Universidade Salgado de Oliveira
Campus de Belo Horizonte
Curso: EDUCAÇÃO FÍSICA
Disciplina: Educação Física Escolar 1 Período: 3º - 2011/1
Professora: Ms.Margareth de Paula Ambrosio
REFLEXÕES
Tema: A Infância ao longo da históriaAté o século XII:
- condições gerais de higiene e saúde muito precárias - índice de mortalidade infantil muito alto.
- os pais consideravam pouco aconselhável investir muito tempo ou esforço em um “pobre animal suspirante” (a criança), que tinha tantas probabilidades de morrer com pouca idade. (HEYWOOD, 2004, p.87) - crianças que conseguiam vingar:
não possuíam identidade própria;
só conquistavam esse direito quando conseguiam fazer coisas como o adulto, com os quais estavam misturadas;
- sentimento superficial (paparicação) era reservado à criancinha em seus primeiros anos de vida,enquanto ela ainda era uma coisinha engraçadinha; - quando morria não se fazia muito caso, pois logo outra criança a
substituiria;
- a criança não chegava a sair de uma espécie de anonimato. (ÁRIES,1981, p.10)
À criança:
atribuíam-se modos de pensar e sentimentos anteriores à razão e aos bons costumes;
cabia ao adulto desenvolver nelas o caráter e a razão;
pensava-se nelas como páginas em branco a serem preenchidas, preparadas para a vida adulta.
“...a vida da criança no mundo romano dependia totalmente do desejo do pai. O poder do ppaatteerrffaammiilliiaas era absoluto: um cidadão não tinha um filho, o tomava. s Caso recusasse a criança - e o fato era bastante comum - ela era enjeitada. Essa prática era tão recorrente que o direito romano se preocupou com o destino delas. À maioria dos enjeitados cabia a morte .”
A criança na Idade Média:
- A infância terminava para criança logo ao ser desmamada, por volta dos seis ou sete anos;
- A partir do desmame passava a conviver definitivamente com os adultos. - Acompanhava sempre o adulto do mesmo gênero, e fazia o mesmo que
ele: trabalhava, frequentava ambientes noturnos, bares, entre outros. - O papel da criança sempre foi definido pelas expectativas dos adultos. - A arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la. - “As meninas costumavam ser consideradas como o produto de relações
sexuais corrompidas pela enfermidade, libertinagem ou a desobediência a uma proibição” (HEYWOOD, 2004, p.76).
“É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo” (ÁRIES,1981, p.50).
“Não se tem notícia de camponeses ou artesãos registrando suas histórias de vida durante a Idade Média, e mesmo os relatos dos nobres de nascimento ou dos devotos não costumavam demonstrar muito interesse pelos primeiros anos de vida. (...) De forma semelhante, durante o período moderno na Inglaterra, as crianças estiveram bastante ausentes na literatura, fossem o drama elizabetano ou os grandes romances do século XVIII. A criança era, no máximo, uma figura marginal em um mundo adulto.” (HEYWOOD, 2004, p.10) Surge a concepção de infância
“A „descoberta’ da infância teria de esperar pelos séculos XV, XVI e XVII, quando então se reconheceria que as crianças precisavam de tratamento
especial, „uma espécie de quarentena‟, antes que pudessem integrar o mundo dos adultos” (HEYWOOD, 2004, p.23).
Philippe Ariés (1981) afirma que, ao longo do século XVIII e XIX, observou-se um crescente movimento pelo estudo da criança, definindo a partir de então a infância enquanto categoria social e historicamente construída.
“É preciso levar em consideração que na sociedade vislumbram-se diversas e diferentes infâncias vividas num mesmo espaço e tempo.” Conceito de infância
Período de crescimento, no ser humano, que vai do nascimento até a puberdade; meninice, puerícia.
Período de vida que vai do nascimento à adolescência, extremamente dinâmico e rico, no qual o crescimento se faz, concomitantemente, em todos os domínios, e que, segundo os caracteres anatômicos, fisiológicos e psicológicos, se divide em três estágios: 1ª infância, de zero a três anos de
idade; 2ª infância, de três a sete anos; e 3ª infância de sete anos até a puberdade.(FERREIRA, s/d, p.762)
Zanoni (2005, p.1) acredita que a “infância está vinculada à sociedade. Afinal, é parte dela, e é no emaranhado de situações que são aí tecidas que ela se constitui como categoria”. Para ela é importante dar valor e significado às vozes
infantis que permitem repensar a escola, suas funções sociais e perspectivar a
elaboração de uma Pedagogia da Infância.
Sarmento (1997, p.25) afirma que "o olhar das crianças permite revelar fenômenos sociais que o olhar dos adultos deixa na penumbra ou obscurece totalmente".
Precisamos “pensar na criança como criança-ambiente, potente, crítica do seu tempo, participante ativa da realidade social, investigadora, elaboradora de hipóteses, transformadora do mundo que a cerca. Que possui cem linguagens, e modos de ser e estar no mundo.”
D
DeeccllaarraaççããooddoossDDiirreeiittoossddaaCCrriiaannççaa
Adotada pela Assembléia das Nações Unidas de 20 de novembro de 1959 e ratificada pelo Brasil.
1º) A criança gozará todos os direitos enunciados nesta Declaração [...] sem distinção ou discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição, quer sua ou de sua família.
2º) A criança gozará proteção social e ser-lhe-ão proporcionadas oportunidade e facilidades [...] a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal, em condições de liberdade e dignidade.
3º) Desde o nascimento, toda criança terá direito a um nome e a uma nacionalidade.
4º) A criança gozará os benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e criar-se com saúde [...]
5º) À criança incapacitada física, mental ou socialmente serão proporcionados o tratamento, a educação e os cuidados especiais exigidos pela sua condição peculiar.
6º) Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança precisa de amor e compreensão.
7º) A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário[...]
8º) A criança figurará, em quaisquer circunstâncias, entre os primeiros a receber proteção e socorro.
9º) A criança gozará proteção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. Não será jamais objeto de tráfico, sob qualquer forma.
10º) A criança gozará proteção contra atos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza.
C
CrreesscciimmeennttooeeddeesseennvvoollvviimmeennttoonnaaIInnffâânncciiaa
- Desenvolvimento - marcado por alterações estáveis e progressivas das áreas cognitivas, afetiva e motora.
- Desaceleração da taxa de crescimento no início da infância; ganhos médios de aumento na altura e no peso (cerca de 5,1cm e 2,3kg respectivamente). - As crianças tomam consciência de seus corpos e de suas capacidades
motoras através da brincadeira.
- Brincar também serve como facilitador do crescimento cognitivo e afetivo da criança.
- Brincar é um importante meio de desenvolvimento das habilidades motoras refinadas e rudimentares.
- No início da infância, as diferenças de sexo são mínimas.
- Final da infância – período de 6 a 10 anos – aumentos lentos e estáveis do peso e da altura; progresso em direção à maior organização dos sistemas sensorial e motor.
- Meninos e meninas têm padrões de crescimento parecidos, com os membros aumentando mais do que o tronco na infância.
- Fatores que afetam o desenvolvimento e o crescimento infantil
- Nutrição: deficiências alimentares prolongadas e excessos alimentares prolongados podem ter sério impacto nos padrões de crescimento das crianças.
- Exercício físico: a atividade física geralmente tem efeito positivo sobre o crescimento, exceto em casos de nível excessivo de exercícios.
- Doenças, clima, emoções e condições adversas.
- Tendências seculares: podem ser observadas em muitas, mas não todas, culturas.
Habilidades motoras fundamentais
- Embora relacionada à idade, a aquisição de habilidades motoras fundamentais maduras não é dependente da idade, mas de numerosos fatores, da tarefa em si, do indivíduo e do ambiente.
- As crianças possuem um potencial desenvolvimentista para estar no estágio amadurecido da maior parte das habilidades motoras fundamentais por volta da idade de 6 anos.
- As interações entre as condições ambientais, o objetivo da tarefa e o indivíduo afetarão a maturidade do desenvolvimento aparente de um movimento específico.
- A progressão para estágios mais amadurecidos de um padrão motor fundamental depende de vários fatores experimentais, incluindo oportunidades para a prática, encorajamento e para o ensino, em ambiente propício ao aprendizado.
- Embora relacionadas à idade, numerosas diferenças de habilidades estão presentes entre as crianças, entre os padrões e “dentro” de cada padrão, no desempenho de tarefas motoras fundamentais.
Referência Bibliográfica
COSTA, Ricardo. A Educação Infantil na Idade Média. Primeira parte da palestra intitulada "Reordenando o conhecimento: a educação na Idade Média e o conceito de ciência expresso na obra Doutrina para Crianças (c. 1274 -1276) de Ramon Llull" proferida na II Jornada de Estudos Antigos e Medievais: Transformação social e Educação - 10 e 11 de Outubro de 2002 - Universidade Estadual de Maringá (UEM).
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, s/d. p. 762.
GALLAHUE, D.; OZMUN, J. Compreendendo o Desenvolvimento Motor – bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 2003. 641p.
Grécia Antiga. Disponível em http://greciantiga.org/img/index.asp?num=0819. Disponível em http://greciantiga.org/img/index.asp?num=0819. Acesso em 08 mar 2009.
ZANONI, D. M. Um olhar para a pedagogia da educação infantil: as contribuições teóricas para a educação de crianças. Monografia obtenção do título de Pedagogia. FAAT – Faculdades Atibaia. Atibaia, 2005.