UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM DESIGN DE MODA
LETICIA MEDEIROS ANTUNES
O MOVIMENTO RIOT GRRRL NA CONSTRUÇÃO DE UMA COLEÇÃO DE MODA FEMINISTA
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO II
APUCARANA 2017
LETICIA MEDEIROS ANTUNES
O MOVIMENTO RIOT GRRRL NA CONSTRUÇÃO DE UMA COLEÇÃO DE MODA FEMINISTA
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado à Trabalho de Conclusão de Curo II, do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, como requisito parcial para obtenção de título de Tecnólogo em Design de Moda.
Orientador: Profª Josiany Oenning Favoreto
APUCARANA 2017
Ministério da Educação
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Câmpus Apucarana
CODEM – Coordenação do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
PR
TERMO DE APROVAÇÃO
Título do Trabalho de Conclusão de Curso Nº 260
O movimento riot grrrl na construção de uma coleção de moda feminista
por
LETICIA MEDEIROS ANTUNES
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado aos trinta dias do mês de novembro do ano de dois mil e dezessete, às dezenove horas, como requisito parcial para a obtenção do título de
Tecnólogo em Design de Moda, linha de pesquisa Processo de Desenvolvimento de Produto, do Curso Superior em Tecnologia em Design de Moda da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. O candidato foi arguido pela banca examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a banca examinadora considerou o trabalho aprovado.
_____________________________________________________________ PROFESSORA JOSIANY OENNING – ORIENTADORA
______________________________________________________________ PROFESSORA TAMISSA JULIANA BARRETO BERTON – EXAMINADORA
______________________________________________________________ PROFESSORA ANA CLAUDIA DE ABREU – EXAMINADORA
Dedico este trabalho aos meus pais, que sempre me incentivaram a ser quem eu sou e a seguir os meus sonhos e nunca mediram esforços para que tudo fosse sempre possivel.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a minha mãe por ser meu maior exemplo de força feminina, por sempre me apoiar e incentivar e por fazer de tudo pra sempre me vez sorrir ao longo dessa jornada. Ao meu pai por também sempre me incentivar e apoiar de todas as formas que eram possíveis e por fazer de tudo pra sempre me vez sorrir. A ambos por me permitirem ser livre.
A todos os meus amigos, aos antigos, e aos que encontrei ao longo desse caminho, aos que conheci em Apucarana e ficarão para sempre em meu coração, e aos que fui coletando durante a faculdade e que hoje estão comigo nos melhores e piores momentos me fazendo rir. Agradeço especialmente ao Paulo,minha segunda mãe, quem não tenho palavras suficientes para agradecer, por todo o carinho, apoio, incentivo e aprendizado.
Agradeço a minha primeira orientadora Gabriela, e a minha atual orientadora Josiany, por todo carinho, inspiração e ajuda prestadas.
RESUMO
ANTUNES, Leticia Medeiros. O Movimento Riot Grrrl na Consrução de uma
Coleação de Moda Feminista 2017, 112f. Trabalho de Conclusão do Curso de
Tecnologia em Design de Moda – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Apucarana, 2017.
Este trabalho tem como objetivo a construção de uma coleção de moda embasada no movimento músical, cultural e político Riot Grrrl. Direcionada ao público feminista, estudou-se o movimento e sua relação com o Riot Grrrl. Analisando a estética e vestuário desse movimento, e como se dava sua importância como forma de expressão visual e sua relação com a estética dos 1990, dada em que o movimento surgiu. Por meio da aplicação de entrevistas, para melhor compreender e identificar esse público, desenvolveu-se uma coleção de moda fundamentada nesse movimento co-relacionada com o punk, feminismo inspirada na estética dos anos 1990.
ABSTRACT
ANTUNES, Leticia Medeiros. The Riot Grrrl Movement in Building a Feminist Fashion Collection 2017, 112f. Completion of Course Work in Fashion Design
Technology at Parana Federal University of Technology, Apucarana, 2017.
This work aims to build a fashion collection based on the Riot Grrrl musical, cultural and political movement. Directed to the feminist public, the movement was studied and its relation with the Riot Grrrl. Analyzing the aesthetics and clothing of this movement, and how its importance was given as a form of visual expression and its relation with the aesthetics of the 1990, given in which the movement arose. Through the application of interviews, to better understand and identify this audience, a fashion collection was developed based on this movement, related to punk, feminism inspired by the aesthetics of the 1990s.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Capa de uma fanzine Riot Grrrl...22
Figura 2: Estilo dovestuário dos anos 90...26
Figura 3: Show da banda Bikini Kill...27
Figura 4: Kati Wilcox e Tobi Vail da banda Bikini Kill...28
Figura 5: Kathleen Hanna usando camiseta escrita looking is free but touching will coust you……….28
Figura 6: Erin Smith guitarrista da banda Bratmobile………..29
Figura 7: Kati Wilcox durante show do Bikini Kill...30
Figura 8: Allisson Wolf, vocalista do Bratmobile...30
Figura 9: Público Alvo...33
Figura 10: Macrotendência nostalgia jovem...36
Figura 11: Microtendência Word Up...37
Figura 12: Tendência 90s...38
Figura 13: Painel Semântico...37
Figura 14: Shapes...40
Figura 15: Cartela de cores...41
Figura 16: Materiais...42 Figura 17: Aviamentos...42 Figura 18: Look 1...43 Figura 19: Look 2...44 Figura 20: Look 3...45 Figura 21: Look 4...46 Figura 22: Look 5...47 Figura 23: Look 6...48 Figura 24: Look 7...49 Figura 25: Look 8...50 Figura 26: Look 9...51 Figura 27: Look 10...52
Figura 28: Look 11...53 Figura 29: Look 12...54 Figura 30: Look 13...55 Figura 31: Look 14...56 Figura 32: Look 15...57 Figura 33: Look 16...58 Figura 34: Look 17...59 Figura 35: Look 18...60 Figura 36: Look 19...61 Figura 37: Look 20...62
Figura 38: Página 1 ficha técnica vestido...63
Figura 39: Página 2 ficha técnica vestido...64
Figura 40: Página 3 ficha técnica vestido...65
Figura 41: Página 4 ficha técnica vestido...66
Figura 42: Página 1 ficha técnica colete...67
Figura 43: Página 2 ficha técnica colete...68
Figura 44: Página 3 ficha técnica colete...69
Figura 45: Página 1 ficha técnica bermuda...70
Figura 46: Página 2 ficha técnica bermuda...71
Figura 47: Página 3 ficha técnica bermuda...72
Figura 48: Página 1 ficha técnica suspensório...73
Figura 49: Página 2 ficha técnica suspensório...74
Figura 50: Página 3 ficha técnica suspensório...75
Figura 51: Página 4 ficha técnica suspensório...76
Figura 52: Página 1 ficha técnica calça...77
Figura 53: Página 2 ficha técnica calça...78
Figura 54: Página 3 ficha técnica calça...79
Figura 55: Página 1 ficha técnica blusa malha...80
Figura 57: Página 3 ficha técnica blusa malha ...82
Figura 58: Página 4 ficha técnica blusa malha ...83
Figura 59: Página 1 ficha técnica bermuda pregas ...84
Figura 60: Página 2 ficha técnica bermuda pregas ...85
Figura 61: Página 3 ficha técnica bermuda pregas ...86
Figura 62: Página 1 ficha técnica camiseta tule...87
Figura 63: Página 2 ficha técnica camiseta tule...88
Figura 64: Página 3 ficha técnica camiseta tule...89
Figura 65: Página 1 ficha técnica camisa...90
Figura 66: Página 2 ficha técnica camisa...91
Figura 67: Página 3 ficha técnica camisa...92
Figura 68: Página 1 ficha técnica vestido veludo...93
Figura 69: Página 2 ficha técnica vestido veludo...94
Figura 70: Página 3 ficha técnica vestido veludo...95
Figura 71: Página 1 ficha técnica hot pants...96
Figura 72: Página 2 ficha técnica hot pants...97
Figura 73: Página 3 ficha técnica hot pants...98
Figura 74: Prancha pt. 1...99
Figura 75: Prancha pt. 2...100
Figura 76: Look confeccionado 1...101
Figura 77: Look confeccionado 2...101
Figura 78: Look confeccionado 3...102
Figura 79: Look confeccionado 4...102
Figura 80: Look confeccionado 5...103
Figura 81: Catálogo impresso 1...103
Figura 82: Catálogo impresso 2...104
Figura 83: Catálogo impresso 3...105
Figura 84: Catálogo impresso 4...106
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ... 13 1.1 Proposição ... 14 1.1.1 Problema ... 14 1.1.2 Objetivos ... 14 1.1.3 Justificativa ... 14 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS... 15 3 REVISÃO TEÓRICA ... 16 3.1 Feminismo ... 16
3.1.1 Segunda e Terceira onda do Feminismo ... 17
3.2 Movimento Riot Grrrl ... 19
3.3 A Moda dos anos 1990 Movimento Riot Grrrl ... 24
3.3.1 Análise do vestuário Riot Grrrl ... 26
4 DIRECIONAMENTO MERCADOLÓGICO ... 31 4.1 Empresa ... 31 4.1.1 Marca ... 31 4.1.2 Segmento ... 31 4.1.3 Concorrentes ... 31 4.2 Público Alvo ... 32 4.2.1 Análise Mercadológica ... 34 4.3 Pesquisa de Tendências ... 36 4.3.1 Macrotendência...36 4.3.1 Microtendências...37 5 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO ... 38 5.1 Painel Semântico...38 5.2 Especificações do Projeto...40 5.2.1 Tema de coleção...40 5.3 Cartela de Cores...41 5.4 Cartela de Materiais...42 5.5 Gerações de Alternativas...43 5.6 Fichas Técnicas...63 6 PRANCHAS ... 99 7 LOOKS CONFECCIONADOS ... 101 8 CATÁLOGO ... 103
9 PLANEJAMENTO DO DESFILE ... 108
9.1.Make Up e Hair...108
9.2 Música do desfile...108
9.3 Sequência de entrada do desfile...108
10 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 109
APÊNDICE A ...110
1. INTRODUÇÃO
O movimento Riot Grrrl, que teve inicio nos anos 1990, tem retornado à cena e vem tomando força em diversas partes do Brasil, com a realização de festivais musicais e culturais promovidos por mulheres feministas com o intuito de valorizar o trabalho feminino no meio musical e artístico. Com o avanço da comunicação através da internet e redes sociais fica mais fácil a identificação desse público, além da divulgação e crescimento do movimento.
O feminismo também tem crescido e se fortalecido, através das mídias sociais, da televisão, internet e até mesmo na moda, sendo um tema cada vez mais abordado e presente no dia a dia, existindo uma tomada de consciência da sua importância para a sociedade.
Com a maior facilidade em identificar as mulheres integrantes do movimento Riot Grrrl, principalmente através das redes sociais, observa – se que o vestuário delas continua muito semelhante aos das Riot Grrrls de quase 30 anos atrás, uma junção da estética punk à dos anos 1990 porém com elementos do vestuário moderno.
A moda é um meio de comunicação e expressão visual muito forte em diversas subculturas, é muitas vezes a base de identificação desses movimentos. Este trabalho, então, tem como objetivo a construção de uma coleção de moda voltada para esse público, embasada e fundamentada nos conceitos punk e feminista das Riot Grrrls dos anos 1990 e da atualidade.
O trabalho desenvolveu-se a partir de uma pesquisa bibliográfica histórica do movimento feminista, punk e o Riot Grrrl, seguida de uma análise do vestuário das Riot Grrrls nos anos 1990. A partir disso, para o desenvolvimento da coleção, realizou-se entrevistas com o público alvo para melhor entender suas necessidades. Foi então criada ma coleção de moda com inspiração estética nos anos 1990 e no punk, atendendo aos conceitos feministas do Riot Grrrl aplicados à moda.
1.1 PROPOSIÇÃO
1.1.1 PROBLEMA
É possivel construir uma coleção de moda por meio dos conceitos feministas e fundamentada na ideologia do movimento punk feminista Riot Grrl?
1.1.2 OBJETIVOS Objetivo Geral:
Construir uma coleção de moda com base nas ideologias punk e feminista utilizando como base estética e conceitualizadora o movimento punk feminista Riot Grrrl da década de 1990.
Objetivos específicos:
- Conhecer a ideologia feminista e a história do movimento;
- Estudar o movimento punk Riot Grrrl: origem, ideologia, público integrante e suas formas de manifestação;
- Analisar o vestuário riot na década de 1990.
- Construir uma coleção de moda embasada na ideologia Riot Grrrl e com base na estética dos anos 1990 com inspiração punk
1.1.3 JUSTIFICATIVA
O número de feministas no Brasil é crescente, sendo cerca de 65% das mulheres brasileiras que se consideram feministas, como demonstra uma pesquisa global realizada pela Wakefild Reaserch1 em 9 países em 2015, com mulheres entre 16 e 45 anos, com o intuito de quebrar rótulos negativos e esteriótipos.
1
Disponível em: http://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2015/02/pesquisa-realizada-com-mulheres-de-nove-paises-diferentes-mostra-que-brasileiras-sao-mais-feministas.html. Acesso em 26 maio 2017.
Com essa expanção do feminismo no país, diversos movimentos feministas tomam força e visibilidade. Com isso o movimento Riot Grrrl, movimento músical feminista, retorna à cena gradualmente, voltam – se a acontecer festivais musicais e culturais organizados por mulheres e para mulheres, como o festival Hard Grrrls, que retorna em 2016 (inativo desde 2006), realizado por mulheres do movimento Riot Grrrl, com protagonismo de bandas e apresentações culturais de mulheres do movimento. Sendo assim, a criação de uma coleção de moda feminista é relevante ao movimento que busca visibilidade, já que esta se preocuparia em transmitir seus ideais através da simbologia estética das peças, originando um mercado de consumo de moda para o movimento Riot Grrrl, ainda inexistente de forma tão específica e direta, construído para elas tendo como base a estética punk feminista.
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Na realização desse trabalho foi utilizada a pesquisa bibliográfica para a construção de sua fundamentação teórica, sendo que “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos” (GIL, 2008, p. 50), de forma que ela é indispensavél em estudos históricos, como serão tratados nessa pesquisa.
Também foi trabalhado o método de pesquisa qualitativa, que melhor se adequa ao objeto de estudo desse trabalho, considerado também como um movimento social de subcultura. Segundo Gehard e Silveira (2009) “a pesquisa qualitativa não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc.”.
Para maior entedimento do público e base construtivas do trabalho, pretende - se ainda realizar entrevistas com mulheres integrantes do movimento, realizada com 10 perguntas pré estabelecidas (listadas no tópico seguinte), como forma de interação social com o objeto de estudo e obtenção de informações.
Pode – se definir a entrevista como a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. (GIL, 2008, p. 109)
Sendo um grupo considerado vanguardista, que se encontra segmentado e individualizado, este será o meio mais eficaz de se obter as informações necessárias
para maior entedimento desse público, pretendendo ter o número mínimo de 3 entrevistadas. A entrevista pode se dar por meio pessoal ou através de redes sociais e email, serão perguntas diretas que possam esclarecer alguns pontos necessários para a construção da coleção.
Tendo seu foco em como se da a representatividade riot nos dias atuais, entender que meios são utilizados para propagação de sua ideologia, como está a cena músical e feminista dentro do movimento atualmente e de que forma a criação e insersão de uma coleção de moda seria relevante para o público Riot Grrrl. O questionário encontra – se em apêndice ao final do trabalho (Apêndice A).
Este trabalho tem como proposta a contrução de uma coleção de moda sob os conceitos feministas com base no movimento Riot Grrrl, com inspiração estética na moda punk dos anos 1990. Para a construção e análise dos questionário da entrevista utilizou-se como base científica as fundamentações estético – simbólicas do design no produto de moda. Conforme elucida Montemezzo (2004), são as funções estético simbólicas fundamentais no processo de comunicação do usuário, acarretando na articulação do indivíduo e seu ambiente social, consistindo de apelo estilístico para tal.
Tal função deriva dos aspectos estéticos do produto, manifestando-se por meio de elementos como forma, cor, tratamento de superfície, os quais podem provocar a associação de idéias com outros âmbitos da vida, promovendo o encadeamento de estímulos subjetivos. (MONTEMEZZO, 2004, p. 3)
3. REVISÃO TEÓRICA
3.1 FEMINISMO
O presente trabalho tem como proposta o desenvolvimento de uma marca de moda feminina sob os conceitos feministas, para isso será apresentando uma maior explicação do movimento a partir do século XX, nas chamadas segunda e terceira onda do feminismo. O movimento feminista é dividido em três ondas, a primeira ocorrendo no século XIX até a Segunda Guerra, a segunda nos anos 1960 e por fim a terceira e atual ressurgida nos anos 1990.
Atualmente existem diversas vertentes feministas, a proposta deste é dar um panorama do feminismo em si e aplicar sua ideologia no desenvolvimento de uma coleção de moda. Com base no movimento punk feminista Riot Grrrl, o trabalho servirá de base futura para a construção de uma marca de moda.
O Feminismo é um movimento construido ao longo dos anos, sem um ponto de chegada, se torna difícil estabelecer uma definição, porém, de forma ampla, pode ser definido como “uma teoria de igualdade política, econômica e social”, construindo históricamente um “movimento social que luta pela superação das desigualdades e pela equiparação dos direitos das mulheres aos dos homens” (JOAQUIM; MESQUITA, 2012, p.16).
A primeira onda do feminismo se deu no século XIX, tendo fatores como a Revolução Francesa e o avanço do capitalismo como impulsores do movimento. Levadas pelos ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade, as mulheres tiveram participação efetiva no período da revolução ao lado dos homens, insatisfeitas com a situação política e econômica da época, enquanto mulheres, viam seus direitos e força de trabalho desvalorizados.
Na Inglaterra, mulheres de diferentes classes, conhecidas como sufragistas, buscavam o direito ao voto e direitos iguais aos homens (ALVES; PITANGUY, 1982). Insatisfeitas com a falta de igualdade e motivadas pela lei do sufrágio (onde o direito ao voto foi concedido aos homens proletários, mas não as mulheres, ainda proibidas de votar) se organizaram em uma luta por direitos civis.
O movimento das sufragistas na Inglaterra deu força a mulheres de diversos outros países a lutarem pelo direito ao voto. No Brasil a luta durou cerca de 40 anos, o direito ao voto feminino foi fortemente reprimido, pois cabia a mulher apenas afazeres do lar e não a participação política, sendo consquistado por lei apenas em
24 de fevereiro de 1932 (ALVES; PITANGUY, 1982).
3.1.1 SEGUNDA E TERCEIRA ONDA DO FEMINISMO
Após a Segunda Guerra as mulheres já haviam assegurado seus direitos mínimos de cidadania, como a participação política, estudos e no mercado de trabalho. Porém, segundo Alves e Pitanguy (1982), a mão de obra feminina só foi incorporada pelas necessidades econômicas do momento, e não como símbolo de
emancipação. Assim que houve o retorno da mão de obra masculina as mulheres foram dispensadas tendo de retornar às suas limitações do espaço doméstico.
A segunda onda do feminismo, que teve ínicio na década de 1960, nos Estados Uninidos, focou-se mais em questões de gênero, tendo Simone de Beauvoir e seu livro O Segundo Sexo, lançado na década de 1940, como sustentador da ideologia feminista.
A libertação feminina só seria possível se as mulheres tomassem consciência de que sofriam uma opressão específica gerada pela sua condição de sexo e passassem a se reconhecer como sujeito, com uma identidade social própria. (JOAQUIM; MESQUITA, 2012, p. 18).
O feminismo passa então a incorporar não só questões de direitos e cidadania, mas também questiona as raizes culturais desses problemas, identificando a mulher como uma classe oprimida pelos homens, o patriarcado, e sua visão biológica reducionista da mulher. Como cita Beauvoir (1949) “não se nasce mulher, torna-se”, sendo o gênero uma construção social.
As mulheres atuantes dessa onda do feminismo tomaram consciência de sua descriminação pelo gênero e iniciaram uma luta pela quebra de padrões impostos pelo patriarcado, autonômia do corpo da mulher e a construção do papel feminino na sociedade. De acordo com o documentário Shes’s Beautiful When Shes’s Angry (2014), que traça um histórico do movimento feminista surgido nos anos 60, surgiram também movimentos feministas de mulheres negras e mulheres lésbicas que reivindicavam suas próprias pautas, identificando problemas dentro de diferentes núcleos de opressão feminina na sociedade patriarcal.
Houve também uma recusa dessas mulheres à feminilidade imposta pela sociedade; os conceitos do que era considerado feminino eram tidos como meios de opressão à mulher, por isso muitas deixavam de usar maquiagem no dia-a-dia, salto alto e sutiãs, como forma de romper com os esteriótipos de gênero. A queima de sutiãs teve grande repercursão como simbolismo de destruição da opressão masculina, “as feministas repudiavam moda e indumentária que, acreditavam, seguiam esteriótipos” (BARNARD, 2003, p.199).
No contexto da indumentária, o movimento feminista se insurgiu frente ao estereótipo da vestimenta “conservadora”, no qual o ideal de gênero é voltado à mulher mais recatada, dona do lar, aprisionada nas suas roupas, que refletem um papel de submissão, restrição e obediência. (CASTRO, K; CASTRO,J; OLIVEIRA. 2015, p. 2).
A terceira onda feminista, com inicio da década de 1990 e se extendendo até a atualidade, veio como uma forma de resposta à segunda onda do movimento (LUCENA, 2012), evidênciando a importância do debate de gênero e a discução entre a diversidade feminina, abrindo maior espaço para o entedimento da diferença entre as mulheres e suas formas de opressão.
Porém, foi-se necessário enxergar que o movimento feminista até agora havia sido excludente, pensando apenas de forma superficial em questões sociais, como por exemplo a questão de classe, onde a mulher é duplamente oprimida, primeiro pelo sistema capitalista e a divisão sexual do trabalho, segundo pelo patricarcado que tem sua base de apoio no sistema vigente. Conforme Lucena (2012), identificou-se assim uma necessidade de romper com esidentificou-se sistema que identificou-seria a causa da subordinação feminina.
Protagonizado até então por mulheres brancas, héteras e de classe média, é nesse momento em que se abre espaço e se enxerga a importância da discussão para questões feministas abrangendo mulheres negras, trabalhadoras e LGBTs. O movimento ganhou força e reconhecimento a partir da consciência de que é necessário analisar cada uma dessas minorias para um maior entendimento das desigualdades femininas dentro da sociedade.
O também chamado de Pós-feminismo, entende a multiplicidade de feminismos surgidos, sem desconsiderar as conquistas da luta feminista até o momento, mas reconhecendo a necessidade de se interseccionalizar a lutas das mulheres mais invisibilizadas ao movimento feminista (MACEDO; AMARAL, 2005).
3.2 MOVIMENTO RIOT GRRRL
O Riot Grrrl foi um movimento punk musical, cultural e político feminista, formado por mulheres que contestavam a discriminação de gênero e o espaço feminino no punk rock. A proposta “era fazer com que as garotas participassem e se apropriassem do cenário de discussão dos papéis sociais reservados às mulheres, defendendo assim novas bandeiras do feminismo” (CASTRO, K; CASTRO,J; OLIVEIRA. 2015, p. 4).
Teve seu início nos anos 1990, em Olympia nos Estados Unidos, onde Kathleen Hanna, Kathi Wilcox e Tobi Vail formaram a banda punk feminista Bikini
Kill. Consideradas percursoras do movimento, a banda possuía letras de empoderamento feminino, críticas ao patriarcado e o intuito de recuperar a cena punk para as mulheres.
Esse movimento, surgido nos anos 1990, derivou-se do movimento musical punk e suas ideologias, alinhadas ao pensamento feminista. Criando um cenário musical feminista dentro do movimento punk. Em suas letras, essas mulheres reivindicavam pautas feministas; como a autônomia do seu corpo, o empoderamento de mulheres, e criticas à sociedade machista, patriarcal e capitalista, utilizando – se da música como forma de protesto e expressão de revolta.
O Punk foi um movimento de contracultura surgido nos anos 1970 na Inglaterra e Estados Unidos que se desenvolveu como forma de revolta contra a cultura burguesa e o capitalismo, criticando a massificação e comercialização da música e cultura jovem (BARNARD, 2003).
A juventude no movimento punk era marginalizada e estava insatisfeita com o contexto histórico e socioeconômico em que se encontrava. Na Inglaterra onde parte do movimento começou, a população possuia altas taxas de desemprego e viviam o sucateamento da educação das classes mais baixas. No punk esses jovens encontraram uma maneira de se rebelar através da música e expressão visual pelas roupas.
As letras das músicas tinham cunho revolucionário e anarquista, expressavam revolta e insatisfação com as condições de vida e o sistema político. Tratavam de problemas socais, do desemprego, guerras e violência, ao mesmo tempo que contrapunham com o cotidiano e situações da juventude (CASTRO, K; CASTRO,J; OLIVEIRA. 2015).
De acordo com Barnard (2003), a moda e indumentária exprimem a ideologia sustentada por grupos sociais, e a moda punk era compreendida como “uma agressão ideológica aos valores estéticos das classes dominantes, senão do próprio capitalismo”. Usavam-se tecidos baratos e de baixa qualidade, roupas velhas e rasgadas, acessórios que não faziam parte do uso normativo, como correntes, alfinetes e sacos de lixo, como forma de protesto e que fossem visualmente instigadoras. Alguns anos mais tarde, dentro da conjuntura musical, cultural e ideológica punk, se manifestava o movimento Riot Grrrl.
A ideologia do faça você mesmo (Do It Yourself), característica do movimento punk, fazia parte da iniciativa das riot grrrls. Na construção do movimento de forma autonoma e independente, as riots organizavam seus próprios eventos músicais e desenvolviam elas mesmas fanzines (revistas com públicações de textos, colagens e ilustrações feitas a mão), revistas informativas do movimento, popularmente conhecidas como zines. Eram elas quem ilustravam e escreviam as públicações, de forma íntima e direta, ajudava a empoderar mulheres e explicar sobre as pautas defendidas pelo feminismo.
O movimento passou a disseminar – se com as fanzines, responsáveis pelo início do Riot Grrrl, pois antes da construção do movimento musical eram através delas que as meninas riot expressavam a filosofia feminista. Uma das primeiras fanzines produzidas foi a Revolution Girls Style Now, por Hanna e Allison Wolfe (vocalista da banda Bratmobile). O nome Riot Grrrl apareceu pela primeira vez na
zine Bikini kill, produziada por Kathi Wilcox (CASTRO, K; CASTRO,J; OLIVEIRA.
2015). Foi com estas fanzines que o termo Girl Power surgiu e se tornou popular dentro do movimento, ligado à força e empoderamento feminino.
O conteúdo das zines, termo popularizado, era totalmente produzido pelas próprias garotas das bandas e do movimento, desde a criação, ilustração e distribuição, ao estilo do it yourself. Era um espaço onde podiam contar suas experiências e falar sobre assuntos da vida cotidiana feminina, continham mensagens de empoderamento e críticas sociais, falavam de temas como o aborto, violência sexual, recusa da heteronormatividade e rejeição dos padrões estéticos impostos, de uma maneira direta e simples para que a ideologia feminista pudesse atingir a todas as mulheres.
Isso implica falar de modo curto e direto, expondo experiências pessoais ou muito comuns de modo concreto, demonstrando o vínculo entre a vida de cada uma e o que está sendo dito e utilizando uma linguagem – visual e escrita – que vincule o zine e seu conteúdo ao cotidiano da cena e de suas integrantes. (CAMARGO, 2011, p. 175)
Uma das capas de zine que demonstra bem a expressividade do movimento (figura 1) é a de uma colagem, onde uma mulher esta gritando RIOT GRRRL com a frase punk rock feminism rules okay, punk rock feminista funciona bem.
Figura 1: Capa de uma fanzine Riot Grrrl Fonte: Pinterest 2
As zines eram escritas de forma informal e explicita, expressando sua agressividade e revolta através do conteúdo, com ilustrações fortes, e colagens com mensagens implicitas. Sua produção e distribuição pelas meninas riot grrrls, tornou a criação de zines uma caracteristica do movimento. Ajudava também na divulgação de conteúdo das bandas e suas ideologias, sendo de fundamental importância para a construção e fortalecimento do movimento Riot Grrrl.
O nome Riot Grrrl veio justamente da ideia de revolta e raiva que essas garotas sentiam ao se expressar. Riot, que significa motim, vem da ideia de “raiva organizada” e o grrrl sugere algo que expresse a palavra girl unida à expressão de um grito. Algumas das bandas mais influentes foram Bikini Kill, Bratmobile, Babes in Toyland e 7 Years Bitch. No Brasil o movimento também alcançou expressividade com as bandas Bulimia, Menstruação Anarquika e Dominatrix.
A cena punk era majoritariamente dominada por homens. Apesar de na teoria ser um movimento desconstruido, livre de racismo, machismo e homofobia, na prática as mulheres encontravam muitas limitações em se expressar musicalmente. Com a ideia machista de que por serem mulheres não tocavam nem cantavam tão bem quanto os homens, era rara a existência de bandas femininas. Quando havia a presença de mulheres em bandas, eram tidas como adorno e um ideal fetichista. A Banda Bulimia, formada em 1998 em Brasília, possuia letras bem diretas e marcantes que expressavam os ideais feministas das riot grrrls contra a sociedade
2
machista e patriarcal. Como, por exemplo, a música propaganda, do albúm Se Julgar Incapaz foi o Maior Erro que Cometeu:
Lutando pra ser mais bonitinha/ Lutando pra ser o que a TV mostrou/ Pensar não vai te deixar com rugas/ Saia da vitrine à espera de seu par/ Ser mulher não é ser uma boneca em carros à enfeitar/ Como a publicidade insiste em mostrar/ Use a cabeça que você tem/ Não aceite ser objeto de ninguém/ Não se submeta!/ Questione sempre neste mundo feito só pra homens. (BULIMIA, 2001).
As bandas das Riot Grrrls eram caracterizadas pela sua composição inteiramente feminina, e quando haviam homens, estes não ocupavam papel de destaque. As letras eram compostas exclusivamente por mulheres e davam ênfase
no protagonismo e empoderamento feminino, “a ideologia do Do It Yourself das riot
grrrls se liga à própria ética punk, ligada à valorização do anticonsumismo e à rejeição das grandes indústrias fonográficas” (CASADEI, 2013, p. 201), elas também recusavam a contratação por grandes gravadoras com o intuito de manter o movimento underground e a ideologia Do It Yourself (faça você mesmo).
Uma das formas de difundir o movimento foi a criação do festival Ladyfest, em
Olympia, organizado pelas bandas Riot, que segundo Castro, K; Castro, J e Oliveira
(2015) consistia na participação voluntária de bandas independentes femininas, que, além da música, realizavam oficinas, debates e exposições como forma de
expressão do feminismo.
Nos shows as mulheres eram a maioria do público; a vocalista Kathleen Hanna, da banda Bikini Kill, durante suas apresentações, pedia para que todas as mulheres fossem a frente do palco e que os homens se afastassem, como forma de assegurar a integridade física dessas mulheres, bem como sua ocupação desse espaço, e pudessem aproveitar o show com total liberdade; era também uma maneira da banda se proteger dos ataques físicos e verbais, constantes em suas apresentações, por parte do público masculino.
Muitas vezes, durante shows e apresentações, as mulheres do movimento riot escreviam palavras de protesto em seu corpo, como slut (vadia) e tiravam peças de roupas como saias ou blusas, em uma crítica à objetificação do corpo da mulher.
3.3 A MODA DOS ANO 1990 E O MOVIMENTO RIOT GRRRL
As meninas do movimento Riot Grrrl usavam a moda, ou a recusa dela, mais precisamente dos padrões estéticos, como forma de expressão e comunicação entre seu meio, utilizando o discurso feminista e o conceito de gênero para desnaturalizar o papel de feminilidade atribuído à mulher.
A moda - como aspecto da vida social - pode ser considerada uma manifestação e uma representação informativa e, neste contexto, os movimentos sociais e de gênero podem utilizar a moda como forma de evidenciar questionamentos na sociedade. (CASTRO, K; CASTRO,J; OLIVEIRA. 2015, p. 1).
A rebeldia das Riot Grrrls manifestou-se nas suas roupas e estilo, buscavam a libertação da mulher dos padrões de vestuário impostos pela sociedade. Existia uma popularização na sua maneira de vestir, que não fazia distinção de classe pelas suas roupas, pois em sua maioria eram simples e priorizavam o conforto. Muitas vezes não havia distinção de gênero, quebrando a barreira do que era feminino ou masculino, algumas meninas vestiam-se apenas com bermudas e camisetas.
O visual punk tem como função expressar a agressividade e se opor aos padrões impostos, algumas das meninas usavam piercings, roupas rasgadas e maquiagem expressiva, perpetuadas da origem punk setentista. Porém, muitas das riots optavam por não usar maquiagem como forma de crítica aos padrões de beleza. Em suas roupas predomivam o uso de saias e camisas, camisetas velhas de bandas e vestidos. Normalmente o uso de saias e vestidos era acompanhado de tênis, coturnos e meia-calça ou um vestuário mais agressivo para contrapor a ideia de que essas roupas seriam usadas apenas de forma a expressar delicadeza.
Mantendo os ideais do faça você mesmo, muitas meninas customizavam suas roupas de forma a passar uma mensagem ou até mesmo expressar sua personalidade, estampando camisetas ou apenas as pintando à mão, com frases de cunho político, denunciando a opressão, o racismo o machismo e a homofobia, cortavam saias e vestidos exaltando a liberdade da mulher, de vestir o que quiser independende do tamanho de suas roupas.
Kathleen Hanna conta no documentário The Punk Singer (2013) sobre o desfile de moda que realizou na biblioteca de sua faculdade, The Evergreen State College, em Olympia, enquanto cursou fotografia, onde ela produziu as roupas e as estampou em vestidos e camisetas, em serigrafia, utilizando suas fotografias e
colagens, juntamente com mensagens sobre a violência contra a mulher e críticas aos padrões de beleza.
As mulheres integrantes do movimento Riot Grrrl tiveram seu vestuário bastante influênciado pela moda e tendências dos anos 90, o não convencional, o diferente, estilos desalinhados e com uma estética mais “largada” passavam a entrar na moda, tornando o Riot Grrrl também um estilo de vestir.
Muito se vê da estética grunge em suas roupas, despojadas, padronagens xadrez, peças rasgadas e de cores sóbrias, unidas ao seu estilo punk próprio, com roupas customizadas e camisetas estampadas. Mesclavam isso às tendências como o xadrez, saias e calças jeans de cós alto, vestidos com estampas florais, flanela e veludo, peças adequadas à sua maneira, eram presentes no vestuário característico dos anos 90 da riots.
Contrapondo a extravagância dos anos 80, a moda dos anos 90 surge de uma maneira mais minimalista, em linhas retas e cores sóbrias, pregando a simplicidade, com uma estética mais naturalista e desglamourizada. Como destaca Lima (2015, p.4) “O individualismo junta-se à ideia de liberdade e de uma moda em sentido plural, onde a autonomia e a expressão pessoal são destaques e o estilo torna-se mais importante que o produto que está sendo usado”.
A popularização da fotografia de moda e das supermodels trouxe consigo uma
ideia de visual muito presente da década de 90: a decadência, onde as modelos eram apresentadas de forma “derrubada” nos editoriais, com pouca maquiagem, cabelo desalinhado e corpos magros e curvados. Holzmeister (2014, p.16-17) destaca: “nesta contratendência o minimalismo e a ironia substituiram a ostentação nas roupas, o submundo dos excluídos passaram a ser „cool‟”.
A moda andrógina, onde homens e mulheres representavam de maneira estética e visual o mesmo sexo, ganhou destaque nas passarelas. O mainstream dos anos 90 ajudou a ressalvar a ideia na moda de que o feio era belo, o que era considerado estranho agora estava na moda. (HOLZMEISTER. 2014).
O surgimento da música grunge, e sua enorme popularidade na década de 90,
acarretou o aparecimento de um novo estilo do vestuário, sendo a mais expressiva moda de rua, de estética despojada e simplista que estimulava a indivídualidade e diversidade, onde os jovens buscavam expressar seu estilo próprio nas suas roupas e músicas. Com roupas largas, camisas de flanela xadrez, calças rasgadas e
camisetas estampadas, em sua maioria usadas sobrepostas, o estilo virou tendência com sua aparição nas passarelas, na primavera de 1993, no desfile de Marc Jacobs. Na década de 90 começa um revivalismo de diversas tendências de décadas passadas, cria-se um momento de nostalgia da moda (PALOMINO, 2003). Faziam parte das tendências da época shapes retos e minimalistas, cores sóbrias tanto em peças lisas como estampadas, as padronagens e estampas xadrez voltam com destaque. Como observa – se na figura 2.
Figura 2: Estilo do vestuário dos anos 90 Fonte: Pinterest3
Peças como camisas, saias de cintura alta, longas ou acima dos joelhos, calças jeans ao estilo mom jeans, vestidos com gola, estampas florais e presley, peças com botões, veludo, coletes e macacões eram populares e ganhavam maior destaque nos guarda roupas. Muitas dessas peças eram usadas em tamanhos oversize, mais largas que o normal.
3.3.1 ANÁLISE DO VESTUÁRIO RIOT GRRRL
Para melhor entedimento do vestuário Riot Grrrl, realizou – se uma busca na internet, por meio de sites e blogs, por imagens em que é possivel observar o vestuário das mulheres pertencentes ao movimento Riot Grrrl. Por ter sido um movimento underground que, por sua filosofia, se negava a possuir vinculo com qualquer tipo de mídia, são poucos os registros fotográficos encontrados, em sua maioria das bandas e pouco do público que se encontrava nos eventos.
3
Portanto, para esta análise utilizou – se imagens de integrantes das bandas Riot Grrrls, encontradas via internet, em blogs, sites de música e cultura, artigos e no Pinterest. A seleção das imagens se deu pelo critério onde era possível melhor observar sua relação com a década dos anos 90, o punk e suas funções simbólicas feministas.
Figura 3: Show da banda Bikini kill, à direita Kathleen Hanna e à esquerda Kathi Wilcox Fonte: Enjoy Your Style4
Analisando a figura 3, observa – se como a estética da década dos anos 90 é presente no estilo das Riot Grrrls, com o uso de xadrez e roupas largas. Como forma simbólica de representar a ideologia feminista através do vestuário, as garotas usavam roupas femininas, como saias e vestidos, sem passar a ideia de feminilidade, como Kathi e Kathleen na figura 3, onde usam respectivamente uma saia e um vestido, porém com sapatos e tênis de meias à mostra, em contraposição uma blusa velha rasgada, de forma a passar o conceito punk de vestir algo “não usavel” como forma de protesto aos padrões da moda impostos pelas classes dominantes.
Figura 4: À esquerda Kathi Wilcox e à direita Tobi Vail, da banda Bikini Kill. Fonte: Flickriver5
Na figura 4 observa-se o uso da calça mom jeans, uma modelagem mais larga, usada por Wilcox, acompanhada novamente da blusa desbotada e rasgada. Ao seu lado, Vail usa uma jaqueta jeans com saia preta, meia calça e tênis, característica da vestimenta punk, porém de uma forma mais minimalista representativa dos anos 90.
Figura 5: Kathleen Hanna usando camiseta escrita looking is free but touching will cost you. Fonte: Pinterest 6
O conceito do it yourself do movimento riot grrrl se fazia também presente no vestuário. Observando a figura 5, os dizeres da camiseta de Hanna, looking is free but touching will cost you – olhar é livre, mas tocar lhe custará (tradução livre)–
5
Disponível em: http://www.flickriver.com/photos/50273032@N03/4616474874/. Acesso em: 01 maio 2017
6
Disponível em:
observa- se que esta possui a intenção de passar uma uma mensagem de autonomia do corpo da mulher que apenas a ela pertence, parte dos ideais feministas do movimento.
A imagem desta camiseta encontra-se também sendo utilizada por outras integrantes das bandas Riot Grrrls, ela aparece também em fotos em grupo da banda Bikini Kil. Acredita-se que pelo contexto citado acima a customização desta camiseta com essa frase foi feita por alguma das integrantes, e compartilhada entre elas, pela mensagem que passa fazer parte dos ideiais pelos quais elas defendiam.
Figura 6: Erin Smith guitarrista da banda Bratmobile. Fonte: Punk Rock Feminisms 7
Na figura 6, Erin Smith, guitarrista da banda Bratmobile, em recusa à imposição da feminilidade imposta pela sociedade patriarcal, se vestindo de maneira “masculina” apenas com bermudas e camisetas. Esta característica visual “masculinizada” era bastante presente e significativa dentro do meio riot, pois as garotas usavam isso como forma de impor que a maneira de vestir independe do sexo, sendo de forma mais explicita ou apenas no uso de peças comuns ao vestuário masculino, como camisas e camisetas, usando – se assim da imagem visual como forma simbólica de protesto aos padrões patriarcais.
7
Disponível em: http://90spunkrockfeminism.tumblr.com/post/84738235182/little-trouble-grrrl-erin-smith-of-bratmobile. Acesso em: 01 maio 2017
Figura 7: Kathi Wilcox durante show do Bikini Kill. Fonte: Pinterest8
As origens setentistas do punk eram ainda resgatadas nas peças do vestuário riot, na figura 7 observa – se o uso da saia xadrez e meia calça, com camiseta larga e desgastada. Na imagem, Kathi representa essa estética de maneira mais usual aos anos 90, com peças largas, despojadas e de forma mais simplista, uma mistura do grunge, o estilo em voga da época, com as origens punk. A forma despojada de vestir sustenta – se no simbolismo da não necessidade de se estar devidamente “arrumado” dentro dos padrões comuns, priorizando a liberdade de expressão individual.
Figura 8: Allisson Wolf vocalista do Bratmobile. Fonte: Flickr9
8 Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/420312577706868545/. Acesso em: 01 maio 2017 9 Disponível em: https://www.flickr.com/photos/gatehouseanchor/3444887427. Acesso em: 01 maio
Na figura 8 vê – se o animal print e couro latex representante da década de 70, em conjunto com a saia na modelagem evasê de cintura alta, característica dos anos 90.
Em todas as imagens observa – se o uso de cores sobrias e tons escuros, representativas do movimento punk e sua rebeldia. Por vezes estas são usadas em contraposição de peças de tons claros e “femininos”, em combinação com jeans desgastados, peças largas e despojadas, customivazam e construiam também suas próprias peças. Tendo assim, função de passar a mensagem, através do vestuário, de que mulheres podem se expressar da maneira que bem escolherem, serem independentes e construirem suas próprias identidades, independentes do meio social que estão inseridas.
4. DIRECIONAMENTO MERCADOLÓGICO
Para identificação da coleção e dos produtos de moda propostos para este trabalho, foram definidos alguns pontos mercádológicos necessários, sendo eles referêntes à construção da empresa, análise de público alvo e pesquisa de tendências.
4.1 EMPRESA
4.1.1 Marca
Calendula - O nome da marca foi escolhido por se tratar de uma
espécie de flor (popularmente conhecida como a bem-me-quer mal-me-quer) que, dentro de algumas culturas que exaltam a mulher, ela é dada como a flor do feminino, por possuir funções medicinais benéficas ao útero, como o alívio de cólicas e controle do fluxo menstrual.
4.1.2 Segmento
Coleção direcionada ao público feminino do segmento casualwear. 4.1.3 Concorrentes
Toda Frida – É uma marca de roupas feminista que promove o
empoderamento feminino através de suas estampas, direcionada ao público alternativo e geek.
Stooge – É uma marca de moda alternativa, com estilo rock que se
assemelha ao punk em algumas de suas coleções. Não é uma marca que tem como foco o público feminista, porém também levanta a bandeira do empoderamento feminino através do vestuário.
4.2 PÚBLICO ALVO
O público alvo da marca são as garotas riot grrrls resistentes da cultura punk feminista que buscam expandi – la e divulga – la através de seus ideiais, música e utilizando da moda como forma de expressão e mensagem visual.
São mulheres entre 18 e 26 anos, que se identificam com a estética e os conceitos punk e feminista, gostam de se expressar visualmente através de sua vestimenta irreverente. Apreciam músicas que passam alguma mensagem instigadora referente a movimentos sociais, cultura, política e feminismo, valorizando a cena protagonizada por mulheres. Procuram participar de forma ativa dentro da sociedade, promovendo ou participando de ações sociais e também eventos como festivais musicais e culturais voltados para causas específicas. Durante a noite, gostam de lugares alternativos com boa música ou apenas se reunir com amigos buscando sua maneira de aproveitar o final de semana.
Figura 9: Público alvo Fonte: Pinterest10
10
Disponível em: https://in.pinterest.com/pin/AZRb8EUYDsTe2fStw8xM_i-REwzyPesj2pr0i9K5-k7Vq9EilWZYvII/. Acesso em: 30 Agosto 2017
4.2.1 Análise mercadológica
Como já abordado ao longo do trabalho, o número de mulheres que se identificam como feministas é crescente no Brasil, em vista da maior visibilidade e divulgação que o movimento tem alcançado através da mídias. Com esse crescimento, o público feminista tem se tornado um nicho de mercado no meio da moda, porém as grandes marcas que usam da apropriação do movimento como meio de obter lucro, não demonstram nenhuma preocupação real com a ideologia e o que o feminismo realmente significa para a sociedade.
O movimento Riot Grrrl, com sua expanção atual, através das mídias e festivais culturais, torna–se então um mercado para a construção e desenvolvimento de uma coleção de vestuário que atenda suas necessidades. A construção da coleção de moda apresentada nesse trabalho busca se preocupar com a ideologia do movimento e o que ele defente.
Por se tratar de um público feminista, e dentro do feminismo não se fazer distinção de classe, gênero e etnia, optou-se por não definir dentro da analise mercadológica e de público alvo uma classe social, escolaridade, nem gênero. Pretende-se que a venda dos produtos seja praticada nas capitais brasileiras, porém com venda online para que se atinja todos os públicos pretendidos.
Apesar dos preços praticados não serem acessíveis a todos os públicos pelo custo de fabricação das peças dados suas condições e materiais, serão confeccionadas também uma linha de peças mais acessiveis com materiais que reduzam seu custo. O público é definido como feminino por ter seu enfoque no movimento Riot Grrrl que era realizado por mulheres (com inclusão das mulheres transgênero, também parte do público da marca), porém nada impedirá a compra desses produtos por homens (incluindo novamente a comunidade transgênero).
Para melhor identificar esse público e saber de suas necessidades e visões sobre o movimento Riot Grrrl relacionado a moda, realizou-se uma entrevista com 3 mulheres que se consideram integrantes do movimento. A entrevista se deu por meio pessoal, na forma de uma conversa informal, foram feitas as perguntas, já estabelecidas (Apêndice A), e ao mesmo tempo anotando o que as entrevistadas iam respondendo. Duas das entrevistas foram encontradas na cidade de Apucarana,
Paraná, e realizaram a entrevista no mesmo dia juntas. A terceira entrevistada foi na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná. O critério para seleção dessas mulheres foi de cunho pessoal, pois já eram conhecidas da autora e sabido que se identificavam com a cena punk Riot Grrrl.
Já que este público pode ser considerado uma subcultura vanguardista, não se encontram dados fundamentados sobre ele, por isso a necessidade da realização de algo mais pessoal para melhor entende-lo, foi então por meio da entrevista que obteve-se melhores dados mercadológicos para a construção da coleção de moda deste trabalho.
Dentro das respostas obtidas por essas mulheres em uma das perguntas é questionado se acham que o vestuário seria um meio de comunição e identificação entre as Riot Grrrls, todas responderam que sim. “Não podemos rotular pela roupa quem é ou não feminista, mas quando ela (a mulher) faz parte da cena da para identificar pela roupa que ela esta vestindo, e isso facilita na comunicação, para chegar e “trocar uma ideia‟” (Entrevistada 1).
Elas apontam também que a comunicação, falta de dialogo e divulgação, é o maior problema para o movimento não ter tanta visibilidade quanto gostariam, já que muitas pessoas se intimidam de falarem com elas apenas por sua aparência, e perdem oportunidades de tocarem em shows, exporem arte e etc. por não existir uma boa divulgação do que é o movimento. Assim, o dialogo e a comunicação entre as mulheres seria a melhor forma de unificar e trazer visibilidade as Riot Grrrls.
Quando questionadas se uma coleção de moda embasada no movimento Riot Grrrl seria relevante todas responderam que sim, pois acreditam que moda é um meio de comunicação muito forte dentro do movimento. Além disso, uma das entrevistas fala sobre a dificuldade em encontrar peças nas lojas que a agradem estéticamente, “sempre sinto a necessidade de customizar minhas roupas, pois nunca encontro peças que me agradem por completo nas lojas. A roupa que eu não acho, vou encontrar com você” (Entrevistada 1).
Dentro da questão estética das peças, em relação aos anos 1990, em sua maioria elas preferem elementos mais “pesados”, como uso de couro e roupas pretas, porém a customização ainda é o elemento que mais as atraem por ser algo
que praticam no seu dia-a-dia para obterem as peças na estética desejada. Em relação as estampas xadrez e floral, ambas as agradam, porém depende do tecido empregado e das cores, para elas a estampa floral não é algo usual em seus guarda roupas, mas seria interessante se aplicada em tons mais sóbrios.
Sendo assim, a realização dessa entrevista possibilitou retirar informações fudamentais para o desenvolvimento da coleção e afirmar sua importância para o movimento, possibilitando maior entendimento desse público e suas necessidades.
4.3 PESQUISA DE TENDÊNCIAS 4.3.1 Macrotendência
A macrotendência escolhida foi a Nostalgia Jovem, divulgada como tendência sociocultural para 2018/2019 pela WGSN.
Figura 10: Macrotendência Nostalgia Jovem Fonte: Fashion Bubble11
“A nostalgia sempre exercerá um papel importante na moda, porém nas próximas temporadas o passado receberá releituras com propostas menos rígidas, de modo a criar uma sobreposição de referências.
A nova abordagem do passado ganha aspecto mais jovial e menos sentimental, indo além das reproduções óbvias e buscando criar um estilo livre, que
11
Disponível em: http://www.fashionbubbles.com/trends/macrotendencias-2018-19-conheca-as-grandes-ideias-que-vao-influenciar-o-universo-da-moda-nos-proximos-anos/. Acesso em: 24 agosto 2017
reflete o entusiasmo das subculturas jovens. Detalhes e materiais atuais modernizam o passado, criando peças familiares mas com um novo twist.”12
Esta macrotendência foi escolhida por trazer o revivalismo de tendências culturais e na moda, do passado para o presente, de forma moderna e ousada. Sendo o movimento Riot Grrrl surgido e caracterizado pela subcultura jovem dos anos 90, voltando nos dias atuais gradativamente com mais força, o trabalho propõe evidenciar essa subcultura punk feminista através da moda.
4.3.2 Microtendências
Word Up – Microtendência para 2017/2018, onde sobrepõem – se palavras,
textos ou mensagens nas roupas de forma a causar impacto e agregar valor a peça.
Figura 11: Microtendência Word UP Fonte: Pinterest13
Esta microtendência foi escolhida como forma de representar as fanzines das Riots Grrrls, já que estas também passavam a ideologia do movimento e o divulgavam através da escrita, de forma direta e impactante. Neste trabalho a Word Up será usada na forma de estampas com mensagens feministas e letras de músicas sobrepostas a outras estampas nas peças da coleção.
12 Disponível em:
http://www.fashionbubbles.com/trends/macrotendencias-2018-19-conheca-as-grandes-ideias-que-vao-influenciar-o-universo-da-moda-nos-proximos-anos/. Acesso em: 24 agosto 2017
13
90’s – O estilo visual dos anos 1990 tem voltado como microtêndencia desde
2016. No desenvolvimento dessa coleação dentro da estética 90‟s aplica – se: em tecidos como a flanela e o veludo molhado, o uso de estampas xadrez, listrada e o floral, em tons “mórbidos” mais escuros e de cores neutras e a tendência DIY (Do it yourself) na aplicação do tingimento manual Tie Dye.
Figura 12: Tendência 90‟s Fonte: Pinterest14
5. DESENVOLVIMENTO DO PROJETO
5.1 PAINEL SEMÂNTICO
O painel foi construido em cima do tema de coleção, Desabrochar, buscando inspiração na flores e suas diferentes formas e cores. O mix de flores de diferentes espécies, e suas sobreposições, inspirou o mix de estampas e diferentes aplicações nas peças da coleção. A imagem central representa o corpo da mulher, tendo a orquídea como cintura e cóccix, indo até a rosa desabrochando que remete a vagina. Dessas flores retiram – se as cores da coleção, estampas e seus shapes. Sua delicadeza e imponência misturados ao preto e a textura aveludada estabelecem um contraste entre a beleza convencional e a beleza “agressiva”.
14 Disponível em: https://br.pinterest.com/search/pins/?q=90s&rs=typed&term_meta[]=90s%7Ctyped. Acesso
Figura 13: Painel Semântico Fonte: Da autora
5.2 ESPECIFICAÇÕES DO PROJETO
5.2.1 Tema de Coleção
Desabrochar
O desabrochar dessa coleção fala a respeito do descobrimento da mulher ser feminista e uma Riot Grrrl, o momento que ela revoluciona dentro de si, como a transformação de um botão em flor.
A coleção é inspirada pelas diferentes cores e texturas das flores, mais precisamente as de tons escuros e formas impactantes. As cores e texturas são inspiradas nas flores como as diferentes espécies de petúnia (preta aveludada, estrelada, de caráter manchado, e listrada) que inspiram as cores e estampas da coleção. A rosa carrega a cor vibrante vermelha em detalhes sutis. A rosa vermelha, por ser uma flor clássica e atemporal, também traz consigo a ideia de remeter as modelagens classicas dos anos 1990 aplicados à atualidade. Formas empregadas: Retângulo, Ampulheta e Triângulo (Figura 14).
Figura 14: Shapes Fonte: Da autora
5.3 CARTELA DE CORES
Figura 15: Cartela de cores Fonte: Da autora
5.4 CARTELA DE MATERIAIS Tecidos: Figura 16: Materiais Fonte: Da Autora Aviamentos: Figura 17: Aviamentos Fonte: Da Autor
5.5 GERAÇÕES DE ALTERNATIVA
Figura 18: Look 1 Fonte: Da autora
Figura 19: Look 2 Fonte: Da autora
Figura 20: Look 3 Fonte: Da autora
Figura 21: Look 4 Fonte: Da autora
Look conceitual: a aplicação de veludo entre as pernas representando o sangue e a blusa transparente com os peitos aparentes reprenta o estupro sofrido pela mulher na sociedade. Será tratado durante o desfile sobre o tema escrevendo no corpo da modelo com tinta preta dados sobre o estupro, como, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil.
Figura 22: Look 5 Fonte: Da autora
Look conceitual: a aplicação de veludo na calcinha e a modelagem que remete ao vestuário infantil e colegial, representam o abuso infantil sofrido por crianças e adolescentes. Será tratado durante o desfile sobre o tema escrevendo no corpo da modelo com tinta preta dados sobre o abuso, como, 70% das vitimas de estupros são crianças e adolescentes e 4 crianças são exploradas sexualmente por hora no Brasil
Figura 23: Look 6 Fonte: Da autora
Figura 24: Look 7 Fonte: Da autora
Figura 25: Look 8 Fonte: Da autora
Figura 26: Look 9 Fonte: Da autora
Figura 27: Look 10 Fonte: Da autora
Figura 28: Look 11 Fonte: Da autora
Figura 29: Look 12 Fonte: Da autora
Figura 30: Look 13 Fonte: Da autora
Figura 31: Look 14 Fonte: Da autora
Figura 32: Look 15 Fonte: Da autora
Look conceitual: o vestido rasgado transparente os peitos aparentes reprenta o estupro sofrido pela mulher na sociedade. Será tratado durante o desfile sobre o tema escrevendo no corpo da modelo com tinta preta dados sobre o estupro, como, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil.
Figura 33: Look 16 Fonte: Da autora
Figura 34: Look 17 Fonte: Da autora
Figura 35: Look 18 Fonte: Da autora
Figura 36: Look 19 Fonte: Da autora
Figura 37: Look 20 Fonte: Da autora
5.6 FICHAS TÉCNICAS FICHA DESENVOLVIMENTO REF: 001 COLEÇÃO: Desabrochar PRODUTO: Vestido MARCA: Calendula TAMANHO PILOTO: P GRADE: PP,M,G,GG e XGG ESTILISTA: Leticia MODELISTA: Leticia DATA: 21/09/2017
Figura 38: Pagina 1 ficha técnica vestido Fonte: Da autora
TECIDOS
TECIDOS FORNECEDOR COMPOSIÇÃO CONSUMO/PEÇA R$ UNIT
BRIM PARANATEX 100% ALGODÃO 1,5MT 18,00MT
VERNANO ESTAMPADO
ANDINA TÊXTIL
100% POLIÉSTER 1,5MT 19,80MT
FLANELA INOVA TEXTIL 100% ALGODÃO 0,30MT 12,90MT
AMOSTRAS:
AVIAMENTOS
DESCRIÇÃO FORNACEDOR COR CONSUMO/PEÇA R$ UNIT
LINHA ROMA AVIAMENTOS PRETA MÉDIA 150 MT 3,50 ZÍPER ESTRELA AVIAMENTOS METALIZADO 1 5,00 VIÉS ESTRELA AVIAMENTOS VERMELHO 30CM 0,60MT
ETIQUETAS/EMBALAGENS/TAGS
DESCRIÇÃO FORNECEDOR COR CONSUMO R$ UNIT
Figura 39: Pagina 2 ficha técnica vestido Fonte: Da autora
SEQUENCIA OPERACIONAL
Nº OPERAÇÃO MÁQUINA
1 Unir recortes do vestido Reta
2 Unir partes das costas Reta
3 Unir laterais Reta
4 Unir partes das costas do forro Reta
5 Unir laterais do forro Reta
7 Fechar pences do vestido Reta
8 Fechar pences do forro Reta
9 Costurar viés nos bolsos Reta
10 Costurar bolsos Reta
11 Pespontar bolso Reta
12 Unir forro ao vestido Reta
13 Costurar ziper na frente Reta
14 Fechar frente do vestido Reta
15 Pespontar barra Reta
16 17 18 19
Figura 40: Pagina 3 ficha técnica vestido Fonte: Da autora
ESTAMPARIA: Estampa manual realizada com caneta de tecido - frases das
músicas punk rock não é só pro seu namorado da banda Bulimia. Aplicação nas linhas brancas do vestido.Frases aplicadas:
Mostre o que você pensa Fale o que você pensa Tenha sua personalidade O que te impede de lutar? Pare de se esconder
Você não é pior do que ninguém Faça o que tiver vontade
Punk Rock não é só pro seu namorado
AMOSTRA:
Figura 41: Pagina 4 ficha técnica vestido Fonte: Da autora
FICHA DESENVOLVIMENTO REF: 002 COLEÇÃO: Desabrochar PRODUTO: Colete MARCA: Calendula TAMANHO PILOTO: M GRADE: PP,M,G,GG e XGG ESTILISTA: Leticia MODELISTA: Leticia DATA: 21/09/2017
Figura 42: Pagina 1 ficha técnica colete Fonte: Da autora
TECIDOS
TECIDOS FORNECEDOR COMPOSIÇÃO CONSUMO/PEÇA R$ UNIT
FLANELA INOVA TEXTIL 100% ALGODÃO 1MT 12,90MT
AMOSTRAS:
AVIAMENTOS
DESCRIÇÃO FORNACEDOR COR CONSUMO/PEÇA R$ UNIT
LINHA ROMA AVIAMENTOS PRETA MÉDIA 70 MTS 3,50 BOTÃO PLÁSTICO ESTRELA AVIAMENTOS VERMELHO 1 0,60 BOTÃO FORRADO BAZZAR IPIRANGA XADREZ 3 2,00
ETIQUETAS/EMBALAGENS/TAGS
DESCRIÇÃO FORNECEDOR COR CONSUMO R$ UNIT
Figura 43: Pagina 2 ficha técnica colete Fonte: Da autora
SEQUENCIA OPERACIONAL
Nº OPERAÇÃO MÁQUINA
1 Unir laterais Reta/Overloque
2 Fazer acabamento do forro da gola Overloque
3 Unir forro da gola à gola Reta
4 Pespontar gola Reta
5 Fazer barra nas aberturas laterais do colete Reta
7 Fazer casa dos botões Reta
8 Pregar botões Manual
9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19
Figura 44: Pagina 3 ficha técnica colete Fonte: Da autora
FICHA DESENVOLVIMENTO REF: 003 COLEÇÃO: Desabrochar PRODUTO: Bermuda MARCA: Calendula TAMANHO PILOTO: M GRADE: PP,M,G,GG e XGG ESTILISTA: Leticia MODELISTA: Leticia DATA: 21/09/2017
Figura 45: Pagina 1 ficha técnica bermuda Fonte: Da autora
TECIDOS
TECIDOS FORNECEDOR COMPOSIÇÃO CONSUMO/PEÇA R$ UNIT
VELUDO MOLHADO
VIVATEX 100% POLIÉSTER 1,5MT 24,90MT
AMOSTRAs:
AVIAMENTOS
DESCRIÇÃO FORNACEDOR COR CONSUMO/PEÇA R$ UNIT
LINHA ROMA AVIAMENTOS PRETA MÉDIA 100 MTS 3,50 BOTÃO FORRADO BAZAR IPIRANGA PRETO 1 2,00 VIÉS ESTRELA AVIAMENTOS VERMELHO 30CM 0,60MT
ETIQUETAS/EMBALAGENS/TAGS
DESCRIÇÃO FORNECEDOR COR CONSUMO R$ UNIT
Figura 46: Pagina 2 ficha técnica bermuda Fonte: Da autora
SEQUENCIA OPERACIONAL
Nº OPERAÇÃO MÁQUINA
1 Fechar pregas Reta
2 Costurar viés no bolso Reta
3 Fazer acabamento do forro dos bolsos Overloque
4 Costurar forro do bolso da frente Reta
5 Fechar gancho Reta/Overloque
6 Costurar vista dos botões Reta
7 Fechar laterais Reta/Overloque
8 Unir cós à bermuda Overloque
9 Pespontar cós
10 Fazer acabamento da barra Overloque
11 Costurar barra Reta
12 Fazer casa dos botões Reta
13 Pregar botões Manual
14 15 16 17 18 19 20
Figura 47: Pagina 3 ficha técnica bermuda Fonte: Da autora
FICHA DESENVOLVIMENTO REF: 004 COLEÇÃO: Desabrochar PRODUTO: Suspensório MARCA: Calendula
TAMANHO PILOTO: Único GRADE: Tam. Único
ESTILISTA: Leticia MODELISTA: Leticia DATA:
21/09/2017
Figura 48: Pagina 1 ficha técnica suspensório Fonte: Da autora