TÍTULO: EFICÁCIA DA MOBILIZAÇÃO ARTICULAR COMPARADA A INTERVENÇÃO MÍNIMA EM DOR LOMBAR CRÔNICA NÃO ESPECÍFICA: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO ALEATÓRIO CONTROLADO DUPLO CEGO
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: FISIOTERAPIA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: UNIÃO DAS FACULDADES DOS GRANDES LAGOS INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): GABRIELA DIONÍSIO GUERREIRO, EDNÉIA DENISE DA SILVA AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): ANA FLÁVIA NAOUM DE ALMEIDA ORIENTADOR(ES):
COLABORADOR(ES): FERNANDO AUGUSTO GONÇALVES TAVARES COLABORADOR(ES):
RESUMO
INTRODUÇÃO: A lombalgia é um acometimento multifatorial que pode afetar as atividades de vida diária dos indivíduos, sendo uma das principais causas de incapacidade e perda de funcionalidade. Estudos recentes sugerem diversas abordagens de avaliação e propostas de tratamento baseados em evidências científicas. O Conceito Maitland caracteriza-se por técnicas específicas de avaliação e intervenção nas disfunções da coluna vertebral por meio da mobilização articular. Quanto à caracterização e intensidade da dor lombar, a literatura tem apresentado instrumentos de medida padronizados e confiáveis como Oswestry Disability Index (ODI) e Escala Visual Numérica (EVN). OBJETIVOS: O presente estudo teve por objetivo primário analisar a eficácia da Mobilização Articular de Maitland aplicada a pacientes com lombalgia crônica não específica comparada a um grupo intervenção mínima e um grupo controle. MÉTODOS: Os indivíduos selecionados foram randomizados e aleatorizados em três grupos de 20 indivíduos: o grupo A (37,1 ± 12,57) de tratamento com a mobilização articular de Maitland, O grupo B (39,15 ± 11,45) da intervenção mínima, e grupo C (30,6 ± 8,97) controle que não receberam qualquer tratamento. Todos os grupos foram avaliados por um mesmo pesquisador cego e responderam ODI e EVN, realizaram teste Lasègue e manobra de Valsalva antes do início da sessão 01 e após término sessão 10. RESULTADOS: Os achados demonstraram que o grupo (A) obteve um índice de melhora de 84,54% no relato de dor, através da escala visual numérica que passou de uma média de 4,85 ± 2,62 para 0,75 ± 1,29, enquanto o grupo (B) obteve 52,84% e o grupo (C) 6,10% de melhora para o mesmo relato. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Como pode ser observado, o relato de dor e os testes físicos apresentaram maior índice de melhora para o grupo de tratamento com Mobilização Articular de Maitland, o que sugere maior eficácia no tratamento da dor lombar por essa técnica. Os valores do índice de incapacidade relacionada a dor dados pelo ODI se relacionam de maneira direta com os fatores psicossociais dos indivíduos, os quais não foram levados em consideração para posterior correlação, o que pode ser considerada uma limitação do estudo.
INTRODUÇÃO
A lombalgia é um acometimento multifatorial que pode afetar as atividades de vida diária dos indivíduos, sendo uma das principais causas de incapacidade e perda de funcionalidade, com comprometimento de estruturas adjacentes e articulações secundárias por meio de compensações biomecânicas e sobrecarga. Estima-se que entre 70% e 80% da população mundial poderá desenvolver quadro álgico na região lombar, acarretando em muitos casos o absenteísmo ou até aposentadoria por invalidez. (JORGE et al.,2011; TAN et al.,2014).
Estudos recentes sugerem diversas abordagens de avaliação e propostas de tratamento baseados em evidências científicas. Schianchi (2015) relata que a técnica invasiva é utilizada na diminuição e no controle da dor lombar, proporcionando alívio em curto prazo. Starkweather et al., (2015) refere que o tratamento medicamentoso reduz o componente inflamatório favorecendo uma melhora na dor e auxiliando nas respostas aos tratamentos de reabilitação. No contexto dos tratamentos físicos, o Conceito Maitland caracteriza-se por técnicas específicas de avaliação e intervenção nas disfunções na coluna vertebral por meio da mobilização articular e se baseia na implicação de movimentos passivos suaves as estruturas que apresentem diminuição da amplitude de movimento (KAVART et
al., 2014).
Quanto à caracterização da incapacidade funcional e intensidade da dor lombar, a literatura tem apresentado instrumentos de medida padronizados e confiáveis. A versão traduzida e adaptada do Oswestry Disability Index (ODI) apresenta propriedades psicométricas testadas e validadas com bons índices de consistência interna (Alfa de Cronbach = 0,87) sendo um importante instrumento para avaliar níveis de incapacidade funcional dos indivíduos. Esse questionário apresenta moderada correlação com a dor (r=0,66), verificado por meio da escala visual numérica (EVN), também utilizada nesse estudo (MANCHIKANTI et al., 2015).
O teste de Lasègue e a manobra de Valsalva possuem aplicações clínicas aceitas e largamente utilizadas como recursos diferenciais na confirmação dos diagnósticos das patologias lombares. A manobra de Valsalva é realizada através da expiração forçada, aumentando a pressão torácica e abdominal. Teste positivo no desconforto lombar (HEISS et al., 2010). O teste de Lasègue é realizado com o paciente em decúbito dorsal, flexionando o quadril com uma perna fletida e a outra
estendida, uma de cada vez. Positivo quando o paciente sentir dor na lombar (HADZIC et al., 2013).
OBJETIVO
O presente estudo teve por objetivo primário analisar a eficácia da Mobilização Articular de Maitland aplicada a pacientes com lombalgia crônica não específica comparada a um grupo de intervenção mínima e um grupo controle. Já os objetivos secundários foram: (1) verificar a eficácia de uma intervenção mínima de tratamento na melhora da intensidade e incapacidade na dor lombar crônica não específica; (2) analisar possíveis alterações no teste de Lasègue e manobra de valsava pré o pós mobilização, intervenção mínima comparadas ao grupo controle.
MÉTODOS
Ensaio clínico randomizado aleatório e controlado duplo cego realizado na Clínica Escola de Fisioterapia da União das Faculdades dos Grandes Lagos, em São José do Rio Preto. O estudo seguiu as Normas Consolidadas dos Trials CONSORT (MOHER et al., 2012) e foi aprovado pelo comitê de ética sob o número 204/14, todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Foram selecionados 150 indivíduos de ambos os gêneros com os seguintes critérios de elegibilidade: com idade entre 18 a 55 anos, que apresentem dor lombar crônica não específica, contínua e recorrente com duração mínima de três meses (TRAEGER et al., 2014). Desses indivíduos, apenas 60 forma selecionados conforme resultado do cálculo amostral realizado pelo site http://www.lee.dante.br, com nível de significância de 5% e índice de confiabilidade de 18 participantes por grupo. Foram considerados critérios de exclusão: indivíduos com mais de três faltas no programa, gestantes e bandeiras vermelhas (neoplasia, fratura de coluna vertebral, osteomielite vertebral, infecção ou síndrome da cauda equina, doenças reumáticas, doenças que comprometem a cognição). Mulheres em fase lútea foram reagendadas. (HARTVIGSEN et al., 2015).
DESENVOLVIMENTO
Nas Tabelas 01 e 02 é possível observar a caracterização da amostra em todos os grupos quanto a idade, altura, peso e índice de massa corporal (IMC).
Tabela 01 – Caracterização da Amostra, Idade e Altura
Idade Altura
Média DP IC 95% (LI - LS) Média DP IC 95% (LI - LS) Grupo (A) 37,1 12,57 (31,6 - 42,61) 1,63 0,08 (1,6 - 1,98) Grupo (B) 39,15 11,45 (34,13 - 44,17) 1,66 0,09 (1,61 - 1,7) Grupo (C) 30,6 8,97 (26,67 - 34,53) 1,63 0,07 (1,6 - 1,67)
Tabela 02 – Caracterização da Amostra, Peso e IMC
Peso IMC
Média DP IC 95% (LI - LS) Média DP IC 95% (LI - LS) Grupo (A) 67,6 11,55 (62,54 - 72,66) 25,43 4,19 (23,6 - 27,27) Grupo (B) 71,05 14,11 (64,87 - 77,23) 25,8 4,47 (23,84 - 27,76) Grupo (C) 63,25 10,69 (58,56 - 67,94) 23,66 3,36 (22,19 - 25,13)
Os indivíduos selecionados foram randomizados e aleatorizados em três grupos de 20 indivíduos: o grupo (A) de tratamento com a mobilização articular de Maitland, O grupo (B) da intervenção mínima, e grupo (C) controle que não receberam qualquer tratamento. Todos os grupos foram avaliados por um mesmo pesquisador cego e responderam ODI e EVN, realizaram teste Lasègue e manobra de Valsalva antes do início da sessão 01 e após término sessão 10.
O tratamento foi realizado por 02 pesquisadores cegos, um para cada grupo (A) e (B), durante 05 semanas, 02 vezes por semana totalizando 10 sessões. Cada sessão tinha duração média de 30 minutos. No grupo (A) foi aplicada a técnica de pressão póstero-anterior central durante 30 segundos em cada vértebra lombar, de L5 a L1. No grupo (B) foi aplicado a intervenção mínima, reproduzindo o mesmo posicionamento das mãos utilizados no grupo (A), porém sem as oscilações rítmicas, apenas com as mãos em repouso. Da mesma forma, o posicionamento foi mantido por 30 segundos em cada vértebra lombar. O grupo (C) não recebeu tratamento.
RESULTADOS PRELIMINARES
Os achados demonstraram que o grupo (A) obteve um índice de melhora de 84,54% no relato de dor, através da escala visual numérica que passou de uma média de 4,85 ± 2,62 para 0,75 ± 1,29, enquanto o grupo (B) obteve 52,84% e o grupo (C) 6,10% de melhora para o mesmo relato (Tabela 03).
Para o índice de incapacidade relacionada a dor, dado pelo questionário ODI, o grupo (A) obteve uma melhora menos significativa do que o grupo (B), sendo de
26,90% contra 41,50%, sendo a melhora do índice no grupo controle de 35,91%, também maior do que o grupo de Mobilização Articular de Maitland.
Com relação ao teste de Lasègue e a manobra de Valsalva, o grupo (A) obteve um índice de melhora de 83,33% e 94,12% respectivamente, enquanto o grupo (B) apresentou melhora de 78,57% e 30,80%, e o grupo (C) não apresentou diferença significativa para a manobra de Valsava e obteve um índice de 1,13% de piora no teste de Lasègue.
Tabela 03 – EVN e ODI, Sessão Inicial e Final
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como pode ser observado, o relato de dor e os testes físicos apresentaram maior índice de melhora para o grupo de tratamento com Mobilização Articular de Maitland, o que sugere maior eficácia no tratamento da dor lombar por essa técnica. Os valores do índice de incapacidade relacionada a dor dados pelo ODI se relacionam de maneira direta com os fatores psicossociais dos indivíduos, os quais não foram levados em consideração para posterior correlação, o que pode ser considerada uma limitação do estudo. É possível que os pacientes do grupo (B) e (C) tenham retornado as atividades normais com mais intensidade do que o grupo (A) o que justificaria o menor índice de incapacidade relacionada a dor e o menor índice de melhora do relato de dor pela escala visual numérica.
REFERÊNCIAS
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HARTVIGSEN,L; KONGSTED,A; HESTBAEK,L. Clinical examination findings as prognostic factors in low back pain: a systematic review of the literature. Chiropr Man Therap.,vol.23, n°13, Mar., 2015.
EVN (Sessão 01/Sessão 10) Melhora ODI (Sessão 01./Sessão 10) Melhora Grupo (A) 4,75 ± 2,61 2,05 ± 2,04 52,84% 9,4 ± 4,08 5,5 ± 4,02 41,50% Grupo (B) 4,85 ± 2,62 0,75 ± 1,29 84,54% 11,35 ± 6,69 8,3 ± 5,93 26,90% Grupo (C) 4,1 ± 1,94 3,85 ± 1,53 6,10% 7,1 ± 4,01 4,55 ± 3,09 35,91%
HEISS, J.D.; SUFFREDINI, G.; SMITH, R.; DEVROOM, H.L.; PATRONAS, N.J.; BUTMAN, J.A.; THOMAS, F., OLDFIELD, E.H. Pathophysiology of persistent syringomyelia after de compressive cranio cervical surgery. Clinicalarticle. J. Neurosurg Spine, vol.13, n°6, pag. 729-42, Dec.2010.
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