CENTRO UNIVERSITÁRIO TIRADENTES CURSO DE NUTRIÇÃO LEANDRO ALVES DOS SANTOS CUNHA LORENA ALVES BORGES

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Texto

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CENTRO UNIVERSITÁRIO TIRADENTES CURSO DE NUTRIÇÃO

LEANDRO ALVES DOS SANTOS CUNHA LORENA ALVES BORGES

OBESIDADE EM CRIANÇAS COM TEA: EPIDEMIOLOGIA E FATORES ASSOCIADOS.

Maceió/AL 2020

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LEANDRO ALVES DOS SANTOS CUNHA LORENA ALVES BORGES

OBESIDADE EM CRIANÇAS COM TEA: EPIDEMIOLOGIA E FATORES ASSOCIADOS.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro Universitário Tiradentes - UNIT, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Nutrição.

Orientadora: Ms. Profª Danielle Alice

Vieira da Silva.

Coorientadora: Rayane Batista da Silva

Maceió/AL 2020

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LEANDRO ALVES DOS SANTOS CUNHA LORENA ALVES BORGES

OBESIDADE EM CRIANÇAS COM TEA: EPIDEMIOLOGIA E FATORES ASSOCIADOS.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Nutrição do Centro Universitário Tiradentes em Alagoas como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Nutrição.

Aprovado no dia / / . ________________________________________________________

Ms. Profª Danielle Alice Vieira da Silva. (Orientadora)

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________ Drª. Profª Raphaela Costa Ferreira

___________________________________________________________ Ms. Profª Renata Tenório Antunes Moura

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AGRADECIMENTOS

Agradecemos primeiramente à Deus, por iluminar nossa trajetória durante toda a graduação e por nos ajudar a ultrapassar todos os obstáculos encontrados ao longo desses anos. Aos nossos pais, familiares e amigos que nos incentivaram em momentos difíceis e compreenderam quando estávamos atarefados e consequentemente precisávamos estar ausentes em alguns momentos. Agradecemos também à nossa orientadora, Danielle Alice Vieira da Silva e, nossa coorientadora, Rayane Batista da Silva, que em todos os momentos estiveram presentes para nos auxiliar com toda paciência, passando os ensinamentos necessários, permitindo um melhor desempenho no processo de nossa formação profissional.

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OBESIDADE EM CRIANÇAS COM TEA: EPIDEMIOLOGIA E FATORES ASSOCIADOS.

OBESITY IN CHILDREN WITH ASD: EPIDEMIOLOGY AND ASSOCIATED FACTORS.

OBESIDAD EN NIÑOS CON TEA: EPIDEMIOLOGÍA Y FACTORES ASOCIADOS.

Leandro Alves dos Santos Cunha¹ Lorena Alves Borges1 Danielle Alice Vieira da Silva2 Rayane Batista da Silva3 1. Graduando do curso de Nutrição, Centro Universitário Tiradentes - UNIT/AL

Email: leandro.cunha@souunit.com.br

1. Graduanda do curso de Nutrição, Centro Universitário Tiradentes – UNIT/AL Email: lorena.alves@souunit.com.br

2. Orientadora. Mestre em Nutrição. Docente Centro Universitário Tiradentes – UNIT/AL

Email: danielle.alice@souunit.com.br

3. Coorientadora. Nutricionista. Centro Universitário Tiradentes – UNIT/AL Email: rayanebnutricao@gmail.com

RESUMO

Introdução: O transtorno do espectro do autista é definido por um conjunto de alterações neurológicas e déficits na habilidade motora e psicossocial. É normalmente identificado a partir dos 2 anos de idade. De acordo com a literatura, há uma elevada proporção de crianças portadoras do distúrbio que apresentam dificuldades e peculiaridades alimentares, disbiose, insônia e sedentarismo. Objetivo: avaliar a prevalência e os fatores associados a obesidade, bem como, elencar o manejo nutricional desse agravo. Métodos: Trata-se de um estudo de revisão realizado em 2020. Foram feitas pesquisas em sites de busca conceituados, e, selecionados artigos relevantes para a coleta de dados. Resultados: Foram incluídos 10 artigos após filtragens e leitura na íntegra. Esses artigos indicaram que o excesso de peso e obesidade podem estar associados ao autismo devido à fatores como comunicação prejudicada, sedentarismo, seletividade e rigidez alimentar. Conclusão: Diversos fatores que podem interferir no desenvolvimento do paciente autista, contribuindo para o ganho excessivo de peso, como a seletividade alimentar, sedentarismo, influência dos pais e a dificuldade na comunicação.

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ABSTRACT

Context: Autism spectrum disorder is defined by a set of neurological changes and

deficits in motor and psychosocial skills. It is usually identified from 2 years of age. According to the literature, there is a high proportion of children with the disorder who present and eating peculiarities, dysbiosis, insomnia and physical inactivity. This study aims to assess the prevalence and factors associated with obesity, as well as to list the nutritional management of this condition. Methods: Research was carried out on reputable search sites, and relevant articles were selected for data collection. Results: 10 articles were included after filtering and reading in full. These articles indicated that overweight and obesity may be associated with autism due to factors such as impaired communication, physical inactivity, selectivity and food rigidity. Conclusion: After being completed as reviews, several factors were found that can interfere with the development of autistic patients, contributing to excessive weight gain, such as food selectivity, physical inactivity, parental influence and communication difficulties.

Keywords: Obesity; child; autismo.

RESUMEN

Contexto: El trastorno del espectro autista se define por un conjunto de cambios

neurológicos y déficits en las habilidades motoras y psicosociales. Suele identificarse a partir de los 2 años de edad. Según la literatura, existe una alta proporción de niños con el trastorno que presentan peculiaridades alimentarias, disbiosis, insomnio e inactividad física. Este estudio tiene como objetivo evaluar la prevalencia y los factores asociados a la obesidad, así como enumerar el manejo nutricional de esta condición.

Métodos: La investigación se llevó a cabo en sitios de búsqueda de renombre y se

seleccionaron artículos relevantes para la recolección de datos. Resultados: Se incluyeron 10 artículos después de filtrar y leer en su totalidad. Estos artículos indicaron que el sobrepeso y la obesidad pueden estar asociados con el autismo debido a factores como la comunicación deficiente, la inactividad física, la selectividad y la rigidez alimentaria. Conclusión: Después de completar las revisiones, se encontraron varios factores que pueden interferir con el desarrollo del paciente autista, contribuyendo al aumento de peso excesivo, como la selectividad alimentaria, la inactividad física, la influencia de los padres y las dificultades de comunicación.

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1. INTRODUÇÃO

Segundo os critérios do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5º Edição (DSM- 5), o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é definido por um conjunto de alterações neurológicas e por déficits permanentes na comunicação e interação social, como também por interesses, comportamentos e atividades limitadas e repetitivas que podem ocorrer em graus leves, moderados e graves. (ECKER, 2016).

No Brasil, não há nenhum estudo em escala nacional sobre a prevalência do transtorno, entretanto, segundo Maenner et al., (2020), existe hoje um caso de autismo a cada 54 pessoas no mundo, dessa forma estima-se que o Brasil com seus mais de 200 milhões de habitantes possua cerca de 2 milhões de autistas.

O transtorno normalmente é diagnosticado a partir dos dois (2) anos até os seis (6) anos de idade. (CASTRO, et al., 2017). E, na vigência desse agravo, diversos fatores aumentam o risco de obesidade nesses pacientes. A literatura demonstra que há uma significativa proporção de crianças portadoras do distúrbio que apresentam: problemas alimentares, disbiose e insônia. Foi constatado ainda que crianças autistas são menos ativas fisicamente quando comparadas as crianças em desenvolvimento típico. (KAMAL; GHOZALI; ISMAIL, 2019)

Salienta-se que, o índice de massa corpórea (IMC) elevado para idade está ligado a resultados desfavoráveis à saúde a curto, médio e longo prazo, como a resistência à insulina, determinados tipos de câncer e a diabetes. Ademais, a obesidade infantil também pode impactar de forma negativa o emocional, o físico, tal como o desempenho escolar, podendo assim, agravar a deficiência e acarretar um declínio da qualidade de vida associada ao TEA. (KHUSHMOL et al., 2019).

Diante da complexidade do TEA, seu tratamento é baseado na farmacoterapia, sendo um recurso muito restrito, que requer maiores estudos na área. Além do mais, existe um grande número de utilização de terapias alternativas para o tratamento do transtorno, sendo frequentemente utilizadas as intervenções nutricionais, comportamentais, físicas e educacionais. (GADIA et al., 2004; LEAL et al., 2015).

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Portanto, o presente trabalho objetiva avaliar a prevalência e os fatores associados à obesidade em crianças com TEA, bem como elencar o manejo nutricional desse agravo.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão sistemática, cuja finalidade foi reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre o tema delimitado, auxiliando para o aprofundamento do conhecimento do mesmo. Por se tratar de um estudo de revisão não foi necessário submissão no comitê de ética e pesquisa do Centro Universitário Tiradentes.

A pesquisa ocorreu entre agosto e outubro de 2020 e foi realizada nas bases de dados: PubMed, Scielo e Bireme. Na busca, foram utilizados os seguintes descritores: autism AND children AND obesity tendo sido selecionado artigos publicados entre 2014 e 2020.

Os critérios de elegibilidade do estudo foram: artigos completos publicados em periódicos; artigos em idioma inglês ou português publicados nos últimos anos, artigos que tinham como objetivo avaliar a prevalência e os fatores associados à obesidade em crianças com TEA, bem como listar o manuseio nutricional desse agravo.

Os critérios de exclusão foram: artigos de revisão, artigos repetidos na base de dados, os que não respondem o objetivo, teses, dissertações e monografias, visto que seria inviável realizar uma busca sistemática das mesmas. Para a seleção dos artigos, realizou-se, primeiramente, a leitura dos títulos, na sequência a dos resumos das publicações encontradas, e, por fim, a leitura na integra daqueles que contemplavam os critérios pré estabelecidos.

Para os artigos incluídos na revisão, utilizou-se quadros sinópticos com os dados coletados sobre cada pesquisa, a saber: autor, título, amostra, desenho, ferramentasde avaliação e resultados. De forma auxiliar, utilizou-se a técnica de análise temática de conteúdo por meio da leitura e releitura dos resultados dos estudos, procurando identificar aspectos relevantes que se repetiam ou se destacavam. E logo após foi realizado a análise dos estudos de forma descritiva.

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3. RESULTADOS

Depois de aplicados os critérios, foram incluídos 10 artigos nesta revisão (figura 1)

Figura 1: Fluxograma de seleção dos artigos

PUBMED: 283 Scielo: 3 Bireme: 0

Total de artigos encontrados: 286

Filtro 1: Exclusão após leitura dos títulos

• Excluídos: • Revisões; • Artigos não correspondentes aos descritores; • Artigos duplicados Total de artigos: 43

Filtro 2: Exclusão após leitura dos resumos

Total de artigos: 21

Filtro 3: Exclusão após

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Foram analisados estudos transversais, estudos de caso controle e estudos longitudinais que investigaram fatores epidemiológicos que influenciam no risco de obesidade em crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista. (tabela 1).

Tabela 1: Dados gerais e características dos estudos incluídos na revisão.

2020. Autores Ano Características dos participantes Tipo de estudo País Quantidade de referências HILL, ZUCKERMAN, FOMBONNE 2015 5053 crianças com TEA confirmado Transversal Estados Unidos e Canadá 89 KAMAL, GHOZALI, ISMAIL. 2019 151 crianças com TEA Transversal Malásia 47 HEALY, AIGNER, HAEGELE 2019 876.963 crianças de 10 a 17 anos com autismo Transversal Estados Unidos 16 GRANICH et

al. 2016 208 com autismo crianças Transversal Austrália 75

LIU et al. 2019 51 crianças com

autismo

Caso controle Estados Unidos

72

WEITZMAN et

al. 2015 2769 crianças com autismo Transversal Estados Unidos 37

KUMMER et

al 2016 69 com TEA pacientes Caso controle Brasil 29

CRIADO el al. 2017 544 crianças

com autismo Ensaio clínico randomizado Estados Unidos 58

KRAL et al. 2015 25 crianças Transversal Estados

Unidos

42

HAELY et al. 2017 141 crianças Caso controle Irlanda 45

Na tabela 2, pode-se analisar a metodologia e alguns pontos importantes dos artigos utilizados. Após concluídas as revisões, foi possível constatar diversos fatores

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que contribuem para o aparecimento do excesso de peso e da obesidade em autistas, como maus hábitos alimentares, rigidez alimentar e sedentarismo.

Tabela 2: Metodologia e principais resultados dos artigos incluídos na revisão. 2020.

Nome do artigo Métodos Pontos principais

Obesity and autism. 5053 crianças com

diagnóstico de TEA confirmado participaram da pesquisa. Os dados de peso e altura foram utilizados para calcular o IMC junto com critérios de sexo e idade.

Em crianças de 2 a 5 anos, a prevalência de obesidade e sobrepeso foi de 32,2% em meninos e 31,5% em meninas.

Já em crianças de 6 a 11 anos, não houve diferença significativa, se comparado com a população normal.

Prevalence of Overweight

and Obesity Among

Children and

Adolescents With Autism Spectrum Disorder and Associated Risk Factors.

Estudo feito com 151 crianças através de questionários informando dados antropométricos e demográficos.

Nesse estudo, a prevalência em crianças com TEA com sobrepeso e obesidade foram de 11,3% e 21,9% respectivamente.

Prevalence of overweight and obesity among US

youth with autism

spectrum Disorder.

Estudo feito com uma amostra de 875.963 crianças autistas de 0 a 17 anos através do banco de dados dos Estados Unidos por meio de questionários com os pais ou responsáveis.

Foi possível identificar a prevalência de cerca de 15% para sobrepeso e 16,1% para obesidade.

Obesity and associated factors in youth with an

autism spectrum

disorder.

O estudo incluiu 208 crianças de 2 a 16 anos, com diagnóstico de TEA feito por um medico, utilizando critérios do DSM-V (Manual de Transtornos Mentais, volume 5). Foram avaliados fatores como qualidade do sono, índice de massa corporal,

Através dos dados coletados, foi possível identificar que 35,1% dos pacientes estavam em sobrepeso e 29,9% em obesidade. Em relação ao IMC dos responsáveis o índice de obesidade foi cerca de 78% para os pais e 64,1% para as mães. De acordo com o que foi coletado, verificou-se que o autismo pode estar fortemente associado a um maior risco de desenvolver obesidade, sobretudo quando

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adaptação social, gravidade do autismo e avaliação física dos pais.

os pais tem hábitos que contribuem para o ganho de peso.

Nutrition, BMI and Motor Competence in Children with Autism Spectrum Disorder.

Estudo feito através de uma amostra de 51 crianças com TEA (5 meninas e 46 meninos) entre idades de 7 a 12 anos. Foram incluídos somente aqueles com diagnóstico confirmado por um médico ou psicólogo licenciado, que pudessem se comunicar com os aplicadores, entender e seguir os comandos do teste

Os dados coletados evidenciaram que 20% foram classificados como obesos e 17% como sobrepeso. Além disso, analisaram a competência motora dos pacientes, e identificaram que os com escores mais baixos, tinham um maior índice de sobrepeso e obesidade.

Overweight and Obesity in a Sample of Children With Autism Spectrum Disorder.

Os dados do estudo foram coletados em 2769 crianças cadastradas no Autism Speaks Autism Treatment Network (AS ATN), que integra 17 locais dos Estados Unidos e Canadá. Seguindo critérios de inclusão como: idade de 2 a 17 anos; diagnóstico de autismo feito por profissionais capacitados; peso, altura e circunferência da cabeça medidos por um médico e dados como sexo, etnia, idade e QI.

Através de uma regressão logística, verificou-se que a taxa de obesidade e sobrepeso em crianças com TEA foi 18,2% e 33,9% respectivamente maior, quando comparadas as crianças sem autismo que estavam cadastradas no banco de dados de amostra populacional (NHANES).

Frequency of overweight and obesity in children and adolescents with

autism and attention

deficit/hyperactivity disorder.

Crianças e adolescentes de 2 a 18 anos com TEA (69) e TDAH (23) atendidos no ambulatório e Serviço de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da

Maior prevalência do sexo masculino nos grupos: TEA, TDAH e controle. Os índices de IMC dos pacientes do grupo controle foram significativamente menores que os dos pacientes com TEA e TDAH, sugerindo que a deficiência psicomotora interfere no

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Universidade Federal de Minas Gerais foram convidados a participar do estudo controle que contava com 19 pacientes em desenvolvimento psicomotor normal. Foi aplicado questionários respondidos pelos pais a fim de coletar dados demográficos, e foram submetidos a avaliações antropométricas através de balança digital.

desenvolvimento e potencializa os riscos de sobrepeso e obesidade.

Overweight and obese status in children with

autism spectrum

disorder and disruptive behavior.

O estudo com 544 crianças com TEA foi separado em 3 ensaios clínicos randomizados

aprovados pelos conselhos institucionais e com autorização assinada por escrito por um dos pais das crianças. O comportamento

perturbador foi levado em consideração em todos os ensaios e todos os participantes ficaram sem fazer uso de medicação (exceto

anticonvulcionantes) durante o período da pesquisa. Além disso, foram submetidas a exames físicos e antropométricos.

84% dos participantes eram do sexo masculino e 69,9% brancos. 57,4% tinham QI abaixo de 70. Os pais relataram preocupações com hábitos alimentares peculiares em 58,4% dos casos. Em comparação com o grupo controle, os pacientes com TEA, apresentaram índices de sobrepeso e obesidade quase duas vezes maior. O estudo sugere que o comportamento perturbador em crianças com TEA, aumenta a probabilidade de as crianças desenvolverem obesidade e sobrepeso.

Child Eating Behaviors and Caregiver Feeding Practices in Children with

Autism Spectrum

Disorders.

55 crianças de 4 a 6 anos participaram deste estudo, sendo 25 com TEA e 30 com TDC (transtorno do

Neste estudo, crianças com TEA apresentaram circunferências da cintura e razão cintura/altura significativamente maiores que as crianças com TDC. 44% e

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desenvolvimento da coordenação). Os critérios de inclusão dos pacientes foram os diagnósticos por profissionais capacitados e um questionário respondido pelos pais ou cuidadores. As crianças selecionadas receberam visitas de profissionais que aferiram suas medidas antropométricas através de uma balança digital.

24% para sobrepeso e obesidade, respectivamente, para crianças com TEA, e, 20% e 13%, para crianças com TDC. A crianças com TEA também apresentaram maior seletividade alimentar e comportamento oral atípico, sugerindo uma associação entre a seletividade alimentar e comportamento atípico causado pelo TEA com a obesidade.

Physical Activity,

Screen-Time Behavior, and

Obesity Among 13-Year Olds in Ireland with and without Autism Spectrum Disorder.

Os dados foram coletados do banco de dados da Irlanda que inclui resultados físicos, comportamentais,

psicológicos, ambientais e cognitivos. Foram selecionadas 141 crianças, sendo 67 com TEA confirmado por profissionais qualificados e 74 em desenvolvimento típico. Os responsáveis pelas crianças, responderam questionários para analisar a frequência de atividade física, tempo de tela e sedentarismo dos participantes.

Não houve diferenças significativas entre o grupo com TEA e seus respectivos pares. Na análise antropométrica, foi possível observar o IMC médio dos dois grupos, que foi de 21,2 kg/m2 para crianças com TEA e

20,4 kg/m2 para crianças em

desenvolvimento típico. O estudo sugeriu que em termos de atividade física, crianças com TEA e crianças em desenvolvimento típico na Irlanda, não apresentam discrepâncias significativas.

4. DISCUSSÃO

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É importante ressaltar que a obesidade tem se tornado um contratempo de saúde pública global, principalmente na infância e, junto com esse agravo, os riscos de desencadeamento de outros agravos crônicos, como diabetes mellitus 2, dislipidemia, problemas respiratórios, alterações no sono, hipertensão e problemas ortopédicos, condições que já constituem um desafio de enfrentamento em crianças típicas e que possuem impacto ainda maior nas crianças com TEA, ocasionando piora na qualidade de vida desse público. (NORAZLIN; AZILAWATI; JURIZA, 2019; KHUSHMOL et al., 2019).

Dos estudos incluídos, foi encontrada uma alta prevalência de excesso de peso e obesidade. O estudo que obteve maior prevalência foi o de Criado et al., (2018) com 63,8% e o que obteve menor prevalência foi o de Liu et al., (2019), com 27%. Dentre esses resultados, o estudo de Kummer et al., (2016), atingiu uma predominância do sexo masculino nos grupos com TEA, com 86,9%, consequentemente uma maior prevalência de excesso de peso e obesidade em meninos.

O estudo de Criado et al., (2018), evidencia a prevalência do autismo em indivíduos caucasianos (69,9%), e, além disso, maior risco de sobrepeso e obesidade para pacientes com TEA com QI (quociente de inteligência) menor que 70.

Fatores associados ao excesso de peso em crianças com TEA

Foram apontados como fatores associados ao excesso de peso, distúrbios gastrointestinais, dificuldade no sono, bem como a deficiência no funcionamento comportamental (KAMAL; GHOZALI; ISMAIL, 2019). Dentre os fatores citados, chama-se atenção para os distúrbios no trato gastrointestinal, que são sinais típicos da disbiose intestinal, condição que desregula diversos mecanismos de fome e saciedade e que já são consideradas fatores de risco independentes para o aumento do peso. (SILVA; VERISSIMO; SANTOS, 2020).

Déficits nas habilidades motoras e um nível baixo de atividade física, foram atrelados a esse excesso de peso de acordo com o estudo de Mccoy, Jakicic e Gibbs (2016). A literatura já deixa evidente que, a ausência de atividade física regular em

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crianças, contribuem para o menor gasto energético e favorecem o incremento do peso. (SOUZA et al., 2016).

Em um grupo com o TEA observou-se desempenhos significativamente negativos em relação a testes de proficiência motora, força e resistência muscular. Em virtude disto, há um potencial razão para a diminuição regular da prática de atividade física, estando atrelado diretamente ao aumento do percentual de obesidade e sobrepeso. (MCCOY; JAKICIC; GIBBS, 2016).

Percebe-se ainda que, a rigidez comportamental e seletividade alimentar também contribuem para um padrão alimentar desfavorável a um adequado estado nutricional, marcado por elevado consumo de alimentos ultraprocessados e baixo consumo de alimentos in natura e com baixo processamento, o que corrobora para o surgimento do excesso de peso. (KAMAL; GHOZALI; ISMAIL, 2019). Ademais, a seletividade alimentar e aspectos comportamentais estão ligados à problemas na motricidade oral, inabilidades ligadas à alimentação e recusa dos alimentos, elementos esses que interferem na construção dinâmica alimentar de indivíduos autistas. (LAZARO; SIQUARA; PONDÉ, 2019).

Além disso, é comum a necessidade do uso contínuo de medicamentos psiquiátricos e, de forma conjunta, esse ambiente favorece o aumento do peso com consequente instalação do sobrepeso e obesidade (CORVEY et al., 2016).

De acordo com a literatura médica, em um dos estudos, houve associação do uso de um dos medicamentos para o tratamento do transtorno com um percentil mais alto de IMC, pois um de seus efeitos colaterais comuns são alterações metabólicas e o aumento do apetite. (KUMMER et al., 2015).

Segundo Kamal, Ghozali e Ismail, (2019), crianças com TEA tem uma baixa qualidade de sono, com menor duração, fator que contribui para o excesso de peso e problemas persistentes com o mesmo. Diante de investigações, foram apurados os padrões de sono longitudinais nas crianças portadoras do transtorno e indicaram redução da duração desse sono com trinta meses de idade, persistindo até a adolescência.

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A curta duração do sono pode ter influência na obesidade e excesso de peso por meio de vários mecanismos. Um tempo menor de sono, leva ao aumento da ingestão de alimentos, mudanças biológicas e autorrelatadas de fome e apetite. Dados também sugerem que a limitação do sono pode aumentar as respostas neurais centrais à alimentos não saudáveis, consequentemente levando ao aumento da ingestão de alimentos. (OGILVIE; PATEL, 2017).

5. CONCLUSÃO

Após minuciosa análise dos dados coletados através dos artigos revisados, pode-se concluir que o excessivo de peso se configura como um problema eminente em crianças com TEA. As principais condições associadas ao excesso de peso nesses públicos são sedentarismo e alterações no padrão alimentar. Contudo, os fatores associados são secundários, visto que, não há evidências suficientes que possam comprovar que pacientes portadores do TEA são geneticamente propensos a desenvolverem obesidade.

REFERÊNCIAS

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