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Academic year: 2021

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CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA

ÁREA:

SUBÁREA: Engenharias

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SÃO PAULO - FATEC-SP

INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): MARIANA DE JESUS SIQUEIRA

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): DEISE DIAS DO NASCIMENTO MACHADO

ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): DÉBORA DE JESUS SIQUEIRA

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1.RESUMO

O descarte incorreto das cinzas do bagaço da cana de açúcar - CBC oriundas das usinas sucroalcooleiras é um fato a se preocupar, devido aos metais pesados contidos nesse material, podendo contaminar o solo e aquíferos. Esta pesquisa analisa a viabilidade na adição das CBC, em obras de estabilização química de solos com cimento para camadas de pavimento. Inicialmente foram realizados ensaios de caracterização das cinzas, dosagens de misturas de solo in natura, solo-cimento e solo-cinza-solo-cimento e finalmente realizou-se os ensaios de Mini-Proctor e Resistência a Compressão Simples. Concluiu-se que a mistura-solo-cinza-cimento com teores de cimento e cinza 7% e 16%, respectivamente, obtive os melhores resultados quando comparados as demais composições e que as misturas com maior porcentagem de CBC atingiram a especificação do DNIT para camadas de base de pavimentos com solo cimento. Desta maneira, verificou-se que a introdução de CBC em misturas de solo-cimento para pavimentação é viável.

2. INTRODUÇÃO

A análise da caracterização química e física do solo se torna imprescindível por ser um material extremamente complexo e oscilante, não suprindo todos os requisitos necessários para aplicação na Construção Civil (Vizcarra, 2010). Uma das técnicas mais utilizadas para viabilizar a execução de pavimentos sobre solos com baixa capacidade de suporte é a estabilização química feita com cimento, objetivando garantir a melhora das propriedades dos solos. Freiras (2005) ressalta que neste procedimento podem ser empregadas cinzas, que ao reagirem quimicamente com o aglomerante oferecem maior velocidade de hidratação, maior consumo de hidróxido de cálcio e melhor distribuição dos tamanhos dos poros, parâmetros estes, que influenciam positivamente a durabilidade e aumento da resistência da mistura. Dentro deste contexto, destacam-se os estudos relacionados à utilização de cinzas residuais da agroindústria.

Além dos principais insumos, o processo produtivo final das usinas sucroalcooleiras gera a CBC - cinzas do bagaço de cana-de-açúcar (Paula, 2006). A produção de CBC consiste em cerca de 10% do total de bagaço queimado, que por sua vez, é equivalente a 25 kg a cada tonelada de cana. O destino desse material é um problema recorrente que os administradores das usinas enfrentam. Normalmente, as cinzas são dispostas nos solos dos canaviais como adubo, mesmo tendo em vista

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que tal resíduo seja pobre em nutrientes, além de conter em sua composição metais pesados, podendo contaminar os lençóis freáticos, a própria plantação e até mesmo afetar o rendimento industrial (Castro e Martins, 2016). Dentro deste contexto, o presente estudo busca contribuir com a compreensão do comportamento da mistura de solo, CBC e cimento, analisando a viabilidade da utilização desta mistura em obras de pavimentação rodoviária, sobretudo, almeja-se encontrar um destino mais digno a este resíduo.

3. OBJETIVOS

O objetivo principal deste estudo é avaliar o potencial da utilização de CBC provenientes das usinas sucroalcooleiras como aditivo mineral na produção de camadas de pavimentos estabilizadas quimicamente com solo-cimento, visando diminuir o volume de resíduos de CBC descartados em locais inadequados e comparar o desempenho de camadas de pavimentos estabilizadas com solo-cimento convencional e solo-solo-cimento acrescido com CBC.

4. METODOLOGIA

Desejando obter resultados favoráveis na inserção de CBC em obras de estabilização de solos executadas com cimento, utilizou-se a seguinte diretriz metodológica, subdividida em 10 etapas:

Estudo do emprego da CBC Caracterização e Beneficiamento de materiais Obtenção e beneficiamento da CBC Caracterização do solo Misturas e Dosagens Solo in natura - SN Solo Cimento - CCP Solo Cinza -SCBC

Solo Cinza Cimento - SCC Ensaios mecânicos e Avaliações das dosagens Compactação e Resistência à Compressão Simples - RCS

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5. DESENVOLVIMENTO

5.1 Materiais • Solo:

O solo utilizado nos estudos, possui 81,8% de sua composição latossolo e é proveniente da Avenida União dos Ferroviários, região de Jundiaí. De acordo com a classificação de solos MCT, a amostra utilizada se enquadra como solo siltoso/argiloso não laterítico, conforme apresentado na Tabela 01:

Tabela 01 - Características Físicas do Solo

Ensaio Resultado LL (%) 35 LP (%) 27 IP (%) 8 Passante na Peneira # 0,42mm (%) 88 Passante na Peneira # 0,075 (%) 57 CBR 11% Classificação HRB CL Classificação MCT NS'-NG'

• Cinza do bagaço de cana-de-açúcar

Inicialmente, foram coletadas amostras (1) de bagaço de cana-de-açúcar pela Usina Iracema (Grupo São Martinho) situada na cidade de Iracemápolis - São Paulo e amostras (2) de CBC pela Usina Pitangueiras, localizada na Estrada Vicinal Possidônio de Andrade Neto – Fazenda Santa Rita. Por conta do período de estiagem que as usinas passam entre os meses de dezembro/março, a Usina Iracema não possuía amostras de CBC, sugerindo então, amostras de bagaço de cana-de-açúcar para serem incineradas em laboratório. Utilizando uma mufla, foram feitas as queimas das amostras 1 (para tornar o bagaço de cana- de-açúcar em cinzas) e da amostra 2 (para eliminar os resquícios de matéria orgânica que o material ainda possuía). Aqui neste trabalho, as cinzas serão denominadas de CBC - Iracema e CBC – Pitangueiras.

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• Cimento

Para a análise das misturas de solo-cimento e solo-cinza-cimento o cimento utilizado na preparação das misturas descritas a seguir é o CP II Z – Cimento Portland composto com pozolana.

5.2 Métodos

Para atender a proposta desta pesquisa, foi empregada uma metodologia composta com os seguintes procedimentos experimentais:

5.2.1 Caracterização das cinzas

• Fluorescência de Raios X: A composição química das amostras de CBC foram obtidas por meio de análise feita em um Espectrômetro de Fluorescência de Raios X por energia dispersiva da marca S2 Ranger. O ensaio foi feito no Laboratório de Processamento e Caracterização de Materiais da Faculdade de Tecnologia de São Paulo.

• Determinação de Massa Específica Real: Para a determinação da massa específica real das CBC utilizou-se o método estabelecido pela norma DNER-ME 085/94 – Material finamente pulverizado - Determinação de massa específica real.

• Determinação Granulométrica das Cinzas: A determinação da distribuição granulométrica da CBC-Pitangueiras foi com realizada com o instrumento óptico-eletrônico Camsizer XT no Laboratório de Caracterização Tecnológica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Este ensaio permite a identificação do tamanho e morfologia das partículas por meio de análise de imagens.

5.2.2 Caracterização das Misturas

• Mini-Proctor: Com a finalidade em analisar o comportamento e evolução das misturas Solo-Cinza e Solo-Cinza-Cimento, foram determinadas matrizes experimentais contidas na Figura 02. A moldagem dos corpos de prova foi baseada pela norma DNER-ME 228/94 – Solos: Compactação em equipamento miniatura. As misturas I, II, III e IV tiveram tempo de cura de 7 dias e para melhor percepção das mudanças de propriedade nas demais misturas os períodos de cura foram de 7 e 28 dias.

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• Resistência à compressão simples – RCS: O ensaio de RCS foi executado com o objetivo de avaliar o comportamento da mistura e analisar se ela pode ser aplicada como material de camadas de pavimento.

CBC01 (%) CBC02 (%) Solo In Natura I SN Solo in Natura 100 - -

-II SCBC 01 Solo Cinza - Iracema 84 16 - -III SCBC 02 Solo Cinza - Pitangueiras 84 16 -IV SCBC 03 Solo Cinza - Pitangueiras 90 - 10 -V SCP 5% Solo Cimento Portland 5% 90 - - 5 VI SCP 7% Solo Cimento Portland 7% 90 - - 7

VII SCC (10/5) Solo Cinza Cimento (10%

Cinza e 5% Cimento) 85 - 10 5 VIII SCC (10/7) Solo Cinza Cimento (10%

Cinza e 7% Cimento) 83 - 10 7 VIX SCC (16/5) Solo Cinza Cimento (16%

Cinza e 5% Cimento) 79 - 16 5 X SCC (16/7) Solo Cinza Cimento (16%

Cinza e 7% Cimento) 77 - 16 7

PROGRAMAÇÃO EXPERIMENTAL

Classificação Mistura Descrição Solo (%)

CINZA (Cinza do Bagaço

da Cana-de-acucar) Cimento (%)

Solo Cinza

Solo Cimento

Solo Cinza Cimento

Figura 02 – Matriz experimental.

6. RESULTADOS

6.1 Caracterização das cinzas do bagaço de cana-de-açúcar

Os resultados alcançados no ensaio de Fluorescência de Raios X demonstraram um alto teor de sílica em ambas as amostras (54,6 – CBC Iracema e 73,3 – CBC Pitangueiras) e grande diferença nas porcentagens dos demais elementos encontrados, que pode ser justificado pela forma de calcinação que cada uma foi submetida – CBC- Iracema em laboratório e CBC Pitangueiras em caldeira e por serem de regiões diferentes. A CBC-Iracema apresentou mais que o dobro de cal que a CBC-Pitangueiras (4,3% e 2,04%, respectivamente), elemento que influencia bastante na diminuição de sua massa específica, contrapondo a CBC-Pitangueiras que possui 34,3% a mais de sílica, composto que aumentando sua massa específica.

No ensaio de determinação de massa específica das CBC-Iracema e Pitangueiras foram de 2,249 kg/dm³ e 2,789kg/dm³, respectivamente – teores próximos aos

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constatados em algumas bibliografias, como no estudo de Bessa (2011) onde foram obtidos teores de 2,23 kg/dm³ a 2,65 kg/dm³.

Decorrente ao ensaio de determinação de tamanho e morfologia das partículas da CBC-Pitangueiras com o Camsizer obtiveram-se os resultados presentes na Figura 03, permitindo classificá-la como areia média de acordo a NBR 6502/95, pois mais de 95% de sua granulometria possui diâmetro entre 0,42 e 2,0mm.

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0,01 0,1 1 10 P o rc en ta ge m p a ss a n te (% ) Tamanho de partículas (mm)

GR A NULOMETR IA

Figura 03 – Análise granulométrica CBC-Pitangueiras.

Além da distribuição granulométrica, o Camsizer demonstra também o formato das partículas da amostra fazendo uma relação entre o menor e o maior diâmetro da partícula. A análise da forma das partículas da CBC-Pitangueiras, resultou uma concentração entre os teores de 0,5 e 0,7, valores que indicam que as partículas são mais lamelares.

6.2 Análise das propriedades das misturas

Como já mencionado anteriormente, os elementos contidos nas CBC influenciam muito em seu comportamento, a respeito disso, o primeiro aspecto a ser evidenciado será MEAS – massa especifica aparente seca. A Figura 04 (a) demonstra que a Mistura III apresentou o maior valor de MEAS – pois é composta por CBC-Pitangueiras, que contem maior teor de sílica (areia), e a Mistura II – formada por CBC-Iracema, que por possuir maior presença de cal (CaO), apresentou valores de MEAS menores quando comparados com a Mistura III. Pelos valores do ensaio de Mini-Proctor pode-se notar também que a Cinza-Iracema aumentou a umidade do solo in natura, indicando um aumento na superfície específica do material e, consequentemente, um maior número de vazios preenchidos por água.

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1,40 1,50 1,60 1,70 1,80 1,90 2,00 10% 12% 14% 16% 18% 20% 22% 24% 26% M a s s a E s p e c íf ic a A p a re n te -M E A S ( g /c m ³) Teor de Umidade - W (%) MEAS x Teor de Umidade

-MISTURA I MISTURA II MISTURA III 0 1 2 3 4 5 6 7 10% 15% 20% 25% D es lo ca m en to ( m m ) Teor de Umidade - W (%)

Deslocamento x Teor de Umidade

MISTURA I MISTURA II MISTURA III

Figura 04 – (a) MEAS versus Teor de Umidade – Misturas I, II e II. (b) Deslocamento

versus Teor de Umidade – Misturas I, II e III.

A Figura 04 (b) refere-se ao deslocamento alcançado no ensaio de RCS das Misturas I, II e III – solo in natura e solo com diferentes cinzas com 16% de adição. Analisando o gráfico evidencia-se que a adição de CBC proporcionou uma diminuição do deslocamento, quando comparado com o solo in natura. As duas cinzas obtiveram deslocamentos aproximados (3,5mm), porém com teores de umidade diferentes.

No ensaio de RCS, a Mistura III (SCBC02 - 16) apresentou a melhor resistência quando comparada ao solo in natura - Mistura I e a Mistura II, vide Figura 05. O pico de resistência, situado na umidade ótima, da Mistura III teve aumento de 26,44% em relação ao solo natural e apresentou 115% mais resistência do que a Mistura II, que por sua vez, diminuiu em 41,38% a resistência do solo natural – fato também atrelado aos compostos químicos contidos em cada uma das cinzas. Conforme já mencionado, a CBC-Pitangueiras foi escolhida para a realização dos demais ensaios por conta de seu desempenho nas misturas retratadas.

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4.3 Solo-Cimento versus Solo-Cinza-Cimento

Neste estudo – Figura 06 (a) e (b), optou-se por fixar o teor de cinza para avaliar a mudança na adição de cimento. Pode-se observar que a Mistura VIII apresentou valores mais elevados de RCS quando comparados com a Mistura VII, a quantidade de cinza entre as misturas é a mesma, logo, o que as diferencia é a quantidade de cimento adicionado, dado igualmente observado entre as misturas IX e X. O composto com maior porcentagem de cimento apresenta melhores resultados para todas as idades, com 7 e 28 dias, o que já era intuitivo. Porém, comparando as Misturas VII, VIII, IX e X comprovamos que a adição de cinza tem uma ação positiva na mistura. Isolando os dados da mistura com maior teor de cimento/menor teor de cinza e a mistura com maior teor de cinza/menor teor de cimento (Mistura VIII e IX, respectivamente) observamos que a mistura IX possui cerca de 5% de resistência a mais que a mistura VIII.

Os gráficos contidos nas Figuras 07 (a) e (b) estão separados conforme o teor de cimento aplicado, para melhor visualização das alterações ao se adicionar CBC na mistura. Fixando tanto o teor de 5% de cimento, como o de 7% de cimento, tem-se

0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0

Mistura VII Mistura VIII

R CS ( MPa) RCS M I S T U R A V I I - S C C 1 0 % C I N Z A E 5 % C I M E N T O M I S T U R A V I I I - S C C 1 0 % C I N Z A E 7 % C I M E N T O 7 dias 28 dias (a) 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 Mistura IX Mistura X RC S (MPa) RCS M I S T U R A I X - S C C 1 6 % C I N Z A E 5 % C I M E N T O M I S T U R A X - S C C 1 6 % C I N Z A E 7 % C I M E N T O 7 dias 28 dias (b)

Figura 06 – (a) Resistência Compressão Simples - Mistura VII e VIII. (b) Resistência à Compressão

Simples – Misturas IX e X

que a Mistura IX e X são as mais resistentes visto às demais misturas, dado que mostra que a introdução de cinza trouxe melhoria ao composto. No que diz respeito ao ganho de resistência entre 7 e 28 dias a mistura VII apresentou melhores resultados (41,25% de aumento), ao notar o ganho de resistência da mistura solo-cinza-cimento aos 60 dias, por conta da atividade pozolânica que a CBC possui ao

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associar-se com o cimento, tendo maior crescimento de resistência ao longo do tempo em relação ao CP convencional – Misturas V e VI.

0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0

Mistura V Mistura VII Mistura IX

R CS ( M P a) RCS M IS TU R A V - S C P - 0 % C IN Z A E 5 % C IM E N T O M IS TU R A V II - S C C - 1 0 % C IN Z A E 5 % C IM EN TO M IS TU R A IX - S C C 1 6 % C IN Z A E 5 % C IM EN TO 7 dias 28 dias (a) 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0

Mistura VI Mistura VIII Mistura X

R C S (M P a) RCS M IS T U R A V I - S C P - 0 % C IN Z A E 7 % C IM EN TO M IS TU R A V III - S C C 1 0 % C IN Z A E 7 % C IM EN TO M IS T U R A X - S C C 1 6 % C IN Z A E 7 % C IM EN TO 7 dias 28 dias (b)

Figura 07 – Resistência Compressão Simples – (a) Misturas V, VII e IX. (b) Misturas VI, VIII e X.

A Especificação de Serviço 143/2010 – Bases de solo-cimento do DNIT, adota o valor de 2,1 MPa para a resistência à compressão aos 7 dias como o mínimo necessário para a aplicação de solo-cimento em bases de pavimentos. Consoante a esta especificação, pode-se destacar que entre as composições estudas de Solo-Cimento e Solo-Cinza-Solo-Cimento, a única mistura compostas de 5% de cimento que atingiu valor maior do que o especificado foi a Mistura IX (5% de cimento e 16% de cinza), já com o teor de 7% as Misturas VI (7% cimento 0% cinza) e X (7% cimento e 16% cinza) obtiveram valores acima do que determina a norma.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se concluir com os resultados e discussões realizadas na presente pesquisa que, avaliando o ganho de resistência, a aplicação de CBC provenientes das usinas sucroalcooleiras como aditivo mineral na produção de camadas de pavimentos estabilizadas quimicamente com solo-cimento é viável e pode contribuir na diminuição do volume de resíduos de CBC descartados em locais inadequados. É necessário enfatizar ainda que todos os resultados apresentados são correspondentes às cinzas definidas neste estudo, não sendo possível a homogeneização das análises para cinzas provenientes de outras usinas e que para

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uma avaliação completa sobre a implantação desse resíduo em camadas de pavimentos é necessário a realização de outros estudos, como a determinação do módulo de resiliência da mistura para uma análise mecanicista em camadas de pavimento.

Ensaios adicionais para uma melhor caracterização das CBC podem ser realizados, já que existem diferentes componentes químicos presentes, e identificar a ação pozolanidade em função do tempo.

FONTES CONSULTADAS

Castro, Tainara Rigotti de; Martins, Carlos Humberto (2018). Caracterização das

cinzas do bagaço de cana-de-açúcar como material alternativo para a redução de impactos ambientais. Anais da Mostra de Extensão, Inovação e Pesquisa,

PR.

DNER (1994). DNER-ME 085/94. Material finamente pulverizado - Determinação de

massa específica real. Rio de Janeiro.

DNER (1994). DNER-ME 228/94. Solos – compactação em equipamento miniatura. Rio de Janeiro.

DNIT (2010). 143/2010. Pavimentação – Base de solo-cimento – Especificações de

serviço. Rio de Janeiro.

Freitas, Elaine de Souza (2005). Caracterização da cinza do bagaço da

cana-de-açúcar do município de Campos dos Goytacazes para uso na construção civil.

Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Campo dos Goytacazes, RJ.

Paula, Marcos Oliveira de (2006). Potencial da cinza do bagaço da cana-de-açúcar

como material de substituição parcial de cimento Portland. Dissertação de

Mestrado, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa.

Vizcarra, Gino O. Calderón (2010). Aplicabilidade de cinzas de resíduo sólido urbano

para base de pavimentos. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade

Referências

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