MARCAÇÃO CE NOS PRODUTOS DE CONSTRUÇÃO
Lopes, Sandra
VISA Consultores, Oeiras, [email protected]
Resumo
A Marcação CE colocada nos produtos demonstra que estes estão em conformidade com todos os requisitos aplicáveis, Disposições Legislativas, Regulamentares e Administrativas dos Estados – Membros no que diz Respeito aos Produtos de Construção“. Esta directiva foi introduzida no acervo legal nacional pelo Decreto Lei nº 113/93, de 10 de Abril.
Segundo aquela Directiva, a Marcação CE será aposta quando a empresa provar que o seu sistema de gestão de qualidade está conforme com o estipulado nas normas homologadas para os produtos destinados a obras de construção.
Independentemente do Sistema de conformidade, a responsabilidade pela aposição da Marcação CE nos produtos é do fabricante, ou de um seu representante autorizado, estabelecido no Espaço Económico Europeu.
Enquadrados na Directiva produtos de construção 89/106/CE, abrangidos pela Marcação CE existem actualmente dois tipos de produtos obtidos directamente da indústria extractiva. Os resultantes da transformação primária, produtos de Rocha Ornamental e os Agregados e os resultantes de uma transformação fabril secundária, tais como os produtos de cimento e de cerâmica.
Nesta publicação procede-se a um apanhado desses produtos, apresentando a calendarização da entrada em vigor da marcação CE para cada um deles. Relativamente aos produtos de Rocha Ornamental, actualmente a obrigatoriedade da marcação, encontra-se em vigor apenas para Cubos, Guias e Lajetas para pavimentos exteriores. No entanto prevê-se a implantação da marcação destes produtos para o final de 2005, início de 2006.
São dois os sistemas de avaliação da conformidade de produtos resultantes da indústria extractiva. No Sistema 4, a responsabilidade é inteiramente do produtor aplicando-se, nos produtos de rocha ornamental, apenas aos que não representam um elemento estruturante da construção. O Sistema 2+ indica que a declaração de conformidade do fabricante terá como base um certificado de controlo de produção, emitido por um organismo de certificação notificado, sendo aplicado, por exemplo, aos agregados. Segundo este último sistema, cabe ao organismo notificado a avaliação da conformidade do sistema de controlo de fabrico dos produtos, de acordo com uma auditoria inicial e um acompanhamento permanente do controlo interno da produção.
1. Introdução
O presente trabalho pretende ser uma reflexão, com base em experiências de implementação de sistemas de controlo de produção que visam a obtenção da conformidade com as normas de referência e aposição da marcação CE.
O trabalho utiliza um conjunto de conceitos e instrumentos que ajudam na tarefa de levantamento e diagnóstico de alguns aspectos relacionados com a implementação das normas dos produtos abrangidos pela directiva produtos de construção, conducentes à marcação CE.
Dir-se-ia mesmo que, falar de parâmetros de qualidade e controlo de produção, no sector da indústria extractiva, é já em si mesmo uma evolução significativa neste sector de actividade, atendendo a um histórico de baixas exigências e de falta de informação.
Os contributos aqui expressos constituem uma súmula resultante de uma pesquisa de informação junto de vários empresários e técnicos que, directa ou indirectamente, actuam neste sector produtivo da economia nacional. Trata-se assim, do reflectir de experiências várias, recolhidas em diferentes graus da cadeia hierárquica produtiva do sector.
2. Directiva produtos de construção 89/106/CE
2.1. Requisitos Essenciais da Directiva
Independentemente da Norma Homologada para os diversos produtos abrangidos pela presente Directiva 89/106/CE, todas elas são reflexo dos Mandatos (M 119 – Pavimentos e M 121 – Fachadas e acabamentos de tectos) emitidos em função do cumprimento dos requisitos essenciais da directiva.
Assim, os requisitos constantes nas especificações técnicas dos produtos (Normas Homologadas dos produtos), não são mais do que os “Requisitos Essenciais” da directiva aplicados a cada caso específico, de forma a caracterizar o produto, tanto quanto possível, permitindo que a sua ficha técnica reflicta as suas características, para o cliente, em função da sua posterior aplicação em obra (utilização final).
Requisitos Essenciais da Directiva:
• Resistência mecânica e estabilidade; • Segurança contra incêndios;
• Segurança contra incêndios; • Higiene, saúde e Ambiente; • Segurança na utilização; • Protecção contra o ruído;
• Economia de energia e retenção de calor.
2.2. Sistemas de avaliação de conformidade/intervenientes no processo
De acordo com o requerido pelas normas dos produtos referidos ao longo deste trabalho, existem dois sistemas de avaliação da conformidade, o sistema 4 e o sistema 2+. No Sistema 4, a responsabilidade é inteiramente do produtor, cabendo a este a realização dos ensaios iniciais tipo e a implementação de um sistema de controlo de produção. Segundo o sistema 2+ a responsabilidade da realização dos ensaios iniciais e do sistema de controlo de produção continua ser da responsabilidade do fabricante no entanto este último sistema requer a intervenção de um organismo aprovado pela comissão europeia e pelo IPQ (organismo notificado) para efectuar a avaliação da conformidade do sistema de controlo de fabrico dos produtos, de acordo com uma auditoria inicial e um acompanhamento permanente.
Intervenientes no processo 1+ 1 2+ 2 3 4 Ensaios iniciais do produto X X X Controlo da Produção na Fábrica - CPF X X X X X X Fabricante Ensaio de amostras na Fábrica X X X Ensaio inicial do produto X X X Inspecção inicial da Fábrica e do CPF X X X X Fiscalização, avaliação e aprovação contínua do CPF X X X Organismo Notificado Ensaios aleatório de amostras colhidas na fábrica no mercado ou na obra X
2.3. Requisitos de avaliação de conformidade
2.3.1 Ensaios iniciais
Os ensaios iniciais deverão ser registados de forma a se poderem comparar com alterações significativas da matéria-prima ou do processo de produção, que poderão conduzir a um novo produto.
No caso dos produtos abrangidos pelo sistema 2+, os ensaios iniciais tipo são enviados ao organismo notificado antes da auditoria de controlo em fábrica, de forma, a que este organismo possa avaliar previamente se a caracterização do produto em questão cumpre os requisitos mínimos da norma de aplicação.
2.3.2 Controlo de Produção
Deverá ser estabelecido e documentado um sistema de controlo da produção mediante a definição de procedimentos de:
• Controlo interno da produção; • Produto não conforme;
• Avaliação conformidade da matéria prima; • Frequência de ensaios;
• Planos de amostragem;
• Controlo dos equipamentos e sua calibração; • Controlo de “stocks”.
2.4. Declaração
A declaração deve ser redigida na língua oficial do País (do estado membro UE) onde o produto irá ser utilizado e deve conter:
Nome e endereço do fabricante ou do seu representante autorizado estabelecido no Espaço Económico Europeu, assim como o local de produção;
Descrição do produto (tipo, identificação, utilização,...) e uma cópia das informações que acompanham a marcação CE;
Disposições com as quais, o produto é conforme (por exemplo, o anexo ZA da EN em questão);
Condições específicas aplicáveis à utilização do produto (por exemplo, disposições para utilização em condições especiais, etc.);
Nome e o cargo da pessoa habilitada para assinar a declaração em nome do fabricante ou do seu representante autorizado.
3. Produtos da indústria extractiva abrangidos pela directiva
3.1. Agregados
Tabela 1. Normas Homologadas dos Agregados Ref. da
Norma Título da norma
Data de início da marcação CE Data do final do período de coexistência Publicação no JOC Sistema EN 12620:
2002 Agregados para betão 2003-07-01 2004-06-01 OJ C320 of 2002-12-20 2+ EN 13043:
2002 Agregados para misturas betuminosas e tratamentos superficiais em estradas, aeroportos e outras áreas sujeitas à acção de tráfego.
2003-07-01 2004-06-01 2003-02-27 OJ C47 of 2+ EN 13055-1:
2002 Agregados leves - Parte 1: Agregados leves para betão, argamassas e calda de cimento.
2003-03-01 2004-06-01 2002-09-06 OJ C212 of 2+ EN 13055-2:
2004 Agregados leves - Parte 2: Agregados leves para misturas betuminosas e tratamentos superficiais e para aplicações em camadas de materiais não ligados ou ligados. 2005-05-01 2006-05-01 2004/C 263/02 de 2004-10-26 2+ EN 13139:
2002 Agregados para argamassa. 2003-03-01 2004-06-01 OJ C212 of 2002-09-06 2+ EN 13242:
2002 Agregados para materiais granulares não tratados e para materiais tratados com ligantes hidráulicos para utilização em trabalhos de engenharia civil e construção de estradas.
2003-10-01 2004-06-01 2003-03-27 OJ C75 of 2+
EN 13383-1:
2002 Agregados para estruturas de protecção marítima - Parte 1: Especificação. 2003-03-01 2004-06-01 OJ C212 of 2002-09-06 2+ EN 13450:
3.2. Rochas Ornamentais
3.2.1. Pavimentos
Tabela 1. Normas Homologadas dos Pavimentos (Rochas Ornamentais) Ref. da
Norma Título da norma
Data de início da marcação CE Data do final do período de coexistência Publicação no JOC Sistema EN
12057:2004 Ladrilho modular 2005/2006 A aguardar publicação no JOC 4 EN
12058:2004 Pavimentos - Ladrilho e escadas 2005/2006
A aguardar publicação no JOC 4 EN
1341:2001 Lajes de pedra natural para pavimentos exteriores - Requisitos e métodos de
ensaio 2002-10-01 2003-10-01
OJ C154 of
2002-06-28 4 EN
1342:2001 Calçada de pedra natural para pavimentos exteriores - Requisitos e métodos de
ensaio. 2002-10-01 2003-10-01
OJ C154 of
2002-06-28 4 EN
1343:2001 Lancil de pedra natural para pavimentos exteriores - Requisitos e métodos de
ensaio. 2002-10-01 2003-10-01
OJ C154 of
2002-06-28 4
3.2.2. Revestimentos
Tabela 3. Normas Homologadas dos Revestimentos (Rochas Ornamentais)
Ref. da
Norma Título da norma
Data de início da marcação CE Data do final do período de coexistência Publicação no JOC Sistema
EN 1469 Revestimentos exteriores - fachadas 2005/2006 A aguardar publicação no JOC 4
3.2.3. Coberturas
Tabela 4. Normas Homologadas de Coberturas (Rochas Ornamentais) Ref. da
Norma Título da norma
Data de início da marcação CE Data do final do período de coexistência Publicação no JOC Sistema EN 12326-1:
2004 Ardósias e produtos de pedra destinados à cobertura e revestimentos descontínuos - Parte 1: Especificação do produto
2005-05-01 2006-05-01 2004/C 263/02 de 2004-10-26 4
3.2.4. Aglomerados de Pedra
Tabela 5: Normas Homologadas de Coberturas (Rochas Ornamentais) Ref. da Norma Título da norma Data de início da marcação CE Data do final do período de coexistência Publicação no JOC Sistema
flooring (internal and external)
prEN 15285 Aglomerated Stone - Slabs and Tiles for
wall finishes (internal and external) Em fase decisão pela comissão técnica CEN/TC246
3.3. Alvenarias
Tabela 6: Normas Homologadas de Alvenarias Ref. da
Norma Título da norma
Data de início da marcação CE Data do final do período de coexistência Publicação no JOC Sistema EN 771-1: 2003 / A1:2005
Especificações para elementos de
alvenaria - Parte 1: Tijolos cerâmicos. 2005-04-01 2006-04-01 2005/C79/09 de
2005-04-01 2+ / 4 EN 771-2:
2003 / A1:2005
Especificações para elementos de
alvenaria - Parte 2: Blocos silico-calcários. 2005-04-01 2006-04-01 2005/C79/09 de 2005-04-01
2+ / 4 EN 771-3:
2003 / A1:2005
Especificações para elementos de
alvenaria - Parte 3: Blocos de betão (com inertes densos e ligeiros).
2005-04-01 2006-04-01 2005/C79/09 de 2005-04-01 2+ / 4 EN 771-4: 2003 / A1:2005
Especificações para elementos de alvenaria - Parte 4: Blocos de betão celular autoclavados. 2005-04-01 2006-04-01 2005/C79/09 de 2005-04-01 2+ / 4 EN 771-5: 2003 / A1:2005
Características dos elementos de alvenaria - Parte 5: Blocos de pedra manufacturada para alvenaria 2005-04-01 2006-04-01 2005/C79/09 de 2005-04-01 2+ / 4
4. Factos e considerações
No que se refere às rochas ornamentais, pela análise da tabela seguinte, constata-se que a grande maioria das rochas portuguesas pode satisfazer, fácil e cabalmente, os requisitos prescritos pela Marcação CE no âmbito das características físico-mecânicas, o que nos deverá encorajar a tirar partido desse facto, prevendo-se que os mercados venham a estar dispostos a pagar mais por uma qualidade melhor.
Portugal tem, agora, uma boa oportunidade para se afirmar como produtor de rochas ornamentais de grande qualidade, comprovando definitivamente a credibilidade da sua produção.
Tabela 7: (C. Moura, 2005). Valores de referencia das especificações ASTM, AFNOR e EN Testes físico-mecânicos
Referenciados pela Normalização
Europeia
Valores constantes de especificações existentes
(ASTM, AFNOR e EN)
Resposta da produção portuguesa a esses
requisitos
granitos: > 1000 kg/cm2 89% satisfazem o requisito
mármores: > 550 kg/cm2 98% satisfazem o requisito
Resistência à compressão
calcários: > 600 kg/cm2 92% satisfazem o requisito
granitos: > 105 kg/cm2 82% satisfazem o requisito
mármores: > 75 kg/cm2 96% satisfazem o requisito
Resistência à flexão
calcários: > 70 kg/cm2 95% satisfazem o requisito
granitos: <= 0.4 % 89% satisfazem o requisito mármores: <= 0.2 % 100% satisfazem o requisito
calcários: <= 3 % 89% satisfazem o requisito Absorção de água à pressão
atmosférica
ardósias: <= 0.6 % 85% satisfazem o requisito
zonas exteriores pouco expostas:
C1 e C2 <= 190 g/m2.s0. 5 100% 100% 90%
capilaridade
zonas exteriores muito expostas.
C1 e C2 <= 90 g/m2.s0. 5 90% 100% 70%
granitos: > 2560 kg/m3 95% satisfazem o requisito
mármores: > 2600 kg/m3 100% satisfazem o requisito
calcários: > 2300 kg/m3 100% satisfazem o requisito
Densidade aparente
ardósias: > 2700 kg/m3 100% satisfazem o requisito
granitos: < 1% 91% satisfazem o requisito mármores: < 3% 100% satisfazem o requisito calcários: < 9% 92% satisfazem o requisito Porosidade aberta
ardósias: < 3% 100% satisfazem o requisito CARACTERÍSTICAS DO TRÁFEGO AMSLER (percurso 200 m) CAPON (disco de 70 mm) Gr Már Cal Ard Tráfego forte <= 1.2 mm <= 18.5 mm 100% 4% 0% 0% Tráfego forte a moderado <= 3.0 mm <= 21.0 mm 100% 76% 65% 0% Tráfego moderado <= 5.5 mm <= 24.5 mm 100% 100% 89% 85% Resistência ao desgaste por
abrasão
Tráfego fraco <= 9.5
mm <= 30.0 mm 100% 100% 100% 100%
Gr Már Cal
- Interiores: >= 25 daN e >=6/5 do peso da
placa 100% 100% 100%
Resistência às ancoragens
- Exteriores: >= 50 daN e >=6/5 do peso da
placa 100% 100% 70%
Resistência ao
escorregamento - Não é necessária a sua avaliação quando a rugosidade superficial for superior a 1 mm - A avaliar para acabamentos c/ rugosidade
inferior a 1 mm: -Valor USRV aceitável...> 35
- pisos em rampa...> 45
Os acabamentos não polidos satisfazem, em
geral, estes requisitos granitos: >95% resistem mármores: >90% resistem calcários: >62% resistem
Resistência ao gelo * Exigida, em geral, resistência superior a 48
ciclos de gelo-degelo ardósias: >90% resistem granitos: >95% resistem mármores: 100% resistem calcários: 100% resistem Resistência ao choque
térmico * Exigida, em geral, resistência superior a 20 ciclos de imersão/secagem
ardósias: >80% resistem Gr – Granitos, Mar – Mármores, Cal – Calcários, Ard - Ardósias
A crescente concorrência internacional no mercado das rochas ornamentais, reforçada pela entrada de países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, motivou um claro esmagamento dos preços destes produtos. De facto, tratando-se de países com uma mão-de-obra barata e/ou com posições estratégicas para a distribuição, não será pelo preço que Portugal poderá vencer.
Assim, aliado à promoção da unicidade dos nossos litótipos, a estratégia terá de assentar fundamentalmente num reforço da qualidade. É neste factor que poderá entrar, e deverá, a marcação CE, como instrumento fundamental de competitividade no mercado de exportação de rochas ornamentais.
No que se refere às empresas industriais dos agregados, com um raio de distribuição muito reduzido (local ou regional), a Marcação CE poderá influenciar dois parâmetros fundamentais: a permanência no mercado (devido às exigências legais) e o aperfeiçoamento dos sistemas de produção através da criação de métodos e técnicas de diagnóstico da fileira produtiva.
De facto, se por um lado são incrementados os custos da implementação e funcionamento do sistema, por que não utilizar os benefícios decorrentes para afinar a cadeia produtiva e promover melhorias contínuas no sistema? O Controlo da produção, através do exigido pela marcação CE, e dos sistemas de qualidade no geral, permite suprimir e corrigir situações não conformes que poderiam inviabilizar a rentabilidade da produção. Bem como saber exactamente os custos e a capacidade produtiva, permitindo uma gestão baseada em factos.
Partindo deste pressuposto, para as primeiras empresas a implementar o sistema, a marcação CE constituirá uma clara barreira à entrada de novos concorrentes, essencialmente os que operam no regime de preço baixo/qualidade baixa. De futuro, o mercado assentará numa base mais séria e transparente de comercialização, sendo as ferramentas da concorrência baseadas em capacidades produtivas e em qualidade da matéria prima e não em concorrências desleais provindas da diferença de preços praticados por aqueles que não têm encargos extras devidos aos cumprimentos legislativos.
5. Conclusões
Os empreendimentos de construção, incluindo os edifícios e outras obras de construção e de engenharia civil, devem ser concebidos e realizados por forma a satisfazerem um conjunto de condições reputadas de interesse público.
Tais condições, consideradas como exigências essenciais, dizem respeito, para além da segurança, da durabilidade e de certos aspectos económicos das construções, à salvaguarda de valores como a saúde e segurança das pessoas e bens, o património ambiental e a qualidade de vida.
A satisfação das exigências essenciais implica a não utilização nos empreendimentos de materiais de construção cujas características, por inadequados, os possam comprometer.
De acordo com a Directiva "Produtos de Construção" todos os produtos para tal fim deverão ser acompanhados por uma declaração de conformidade e serem detentores da marcação CE. Como é evidente, todos os países da UE terão de acatar estas disposições e, por isso, Portugal não pode constituir excepção. A Europa está, pois, ciente das vantagens que para ela advêm quando se acha capaz e visa impor aos produtos em pedra natural, uma qualidade mínima, e se acha capaz de a atingir, defendendo a sua própria produção pelo bom uso das matérias-primas e das tecnologias de que dispõe e assegurando aos seus clientes, de modo inequívoco, a qualidade que eles esperam e exigem.
A qualidade controlada, servirá, naturalmente, como argumento decisivo a favor das preferências do mercado, o qual privilegiará os produtos declarados conformes com disposições pertinentes, em detrimento da concorrência não certificada.
A implementação de sistemas de controlo da qualidade nas empresas nacionais será, assim, a melhor forma de protegermos os nossos materiais e os nossos processos de fabrico, valorizando-os e criando dificuldades à penetração ou proliferação da produção não qualificada segundo os critérios válidos para o espaço europeu.
Analisando a gama de ensaios físico-mecânicos prescritos nas normas europeias para a certificação de conformidade e marcação CE, concluímos que nada teremos a recear quanto às exigências prescritas ou consagradas em vários países. De facto, teremos mesmo de considerar os requisitos da norma como uma janela de oportunidade que permitirá eliminar do mercado a concorrência desleal e a que não possui qualidade, ou seja, exactamente a concorrência que esmaga os preços de mercado.
Assim, sendo, a utilização das novas normas constitui uma janela temporal que permitirá, com a experiência, uma adaptação e eficácia da valorização dos nossos produtos, face à baixa qualidade de outros cuja entrada na Europa poderá desvalorizar a construção dos edifícios modernos.
Referências bibliográficas
Moura, C. (2005). “Alguns Factos e Reflexões sobre A Marcação CE - Nas Rochas Ornamentais Portuguesas”. Rochas & Equipamentos n.º 76, Lisboa.
Despacho nº 10222/2004, 2ª Série – Lista de Normas Harmonizadas no âmbito da directiva nº 89/106/CE, relativa aos produtos de construção e aos sistemas de avaliação da conformidade para os agregados.
Decreto Lei n.º 113/93, de 10 de Abril (1993). Introduz no acervo legal nacional a directiva produtos de construção 89/106/CE, Relativa à Aproximação das Disposições Legislativas, Regulamentares e Administrativas dos Estados – Membros no que diz Respeito aos Produtos de Construção“. Ministério da Indústria e Energia. I.N. Casa da Moeda, Lisboa.
Norma Portuguesa NP EN 12620 (2004) – “Agregados para betão ”. Instituto Português da Qualidade (IPQ), Lisboa.
Norma Portuguesa NP EN 13043 (2004) – “Agregados para misturas betuminosas e tratamentos superficiais”. Instituto Português da Qualidade (IPQ), Lisboa.
Norma Europeia EN 13055-1 (2002). “Agregados leves para betão, argamassa e calda”. Instituto Português da Qualidade (IPQ), Lisboa.
Norma Europeia EN 13139 (2002). “Agregados para argamassas”. Instituto Português da Qualidade (IPQ), Lisboa.
Norma Europeia EN 13242 (2002). “Agregados para misturas não ligadas e misturas ligadas hidraulicamente”. Instituto Português da Qualidade (IPQ), Lisboa.
Norma Europeia EN 13383-1 (2002). “Enrocamentos”. Instituto Português da Qualidade (IPQ), Lisboa. Norma Europeia EN 13450 (2002). “Agregados para balastros”. Instituto Português da Qualidade (IPQ), Lisboa.