JULIANO
BALSINI
DE
MOURA
FERRO
CRISES PSICOGÊNICAS:
UM
ESTUDO
CLÍNICO E
EPIDEMIOLÓGICO.
Trabalho apresentado à Universidade Federal
De
Santa Catarina, para a conclusão no Curso de Graduaçãoem
Medicina.
FLORIANÓPOLIS
CRISES
PSICOGÊNICAS:
UM
ESTUDO
CLÍNICO E
EPIDEMIQLÓGICO.
Trabalho apresentado à Universidade Federal
De
Santa Catarina, para a conclusão no Curso de Graduaçãoem
Medicina.
Coordenador do Curso: Dr. Edson José Cardoso Orientador: Dr. Paulo César Trevisol Bittencourt
FLoR1ANÓ1>oL1s
Por
meio
deste espaço, expressomeus
sinceros agradecimentos para todos aqueles que deuma
forma ou
de outra contribuíram para a realização deste trabalho.Em
especial, agradeço ao Professor Paulo César Trevisol Bittencourtque
prontamente aceitou a função de orientador deste traballio, e assim o fez de maneira brilhante.Agradeço
também
aos funcionáriosda
Clínica Multidisciplinar de Epilepsia, que paciente e atenciosamente colaboraram para a coleta dos dados. Porfim,
mas
não
menos
importante, agradeço aminha
família,que nas horas mais dificeis, estavam
sempre
dispostos a dar apoio moral.1.Introdução ... .. 1 2.0bjetiVo ... .. 4
3.Método
... _. 5 4.Resultados ... .. 6 5.Discussâo ... .. 7 6.Conclusão ... .. 15 7 .Referências ... .. 16Nonnas
... ._ 19Resumo
... ..20
Summary
... ..22
1.
INTRoDUÇÃo
Freqüentemente pacientes
buscam
um
atendimentomédico
por crises.Apesar
de epilepsia ser
um
problema
comum em
nossa sociedade, estima-se que muitas destas crisesnão
sejam crises genuinamente epilépticas,mas
sim crisespsicogênicas 1`9 _ Fazer a distinção entre as duas é
um
dilemacomum
na
pratica
médicaófm
Isto se deve ao fato de que crises psicogênicasnão
raramente
mimetizam
crises epilépticas. Muitas vezes o erroem
diagnosticar corretamenteuma
crise psicogênica ocorre porque os passos elementares para se fazer estediagnostico
não
foi corretamente realizado,ou
porque o paciente já se apresentacom
diagnostico errado de epiléptico enão
é devidamenteexaminado
,ou
aindaa história e o
exame
neurológiconão foram
implementadosadequadamente.3°5”“°12 Deixar de diagnosticar
uma
crise psicogênicapode
rotularo
pacientecomo
portador de epilepsia, introduzindo-o auma
terapia desnecessáriacom
drogas anti-epilépticas (D.A.E.s),3*5°6°7”12°13 o quena
maioriadas vezes,
além
de ineficaz, poderá aumentar as freqüências das crises,bem
como
agravar psicopatologias latentes.1°2°14,15 Por outro lado, estes pacientesacabam
por consumir substancial quantidade de recursos médicos, devido suasnumerosas
visitas à serviços de emergênciaó Exemplificando,70%
dos pacientescom
crises psicogênicas admitidosem uma
unidade médica, estavam fazendo uso de D.A.E.s,1 e22%
dos pacientescom
crises psicogênicas deuma
outra unidade, apresentavam toxicidade pelo uso de D.A.E.s.“,12O
errono
diagnóstico leva a prescrição de D.A.E.s a estes pacientes, expondo-os aos efeitos colaterais da medicação.Mais
importante ainda, os priva deuma
intervenção psiquiátricacom
potencial de resoluçãodo
seu verdadeiroproblema.”
Um
outro relevante assunto~
da
rotulação deum
indivíduocomo
epiléptico;como
por exemplo: restrições para dirigir veículos, exclusão de certos trabalhos, dificuldade e encarecimento para obter seguros, etc.3Em
outro enfoque,não
podemos
esquecer queembora
aparentemente mais raro, subjulgar
um
evento neurogênicocomo
psicogênicotambém
pode
acontecer eda
mesma
forma, prejudica e priva o paciente deum
tratamento ideal. 16Pode-se diferenciar crises epilépticas de psicogênicas até
mesmo
em
suas definições, pois estas são eventos caracterizados pormudanças no
comportamento, percepção e atividade motora, que aparentam ser epileptogênicas,
mas
são de origem funcional 3'5`8*15 e ao contrário das crisesneurogêrricas,
não há
associaçãocom
alteraçõesna
atividade elétricacortical.1°3'8›13°15”21 Entretanto,
um
diagnóstico apropriadonem
sempre
é fácil e
muito freqüentemente requer urna criteriosa e prolongada observação clínica, e muitas vezes,
somente
o recurso de video-telemetria poderá estabelecê-locom
precisão.Postula-se que crises psicogênicas manifestam-se
como
um
sintoma de conversão, ocorrendoquando
o indivíduonão
consegue administrar situações destress.1`3*5`8”14
Alguns
trabalhosdemonstram
que estas crisessurgem
em
indivíduos
com
distúrbios psiquiátricos prévios, taiscomo
ansiedade, depressão,esquizofrenia e personalidade obsessiva-compulsiva.1°5`8°1°
Além
disso, trauma sexual parece ser importante para o desenvolvimento de crises psicogênicas. Estudos reportados apresentarnuma
taxa de 10 à25%
de ocorrência deE
em
pacientescom
crises psicogênicas.3=5`9Além
disso, sabe-seque
muitos pacientescom
crises psicogênicas,provém
de famílias caóticas7 e o estilo de vidacontemporâneo
com
stress diário, ansiedade e depressão, atingem a muitas pessoasda
sociedademodema.
Por
issonão
é dificil de se prever, que a taxa de pessoascom
crises psicogênicas deve aumentar nos próximos anos.Tendo
em
vista essepanorama
social, realizou-se este estudo pioneiroem
nosso Estado. Ele enfocaum
tema
que faz partedo
cotidianoda
práticamédica
eque quando mal
conduzido, produzirá graves conseqüênciasno
paciente,com
repercussõesna
sociedade. Desta maneira nosso estudo tenta contribuir, avaliando os dados clinico-epidemiológicos de pacientescom
esta condição, atendidosem
uma
clínica multidisciplinar pública de referência regional.Em
complementação,uma
revisão extensa da literatura étambém
apresentada.Enfim,
nosso objetivo maior é defomecer
informações úteis parauma
identificação precisa de pacientescom
crises psicogênicas, e destemodo,
contribuir parauma
atenuação das suas dificuldades existenciais.2.
OBJETIVOS
1. Quantificar o percentual de indivíduos
com
crises psicogênicas atendidosem
uma
Clínica Multidisciplinar de Epilepsia de referência regional.2. Levantar detalhes clínico-epidemiológicos dos pacientes identificados
com
esta condição.3. Revisão
da
literatura pertinente ecomparar
seus dadoscom
aquelesque
foram
obtidosem
nossa investigação.3.
MÉToDo
Este é
um
trabalho retrospectivo, transversal, realizadona
Clínica Multidis-ciplinar de Epilepsia
(C.M.E) do
S.U.S., localizadana
a Policlínica Regional 1,da
cidade de Florianópolis/ Santa Catarina. Ela funcionacom
um
médico
neurologista,
o
qual é o responsável,uma
psicóloga,uma
enfermeira,uma
assistente social eum
secretário.Nela
são atendidos pacientesencaminhados
detodas regiões
do
estado,com
o diagnósticoou
suspeita de epilepsia.Excepcionahnente pacientes
com
outras condições neurológicastambém
são atendidos.A
clínicatem
facilidade de requisitar diversos recursos neuro- fisiológicos e de neuro-imagem, porém, vídeo-telemetria aindanão
é disponível.Foram
separados inicialmente 1033 prontuárioscom
diagnóstico de ataques,não
importando qual a sua etiologia.Em
uma
segunda análiseforam
excluídos todos aquelescom
diagnóstico de crises febris e secundárias a transtomos metabólicosou
cardíacos.Por
fim
foram
analisados somente aquelescom
diagnóstico já estabelecido de crises psicogênicas, eliminando-se os casos duvidosos.As
variáveis pesquisados foram: onúmero
de indivíduos acometidos,o
sexo, a idade, a idadeem
que as crises se iniciaram, história de abuso sexual e distúrbios emocionais(depressão, ansiedade, melancolia, morte) laudo deEEG
etomografia
computadorizada (quando realizada) eo
uso deD.A.Es
.Os
dados4.REsULTADos
Dos
1033 prontuários avaliadosna
C.M.E
do
S.U.S,94
tinham o diagnóstico de crises psicogênicas, eqüivalendo a9,1%
deste total.O
número
de casos envolvendoo
sexo feminino foi 77 (82%), enquanto o sexo masculino foi 17 (18%).Foram
encontrados pacientes de 5 à 74 anos de idade,com
média
de 39,1.A
idade de início das crisesficou
entre 5 e 57 anos emédia
de22
anos.Na
pesquisa de história de abuso sexual e distúrbios emocionais,43
(45,7%) pacientes apresentavamalgum
destes itens, sendo que40
(42,5%) tinham históriade distúrbios emocionais, 8 (8,5%) abuso sexual.
Deve
se ressaltarque
apenas 35 pacientes tinham distúrbios emocionais , 3 abuso sexual e isoladamente,mas
5apresentavam abuso sexual e distúrbios emocionais .
Dos
45 pacientes, apenas 1havia feito tentativa de suicídio
no
passado.Quando
investigado alteraçõesno
EEG
etomografia
computadorizada, encontraram-se49 que haviam
feitoEEG,
destes
40
(72,7%) estavam nonnal e 9 (l8,4%) apresentavamalguma
alteração. Já atomografia
de crânio foi realizada por 33 pacientes antes de admissãona
clínica,com
24
(72,7%) laudos normais, 6 (l8,2%)com
diagnóstico deneurocisticercose e 3 (9.1%)
com
outras alterações.Dos
94 pacientes separados,46
(47,9%)estavam
utilizandoou
jáhaviam
utilizadoalgum
tipo de droga anti-5.
DISCUSSÃO
Crises psicogênicas
foram
mais freqüentesdo
que se imaginava previamente.Nosso
estudomostrou que
9,1%
dos pacientes atendidosna
Clinica Multidisciplinar de Epilepsia (C.M.E.)do
SUS,
apresentavam crises psicogênicas.A
maioria dos trabalhos publicados relatam Luna incidência de 5 à20%
dos casos tratadoscomo
epilepsia.l°3°5`7”9Porém,
existem centros dereferência
em
tratamento de epilepsia, que revelamuma
incidência de 10 á40%
dos casos eum
mostrou a cifra expressiva de44%
em
casos de epilepsias supostamente refiatárias a terapêutica.”A
taxa encontrada por nósnão
foi tão elevada quanto estas citadas acima, provavehnente pelo fato destenão
serum
centro regional para o tratamento de epilepsia,mas
simuma
clinica ambulatorial.Em
tais centros, pacientescom
crises de dificil controle são enviados esabidamente muitos deles
com
epilepsias refratárias ao tratamento medicamentoso, terão crises psicogênicascomo
única modalidade de crise.16É
provável
também
que a ausência de video-telemetriacomo
recurso diagnóstico, tenha contribuído para tal fato, visto queem
alguns pacientesda
C.M.E
esta possibilidadepermanece
sendo interrogada. Logo, seria de suporque
nossa casuística émínima
em
função desta limitação.Quanto
ao sexo, o feminino foi o mais acometido,82%
das vezes.A
prevalência
do
sexo feminino já foi descrita por outros autores,com
taxas variando entre70
e80%
dos casos.1'3'5*6°9*17*19Um
outro estudo refereuma
cifra
de
95%
de mulheres acometidas.3'5A
causa dessa prevalência feminina, necessita ser 'melhor analizada; entretanto, ela sugere que mulheres seriam mais sensíveisaos insultos psicológicos
do
cotidano. Interroga-setambém
a participação de fatores culturais relacionadoscom
opressãodo
sexo frágil .3Pesquisando-se a idade dos pacientes, Verificou-se
uma
variação dos 5 aos74
anos,com uma
média
de 39,1 anos.Observamos
descrições de casos, principalmente entre 15 e35
anos,1›9°18 Saygi et al 2° e Lesser 7 encontraramcasos entre 4 e 71 anos e entre 4 e
77anos
respectivamente.A
média
de idade que encontramos de 39,1 anos,ficou
próxima
de algumas relatadas,como
38,2 2° e 36,3,18embora
esta, seja maiscomum
em
tomo
dos30
anos.2”3=8*“=15=17Acredita-se
que
sua ocorrência diminua pertoda
terceiradécada
de vida,tomando-se
rara após a quintadécada.”
Observou-se que a idadeem
que ascrises iniciaram, variou de 5 à 57 anos,
com
média
de22
e Lelliott eFenwick
17 apresentam pacientescom
início das crises entre 1 e 35 anos,média
de 17,5..Os
extremos de idades encontrados neste estudo, apesar de estarem dentro dos valores descritos
na
literatura, provavelmente sedevem
anão
atualização dos prontuários, visto que muitos pacientesnão
fazem
um
seguimentomédico
adequado, muitas vezes desaparecendo após as primeiras consultas,
ficando
assim dificil de se conseguir dados mais precisos.Por
outro lado, existe urna forte correlação entre crises psicogênicas e abusosexual.3°5`9 Pesquisas anteriores
descrevem
pacientes que relataram história deabuso sexual
em
urna freqüência de 10 á25%
dos casos.3=5°7 Lesser 7achou
uma
taxa de
24%
de pacientescom
crises psicogênicas e história de abuso sexual, contra7,1%
em
pacientescom
crises parciais complexas.Em
nosso estudo, foiencontrado 8 (8,5%) pacientes
com
história de abuso sexual. Este írrdiceficou
um
pouco
abaixodo
descritona
literatura.Apesar
de serum
problema
exaustivamente pesquisado pelos profissionaisda
C.M.E., questões sobre sexualidadenem
sempre
são respondidascom
sinceridade.Sexo
continuaum
Por
um
outro lado, outros pesquisadores sugeriramque
crises psicogênicas poderão ser sintomas de distúrbios emocionais, ena
verdade, eventosnão
epilépticostem
sido associados a situações agudas e crônicas de stress.3*5 Foivisto aqui, que
40
(42,5%) dos nossos pacientes queixavam-se de distúrbiosemocionais (brigas familiares, problemas conjugais, morte de entes queridos).
Apenas
1 paciente relatou tentativa de suicídio. Provavelmente muitas vezes,crises psicogênicas são desencadeadas
ou
agravadas por situações de stress emocional. Infelizmente, distúrbios neL1rogênicos,2°5°7=15°17 retardo mental L2 eepilepsia 1*3'6”7,1°=17°2l
também podem
ocorrer associadas à crises psicogênicas. Entretanto, deforma
mais específica, as crises psicogênicas caracterizam-se clinicamente por ocorrer sóquando
o indivíduo está desperto.6Alguns
sintomaspodem
aparecer antes das crises eserem
confundidocom uma
aura
epz`léptz'ca; 67entre eles, dispnéia, mal-estar, odores e gostos, alucinações e distúrbios visuais,
entorpecimento, alterações sensoriais periféricas.7 Outro fato relevante a ser
considerado é
que
crises psicogênicascostumam
ocorrerquando há
uma
platéiapor perto.3°13”14
Em
relação aotempo
deduração, estima-se que crises
psicogênicas
demorem
mais queuma
crise genuinamente epileéptica, levandoem
média
de20
à 805 segundos, contramenos
que 90
segimdos de criseneurogênica generalizada.”
Por
outro lado, indivíduoscom
crises neurogênicastendem
a terum
sómodelo
de crise, enquanto pacientescom
crises psicogênicas apresentam váriosmodelos
de crise,3°5 e ainda mais significativo,conseguem
relembrar
o que
aconteceu durante a crise. Tal fatonão
ocorreem
pacientescom
crises neurogênicas generalizadas,3=5`7
onde
a amnésiado
evento é regra. Outroponto é que após crises psicogênicas
não há
confusão mental.1`3=5`7=22O
fenômeno
motor
incluemmovimentos
e posturas tônicos,movimentos
repetitivos, ausência demovimentos
e aparente perda de tônus, características estas últimas, mais comuns.3°7*“De
maneira geralpode
se dividir a crise psicogênicaem
dois tipos: oprimeiro cujo o evento principal é predominantemente motor, mimetizando crises
epilépticas generalizadas, e o segundo,
em
que o evento caracteriza-se pormudança
de comportamento, simulando crises parciaiscomplexas
e de ausência. Crises psicogênicas apresentammovimentos
dosmembros
assincrônicos e assimétricos, enquanto crises generalizadastem movimentos
tônico-clonicossirnétricos e sincrônicosll.
Movimentos
ritmicos da pelve para frente são descritosem 44%
das crises psicogênicas.1°3”5=11°l4=2°Uma
resposta extensorado
pé
(Babinski) é freqüentemente observadaem
pacientes que tiveram crises neurogênicas generalizadas principahnente nos primeiros cinco minutos após ascrises, desaparecendo
em
vinte à trinta minutos.3=5=23Walczak
eRubinskyn
compararam-nas
com
crises psicogênicas, e apontaram ser este sinal raroem
pacientes
com
estas.3”5=8=23 Outra característica dascrises psicogênicas é o
movimento da
cabeça deum
lado para o outro,com
violência e alta amplitude, ao contrario de crises neurogênicas,onde
a cabeça desvia-se paraum
só1adO_3,5,7,11,2o
Os
olhos deum
pacientecom
crises psicogênicas desviam-sedo examinador
e
quando movimentada
a cabeça elesmudam
de lado.Nas
cises neurogênicas os olhos desviam-se para inn ladopermanecendo
nesta posição independentementeda
posiçãodo examinador
edo movimento da
cabeça.As
pupilas dilatarn-se e ficarn irresponsivas a luz nas crises neurogênicas, sendo esteachado
dificil nascrises
`
psicogênicas,
que
permanecem
responsivas a luz ecom
reflexocomeal.3°5=7=22
Curiosamente incontinência esfincteriana, auto-agressão e lacerações
na
línguatambém
poderão ocorrerem
crises psicogênicas,mas
são incomuns,3°5 equando
presentespodem
estar associadas a tentativas anteriores de suicídio.3°5=7como
por exemplo, deixar cair o braçodo
indivíduo sobre sua face (na
crisepsicogênica ele desviará),
mover
a cabeça deum
lado para o outro observandoo
movimento
dos olhos, fechar aboca
e as narinas, utilizar cápsulas daamônia
anidra, fazer pressão e fiicção
com
um
dedo
sobre o estemo, passarum
algodãona
cómea.3=5°“`13A
agressividade embutidaem
algumasdestas
manobras
é bastante óbivia e por issomédicos
verdadeiros,não
deveriam se deixar seduzir porrecomendações pouco
elegantes epoupar
estes pacientes de agressões desnecessárias paraum
correto diagnóstico.Devemos
recordartambém
que algtms pacientes,podem
prolongar suas manifestações motoras, comportamentais e distúrbios respiratórios por mais detrinta minutos
sem
voltar a consciência plena desenvolvendoum
pseudo
statusepiléptico.1°7”19 Confundir
um
pseudo
status epilépticocom
o verdadeiro, éuma
das causas de maior iatrogenia e de complicações
no
tratamento de crisespsicogênicas.
De
acordocom
Lessser7 e Rechelinw, D.A.E.s são administradasna
maioria dos casos depseudo
status epiléptico, e o tratamento freqüentemente resultaem
entubação, respiração artificial, internaçõesem
unidades de terapia intensiva, septicemia,pneumonias
e infecçõesdo
trato u;rinário.7°19Outra maneira tecnológica de se diferenciar crises psicogênicas e epilépticas é através de
exames
complementares, entre eles, oEEG,
a gasometria arterial, obicarbonato sérico, a prolactina sérica, e o cortisol.2=3°5`7°19
Os
pacientescom
crises tônico-clonicas
desenvolvem algum
grau de acidose, principahnente se acrise durar mais
que
sessenta segundos.2”3*5Nas
crises psicogênicas oph
permanece
nonnal.O
nível de bicarbonatotambém
se altera nas crisesneurogênicas, diminuindo sua concentração, e mantendo-se nomial nas crises
psicogênicas.3°5
As
taxas de prolactina sérica usuahnenteaumentam
nas crises neurogênicas tônico-clônicas,com
pico entre quinze e vinte minutos após acr^ise.1`3=6*16”19
Seu
nívelfica
normal nas crises decrises
do
lobo temporal e crises psicogênicas.3°5°6A
prolactina deve ser colhidaapós sessenta minutos para mostrar o verdadeiro aumento, visto que sua meia- vida é de vinte dois minutos.3”5°6
O
cortisolaumenta
seus níveis plasmáticosdepois de crises neurogênicas generalizadas, e
não
após crises psicogêrricas.”O
EEG
poderá ser útil para o diagnostico diferencial entre crises psicogênicas ecrises neurogênicas; porém, deve ser realizado durante a crise e ser normal durante
um
eventomotor
com
alteraçãoda
consciência para descartar urna causa neurogênicado
evento.1°3°5°7*17=19 Foi pesquisado onúmero
depacientes da
C.M.E
que
haviam
realizadoEEG
e encontrou-se49
(52,1%) pessoas. Destas40
(81,6%) tinham o resultado normal e 9 (18,4%) tinham
alguma
alteraçãono
seu resultado. J á fora antes observado, pacientescom
crises psicogêrricas que tinham alteraçõesem
seus laudosdo
EEG.
6117 Muitaspodem
ser as causas destas anormalidades,como, o
uso de barbitúricos, lesão cortical prévia coincidente,bem
como
artefatos e variantes normais, quepodem
ser confundidascom
descargas epilépticas.7 Outroexame
que s pesquisou foi atomografia
computadorizada
(TAC),
que foi realizadaem
33(35%)
pacientes,onde 24
(72,7%)estavam
com
laudos normais, 6 (18,2%)
apresentavam neurocisticercose e 3 (9,l%) estavamcom
outras alterações. Saygi et al 2°e Lelliott 17
também
encontraram alterações inespecíficas
em
TACs
de pacientescom
crisespsicogênicas,17'2° sendo
que o
primeiro relatouuma
taxa de18%
dos casos.Para se fazer o diagnostico diferencial das crises psicogênicas,
além
dascrises generalizadas, deve-se lembrar de crises de ausência, crises parciais complexas, “crises cardíacas”, transtomos metabólicos e principalmente crises
do
lobo fiontal,1°6°7°“°14°22 que
não
costumam
provocaralterações
no
nível de consciência,no
EEG6
eem
exames
laboratoriais,podendo também,
apresentar manifestações motoras bizarras 3°5ou
semelhantes as crises psicogênicas.Porém,
o sono e por apresentarem
uma
contração demembros
superioresem
abduçãO.1,s,7,11,1s,2o
Quando
admitidona
emergência, o pacientecom
queixa de crise deve terum
manejo
cuidadoso,mesmo
na
suspeita de crise psicogênica.Uma
via aérea livredeve ser mantida, respiração e circulação asseguradas. Observa-se as
características clínicas da crise.
Se
foro
caso, algumasmanobras não
estúpidaspodem
ser efetuadasna
tentativa de interromper a crise psicogênica. Gasometriaarterial e outros
exames
laboratoriaisbuscando
alterações metabólicasdevem
serrequisitados.
Lembrar sempre
de investigar possíveis intoxicaçõescom
D.A.E.s e outros medicamentos.Caso
necessário pedir opinião deum
neurologista antes de administrarmedicação.” Deve-se
lembrar que muitos pacientescom
crisespsicogênicas são tratados inapropriadamente
com
D.A.E.s .3=5 Aliásem
nossoestudo foi visto que
46
pacientes (47,9%) jáhaviam
utilizado pelomenos
um
tipo de D.A.E.no
passado.Em
centros de referência, está taxa varia de 50 à 69%.l°3`5Como
já citado anteriormente, administrarD.A.E
em
um
pacientecom
ataques psicogênicos,além
de aumentar sua freqüência,pode
tomá-las mais graves, e se apenas10%
das crises psicogênicas estão associadascom
crises epilépticas concomitantes,90%
dos pacientescom
crises psicogênicaspodem
ficarsem
tratamentocom
D.A.E.s.4”21Outro aspecto
que
deve sechamar
a atenção, são para os muitos fatores que interferemno
prognóstico de crises psicogênicas. Vários autorescomentam
que
após o diagnóstico muitos pacientes ficarn livres de suas crises
ou diminuem
a freqüência de ocorrência, principahnente aqueles que sesubmetem
a terapiapsicológica.3=5'7
E
pessoas quenão fazem
terapiatem
maior dificuldadeem
melhoram
sua condição social e de trabalho.”São
fatores demelhor
prognóstico: crianças e adolescentes,7=25 mulheres, vida independente,com
terapia psicológica adequada,maior
nivel de inteligência, ausência de epilepsia concomitante,EEG
normal.6=7
São
fatores de pior prognóstico: longa históriade crises
não
epilépticas, história familiar de epilepsia, desemprego, epilepsia concomitante, longa história de distúrbios psiquiátricosóFinalmente, gostaria de enfatizar que ataques de natureza psicogênica são
comuns
na
sociedademodema.
Por
essa razão, tais pacientes ao invés deserem
considerados
como
falsos doentes,quando
identificados deveriam ser6.
CONCLUSÃO
Com
as informações clínico-epidemiológicas obtidas neste estudo, observa- se que crises psicogênicas são tãocomuns
em
nosso meio, quantoem
outras sociedades, eque
apesar de suas características peculiares que as diferem decrises epilépticas, elas continuam sendo diagnosticadas erroneamente,
propiciando iatrogenias terapêuticas.
A
pesquisa de abuso sexual deveria ser realizadaem
todos aqueles pacientescom
dianóstico de epilepsia refratária; pois estedado
sugereuma
natureza psicogênica das crises exibidas por pacientesem
particular; principahnente se fordo
sexo feminino.Distúrbios emocionais de tipos e intensidades variáveis,
devem
ser interrogadosem
todos os pacientescom
crises incontroláveis, pois muito freqüentementedesencadeiam
ataques psicogênicos erroneamente diagnosticados7.
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1991; 41:742-4.NORMAS
Para a elaboração deste trabalho, seguiu-se a normatização dos trabalhos científicos regida pela resolução
número
001/97do
Colegiadodo Curso
deGraduação
em
Medicina da
UfSC,
que por sua vez foi elaboradasegundo
aConvenção
de Vancouver, Canadá.Os
nomes
dos periódicosforam
abreviadosconforme
os critériosda
ISSO
( Intemational SerialsData System
&
IntemationalRESUMO
Objetivo: Obter informações epidemiológicas locais sobre crises psicogênicas e compara-las
com
a literatura,além
de descrever características clínicas destas.Método:
Este éum
estudo retrospectivo e transversal, realizadona
Clínica Multidisciplinar de Epilepsiado
S.U.S.,na
cidade de Florianópolis, estado de Santa Catarina.Foram
separados e analisados, somente os prontuárioscom
diagnóstico final de crise psicogênica.Resultados:
Foram
encontrados 1033 prontuárioscom
diagnósticos de ataques, dos quais94
(9,1%) tiveram diagnóstico de crise psicogênica. Destes 77(82%) eram do
sexo feminino e 17(18%) do
masculino.Haviam
pacientes de 5 á74
anos de idade,com
média
de 39,1 anos.A
idade de início das crisesficou
entre 5 e 57 anos,
média
de22
anos.Quando
pesquisada história de abuso sexual, 8 (8,5%) pacientes relataram terem sido vítimas de tal fato, e40
(42,5%) pacientes queixavam-se de distúrbios emocionais.Apenas
1 (1%)
pacienterelatou tentativa de suicídio.
Dos
94
pacientes,49
realizaramEEG,
onde 40
(72,2%) apresentaram tal
exame
normal e 9 (18,4%) apresentaramalguma
alteração.
A
TAC
foi realizadaem
33 pacientes,com
24
(72,2%) pacientes tendo laudo normal, 6 (18,2%) evidenciando-se neurocisticercose e 3 (9,1%)mostrando
outras alterações.
Com
relação ao uso de D.A.Es, observou-seque 46
(47,9%) pacientes já utilizaram pelomenos
um
tipo deD.A.Es
.Conclusão:
As
informações obtidasmostraram
que a epidemiologia local dasSUMMARY
Objective:
To
get local clinicaland
epidemiologycal infonnation about psychogenic seizuresand compared
with previous datasfrom
literature review. Also,we
entend to describle clinical features related to of psychogenic seizures.Method:
This is a retrospectiveand
transverse study,cany
out in the Multidisciplinary Epileptical Clinic of N.H.S, in Florianópolis , SantaCatarina/Brazil.
The
medical notesfrom
patients having psychogenis seizureswere
submitted to extensive evaluation.Results:
We
found 1033 medical notesfrom
patients with all kind of seizures.From
that,94
(9,1%)had
the diagnostic of psychogenic seizures.The number
of female pacientswas
77(82%) and male
was
17 (18%). Therewere
patientsfrom
5 to74
years old,and
average of 39,1 years.The
age of seizures beginnigwas
5to 57 years old,
and
average of 22 years.When
looked for sexual abuse, 8 (8,5%) patients reporthave been
victim of sexual abuse,and 40
(42,5%) complained about emotional disturbance. Just 1 patient tried suicid.From
all sample,49
realized
EEG,
and 40
(72,2%)showed
normal exame,and 9
(l8,4%)had
abnormalEEG.
The
CT
scanwas
performed in 33 patients, with24 (72%)
having nonnal, 6 (18,4%)
showing
neurocysticercosis,and
3 (9,1%) with otherminor
abnormalitys. Itwas
noticed that,46
(47,9%) patientswere
in use of anti-epileptic drugs.
Conclusionz
Our
data,showed
that, the clinicaland
epidemiological aspects of psychogenic seizures is similar to the reports founded in literature,and
many
patients suffering
from
psychogenic seizures used to be taking anti-epilepticEx.l 972803852 Ac` 253503