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Academic year: 2021

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TÍTULO: EFETIVIDADE DA TERAPIA À LASER DE BAIXA INTENSIDADE NO DESEMPENHO MUSCULAR: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: FISIOTERAPIA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: FACULDADE ANHANGUERA DE TAUBATÉ INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): ANNA VICTÓRIA SOUZA SILVA AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): BRUNO PRIANTI, RONALD NASCIMENTO GONÇALVES, VITOR ALEXANDRE DA SILVA

ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): DAVIDSON RIBEIRO COSTA, IZABELA DOS SANTOS MENDES, JORGE GERALDO DE CARVALHO JUNIOR, MARIO OLIVEIRA LIMA, RENATA AMADEI NICOLAU, TAMIRES DE SOUZA MOREIRA PRIANTI

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Resumo

O desempenho muscular é de suma importância para que o indivíduo exerça com eficiência suas atividades. Fatores que influenciam nesse desempenho tais como, aumento da força, diminuição da fadiga e aspectos relacionados à atividade elétrica muscular são amplamente estudados. A Terapia a Laser de Baixa Intensidade (TLBI) tem sido reportada como instrumento de otimização do desempenho muscular. Contudo, o objetivo deste estudo foi realizar uma revisão bibliográfica sobre os parâmetros da TLBI utilizados para melhorar o desempenho muscular. Foram revisadas literaturas no período entre 2006 e 2016 com as bases de dados da Scielo, PubMed, Mediline, PEDro e Science Direct, com as palavras chave: Low Level Laser Therapy, Lasertherapy, Fatigue, Muscle e Strength. Após uma criteriosa análise, onze artigos foram selecionados, onde as metodologias empregadas condiziam com os critérios de inclusão e exclusão da presente pesquisa. Os parâmetros mais empregados, quando havia resultado significativo de melhora do desempenho muscular, se concentram em: comprimento de onda tanto na faixa do vermelho como do infravermelho próximo, com uma potência de 200 mW, ao menos 30 segundos de irradiação por ponto e energia variando de 5 a 6 J.

Introdução

A terapia a laser de baixa intensidade (TLBI) é recurso terapêutico que vem sendo constantemente pesquisado em diferentes tipos de situações clínicas (FUKUDA et al., 2011). No tecido muscular são encontrados resultados significativos no processo de reparação tecidual, redução da fadiga e aumento da força (LEAL-JÚNIOR et al., 2015). Os estudos se concentram em sua grande maioria nos aspectos referentes ao desenvolvimento da fadiga muscular, onde marcadores bioquímicos específicos são utilizados para quantificação dos achados (LEAL-JÚNIOR et al., 2008; DE MARCHI et al., 2012). A influência sob a força e atividade elétrica muscular também tem linhas de pesquisa amplamente exploradas (MACIEL et al., 2013; MUNÕZ et al., 2013), onde a metodologia empregada utiliza predominantemente irradiação de músculos isolados e em atividades de curta duração e alta intensidade (DE MARCHI et al., 2012). A irradiação normalmente é executada antes da atividade física a ser exercida, com o intuito de melhorar a função mitocondrial e aumentar a microcirculação local. Tais efeitos ocorrem no tecido muscular devido à absorção da

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luz, em determinados comprimentos de onda, por fotorreceptores presentes no tecido biológico.

Consequentemente, tem se observado uma redução de danos à musculatura irradiada e melhora no desempenho muscular (BARONI et al., 2010; DE MARCHI et al., 2012; SANTOS et al., 2014; SILVA, 2016). Existe uma concisa linha de pesquisa e consequente evidência para os efeitos da TLBI nos processos de melhora do desempenho muscular, entretanto, seus parâmetros de utilização ainda não são bem estabelecidos, assim não existindo uma padronização dos mesmos. Assim, o objetivo deste estudo é realizar uma revisão bibliográfica sobre os parâmetros da TLBI utilizados para proporcionar melhor desempenho da musculatura esquelética.

Metodologia

Tratou-se de uma revisão descritiva, por meio de um levantamento bibliográfico junto às bases de dados Scielo, Pubmed, Science Direct, Medline e PEDro, para ensaios clínicos randomizados, entre os anos de 2006 e 2016, utilizando as seguintes palavras chave: Low Level Laser Therapy, Laserterhapy, Fatigue, Muscle e Strength. Os critérios de inclusão se deram por ensaios clínicos randomizados e artigos que empregaram a TLBI sobre a musculatura esquelética com o objetivo de mensurar melhora de desempenho muscular. Foram excluídas as obras que apresentaram menos que 8 paramêtros referentes a dosagem e modo de instituição do protocolo de laserterapia, além de trabalhos onde a qualidade metodológica, segundo a escala PEDro, não fosse considerada aceitável (≤ 6 em um total de 10). Desta maneira obtiveram-se 13 obras.

Desenvolvimento

Os efeitos da TLBI são investigados em várias situações clínicas, como reparos teciduais, analgesia local e inflamações (FUKUDA et al., 2011; CARVALHO et al., 2013; RUARO et al., 2014). Os estudos que envolvem especificamente a TLBI sobre o desempenho muscular, existem em menor número, sendo que a primeira pesquisa realizada foi em 2006 (LOPES-MARTINS et al., 2006), com a verificação da fadiga muscular em ratos. Nos últimos anos tem crescido as publicações sobre o tema, onde os estudos se concentram na quantificação da fadiga muscular por meio de marcadores bioquímicos, respostas elétricas musculares e picos de força durante

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atividades experimentais (DE MARCHI et al., 2012, DOS REIS et al., 2014). Já Silva (2016) realiza a mensuração também através de pico de torque final.

Em relação aos resultados apresentados na literatura atual, se destacam os tratamentos realizados antes do exercício estipulado. Ferraresi et al. (2011), utilizaram a TLBI após o exercício, verificando efeitos positivos sobre o desempenho muscular, onde o método de mensuração foi uma repetição máxima de força. Esse achado sugere que a aplicação pós-exercício, também provoca efeitos positivos na condição estudada. Das 13 pesquisas selecionadas, respeitados os critérios de inclusão e exclusão, apenas três não mostraram resultados estatisticamente significativos referentes a melhora de desempenho, sendo que em uma delas (GORGEY et al. 2008), a amostra foi de apenas cinco participantes e a forma de aplicação favorecia a perda de energia, pela distância do feixe de laser e a pele irradiada, o que pode explicar as evidências apresentadas. Já os outros estudos que não obtiveram resultados significativos foram do grupo de pesquisa de Leal Júnior (LEAL JÚNIOR et al., 2009; LEAL JÚNIOR et al., 2009), mesmo grupo que evidenciou resultados positivos em outras pesquisas (LEAL JÚNIOR et al., 2008; LEAL JÚNIOR et al., 2009; LEAL JÚNIOR et al., 2010; VANIN et al., 2016). O que chama a atenção em ambos os estudos sem resultados significativos é que o músculo irradiado foi o quadríceps e uma das formas de mensuração dos respectivos efeitos foi o teste de Wingate, que exige ação de vários grupos musculares.

No que diz respeito ao tempo de irradiação por ponto, as evidências mostram que o mínimo de tempo empregado deve ser de 30 segundos, tempo esse que parece ser de suma importância para o alcance dos efeitos desejados. Os comprimentos de onda mais estudados têm ficado na faixa do vermelho e infravermelho com uma janela entre 655nm e 830nm. A energia depositada empregada nos estudos varia, porém em sua maioria fica entre 5 e 6J, consideradas assim, doses intermediárias, com um efeito estimulatório, ao contrário de doses mais altas que têm efeito inibitório (HUANG et al., 2009).

Baroni et al. (2010) explica que o aumento da síntese de adenosina trifosfato (ATP) e a redução do estresse oxidativo são as explicações plausíveis para a melhora do desempenho muscular induzido pela TLBI, onde a mesma atua em nível mitocondrial. O aumento da microcirculação local, sendo via da abertura do esfíncter pré-capilar ou pela degranulação de mastócitos, também é uma explicação citada pela

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literatura, removendo assim com mais velocidade o ácido lático durante o exercício (FERRARESI et al., 2011; DE MARCHI et al., 2012).

Quanto a estudos mais recentes, Silva (2016) vem com uma abordagem de aplicação mais específica, inserindo o laser de baixa potência e realizando uma correlação com o desempenho muscular em portadores de insuficiência cardíaca. Como efeitos do estudo, O grupo LBP apresentou aumento na O2Hb durante o pico de torque final (PTf) (3,81 ± 1,48 μM; p < 0,003). Durante o teste de fadiga muscular, ambos os grupos analisados aumentaram os valores de THb (p < 0,05) e apenas o grupo LBP aumentou a HHb (p = 0,01). O LBP não foi capaz de produzir efeito agudo sobre a fadiga muscular periférica em indivíduos com IC, mesmo com indicativo de melhora do fluxo sanguíneo nos membros inferiores. Já Vanin (2016), realiza uma continuação de trabalho correlacionados com estudos anteriores do grupo de Leal Júnior, no qual, realiza diversas aplicações com parâmetros de tempo e energia, diferentes e aumentados - em comparação com os demais- ao longo da pesquisa.

Apesar de serem poucos os estudos com desenho metodológico aceitável para validação dos efeitos positivos da TLBI no desempenho muscular, a grande maioria dos resultados são expressos por meio de marcadores bioquímicos, o que aumenta a credibilidade dos achados, uma vez que é reforçada a noção de que processos fotoquímicos são responsáveis pela melhoria de desempenho ao final dos testes.

É necessário uma maior padronização referente aos parâmetros que definem as doses, assim como as metodologias de quantificação dos resultados, para que os protocolos específicos de irradiação sejam transportados para a prática clínica com a eficiência esperada. Outra situação pertinente é a elaboração de metodologias que avaliem situações próximas da realidade dos indivíduos estudados, em ocasiões mais funcionais, irradiando vários grupos musculares e não somente um músculo específico.

Resultados

Diante da delimitação do tema proposto, 13 publicações se encaixaram nos critérios de inclusão dez dessas publicações relataram efeitos positivos relacionados à TLBI e a melhora do desempenho muscular, enquanto que três não evidenciaram melhoras significativas. Os comprimentos de onda utilizados ficaram na faixa do vermelho e do infravermelho próximo, sendo que apenas uma das pesquisas selecionadas verificou os efeitos unicamente na faixa do vermelho, onze unicamente

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na faixa do infravermelho e uma pesquisa buscou a obtenção de resultados nos dois comprimentos de onda citados. O tempo por ponto foi de no mínimo 30 segundos e o maior tempo relatado foi de 100 segundos, sendo que a maioria das pesquisas utilizou 30 segundos (LEAL JÚNIOR et al., 2009; LEAL JÚNIOR et al., 2010; BARONI et al., 2010; DE MARCHI et al., 2012; SILVA, 2016) com uma potência de 200 mW (LEAL JÚNIOR et al., 2009; LEAL JÚNIOR et al., 2009; BARONI et al., 2010; DE MARCHI et al., 2012; VANIN et. al., 2016).

A energia depositada variou de 3J (GORGEY et al., 2008; LEAL JÚNIOR et al., 2009) à 7J (GORGEY et al., 2009) sendo que na maioria dos estudos ela foi de 6J (LEAL JÚNIOR et al., 2009; LEAL JÚNIOR et al., 2009; BARONI et al., 2010; DE MARCHI et al., 2012). As formas de mensuração dos respectivos efeitos da TLBI no desempenho muscular foram feitas de diversas formas, segundo as metodologias empregadas. Dentre as metodologias de análise foi observada a concentração de lactato sanguíneo, atividade de enzimas específicas (ex. Creatin Kinase), níveis de proteínas, número de repetições de exercícios, picos de força, picos de torque final, contração voluntária máxima, atividade mioelétrica e teste de uma repetição máxima (Tabela 1 e 2). Na tabela 1 os dados estão dispostos de modo a permitir a comparação de diferentes estudos seus respectivos parâmetros de irradiação (energia, comprimento de onda, potência e tempo). Na tabela 2 estão expressos os respectivos autores além do número de pontos irradiados/local, a forma de mensuração, o valor obtido na escala PEDro e o efeito em relação ao desempenho muscular.

Tabela 1. Resumo dos estudos clínicos avaliados e seus paramêtros de irradiação.

Leal Jr et al., 2008 5 655 50 100 Gorgey et al., 2008 3/7 808 500 6/14 Leal Jr et al., 2009 5 830 100 50 Leal Jr et al., 2009 6 810/860 200 30 Leal Jr et al., 2009 3/4 830 100 30/40 Leal Jr et al., 2010 6 810 200 30 Autor E (J) λ (nm) P (mW) t (s)

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Baroni et al., 2010 6 810 200 30 Ferraresi et al., 2011 4,2 808 60 70 De Marchi et al., 2012 6 810 200 30 Almeida et al., 2012 5 660/830 50 100

Dos Reis et al.,

2014 4,2 830 60 70

Silva, 2016 5 850 200 30

Vanin et al., 2016 5 810 200 60

Legenda: E: Energia – λ: comprimento de onda – nm: nanometros – P: Potência –

mW: Mili Wats – t: tempo – s: segundos.

Tabela 2. Resumo dos estudos clínicos avaliados e seus locais de aplicação e respectivos efeitos no desempenho muscular.

Autor Nº pontos

Local Mensuração PEDro Efeito

Leal Jr et al., 2008 4/Bíceps

Braquial

Nº repetições e lactato

8/10 +

Gorgey et al., 2008 Quadríceps CVM 6/10 Ns

Leal Jr et al., 2009 4/Bíceps

Braquial

Nº repetições e lactato

8/10 +

Leal Jr et al., 2009 35/Reto

Femoral

Pico Potência e Lactato

7/10 Ns

Leal Jr et al., 2009 5/Reto

Femoral

Trabalho e lactato 8/10 Ns

Leal Jr et al., 2010 5/Bíceps

Braquial

Nº repetições e lactato e CK

8/10 +

Baroni et al., 2010 6/Quadríceps CVM e CK 6/10 +

Ferraresi et al., 2011 4/Quadríceps Pico de força e 1RM 7/10 +

De Marchi et al., 2012 12/MMII VO² máximo e tempo

de exaustão

6/10 +

Almeida et al., 2012 4/Bíceps

Braquial

Pico de força e força média

7/10 +

Dos Reis et al., 2014 6/Quadríceps Tempo de fadiga,

Lactato e CK

8/10 +

Silva, 2016 6/Quadríceps Nº repetições e pico

de torque final

6/10 +

Vanin et al., 2016 6/Quadríceps CVM, CK, IL-6,

DOMS

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Legenda: Nº: número - CVM: Contração voluntária máxima, ns: não significativo, +: efeito positivo. CK: Creatina Kinase, VO2: volume de oxigênio, DOMS: dor muscular

no início retardado; IL-6: interleucina-6; MMII: membro inferior.

Considerações finais

A partir dos estudos analisados é possível concluir que a TLBI em comprimentos de onda na faixa do vermelho e do infravermelho próximo podem melhorar o desempenho muscular durante o exercício. Os parâmetros onde as evidências mostram resultados significativos apresentam em sua maioria uma potência de 200 mW, com ao menos 30 segundos por ponto e energia variando de 5 a 6 J.

Fontes consultadas

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Referências

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