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JUSTIÇA, DEMOCRACIA E DIREITO: APONTAMENTOS DE MARIA
GRAÇA DOS SANTOS DIAS
JUSTICE, DEMOCRACY AND THE LAW: APOINTMENTS OF MARIA
GRAÇA DOS SANTOS DIAS
Priscila Gonçalves De Castro* Resumo
Este artigo trata dos pensamentos, opiniões e conseqüentemente das obras da autora e professora Maria da Graça dos Santos Dias. Busca-se tecer algumas considerações sobre algumas categorias por ela muito utilizadas, que seriam: justiça, democracia e direito. Adota-se o método dedutivo e as técnicas do referente, além de pesquisa de fontes bibliográficas.
Palavras-chave: Maria da Graça dos Santos Dias. Justiça. Democracia. Direito.
Abstract
This article deals with the thoughts, opinions and therefore the works of the author and Professor Maria da Graça Dias dos Santos. The aim is to make a few remarks about some categories used by it too, which would be: justice, democracy and law. Is adopted the deductive method and related techniques, and research library resources.
Keywords: Maria da Graça dos Santos Dias. Justice. Democracy. Right.
INTRODUÇÃO
O presente artigo científico tem como objeto o estudo, sucinto, dos pensamentos, opiniões e conseqüentemente das obras da autora e professora Maria da Graça dos Santos Dias.
Constitui-se como objetivo geral deste trabalho realizar um breve relato sobre algumas categorias tratadas constantemente pela professora Maria da Graça, que seriam: justiça, democracia e direito. Neste aspecto buscou-se os seus apontamentos, bem como a análise de outros autores constantemente utilizados pela professora e que por conseqüência serviram como base para o seu pensamento.
A validade da pesquisa decorre do fato de estarmos vivenciando momentos de grandes injustiças e de descrença na democracia no direito. Verificar
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mais de perto os fundamentos dessas base é fundamental para tentar encontrar uma saída para um futuro melhor e almejado.
O presente Relatório de Pesquisa se encerra com as considerações finais, na qual são apresentados pontos conclusivos destacados. Assim, com este roteiro, espera-se alcançar o intuito que motivou preferência por este estudo, qual seja, a aplicação dos conhecimentos e a estimulação à continuidade dos estudos em face dos ensinamentos da professora Maria da Graça dos Santos Dias.
Ademais, adota-se o método dedutivo e as técnicas do referente, além de pesquisa de fontes bibliográficas.
1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
A autora Maria da Graça dos Santos Dias trata, em grande parte das suas obras, acerca das categorias: Justiça, Democracia e Direito. Para a professora esses termos possuem grande relevância uma vez que vivemos atualmente diversas situações de injustiças, e em tempos de complexidades e de perplexidades, diante das profundas crises: econômica, social, cultural e política que abalam a Sociedade e o Estado contemporâneos.
Corroborando com o tema a autora utiliza-se do conhecimento de outros pensadores, como Nicolas Maria Lopez Calera, Otfried Hoffe e Michel Maffesoli.
Tendo como fundamento esses pensadores é que será dado continuidade ao presente artigo.
1.1 Justiça
Quando trata-se da categoria "justiça" a professora Maria da Graça esclarece que esse termo está diretamente ligado com o social, uma vez que o direito volta-se para as relações humanas1.
1 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
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Maffesoli explica que a ciência precisa romper com o fechamento da razão lógica e recuperar a razão sensível, para que possa compreender a socialidade nascente que se expressa em todas as formas de solidariedades coletivas, nas relações afetuais, proxêmicas e empáticas, no sentimento de pertença a distintos grupos – neotribalismo – na identificação com um nós que supera todos os individualismos, na ação conjunta que busca a transformação do tempo presente e leva a constituição da comunidade de destino2.
Corroborando com o tema Nicolas Calera e Otfried Hoffe esclarecem que "legítimo não é qualquer Direito, mas o que realize a Justiça - o Direito Justo"3.
Porém o que define o que é justo deve ter como base o pensamento e a visão que são aceitas e compartilhadas pela sociedade, ou seja, é expressar aquilo que a sociedade deseja e valora como indispensável para sua própria ordenação4.
Neste sentido verifica-se que o que torna algo justo ou injusto nada mais é do que a produção cultural da sociedade.
Lopez Calera conduz seus ensinamentos neste mesmo norte, uma vez que informa que deve a sociedade decidir “o que é justo, eqüitativo e saudável para seu destino social e político” 5.
Desta forma os valores que constituem o direito não são eternos, verdades universais e perenes. São verdades que se alteram historicamente no tempo e no espaço6.
Para a professora Maria da Graça Justiça pode ser compreendida como dar a cada um o que é seu, como sinônimo de justeza, proporção etc. Quando é concedido menos do que o justo acaba-se violando o direito, e quando há mais do que o justo atua-se em outra ordem que não a jurídica7.
2 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
3 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 39.
4 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 40.
5 LOPEZ CALERA, Nicolas Maria. Crónica y utopia: filosofia de mi tiempo (1973-1991). Granada:
Editorial Camares, 1992. p. 11.
6 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 40.
7 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
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Todavia, na atualidade o que percebe-se é a busca constante de justiça, e isto ocorre em um momento de grandes injustiças sociais, ou melhor, em uma fase em que a população consegue distinguir, perceber e reclamar por essas injustiças.
A dificuldade em dar efetividade a justiça está diretamente ligada a questões práticas, concretas, referente a demandas existenciais do homem,como: alimentação, habitação, saúde, educação segurança, lazer, identidade, participação, etc. 8.
Porém, no momento em que lutamos por justiça, automaticamente, luta-se pela democracia. Assim, a luta pelo direito justo é a luta por um direito democrático9.
Para o filósofo Nicolás Calera a justiça do direito consiste em sua legitimação democrática, que significa politizá-lo, assim sendo democracia é politização10.
Dessa forma a justiça pode ser compreendida como um longo caminho a ser percorrido na tentativa de alcançar a inalcançável justiça perfeita entre os homens11.
O direito efetiva-se como um mecanismo de humanização do homem quando garante a justiça das relações sociais, políticas, econômicas e jurídicas12.
Para a professora Maria da Graça a Justiça caracteriza-se como uma práxis humana, cuja pretensão é a resolução das questões próprias da vida social. Não constitui uma categoria metafísica, mas sim cultural, inscrevendo-se na ordem histórica. Daí a pluralidade de sentidos da Justiça e a diversidade dos sistemas de valores13.
8 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 47.
9 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 47.
10 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 48.
11 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 48.
12 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
13 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
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Assim, há a necessidade de estar sempre revisando as normas jurídicas, para que “haja sempre mais direito e menos injustiça, ou seja para que as normas jurídicas correspondam sempre melhor ao Direito” 14.
Acerca das questões de injustiça social a professora Maria da Graça esclarece:
A consciência e o sentimento de justiça são próprios do ser humano e forjadas na efervescência da vida social, marcados tanto pelas situações de injustiça social – disparidades sociais e econômicas, conflitos étnicos, intolerâncias religiosas, degradação da qualidade de vida e do meio ambiente, exclusão social e violência – quanto pelas manifestas expressões de solidariedade, empatia, afetividade, altruísmo, cuidado e consideração pelo outro.15
Tendo em vista que a sociedade encontra-se cada vez mais dinâmica, há uma grande necessidade de resignificar o direito, atualizando assim o seu sentido conforme as demandas de justiça presentes no imaginário social16.
Ocorre o sentimento de justiça e a luta para a sua realização constitui elemento em torno do qual se produz agregação social. O social aparece como elemento fundacional do fenômeno jurídico, ao mesmo tempo em que o direito vai influenciar na formação da consciência da sociedade sobre o justo17.
Dessa forma, o imaginário social é habitado pelo desejo de uma vida com qualidade, pela esperança de realização de um direito legítimo, justo, útil e ético18.
Encera-se assim um sucinto relato acerca do posicionamento da professora Maria da Graça, e de alguns autores, por ela muito utilizados, sobre a categoria "justiça", na seqüência irá ser tratado de outra categoria "democracia".
14 LUIJPEN, Wilhelmuss Antonius Maris. Introdução à fenomenologia existencial. São Paulo: EPU,
1973. p. 329.
15 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
16 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
17 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
18 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
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2 DEMOCRACIA
Ao tratarmos da categoria Democracia, importante se faz recorrer aos conceitos e disposições da professora Maria da Graça e de alguns renomados autores como Norberto Nobbio, Maria Lopez Calera, etc.
Democracia no ponto de vista de Bobbio é efetivada quando há garantido e reconhecido o direito, caso contrário ela não ocorrerá. Referido autor explica ainda que sem democracia não há condições mínimas para o solução pacífica dos conflitos sociais. Em outras palavras, a democracia é a sociedade dos cidadãos. Os súditos passam a ser cidadãos quando seus direitos fundamentais são reconhecidos. Só haverá paz estável, uma paz que não tenha por alternativa a guerra, quando houver cidadãos não apenas neste ou naquele Estado, mas no mundo organizado em um sistema jurídico democrático19.
Já Calera dispõe:
Democracia quer significar autonomia sócio-política e igualdade individual para a participação nos assuntos que afetam o destino social. A democracia para dar resultados autenticamente humanos exige uma maturidade social.20
Em meio a esses conceitos a professora Maria da Graça trata de algumas problemáticas da democracia:
Hoje, assiste-se a momentos dramáticos de crise da democracia, com a perda da autonomia econômica dos Estados nacionais, pela internacionalização do capital, o que coloca em risco a soberania dos Estados. A democracia, tanto em nossa realidade nacional como no contexto internacional, está ameaçada pela graves e profundas injustiças sociais e desequilíbrios econômicos, bem como pela ausência de tradição democrática na cultura ocidental.21
Porém, Calera é pontual ao informar que "No terreno jurídico e político mais vale sofrer os erros da democracia (a maioria sofre os erros da maioria) que se entregar a sábios iluminados e ditadores que dizem conhecer a moral
19 BOBBIO, Norberto. O tempo da memória. De senectute e outros escritos autobiográficos.
Tradução de Daniela Beccaccia Versiani. Rio de Janeiro: Campus, 1997. Título original: De senectute. p. 164.
20 CALERA, Nicolás López. Cronica y utopia: filosofia de mi tiempo (1973-1991). Granada: Editorial
Comares, 1992. p. 5.
21 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
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objetiva, a justiça objetiva, mas que também podem equivocar-se (a maioria sofre os erros da minoria). 22"
Corroborando Norberto Bobbio aduz que a maior ameaça a democracia é o excesso de democracia23. Destacando que não há maior inimigo da democracia que o cidadão apático, indiferente, cético ou, pelo contrário, pouco respeitador das regras, que infringe sem muitos escrúpulos, quando está certo de passar despercebido24.
Bobbio ainda relata:
Sou um democrata convicto, a ponto de continuar a defender a democracia mesmo quando é ineficiente, corrupta, e corre o risco de precipitar-se nos dois extremos da guerra de todos contra todos, ou a ordem importa de cima para baixo. A democracia é o lugar onde os extremistas não prevalecem (e se prevalecem, a democracia acaba).25
A democracia não pode ser pensada como um sistema perfeito, prono e acabado que dê conta de resolver os conflitos sociais, políticos e econômicos na sua integralidade 26.
Segundo a professora Maria da Graça "uma das questão que mais provocam a descrença na democracia situa-se no descompasso entre a democracia ideal (forma constitucional) e a democracia real. Há um divórcio entre a proposição teórica e a concreção prática da democracia. 27"
Porém em uma democracia é essencial que o Estado busque uma aproximação com a sociedade, pois o Estado deve organizar-se em razão da sociedade, uma vez que a democracia é efetivada através de um processo e
22 CALERA, Nicolás López. Cronica y utopia: filosofia de mi tiempo (1973-1991). Granada: Editorial
Comares, 1992. p. 46.
23 BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. Uma defesa das regras do jogo. Tradução de Marco
Aurélio Nogueira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. Título original: II futuro della democrazia. Uma difesa delle regole del gioco. p. 26.
24 BOBBIO, Norberto. Da democracia para uma certa idéia da Itália. In. OLIVEIRA JÚNIOR, José
Alcebíades (org.). O novo em direito e política. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1997. p. 116.
25 BOBBIO, Norberto. O tempo da memória. De senectute e outros escritos autobiográficos.
Tradução de Daniela Beccaccia Versiani. Rio de Janeiro: Campus, 1997. Título original: De senectute. p. 146-147.
26 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 51.
27 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
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somente com uma efetiva participação social é que conseguiremos levar a sociedade à conquista de uma vida mais democrática 28.
A democracia é sempre imperfeita e inacabada, pois no mundo da vida, novos carecimentos vão sempre se colocando e novos desejos e utopias se desvelando29.
Quando tratamos de Democracia e cidadania devemos ter o cuidado de não caracterizá-las apenas enquanto categorias políticas, mas sim existenciais. Democracia e cidadania são da ordem do desejo, superam-se na medida de suas realizações, demandando constante renovação30.
Ocorre uma fala na democracia representativa, na medida em que, na prática, não postula os interesses populares, da comunidade que representa, mas o interesse do capital – tanto nacional quanto internacional31.
Por fim a professora Maria da Graça dispõe que:
A democracia implica em constante renovação e exige continuada politização do Direito. A Justiça democrática do Direito demanda a participação social das pessoas - cidadãos - nas tarefas de criação legislativa e exige a superação das estruturas injustas que provocam as desigualdades sociais.32
Dessa forma, finaliza-se a breve exposição acerca da categoria "democracia" e no próximo tópico irá ser tratado do último termo a ser trabalhado neste artigo, a expressão "direito".
3 DIREITO
A categoria "direito" possui um amplo conceito e está diretamente ligada a vida de qualquer pessoa.
28 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 52 e 54.
29 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 54.
30 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
31 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
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Segundo Calera:
O pensamento jurídico do século XVIII, contrapondo-se à justificação clássica do Direito, definiu a soberania popular e a vontade geral como justificação do Direito, isto é, afirmou que o direito se legitimaria somente em razão da sociedade que seria, diretamente ou por representação, a instância definitiva de criação jurídica.33
Para Calera34 o direito nasce por e para a sociedade e, assim sendo, a justiça do direito só poderá ser dada pela sua estreita conexão com seu nascimento democrático. O autor ainda critica o autoritarismo, expresso pelos governos monárquicos, ditatoriais e oligárquicos, uma vez que os mesmos se arrogam à prerrogativa de definir o que convém à sociedade, negando-lhe a participação política e destruindo-lhe a autonomia.
Neste mesmo sentido a professora Maria da Graça informa que "o Direito ao permitir ou proibir comportamentos deve fazê-los considerando os valores que porta a sociedade e os objetivos que esta pretende realizar"35.
Ademais em uma sociedade participativa e politicamente desenvolvida o direito legitimado respeita a soberania popular36.
O direito apresenta uma natureza racional, porém também incide sobre as relações interpessoais, o que acaba por caracterizá-lo como uma práxis humana37.
Dando continuidade a este pensamento a professora Maria da Graça relata:
O direito não pode mais ser pensado apenas enquanto técnica de regulação coercitiva da vida social, pois esta não se constitui somente de ordem, organização e razão, mas também de afeto, sensibilidade, desordem, rupturas, caos... Não há como expurgar a sombra da luz; todos estes elementos convivem numa relação dialética de complementaridade. E o Direito, cujo sentido de ser é ser
33 CALERA, Nicolás López. Cronica y utopia: filosofia de mi tiempo (1973-1991). Granada: Editorial
Comares, 1992. p. 3.
34 CALERA, Nicolás López. Cronica y utopia: filosofia de mi tiempo (1973-1991). Granada: Editorial
Comares, 1992. p. 3.
35 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 40.
36 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 41.
37 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
v.3, n.1 - 2011 www.univali.br/direitofilosofia Página 10 para a sociedade, deve em sua constituição considerar todos estes elementos.38
A relação de valoração do direito gira entorno das seguintes relações: direito e moral, direito e justiça. Todavia, o direito inscreve dentro da inevitável condicionalidade da existência humana, diferenciado-se dos demais condicionantes (morais, psicológicos) por mandar através da força e força organizada39.
O direito é um instrumento que visa estabelecer regras de comportamento aceitas e ações coercitivas em caso de descumprimento. Porém o seu núcleo visa realizar justiça e trazer a paz, a harmonia social.
No momento no qual o direito coincida as suas convicções morais com as da sociedade, efetivar-se-á mais plenamente e não constituirá apenas um ato de força. O caráter moral do direito concretiza-se, exatamente, na medida em que contribui na realização e defesa dos fins e valores aceitos pela sociedade40.
A moralidade do direito relaciona-se com sua racionalização social, com sua legitimação democrática. Reflete que, apesar de o direito não deixar de ser direito por não responder às convicções morais majoritárias da sociedade, sua eficácia pode ser colocada em dúvida se não reconhecer uma moral no sentido forte. Isso posto, significa que os destinatários podem não obedecer o direito ou a ele não se submeterem por não coincidir com suas convicções morais. Nessas situações pode ocorrer a violação das normas, a desobediência civil e mesmo a revolução41.
Segundo Calera vivemos numa época de desencantos e isso também ocorre no mundo jurídico. A crise que sofre o Direito se manifesta profundamente, em uma progressiva desconfiança em sua objetividade como critério de justiça e em sua eficácia como instrumento de ordenação social42.
38 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A utopia do direito justo. Disponível em: <
http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
39 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 41 e 43.
40 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 46.
41 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 47.
42 CALERA, Nicolás López. Cronica y utopia: filosofia de mi tiempo (1973-1991). Granada: Editorial
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O autor ainda acrescenta que o desencanto referido tem um duplo sentido: desencanto com o Direito, que não apresenta mais um significado correspondente à justiça, e, desencantamento jurídico, o Direito não serve para nada ou para muito pouco43.
Por fim, a professora Maria da Graça informa:
O Direito é compreendido como racionalização ética da vida social, como expressão dos valores majoritários da sociedade. Apesar de procurar um consenso majoritário sobre os valores, a democracia não pode prescindir da participação das minorias e, embora reconheça certas desigualdades, não pode tolerar que sejam totalizantes. Por isso se diz que a democracia implica em tolerância, aceitação e respeito pelo distinto, pluralidade e participação social. O Direito só será socialmente legítimo se responder às exigências da Democracia.44
Assim verifica-se que se o direito possui uma origem democrática - nasce por e para a sociedade - a justiça do direito deve estar baseada neste ato que funda o direito45.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente Artigo Científico teve como objetivo o estudo de um sucinto relato acerca dos pensamentos, opiniões e conseqüentemente das obras da autora e professora Maria da Graça dos Santos Dias.
Efetivou-se uma breve explanação sobre a categoria justiça, que está diretamente ligada com o social, uma vez que trata de relações humanas. Além disso é a própria sociedade que acaba formulando o que seria justo ou injusto, são pontos em comuns que são aplicados para um bem viver. Todavia esses pontos são mutáveis, uma vez que as necessidades humanas variam de tempos em tempos. Contudo a maior dificuldade está na aplicação e efetivação da justiça, uma vez que vive-se em um momento de profundas injustiças, ou melhor em uma época em que elas estão mais visíveis.
Em seguida tratou-se da categoria democracia que é fundamental para a real solução dos conflitos humanos, uma vez que há uma efetiva participação
43 CALERA, Nicolás López. Cronica y utopia: filosofia de mi tiempo (1973-1991). Granada: Editorial
Comares, 1992. p. 20.
44 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
2003. p. 70.
45 DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual,
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popular. Porém, para que a democracia ocorra de forma concreta a população deve estar presente e fazer validar essas prerrogativas, uma vez que o maior inimigo da democracia é o cidadão apático. A democracia jamais será perfeita e acabada, ela deve ser construída diariamente de forma a se adaptar a atual realidade do Estado e tentar assim ajudar a solucionar as problemáticas existentes.
Ato contínuo, foi tratando da categoria direito que foi originado por e para a sociedade, dessa forma o direito encontra-se uma estreita ligação com a democracia. Assim, no momento em que o direito permita ou proíba certos comportamentos ele deve fazê-lo tendo em vistas as atuais necessidades da sociedade. Desta forma evidencia que o direito visa estabelecer regras de comportamentos e ações coercitivas em caso de descumprimento, para com isto tentar obter justiça, democracia e a paz social.
Assim, essas são as considerações que se julgam oportunas apresentar. O que se verifica é que a professoraMaria da Graça dos Santos Dias vem elaborando obras e projetos encantadores, que trazer leveza e sutiliza ao tratar de questões extremantes importantes e essenciais ao desenvolvimento da nossa sociedade.
REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS
BOBBIO, Norberto. Da democracia para uma certa idéia da Itália. In. OLIVEIRA JÚNIOR, José Alcebíades (org.). O novo em direito e política. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1997.
______. O futuro da democracia. Uma defesa das regras do jogo. Tradução de Marco Aurélio Nogueira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. Título original: II futuro
della democrazia. Uma difesa delle regole del gioco.
______. O tempo da memória. De senectute e outros escritos autobiográficos. Tradução de Daniela Beccaccia Versiani. Rio de Janeiro: Campus, 1997. Título original: De senectute.
CALERA, Nicolás López. Cronica y utopia: filosofia de mi tiempo (1973-1991). Granada: Editorial Comares, 1992.
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DIAS, Maria da Graça dos Santos. A justiça e o imaginário social. Florianópolis: Momento Atual, 2003.
______. A utopia do direito justo. Disponível em: < http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Maria_dos_Santos_Dias.pdf>. Acesso em: 01 de março de 2012.
LOPEZ CALERA, Nicolas Maria. Crónica y utopia: filosofia de mi tiempo (1973-1991). Granada: Editorial Camares, 1992.
LUIJPEN, Wilhelmuss Antonius Maris. Introdução à fenomenologia existencial. São Paulo: EPU, 1973.