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Todo cuidado é pouco!

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Academic year: 2021

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Segurança nas instalações elétricas

Por Waleria Mattos

Todo

cuidado é Pouco!

O cenário de instalações elétricas irregulares ainda é

preocupante. O descaso com a norma NBR 5410 é mais

comum em autoconstruções e residências unifamiliares,

porém, é um problema que atinge toda a população

O

cenário das instalações elétricas brasileiras é

alarman-te. A ocorrência de irregularidades preocupa grande parte dos profissionais que atuam no segmento, que afirmam com unanimidade que é preciso agir com mais eficiência e rigor para que essa situação mude e deixe de causar prejuízos à população. É certo que este panorama crítico não será solucionado do dia para a noite; entretanto, ficarmos de olhos fechados apenas esperando “o pior acontecer” não resolverá a questão, pois é preciso que todos tenham a consciência de que com a eletricidade não se brinca e de que ela exige muita atenção.

Autoconstruções, construções antigas e residências unifami-liares lideram o ranking de erros e não conformidades, pois, muitas vezes, não oferecem segurança alguma. O principal problema é que grande parte das autoconstruções não é feita por profissionais habilitados, o que impede que instalações elétricas antigas recebam a atenção necessária.

De acordo com uma amostra realizada pelo Programa Casa Segura – projeto que visa a conscientização e orientação sobre os riscos de acidentes causados por instalações elétricas inade-quadas –, 85% dos 500 edifícios que foram verificados, com mais de 10 anos de existência, nunca realizaram retrofit das instalações elétricas; 75% dispunham de para-raios instalados, porém, que não funcionavam adequadamente; e 50% apresentavam supera-quecimento dos fios, gerando maior probabilidade de incêndios. Os erros mais frequentes cometidos quando a instalação é feita por um leigo são: eletrodomésticos ligados na mesma tomada, emendas inadequadas, uso de condutores elétricos de baixa qualidade etc. Conforme balanço realizado pela Fun-dação Sistema Estadual de Análise de Dados (FunFun-dação

Sea-de), em 2011, somente no Estado de São Paulo, 149 pessoas morreram por exposição à corrente elétrica não especificada. Nesses casos, o médico responsável não identificou o tipo de aparelho ou situação que vitimou a pessoa, mas ficou claro que a causa foi por corrente elétrica.

É importante ressaltar que a não conformidade da instalação não é um problema somente das residências de baixa renda, mas ocorre também em construções de alto padrão. É comum pensarmos que as autoconstruções sejam o “calcanhar de Aquiles” dos problemas, e de fato são; contudo, muitas obras que deveriam seguir a ABNT NBR 5410 apresentam problemas de projeto e execução.

Normalmente, em construções que contam com a intervenção de empresas instaladoras que possuem registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), há um maior cumprimento das exigências técnicas, pois isso atesta que os profissionais possuem a capacidade técnica de operar na área.

“Quando o responsável pela obra possui a consciência de que é preciso executar instalações elétricas de acordo com as boas práticas, desde o início, um projetista é contratado para elaborar um projeto atendendo as normas técnicas. Para a execução, será contratado uma das boas instaladoras exis-tentes no mercado, e como produto final, teremos instalações elétricas dentro do melhor padrão de qualidade. Mas quando o proprietário da obra apenas visa o retorno financeiro, suprimindo etapas, contrata a execução praticando a precarização da mão de obra, certamente as instalações elétricas serão deficientes”, explica José Silvio Valdissera, engenheiro civil e presidente do Sindicato da Indústria da Instalação – SP (Sindinstalação).

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instalações, mas algumas delas se tornaram pontos-chave de irregularidades, como a falta de aterramento; não aplicação do dispositivo diferencial residual (DR), que protege os fios do circuito contra sobrecarga e curto-circuito, e as pessoas contra choques elétricos; especificação inadequada de componentes; ausência de coordenação de proteção – essa falha significa que o disjuntor e os condutores não estão adequadamente coordenados –, e diversos equipamentos ligados na mesma tomada, sobrecarregando a rede elétrica.

Vale lembrar que o disjuntor – dispositivo que, por segurança, desliga automaticamente o circuito elétrico quando fica sobrecar-regado –, pode evitar incêndios. No entanto, trocá-lo por livre e espontânea vontade poderá causar graves consequências. Hoje em dia, acompanhamos com mais frequência o número de incêndios causados por instalações elétricas impróprias, que poderiam ter sido evitados, se as instalações tivessem sido feitas corretamente.

De acordo com dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Ja-neiro, em 2011, aconteceram 5.610 ocorrências de incêndios em condomínios (residenciais e comerciais) no Estado do Rio de Janeiro. Em 2012, esse número subiu para 5.739, apresentando um aumento de 3% em relação ao ano de 2011.

Solução compulSória

Um tema grandemente debatido no setor é a certificação compulsória das instalações elétricas, que seria vinculado ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O engenheiro eletricista e diretor técnico da Bar-reto Engenharia – empresa que tem como especialidade a prestação de serviços na área da engenharia elétrica –, Paulo Barreto, explica que um grupo de profissionais vem lutando pela certificação obrigatória desde 1994, sendo que essa

óbitoS por expoSição À

corrente elétrica não eSpecificada

Fonte: Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

2006 2007 2008 2009 2010 2011 S xc .hu 177 159 132 170 150 149

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seria uma das ações que poderia diminuir a quantidade de irregularidades atualmente existentes.

“No caso de instalações elétricas, o processo de certifica-ção não ficaria apenas por conta do Inmetro – que está com minuta de Portaria para publicar há algum tempo. A grande problemática é quem exigirá o certificado, o que de fato é um grande obstáculo. O Inmetro detém o poder de regulamentar, mas a questão é quem será o responsável por fiscalizar. Então, chegou-se à conclusão de que se não houver um poder con-cedente, não seria viável publicar a Portaria”, detalha Barreto.

Ele ainda explica que o poder concedente seria mais indicado se partisse da Agência Nacional da Energia Elétrica (Aneel). “Entendemos que a solução ideal seria que a Aneel tivesse essa autonomia, mas não a única. Desse modo, a ligação de energia elétrica do imóvel ficaria vinculada ao certificado do Inmetro”, comenta.

A Associação Brasileira de Certificação de Instalações Elétricas (Certiel Brasil) trabalha com certificação de instalações elétricas de caráter voluntário desde 2009, e hoje, possui 65 processos de certificação finalizados. Eduardo Daniel, superintendente da Entidade, explica que a ausência de um órgão que fiscalize e regu-lamente a instalação elétrica se torna um agravante do problema.

“O fato de não termos uma entidade que regulamente obriga-toriamente a instalação elétrica causa esse descontrole das não conformidades. Hoje, muitos produtos utilizados em instalações elétricas possuem certificado de regulamentação; acredito que quase 100%; todavia, o projeto em si e a própria instalação ainda apresentam números elevados de irregularidades”, explica.

O engenheiro eletricista e diretor executivo da Associação Bra-sileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abra-copel), Edson Martinho, explica que a certificação dos produtos elevou a qualidade das instalações; no entanto, ainda não é o suficiente, visto que aplicar materiais certificados não quer dizer que a instalação esteja tecnicamente coordenada.

“A certificação compulsória dos materiais usados em instala-ções elétricas elevou de maneira modesta a instalação em si. Mas como não há a certificação compulsória da instalação, ainda encontramos muitos erros. Isso quer dizer que instalar produtos certificados que não estejam corretamente coordenados pode ocasionar o choque elétrico”, alerta.

Eduardo Daniel antecipa que a Certiel está trabalhando em parceria com o Green Building Council (GBC Brasil), e as residências que se candidatarem a receber o selo Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) deverão seguir

alguns critérios para instalações elétricas, como verificação inicial do projeto elétrico, o uso de produtos adequados e certificados, e verificação final da instalação elétrica.

retrofit: eficiência e Segurança

Com o passar dos anos, toda instalação elétrica está predestinada ao desgaste, apresentando problemas que muitas vezes podem ser resolvidos por meio de um retrofit. Cada projeto exige um período para sua manutenção, mas a realidade brasileira é que casas ou edifícios com mais de 30 anos não executam nenhum tipo de readequação. Vale mencionar que o retrofit não somente contribui para a segu-rança, mas também para a redução do consumo de energia elétrica.

O retrofit consiste na substituição de materiais antigos por tecnologias mais novas consideradas de ponta, contribuindo, assim, para a melhoria de toda a estrutura elétrica do ambiente.

Milena Guirão Prado, gerente de comunicação para a América Latina da Associação Internacional do Cobre e do Programa Casa Segura, explica que, atualmente, consumimos cerca de seis vezes mais energia do que há 20 anos e que essa estatística representa o aumento do número de aparelhos eletroeletrônicos disponíveis no mercado. Sendo assim, con-sequentemente, é primordial que seja realizada uma revisão para efeito preventivo; entretanto, culturalmente, o brasileiro não tem esse hábito, pois age apenas de modo corretivo.

No mês de março de 2013, o Estado do Rio de Janeiro publicou uma lei que determina que prédios residenciais, comerciais e públicos deverão, obrigatoriamente, fazer au-tovistorias decenais pelos condomínios, proprietários e go-vernos do Estado e municípios, respectivamente. A vistoria compreende instalações elétricas, sanitárias, eletromecânicas, de gás e de prevenção a fogo e escape, e obras de contenção de encostas, com menos de 25 anos de vida útil, a contar da emissão do “Habite-se”. Já os prédios comerciais e residenciais, com mais de 25 anos de vida útil, têm a obrigatoriedade de realizar autoinspeções a cada cinco anos.

A Lei nº 6.400 foi publicada no último dia 6 de março, e já está em vigor. É importante lembrar que a lei determina que a autovistoria seja obrigatória para edificações de três ou mais pavimentos, e para aquelas que tiverem área construída igual ou superior a 1.000m2, independentemente do número de pavimentos, e em todas as fachadas de qualquer prédio que tenha projeção de marquise ou varanda sobre o passeio público.

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aprende pelo amor ou pela dor. A mudança de cultura deve ser feita, porque não conseguiremos determinar uma condição se não mudarmos o pensamento das pessoas. Pela dor, o único modo seria a fiscalização. Assim sendo, a certificação da instala-ção elétrica é um grande passo para mudarmos esse quadro de insegurança no País”, detalha Martinho.

de olho na conformidade

A Associação Brasileira pela Conformidade e Eficiência de Instalações (Abrinstal) vem trabalhando desde 2006, para qualificar e certificar empresas instaladoras, e desse modo, apresentar instalações de acordo com as normas técnicas. A Entidade atua com instalações prediais na área elétrica, hidráulica, gás, combate a incêndio e telecomunicações. Alberto José Fossa, engenheiro eletricista e diretor executivo da Abrinstal, explica que a área elétrica é um segmento con-siderado novo na Associação, pois o grupo responsável está revisando e reestruturando o escopo original, que contempla-va apenas prédios residenciais, mas que procontempla-vavelmente será expandido para edifícios comerciais e industriais.

“Hoje, temos uma situação crítica no que se refere a insta-lações elétricas, até mesmo por conta do crescimento elevado da construção civil que tivemos nos últimos anos. Por isso, a proposta do Programa Qualinstal é identificar empresas em que o mercado pode confiar, visto que temos trabalhado em uma certificação completamente técnica, ou seja, a finalida-de é que, por meio do certificado, possamos ifinalida-dentificar os grupos que estão aptos a realizar uma instalação conforme as normas vigentes”, detalha Fossa.

Ainda de acordo com ele, existe uma grande dificuldade para avançar nessa área, visto que seria necessária a cooperação de todos. Por exemplo, o ideal seria que as concessionárias de energia

fornecessem algum tipo de apoio e envolvimento para fomentar de maneira indireta a certificação das empresas instaladoras. “As concessionárias de energia não têm envolvimento direto com a instalação interna predial; todavia, às vezes, sofrem com prejuí-zos na rede em função de uma má instalação interna”, observa.

Dentro do processo de certificação que a Abrinstal faz nas empresas instaladoras, são verificados vários pré-requisitos para atestar a qualidade técnica da companhia, como gestão, uso de materiais adequados, mão de obra e análise prévia de projetos. Segundo Fossa, uma das etapas do processo de certificação é a inspeção na obra.

Seguindo na mesma linha, com o objetivo de monitorar os produtos comercializados no setor, a Associação Brasileira pela Qualidade dos Fios e Cabos Elétricos (Qualifio), trabalha para aperfeiçoar a qualidade dos fios e cabos elétricos fabricados e vendidos no Brasil. Diversos incêndios são originados por insta-lações elétricas não conformes, e muitas vezes, esse problema é derivado do superaquecimento dos condutores elétricos.

A Qualifio é uma agente do Inmetro e trabalha basicamente com o foco nos produtos que não atendem as normas bra-sileiras. Mauricio Sant’Ana, secretário executivo da Qualifio, esclarece que é realizada uma coleta no mercado e o material é enviado para um laboratório credenciado. Atualmente, as principais normas que regem o setor de fios e cabos elétricos são a ABNT NBR NM 247-3 e a NBR 13249.

“De acordo com o último balanço que fizemos em dezem-bro de 2012, temos no mercado de fios e cabos elétricos: 143 marcas de fabricantes, sendo que 118 dessas marcas estão certificadas. As outras 25 marcas comercializam seus produtos normalmente no mercado”, esclarece Sant’Ana.

Do mês de janeiro até fevereiro de 2013, já houve nove suspensões

faça algumaS perguntaS

báSicaS ao Seu eletriciSta.

o profiSSional tecnicamente

habilitado preciSa

Saber reSponder:

• Por que devo realizar um diagnóstico das insta-lações elétricas?

• Qual é a função do fio-terra? • Onde é utilizado o fio-terra? • O que é o dispositivo DR? • Qual é a sua principal função?

• Com que frequência é preciso revisar a instalação elétrica?

• Quais são os principais benefícios da manutenção preventiva?

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ou cancelamentos de certificação. Em 2012, a Qualifio recebeu 21 denún-cias de produtos não conformes vendidos no mercado, mas somente nos primeiros meses de 2013, a Associação já recebeu 14 denúncias. Das 118 marcas certificadas existentes no mercado, 38% apre-sentaram não conformidades em 2012. Sant’Ana explica que isto ocorre porque quando a marca for certificada pela segunda vez, a empresa certificadora deverá avisar, com no mínimo uma semana de antecedência, que colherá amostras para serem levadas ao laboratório. Mas o que normalmente acontece é que as marcas preparam uma amostra “boa” naquela uma semana para que a certificadora teste o produto qualificado. Deste modo, essas marcas acharam um meio de burlar o sistema e conseguem comercializar seus produtos como se fossem certificados no mercado.

Uma das principais irregularidades encontradas na esfera de condutores elétricos é o baixo teor de cobre, que sempre está abaixo do especificado. O principal problema dessa não

confor-midade é o fato de que se o condutor não possuir a quantidade correta de cobre, ele superaquecerá e, consequentemente, poderá ocasionar um curto-circuito, aumentando os riscos de incêndio. Ainda de acordo com Sant’Ana, como essas marcas “economi-zam” na quantidade de cobre, elas podem ganhar no preço final do produto, provocando a concorrência desleal no setor, uma vez que muitos consumidores optam por produtos mais baratos. A certificação compulsória dos materiais tem a finalidade de diminuir os riscos de acidentes domésticos, causados por produtos que não são fabricados de acordo com as normas técnicas. Sant’Ana explica que o cobre representa 70% da matéria-prima de um condutor; portanto, quando o condutor não é fabricado conforme a norma, ele apresenta uma quanti-dade muito maior de PVC, aumentando os riscos de acidentes.

Em 2012, o Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP) realizou a operação “Segurança elétrica”, na qual

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as equipes de fiscalização autuaram 39 (28,8%) das 135 lojas verificadas, nas cidades de São Paulo, Guarulhos, São Bernardo, Bauru, Marília e Ribeirão Preto. No total, foram verificados 62.640 produtos, sendo 12.246 na capital e 9.292 no interior no primei-ro dia, e 23.910 na capital e 17.192 no interior no segundo dia. Dentre os principais produtos irregulares encontrados, destaque para cordões conectores fora de padrão e adaptadores de plugues e tomadas sem o selo do Inmetro.

conScientizar é o melhor caminho

Educar, conscientizar e orientar são algumas das palavras de peso que podem mudar o cenário critico das instalações elétricas brasileiras. Vale lembrar que essa consciência não é válida so-mente às pessoas, mas é necessário aperfeiçoar os profissionais que atuam no segmento e, principalmente, os eletricistas, uma vez que possuem contato direto com as situações irregulares.

Como mencionado anteriormente no texto, as autoconstruções e as residências unifamiliares conduzem o maior número de irre-gularidades e é exatamente nesse mercado que é imprescindível agir com mais rigor. A eletricidade não possui cheiro e muito menos cor, portanto, é preciso mudar a cultura de manutenção corretiva, e sim, dar início à manutenção preventiva.

Segundo Milena Guirão, os custos da instalação elétrica de uma residência nova giram em torno de 3% do valor total da construção. Já os de uma residência pré-existente não é possível mensurar, uma vez que cada instalação exigirá um modelo de readequação. Esse número revela que os gastos com acabamento, móveis, ele-troeletrônicos, decoração, entretenimento etc., podem representar mais do que um investimento com a instalação elétrica adequada. De acordo com Valdissera, a principal dificuldade que o Sindins-talação encontra para qualificar os profissionais do setor é a baixa procura pela profissionalização. “O maior contingente da mão de

obra elétrica é formado por pessoas da classe C e D; portanto, utilizam seu tempo, desde muito jovem, com a prática do traba-lho, colocando de lado sua formação educacional e profissional. A adesão pelos cursos é muito pequena, seja por causa dos horá-rios, dificuldade de transporte, um gasto, por menor que seja, ou até mesmo por falta de formação educacional de base, que não permite que o aluno acompanhe o conteúdo do curso”, ressalta.

Outra problemática é escolher o profissional correto, que esteja tecnicamente habilitado para executar a instalação elétrica e seguir corretamente o que determina o projeto. Hoje, é comum observar-mos que diversos profissionais acreditam estar capacitados para fazer o trabalho de um eletricista, mas isso não é verdade. Milena ressalta que é importante que o proprietário saiba identificar se o eletricista está apto ou não para executar um projeto elétrico, e lembra que a população deve incentivar o mercado formal dos profissionais, pois é comum que um encanador, ou um pedreiro, ou um chaveiro, acreditem que são eletricistas.

Nos últimos três anos, o Programa Casa Segura tem acompa-nhado a atuação de cerca de 300 profissionais eletricistas, que os informam sobre as irregularidades presentes no mercado re-sidencial. Com o objetivo de auxiliar o consumidor a escolher o profissional certo, Milena Guirão sugere o site SOS aqui, porque atualmente é muito complicado encontrar um eletricista adequa-do. Ainda de acordo com ela, hoje em dia, há uma preocupação maior com o bom uso da eletricidade.

É inquestionável que a eletricidade é de extrema importância para nosso dia a dia; no entanto, é necessário aprender que quando a energia elétrica é indevidamente empregada, somando erros de instalação, dimensionamento e produtos não conformes, ela oferece grande perigo ao usuário. Por isso, é indicado fazer a manutenção da instalação elétrica, preferencialmente, a cada cinco ou dez anos, dependendo da situação.

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Diversos equipamentos ligados em uma mesma tomada, sobrecarregando a instalação elétrica

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it-41: primeiro paSSo da mudança

A Instrução Técnica nº 41 determina as exigências para a rea-lização da inspeção visual (básica) das instalações elétricas de baixa tensão das edificações. Cabe mencionar que o responsável pela inspeção da instalação é o engenheiro eletricista, e que ele é o único profissional habilitado a assinar o anexo A (Atestado de conformidade da instalação elétrica) da IT-41. Além da norma NBR 5410, também são verificados os itens da norma ABNT NBR 5419 – Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas.

“Assim que o engenheiro faz a inspeção da instalação e declara sua conformidade, o proprietário deve ficar a par da situação. Posteriormente, o bombeiro fará a vistoria – que não é uma ins-peção –, superficial para verificar a consistência das informações do atestado”, esclarece o engenheiro Paulo Barreto.

Caso todos os requisitos exigidos pela IT-41 sejam atendidos, a instalação elétrica do edifício está apta a receber o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). “80% dos problemas que temos no Brasil podem ser verificados pela vistoria visual que o Corpo de Bombeiros realiza no Estado de São Paulo, por meio das exigências da IT-41”, comenta Daniel.

A IT-41 é considerada pelos profissionais do mercado um grande passo para a mudança, mas ainda não é o suficiente. “Observo três ações que seriam eficazes para diminuirmos as irregularidades: a primeira é conscientizar o eletricista de suas limitações, pois ele é o responsável por executar e não fazer ou dimensionar o projeto elétrico; a segunda é orientar a socieda-de socieda-de que a instalação elétrica socieda-deve ser acompanhada por um profissional habilitado; e a terceira é a certificação compulsória das instalações elétricas”, recomenda Paulo Barreto.

A eletricidade trabalha em silêncio. Por isso, o usuário difi-cilmente saberá se há algo errado ou não com a instalação, se não fizer a manutenção. Portanto, conscientizar as pessoas de que vale a pena investir em retrofits, certificação da instalação, utilização de materiais que possuem o selo de qualidade do Inmetro, verificar se o eletricista é habilitado etc., são pequenas ações que podem evitar grandes tragédias. A mudança, mesmo que lenta, das irregularidades das instalações elétricas será possível por meio de uma força-tarefa constante de todos, seja do governo, associações, população, empresas, construtoras, concessionárias, entre outros.

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