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Síndrome da Criança Maltratada: estudo de 49 casos.

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(1)

. .

-

Ê* UNIVERSIDADE FEDERAL DE SADTA CÀTARÍNA

CENTDO DE cIENc1As DA SAUDE

DEPARTAMENTO DE PÉDIATRIA.

sim táu C3 n F1 fia> ‹§ . .D4 E2 ÉS ;> mALTRAÍADA

Esfúdo-de h9 casos

'

CARLOS EDUARDO CASAS* FRANCISCO CESAR PÀBÍS*

* Doutorandos da ll9`€ase do

curso de medicina da UFSC.

(2)

éh/

Teu F1lho e teu bro+o,

Se és Podes Sendo O sol É tua rlgldo em dewasla

sufoca~lo com tua sombra

porem, pe*¶1ss1vo demals,

C).b “H OH3 w\

e a tem eoced- od~m

lente tambe

Pois pelo seu zuturo

(3)

RESUMO INTRQDUÇÃO _ CASUÍSTICA E MÉTODO RESULTADOS DISCUSSÃO CONCLUSÕES ANEXO BIBLIUGRAFIA -

(4)

RESUMO

z

Os autores realízaram_um estudo retrospectivo de_h9 ca-

sos da Síndrome da Criança flaltratada do ano-de l98h, com investi

gações médico-jurídicas complementares§

Neste estudo salíentaram aspectos de relevante importãg

cia com relação ã vítima, ao agressor, š agressão e denúncia. He;

te sentido codiFícaram,_analisaram e compararam os dados com ou-

tros existentes na literatura nacional e internacional.

,›

1

(5)

z

'*_'\.- '

'\

:NTRODUÇÃO

1

"O censo de 1980 indicou uma ÚOUC lação de aproximadameg

te 130 milhões de habitantes, dos quais, quase a metade - aproxi-

madamente SO milhões têm menos de 15 anos" (O5). A partir destes

dados torna-se necessário, até urgente, Que_se conheça a realida-

de vigente desta população jovem que, na sua maioria, depara-se

diariamente com carências de toda ordem.

Este trabalho visa levar ao.conhecimento alguns aspec -

tos relativos ao maltrato infantil, comparar os.resultados encon-

trados neste estudo com algunas estatísticas nacionais e interna-

cionais existentes. Hesmo que, segundo Apley "todos os valores de

ponfveis são quase que certamente subestimados" (1).

Esta síndrome, de complexa compreensão, apresenta di -

versas facetas, devendo ser analisada sob diversos ângulos: clfni

co, social, psícolõgico, psiquiátrico, terapêutico, preventivo ,

ético e jurídico (O3). A '-

-

Dentro deste contexto, a C). (DW _ .Ji deste distárbio tor-

Í) ¡..›.

*Ô WIO

na-se bastante ampla. Alguns autores dão ;..›. E tância wzúnioameete

'OOH

(6)

ne-69

. G6

gligência e_a privação material e/ou emocional (O2, O3, 19).

a No nosso entender, a Síndrome_da Criança Maltratada tra

5, _ ta-se de um distúrbio na relação adulto-criança (geralmente com

ligação parental),-que leve aquele, consciente¬ou ínconscientemen

te, a prejudicar o pleno desenvolvimento psíquico e/ou biológico

| u â I ou . .I . ' '

z A . .

oa criança, seja atraves de agressao fisica, negligencia ou pri~

_vação, agindo associados ou isoladamente, `

.

. Segundo a literatura, o maior contingente de agressores

ñ são os pais ou familiares (2l,.O6, 23, 32, O1, 13); fato explica-

do pelo maior contato com os menores. Srande parte' deles são

psícdticos (16, Gl).

i

'

Outros fatores comumente associados, são a dependência

de drogas, o que denota em grande_número de casos, uma personali-

dade psicopátíca. E.o alcoolismo, podendo "o espancamento ocorrer

por explosão temperamental, especialmente se as inibições forem

anuladas pelo álcool" (O1).

Existem fortes evidências de que o maltrato pode iser o

resultado de uma estrutura familiar historicamente patriarcal, og

de "a obediência se torna um dever exclusivo da criança, e sua re

Í `

¿_

'

~ . . ›

volta e encarada pelo adulto como uma trangressao aos direitos

do próprio adulto" (13). Daí partiria a espancamento com fins edu

cativos. '

" '

Atribui-se igualmente ao maltrato como sendo o reflexo

de uma personalidade desestruturada, colocada num mundo de compe-

tição, dificuldades financeiras, conflitos conjugais, gerando um

estado de tensão contínua. "Os pais utilizam seus filhos princi-

palmente como uma canalização de suas frustrações, sendo muito

fixouente o deslocamento de um conflito conjugal através dos fí-

_ lnos" (21). Em outras palavras, o adulto agressor transfere para

(7)

ele próprio uma criança maltratada (30,.O6). .4

-Com estesfdiversos Fatores interagindo, chega-se ao cume

deste processo: a agressão e encontra-se uma vítima: a criança;

através de abusos isolados ou repetidos, de maior ou menor gravida

de.

Saindo do ambiente familiar, vale citar os abusos encon4

trados nas instituições que abrigam a vida da criança. A maior de-

. 1

las é a própria sociedade, carregada de opressores e oprimidos, re

.lj

|-I D Ff Q) de discriminações e valores efêneros, como a escala social,

I 4,

o poder da riqueza e o racismo. H

A própria Escola, instituição criada com_a finalidade e-

ducacional, muitas vezes pode ser vetor de várias formas de maltra

to. Saliente-se o Fato de que grande parte do tempo da' criança ó

dedicado š escola, onde "certos professores neurotizados, assumem

atitudes .ato ênicas tormam-se intransi entes ambívalentes , ' ‹ rfni

_ , Q J___

dos e erfeccionistas _ no trato com os alunos 1 não atendendo as ne-

~ cessidades básicas

para o desenvolvimento da criança" (lO).

Finalmente é relevante e infelizmente real a existência

de maltrato nas instituições ditas de recuperação, para onde são

encaminhados os menores em situação irregular (órfãos, delinqueg

tes, menores abandonados); "9l% dos menores assistidos em reabili-

tação tem recebido algum tipo de castigo traduzidofpor golpes ou

esforços físicos e.a existência de casos isolados de violação e.

maltrato exagerado" (12). ,` t

Assim é a realidade de grande parte das crianças; nascem

num meio onde a pobreza de espírito floresce, algumas são arranca-

das do seio materno para conviver em creches com as mães de algƒ

guel ou se educados por terceiros, quebrando um.vfnculo

(8)

1

`

O8

te no desenvolvimento da personalidade. Pior sorte têm ^

aqueles

que, entregues âfínstítüÍções;"adotam~na como famÍlía.“E'desEe mo-

do formar-se-ão os adultos de amanhã; neurotízados, violentos e

beís, fechando o ciclo da violência que por gerações se repete. '

I

(9)

4

1

CASUÍSTICA E MÉTODO

Para realização deste trabalho, procurou-se levantar

os dados pertinentes š maltratos na Faixa etária de O a 12 ~anos,

no ano de l98h, na Grande Florianópolis e que apresentaram inves-

gaçoes médico-jurídicas complementares. .

Para tanto confeccionou-se uma ficha protocolar que se rw

anexo. i

'

.-*__¿-vi.-r

_ Feito isto, passou~se a coletar os dados existentes, i-

nicialmente no Instituto Hédico Legal de‹Florianópolis fi.M.L.) og

encontraram~se 3180 prontuários de Exame de Lesão Corporal e 372

prontuários de Exame Cadavérico. Destes foram Fichados 69 casos

de lesão corporal e l caso de exame mortal que correspondiam aos

critérios de seleção. ' D

_

H

esta etapa, partiu-se em busca de dados complemen-

`O Os ‹f›

tares nos Distritos Policiais de Florianopolis e São José, Delega

cia de Polícia de Palhoça e ED pa. (L)C Q). ^ nf' Juizado de Menores de Floria

C\

É

nšpolis através de inquéritos policiais; _

-

Dos 70 casos encontrados foram excluídos 17 por não Foz".

necerem dados conclusivos, Oh casos pois estavam catalogados no

Juizados de Menores e por serem informações confidenciais.

(10)

Asfiim restãram M9

10

V . . . z casos cujos dados foram _consíderados

conclusívos,confirmados por f-lr 3

.QC

‹1>`

'H itos policiais, os düaís Foram

anallsados. '

\

";\'~

(11)

“:_¬1~

Analísados os h9 casos conFírmados pelo laudo do lnâ

títuto Médico Legal (I.H.L.) de Florianópolis, chegou-se aos se

RESULTADOS -

guintes,resultados, expostos a seguir: .

I~ CARACTERIZAÇÃO DA.VÍTIHA

Tabela 1: Distribuição dos casos segundo a idade

Faixa etáríà N9 H '

14

¡ Ol--'-Il; h ~~4 8 › 16 14 19 0 -32,65 28,57 30,70 <?ë~ TOTAL #9 . 100,00

(12)

Tabela 2: Distribuição dos casos segundo o sexo '

=~

w

9 ‹ ' “ '

%"

_ ` ' "'"W___ Masculino ¿¢ Feminino 2 27 55,11 ~ '11\~‹ 2 hü›89 TOTAL M9 Í” ÍÍ"1oo,oo

Fonte: idem tabela 1. d

II- CARÀCTERIZA

Tabela 3: Distribuiçšosegundo a relação com a vítima

!›\"') 3% C3 CJ CD C/I AGRESSORES Agressor _ _N9 ~ 01 /o Pai Mãe Pai e mãe Mãe e padrasto Fadrasto ouwãadrasta Pai e madrasta Vizinho ' Parente Ignorado  12 Oh 03 O5 O2 O5 C) -JT' 14 ' 2ä,ü9 a

~a,1ó

ó,12 -.-_.. ' 10,20 _4,08 10,20 8,15 28,59 TOTAL ' má f d1oo,od

Fonte: I.M.L, Distritos Policiais de Floríanópolíse

São José, Delegacias de Polícia 'de ?alhoça e

Bíguaçú, l98&.

(13)

mas

Até 25 anos .. 11 20,37 25-35 amas ~ 12 . 55 22,22 Acima de 35 anos O3 5,55 Ignorados 28 51,86- TOTAL 5Ã lO0,00

Fonte: idem tabela 3.

.‹,s

Tabela 5: Distribuição dos agressores segundo o sexo

se×o Ne 1

Masculino . 3l› 57}hl

Feminino 16 29,63

Ignorado O7 12,96

TQTAL Su .1oo,oo

Fonte: idem tabela 3; 2 -

Tabela 6: Bistribuição dos agressores segundo o grau de instrução

Grau de instrução H N9 ' % Analfabetos 4 ' O2« 3,70 19 grau incompleto ll 20,38

19 grau completo~ _ Oh 7,&O

29 grau Oh 7,kO 39 grau O2 3,70 «- ignorados 31 57,h2 TOTAL ' . Su 1oo,co

(14)

IM

-9?

Tabela 7: Distríbuíçao dos país agressores segundo o estado c1v1l

Estado~oívíl~ w~Í › `=- “' Nzr~z-» I lH-fl@r «»~%»-_._ Casados 03 Separados ° V Oh Concubinato V Q O7 À, , . . ` Ignorado QMBÇÊÉ -17 9,67 12,90 22,59 5u,su __ r_ 2 7, z z _ * TOTAL 31 100,00

Fonte: idem tabela 3.

Í*) Foram considerados os paislegftimos e adotívos

III- CAÊACTERIZAÇÃO DA ASRESSÃO

Tabela 8: Instrumento utilizado pelo agressor

Instrumento ~ M9 % 75,52 Contundente I 37' Corto-contusos 06 12,2% Calor_ 02 À,O8 Qufhíco Gl V 2,04 Ignorados C3 6,I2 TOTAL ' l+9 1000,55 '

(15)

Exposição solar O1 2,0h

\

.

Envenenamento Ol . 2,0h

r0TAL . u9 .100,00

Fonte: idem tabela 3.

Tabela 10: Frequência das lesões encontradas*

Lesão N9 % Escoríações i 22 27,18 Equimoses 21 25,93 Fraturas 21 25,93 ,-`__..- Hematomas O5 6,17 Edema O5 6,17 Queimaduras O3 3,70 Corto-contusa O2 2,46 Rotura himenal Ol 1,23 f§,_z"_,_ `_-%€__`__ ` Rotura visceral` Ol 1,23 T0TAL 81 100,00

Fonte: idem tabela 3.

(*) algumas vítimas apresentavam mais de uma

(16)

Tabela ll: Distribuição

16

dos locais das Fratu:as

Local d H i; _-. _ - `_____ . 9% _, _, - __, Craneov Tórax Membros superiores Membros inferiores ___ _z_ _zzfi¬f; Ol A,76 O2 9,52 1 ll_ ` 52,38 I O7 ' `33,3h TOTAL 21 100,00 __ _ __i.¬v

Fonte: idem tabela

Tabela 12: Motivo alegado pelos agressores

Motivo . \<1 _ 73 Educacional . Conjugal- _Negaram Ignorados O7 02 lA,29 - u,os_ O 1u,29. 07 33 A _. ó7,3h -A TOTAL 49 100,00 ~

Fonte: idem tabela

Tabela 13: Distribuição segundo o período do dia

3

Agressor Matutino Vespertino *Noturno Desconhecido

Pai .Mãe ou madrasta Vizinho › Outros 00 OO O3 O2 05 O1 ll O1 Y O1 08 G3 O0 OO O3 00 ló TOTAL . 05 12 oz _ 35 V

Fonte; idem tabela 3.

(17)

`-J_ J' i . de 6, 5¬ Ne hi Si Zi

L,_;__`_,z×-J

1* .z do ano.

Fonte: idem tabela l.

Tabela 14

Iv- CARACTERIZAÇÃO no DENUNCIANTE

: Distribuição segundo 1., . O SEXO Sexo N9 6,' _rO Masculino feminino Ignorado O7 23 l9 lü,28 h6,9& 38¿78 TofÁL M9 190,00 Fonte: id em tabela 3. P 7 ,

Y

: - - J A r - ^ Y ~~;.. ._ : _ 1 V. -V z.I J F N A H J J A S O H D Meses do ano

(18)

1

Tabela 15: Distribuição dos denuncíantes segundo a idade

e¬ <¡ f*¬ *ss f 0 ' f* *H

1

'f 0 * fásw Idade Zo ¡ _ Até 35 anos 0 .;? IM Acima de 35 anos _ Ignorados 1:» _ O3 - 32 28,57 6,12 65,31 T0T.f.\L 49 . 100,00

Fodgez idem cabela 3,

Z *ZZ ñ ` ñ í Í*

Tabela 16: Relação dos denoncíantes com a vítima

Relação N Q M _.‹z- Familiar «¿'\- «eolco » Polícia Professora Vizinho Ignorados 31 ` 63,27 O3 _ 6,12 O2 4,98 _ O2 4,08 _ O1 2,0h 13 2C,hl TOTAL' ü9' lÓ0,00 Fonte: ide m }~.¿5¿1-zé 3. * Y ___/_,,` `

>X

(19)

4

":\'‹‹

DISCUSSÃO

IS

Muitas são as denominações encontradas na literatura pg

este distúrbio: Síndrome da Criança Espancada, Síndrome do Be-'

bê Espancadâ (SIBE), Síndrome de Caffey-Kempe e Síndrome da Críag

« ›

ça daltratada. Preferiufse esta

535

ClassiFicação:

Cx )-' CT H. DJ por ser a que atinge todas

facetas deste problema de maior complexidade.

Assim tanto quanto conceitos, existem várias classificâ

ções elaboradas para este distúrbio e quase todas tornaram¬se inâ

dequadas, visto a multiplicidade dos fatores envolvidos.

- A O.H.S., na Classificação internacional das Doenças-

revisão de 1975, deste modo classificou-a:

- "Síndrome da Criança Espancada (Battered child) e ou-

tras formas CL (D . maus tratos (E 967):

l967zO/3 pelos pais

_ .

1967.1/l por outra pessoa especificada (

D U)

*Q DÓ

1967.9/7 por pessoa não ` ` `

ificada". (Oh)

Para Krynskí (17) exístíriam "quatro categorias di?e-

(20)

1

`

~

2o

~_a violência física

- o abandono físico e emocional

- o maltrato emocional propriamente dito

- o abuso sexual da criança."

_ s

Para os autores do presente trabalho poder-se-ia se-

/ ¢ úc. ~

guir a seguinte classizicaçao

-r^f¬-~_«`_.__.

'

A- Violência Física e/ou Psicológica '

B- Privação Hateríal e/ou Emocional

C- Negligência.

Por violência física entende-se todas as formas de' in-

júria š integridade lãm

violência psicolögica sería caracterizada por atitudes patogêni -

cas tomadas frente â criança, transferindo e/ou criando nesta, si

tuações conflitivas; seja por perversão sexual, rigidez na disci-

ica da criança (inclusive

A

abuso sexual). A

_ z_.~.~\ ._ ,\ _

plina, castigos excessivos, ameaças, entre outras. _

'

Privaçšo emocional seria a ausência de manifestações a-

fetivas para com a criança, ou o excesso patoldgico dessas mani-

festações; "a ssneérproteção impede a criança de participar de

uma forma normal na vida social- jogos, etc.- das crianças de sua

idade." (19). Colocou-se aqui a superproteçšo, país é Sabido ser

um mecanismo de compensação que transforma uma criança regeitad

inconscientemente, em crianças superprotegida,`privando-a de sua

liberdade. H

Privação material consistiria de ausência deliberada d-

"materia-prima" para o pleno desenvolvimento físico e mental d

criança (alimentação, educação, higiene, brinquedos, etc.).

21 0.)

a criança, pondo em risco sua integridade . ica, mental ou moral

ø"'\ IJ' }.›

. LL)

Cumpre estabelecer que atualmente estes fatores vêm as-

sociados em maior ou menor |-lo 3 Fr (D

negligência encontrar-se-ia o desleixo no trato `com

...n "“\ U)

iene, educação, assistência médica, etc.). `

(21)

'

Clínica e Diagnóstico: 'Ê

Alguns pontos relevantes devem ser colocados em

evidên-I

~ z › O .

cia para a suspeita diagnostica:

a) quando os achados clinicos fprem incompatíveis com a

história;

'

b) demora na procura de assistência médica;

c) indiferença por parte dos pais em relação ã situação

crítica da criança;

d) morte súbita; q

paz

IJ

_e) relutância dos em oferecer formações ou permitir a

investigação posterior do caso; '

V

f) queixa principal não referente as lesões encontradas;

g) criança mal vestida, sem cuidados de higiene, chegaj

do as vezes desnutrída ou desidratada (diferente da situação dos

pais ou irmãos); Q

h) criança indiferente ã separação dos pais;

i) criança que demonstre fácil apego por quem lhe dedi-

que atenção.

Feita a suspeita diagnóstica, a confirmação virá pela

anamnese detalhada, exame físico meticuloso e alguns exames com-

plementares. Chama a atenção informações contraditórias colhidas

na anamnese. Í-'ÍX icações naturais para a origem do ferimento: "a

._|

criança não pára ou se machuca com facilidade."

O médico mais atento, pode observar alegações dos pais

que imputam š criança qualidades de "má ou perversa“ (Ol}. As in-

formações de terceiros ou da própria criança (se esta fornecê-

las) adquirem especial importância. Via de regra, os dados colhi-

- dos dos agressores devem ser analisados de modo crítico, dada a

(22)

\

~ 22

possibilidade de serem inverfd` |›-› O

QD

_ No exame

servados. Õäestado ança podem revelar

S

forma de supercompensação" (O1).

As lesões de pele (contusões, escoriações, equimoses,n§

fisico os mais variados aspectos podem ser

nutricional, de hidratação e de higiene da'

ã inspeção sinais de negligência; "embora

gumas são nantidas.limpas de modo meticuloso como se`fosse

ób- cri al-

U-'Fla

matomas, cicatrizes, ueiemaduras, etc.), estão presentes em 80

a 100% dos casos (31). Dê-se especial atenção quando estes Feri-

mentos encontrarem-se em diversos (D (Í) ('|' QM

LQ

equimótico - equimoses de cores diferentes) ou em locais onde ha

3

_

¡.4.O U) de evolução

( espectro

bitualmente a criança não se machuca_(face interna das coxas, por

exemplo). '

'

O exame neurológico é imprescindível nos casos de maus

tratos, pois são comuns as lesões do Sistema Nervoso Central, não

esquecendo do exame de fundo de olho a procura de hemorragias re-

tinianas (OI). A palpação abdominal pode revelar lesões viscerais

O exame dos genitais, ãnus e região perineal,

buso sexual. O exane do sistema esqueló

¬c›o Q. fu

ri' ¡._›. O O

comprovar o a-

'pode revelar fraturas

Dos exames complementares, alguns têm importância rele-

vante e devem ser solicitados sempre que possivel. O estudo radig

lógico é essencial no rastreamento de fraturas ósseas e, pratica-

mente confirma o diagnóstico, a presença destas em distintos es-

Fl' OJ

\

(Q tu. O U) de consolidação; afastadas as causas orgânicas.

'

Deve-se ainda solicitar os Fatores da coa ula 3 ão,

la-quetograma, bioquímica do sangue e eletrólitos, sorologia para

Lues. Exames estes que junto com o Raio X são importantes no diag

"h (D |›-I

À

rfO com dis*ófb`os d ^

nóstico diferencial, que deve ser : t _ 1 a crase

(23)

ei Condutas: g

'

_ O médico, frente a um quadro de crianca maltratada de-

ve visar primariamente a proteção do menor e o tratamento deveser

orientado para os pais e-ã criança; visto que trata-se de um-dis-

túrbio na relação adulto criança, os tratamentos individuais es-

tão Fadados ao Fracasso. (Ol; 27)]

l

De início deve-se

cessário recorrer_ã justiça para tal, devido ao risco eminente de

¡-1- 3 rf (D rnar a criança, mesmo que seja ne

lesões mais graves ou mesmo de dbito. A seguir comunica-se o caso

â assistente social para que esta possa agir junto ã familia, jug

ta-se a estes . o -61o o ou mesmo o si¬uiatra -uando necessario

, ¬ 1 'U U) y.: ‹ O for. , ~ '

A comunicação às autoridades competentes (juizado de

me

nores ou delegacia de polícia) torna-se inevitável, delegando a

estas as medidas legais cabíveis. Saliente-se o papel de médicolg

gísta que fornecerá os dados complementares através do exame de

lesões corporais ou do exame mortal. 'f) %k“ ~

àQ\\¿u$~ÀHHL;__,/*_

Assim formada, esta eduipe C P! C1' isciolinar deverá

to-Pr* C1.

mar as medidas indicadas para cada caso, sendo ponderadas por to-

dos, visando sempre o bem estar do menor e manutenção da estrutu-

ra ramíliar. "Em certas intervenções os profissionais podem repe-

tir os abusos ou as negligências graves pelas quais foram chamâ

dos" (O7). Cite-se como exemplo o afastamento definitivo da criag

ça ou de um dos pais do ambiente Familiar, sem considerar os pre-

juízos š criança maltratada ou aos seus, salvo nos Casos em que

- torne-se inevitável.

}-Jo D C1'

O

.

~.;%`i

Análise dos Resultados:

(24)

1

- 2%

I- Caracterização da vítima

_ A criança maltratada tem, na maioria da s vezes, Lmenos

7de»quatro anos (11, 23,-2h,,25, 28, 31, 32), devido â impossibili

. ›

. .à

dade de Fuga ou de reação da criança nessa idade. O sexo masculi-

~ I

_

'

no š amiúde mais envolvido, nao se sabendo o porquê (23). O gru-

(C) @›a

po de risco consiste de prematuros, eos, deficiente mentais os

caçulas,_fi1hos adotivos . V ou de relação anterior, crianças com de-

feitos Físicos, (13, 34)

1

Nos quarenta e nove Casos estudados, no que concerne â

idade da vítima (Tab. 1), 19 Casos o que corresponde a 38,78% es-

tavam na faixa etária de 8 a 12 anos, 14 casos (28,57%) na Faixa

de H a 8 anos, 16 casos (32,65%) na faixa de O a ü anos. O sexo

masculino foi o mais atingido com 55,11% dos casos (Tab. 2). Quan

to aos Fatores de risco, não foram analisados por não existirem qa

dos nas fontes pesquisadas. 1

V

.

_ 'O predomínio na faixa etária de 8 a 12 anos poderia ser

explicados pelo Fato dosidados terem sido fornecidos`pelo I.H.L.,

indicando que nesta idade haveria mais denúncias. Provavelmenteos

casos, na sua maioria, são recebidos nos hospitais e passaram des

percebidos ou não Foram encaminhados â justiça.

II- Caracterização do agressor

Os agressores geralmente são os próprios familiares (O1

O6, 22, 2h, 3h), mais comumente do sexo Feminino (O1, 22, 29), e

rínci almente as mães _ O1 Q 22). Quanto š idade I a maioria tem me __

nos de 35 anos (O6, 22, 34). Um grupo de risco seriam mães soltei

ras e muito jovens, situação conjugal irregular, psicopatas, al-

coolistas, psicdticos e-doentes mentais. H

Encontrou-se SM agressores pois em 10 casos a criança

foi agredida por duas pessoas. Houve preponderância Úos familia

(25)

as crianças. Nos casos que houve possibilidade de identificar o

_- . .4

-

agressor, o pai aparece em maior número. (Tab. 3) T

w

-_-M. `

Este comportamento, considerando a faixa etária das ví-

timas (Tab. 1), os motivos alegados (Tab. 12) e pelo horáriow das

agressões (Tab. 13), poderia ser explicado pelo Fato de que na e§›

trutura Familiar vigente; cabe ao pai a responsabilidade maior na

correçao dos_filhos. '

4

A situaçao conjugal dos pais agressores revelou domínio

U7 (D Í) Q)

dos casos com instabilidade conjugal (concubinato,` ração) não

encontrou-se mãe solteira ou

ÉE Os

considerando os casos ignorados.

viúvo. (Tab. 7)

' '

Na distribuição pelo grau de instrução (Tab. 6) indicou

maior incidência nos níveis culturais mais bai×os(até oAl9 grau),

« . A - I

ignorando os casos desconhecidos. O que se sabe e que as-

agres-~

soes.ocorrem em todos os níveis sócio-culturais (O5, 27), mas nos

casos de melhor nível mais Fácil se torna mascarar tais fatos. EQ

o 29 grau, em 2 até o 39 grau

(1) cr

controu-se em h casos

A idade dos agressores (Tab. 4) mostrou maior incidência de agres

instrução

sores com idade abaixo de 35 anos, Fato confirmado pela literatu-

Iii.

III- Cargferização da Agressão

'97 pu.

OO C

"Veri -se desde a negligência até o mais grave mal-

trato: trancamento em quarto escuro; abandono familiar; horas so-

litárias em casa; surras com fio elétrico, queimaduras com cigar-

ro, água quente" (20). -

As lesões de pele são as mais comuns, seguidas das Fra-

turas dsseas, podem ser encontrados hematoma subdural, lesões de

vísceras, hemorragias de retina, intoxicação e outros.

(26)

/

.

u

r

No que tange ã mortalidade, as estimativas variam de_l%

af20%-(-01,"1l;-l6,«31):-As~fraturas~estão-iocaiizadastpreferencÉf_"**~

-almente nos ossos longos, costelas e crãneo (31). O material uti-

lizado e o modo de agressão tomam as mais variadas formas, conto;

me citado anteriormente. _

'

^ 1.

Nos #9 casos estudados, houve um (O1) óbito, o que cor-

responde a uma mortalidade de 2,08%, dado este corroborado '

pela

literatura. As possiveis sequelas não foram analisadas devido. ã

inexistência destes dados nos locais pesquisados.

As lesões de pele Foram encontradas em 100% dos casos,

sendo que as mais encontradas Foram as escoriações e equimoses

(Tab. 10), geralmente as vitimas tinham mais de um tipo de |-1 (D cn OJ!OI

As Fraturas Foram encontradas em 5 casos

( 10,20%), tendo um ca-_

so de traumatismo crânio encefálico e à casos de múltiplas fratu-

‹-cv

0):O

UI

condãvam-se com desnut_ de 39 grau. As fraturas localizaram -

ras em distintos estágios de consolida destes 2 crianças en-

'S ¡..ú.

'(3

09!O

preferencialmente nos membros, tórax e crãneo. (Tab. ll)

Quanto aos instrumentos utilizados, houve maior utiliza

ção de material contundente com 75 dos casos (Tab. 8). O modo

de agressão mais incidente foi o espancamento (Tab. 9).

un T9 a=\

Com relação ao motivo alegado houve coincidência entre

as negações da agressão e as causadas com fins educacionais, não

considerando os casos ignorados;(Tab. 12)

Ha distribuição pelos períodos do dia (Tab. 13) os pais

w OJ rfO

agridem mais no período vespertino,, este confirmado pela tai

xa etária, pelo motivo alegado e pelo próprio agente. A incidên-

cia segundo os meses do ano (Fig. 1), mostra menor ocorrência de

casos no início do ano letivo e nos meses mais Frios O f"`I U! CI' D dados

(IJ

0 .I '

u Ó . . . I Q & Q

`

isolados, nao assumem importancia epidemiologica, nao havendo

ci-`

(27)

não'tefido outro para comparação. Porém,Fica este dado ¡rešistraÃÊ

como referência para trabalhos posteriores.

¿~

IV- Caracterização do Denuncíante '

1'

. _

Apenas 5% dos casos vão ao tribunal (O1, 16). Harcovich

(23), em um estudo de 307 denúncias encontrou hO,5% delas feitas

\l U1 EQ

por vizinhos e 21 por algum familiar, o médico participou em

3

penas 1,9% delas.

H

Dos 49 denunciantes, 31 Foram os Familiares, o que co;

responde a 63,27% dos casos, os vizinhos aparecem em 2,04%, o mé-

dico e proFessor contribuíram com h,O8% cada um. ~

Entre os denunciantes o sexo feminino prevaleceu, o que

parece indicar que o homem aceita mais o direito de corrigir os

filhos através da violência. Predominou a faixa etária menor de

(28)

~

É

._. “;¬ I Óoâúcrusørs _ w Hs

1- A melhor denominação para este distúrdio š tndrome da

Criâflça Waltratada e o conceito mais correto deve abranger não sd

a

gressões físicas, como também a privação emocional ou material e a

negligência. i

2~ Os instrumentos e o modo utilizados são os nais varia-

dos, assim as manifesta ões deste distúrbio a Presentam~se sob diver

_

sas formas. `

V

3- O problema existe em proporções bastante superiores as

conhecidas, ocorre em todos os níveis sócio-econ6mico~culturais, e

Ga @aioríe:dosgpaíses.

A faixa etária de naior incidência está abaixo de if

v I . I . .

p

anos, e a que apresenta maior nunero de denuncias ” acima de J

Ê

WUM (Us

n Q .:~ 'I' Í ' 'Q' 7 'C'

ÚOS¢ U SVXÓ ÚJSCU lÚO e O m3lS cÚVO¿Vl10z

SF Os agressores geralmente estão abaixo de LU U1 anos, e ea

sua maioria são as próprias mães. Os país respondem en maior porcen

:Il W\

tegem pelos casos de agressão com Fins educacionais; grande ten-

dência dos agressores em negar a autoria do fato.

.~

(29)

ce.

V 7- As lesões mais comuns são benignas, porém o risco de

lesoes graves ou mesmo öbito é elevado. As fraturas localizam- se

.preferencialmente nos ossos longos, costelas e crâneo.

8- A tendência do médico em acreditar piamente nas declg

raçoes dos pais ou responsáveis, leva na maioria das vezes a mascg

rar o diagnóstico.”

9~ Os profissionais da área médica, em geral, pouco co-

nhecem a cerca do problema, e não estão preparados para conduzf-lo

corretamente. Devido ao tato de ínexistirem quaisquer ínformaçõesa

respeito desta síndrome nas escolas médicas.

10- Os hospitais não dispõe de dados para levantamentos

Ê

pidemiolõgicos, bem como muitos casos estão catalogados sob outras

designações. '

(30)

~

l

ANEXO

DA VÍTIMA ~

Nome Idade _ Se×o___ Cor_ _ Procedência _ _ _' _

Escolaridade _ d * Ordem de nascimento Observações_ _ _ ____ _ ' _ Endereço_ _ _ _ _ _ - DO AGÊESSOš'*

Relação com a vítima __ Idade Sexo O .

_

_

_ . C r

Escolarídade_ _'_ _ ___ __ ___ Estado cívil_ _ ___ _

M9 de Filhos Profissão -_ V Hábitos Doença mental___ _ __ . __ ___

~

Observaç6es_ _ _ r¬13 D. (D 1 (I) 'OO DA AâRESSÃO

Data Hora J). terial usado

Modo de agressão' _ » ` _ Éotivo aleg3dQ__ _ _ _ _ __ _ DA DENÚNCIA ' . f Home ` . Sexo Profissão __ _ _ _ ___ Idade

Esco1aridade_ _ _ _» _Relação-com a vítima

H

Cbservações_ __ Endereço _

(31)

4

1

BISLIOSRAFIA

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1

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1-» \0 CD U1O Cap. Q, p. 25-39.

(32)

32

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juno, 1972. .

' ' c '.

A l

_

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Ç' ¡OI! {` '

G `..

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A

- V _ z

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1985. Cap. 13, p. 105-113.

(33)

-p.O7. Onde p.O9. Onde xo? p.19. Onde p.20. Onde ERRATÀ . \

se lê: "se educados"; leia-se "ser educadosf.

se le: "que se ànexo"; leia-se "que se encontra em

ane-

se lei "Bebê espancada"; leia-se"Bebë espancado".

se lë: "atualmente estes fatores"; leia-se "habitualmeg

te estes fatores". - V _ p.2l. Onde tificar". p.22. Onde p.24.-Onde p.26. Onde p.28. Onde acima de 8

se lë: "avaliar e investígar"; leiaêse "avaliar e quan-

se le: "inverídicas"; leíaLse "inverídicos".

se lê: "deficiente menta1"j leia-se "deficientes mentaist

se le: "encontavam~se"; leia-se'encontravam-se".

se le: " a que apresenta maior número de denúncias está

anos"; leia-ae " parece que.há mais denúncias nos casos

com crianças maiores". '

(34)

p.O7.»Onde p.O9. Onde xo? p.l9. Onde p.20. Onde te estes fatores". wQ *ERRATA V \

se le: "se educados"; leia-se "ser educadosf.

se le: "que se anexo"; leia-se "que se encontra em

ane-

se le: "Bebê espancada"; leia-se"Bebë espancado".

se lë: "atualmente estes fatores"; leia-se "habitualmeg

p.21. Onde se lê: "avaliar e investigar"; leiaese "avaliar e quan-

tificar"; p.22. Onde p.24.^Onde pJ26. Onde p.28. Onde acima de 8 se lê: se le: se le: se le: anos";

"ínverídicas"; leia-se "ínverídícos".

"deficiente menta1"; leia-se "deficientes mentaisi "encontavam-se"; leia-se'encontravam-se".

" .

, 1 r _ ø

a que apresenta malor numero de denunclas esta

leia-se " parece que mais denúncias nos casos

com crianças maiores". u

(35)

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(38)

i TCC UFSC PE 0244 Ex.l -v. Y I N-Cilfiflb TCC UFSCPE 0244

Autor: Casas, Carlos Edua

Título: Síndrome d_a Criança Maltratada

972810363 AC. 253874

Referências

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