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Termo de Referencia. 1. Apresentação

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Academic year: 2021

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Termo de Referencia

OBJETO: ASSITENTE TÉCNICO PARA APOIAR O PGTA XIKRIN NA FORMAÇÃO DE PAIOLEIROS INDÍGENAS NA CADEIA PRODUTIVA NO PERÍODO DE SAFRA DA CASTANHA DO PARÁ NA TERRA INDÍGENA TRINCHEIRA BACAJÁ.

1. Apresentação

A The Nature Conservancy (TNC) é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1951, que tem como missão conservar as terras e águas das quais a vida depende. Atua em 35 países e conta com mais de um milhão de membros, recebendo apoio da comunidade empresarial e de diversas organizações bilaterais. Com quase 50 milhões de hectares conservados no mundo, duas vezes o tamanho do Estado de São Paulo, os projetos da TNC ajudam a conservar a vida nas principais regiões do planeta em consonância com o desenvolvimento econômico e social e com respeito aos costumes das comunidades locais.

No Brasil a TNC implanta projetos de conservação em parceria com organizações não governamentais e órgãos governamentais federais, estaduais e municipais, contribuindo com a proteção de cerca de dois milhões de hectares. O Programa Brasil da TNC, por meio do Programa Estratégico Povos e Terras Indígenas, busca incentivar a gestão territorial em bases ambientalmente responsáveis como ferramenta de planejamento estratégico das comunidades promovendo a conservação efetiva da biodiversidade.

Em 2007 a TNC e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) firmaram termo de Cooperação Técnica com o objetivo de fortalecer as políticas públicas ambientais e de etnodesenvolvimento de Terras Indígenas. Desse compromisso institucional mútuo seguiu-se a formulação da Política Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI) e de projetos para a sua implementação, como o Projeto Gestão Ambiental em Terras Indígenas (GATI), apoiado pelo Global Environment Facility, e o Projeto Implementando a Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas na Amazônia Oriental (IGATI), apoiado pelo BNDES/Fundo Amazônia.

Ainda em regime de cooperação técnica, a FUNAI e a TNC colaboram com a implementação da PNGATI em seis Terras Indígenas: quatro localizadas no Amapá (Galibi, Jumina, Uaçá e Waiãpi) e duas no Pará (Trincheira Bacajá e Apyterewa). No Pará, a TNC atua na região do Médio Xingu, rica em diversidade biológica e cultural, apoiando diretamente os povos Xikrin e Parakanã, que desde 2011 iniciaram o processo de construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) das Terras Indígenas Trincheira Bacajá (povo Xikrin) e Apyterewa (povo Parakanã).

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2. Contexto

A Terra Indígena Trincheira Bacajá (TITB) está localizada na Região do Médio Rio Xingu no estado do Pará, na região do afluente Rio Bacajá. Conta com mais de 1.650.000 hectares e é habitada por mais de 900 pessoas da etnia Xikrin, distribuídas em 8 aldeias ao longo do Rio Bacajá – Pykayakà, Kamoktikô, Krãnh, Pot-Krô, Pytakô, Bacajá, Mrotidjãm, Ràpkô e as recentemente formadas Prindjãm e Piydjãm.

Apesar do contato não muito antigo, os Xikrin se adaptaram de maneira muito rápida a interface com a sociedade brasileira moderna, começando a explorar os castanhais de sua área para comercialização alguns anos após o contato, quando o fluxo de mercadorias e presentes que ganhavam desde a pacificação diminuiu (FUNAI,1989; FISHER, 2000). Em 1984 a produção de castanha era a principal fonte de renda da comunidade.

Durante os mais de 50 anos de relação com a sociedade brasileira foram apresentadas aos Xikrin do Bacajá alternativas menos sustentáveis para aumentar a geração de recursos, como o garimpo e a exploração madeireira. A partir da segunda metade de 2010, a realização da obra da Usina Hidroelétrica de Belo Monte (UHE Belo Monte) marcou a abertura de um novo capítulo da história Xikrin. Os Xikrin do Bacajá estão impactados pela obra da UHE Belo Monte que acarretará no desregulamento do ciclo de cheias do Rio Bacajá, cuja foz se encontra na chamada área de vasão reduzida do Rio Xingu. Este fato, não só comprometer a navegabilidade do Rio Bacajá como afeta negativamente os recursos pesqueiros dos quais depende a subsistência das aldeias Xikrin. Na conjuntura deste e outros impactos decorrentes do empreendimento, a maior parte das atividades produtivas tradicionais na TI foram deixadas de lado.

Embora mantivessem suas roças e houvesse caça, pesca e recursos abundantes em sua área para subsistência, o recurso monetário proveniente da comercialização de determinados produtos servia para aquisição de bens industrializados, que não apenas adentraram na cultura deste povo, como passaram a constituir signo de distinção interna ao lado dos signos tradicionais. Entre as atividades que o Povo Xikrin realiza para gerar renda e garantir a qualidade de vida e o acesso aos bens materiais estão o extrativismo da Castanha-do-Pará, a comercialização do artesanato, os salários dos professores, agentes de saúde e aposentados dentre outras atividades econômicas e interétnicas.

A partir de 2011 os Xikrin passaram a dialogar e conhecer as ferramentas e políticas da PNGATI, como o Etnomapeamento, o Etnozoneamento e o Plano de Gestão Territorial e Ambiental. No ano de 2014 foi realizada a formação de 25 mapeadores Xikrin e realizada Assembleias com participação de todas as aldeias da TITB. Em 2015 na fase de Etnozoneamento e elaboração final do PGTA, os Xikrin identificaram a castanha como produto florestal capaz de iniciar e estabelecer uma nova metodologia de trabalho, que visa obter resultado econômico, mostrando-se de alguma maneira competitiva aos outros usos menos sustentáveis da Terra Indígena Trincheira Bacajá.

Dentro do processo de Etnomapeamento, Etnozoneamento e Pactuação do Plano de Gestão Ambiental e Territorial (PGTA) da Terra Indígena Trincheira Bacajá (TITB), as comunidades indígenas Xikrin e instituições do

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Sustentável da Castanha-do-Brasil. Assim, iniciou-se em 2015 e 2016 (safra de 2016) a implementação de atividades de capacitação, assistência técnica e articulação com empresas do mercado de castanha para apoiar os gestores indígenas do PGTA Xikrin (Associações Xikrin, paioleiros e cantineiros) na cadeia de produção e valor sustentável da castanha-do-Pará. O objetivo geral da ação estratégica é a formação de estoque Castanha-do-Brasil como estratégia para garantir melhores preços para o castanheiro/famílias Xikrin, de tal modo a proporcionar a constituição e formalização de acordos territoriais e ambientais sustentáveis, fomento a mobilidade territorial e vigilância do território, formação indígena (gestores de associações, paioleiros e cantineiros) e a geração de renda para as famílias e comunidades Mebengokré Xikrin.

Para tanto, algumas ações estão sendo realizadas:

o Complementação e consolidação do diagnóstico participativo e o planejamento em torno da estruturação da cadeia da castanha na TITB;

o Instalação de infraestruturas necessárias ao armazenamento da produção de castanha;

o Implantação de estruturas necessárias para o funcionamento de computador e internet em aldeias polo, como Pot-Krô (baixo rio Bacajá) e Mrotidjãm (no alto rio Bacajá);

o Articulação para celebração de contratos de comercialização de castanha com empresas que pratiquem valores que sejam justos e rentáveis para as famílias e povo indígena Xikrin;

o Articulação com organizações locais inseridas no arco de Políticas, Programas e Projetos de Manejo Sustentável de Recursos Naturais das Áreas Protegidas da Terra do Meio.

Ainda que ano a ano a Castanha-do-Brasil seja mais valorizada e seu mercado esteja em crescimento no Brasil, esta condição positiva não expande naturalmente a base da cadeia produtiva: as comunidades vivem em lugares de difícil acesso, tendo alguns poucos atravessadores como elo único com o mercado. Devido aos impactos da UHE de Belo Monte, a via terrestre passará a ser a única opção para escoamento da safra. Até 2015, nesta condição são os atravessadores definam os preços locais dos produtos, pagando apenas uma parcela ínfima do preço de mercado no centro consumidor. Os indígenas geralmente não aproveitavam o melhor preço, pois além de não disponibilizarem de recursos para escoar sua produção, dependem do dinheiro da venda de seus produtos à vista na própria safra. Já em 2016, o PGTA Xikrin conseguiu vivenciar a primeira etapa de formação de estoque de castanha, em caráter piloto. Os resultados dessa primeira experiência deixaram entusiasmados os Xikrin que demandaram a continuidade dessa ação estratégica.

Para que as comunidades de povos indígenas e populações tradicionais ampliem sua capacidade de emancipação dos atravessadores e possam valorizar seu trabalho acompanhando a tendência positiva do mercado, é necessária forte organização comunitária e conhecimento sobre o funcionamento da cadeia produtiva. Em termos práticos, uma organização coletiva da produção para fortalecimento de uma cadeia extrativista, seja para pressionar os atravessadores a pagar um preço melhor, seja para viabilizar o escoamento da produção local até o centro consumidor para acesso a outros mercados, exige o processo fundamental do entendimento e envolvimento dos paioleiros indígenas, como ponto focal a formação de paioleiros, boas práticas do armazenamento da castanha, produção do livro caixa, além da formação do estoque e a garantia de escoamento da produção.

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A Castanha-do-Brasil é uma ação estratégica para os Xikrin e parceiros construírem e enfrentarem os desafios da gestão territorial da TITB em contextos socioambientais desafiadores, como a presença da UHE Belo Monte, pavimentação e abertura de rodovias e grandes projetos de exploração mineral.

3. Objetivo

Contratação de três técnicos para apoiar a organização Xikrin no fortalecimento da cadeia produtiva da Castanha do Pará na Terra Indígena Trincheira Bacajá, na época da safra, visando conservação de floresta, geração de renda e o bem-estar do povo Xikrin.

4. Atividades Básicas: Fase 1 – Preparação

4.1. Colaborar com a equipe da TNC e FUNAI no planejamento das atividades de estruturação da cadeia produtiva da Castanha-do-Pará nas aleias da Terra Indígena Trincheira Bacajá.

Fase 2 - Implementação

4.2. Apoiar na organização do Paiol de Castanha do Pará e sua articulação com as organizações sociais e políticas Xikrin durante a safra de 2017;

4.3. Apoiar a gestão da formação de paioleiros indígenas;

4.3. Apoiar na organização e implementação do livro caixa da comercialização da safra 2017;

4.4. Apoiar nas boas práticas do armazenamento da castanha;

4.5 – Apoiar o escoamento da safra da TI Trincheira Bacajá até a cidade de Altamira.

Fase 3 – Lições Aprendidas

4.6. Sistematizar (registrar e copilar) a documentação das atividades realizadas em campo e equipes da TNC e FUNAI.

5. Produto

Produto 1 - Documento em formato Word das atividades desenvolvidas contendo informações sobre a Fase 1 e Fase 2– planejamento da equipe técnica e paioleiros indígenas, organização do paiol, processo de formação dos paioleiros indígenas, organização e implementação do livro caixa, práticas do armazenamento da castanha, escoamento da safra até a cidade de Altamira e sistematização das atividades realizadas em campo.

6. Requisitos técnicos e qualificação profissional 6.1. Obrigatórios

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 Experiência em capacitação com povos indígenas e/ou comunidades tradicionais

6.2. Desejáveis

 Experiência em capacitação na área de comercialização.

7. Participação no processo seletivo

Os candidatos deverão encaminhar proposta técnica e financeira para e-mail intitulado “Técnico - Formação de Paioleiros/ Safra da Castanha-do Pará Xikrin” contendo Curriculum vitae com as experiências profissionais para Luciana Lima ([email protected]) , até a data de 01 de fevereiro de 2017.

As despesas referentes a transporte e deslocamentos, alimentação e hospedagem serão reembolsados pela TNC mediante comprovação dos gastos.

Referências

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