Santa Eulália de Pentieiros

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Texto

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 1

Santa Eulália de Pentieiros

Guimarães — Inquérito paroquial de 1842

Revista de Guimarães, n.º 108, 1998, pp. 451-455

1º Esta freguesia está situada no fim do monte denominado de S.

Bento para a parte do Nascente inclinada totalmente para a parte do Norte, situação alta e vistosa, dista da vila de Guimarães, 3 quartos de légua, e da cidade de Braga 3 léguas e meia; dela se avista todo o monte chamado da Falperra, que fica ao Norte, e todos os mais montes que daí correm e até ao monte do Magido que fica além de Vila Nova de Famalicão e Serra do Fojo, que ficam ao Poente, e também se avista o monte de Santa Catarina que fica ao Nascente, e só para o Sul não tem a vista por lhe ser impedida pelo monte de S. Bento.

2º Os ares no tempo de Inverno são frigidíssimos, é batida de

ventos Norte, Suão, e em todas as quadras do ano é bem refrescada do vento do mar; é sujeita a neves, geadas, nevoeiros, trovoadas, orvalhos e saraivas, mas não costumam causar estragos consideráveis.

3º Terá de comprimento um quarto de légua, e de circunferência

a 3 quartos de légua em que se contém todo o seu terreno.

4º Confronta com a freguesia de S. Cristóvão de Abação, pela

parte do Nascente com a de S. Tomé de Abação, e Salvador de Pinheiro, pela parte do Norte com Polvoreira, e S. Cipriano de Taboadelo pela parte do Poente.

5º Não há vila, nem povos juntos; tudo são casas dispersas, cuja

etimologia eu ignoro.

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7º Animais são bois, cavalos, jumentos, éguas, porcos, ovelhas,

cabras, cães, gatos, ratos e bem daninhos, raposas que causam bem dano.

Nas aves ainda domésticas, como são galinhas, anhos, etc.; coelhos, lebres, gatos bravos, doninhas semelhantes ao rato de cor avermelhada; e aves: perus, galinhas, pombos, perdizes, gaios, melros, pardais, rouxinóis, pintassilgos, verdilhões, estorninhos, piscos, e toda a caça é livre a excepção no tempo da criação; também no tempo das colheitas aparecem aqui rolas, que não tendo o pasto do milho alvo se ausentam e apenas ficam algumas, que também aqui criam, corvos aqui aparecem no tempo da geada, igualmente as poupas e cucos aparecem e cantam no tempo da Primavera e depois se ausentam, também as andorinhas aparecem, e criam e se ausentam, lavercas, sombrias, etc.; cobras, licranços, minhocas, sardões, saramelas, sapos, lagartos, rãs, grilos, ralos, morcões, formigas, cigarras, borboletas, abelhas, vespas, abegões, moscardos, varejas, etc.

Couve, nabiça, produz repolho e tronchuda não se dá muito bem no terreno por ser frio o terreno, batatas, que em outro tempo ninguém aqui fabricava, hoje todos cuidam nelas e lhe servem muitas vezes de petisco, e melão e melancia também não merece a pena de o fabricar.

Há aqui montrastos, hortelã, salsa, erva terrestre, muito medicinal, avenca, marcela de ovelha, grama agriões, salva, arruda, malvas, alecrim, flor de sabugueiro, tudo muito medicinal.

Salgueiros, carvalhos e alguns cerquinhos, castanheiros, pinheiros, amieiros, pereiras, macieiras, cerejeiras, árvores de espinho não frutificam por causa das neves, se escapa alguma é seca, e agra, pessegueiros, ameixoeiras, vides de muitas qualidades e as que melhor produzem são o chamado mel, que sempre dá e geralmente é o género que mais abunda, apesar de ser bastante acre, e por isso pouco apetecível.

Míscaros de duas qualidades uns que se comem, e outros de sapo que se não comem. Tortulhos.

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 3 Flores: ranúnculos, túlipas, peonias, cravos de várias espécies, goivos singelos e dobrados, junquilhos, papoilas muito medicinais, rosas de várias cores, erva molar, língua de vaca, etc.

Centeio, milhão, milho alvo, painço, feijão pardo, amarelo, branco, galego. Alimentos usuais pão de milho grosso e caldo, sardinha, bacalhau, toucinho, e quem tem com quê, vaca, arroz, e algum trigo, e os pobres apenas caldo, e pouco pão.

O uso de vestuário: os pobres, saragoça ou estopa para calças e camisa e os mais, segundo as suas posses, e alguns ainda mais do que lhe é devido.

Pedra dura quebrada a fogo, e pouca à cunha, mas assim mesmo se fazem casas dela.

8º Divisão militar até 1834, capitania-mor de Guimarães,

recrutamento de milícias de Guimarães, etc. hoje concelho de Guimarães: impostos, décimas, sextos, oitavos, direitos municipais variáveis, etc..

9º Nada há que dizer a este interrogatório.

10º Passa nesta freguesia a estrada, que vem da vila de

Guimarães, e se encaminha à vila de Amarante e passa a ponte de Pombeiro toda de pedra, e segura, e não há aqui serras, nem pinhais, nem matos consideráveis. O terreno cultivado excede muito ao inculto, por isso há falta de matos, e de lenhas, e também há falta de águas de rega por ser sítio muito elevado.

11º Há nesta freguesia uma azenha e duas rodas de moinho que

só no Inverno são prestáveis sítios no ribeiro que divide esta freguesia da de S. Tomé de Abação.

12º Na cultura do pão lavra-se a terra com arado puxado a bois,

e aplana-se com grade, o estrume é artificial de mato e folhas. O terreno, parte areento parte saibroso, mas assim mesmo produz bem os géneros que aqui se costumam fabricar e muito principalmente sendo o ano quente e húmido; preço dos jornaleiros no Inverno 60 réis no Verão 80 réis, e no serviço do sacho alguns dão o quarto de milhão bem estendido dando-se-lhe o sustento preciso.

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14ºCarpinteiros, alfaiates 1, ferreiros 1, tamanqueiros 1,

moleiros 2, sacerdotes 1 e pároco.

15º Não há quem dê notícia da origem desta freguesia, é a

Abadia da apresentação do meretíssimo cabido de Braga. Alguns fregueses vão em romaria à Senhora da Abadia, sua duração são 9 dias e uns se demoram todo o tempo outros cinco dias, outros 3 à Senhora do Porto; à Senhora da Aparecida, vão de véspera, e vêm no dia da romaria. Divertimentos: não há jogos, os seus recreios são pastoriar os seus gados, não há escândalos e quanto à mocidade procuram ver-se, conversar e são assíduos em assistir às missas conventuais, práticas e terço da Senhora nos Domingos, e dias festivos, não há mendigos e apesar de serem quase todos pobres, vivem do trabalho cada qual ao seu modo, e não se espera melhoramento. A população vai sempre vai em aumento.

Doenças ordinárias, catarrais, defluxos, hemorróidas, reumatismos; malignas são raras, e há 24 anos que curo esta freguesia ainda não faleceu freguês algum dessa moléstia, e de todas as que mais que aqui reinam não têm curativos notáveis, e quanto aos animais morrem alguns touros de uma doença que se intitula gapeira, as bestas são acometidas de mormo e dor de barriga de que algumas morrem; estatura dos homens é ordinária, força idem, fisionomias não indicam robustez, nem muita duração e ordinariamente muito poucos chegam a 80; ordinário são 70 anos.

16º A igreja é pequena e muito antiga. A padroeira é Santa

Eulália de Pentieiros, seu rendimento no tempo dos dízimos eram 50 moedas, e em 1818 em que paguei o ano de morto foi arrendado este benefício por 400$000 réis, mas em ocasião que estavam os géneros em alto preço; sua residência é junto à igreja e segura, tem a mesma igreja 3 altares, mor e colaterais um de São Sebastião, com 27$000 de fundo e outro de Nossa Senhora do Rosário com 15$000 cujo rendimento serve para veneração dos mesmos altares, e lhe dão o nome de confraria, mas sem Irmãos; não tem pratas, nem mais imagens, costumam-se fazer quatro clamores no ano, e mandar dizer 12 missas do Nome de Deus, e não há aqui mais usos.

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 5 Não foi possível responder com maior clareza e brevidade.

Santa Eulália de Pentieiros, Maio 26 de 1842 O abade Joze Manoel da Costa Azevedo

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© Sociedade Martins Sarmento | Casa de Sarmento 6 1841 25 25 1 30 36 7 10 3 2 2 1 2 33 1840 24 24 1 35 44 6 7 2 7 1 1 32 1839 24 24 1 32 34 6 8 2 3 1 2 30

Freguesia de Santa Eulália de

Pentieiros

1838

22 22 1 2 36 39 5 9 2 3 1 2 31

Homens Mulheres Homens Mulheres

Homens Mulheres Com menos de 30 anos de idade Com mais de 30 anos de idade exclusive Sexo Masculino Sexo Feminino Expostos Sexo Masculino Sexo Feminino Expostos

MAPA ESTATÍSTICO

Casados Viúvos Viúvas Solteiros Nascidos Mortos Casamentos Fogos

Santa Eulália de Pentieiros, 26 de Maio de 1842

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Referências

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