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15 DE ABRIL/2013 Moquiço na saúde O recado da presidente Dilma aos responsáveis pela qualidade das casas do programa Minha Casa Minha Vida - "Não fui

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15 DE ABRIL/2013

Moquiço na saúde

O recado da presidente Dilma aos responsáveis pela qualidade das casas do programa Minha Casa Minha Vida - "Não fui eleita para construir moquiço" - "mandou bem". Não precisou pompa e nenhuma cerimônia especial, bastou mencionar a qualidade dos pisos de cerâmica para definir o rumo de uma política pública. Como dizer não é fazer, pode dar certo ou não. Mas nesse caso ficou registrado que o governo consideraria inaceitável que as palavras sejam diferentes das coisas.

Na saúde, está valendo tudo, sequer a Constituição de 1988 oferece obstáculos às tentativas de arrancar nacos maiores do fundo público. A ausência de sinais explícitos do governo e a proliferação de ações de privatização permitem que cada grupo de interesse particular se apresente como o único, ou no mínimo o melhor defensor do interesse público. Só o que varia entre os lobistas é a proximidade com os centros de decisão. A intimidade com o palácio autoriza a emissão de discursos no estilo oráculo. As previsões sobre a "quebra" de empresas e hospitais e caos na prestação de serviços essenciais, ou a respeito de como a saúde no Brasil será fantástica, desde que mais recursos públicos sejam generosa e seletivamente transferidos para esses adivinhadores, são exageros típicos das visões de futuro oferecidas pelas

premonições. Oráculos emaranham omissões, informações enviesadas e desejos. São incapazes de prever vias alternativas, efeitos inesperados de revelações.

As proposições para obter mais recursos públicos para empresas de planos de saúde, hospitais e unidades de diagnóstico privados desvelaram, para quem ainda tinha dúvidas, um mercado dependente do Estado. Quem sempre está por cima da carne-seca não vacila: mudam os tempos, trocam-se os templos. Antes o mercado era superior ao Estado, agora nada é mais lógico do que precisar recursos públicos para ser privado. Mas, para aqueles que acreditaram na conversa fiada da separação entre Estado e mercado, que os planos privados faziam bem ao SUS, o assunto é muito sério e preocupante. Se as reivindicações do autodenominado mercado competem com as necessidades de valorização e verbas governamentais para Santas Casas, hospitais universitários, estados e municípios, como encontrar um jeito para dar mais recursos só para alguns?

Interesses divergentes na saúde vêm sendo manejados como abóboras grandes e pequenas numa carroça, se acomodam conforme os solavancos do caminho. A marcha da política de saúde, embora lentíssima, mas sem interrupções, dependeu da articulação dos grupos empresariais com partidos e lideranças políticas, investimentos das empresas em litigações judiciais e de um esforço governamental, consciente ou não, para evitar a todo custo o debate sobre a saúde e não sobre o dinheiro para a saúde. As oportunidades de

contato com a Presidência da Republica e com os gabinetes ministeriais estão diretamente correlacionadas com o vulto dos recursos públicos solicitados e não com os problemas de saúde a serem resolvidos.

Entidades de diversos segmentos da saúde foram convocadas uma única vez para uma reunião conjunta, antes da posse de Dilma, depois nunca mais.

Por que não convidar todos os comensais de recursos públicos envolvidos com saúde para se sentarem juntos à mesa para examinar as alternativas para o sistema de saúde brasileiro, inclusive aquelas que estão sendo negociadas mano a mano? Uma simples inversão nos termos do que tem se discutido nos últimos dias já imprimiria um ritmo mais veloz e moderno à gestão das necessidades de saúde. Se a saúde e a vida são tão valiosas e deixar de ofertar atenção e cuidados a todos que necessitarem é injusto, a garantia efetiva desse direito requer que todos, direta e indiretamente afetos à prestação de ações e cuidados, assumam compromissos sanitários.

Aumentos dos planos de saúde, superiores à inflação geral e setorial, o pagamento por procedimentos e diferenciado conforme o órgão afetado e pela quantidade e marcas de órteses, próteses e de alguns

equipamentos e medicamentos estimulam uma falsa produtividade, e não a responsabilidade pela resolução dos problemas de saúde. Qualquer conta de trás para a frente evidencia que a desoneração de empresas

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privadas de saúde não salva a pátria. Em vez de calcular quanto deveria ser repassado para salvar as empresas, deveria ser equacionado o impacto dos planos de saúde nos orçamentos das famílias. O que está acontecendo é que o diferencial de elevação das despesas com saúde, especialmente para idosos, impede inclusive que o aumento da renda seja plenamente comemorado. As enormes e crescentes proporções de salários e aposentadorias gastos com saúde constituem um problema que não pode ser contornado.

As palavras planos e empresas não deveriam servir para encobrir coisas cujo conteúdo e continente são exclusivamente financeiros. A confusão serve para manter uma divisão de trabalho totalmente desfavorável à saúde pública. O combalido e subfinanciado SUS fica com as tarefas de enfrentar problemas de crack, álcool, saúde mental, dengue, violências, atendimentos de emergência, cânceres, transplantes e

fornecimento de medicamentos. Quando não consegue é incompetente. Quem não pede dinheiro e expõe ideias e conhecimentos sobre a organização do sistema de saúde vive levando passa-fora, pelo excesso de "filosofia", por querer difundir valores e pautar políticos segundo critérios de justiça social. Os empresários da saúde ficam com o atendimento de jovens, dos não portadores de doenças crônicas e de preferência transformarão o SUS em empresa mal gerida, mas funcional para ressegurar os planos sem cobertura. A frase de Lloyd George, em 1918, então primeiro-ministro da Inglaterra ("Como erguer um império A1 com uma população C3?") no contexto da guerra e consolidação do seguro social e necessidade de dar

respostas aos problemas de saúde dos militares e civis entrou para a história. Não precisaria chegar a tanto. Dizer que o teto e piso do SUS ficam de pé, que saúde não é moquiço, está de bom de tamanho. (FONTE: LIGIA BAHIA - O GLOBO)

Bancada evangélica age para barrar mudanças polêmicas no Código

Penal

Grupo de 68 deputados e três senadores teme que a reforma caminhe para pontos como a legalização do aborto e concessão de direitos a homossexuais

A bancada evangélica traçou como estratégia de atuação para este ano impedir a reforma do Código Penal. O temor é que, no rol das mudanças, atualmente analisadas por uma comissão especial no Senado, o Congresso flexibilize a legislação sobre temas que são caros aos religiosos, como aborto, eutanásia e a questão da homofobia, por exemplo.“Não vamos admitir nada que atente contra a família, a vida ou a liberdade de expressão ou religiosa”, disse o deputado Marcos Rogério (PDT-RO), um assíduo membro da frente parlamentar.

O esboço da reforma do Código Penal já havia sido feito uma seleção de juristas que durante sete meses se debruçaram sobre cada ponto. O anteprojeto foi entregue ao então presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em julho do ano passado. A partir disso começou a tramitar como projeto de lei do Senado (PLS 236/2012).

O relator, senador Pedro Taques (PDT-MT), que não faz parte da bancada religiosa, tem dado

prosseguimento às discussões antes de fechar seu texto. Já fez inclusive convite ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, para emitir opinião sobre a reforma em audiência pública no Senado. O convite, segundo o senador, já foi aceito.

Na contramão das discussões, os evangélicos querem que tudo fique como está. O receio é de que a reforma aponte para rumos menos conservadores.

O senador Magno Malta (PR-ES) apressou-se em colocar em prática a estratégia tratada. Ele conseguiu aprovar na comissão especial um requerimento para se ouvir em audiência pública, o presidente do

Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz D’Ávila. O senador quer cobrar explicações do médico sobre a proposta apoiada pelo CFM na qual o aborto não se configuraria crime caso fosse realizado até a décima segunda semana de gestação.

Essa seria mais uma exceção diante das já previstas na lei brasileira que admite o aborto em casos de gravidez resultante de estupro, quando há risco de morte para a mãe, ou diante da impossibilidade de vida do feto após o nascimento, como é o caso da anencefalia, questão julgada pelo STF.

Na discussão sobre a criminalização da homofobia, os evangélicos são acusados pelos movimentos sociais de tentarem manter o direito à discriminação em suas pregações, dentro e fora da igreja. Eles rebatem os argumentos dizendo que a criminalização da homofobia, como ocorre atualmente com o racismo, fere o direito de expressão e de culto religioso, expressos na Constituição. “Dizer que o homossexualismo não é aprovado por Deus faz parte da homilia, da pregação. Estamos falando e liberdade de expressão e religiosa. Isso não pode ser considerado um incentivo ao crime”, argumentou o deputado Marcos Rogério.

No discurso dos evangélicos, a reforma, como está sendo pensada, poderá até “legalizar a pedofilia”. “Não queremos essas mudanças. Essa reforma vai legalizar a pedofilia. Antes a punição para quem fazia sexo

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com crianças ou adolescentes referia-se a 16 anos, depois baixaram para 14 e agora querem baixar para 12”, apontou Marcos Rogério.

Embate com o governo

A forte atuação da bancada tem causado preocupação ao governo. Um dos temas que coloca os

evangélicos contrários ao Planalto é o que trata dos castigos físicos impostos por pais aos filhos. A proposta é de autoria da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCL) da Câmara no ano passado em caráter terminativo.

No entanto, falta votar a redação final para que o projeto siga para o Senado. Toda semana, a tropa evangélica se articula para não retirar o texto da pauta. Na alegação dos religiosos, acabar com a possibilidade de impor castigos físicos às crianças também acaba com o “pátrio poder”.

Outro tema que preocupa o governo é mudança na Constituição proposta pelo coordenador da bancada, deputado João Campos (PSDB-GO) que inclui as instituições religiosas entre as entidades com

competência para questionar leis junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Essa possibilidade seria útil aos evangélicos para entrarem com Adins (Aguição de Inconstitucionalidade) em relação a leis aprovadas no Congresso.

Também é de autoria do deputado João Campos a proposta tenta invalidar duas resoluções do Conselho Federal de Psicologia que estabelece punições para profissionais que tratam a homossexualidade como doença. A proposta ficou conhecida como a que permite a “cura gay”.

Poder pentecostal

A contar pelo tamanho da bancada, nunca os religiosos tiveram tanto poder no Congresso. Nessa legislatura 73 parlamentares evangélicos tomaram posse, 70 deputados e três senadores. Eles conseguiram reverter o desfalque que amargaram nas eleições de 2006 quando a bancada se viu reduzida a 36 integrantes.

As últimas eleições demonstraram que a atuação religiosa rende votos. Dos 36 deputados, 34 foram reeleitos e a eles se somaram 39 novos parlamentares evangélicos. Após as eleições municipais do ano passado, o grupo se assentou em 68 deputados e 3 senadores.

Neste ano, dois dos seus representantes assumiram cargos de liderança de suas bancadas. O líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), da igreja Sara Nossa Terra, é um dos principais articuladores do grupo e da chegada do polêmico deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho assumiu a liderança de seu partido, o PR.

Além das lideranças partidárias, o poder dos evangélicos também se faz forte no comando da Comissão de Legislação Participativa, sob a presidência do deputado federal Lincoln Portela (PR-MG), que tem grande trânsito junto a líderes de outros partidos e ao Palácio do Planalto.

O grupo também ficou com 18 das 132 vagas da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Um número que não representa a maioria, mas que faz diferença ao se aliarem a outra bancada poderosa, a ruralista, nas votações de matérias que tratam da questão territorial, principalmente envolvendo

comunidades indígenas e quilombolas. Na comissão de Ciência e Tecnologia, responsável por analisar as concessões de rádio e televisão, a bancada evangélica ocupou 14 das 42 vagas.

O grupo é liderado pela Assembleia de Deus que tem 22 representantes e a coordenação da bancada nas mãos do deputado João Campos (PSDB-GO). A bancada conta ainda com 11 representantes da Igreja Batista, 8 da Igreja Presbiteriana, um da Igreja Universal, 3 da Igreja Quadrangular e 3 da Igreja

Internacional da Graça de Deus. Outros 14 deputados pertencem a outras instituições religiosas menores. (FONTE: LUCIANA LIMA – IG)

Governo investigará fraude no Minha Casa Minha Vida

Ministério das Cidades abrirá sindicância para apurar esquema no Minha Casa Minha Vida

O Ministério das Cidades anunciou ontem a instauração de sindicância para investigar o uso de empresas de fachada por ex-servidores da pasta com o objetivo de fraudar o Minha Casa Minha Vida, principal

programa habitacional do governo federal. O caso foi revelado ontem por O GLOBO. O ministro da Cidades, Aguinaldo Ribeiro, informou, por meio de nota, que a Controladoria Geral da União (CGU) será acionada para apurar como as mesmas empresas repassam dinheiro público, fazem as obras e ainda fiscalizam a construção de habitações populares destinadas às faixas mais pobres da população em cidades com até 50 mil habitantes.

No Congresso, até parlamentares governistas defenderam a investigação do caso. A oposição se mobiliza para cobrar uma resposta do governo.

Em nota divulgada na tarde de ontem, a assessoria de imprensa do Ministério das Cidades diz que a investigação das "possíveis irregularidades entre os correspondentes bancários contratados pelas

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nos municípios com até 50 mil habitantes" tem por objetivo "preservar a transparência e a lisura de um programa fundamental para a vida dos brasileiros e que, inclusive, é modelo para outros países". A nota diz ainda que será feita uma "rigorosa apuração dos fatos com a punição de eventuais responsáveis, se for o caso".

O GLOBO revelou que a empresa RCA Assessoria em Controle de Obras e Serviços, com sede em São Paulo, tem entre os sócios ex-servidores do Ministério das Cidades: Daniel Vital Nolasco, ex-diretor de Produção Habitacional até 2008 e filiado ao PCdoB, o ex-garçom do ministério José Iran Alves dos Santos e Carlos Roberto de Luna. Um ex-sócio da empresa afirma que a RCA, ao mesmo tempo, representa os agentes financeiros, toca as construções e é responsável pelas medições e fiscalizações. Nolasco sustenta que não há irregularidade nas contratações e afirma que é vítima de extorsão, praticada por Fernando Lopes Borges, ex-sócio da RCA e também ex-servidor das Cidades.

Em ação Judicial, Borges cita um suposto envolvimento de Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, no episódio e afirma que ela articularia a entrada de bancos privados no programa habitacional. Ele também diz que o PCdoB estaria recebendo, desde 2005, recursos públicos desviados do esquema. Ao GLOBO, porém, ele sustentou as denúncias contra a RCA, mas não confirmou a suposta ligação com Erenice e o PCdoB. líder do PT pede apuração imediata do caso

O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), disse ontem que, pela importância do programa Minha Casa Minha Vida, é preciso apurar todas as denúncias, corrigir erros e punir os responsáveis.

- Esse programa é a menina dos olhos da sociedade e do governo, não pode ter desvio de finalidade, de recursos. Se tem erros, tem denúncia, o governo vai apurar, extirpar tudo, punir e continuar tocando o programa. A oposição não precisa fazer factoide. Apurar e punir é a melhor resposta à oposição - afirmou Guimarães.

O reaparecimento do nome de Erenice - demitida após denúncia de tráfico de influência na Casa Civil - chamou a atenção da oposição, que fez pesadas críticas ao esquema de fraude em um dos mais importantes programas sociais do governo Dilma Rousseff. O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), diz que o partido irá tomar medidas ainda esta semana no Congresso Nacional para verificar se a quadrilha ainda está atuando. Ele afirmou que irá se reunir com integrantes do PSDB e do DEM para acertar a melhor estratégia no Congresso e também junto ao Ministério Público.

- Vamos agir e espero que os partidos da base governista sejam sensíveis à necessidade de transparência e limpeza em um dos maiores programas sociais do governo - disse Aloysio, acrescentando: - São os mesmos de sempre, a carinha da Erenice aparecendo de novo. Não aprendem!

Presidente nacional do DEM e líder do partido no Senado, José Agripino Maia (RN) afirmou a apuração da denúncia vai revelar a conivência de alguém com poder no governo. Agripino Maia destaca que para que os convênios aconteçam é preciso uma série de etapas burocráticas, tanto no governo federal, quanto nas prefeituras.

- A investigação vai mostrar que por trás deste esquema está um figurão, um graduado do PT ou do governo, alguém com força para arrumar tudo, liberar e montar esse tipo de esquema.

Por meio de sua assessoria, a Caixa Econômica Federal disse que a reportagem trata de fraudes ocorridas em municípios com menos de 50 mil habitantes, onde ela não atua. Por isso, a CEF não tem

posicionamento em relação às denúncias.

Líderes do PCdoB no Congresso, procurados pelo GLOBO, não retornaram à reportagem. (FONTE: O GLOBO)

Traição e caixa dois

“O dinheiro chegou de uma empresa. Eu nem deveria ter deixado passar. Foi uma falha”

Durante as eleições de 2012, o atual ministro da Agricultura, Antônio Andrade, autorizou uma operação com indícios de crime eleitoral para financiar a campanha do PP em Santos Dumont. Em gravação obtida por ISTOÉ, ele confirma o repasse. Na conversa, ocorrida no dia 19 de dezembro de 2012, Conrado pergunta sobre a doação no valor de R$ 100 mil do PMDB mineiro para o candidato do Partido Progressista,

adversário eleitoral em Santos Dumont (MG). O atual ministro Antônio Andrade responde que o dinheiro obtido pelo deputado federal João Magalhães (PMDB-MG) veio de uma empresa e foi transferido para Luiz Fernando de Faria (PP-MG). O repasse é considerado ilegal e, de acordo com especialistas em direito eleitoral, tem indícios fortes de caixa 2. No diálogo, o ministro admite que foi uma falha.

Disputas políticas em pequenos municípios costumam passar despercebidas num Brasil de dimensões continentais. Com menos de 50 mil habitantes, a cidade mineira de Santos Dumont está fugindo à regra. A eleição do prefeito, em 2012, virou alvo de uma investigação na Justiça Eleitoral que bate à porta do

gabinete do ministro da Agricultura, Antônio Andrade. Então presidente do PMDB mineiro, ele autorizou em meio à campanha municipal do ano passado uma operação financeira considerada totalmente ilegal. O

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repasse, feito inexplicavelmente a um adversário eleitoral, tem fortes indícios de caixa 2 e lavagem de dinheiro, na avaliação de especialistas em direito eleitoral.

Os fatos apurados por ISTOÉ indicam um caso emblemático, daqueles que se tornam explosivos apesar de terem tudo para não chamar a atenção. Uma pequena cidade, uma eleição de baixa relevância nacional, candidatos pouco conhecidos e verbas quase desprezíveis se comparadas aos bilhões que costumam passar pelas campanhas políticas no País. Talvez essas características expliquem os métodos esdrúxulos e a desfaçatez com que o esquema funcionou: dinheiro vindo de empresa não identificada transitou na

contabilidade do PMDB mineiro e foi parar no caixa de seus opositores. O trajeto heterodoxo revela a ponta do que parece um robusto esquema de fraudes que já ameaça comprometer todas as contas do PMDB de Minas Gerais e enrola o ministro da Agricultura num caso exemplar de infidelidade partidária. (FONTE: REVISTA ISTO É)

O forró promovido pelo senador Ciro Nogueira com dinheiro público

no Piauí

Eu tenho dinheiro e faço tudo que quiser/eu gosto da bagaceira, forró, cachaça e mulher. A letra é cantada em ritmo de forró pelo sanfoneiro Leo, de chapéu e botas de vaqueiro. Leo lidera a banda Xenhenhém, uma máquina de produzir shows e vender produtos. Bebe pra dormir/acorda pra beber/o futuro desses caras/é ver a galha crescer. Enquanto Leo canta, Pônei toca triângulo e dança fantasiado de boneca. Seu Madruga toca zabumba com uma cesta de palha na cabeça. No fundo do palco, mais discretos, o baixista Shrek balança as orelhas de ogro, e o baterista “3 em 1” veste um elmo viking. Com letras que falam de bebida, mulheres, dinheiro e – acredite – exames proctológicos, as apresentações da Xenhenhém fazem sucesso no interior do Piauí. Um de seus ofícios é tocar em festivais bancados por prefeituras. O público adora. Os políticos também. O senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, eleito na semana passada presidente nacional do partido, é um dos mais entusiasmados fãs da Xenhenhém.

Recentemente, a Controladoria-Geral da União descobriu que políticos como ele se acabam no xote antes mesmo de sair a primeira nota da sanfona de Leo. Dançam agarradinhos ao dinheiro público. A festa

começa, como a plateia sempre espera, no Congresso. Em 2010, quando ainda era deputado, Ciro e alguns de seus colegas de bancada do Piauí destinaram suas emendas parlamentares a promover no Estado as festas da Xenhenhém e assemelhadas. Emendas são um instrumento de que os parlamentares dispõem para atender às mais urgentes necessidades de seus constituintes – normalmente por meio de obras, como construção de escolas e hospitais. Ciro e sua turma resolveram gastar esse dinheiro de outro modo.

Apresentaram suas emendas ao Ministério do Turismo. A Pasta repassou o dinheiro das emendas a prefeituras piauienses. No papel, o repasse foi feito para “promoção de eventos para divulgação do turismo interno”. O que o “turismo interno” tem a ver com o batuque de Seu Madruga é um mistério que nem Pônei consegue explicar. A CGU detectou todo tipo de irregularidade nas festanças: ausência de licitação, conluio entre empresas, superfaturamento na contratação das bandas – e, por fim, ausência de comprovação de que alguns dos “eventos” de fato existiram. (FONTE: REVISTA ÉPOCA)

Desconfiavam deles, e agora eles nos surpreendem

Na primeira sessão legislativa de 2011, uma quinta-feira à tarde, Romário, eleito deputado federal pelo PSB, foi flagrado jogando futevôlei na praia da Barra da Tijuca, no Rio. O mundo lhe caiu em cima, com críticas de todo lado. Dois anos se passaram e o ex-jogador não só se tornou um dos parlamentares mais assíduos, como também integra o seleto grupo de novatos que se têm destacado positivamente em um Congresso de velhas raposas. A seu lado, Tiririca, o “palhaço”, e Jean Wyllys, o “ex-BBB”, além do senador Randolfe Rodrigues, um político do “longínquo” Amapá, surpreendem o País ao exercer o mandato de forma produtiva e cidadã, enquanto outros atraem repulsa.

Romário mostra certa irritação ao falar do episódio do futevôlei, considera-o injustamente explorado porque assinara presença antes de viajar, embora admita que nem ele mesmo soubesse do prazer proporcionado por ser deputado. Nos primeiros 15 dias, conta, chegou a se decepcionar um pouco, sentindo-se como um peixe fora d’água, ou melhor, como o Peixe, seu apelido no futebol. Com o tempo, foi “pegando o jeito”, principalmente nos trabalhos nas comissões. Começou a ser olhado com mais simpatia pela mídia quando demonstrou dedicação a projetos voltados às pessoas com deficiência, inspirado pela filhinha Ivy, de 7 anos, que tem síndrome de Down. Obviamente, Romário tem tudo para se destacar como presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, que acaba de assumir. “Uma das minhas principais bandeiras como parlamentar é moralizar o futebol em geral através da Copa”, diz o ex-camisa 11 da Seleção Brasileira, tetracampeão do mundo em 1994. (FONTE: REVISTA CARTA CAPITAL)

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Debate sobre marco regulatório ganha força

PT quer viabilizar projeto para “democratizar a mídia”. Empresas de comunicação dizem que objetivo é controlar a produção de conteúdo

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo na semana passada, o ex-ministro José Dirceu (PT) retomou um tema que tem sido uma das preocupações de seu partido nos últimos meses: a reforma de um marco regulatório da mídia. Citando nominalmente as organizações Globo, Dirceu disse que é preciso haver uma regulação da propriedade cruzada. “Você pode colocar limites. O que não é possível é alguém, além de deter 70%, 80% de toda a publicidade do país nas suas organizações, ter uma propriedade cruzada quase que fantástica de rádios e televisões e jornais”, declarou.

A discussão vem sendo acirrada pelo PT que, inconformado com a decisão do governo federal em adiar a implantação de um marco regulatório das comunicações e com o pacote de isenção de R$ 6 bilhões dado às empresas de telecomunicações pelo Novo Plano Nacional da Banda Larga, decidiu que vai se empenhar pelo que chama de “democratização da mídia”.

A resolução, tomada em reunião do diretório em Fortaleza (CE) no início de março, pede que o partido busque assinaturas de seus militantes para um projeto de lei de iniciativa popular para implementar as deliberações aprovadas em 2009 pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

Conteúdos

Além disso, busca regulamentar as disposições da Constituição Federal em relação à produção e difusão de conteúdos e da propriedade cruzada: uma mesma empresa não pode ser dona de um jornal, uma rádio e uma TV, por exemplo. “Só queremos o que já está na Constituição e precisa ser regulamentado, nada mais”, diz o secretário de comunicações do PT, Paulo Frateschi.

Opositores da proposta afirmam que, longe da intenção de redemocratizar as telecomunicações, o objetivo do partido da presidente Dilma Rousseff é cercear a liberdade de expressão com medidas que controlam a produção de conteúdo para rádio e TV. “Interferir na programação é abominável não só para os veículos, mas para a sociedade como um todo”, protesta o presidente da Associação Brasileira Emissoras de Rádio e TV (Abert), Daniel Slaviero.

Entrevista

“Objetivo é tutelar e constranger” Gervásio Baptista/ABr

Quais são as principais críticas à proposta do PT?

Primeiro, falar em conselhos de monitoramento do conteúdo dos veículos de comunicação tem como objetivo tutelar e constranger. São iniciativas que consideramos incompatíveis com a liberdade de expressão. Outra questão que consideramos um equívoco é a percepção de oligopólio. Não se pode confundir propriedade dos meios de comunicação com conteúdos de programação básica. Os Estados Unidos têm quatro redes nacionais, o Brasil tem 14. É bastante diversidade. Hoje existe a EBC, centenas de TVs Educativas, TV Câmara e TV Senado, rádios comunitárias, um pluralismo muito grande. Se uma tem mais ou menos audiência, isso é reflexo da competência de cada rede.

O que pretende ser feito a respeito da proposta?

É óbvio que o Código Brasileiro de Telecomunicações carece de algumas atualizações, afinal, ele é de 1962, e naquela época não se falava em TV a cabo ou internet. Há, hoje, um abismo entre o discurso do PT e a maneira prudente e sensata com que o governo e o Ministério das Comunicações conduz o assunto, e nós temos dado contribuições no acompanhamento do assunto. Se houver alguma mudança na forma de como o governo vem tratando o tema, aí tomaremos uma atitude.

Entrevista

“Temos que desfazer esse oligopólio” Ricardo Weg/PT

Por que a proposta do PT é importante?

O PT já tem uma posição firmada há muito tempo sobre o assunto, tanto que já fizemos um seminário e a conferência em 2009 que deliberou por um novo marco regulatório para rádio e TV. Como já existe a iniciativa do Fórum Nacional da Democratização da Comunicação, que trabalha alinhado com a CUT [Central Única dos Trabalhadores], o PT em sua ultima reunião decidiu entrar nessa campanha. Nós somos contra esse oligopólio da mídia que existe hoje. Existem oito ou nove famílias que concentram a propriedade de todos e nós temos que democratizar. Estamos cobrando que se retome o processo e que a gente possa colocar isso em votação o mais rápido possível.

Os opositores dizem que se trata de um cerceamento da liberdade de imprensa. Como o PT rebate essas críticas?

Nós não somos a favor de censura, somos a favor de redemocratizar, temos que desfazer esse oligopólio. Eles falam isso porque é um jogo político. Não tem nenhum indício de cercear a liberdade de imprensa, isso

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não tem o mínimo sentido, eles não querem é largar o osso. Pelo contrário, a gente quer mais organismos, mais construções, mais democracia. Eles podem continuar fazendo a oposição que quiserem, a gente só quer regulamentar algo que já está na Constituição. (FONTE: YURI AL’HANATI – GAZETA DO POVO)

Referências

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