Marta Alexandra Rodrigues Melo
nº2009252
Í
NDICE1. INTRODUÇÃO ... 1
2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ... 2
2.1. Estágio Parcelar de Cirurgia ... 2
2.2. Estágio Parcelar de Medicina Interna... 3
2.3. Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia ... 4
2.4. Estágio Parcelar de Saúde Mental ... 4
2.5. Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar ... 5
2.6. Estágio Parcelar de Pediatria ... 6
2.7. Estágio Opcional de Hematologia ... 6
3. ELEMENTOS VALORATIVOS ... 7
4. ANÁLISE CRÍTICA ... 7
5. ANEXOS
Relatório Final Mestrado Integrado em Medicina 1
1. I
NTRODUÇÃONo plano de estudos do 6º ano, do Mestrado Integrado em Medicina (MIM), da Fa-culdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM-UNL), estão en-quadrados seis estágios parcelares, nomeadamente Cirurgia, Medicina Interna, Gine-cologia e Obstetrícia, Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar e Pediatria. Estes têm como objetivo, global e transversal, a profissionalização dos alunos, estimulando, nos futuros médicos, a criação do raciocínio clínico orientado e estruturado, baseado em anamnese e exame objetivo, bem como a capacidade de decisão para abordagens, tanto diagnóstica com terapêutica, adequadas, englobando a realização de procedi-mentos práticos. São ainda incluídos objetivos de desenvolvimento pessoal como a fomentação da autonomia, desenvolvimento da relação médico-doente e desenvolvi-mento da relação interpessoais, nomeadamente trabalho em equipa. Os conhecimen-tos base de anos anteriores, aliados à aquisição de novos conhecimenconhecimen-tos e competên-cias, principalmente no âmbito da prática clínica, são o culminar, mas não a cessação, da formação médica básica.
O presente relatório tem por objetivo elucidar de forma sucinta e objetiva as distin-tas atividades e competências desenvolvidas durante os vários estágios já citados, en-globando também o estágio clínico opcional de Hematologia. O relatório está dividido em “Introdução” onde se expõe os objetivos propostos, “Atividades desenvolvidas” on-de são on-descritos os vários estágios parcelares por oron-dem cronológica, “Elementos valo-rativos” onde são descritas atividades suplementares relevantes, e por fim “Posiciona-mento crítico” com descrição da apreciação global. Incluo ainda “Anexos” correspon-dentes aos elementos suplementares.
Relatório Final Mestrado Integrado em Medicina 2
2. A
TIVIDADESD
ESENVOLVIDAS2.1.
E
STÁGIOP
ARCELAR DEC
IRURGIAPeríodo de estágio: 22 de setembro de 2014 - 7 de novembro de 2014
O estágio de Cirurgia decorreu no Departamento de Cirurgia do Hospital Beatriz Ângelo, sob regência do Professor Doutor Rui Maio e orientação da Dra. Rita Garrido. Com a duração de oito semanas no total, este estágio foi dividido em uma semana de sessões teórico-práticas, quatro semanas de cirurgia geral, uma semana de urgência e duas semanas de estágio opcional, no meu caso anestesia. O estágio incluiu também um minicongresso e sessões clínicas semanais do hospital.
Durante o estágio de cirurgia geral propriamente dita assisti e participei em várias cirurgias, consulta externa, visitas clínicas, enfermaria e urgência. Familiarizei-me com os principais materiais e seu manuseamento, técnicas e procedimentos cirúrgicos utili-zados e métodos de assepsia, aumentado a destreza pessoal. Participei ativamente na enfermaria com registo no diário clínico de doentes em pós-operatório e internamento. O estágio no serviço de urgência, sob orientação do Dr. Carlos Palos permitiu a passa-gem pelos vários postos da urgência. O estágio opcional de anestesia foi orientado pe-lo director do Departamento de Anestesia Dr. Miguel Ghira e pela Dra. Joana Oliveira, tutora atribuída. Durante o estágio na especialidade de anestesia pude ter contacto com os vários âmbitos da especialidade nomeadamente e em maior nível no bloco ope-ratório, exames complementares de diagnóstico, consulta de especialidade, consulta da dor e urgência.
No dia 5 de novembro realizou-se no Hospital Beatriz Ângelo, um mini-congresso com todos os alunos que realizaram este estágio no período supracitado. Apresentei o caso clínico “Variação rara em cirurgia comum”, sobre uma variação anatómica da arté-ria hepática direita descoberta numa colecistectomia vídeo-laparoscópica e as suas
Relatório Final Mestrado Integrado em Medicina 3
potenciais complicações. Neste contexto participei na elaboração do artigo com o mesmo nome, que se encontra no anexo I, e que será publicado na Revista do Hospital Beatriz Ângelo.
2.2.
E
STÁGIOP
ARCELAR DEM
EDICINAI
NTERNAPeríodo de estágio: 10 de novembro de 2014 - 16 de janeiro de 2015
O estágio de Medicina Interna sob regência do Professor Doutor Fernando Nolas-co, teve lugar no serviço 1.2 do Hospital de S.José tutorado pela Dra. Isabel Luiz. O estágio teve a duração de oito semanas no total, envolvendo atividades na enfermaria, consulta externa e serviço de urgência. O estágio incluiu, ainda, sessões clínicas se-manais do serviço de medicina. Sob a Coordenação do Prof. Doutor Pedro Póvoa, fo-ram realizados seis seminários com temas ligados à urgência.
Foi um estágio extremamente autónomo, tendo diariamente a meu cargo a respon-sabilidade de observação, orientação, elaboração de diário clínico de doentes, bem como sugestão terapêutica e elaboração de notas de alta, sendo posteriormente discu-tidos com a equipa. É minha segura opinião que este estágio teve um papel crucial na minha formação, neste ano profissionalizante, e como tal procurei ter sempre uma ati-tude pró-ativa interligando conhecimentos teóricos com a prática clínica. A enfermaria detinha apenas doentes do sexo masculino. Destaco a predominância de idosos e de doenças cardiovasculares e respectivos factores de risco como: cardiopatia isquémica, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo II, dislipidémia e tabagismo. O contacto com o serviço de urgência foi essencial não só pela integração no serviço, equipa e dinâmi-ca da urgência, como pela vasta aprendizagem na abordagem prátidinâmi-ca do doente urgen-te. Completei o meu estágio com a apresentação da revisão teórica de “Endocardite infecciosa”.
Relatório Final Mestrado Integrado em Medicina 4
2.3.
E
STÁGIOP
ARCELAR DEG
INECOLOGIA EO
BSTETRÍCIAPeríodo de estágio: 26 de janeiro de 2015 - 21 de fevereiro de 2015
O estágio de Ginecologia e Obstetrícia regido pela Professora Doutora Teresa Ventura e orientado pelo Dr. Pedro Martins, teve lugar no Hospital dos Lusíadas. O es-tágio teve a duração de quatro semanas no total, envolvendo atividades de consulta externa, ecografia ginecológica e obstétrica, bloco de partos, serviço de urgência, en-fermaria, bloco operatório, colposcopias, histeroscopias e procriação medicamente as-sistida. O estágio incluiu, ainda, reuniões de serviço semanais.
Destaco a passagem semanal no bloco de partos, sob a tutela da Dra. Helena Ma-chado, onde tive uma participação muito ativa, observando todas as parturientes, assis-tindo a 31 partos, correspondentes a 20 cesarianas, das quais participei em 12. Desen-volvi capacidades cirúrgicas notórias ao participar nomeadamente de instrumentação, manuseamento do material cirúrgico, aumento de destreza pessoal e pró-atividade no procedimento. Em avaliação global, a grande maioria das consultas observadas e exames complementares de diagnóstico foram em mulheres saudáveis de modo que tive menos contacto com a patologia ginecológica e obstétrica do que gostaria. No en-tanto todos os procedimentos essenciais desta especialidade foram aprendidos com sucesso.
Apresentei o trabalho intitulado “Screening – Cancro do Ovário” em uma das ses-sões do serviço.
2.4.
E
STÁGIOP
ARCELAR DES
AÚDEM
ENTALPeríodo de estágio: 23 fevereiro de 2015 – 20 março de 2015
O estágio de Saúde Mental sob regência do Professor Doutor Miguel Xavier decor-reu Hospital São Francisco Xavier na Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescên-cia sob tutela do Dr. Volker Dieudonné. O estágio teve a duração de quatro semanas
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no total, envolvendo atividades na consulta externa de pedopsiquiatria, reuniões de serviço e serviço de urgência de pedopsiquiatria no Hospital Dona Estefânia. Aprendi e desenvolvi a relação médico-doente significativamente, e principalmente em contexto pediátrico, e de maior relevância na comunicação não-verbal. Tive oportunidade de assistir a uma das reuniões bimensais da comissão de protecção de crianças e jovens (CPCJ) da área de Oeiras.
Previamente ao estágio prático decorreu o componente teórico-prático sob orienta-ção do Professor Doutor Miguel Xavier com discussão de casos clínicos pertinentes em contexto de serviço de urgência.
Apresentei o trabalho intitulado “Autismo e Inflamação: Potenciais terapêuticas”.
2.5.
E
STÁGIOP
ARCELAR DEM
EDICINAG
ERAL EF
AMILIARPeríodo de estágio: 23 de março de 2015 – 24 abril 2015
O estágio de Medicina Geral e Familiar teve lugar na Unidade de Saúde Familiar (USF) Locomotiva, no Entroncamento, sob tutela da Dra. Maria Manuela Silva e regên-cia da Professora Doutora Isabel Santos, com a duração de quatro semanas.
Observei e participei em diferentes tipos de consulta nomeadamente consulta de seguimento, principalmente de diabetes mellitus e hipertensão arterial, consulta de do-ença aguda, consulta de saúde materna e planeamento familiar, consulta de saúde in-fantil e ainda, realização na domicílios. Fui ativamente envolvida no processo de diag-nóstico, interpretação de exames complementares de diagnóstico e prescrição de me-dicação. Foi um dos estágios mais importantes e estruturantes, deste ano profissionali-zante, e onde adquiri muitos conhecimentos teóricos e práticos fundamentais, para os próximos anos de formação geral que me esperam. Tive oportunidade de participar nas atividades no contexto do Dia Mundial da Saúde, dia 7 de abril, com prevenção primá-ria na comunidade. Participei na elaboração de panfletos para entrega à população da
Relatório Final Mestrado Integrado em Medicina 6
USF do Entroncamento, com orientações para uma vida saudável. Neste contexto par-ticipei também em um acção numa escola do 1º ciclo com atividades lúdicas e educa-cionais, sobre de higiene e cuidados básicos de saúde.
2.6.
E
STÁGIOP
ARCELAR DEP
EDIATRIAPeríodo de estágio: 27 de abril de 2015 - 22 de maio de 2015
O estágio de Pediatria regido pelo Professor Doutor Luís Varandas no Hospital Dona Estefânia foi tutelado pela Mestre Dra. Leonor Sasseti na Unidade de Adolescen-tes.
Estágio teve a duração de quatro semanas no total, envolvendo atividades na en-fermaria, consulta externa e serviço de urgência. O estágio incluiu, ainda, sessões clí-nicas semanais e seminários. Nos dias de atividade na enfermaria tive a meu cargo a responsabilidade de observação, orientação, elaboração de diário clínico de doentes, que me eram estipulados, de forma autónoma, sendo posteriormente discutidos com a equipa. A passagem no serviço de urgência permitiu contactar com patologias muito prevalentes em idade pediátrica, discutir o diagnóstico e a terapêutica das mesmas, direcionar a anamnese e o exame objetivo para o contexto de urgência e perceber que casos são passiveis de tratamento em ambulatório e quais requerem internamento ou intervenção imediata. Este estágio permitiu o contacto com a especialidade de imuno-alergologia com componentes teórica e prática, consistindo esta última em atividades de consulta e testes de sensibilidade cutânea.
Apresentei o trabalho intitulado “Vómitos Dèjá Vu – um caso de vómitos recorren-tes”, sobre um caso de uma adolescente com síndrome dos vómitos cíclicos
2.7.
E
STÁGIOO
PCIONAL DEH
EMATOLOGIARelatório Final Mestrado Integrado em Medicina 7
Optei por realizar o estágio opcional, regido pelo Professor Doutor José Alves, no Instituto Português de Oncologia (IPO) Francisco Gentil, no Serviço de Hematologia orientada pela Professora Doutora Maria Gomes da Silva.
As atividades consistiram em consulta externa, enfermaria, serviço de urgência, visitas clínicas, reuniões de serviço e reuniões multidisciplinares. Foi um estágio enri-quecedor não só na sua componente teórica e prática mas principalmente no campo humano, onde a relação médico-doente atinge um outro nível, não descurando outras especialidades. Foi importante como complemento da minha formação, não só pelo contacto escasso ao longo do curso, como considerando a prevalência ascendente das patologias oncológicas. Pelas razões já citados, optei por incluí-lo neste relatório.
3. E
LEMENTOSV
ALORATIVOS Artigo “Variação Rara em Cirurgia Comum” – como já referido acima, partici-pei na elaboração do artigo sobre uma variação anatómica da artéria hepáti-ca direita descoberta numa colecistectomia vídeo-laparoscópihepáti-ca e descrição das suas potenciais complicações, que se encontra no Anexo I. Será publi-cado na Revista do Hospital Beatriz Ângelo.
Participei em vários congressos e atividades formativas com objetivo de me-lhorar a minha formação que se encontram no Anexo II.
4. A
NÁLISEC
RÍTICAO Estágio Profissionalizante representa um marco de extrema importância na for-mação dos futuros médicos. Neste âmbito, é minha segura opinião que o Estágio pro-fissionalizante é fundamental para o consolidação das competências médicas essenci-ais, e o facto de a maioria dos estágio fomentarem a autonomia, a execução de proce-dimentos práticos, com delegação de tarefas incutindo responsabilidade, em vista ao
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desenvolvimento do raciocínio e tomada de decisão, representa a principal base desta formação clínica.
Atingi os meus objetivos com sucesso,verifico uma evolução profissional e pessoal notórias principalmente na autonomia, autoconfiança, relação médico-doente e relação interpares. Procurei sempre ter uma atitude pró-ativa, com a finalidade de obter o má-ximo de conhecimento e experiência. Destaco que se sinto segurança em observar e em aplicar a abordagem diagnóstica adequada na maioria dos doentes no entanto, em termos terapêuticos, e excluindo as doenças mais prevalentes, penso ainda ter um ca-minho a percorrer para medicar de forma correcta, com total segurança. Penso que seria oportuno um investimento mais marcado do Estágio Profissionalizante nessa área de formação envolvendo ao máximo os alunos no processo de prescrição. É importante referir que esta lacuna não é consequência singular deste ano, sendo igualmente opor-tuno no ensino prévio uma abordagem mas dirigida à doença e ao doente, no ensina-mento das bases terapêuticas.
Considero as especialidades escolhidas para englobarem os estágios profissionali-zantes as essenciais, que têm em vista a formação básica de qualquer médico. Contri-buíram todas, na sua forma particular, a me proporcionarem desenvolvimento de várias abordagens, procedimentos práticos e relação médico-doente adaptadas ao contexto do doente. Destaco rácio aluno/tutor de 1:1, verificado em quase todos os estágios, muito positivo, tendo grande importância, pois permite uma melhor aprendizagem, com realização de procedimentos práticos em exemplo, num maior número de vezes, como facilita a autonomia do próprio aluno e melhor relação aluno-tutor.
Termino agradecendo a todos os regentes, aos meus tutores e outros profissionais de saúde que contribuíram para o meu progresso contínuo, tanto profissional como pessoal, com estímulo, motivação e exigência.
ANEXO I
Artigo
VARIAÇÃO RARA EM CIRURGIA COMUM
AUTORES: Marta dos Santos1, Marta Melo3, Priscila Nunes3, Renato Oliveira3, , Gonçalo Luz1, Rita Garrido1, Rui Maio1, Sérgio Duarte2
1
Serviço de Cirurgia Geral Hospital Beatriz Ângelo 2
Serviço de Radiologia Hospital Beatriz Ângelo 3
Alunos do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa
RESUMO:
A vascularização extra-hepática e a anatomia das vias biliares ao nível do triângulo de Calot são altamente variáveis, o que proporciona um desafio recorrente na realização da colecistectomia laparoscópica. Descreve-se o caso de um doente, com uma artéria hepática direita aberrante que percorre o colo e o fundo da vesicula biliar e cursa com uma entrada hepática anterior invulgar. Mulher, 29 anos, com litíase biliar sintomática caracterizada por episódios recorrentes de dor abdominal nos quadrantes direitos, acompanhados de náuseas e vómitos, com 6 meses de evolução. Foi proposta para colecistectomia. Durante a dissecção do triângulo de Calot identificou-se o canal cístico e uma estrutura vascular pulsátil, com calibre e trajecto não compatíveis com a artéria cística. Verificou-se a presença de uma artéria hepática direita aberrante que se dirigia para a vesicula, percorrendo o colo e o fundo anteriormente, com divisão em 2 ramos hepáticos que alcançavam o segmento V em localizações distintas. A AngioTAC realizada posteriormente evidenciou a presença de duas artérias hepáticas esquerdas e uma artéria hepática direita aberrante com origem na artéria mesentérica superior. Existem várias alterações anatómicas documentadas sobre a origem e trajecto das artérias cística e hepática direita, no entanto, apenas está descrito um caso semelhante na literatura de uma artéria hepática direita aberrante que atravessa anteriormente o colo e o fundo da vesícula antes de entrar no fígado. A laqueação inadvertida da artéria hepática direita durante a colecistectomia tem sido associada a isquémia, por vezes com necessidade de lobectomia hepática.
INTRODUÇÃO:
A colecistectomia laparoscópica é uma das intervenções cirúrgicas mais frequentemente realizadas, sendo actualmente considerada o goldstandard para o tratamento da litíase biliar sintomática. O reconhecimento adequado das estruturas ao nível do triângulo de Calot é essencial na realização deste procedimento. A vascularização extra-hepática e a anatomia das vias biliares nesta região apresentam variações em 20-50% dos doentes1-3, na maioria dos casos só identificadas após uma dissecção cuidadosa no acto cirúrgico. De modo a evitar complicações durante intervenções cirúrgicas ao fígado, vesícula biliar, pâncreas ou qualquer órgão adjacente, cada nova descrição na literatura sobre alterações no trajecto e origem das artérias hepática e cística, são de extrema importância.
Apresenta-se o caso clínico de doente, no qual se identificou uma artéria hepática direita aberrante com um trajecto invulgar durante a realização de uma colecistectomia laparoscópica electiva.
Mulher, 29 anos, com excesso de peso (IMC 28.5), sem outros antecedentes pessoais relevantes. Referenciada à consulta de cirurgia geral por litíase biliar sintomática caracterizada por episódios recorrentes de dor abdominal nos quadrantes direitos, acompanhados de náuseas e vómitos, com 6 meses de evolução. Não tinha alterações ao exame objectivo. Foi proposta para colecistectomia laparoscópica electiva.
O procedimento cirúrgico iniciou-se com o estabelecimento de pneumoperitoneu e colocação standard de trocares. Não se verificaram adesões do grande epíploon à vesicula biliar e após a retracção supero-externa do infundíbulo, visualizou-se o triângulo de Calot. Durante a sua dissecção, identificou-se o canal cístico e uma estrutura vascular pulsátil, com calibre e trajecto não compatíveis com a artéria cística (Figura 2). Laqueou-se o canal cístico, e a estrutura arterial maior do que a artéria cística foi libertada da vesicula biliar sem laqueações ou cortes. Esta estrutura dirigia-se para a vesicula, envolvida pelo dirigia-seu peritoneu e percorria o colo e o fundo anteriormente. Durante o seu percurso, originava a artéria cística ao nível do corpo e dividia-se em dois ramos perto do fundo vesicular, que alcançavam o lobo hepático direito em localizações distintas. O vaso identificado tratava-se de uma artéria hepática direita aberrante. Após a remoção da vesicula biliar, visualizou-se o percurso da artéria hepática direita aberrante ao longo do leito vesicular, dividindo-se em dois ramos antes de entrar no fígado ao nível do segmento V numa localização pouco comum (Figura 3). A restante cirurgia foi concluída como uma colecistectomia laparoscópica não complicada.
.
Fig. 1 – Visualização normal da (1) artéria cística e (2) canal cístico após dissecção do triângulo de Calot durante a realização de uma colecistectomia, designada “critical safe view”.
Fig. 2 – No caso clínico apresentado, após a dissecção do triângulo de Calot, identificação do (2) canal cístico e (1) estrutura vascular pulsátil correspondente a artéria hepática direita aberrante, percorrendo anteriormente o colo e o fundo da vesicula biliar.
Fig. 3 – Após a remoção da vesicula biliar, visualizou-se o percurso da Artéria hepática direita aberrante ao longo do leito vesicular, dividindo-se em dois ramos antes de entrar no fígado ao nível do segmento V numa localização invulgar.
1 2
2 1
Após a cirurgia, e com o intuito de esclarecer a anatomia vascular e as suas variações, a doente realizou uma AngioTAC (Figura 4), que documentou a presença de uma artéria hepática direita com o ostium na artéria mesentérica superior, e artéria hepática esquerda com origem no tronco celíaco, existindo igualmente uma artéria hepática acessória esquerda dirigida para o segmento II-III com ostium na artéria gástrica esquerda, também com origem no tronco celíaco (variante da normalidade). Evidencia-se ainda a divisão da artéria hepática direita em 2 ramos com entradas distintas no fígado numa localização anterior.
DISCUSSÃO:
A introdução da colecistectomia laparoscópica renovou o interesse pela anatomia das vias biliares e vascularização hepática. As variações ao nível da origem e trajecto da artéria cística e artéria hepática direita apresentam particular importância na cirurgia laparoscópica.
Na anatomia arterial clássica, o tronco celíaco origina três ramos4 - a artéria gástrica esquerda, a artéria esplénica e a artéria hepática comum. Posteriormente, a artéria hepática comum divide-se, originando a artéria gastroduodenal e a artéria hepática própria, esta última bifurcando-se em artéria hepática direita e artéria hepática esquerda, garantindo assim todo o suprimento vascular do fígado (Figura 5). Em 12-49% dos casos5, a vascularização hepática não está limitada ao ramo hepático com origem no tronco celíaco. Verifica-se a presença de uma artéria hepática direita aberrante em 15-25% dos doentes6, na maioria das vezes com origem na artéria mesentérica superior. Outras origens menos frequentes incluem a artéria gastroduodenal, a artéria gástrica direita e a aorta7-9. No caso apresentado, destaca-se a presença de uma artéria hepática esquerda acessória com origem na artéria gástrica esquerda, a ausência de artéria hepática própria e uma artéria hepática direita aberrante com origem na artéria mesentérica superior e trajecto invulgar (Figura 5). Geralmente, a artéria hepática direita é vista anteriormente à junção do canal cístico
1
2
3
Fig. 4 – AngioTAC, (1) artéria hepática esquerda acessória com origem na artéria gástrica esquerda, (2) Artéria hepática direita aberrante com origem na artéria mesentérica superior, (3) Artéria hepática esquerda, ausência da artéria hepática própria.
com a via biliar comum, contudo existem várias alterações descritas. Em 25% dos casos a artéria hepática direita passa interna e posteriormente à vesicula e canal cístico antes de entrar no fígado6, e entre as descrições mais raras, salienta-se a presença de uma artéria hepática direita aderente ao canal cístico e ao colo da vesícula10. Da pesquisa realizada, identificou-se apenas um caso semelhante6 ao que apresentamos, no qual a artéria hepática direita se dirige anteriormente para a vesícula, coberta pelo seu peritoneu, percorrendo o colo e o fundo anteriormente, antes da entrada no fígado.
A artéria cística, geralmente tem origem na artéria hepática direita ao nível do triângulo de Calot, no entanto, e tal como no caso apresentado, em 5-10% dos doentes origina-se de uma artéria hepática direita aberrante11-12 (Figura 5).
As variações relacionadas com a anatomia da vascularização arterial biliar e hepática são de extrema importância em procedimentos cirúrgicos e radiológicos que envolvam o fígado. A falência no reconhecimento destas alterações pode resultar em múltiplas complicações. No caso da colecistectomia laparoscópica destaca-se o risco de hemorragia ou isquémia hepática, secundária à laqueação inadvertida de uma artéria hepática direita aberrante9, por vezes com necessidade de lobectomia13. Embora não esteja clinicamente indicado como procedimento de rotina, o estudo angiográfico pode ser útil na identificação de tais variações anatómicas.
Assim, para a realização da colecistectomia de modo seguro e sem complicações, especialmente por laparoscopia, torna-se vital que o cirurgião esteja familiarizado com as variações anatómicas do sistema arterial hepatobiliar. Estas, devem por isso continuar a ser apresentadas, mesmo que sejam raras e não existam estudos
Fig. 5 – Na imagem esquerda, esquema ilustrativo da anatomia arterial mais frequentemente encontrada, em comparação com a imagem à direita, com as alterações descritas no caso apresentado.
Fígado Artéria Cística Artéria Hepática Esquerda Artéria Gástrica Esquerda Artéria Mesentérica Superior Artéria Hepática Direita Artéria Hepática Esquerda Acessória Artéria Hepática Direita Aberrante
realizados em grandes séries. O presente caso ilustra assim mais uma variação da anatomia da vascularização hepática que servirá de complemento à literatura.
BIBLIOGRAFIA:
1. Cimmino PT, Boccheti T, Izzo, L. Anatomo-surgical considerations in laparoscopic cholecystectomy. G. Chir. 1992; 13:149.
2. Benson EA, Page RE. A practical reappraisal of the anatomy of the extrahepatic bile duct and arteries. Br. J. Surg1922; 10:509.
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5. Koops A, Wojciechowski B, Broering DC, et al. Anatomic variations of the hepatic arteries in 604 selective celiac and superior mesenteric angiographies. Surg Radiol Anat 2004; 26:239–244.
6. Matthew JB, Angela RF, Todd A, et al. Aberrant Right Hepatic Artery in
Laparoscopic Cholecystectomy. J. Society of Laparoendoscopic Surgeons 2006; 10:511–513
7. Jones R, Hardy K. Surgical technique- the hepatic artery: a reminder of surgical anatomy. J Royal Coll Surg 2001; 46:168-70.
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12. Suzuki M, Akaishi S, Rikiyama T, et al. Laparoscopic cholecystectomy, Calot’s triangle, and variations in cystic arterial supply. Surg Endosc. 2000; 14:141–144. 13. Uenishi T, Hirohashi K, Tanaka H, et al. Right hepatic lobectomy for recurrent cholangitis bile duct injury during laparoscopic cholecystectomy: case.
ANEXO II
ATIVIDADES FORMATIVAS
CERTIFICADOS DE PARTICIPAÇÃO
27ª Jornadas de Cardiologia Hospital Egas Moniz Desafios na autoimunidade
Sedação e Analgesia
Jornadas de Neonatologia do HBA - Infecciologia Neonatal
3º Curso de abordagem ao doente urgente: do diagnóstico à terapêutica -
Introdução à abordagem do trauma
Simpósio “Pelvic Happiness for Pelvic Cancer Patients – Function Preservation by
Treatmente Precision”
Certificado de Frequência de Formação Profissional
Certifica-se que Marta Alexandra Rodrigues Melo , natural de Queluz, nascido/a a
24/09/1991, nacionalidade Portuguesa, portador do Cartão do Cidadão Nº 13928904 válido até 09/05/2016,participou no Curso de Formação Profissional Desafios na autoimunidade que decorreu em 31/10/2014 no/a Hospital Beatriz Ângelo com a duração total de 8 horas.
Lisboa, 31 de Outubro de 2014
O Responsável pela ADVITA - Associação para o Desenvolvimento Novas Iniciativas para a Vida
(Assinatura e selo branco ou carimbo da entidade formadora Certificada)
Certificado n.º 3589/2014
De acordo com o modelo publicado na Portaria n.º 474/2010
Certificado de Frequência de Formação Profissional
Certifica-se que Marta Alexandra Rodrigues Melo , natural de Queluz, nascido/a a
24/09/1991, nacionalidade Portuguesa, portador do Cartão do Cidadão Nº 13928904 válido até 09/05/2016,participou no Curso de Formação Profissional Jornadas de Neonatologia do HBA - Infecciologia Neonatal que decorreu em 07/11/2014 no/a Hospital Beatriz Ângelo com a duração total de 5 horas.
Lisboa, 07 de Novembro de 2014
O Responsável pela ADVITA - Associação para o Desenvolvimento Novas Iniciativas para a Vida
(Assinatura e selo branco ou carimbo da entidade formadora Certificada)
Certificado n.º 3752/2014
De acordo com o modelo publicado na Portaria n.º 474/2010
Certificado de Frequência de Formação Profissional
Certifica-se que Marta Alexandra Rodrigues Melo , natural de Queluz, nascido/a a
24/09/1991, nacionalidade Portuguesa, portador do Cartão do Cidadão Nº 13928904 válido até 09/05/2016,participou no Curso de Formação Profissional 3º Curso de abordagem ao doente urgente: do diagnóstico à terapêutica - Introdução à abordagem do trauma que decorreu em 13/12/2014 no/a Hospital Beatriz Ângelo com a duração total de 8 horas.
Lisboa, 13 de Dezembro de 2014
O Responsável pela ADVITA - Associação para o Desenvolvimento Novas Iniciativas para a Vida
(Assinatura e selo branco ou carimbo da entidade formadora Certificada)
Certificado n.º 4447/2014
De acordo com o modelo publicado na Portaria n.º 474/2010
1º CURSO DE
Gastroenterologia
Oncológica
CERTIFICADO
Certifica-se que
participou no 1º Curso de Gastroenterologia Oncológica, organizado pelos Serviços de Gastrenterologia do Grupo Hospitalar Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, realizado no anfiteatro do Instituto Português de Oncologia de Lisboa , no dia 08 de Maio de 2015.
Lisboa, 08 de Maio de 2015
Director do Serviço de Gastroenterologia do IPO de Lisboa
Dr. António Dias Pereira