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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar – Vila Real

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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

ESCOLA DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIAS

Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas

de Edifícios de Habitação Unifamiliar - Vila Real

Ricardo Nuno Azevedo Ribeiro

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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

ESCOLA DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIAS

Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas

de Edifícios de Habitação Unifamiliar – Vila Real

RICARDO NUNO AZEVEDO RIBEIRO

Orientadores

Professora Anabela Gonçalves Correia de Paiva Professor Jorge Tiago Queirós da Silva Pinto

Dissertação apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para a obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Civil

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i

Agradecimentos

À Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, pelo enquadramento institucional, científico e logístico que me proporcionou.

Aos meus orientadores – Prof.ª Anabela Paiva e Prof.º Jorge Tiago Pinto – pelo acompanhamento, estímulo, orientação ao longo de todo o desenvolvimento deste trabalho e pela oportunidade de aprendizagem, e crescimento académico, profissional e pessoal.

Aos meus amigos pelo apoio e pela amizade sempre presente.

A todos os colegas de trabalho que sempre se disponibilizaram e estiveram presentes quando foi necessário.

Aos funcionários da Câmara Municipal de Vila Real que me facultaram os projectos e sempre se disponibilizaram a ajudar.

Aos meus amigos pelo apoio e disponibilidade demonstradas. À minha família pelo apoio constante.

À minha irmã pela ajuda que me proporcionou e pelo constante apoio. À minha mãe pelo apoio e incentivo constante.

Ao meu pai pela disponibilidade demonstrada e ajuda constante.

Ana, sempre tão perto, por todo o apoio e esforços possíveis e impossíveis durante este longo período de tempo, o amor e apoio que sempre me deste.

A ti, que partiste, e tanto me deste. A todos o meu muito sincero obrigado.

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ii

Resumo

A melhoria da qualidade dos edifícios de habitação tem vindo a adquirir um papel cada vez mais importante na sociedade, tornando-se uma maior preocupação por parte dos utilizadores.

A falta de qualidade nos edifícios de habitação é associada à má elaboração da fase de projecto, visto esta ser a fase considerada como a base das deficiências e patologias que aparecem neste tipo de edifícios. Uma insuficiente qualidade no projecto levará a uma fraca qualidade do edifício.

Por estas razões é importante que exista um maior empenho no que diz respeito à melhoria da qualidade dos projectos, de modo a corrigir as deficiências que possam surgir. A fase de projecto é determinante para a obtenção da qualidade do edifício, logo marcante para a vida de quem o habita.

Este trabalho foi desenvolvido com o intuito de contribuir para a melhoria da qualidade do projecto de estruturas de edifícios de habitação unifamiliar. Este projecto de especialidade, mesmo possuindo grande importância, não tem nenhum sistema de controlo.

Para atingir este objectivo foi necessário analisar e reunir informação suficiente, para que, seja possível a criação de uma lista de aspectos a avaliar, que contribua para a melhoria dos projectos de estruturas. Para a elaboração desta lista procurou-se primeiro enumerar a principal regulamentação a aplicar num projecto de estruturas de edifícios de habitação de betão armado. Foram também analisados trabalhos que comprovam a importância destes projectos, em que se apontam os seus erros, bem como as suas eventuais causas.

Reunida a informação obtida, foram definidos os Grupos para analisar projectos de estruturas de habitações unifamiliares e organizados numa ficha.Com base nesta ficha foram analisados 100 projectos de estruturas licenciados no Município de Vila Real. Através da análise dos resultados foi elaborada uma proposta de aspectos a avaliar, nomeadamente nas peças desenhadas, escritas e nos programas de cálculo automático. Pretende-se com este trabalho dar uma contribuição para a melhoria da qualidade dos projectos dos projectos de estruturas de edifícios de habitação unifamiliar.

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iv

Abstract

The improvement of the quality of dwellings has been acquiring an increasing role in society, becoming a major concern of the users.

The lack of quality in residential buildings is associated to the poor development of the design phase. This phase is considered the basis of the deficiencies and pathologies that appear in this type of buildings. An insufficient quality of the design will lead to a poor quality of the building.

Due to these reasons it is important to have a bigger pledge in what concerns the improvement of the quality of designs in order to correct the deficiencies that may arise. The design phase is crucial to achieve quality for the building and very important for their inhabitants.

This work was developed with the aim of contributing to the improvement of the structural design of single family dwellings. This design despite its significant importance, don‟t have any system of control.

To achive this aim was necessary to investigate and gather information, in order to create a list of aspects which contribute for improving the structural design. To produce this list the main structural regulations of reinforced concrete buildings was reviewed. The gathered information was analised and the Groups to analise the structural designs were organized in the form of a check-list. Using this check-list 100 structural designs of the region of Vila Real, were analised.

When all necessary information was reviewed, the parameters were organized into a review list, which intends to be a contribution of the improvement of the final preparation of the design of structures.

Through the analysis of the results obtained, a proposal with the aspects to be evoluted, mainly, in the drawing and written pieces and in automatic calculation programs in a future method to evaluate the quality of the structural design of dwellings.

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vi

Índice Geral

Agradecimentos……….……...i Resumo………...….….ii Abstract……….………...iv Índice………...………….vi Índice de Tabelas……….…..……ix Índice de Figuras……….…………x CAPÍTULO 1 - Introdução………..1 1.1. Enquadramento……….………3 1.2. Objectivos da dissertação………3 1.3. Organização da dissertação………...4

CAPÍTULO 2 - Projecto de um Edifício de Habitação………...7

2.1.Introdução………9

2.2. Considerações Gerais………..……9

2.3. Constituição de um Projecto………..…...10

2.4. Elementos do Projecto de Estruturas………..……12

2.5. Importância do Projecto de Estruturas……….……….……..13

2.6. Conclusões……….……….13

CAPÍTULO 3 – Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na Qualidade de um Edifício de Habitação………..…….…15

3.1. Introdução………..………..17

3.2. Qualidade……….………17

3.3. Factores de Garantia de Qualidade……….……19

3.4. Deficiências Estruturais………..……...21

3.5. Controlo da Qualidade ………..23

3.6. Principal Regulamentação para a elaboração do projecto de estruturas de Betão Armado……….………24

3.7. Influência do Projecto de Estruturas na Qualidade dos Edifícios de Habitação……….25

3.8. Principais erros dos projectos………..27

3.9. Conclusões……….…….29

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar……….…...31

4.1. Introdução………33

4.2. Ficha de análise……….33

4.3. Grupo 1 – Apresentação………35

(10)

vii

Índice Geral

4.3.2. Subgrupo 1.2. – Conformidade………..…….37

4.3.3. Subgrupo 1.3. – Autenticidade do Projecto………..……...….…37

4.3.4. Subgrupo 1.4. – Conteúdo……….……...……..37

4.3.5. Subgrupo 1.5. – Informação Geotécnica………...….……..37

4.3.6. Subgrupo 1.6. – Revisão do Projecto………...……38

4.4. Grupo 2 – Memória Descritiva e Justificativa……….….….….……38

4.4.1. Subgrupo 2.1. – Introdução………39

4.4.2. Subgrupo 2.2. – Solução Estrutural Adoptada………...…...39

4.4.3. Subgrupo 2.3. – Materiais………..….39

4.4.4. Subgrupo 2.4. – Acções………..39

4.4.5. Subgrupo 2.5. – Combinações de Acções………...39

4.4.6. Subgrupo 2.6. – Método de Cálculo………..40

4.4.7. Subgrupo 2.7. – Método de Dimensionamento………..………….40

4.4.8. Subgrupo 2.8. Omissões……….40

4.4.9. Subgrupo 2.9. Regulamentação e Bibliografia………..……..40

4.5. Grupo 3 – Cálculos Justificativos……….………41

4.5.1. Subgrupo 3.1. – Descrição dos Modelos de Cálculo……….….41

4.5.2. Subgrupo 3.2. – Análise Sísmica……….………….….41

4.5.3. Subgrupo 3.3. – Estados limites Últimos e de Utilização….………..42

4.5.4. Subgrupo 3.4. – Orçamento………..…..……...42

4.5.5. Subgrupo 3.5. – Dados para Cálculo………..………..42

4.6. Grupo 4 – Peças Desenhadas……….………43

4.6.1. Subgrupo 4.1. – Legendagem………..……..44

4.6.2. Subgrupo 4.2. – Orientação………..……..44

4.6.3. Subgrupo 4.3. – Planta de Fundações……….…….44

4.6.4. Subgrupo 4.4. – Plantas Estruturais……….…….45

4.6.5. Subgrupo 4.5. – Desenhos de Pormenor de Betão………45

4.7. Conclusões……….….45

CAPÍTULO 5 – Resultados da Análise dos Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar………...……..………..47 5.1. Introdução………..……….49 5.2. Análise do Grupo 1……….…………..49 5.3. Análise do Grupo 2……….…………..51 5.4. Análise do Grupo 3……….…………..53 5.5. Análise do Grupo 4……….…………..54 5.6. Conclusões……….…………56

(11)

viii

Índice Geral

CAPÍTULO 6 – Aspectos a avaliar em Projectos de Estruturas de Edifícios de

Habitação Unifamiliar………..….59

6.1. Introdução……….…….61

6.2. Aspectos a avaliar………....61

6.3. Grupo1 – Peças Escritas……….……63

6.3.1. Subgrupo 1.1. – Identificação……….……64

6.3.2. Subgrupo 1.2. – Memória Descritiva e Justificativa………..…..64

6.3.3. Subgrupo 1.3. – Cálculos Justificativos………....65

6.4. Grupo 2 – Peças Desenhadas………66

6.4.1. Subgrupo 2.1. - Legenda……….67

6.4.2. Subgrupo 2.2. - Apresentação………68

6.4.3. Subgrupo 2.3. - Planta de Fundações………...68

6.4.4. Subgrupo 2.4. - Plantas Estruturais………...68

6.4.5. Subgrupo 2.5. – Desenhos de Pormenor de Betão Armado…………...69

6.5. Grupo 3 – programas de Cálculo Automático………..69

6.5.1. Subgrupo 3.1. – Apresentação………...70

6.5.2. Subgrupo 3.2. – Manual de Utilização……….….71

6.6. Conclusões……….71

CAPÍTULO 7 – Conclusões e Trabalho Futuro………73

7.1. Conclusões……….….75

7.2. Trabalho Futuro………...76

Referências Bibliográficas………...78

ANEXOS: ………..………85

ANEXO 1 – Ficha de Análise dos projectos de Estruturas em Vila Real..…………86

ANEXO 2 - Aspectos a avaliar em Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar……….90

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ix

Índice de Tabelas

Tabela 1 – Anomalias e causas mais frequentes associadas às Estruturas de

Edifícios………..22

Tabela 2 – Causas de patologias em diversos países europeus………..26

Tabela 3 – Causas de patologias Bureau Veritas………26

Tabela 4 – Ficha de análise das peças escritas………..34

Tabela 5 – Ficha de análise das peças desenhadas………..35

Tabela 6 – Subgrupos do Grupo 1……….………36

Tabela 7 – Subgrupos do Grupo 2……….38

Tabela 8 – Subgrupos do Grupo 3……….………41

Tabela 9 - Subgrupos do Grupo 4………..………43

Tabela 10 – Lista final para análise de projectos de estruturas……..………..62

Tabela 11 – Lista para análise das peças escritas……….……….63

Tabela 12 – Lista para análise das peças desenhadas………..………67

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x

Índice de Figuras

Figura 1 – Fases de execução de um projecto………10

Figura 2 – Incidência dos diferentes tipos de erro de projecto………..27

Figura 3 – Resultados do cumprimento dos Subgrupos do Grupo 1………50

Figura 4 - Resultados do cumprimento do Grupo 1………51

Figura 5 – Resultados do cumprimento dos Subgrupos do Grupo 2………52

Figura 6 - Resultados do cumprimento do Grupo 2………52

Figura 7 – Resultados do cumprimento dos Subgrupos do Grupo 3………...53

Figura 8 - Resultados do cumprimento do Grupo 3………54

Figura 9 – Resultados do cumprimento dos Subgrupos do Grupo 4………55

Figura 10 – Resultados do cumprimento do Grupo 4……….56

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 3 - Vila Real

CAPÍTULO 1 - Introdução

1.1.

Enquadramento

O aumento das exigências de qualidade de vida na sociedade actual influencia, de modo significativo, a necessidade de melhorar a qualidade dos edifícios de habitação oferecidos ao consumidor.

Nos últimos anos tem-se assistido a um incremento dos métodos de controlo e certificação, que visam a qualidade das construções na fase de execução [38].

Normalmente são tomadas medidas com vista ao controlo da qualidade de execução dos trabalhos e à certificação dos materiais de construção. O mesmo não se tem passado a nível de projecto, ainda que seja legitimo afirmar que a qualidade dos empreendimentos passa, em primeiro lugar, pela qualidade dos projectos. Apesar da importância que o projecto tem para a construção de edifícios, este é visto muitas vezes como o mero cumprimento de uma formalidade legal para obtenção da licença de construção e, poucas vezes, como um instrumento importante de formulação da solução. As repercussões da poupança inicial por parte de um promotor de edifícios são invariavelmente transferidas para o utilizador final na forma de patologias construtivas, reparações onerosas e desvalorização mais rápida do empreendimento. Deve ser dada ao projecto uma importância muito maior do que a que ele recebe hoje, pois a partir dele pode obter-se uma economia significativa na obra.

A dissertação apresentada foca o controlo da qualidade aplicado na fase de projecto, visto que este constitui uma peça fundamental, senão a mais importante, no processo de melhoria da qualidade dos edifícios.

1.2.

Objectivos da Dissertação

O principal objectivo desta dissertação consiste na definição dos aspectos a avaliar no projecto de estruturas tendo em vista o desenvolvimento futuro de um método de avaliação da qualidade de projectos de edifícios de habitação, no que respeita ao aspecto estrutural.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 4 - Vila Real

CAPÍTULO 1 - Introdução

Pretende-se ainda contribuir para a melhoria da qualidade dos edifícios de habitação, nomeadamente através da melhoria dos respectivos projectos estruturais.

1.3.

Organização da Dissertação

A presente dissertação está organizada em sete capítulos:

─ Capítulo 1 – Introdução

É apresentado o enquadramento do trabalho e os respectivos objectivos, bem como a sua organização.

─ Capítulo 2 – Projecto de um Edifício de Habitação

Neste capítulo são descritas as diferentes fases de execução do projecto de um edifício de habitação, mostrando onde se enquadra o projecto de estruturas. São também apresentados os elementos deste projecto de especialidade e mencionada a sua importância.

─ Capítulo 3 – Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação devido ao Projecto de

Estruturas

Neste capítulo define-se qualidade e descreve-se o seu controlo. São apresentados alguns factores de garantia de qualidade. São apresentados alguns estudos onde são descritas as anomalias e patologias com as respectivas causas mais frequentes, bem como as respectivas causas, em edifícios de habitação. É também enumerada a principal regulamentação utilizada neste projecto, e são definidos os principais erros dos projectos.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 5 - Vila Real

CAPÍTULO 1 - Introdução

─ Capítulo 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de

Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

É apresentada a ficha que foi desenvolvida neste trabalho de investigação para a análise de projectos de estruturas dos edifícios de habitação unifamiliar licenciados na Câmara Municipal de Vila Real. Ainda neste capítulo apresenta-se a constituição da ficha de análise.

─ Capítulo 5 – Resultados da Análise de Projectos de Estruturas de

Edifícios de Habitação Unifamiliar

São apresentados e analisados os resultados obtidos após a consulta e análise dos projectos de estruturas de edifícios de habitação unifamiliar licenciados na Câmara Municipal de Vila Real.

─ Capítulo 6 – Aspectos a avaliar em Projectos de Estruturas de

Edifícios de Habitação Unifamiliar

Neste capítulo são definidos os aspectos a avaliar num futuro método de avaliação da qualidade de edifício de habitação unifamiliar.

─ Capítulo 7 – Conclusões e Trabalho Futuro

Por fim, no capítulo 7 são apresentadas as conclusões gerais e sugerem-se ainda perspectivas de trabalho futuro.

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(21)
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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 9 - Vila Real

CAPÍTULO 2 – Projecto de um Edifício de Habitação

2.1.

Introdução

Neste capítulo são apresentadas algumas considerações gerais sobre o projecto de um edifício de habitação e como se caracteriza. São também identificadas e descritas as diferentes fases de execução de um projecto.

Por fim apresentam-se as partes em que se divide o projecto de estruturas de um edifício de habitação e refere-se a importância deste tipo de projecto.

2.2.

Considerações Gerais

Não é fácil encontrar uma definição perfeita e inequívoca de projecto. [33]

Um projecto pode ser definido como sendo uma organização criada especificamente para cumprimento de um objectivo e dissolvida após a sua conclusão [34]. Caracteriza-se por ser temporária, ter um início e um fim bem definidos e obedecer a um plano e a um tipo específico de gestão: a gestão de projectos.

A duração do projecto é finita. Este termina sempre que os objectivos forem alcançados, ou quando é claro que já não se conseguem alcançar os objectivos, ou mesmo quando já não existe necessidade para o projecto existir.

O que se deseja nos projectos é a produção de algo que ainda não tenha sido feito, ou seja, único. Contudo, um projecto ou um serviço podem ser únicos mesmo que o tipo de projecto seja vulgar e que haja uma repetição de elementos.

Luís Pinto [1] considera o projecto como o conjunto de elementos que caracterizam um objecto para efeitos da sua apreciação ou fabrico. No caso da engenharia de estruturas, merecem referência especial os elementos que se relacionam com a concepção, o cálculo das estruturas e as especificações de materiais e de processos construtivos.

Um edifício de habitação não será construído sem o recurso a um projecto, com maior ou menor detalhe, onde as diversas partes constituintes estejam descritas e se encontrem especificadas todas as informações sobre o seu modo de construção.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 10 - Vila Real

CAPÍTULO 2 – Projecto de um Edifício de Habitação

Um projecto pode ser definido de várias formas. Segundo Clough e Sears [35] o projecto é um empreendimento que se destaca por:

Ser único;

Ter uma data de início e fim bem definidos; Ser executado por pessoas;

Respeitar os parâmetros de prazo, custo e qualidade; Ser constrangido por recursos limitados.

2.3.

Constituição de um Projecto

Segundo Mark Brown [2], as fases de execução de um projecto são as seguintes: Início; Especificação; Concepção; Construção; Implementação; Operação e Revisão.

Estas fases apresentam-se, de forma esquemática na Figura 1.

Figura 1 – Fases de execução de um projecto de acordo com Mark Brown [2]

CONCEPÇÃO INÍCIO ESPECIFICAÇÃO CONSTRUÇÃO OPERAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO REVISÃO

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 11 - Vila Real

CAPÍTULO 2 – Projecto de um Edifício de Habitação

Em seguida são apresentadas as definições destas fases [2]: Início:

É considerada a etapa mais importante de qualquer projecto. Se um projecto não começa bem, poucas hipóteses terá de ser bem sucedido. Consiste na definição dos objectivos e as grandes linhas em que se irá desenvolver e conseguir a sua aprovação. Envolve geralmente estudos de mercado, estudos técnicos e financeiros, selecção de recursos (materiais e humanos). A forma como é conseguido o início do projecto vai determinar toda a sua evolução

Especificação:

Nesta etapa definem-se detalhadamente as condições do projecto. Agendam-se todas as tarefas e estabelecem-se as respectivas interligações de forma a conseguir alcançar os objectivos estabelecidos, tendo em consideração o orçamento disponível e o tempo previsto. É indicado pelo utilizador final tudo o que pretende, mas torna-se importante salientar que nesta fase apenas se especifica o que se pretende e não como se consegue alcançar o resultado pretendido.

Concepção:

Nesta etapa as ideias adquirem forma, sendo elaboradas por especialistas. Os diversos técnicos descobrem a solução do problema em questão. Elabora-se o esboço do produto final com a ajuda do utilizador.

Construção:

O esboço deixa de ser apenas uma ideia e transforma-se no produto final. Implementação:

O produto concebido na etapa anterior está prestes a funcionar. Nesta fase existe mais um processo de aprovação.

Operação:

É elaborado o relatório final onde se especificam as despesas do projecto. Confirmando-se o funcionamento do produto, então o projecto está concluído.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 12 - Vila Real

CAPÍTULO 2 – Projecto de um Edifício de Habitação

De acordo com a proposta da portaria 73/73 [3], os projectos de especialidade envolvidos num projecto de licenciamento de edifícios de habitação, são os seguintes:

Arquitectura;

Fundações, contenções e estruturas;

Verificação regulamentar das características de comportamento térmico e elaboração de detalhes construtivos;

Verificação regulamentar dos sistemas energéticos e de climatização de edifícios;

Condicionamento Acústico; Segurança Integrada;

Redes prediais de abastecimento de água;

Redes prediais de drenagem de águas pluviais e residuais; Instalações eléctricas e telecomunicações;

Domótica e redes estruturadas;

Avac (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado)

Instalações e equipamentos de transporte de pessoas e mercadorias; Redes de gás;

Espaços exteriores;

Arruamentos nos espaços exteriores.

2.4.

Elementos do Projecto de Estruturas

Um projecto de estruturas de um edifício de habitação, de uma maneira geral, é constituído por dois tipos de elementos:

Peças escritas (memória descritiva e justificativa e, cálculos justificativos); Peças desenhadas.

Estas partes encontram-se, ao longo desta dissertação, identificadas e descritas de modo a ajudar à sua interpretação e a promover o estudo da qualidade dos projectos de estruturas de edifícios de habitação.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 13 - Vila Real

CAPÍTULO 2 – Projecto de um Edifício de Habitação

2.5.

Importância do Projecto de Estruturas

Este trabalho foi elaborado com o intuito de encontrar uma metodologia que contribua para a avaliação da qualidade de projectos de estruturas e, ao longo dos 7 capítulos que constituem esta dissertação houve a preocupação de indicar a relevância de um projecto de estruturas na qualidade final de um edifício de habitação.

A elaboração do projecto de estruturas é uma fase importantíssima, dentro de todas as fases inerentes à construção de um empreendimento, no processo de garantia da qualidade desse mesmo empreendimento.

2.6.

Conclusões

As diversas fases de execução foram descritas neste capítulo desde o seu início até ao relatório final que se insere na fase designada de operação.

O projecto de estruturas, que se divide em peças desenhadas e peças escritas, é fundamental para a qualidade final de um edifício de habitação. Nos capítulos seguintes esta verificação é fundamentada, em parte através da análise de alguns estudos desenvolvidos nesta área.

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CAPÍTULO 3 – Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 17 - Vila Real

CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

3.1.

Introdução

Neste capítulo pretende-se demonstrar a influência de um projecto de estruturas na qualidade final de um projecto de um edifício de habitação.

São tecidas considerações gerais sobre a qualidade, factores de garantia de qualidade, controlo de qualidade e enumera-se a principal regulamentação a ter em consideração na elaboração de um projecto de estruturas.

São caracterizadas as anomalias e respectivas causas mais frequentes associadas às estruturas de edifícios.

Apresentam-se estudos que indicam a influência do projecto no desempenho final de um edifício e, em seguida, enumeram-se os principais erros cometidos na fase de projecto, em especial, na fase do projecto de estruturas.

3.2.

Qualidade

Qualidade pode ser definida como sendo um atributo de natureza condicional e por vezes subjectiva, sendo não só o valor agregado à harmonia, à perfeição ou à ausência de defeitos, mas sobretudo, uma conformidade com requisitos ou com um uso especificado [1]. É um conceito que, na questão em análise, não tem significado quando dissociado de exigências ou de uma finalidade.

Qualidade pode ser definida como [5]: Grau de excelência;

Adequação para o uso pretendido.

Em termos de uma habitação, qualidade como grau de excelência significaria, que uma habitação de qualidade muito elevada teria que ser um palácio ou uma mansão. Para as entidades intervenientes no processo de construção esta noção não é a mais adequada para definir qualidade mas sim a definição de adequação para o uso pretendido. Neste caso pode ser concebida uma construção de qualidade, sem implicar um custo muito elevado.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 18 - Vila Real

CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

Existem outras definições de qualidade. De acordo com a norma NP EN ISO9000 [6], “Qualidade é o grau de satisfação de requisitos dado por um conjunto de características intrínsecas.”

Também é importante referir as definições de Merna [8]e Arnold [9]:

“Qualidade é a habilidade de ir ao encontro das expectativas, necessidades e requisitos do mercado e do cliente”;

“Qualidade significa adequação para o uso pretendido”;

“Qualidade é a totalidade das características de um produto ou serviço que influenciam a sua capacidade de satisfazer determinadas necessidades”; “Qualidade é o resultado de todos os atributos e características, incluindo o desempenho de um item ou produto”;

“Qualidade de um produto ou serviço é o resultado global das suas características, incluindo as de marketing, de engenharia, de manufactura e de manutenção, através das quais o produto ou serviço vai de encontro às expectativas do consumidor”.

A qualidade de um produto pode ser considerada como a capacidade de atender a determinadas necessidades nas condições de uso previstas, devendo satisfazer as condições de segurança, conforto, funcionalidade, durabilidade e economia, entre outras.

A qualidade do projecto de estruturas está vinculada à sua capacidade de traduzir as exigências dos utilizadores e os requisitos impostos pelos regulamentos, permitindo consequentemente que as estruturas cumpram satisfatoriamente os seus objectivos [43].

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 19 - Vila Real

CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

Relativamente à qualidade de um projecto estrutural, devem distinguir-se claramente três aspectos diferentes [41]:

A qualidade da solução adoptada (aspectos funcionais e técnicos, estética, custos, prazo de execução requerido, etc.);

A qualidade da descrição da solução (desenhos, especificações); A qualidade da justificação da solução (cálculos, explicações).

3.3.

Factores de Garantia de Qualidade

A garantia da qualidade é o conjunto das acções programadas e sistematizadas necessárias para proporcionar a confiança apropriada ao utilizador [10]

O Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros [39] formulou um conjunto de recomendações de modo a contribuírem para a melhoria da qualidade da construção. A primeira é a Ética, visto grande percentagem das causas de projectos deficientes terem por base o não cumprimento da Deontologia Profissional [24]. A segunda recomendação diz respeito à Qualificação Profissional pois a formação académica e a experiência profissional de todos os intervenientes na realização de um projecto de estruturas são factores fundamentais para a garantia da qualidade. Em seguida seguem-se as Ferramentas Informáticas, onde, a utilização intensiva e sem critério dos programas de cálculo automático disponíveis no mercado tem-se revelado uma das principais causas de projectos deficientes, com consequências importantes nas condições de segurança e de utilização das construções. A última recomendação designa-se por Controlo e Garantias encontrando-se dividida em três pontos. A Revisão do Projecto é o primeiro e constitui uma actividade fundamental do controlo de qualidade e deve ser exercida, no estrito cumprimento da deontologia profissional [37], com um nível associado a uma classe de risco e por técnicos independentes e experientes. O segundo é a implementação de um Seguro de Projecto que pode permitir que os utilizadores dos edifícios de habitação tenham uma forma de garantir a qualidade a que têm direito, possuindo assim, um mecanismo legal para actuarem em situação de anomalia. No último ponto desta recomendação surge a criação de um Sistema Integrado de Certificação da Construção [36].

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 20 - Vila Real

CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

Pode-se ainda destacar as recomendações criadas especificamente para o projecto de estruturas pelo Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros. Encontram-se divididas em dois pontos. O primeiro consiste na organização do projecto e da respectiva equipa, que deve cumprir as seguintes condições:

Constituição completa e correcta das peças do projecto (escritas e desenhadas) correspondentes a cada fase do projecto;

Elaboração adequada da “Memória descritiva e justificativa” do projecto, de modo a permitir uma clara identificação e verificação dos dados e das soluções do projecto, muito em particular, dos modelos e das acções adoptados no cálculo automático;

Direcção, enquadramento e coordenação das equipas de projecto, constituídas em função das especifidades da construção;

Valorização da acção do Coordenador do projecto;

Implementação de um sistema, mesmo que expedito, de verificação das peças de projecto antes da sua submissão e posterior avaliação da sua conformidade e suficiência para efeitos construtivos;

Elaboração de especificações e de peças desenhadas relativas às condições de execução;

Especificação e eventual pormenorização de elementos não estruturais.

O segundo ponto designa-se graduação dos actos de engenharia de estruturas, onde, em função dos graus de exigência e de complexidade, e com o objectivo do seu exercício ser limitado a profissionais com a necessária qualificação, deve ser efectuada uma graduação dos actos de engenharia de estruturas [36].

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 21 - Vila Real

CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

3.4.

Deficiências Estruturais

É comum associar a falta de qualidade dos edifícios de habitação ao aparecimento de patologias. Estas anomalias irão provocar uma deterioração progressiva dos edifícios o que, afectará o seu funcionamento impedindo-os de desempenhar as funções para que foram concebidos.

A manifestação destas patologias afectará, a vida útil das estruturas, conduzindo à limitação da sua utilização, a encargos adicionais na sua reparação ou, no caso mais extremo, ao colapso da estrutura.

Vítor Silva e Iolanda Soares [38] após realizarem várias inspecções a casos reais de edifícios, identificaram os tipos de anomalias e respectivas causas mais frequentes e que se apresentam na Tabela1.

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CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

Tabela 1 – Anomalias e causas mais frequentes associadas às Estruturas de Edifícios [38]

Tipo de anomalia Causas associadas

Corrosão das armaduras dos elementos de betão

armado

Recobrimento das armaduras insuficiente.

Omissão no projecto das condições de exposição ambiental e das medidas particulares de protecção, assim como, da composição do betão.

Fendilhação

Assentamento das fundações devido a insuficiente informação geotécnica e/ou de utilização do edifício. Má concepção face às principais acções.

Modelos incorrectos de análise ou de dimensionamento. Fendilhação nas fachadas devida ao deficiente tratamento das pontes térmicas.

Condensação

Má concepção, originando deficiente ventilação das habitações e variações térmicas significativas.

Infiltrações de humidade Deficiente pormenorização das ligações e remates das telas de impermeabilização.

Má concepção (pendentes insuficientes, pormenores construtivos mal concebidos, etc.).

Deficiente isolamento dos elementos construtivos, ao nível das caves, em relação ao terreno.

Deformações excessivas dos elementos

estruturais

Assentamento das fundações devido a insuficiente informação geotécnica e/ou utilização do edifício.

Má concepção face às principais acções. Quantificação inadequada das acções.

Modelos incorrectos de análise ou de dimensionamento.

Segregação do betão Mau dimensionamento, excesso de armadura.

Entupimento dos esgotos

Dimensionamento inadequado das tubagens.

Deficiente concepção das caixas de recepção de esgotos e das cotas de entrada e saída, contribuindo para deficientes condições de drenagem.

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CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

É mais usual estas anomalias só se manifestarem após a estrutura já ter alguns anos de utilização, o que depende da qualidade inicial da estrutura. Elas podem ocorrer de forma isolada, em simultâneo ou mesmo de forma sucessiva.

3.5.

Controlo de Qualidade

Sendo um conjunto de técnicas operacionais, o controlo de qualidade consiste no desenvolvimento de actividades com o intuito de garantir que o produto final atenda a requisitos de qualidade, imposto previamente, por especificações estabelecidas. Este controlo também foi praticado e foi evoluindo na Construção Civil, através da Fiscalização e de alguns ensaios realizados durante a execução de uma obra. Hoje em dia, o termo Controlo de Qualidade tornou-se mais abrangente, elaborado e complexo, englobando todo o processo construtivo e incluindo todos os intervenientes nesse processo nomeadamente, Promotores, Projectistas, Fornecedores, Construtores Fiscais e Utilizadores, na procura de um maior e melhor nível de desempenho das construções.

Na fase de execução de uma obra, assume-se que a fiscalização dos trabalhos e a realização de ensaios de conformidade são os factores primordiais para que o controlo da qualidade seja garantido durante toda a duração de uma obra. No entanto, no que diz respeito à fiscalização na fase de projecto e na fase de construção consideram-se distintas. Na primeira, a fiscalização poderá ser concretizada através de uma revisão do projecto por outro técnico qualificado de forma a verificar a coerência do projecto e a identificar possíveis omissões de falhas.

Este tipo de revisões nem sempre se realizam, talvez resultante dos baixos custos praticados na realização do projecto ou do reduzido tempo que por sua vez existe para a realização desses projectos.

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CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

O senso comum levar-nos-ia a associar esta fase a um processo dispendioso, no entanto, com o decorrer da obra, um projecto bem elaborado e isento de erros é completamente compensado pela prevenção de defeitos e pela “redução dos prazos”, levando portanto a uma maior garantia quer na qualidade da construção, quer nos retroactivos que advêm da construção.

Caso esta fase não se realize, poderá levar a uma série de consequências, nomeadamente um maior risco de mau comportamento das estruturas tal como o aparecimento de fissuras e de deformações excessivas, que depressa se associarão à falta de qualidade dos edifícios.

3.6.

Principal Regulamentação para a elaboração de um Projecto de

Estruturas de Betão Armado

O Regulamento de Estruturas de Betão Armado e Pré-Esforçado (REBAP) [11] e o Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes (RSA)[12] tem sido a regulamentação base usada para a elaboração dos projectos de estruturas de betão armado e, muitos dos programas de cálculo automático comerciais de dimensionamento deste tipo de estruturas estão feitos de forma a cumprir esta regulamentação. Contudo, surgiu nova regulamentação e esta é constituída pelos seguintes elementos:

EC1, “Eurocódigo 1: Bases de Projecto e Acções em Estruturas. Parte „1: Bases de Projecto”, NP ENV 1991-1: 1999[16]

EC2, “Eurocódigo 2: Projecto de Estruturas de Betão. Parte 1.1: Regras Gerais e Regras para Edifícios”, NP ENV 1992-1-1: 1998 [17]

EC7, “Eurocódigo 7: Projecto Geotécnico. Parte 1: Regras Gerais”, NP ENV 1997-1: 1999[18]

EC8, “Eurocódigo 8: Disposições para Projecto de Estruturas Sismo-Resistentes. Parte 1-2: Regras Gerais – Regras Gerais para Edifícios”, NP ENV 1998-1-2: 2000[19]

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CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

Instruções para a elaboração de projectos de obras. Portaria n.º 701-H/2008, de 29 de Julho. Diário da Republica, N.º 145, 1.a serie. Ministério das Obras Publicas, Transportes e Comunicações [20]

Decreto-Lei n.º73/73. Diário do Governo n.º 50, I serie, de 73.02.28. Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa [21]

“Execução de Estruturas em Betão. Parte1:Regras Gerais”, NP ENV 13670-1: 2005 [22]

“Betão. Parte1:Especificação, desempenho, produção e conformidade”, NP ENV 206-1: 2007 [23]

Segundo Luís Pinto [1], os Eurocódigos constituem a nova regulamentação para o estudo da estrutura e dão um contributo significativo para uma regulamentação completa no domínio do projecto das estruturas, nomeadamente através de normas na área da geotecnia, do fogo e de outros materiais, para além do betão armado pré-esforçado, como sejam a madeira e as alvenarias.

3.7.

Influência do Projecto de Estruturas na Qualidade dos Edifícios de

Habitação

Os agentes intervenientes num processo construtivo têm sentido uma maior preocupação no que diz respeito à qualidade de projecto, visto ser cada vez mais evidente a influência que este tem no desempenho final de um edifício. Essa evidência está claramente indicada na Tabela 2.

Tal como de observa na Tabela 2, as fases de projecto e de execução são as principais causadoras de aparecimento de patologias em edifícios de habitação. Este facto ocorre em diversos países da Europa.

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CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

Tabela 2 – Causas de patologias em diversos países europeus [15] Causas de patologias Bélgica (%) Reino Unido (%) Alemanha (%) Dinamarca (%) Roménia (%) Projecto 46 49 37 36 37 Materiais 15 11 14 25 22 Utilização 8 10 11 9 11 Execução 22 29 30 22 19 Outras 9 1 8 8 11

Paralelamente, Bureau Veritas [25], empresa que realiza certificações em normas como a ISO 9001 [7], chegou às percentagens das causas principais do aparecimento de patologias apresentadas na Tabela 3.

Tabela 3 – Causas de patologias por Bureau Veritas [25]

Causas de patologias Projecto Materiais Execução Utilização e outros

% 43 15 30 12

Estes valores confirmam que são as fases de projecto e de execução que mais contribuem para a ocorrência de deficiências em edifícios de habitação, estando a fase de projecto com o primeiro lugar.

Face ao exposto, é portanto extremamente necessário que sejam efectuados maiores esforços no sentido de melhorar a qualidade dos projectos, nomeadamente a qualidade dos projectos de estruturas.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 27 - Vila Real

CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

3.8.

Principais erros cometidos nos Projectos

No ano de 2007, no Congresso Construção realizado em Coimbra, foi apresentado um estudo efectuado pela Bureau Securitas [13] em que se verifica que os erros de projecto são os que mais contribuem para o aparecimento de anomalias durante a fase de obra e o período de garantia. O mesmo estudo aponta as seguintes causas para o aparecimento de erros de projecto:

Bureau Veritas [25] para além de identificar as principais causas das patologias ocorridas em edifícios também quantificou as percentagens de ocorrência de cada causa, Tabela 3. Desta forma concluiu que o projecto é a principal causa do aparecimento de patologias. Também efectuou um estudo para identificar os principais erros cometidos durante a elaboração de um projecto e as suas principais incidências, Figura 2.

Através da Figura 2, verifica-se que os principais erros de projecto são a pormenorização deficiente, a concepção geral, os erros de cálculo e os materiais inadequados. Destes, é claramente visível que a pormenorização deficiente é o erro mais frequentemente cometido. Os restantes erros, a concepção geral, os erros de cálculo e os materiais inadequados também têm uma incidência expressiva. Estes erros contribuem para a falta de qualidade de um projecto.

59% 13% 10% 18% Pormenorização deficiente Erros de cálculo Materiais inadequados Concepção geral

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 28 - Vila Real

CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

Por sua vez, Figueiras et al [26] também identifica os principais erros cometidos durante a fase de projecto de estruturas e, que por consequência, poderão ser potenciais geradores de patologias estruturais. Estes erros de projecto de estruturas são os seguintes:

Má concepção;

Informação insuficiente;

Quantificação inadequada das acções;

Resistência inadequada das acções às condições ambientais; Modelos incorrectos de análise ou de dimensionamento; Utilização desadequada de programas de cálculo; Erros numéricos ou enganos de representação; Pormenorização insuficiente ou deficiente;

Selecção inadequada da forma dos elementos estruturais; Selecção inadequada de materiais e técnicas construtivas; Inexistência de medidas particulares de protecção;

Inexistência e inadequação ou alteração do programa de utilização da estrutura.

Uma das formas de eliminar estes erros, que levam à menor qualidade dos projectos de estruturas, pode passar por uma revisão de projectos. Uma identificação destes erros numa fase inicial levará à melhoria final dos projectos e por consequência a um melhoramento na vida útil de um edifício de habitação.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 29 - Vila Real

CAPÍTULO 3 - Impacto da Qualidade do Projecto de Estruturas na

Qualidade de um Edifício de Habitação

3.9.

Conclusões

A garantia da qualidade, através dos factores de garantia e do seu controlo foram apresentados neste capítulo.

Cumprindo-se as recomendações do Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros [39], poderá ser elaborado um bom projecto, não sendo cometidos os erros referidos neste capítulo, levando o utilizador do edifício a obter uma boa qualidade na sua habitação.

Pode ainda concluir-se que é fundamental uma boa elaboração de um projecto de estruturas para a qualidade final de um projecto de edifico de habitação e, por consequência, para se obter um edifício de habitação com qualidade.

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CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 33 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

4.1.

Introdução

A ficha de análise que foi desenvolvida e proposta neste trabalho de investigação para a consulta e análise dos projectos de estruturas de edifícios de habitação unifamiliar em Vila Real nos anos de 2007 e 2008 foi elaborada com o objectivo de identificar os diferentes elementos que constituem este projecto de especialidade, bem como as suas falhas.

Em primeiro lugar apresenta-se a ficha de análise completa que serviu de apoio à consulta dos projectos para de seguida se identificarem os quatro grupos que a constituem.

No ponto seguinte deste capítulo são definidos todos os elementos de estudo que constituem os Grupos e respectivos Subgrupos da ficha de análise proposta.

4.2.

Ficha de Análise

A ficha elaborada, que foi o resultado de algumas iterações, encontra-se dividida em quatro Grupos em que os três primeiros estão englobados na análise das peças escritas e o quarto e último é referente às peças desenhadas.

Os quatro Grupos que constituem a ficha de análise estão, por sua vez, subdivididos em Subgrupos de maneira a facilitar a consulta dos projectos e a respectiva análise. Na Tabela 4 pode observar-se a ficha de análise que foi utilizada na consulta e análise dos projectos de estruturas de edifícios de habitação unifamiliar licenciados na Câmara Municipal de Vila Real.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 34 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

Tabela 4 – Ficha de análise das peças escritas Grupo 1 – Apresentação 1.3 – Autenticidade do Projecto 1.4 – Conteúdo 1.5 – Informação Geotécnica

Memória desc. e justificativa Sim□ Não □

Sim□ Não □ Sim□ Não □ Cálc. Justificativos Sim□ Não □

Peças desenhadas Sim□ Não □

1.6 – Revisão do Projecto

Sim□ Não □

1.1 - Identificação 1.2 - Conformidade

Nomes Sim□ Não □ Arquitectura/Arquitectura Sim□ Não □ Contactos Sim□ Não □ Arquitectura/Estruturas Sim□ Não □ Termo responsabilidade Sim□ Não □ Observações:

Localização obra Sim□ Não □

Dono de obra Sim□ Não □ Data Sim□ Não □

Grupo 2 – Memória Descritiva e Justificativa

2.1 – Introdução Requerente do processo Localização da obra Descrição do edifício Tipo de utilização Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □

2.2 – Solução estrutural adoptada Sim□ Não □

2.3 – Materiais Sim□ Não □

2.4 – Acções Sim□ Não □

2.5 – Combinações de acções Sim□ Não □

2.6 – Método de cálculo Sim□ Não □

2.7 – Método de dimensionamento lajes escadas vigas pilares paredes resistentes muros de suporte fundações outros elementos Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □

2.8 – Omissões Sim□ Não □

2.9 – Regulamentação e bibliografia Sim□ Não □

Observações:

Grupo 3 – Cálculos Justificativos

3.1 – Descrição dos modelos de cálculo 3.2 – Análise Sísmica

Sim□ Não □ Sim□ Não □

Observações: Observações:

3.3 – Estados limites últimos e estados limites de utilização 3.4 – Orçamento

Sim□ Não □ Sim□ Não □

Observações:

3.5 – Dados para cálculo

Definições geométricas e de massas de estrutura Sim□ Não □ Propriedades dos elementos estruturais Sim□ Não □ Tipos de apoios Sim□ Não □ Propriedades dos materiais Sim□ Não □ Acções consideradas Sim□ Não □

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 35 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

Tabela 5 – Ficha de análise de peças desenhadas

Grupo 4 - Peças Desenhadas

4.2 – Orientação

Sim□ Não □ 4.3 – Planta de fundações

Designação Sim□ Não □

Posição e características dos elementos estruturais Sim□ Não □

Cotagem Sim□ Não □

Cota altimétrica de referência Sim□ Não □ 4.4 – Plantas estruturais

Posição de todos os elementos estruturais

Pórticos Sim□ Não □

Pilares numerados/Quadro de pilares Sim□ Não □

Lajes maciças e aligeiradas Sim□ Não □

Outros elementos estruturais Sim□ Não □

Desenvolvimento em altura dos pilares (indicação nos níveis em que têm início e em que terminam)

Sim□ Não □ 4.5 – Desenhos de pormenor de betão

Elementos horizontais Sim□ Não □

Elementos verticais Sim□ Não □

Situações particulares Sim□ Não □

Pormenorização automática Sim□ Não □

Homogeneização de dimensões e armaduras Sim□ Não □ Observações:

4.1 - Legendagem

Nome do autor Sim□ Não □ Designação e numeração das peças Sim□ Não □

Ass. Projectista Sim□ Não □ Escala das plantas e cortes Sim□ Não □

Localização obra Sim□ Não □ Observações:

Data Sim□ Não □

4.3.

Grupo 1 - Apresentação

Neste primeiro grupo, procurou-se que, com os subgrupos escolhidos fosse possível identificar todos os intervenientes que colaboram na elaboração de um projecto de estruturas. Para uma melhor compreensão, este grupo foi dividido em quatro subgrupos, que em seguida são descritos.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 36 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

Tabela 6 – Subgrupos do grupo 1

Grupo 1 – Apresentação 1.3 – Autenticidade do Projecto 1.4 – Conteúdo 1.5 – Informação Geotécnica

Memória desc. e justificativa Sim□ Não □

Sim□ Não □ Sim□ Não □ Cálc. Justificativos Sim□ Não □

Peças desenhadas Sim□ Não □

1.6 – Revisão do Projecto

Sim□ Não □

1.1 - Identificação 1.2 - Conformidade

Nomes Sim□ Não □ Arquitectura/Arquitectura Sim□ Não □ Contactos Sim□ Não □ Arquitectura/Estruturas Sim□ Não □ Termo responsabilidade Sim□ Não □ Observações:

Localização obra Sim□ Não □

Dono de obra Sim□ Não □ Data Sim□ Não □

4.3.1. Subgrupo 1.1. – Identificação

Deve conter todos os dados relativos à identificação do Projectista, do Dono da Obra, da localização da obra e a data de elaboração do projecto de estruturas. Os elementos que se pensa existir neste subgrupo são os seguintes:

Nomes e contactos dos diversos intervenientes;

Termo de responsabilidade, que consiste num documento que deve estar assinado pelo projectista, responsabilizando-se pelos elementos fornecidos, assegurando a estabilidade e a segurança na construção;

Localização da obra;

Identificação do Dono da Obra;

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 37 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

4.3.2. Subgrupo 1.2. – Conformidade

No projecto de estruturas deve ser verificada a conformidade com as soluções construtivas adoptadas no projecto de arquitectura.

Numa primeira fase são comparadas as soluções definidas na memória descritiva e justificativa da arquitectura e as peças desenhadas do mesmo projecto, com relevância para os aspectos estruturais (Arquitectura/Arquitectura).

A segunda fase passa por verificar se os elementos fornecidos na memória descritiva e justificativa ou nas peças desenhadas do projecto de arquitectura se encontram em conformidade com os utilizados para a realização do projecto de estruturas (Arquitectura/Estruturas).

4.3.3. Subgrupo 1.3. - Autenticidade do Projecto

Neste Subgrupo pretende-se verificar se todos os documentos se encontram devidamente assinados ou rubricados pelo projectista.

4.3.4. Subgrupo 1.4. – Conteúdo

Um projecto de estruturas deve ser constituído por: Memória descritiva e justificativa; Cálculos justificativos;

Peças desenhadas.

4.3.5. Subgrupo 1.5. – Informação Geotécnica

Indicações relativamente ao modo como foram definidas as características resistentes do solo de fundação

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 38 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

4.3.6. Subgrupo 1.6. – Revisão do Projecto

Verificação da adequação às exigências funcionais, da conformidade do projecto com leis e regulamentos em vigor e de todas as regras de prudência aconselháveis à funcionalidade a que se destina.

A revisão do projecto não é mais do que a verificação por parte de uma entidade distinta da do seu criador, da adequação às exigências funcionais, da conformidade do projecto com leis e regulamentos em vigor e de todas as regras de prudência aconselháveis à funcionalidade a que se destina.

4.4.

Grupo 2 – Memória Descritiva e Justificativa

Este grupo é constituído por nove subgrupos que se pensa serem os necessários para a realização de uma memória descritiva e justificativa.

Tabela 7 – Subgrupos do grupo 2 Grupo 2 – Memória Descritiva e Justificativa

2.1 – Introdução Requerente do processo Localização da obra Descrição do edifício Tipo de utilização Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □

2.2 – Solução estrutural adoptada Sim□ Não □

2.3 – Materiais Sim□ Não □

2.4 – Acções Sim□ Não □

2.5 – Combinações de acções Sim□ Não □

2.6 – Método de cálculo Sim□ Não □

2.7 – Método de dimensionamento lajes escadas vigas pilares paredes resistentes muros de suporte fundações outros elementos Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □ Sim□ Não □

2.8 – Omissões Sim□ Não □

2.9 – Regulamentação e bibliografia Sim□ Não □

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 39 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

4.4.1. Subgrupo 2.1. – Introdução

A introdução será constituída pelos seguintes dados: Identificação do requerente do processo; Identificação da localização da obra; Descrição do edifício;

Tipo de utilização do edifício

4.4.2. Subgrupo 2.2. - Solução Estrutural Adoptada

Na memória descritiva e justificativa pensa-se que poderão estar identificadas e descritas as características da solução estrutural adoptada. Essas características são as dimensões globais, o número de pisos da habitação e tipo de modulação. Deve também estar descrito o tipo de comportamento previsto para a estrutura.

4.4.3. Subgrupo 2.3. – Materiais

Todos os materiais a utilizar na concepção da estrutura do edifício devem estar claramente identificados e caracterizados.

4.4.4. Subgrupo 2.4. – Acções

Todas as acções a considerar deverão estar identificadas e quantificadas, devendo também ser justificadas aquelas que não foram.

4.4.5. Subgrupo 2.5. - Combinações de Acções

Todas as combinações de acções consideradas para a verificação da segurança em relação aos estados limites últimos e de utilização deverão estar identificadas e quantificadas.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 40 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

4.4.6. Subgrupo 2.6. - Método de Cálculo

O método de cálculo utilizado deve estar indicado e descrito estando indicadas todas as simplificações efectuadas e justificandas.

4.4.7. Subgrupo 2.7. - Método de Dimensionamento

Devem estar indicados os métodos de dimensionamento adoptados para todos os elementos estruturais tais como lajes, escadas se existirem, vigas, pilares, paredes resistentes, muros de suporte e fundações. Deve também existir indicação, caso existam, de outros elementos.

4.4.8. Subgrupo 2.8. – Omissões

Deverá estar referido, pelo projectista, se eliminou alguma informação relativamente ao projecto, justificando-a.

4.4.9. Subgrupo 2.9. - Regulamentação e Bibliografia

Ponto com indicação de toda a regulamentação e bibliografia adoptada na elaboração do projecto de estruturas.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 41 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

4.5.

Grupo 3 – Cálculos Justificativos

Os cálculos justificativos devem demonstrar a segurança estrutural do edifício, justificando as opções tomadas.

Tabela 8 – Subgrupos do Grupo 3 Grupo 3 – Cálculos Justificativos

3.1 – Descrição dos modelos de cálculo 3.2 – Análise Sísmica

Sim□ Não □ Sim□ Não □

Observações: Observações:

3.3 – Estados limites últimos e estados limites de utilização 3.4 – Orçamento

Sim□ Não □ Sim□ Não □

Observações:

3.5 – Dados para cálculo

Definições geométricas e de massas de estrutura Sim□ Não □

Propriedades dos elementos estruturais Sim□ Não □

Tipos de apoios Sim□ Não □

Propriedades dos materiais Sim□ Não □

Acções consideradas Sim□ Não □

4.5.1. Subgrupo 3.1. - Descrição dos Modelos de Cálculo

Identificação e descrição dos modelos de cálculo utilizados.

4.5.2. Subgrupo 3.2. – Análise Sísmica

Deve ser apresentada uma análise estática ou uma análise dinâmica com as devidas justificações às opções tomadas.

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Contributo para Avaliação de Projectos de Estruturas de Edifícios de Habitação 42 - Vila Real

CAPÍTULO 4 – Desenvolvimento de uma Ficha de Análise de Projectos de

Estruturas de Edifícios de Habitação Unifamiliar

4.5.3. Subgrupo 3.3. – Estados Limites Últimos e de Utilização

Devem estar indicados os esforços actuantes e a apresentação dos cálculos efectuados.

4.5.4. Subgrupo 3.4. – Orçamento

Apresentação de uma estimativa do orçamento total da obra.

4.5.5. Subgrupo 3.5. – Dados para Cálculo

Devem ser apresentadas as definições geométricas e de massas da estrutura, propriedades dos elementos estruturais, tipos de apoio, propriedades dos materiais e todas as acções consideradas.

Imagem

Figura 1 – Fases de execução de um projecto de acordo com Mark Brown [2]
Tabela 1 – Anomalias e causas mais frequentes associadas às Estruturas de Edifícios  [38]
Tabela 2 – Causas de patologias em diversos países europeus [15]
Tabela 4 – Ficha de análise das peças escritas
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Referências

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