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RESUMO SOBRE RESPONSABILIDADE CIVIL NAS RELAÇÕES DE CONSUMO

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Academic year: 2021

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Trabalho de Direito Civil V – Prof. Gago FDSBC - 4º bimestre/2012

Renata Sampaio Valera Nayara Nancy Ferreira da Silva Fernanda Caroline de Amorim Lemos

Camila Carolina Muniz Marília Melo Alves Martins

Vinícius Guarnieri Sala Bruno Alves Amoroso

SUMÁRIO

1. ASPECTOS GERAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL NAS RELAÇÕES DE

CONSUMO ...2

2. RESPONSABILIDADE OBJETIVA ...4

2.1. RESPONSABILIDADE PELO FATO (DO PRODUTO E DO SERVIÇO)...4

2.1.1. Fato do produto ... 5

2.1.2. Fato do serviço ... 6

2.2. RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO (DO PRODUTO OU DO SERVIÇO) ...6

2.2.1. Vício do produto ... 7 2.2.1.1. Vícios de qualidade ... 7 2.2.1.2. Vícios de quantidade ... 7 2.2.2. VÍCIO DO SERVIÇO ... 8 2.2.2.1. Qualidade do serviço ... 8 2.2.2.1. Quantidade do serviço ... 9 3. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA ...9

4. EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL ...9

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1. ASPECTOS GERAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL NAS RELAÇÕES DE CONSUMO

CDC: É o Código de Defesa do Consumidor1 que trata da responsabilidade civil nas relações de consumo, e não o Código Civil.

Relações de consumo: São relações de consumo aquelas que tem como sujeitos o consumidore o fornecedor e como objeto o produto e/ou o serviço.

o Sujeitos:

─ Fornecedor: É “toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços” (art. 3º do CDC).

─ Consumidor: “É toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final” (art. 2º do CDC). Acerca do conceito de destinatário final a doutrina divide-se entre, basicamente, duas correntes (a finalista e a maximalista).

o Objeto:

─ Produto: “Qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial” (art. 3º, § 1º, CDC)

─ Serviço: “Qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista” (art. 3º, § 2º, CDC)

Âmbito de aplicação do CDC e do CC: É importante salientar que, conforme se refere a lei (art. 3º CDC), o que caracteriza alguém como fornecedor é a “atividade” (a prática de atos continuados e habituais, e não a prática de atos isolados), de modo que não é considerado fornecedor quem celebra, de forma eventual, um contrato de compra e venda, mas sim aquele que exerce habitualmente a atividade de comprar e vender2. Portanto, em razão de o conceito de fornecedor estar intimamente ligado à ideia de atividade empresarial, continua regida pelo Código Civil a compra e venda

de carro usado (p. ex.) entre particulares, inserindo-se, porém, no âmbito do Código de Defesa do Consumidor a compra do mesmo carro usado efetuada perante uma revendedora3.

Regras gerais de responsabilidade civil no CDC: Cumprindo a tarefa de proteção dos consumidores, reconhecidamente os sujeitos vulneráveis das relações de consumo na atual sociedade massificada, o CDC consagrou, em matéria de responsabilidade civil nas relações de consumo, as seguintes normas:

─ Responsabilidade objetiva como regra (somente há responsabilidade subjetiva no caso do art. 14, § 4º, CDC – profissionais liberais por fato do serviço);

─ Solidariedade passiva dos fornecedores para responder pelos danos (art. 7º, parágrafo único4 e art. 125 do CDC); exceto no caso de responsabilidade

1

O CDC surgiu na dec. 90 (Lei nº 8.078/90) em razão do reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor perante a sociedade de produção e de consumo em massa e a necessidade de uma lei que se preocupasse com este aspecto social, de modo que esta é uma lei de cunho eminentemente protetivo.

2 “Assim como não é fornecedor quem vende a sua casa ou seu apartamento, mas o construtor que exerce a

atividade de venda dos imóveis que constrói, habitual e profissionalmente”. GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 388-389.

3

GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 388-389.

4 “O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem,

independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos”.

5 Quando: “(I) o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; (II) o

produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; (III) não conservar adequadamente os produtos perecíveis”.

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subsidiária do comerciante no caso de fato do produto (art. 13 CDC6), ressalvado seu direito de regresso (art. 13, parágrafo único, CDC7);

─ Inexistência de limite para indenização (havendo danos causados aos consumidores, o fornecedor deve indenizá-los integralmente)8;

─ Impossibilidade de excluir ou atenuar contratualmente a indenização, pois o art. 51, I, CDC9 considera este tipo de cláusula abusiva e, portanto, nula10;

─ Determinação da aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica em relação a pessoas jurídicas e a grupos de sociedades, permitindo-se, assim, atingir-se o patrimônio dos sócios ou acionistas, para a satisfação do direito dos lesados, “quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social” e, também, “quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração” (art. 28 CDC);

─ Limitação das possibilidades de exclusão da responsabilidade civil pelos arts. 12, § 3º e 14, §3º do CDC;

─ Equiparação de todas as vítimas aos consumidores no caso de existência de lesões ou problemas com bens (art. 2º, parágrafo único, CDC11);

─ Possibilidade da cumulação de indenização de danos morais e materiais causados ao consumidor12; e

─ Impossibilidade de denunciação da lide (art. 88 CDC), mas possibilidade de chamamento ao processo13, inclusive da seguradora (art. 101, II, CDC).

6 “Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais

responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso”.

7

Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.

8 Conforme Gonçalves: “No sistema brasileiro, não existe limitação para indenização, também denominada

'indenização tarifada'. De modo que, havendo danos causados aos consumidores, o fornecedor deve indenizá-los em sua integralidade”. (Responsabilidade civil. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 390)

9

"São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que [...] impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis"

10

Gonçalves, citando Nelson Nery Júnior (Aspectos da responsabilidade civil do fornecedor no Código de Defesa do consumidor, Revista do Advogado, n. 33, p. 78-9), comenta que atualmente este tipo de cláusula de exclusão de responsabilidade civil é muito comum, por exemplo, em avisos existentes em estacionamentos de automóveis. Contudo, com a entrada em vigor do CDC, tais cláusulas não tem mais eficácia.

11 “Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas

relações de consumo”.

12 Conforme ensina Gonçalves, a conjuntiva “e” no texto do art. 6º, VI, CDC (“são direitos básicos do

consumidor” [...] “a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos”), ao invés da conjuntiva “ou”, “deixa expressa a possibilidade de haver cumulação das indenizações por danos morais e patrimoniais ao direito do consumidor (Nelson Nery Júnior, Revista do Advogado, cit., p. 79). Nesse sentido proclama a Súmula 37 do STJ: 'São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato'.” (p. 391)

13 “Tendo em vista, porém, que o art. 90 proclama aplicarem-se às ações que objetivam a defesa do

consumidor as normas do Código de Processo Civil, pode o fornecedor acionado chamar ao processo os demais devedores solidários (CPC, arts. 77 a 80), para haver deles a respectiva cota-parte, prosseguindo no mesmo processo ou ajuizando contra eles ação autônoma.” GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 393.

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2. RESPONSABILIDADE OBJETIVA

 O CDC consagrou a responsabilidade objetiva do fornecedor em razão da sociedade de produção e de consumo em massa, não havendo a necessidade da prova de culpa para que haja a obrigação de indenizar do fornecedor, somente sendo necessário demonstrar a existência do dano, da conduta e do nexo de causalidade.

Espécies de responsabilidade civil objetiva no CDC: o Responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço o Responsabilidade por vícios do produto ou do serviço.

Fato ≠ Vício: Fato e vício são formas distintas de problemas que podem atingir o consumidor (e terceiros a ele equiparados em caso de dano14), apresentados pelos produtos ou serviços no mercado de consumo.

Fato Vício

O fato também é chamado de defeito ou acidente de consumo.

O vício é ligado a uma impropriedade ou inadequação do objeto de consumo, havendo problema de qualidade ou de quantidade (a repercussão é intrínseca). Ele torna o produto ou serviço impróprio ou inadequado (para o consumo), ou reduz seu valor.

Constitui exteriorização de algum vício que cause risco ou dano físico-psíquico ao consumidor ou a terceiros (a repercussão é extrínseca), ou seja, é a afetação externa que o vício produz, com repercussão, de perigo ou de dano, à incolumidade físico-psíquica do consumidor ou de terceiros.

O fato produz dano ao consumidor, atingindo-o diretamente.

O vício não produz dano ao consumidor, não atinge a pessoa diretamente.

Ex: Liquidificador com problema na hélice, que rompe o copo e corta a mão do consumidor ou de terceiro que não comprou o produto.

Ex: Liquidificador com problema na hélice, que faz com que ela gire muito fraca e devagar (mas nada acomete a incolumidade físico-psíquica de ninguém).

Há dois tipos de fato previstos no CDC: o fato do produto (arts. 12 e 13) e o fato do serviço (art. 14).

Há dois tipos de vício no CDC: o vício do produto (arts. 18 e 19) e o vício do serviço (art. 20).

É responsabilizado o fabricante, produtor,

construtor ou importador (art. 12) e,

subsidiariamente, o comerciante (art. 13).

A responsabilidade é solidária entre todos os fornecedores, inclusive o comerciante15 (art. 18). Prescreve em 5 anos a pretensão à reparação

pelos danos causados por fato do produto ou do serviço (art. 27).

O prazo para reclamar, que é decadencial, é de 30 dias para produtos não duráveis e 90 dias para produtos duráveis (art. 26).

2.1. RESPONSABILIDADE PELO FATO (DO PRODUTO E DO SERVIÇO) Previsão legal: Arts. 12 ao 17 do CDC.

14

Art. 2º, parágrafo único, CDC.

15 “APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E

MORAIS. DEFEITO NO PRODUTO. DESCASO COM O CONSUMIDOR. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO COMERCIANTE. INOCORRÊNCIA. Em se tratado de pedido indenizatório decorrente de vício do produto, é parte legítima o comerciante, mesmo que possível a identificação do fabricante, a teor do art. 18 do CDC. (...)”. (TJRS, 10ª Câmara Cível. Apelação Cível n. 70046917308 RS. Rel. Paulo Roberto Lessa Franz. Julgado em 01/02/2012. Publicação no Diário da Justiça de 09/02/2012)

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Conceito: Conforme já mencionado supra, o fato deriva de danos causados pelo produto ou serviço ao consumidor ou a terceiros (“acidentes de consumo”). Ex: defeitos de fabricação em carros que causem acidentes (carro é fabricado com problema no freio e causa acidente), medicamentos nocivos à saúde e agrotóxicos prejudiciais à plantação16.

Prescrição do direito de indenização de fato do produto ou serviço: Prescreve em 5 anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria (art. 27 CDC).

2.1.1. FATO DO PRODUTO Previsão legal: Art. 12 CDC

Conceito:

o A doutrina costuma separar o fato do produto em três modalidades (art. 12,

caput):

 Defeitos de concepção (ou criação): defeitos decorrentes de projeto, formulação, inclusive design dos produtos;

 Defeitos de produção (ou fabricação): decorrentes de fabricação, construção, montagem, manipulação e acondicionamento dos produtos;  Defeitos de informação (ou de comercialização): decorrentes de apresentação, informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos, inclusive a publicidade.

o Ademais, o CDC se preocupa em explicitar que “o defeito que suscita o dano não é o defeito estético, mas o defeito substancial relacionado com a segurança que dele legitimamente se espera17, levando-se em consideração aspectos extrínsecos, como a apresentação do produto, e intrínsecos, relacionados com a sua utilização e a época em que foi colocado em circulação”18

(art. 12, § 1º).

o Não é defeito: O CDC ressalva que “o produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado” (art. 12, § 2º).

Responsabilidade do comerciante: A princípio, o comerciante está excluído da responsabilidade no caso de fato do produto, apesar de o CDC ter estatuído a solidariedade entre fornecedores. Deste modo, a responsabilidade do comerciante é subsidiária (conforme o art. 13 CDC o comerciante só é responsabilizado quando o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; quando o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; ou quando ele não conservar adequadamente os produtos perecíveis). Contudo, apesar de responsabilizado, o comerciante tem direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso (art. 13, parágrafo único, CDC).

16

Gonçalves, p. 391-392.

17

Exemplo: Defeito no airbag.

18

GRINOVER, Ada Pellegrini [et al.] Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011, p. 201.

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2.1.2. FATO DO SERVIÇO

Previsão legal: Em relação ao serviço a situação não é muito diferente, contudo, a previsão está disposta no art. 14 CDC.

Conceito:

o Em analogia ao fato do produto (art. 12 CDC), o art. 14 dispõe que o fato do serviço consiste em:

 Defeitos relativos à prestação dos serviços (caput);

 Defeitos relativos a informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos (caput);

 Defeitos em razão de insegurança que não era legitimamente esperada (§ 1º).

o Não é defeito: Igualmente em relação ao fato do produto, o art. 14, § 2º adverte que “o serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas”.

2.2. RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO (DO PRODUTO OU DO SERVIÇO) Previsão legal:

o Responsabilidade pelo vício do produto: art. 18 CDC o Responsabilidade pelo vício do serviço: art. 21 CDC

Direito do consumidor de reclamar pelos vícios:

o Vícios aparentes: O direito de reclamar por vícios aparentes caduca em 30 dias para serviços e produtos não duráveis e 90 dias para serviços e produtos duráveis (art. 26), iniciando-se a contagem do prazo decadencial da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços (§1º).

o Vícios ocultos: Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito (§ 3º).

o Obstam o prazo decadencial: O consumidor que apresentar reclamação, devidamente comprovada, para que seja sanado o vício, obsta a decadência até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca (§ 2º, I). Também obsta a decadência a instauração de inquérito civil, até seu encerramento (§ 2º, II).

Responsabilidade solidária passiva: Tal como dita a regra geral da responsabilidade no CDC, há solidariedade passiva de todos aqueles que intervierem no fornecimento dos produtos (art. 18, caput, CDC).

o Exceção à responsabilidade solidária: Não há solidariedade passiva:

 Em relação ao fato do produto: Quando somente há a participação exclusiva do fornecedor imediato na causação do dano, restringindo a ele a responsabilidade perante o consumidor, nos casos de fornecimento de produtos in natura, exceto quando identificado claramente seu produtor (art. 18, § 5º, CDC);

 Em relação ao vício do produto: Nos casos de vícios de quantidade decorrentes de pesagem ou medição feita pelo fornecedor imediato

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utilizando instrumento que não esteja aferido segundo os padrões oficiais (art. 19, §2º, CDC).

2.2.1. VÍCIO DO PRODUTO

Modalidades: Há dois tipos de responsabilidade pelo vício do produto: o Vícios de qualidade (art. 18 CDC)

o Vícios de quantidade (art. 19 CDC)

2.2.1.1. VÍCIOS DE QUALIDADE Previsão legal: Art. 18 CDC

Conceito: São vícios de qualidade do produto aqueles que:

o Tornam os produtos impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam

─ Dita o art. 18, § 6° que são impróprios ao uso e consumo: (I) os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; (II) os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; e (III) os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam.

o Diminuam o valor do produto

o Apresentam disparidade entre o produto e a informação dada

Regularização do vício pelo fornecedor: Há prazo de, no máximo, 30 dias para regularização do vício pelo fornecedor (art. 18, § 1º). Este prazo pode ser reduzido ou ampliado pelas partes, desde que não seja inferior a 7 nem superior a 180 dias, sendo que nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor (art. 18, § 2º).

o Alternativas à escolha do consumidor:

─ Esgotado o prazo de 30 dias sem que seja sanado o vício o consumidor pode exigir, alternativamente, as possibilidades do §1º do art. 18: (I) a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso19; (II) a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; ou (III) o abatimento proporcional do preço.

─ Estas alternativas podem ser utilizadas de imediato pelo consumidor sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial (art. 18, § 3º).

2.2.1.2. VÍCIOS DE QUANTIDADE

19

Na impossibilidade da substituição por produto de mesma espécie (cf. art. 18, §1º, I), poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço (art. 18, § 4º).

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Previsão legal: Art. 19 CDC

Conceito: São vícios de quantidade do produto aqueles cujo conteúdo líquido seja inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, da rotulagem ou de mensagem publicitária.

Sanções alternativas: São alternativas à disposição do consumidor (art. 19): (I) o abatimento proporcional do preço; (II) complementação do peso ou medida; (III) a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios20; ou (IV) a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos.

2.2.2. VÍCIO DO SERVIÇO Modalidades:

o Vício de qualidade (art. 20 CDC) o Vício de quantidade (art. 20 CDC)

Exigência do emprego de peças originais nos serviços de reparação de produtos: No fornecimento de serviços que tenham por objetivo a reparação de qualquer produto considerar-se-á implícita a obrigação do fornecedor de empregar componentes de reposição originais adequados e novos, ou que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo, quanto a estes últimos, autorização em contrário do consumidor (art. 21 CDC).

Serviços públicos: Apesar de já inscrito na Constituição Federal o princípio da eficiência dos serviços públicos (art. 37 CF), o CDC dispõe que os serviços prestados por órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, precisam ser adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos (art. 22 CDC), destacando que nos casos de descumprimento, total ou parcial, destas obrigações, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados (art. 22, parágrafo único, CDC).

2.2.2.1. QUALIDADE DO SERVIÇO Previsão legal: Art. 20 CDC

Conceito: Os vícios de qualidade do serviço são aqueles: (I) que acarretam a inadequação ou impropriedade do serviço ao consumo a que se destinam (o art. 20, § 2º dita que “são impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade”); e (II) aqueles que lhes diminuam o valor.

Sanções alternativas: São alternativas à disposição do consumidor (art. 20): (I) a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível; (II) a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; ou (III) o abatimento proporcional do preço. Ainda, pode haver a reexecução do serviço por outro profissional, por conta e risco do fornecedor, tendo

20

Na impossibilidade da substituição por produto de mesma espécie, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço (art. 19, §1º).

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em conta que o consumidor, em se tratando de prestação de serviços, poderá não mais confiar no fornecedor que lhe prestou os serviços com vício (art. 20, §1º).

2.2.2.1. QUANTIDADE DO SERVIÇO Previsão legal: Art. 20 CDC

Conceito: Ainda que sem mencionar, o art. 20 alude aos vícios de quantidade como aqueles que apresentam disparidade com a oferta ou mensagem publicitária.

Sanções alternativas: As alternativas à disposição do consumidor são as mesmas que se impõem aos vícios de qualidade, acrescentando apenas a possibilidade de complementação do serviço.

3. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA

Previsão legal: Art. 14, § 4º, CDC

Exceção à regra da responsabilidade objetiva no CDC: No fornecimento de serviços por profissionais liberais há responsabilidade subjetiva (deve ser apurada mediante verificação da culpa), em razão da natureza intuitu personae desta atividade21 (não sendo, portanto, uma relação de consumo massificada).

Somente fato do produto ou do serviço: Estando em Seção específica do CDC, a responsabilidade subjetiva do profissional liberal não se dá em qualquer hipótese, pois o art. 14, § 4º, somente se aplica nos casos de responsabilidade oriunda de fato do produto ou serviço (acidente de consumo)22.

4. EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL

Taxatividade: As excludentes da responsabilidade civil são previstas de forma taxativa pelo CDC nos arts. 12, § 3º (fato do produto) e 14, § 3º (fato do serviço).

Fundamentos das excludentes: Só excluem a responsabilidade objetiva nas relações de consumo fatos que rompam o nexo causal ou quando há a culpa exclusiva da vítima ou de terceiro. A culpa concorrente não exime o fornecedor de indenizar.

Incidência: As excludentes só pode ser aplicadas no caso de fato do produto (art. 12, § 3º) ou do serviço (art. 14, § 3º). Por vícios não pode o fornecedor eximir-se da responsabilidade, pois o CDC não prevê excludentes, recaindo sobre eles as disposições do art. 18, § 1º; art. 19 e art. 20 do CDC. Ademais, impende salientar que, conforme prevê o art. 23 CDC, “a ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços não o exime de responsabilidade”.

Hipóteses do CDC: As causas excludentes no caso de fato do produto e no caso de fato do serviço são praticamente as mesmas, a saber:

21

Que é contratada com base na confiança que estes profissionais inspiram aos seus clientes. GRINOVER, Ada Pellegrini [et al.] Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011, p. 213.

22

Retirado de: http://jus.com.br/revista/texto/12332/a-responsabilidade-civil-subjetiva-no-codigo-de-defesa-do-consumidor#ixzz29ZNmAdBq

(10)

I) Que o defeito inexiste (neste caso não há responsabilidade pela inexistência de nexo causal);

II) Que a culpa é exclusiva do consumidor ou de terceiro (não se admitindo, portanto, a culpa concorrente como causa exoneratória da responsabilidade do fornecedor; o máximo que pode ocorrer é a diminuição do valor da indenização pela contribuição causal do consumidor ou de terceiro);

III) Que não prestou o serviço ou não colocou o produto no mercado (não há responsabilidade pela inexistência de nexo causal).

Caso fortuito ou força maior: A excludente do caso fortuito, ou força maior, não foi inserida no rol das excludentes da responsabilidade do fornecedor. Contudo, a arguição desta excludente é admitida pela jurisprudência, pois o fato inevitável rompe o nexo de causalidade, especialmente quando não guarda nenhuma relação com a atividade do fornecedor, não se podendo, destarte, falar em defeito do produto ou do serviço23.

BIBLIOGRAFIA

GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. GRINOVER, Ada Pellegrini [et al.] Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado

pelos autores do anteprojeto. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011.

Endereço eletrônico: http://jus.com.br/revista/texto/12332/a-responsabilidade-civil-subjetiva-no-codigo-de-defesa-do-consumidor#ixzz29ZNmAdBq

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Referências

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