostra final foi de 233. Os indivíduos tinham idade entre 13 e 70 anos.(média de 28,18 ) A distribuição da amostra segundo sexo e fator idade são esboçados nas Tabelas 1 e 2; onde é possível observar a caracterização da amostra e um equilíbrio amostral entre os gêneros e faixas etárias.
Tabela 1- Caracterização da amostra segundo sexo, São Paulo (SP), 2011.
Sexo N %
Masculino 117 50,21 Feminino 116 49,78
Tabela 2- Divisão da amostra segundo as faixas etárias estudadas e sexo, São Paulo (SP), 2011. Faixa etária Homens Mulheres
N % N % 13-18 26 22,22 28 24,14 19-30 35 29,91 33 28,45 31-50 30 25,64 30 25,86 51-70 26 22,22 25 21,55 Total 117 100 116 100
Para análise dos dados a respeito do consumo alimentar da população estudada, foram aplicados o método de Registro Alimentar dos alimentos ingeridos e/ou Recordatório de 24 horas (R24h), por três dias alternados, incluindo um final de semana. Vários autores definem que três dias de levantamento é um número razoável para cobrir a quantidade e a variabilidade de alimentos consumidos por um grupo de indivíduos (Ferro-Luzzi, 1982; Persson & Carlgren, 1984; Gunthrie & Crocetti, 1985; Basiotis et al., 1987; Bingham,1987). A Figura 1 ilustra a predominância do tipo de inquéritos alimentares utilizados segundo os grupos etários. Ressalta-se que primeiramente era solicitado o método de Registro Alimentar ao participante e apenas em caso de esquecimento de realizar os registros dos alimentos ingeridos ou por preferência do indivíduo, era então proposto o método de R24h, conduzido por entrevista pessoal. Na Figura 1 é possível observar a predominância do uso pelo R24h, sendo o método mais utilizado em todos os grupos etários avaliados. Segundo Waib (1992 e 1990), para avaliar a ingestão dietética de Ca, energia e macronutrientes, ambos os métodos de Inquéritos Alimentares são eficazes por estimar igualmente o consumo desses nutrientes.
Figura 1 – Utilização dos métodos para análise do consumo alimentar segundo grupos etários, São Paulo (SP), 2011.
Os resultados sobre a ingestão de energia e macronutrientes encontram-se na Tabela 3. Comparando-se os resultados obtidos com as recomendações da OMS (2003) que estabelece como sendo taxas de distribuição de macronutrientes aceitáveis valores entre 55-75% para Carboidratos; 10-15% para Proteínas e 15-30% para Lipídeos, pode-se dizer que:
• Nenhum grupo apresentou adequação de macronutrientes (%) em relação à quantidade calórica ingerida ao dia (VET) de acordo com as recomendações estabelecidas pela OMS (2003);
• Grupo etário dos 13-18 anos: Observa-se que os indivíduos do sexo masculino apresentam adequação quanto a quantidade de Carboidratos (58,19% / VET) e Lipídeos (24,88% / VET) porém, um consumo elevado de Proteínas (16,93% / VET), enquanto, os do sexo feminino apresentam baixo consumo de Carboidratos (53,26% / VET) e um consumo elevado de Proteínas (15,74% / VET) e Lipídeos (31% / VET). Garcia (2003) também encontrou resultados parecidos em relação á distribuição de macronutrientes em estudo com adolescentes, de ambos os sexos. Baixo consumo de carboidratos e alta ingestão de proteínas e lipídeos também foram observados por Albano (2000) e Nuzzo (1998) nesse grupo;
• Grupo etário dos 19-30 anos: Em ambos os sexos, os valores foram semelhantes; podendo observar uma baixa ingestão de Carboidratos, sendo de 48,06% / VET para os homens e 49,22% / VET para mulheres; e uma alta ingestão de Proteínas e Lipídeos,
com 19,7% / VET de Proteínas para homens, 19,3% / VET para mulheres e, Lipídeos com distribuição de 32,24% / VET para homens e 31,47% / VET para mulheres;
• Grupo etário dos 31-50 anos: Assim como observado no grupo etário dos 19 aos 30 anos de idade, esse grupo também apresentou distribuição de macronutrientes semelhantes entre os gêneros, baixo consumo de Carboidratos e consumo elevado de Proteínas e Lipídeos na dieta. Homens apresentaram consumo de 49,44% / VET para Carboidratos; 19,81% / VET para Proteínas e 30,75% / VET para Lipídeos, enquanto as mulheres apresentaram valores de 46,61% / VET (Carboidratos); 18,94% / VET (Proteínas) e 34,5% / VET (Lipídeos);
Os resultados dos grupos compreendendo a faixa etária dos 19-50 anos, acima mencionados foram substancialmente diferentes aos estudos de Velasquez-Melendez (1997) e Cervato (1995) que encontraram diferentes tipos de distribuição de macronutrientes nos grupos avaliados, porém em ambos os trabalhos, o índice de inadequação da dieta foi notório. Cabe observar que isso pode ser influenciado pelos valores de referência escolhidos para fazer essa comparação, visto que nesse presente estudo se analisássemos os resultados obtidos sob as recomendações da DRI (2002), todos os grupos apresentariam adequação nutricional em distribuição de macronutrientes, ao contrário do encontrado, quando comparado com as recomendações da OMS (2003).
• Grupo etário dos 51-70 anos: Enquanto os homens apresentaram consumo insuficiente de Carboidratos (45,19% / VET), elevado em Proteínas (27,02% / VET) e adequado em Lipídeos (27,78% / VET), as mulheres apresentaram consumo insuficiente de Carboidratos (50,57% / VET), porém, elevado tanto em Proteínas como em Lipídeos (16,58% / VET e 32,84% / VET respectivamente). Dados a respeito do mesmo assunto foram encontrados apenas no estudo de Montilla (2003) que observou a mesma distribuição de macronutrientes em um trabalho com mulheres no climatério, onde também foi encontrada baixa ingestão de Carboidratos e níveis altos de Proteínas e Lipídeos proveniente da dieta.
Tabela 3- Consumo médio e desvios-padrão das quantidades de Energia (Kcal/dia) e Macronutrientes (%/VET) ingeridos de acordo com sexo e grupos etários, São Paulo (SP), 2011.
A Tabela 4 demonstra os dados a respeito da ingestão de Cálcio dos indivíduos avaliados e faz um comparativo entre a ingestão média observada e a recomendação desse nutriente segundo Estimated Average Requirements (EAR) indicado na DRIs (2011). Verifica-se que a ingestão do nutriente em todos os grupos avaliados não atingiu as recomendações propostas. A insuficiência de cálcio foi observada na população em geral, não apresentando diferença significante entre gêneros.
Tabela 4- Consumo médio, desvios-padrão e e sua recomendação (mg/dia)
de acordo com sexo e grupos etários, segundo Estimated Average Requirements (DRIs, 2011), São Paulo (SP), 2011.
Grupo Etário
Ingestão de Cálcio (mg/dia)
Homens Mulheres
Consumo Médio Recomendação Consumo Médio Recomendação
13-18 349,03 ± 204,49 1.100 356,28 ± 290,60 1.300
19-30 629,28 ± 474,09 800 639,34 ± 391,81 1.000
31-50 466,33 ± 234,00 800 474,1 ± 294,22 1.000
51-70 645,36 ± 344,365 800 555,08 ± 6,73 1.200
Outros estudos mostram que o grupo etário dos 13-18 tende a ter uma baixa ingestão de Cálcio, entre outros nutrientes (GAMBARDELLA, 1995; 1996). Lerner (2000), estudando adolescentes encontrou um consumo médio de 628,85 mg/dia para homens e 565,58 mg/dia para mulheres nesse grupo, um pouco acima dos dados observados nesse estudo mas que ainda mostra a inadequação de ingestão confirmada por outros autores (GAMBARDELLA, 1999; SANTOS, 2007).
Velasquez-Melendez (1997), em estudo com adultos, ambos os sexos, com idades compreendidas entre 20 e 88, mostrou que a população estudada apresentou ingestão inadequada baixa densidade nutricional em vitamina A e Cálcio. Velasquez-Melendez (1997) ainda encontrou médias de consumo maiores em dietas de indivíduos dos sexo masculino, diferente do encontrado no presente estudo que mostraram médias semelhantes. As medianas encontradas também apresentaram resultados semelhantes em ambos os sexos, na faixa etária compreendendo o intervalo de 20 a 59 anos.
Waib (1992) também encontrou baixa ingestão de Cálcio ao avaliar indivíduos com média etária de 48 anos. Mulheres do grupo etário 31-70 anos apresentaram uma ingestão de Cálcio ainda menor dos encontrado por Montilla (2004). Baixa ingestão desse nutriente por mulheres nesse grupo também foi relatada por Lanzillotti (2003) e Galeazzi (1997). Esse dado é muito significante, uma vez que se constata progressiva perda de massa óssea nessa fase da vida (JACOBSON, 1984).
Hegsted (2001) afirma que as recomendações de cálcio são tão altas atualmente, que é difícil atingi-las sem mudanças nos hábitos alimentares. De fato, os resultados deste e de dos outros estudos aqui discutidos mostraram que o consumo de cálcio apresentou-se muito abaixo dos padrões recomendados.
Cerca de 99% do conteúdo de cálcio corpóreo se encontra no esqueleto, conferindo rigidez, e representando uma fonte prontamente disponível para a manutenção dos níveis normais de sua concentração plasmática. Por essa razão, o cálcio é o nutriente mais estudado na área de saúde óssea e é considerado importante na prevenção e tratamento da osteoporose (BEDANI, 2005).
A necessidade por uma dieta rica em nutrientes persiste mesmo depois que o crescimento tenha cessado, isso porque o cálcio é perdido diariamente pelo corpo em quantidades consideráveis. Se essa perda não for compensada por uma quantidade correspondente, consumida via alimentação, o corpo rompe unidades de estrutura óssea no intuito de prover cálcio para circulação (HEANEY, 2001).
Heaney (2000) e Ho at al. (2004) dizem que a nutrição é um dos fatores mais importantes no desenvolvimento e manutenção da massa óssea e na prevenção e tratamento da osteoporose.
CONCLUSÂO
Este trabalho evidenciou que o consumo alimentar de Cálcio foi insuficiente para atingir as recomendações para esse nutriente em todos os grupos etários avaliados. Considerando a importância desse mineral para a manutenção da saúde óssea e prevenção de doenças degenerativas, é recomendada a repetição desse estudo visando uma comparação a respeito das porções alimentares de alimentos fontes e recomendações de guias alimentares a fim de checar nível de adequação da dieta e qualidade da mesma a fim de analisar se o Ca consumido por esses grupos vai de acordo com as quantidades diárias aconselháveis e partindo disso, traçar novas estratégias de educação nutricional para o consumo de alimentos fontes desse nutriente em âmbito populacional.
Em último caso, deve-se atentar para estudos a respeito da suplementação desse nutriente em populações.
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