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Zero, 2012, ano 31, n.2, nov.

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(1)

.

.,.,

OXIGÊNIO

Fazendinha do Ribeirão

Antigas

comunidades

no

Sul da Ilha

mantêm

tradição

local de

produção

artesanal de

farinha

e

cachaça, preservando

as

raízes

açorianas

PÁGINAS

8/9

A

cidade

pintada

na

mídia

como

dourada

e

branca

não

reflete

todas

as cores

que

Floripa

tem

7E

__

o.

EVIS.

Cesar

Souza Júnior

Prefeiro eleito fala

com

exclusividade

ao

Zero

sobre

suas

metas para

o

transporte,

saúde

e o novo

Plano Diretor da

Capital

(2)

EDITORIAL

DIRETO

DA

REDAÇÃO

o

dia-a-dia

como

valor-notícia

Florianópolis

vive,hámuito

tempo,da

imagem

de

capi­

tal

tranquila,

segurae

bela,

onde o conforto da vida moderna

chegou

sem as

mazelas das

grandes metrópoles.

É

inegável

quea

imprensa

e osdemais

ramosda indústria de bens culturais contribuíram

significativamente

para a

construção

dessa

imagem.

Sãováriososfatores que tornamos

veículos de

comunicação

cúmplices

na

disseminação

dosenso comum e

de ideias

preconcebidas

a

respeito

da realidade da sociedadeemqueestão

inseridos.

Os interesses econômicose

polí­

ticos dos

proprietários

dos veículos

de

comunicação

geralmente

entram

emconflitocomfatosque ameaçam aestabilidade econômicaesocial. O

baixo investimento em estrutura e em

profissionais

qualificados

eexpe­

rientesreduzas chances deum

jor­

nalismo

investigativo

e fiscalizador.

As

redações,

cadavezmaisenxutas,

forçam

os

jornalistas

a acumular

funções

e

tarefas,

oque desestimula abusca de umacobertura

aprofun­

dada dosacontecimentos.

OZero,nesta

edição,

se

propôs

a

não

repetir

o discurso

hegemônico

da mídia tradicional. A

provocação

foi areportagem deOGloboapon­ tando

Florianópolis

como a

capital

ClasseA,que sónãoé

perfeita

porque

OPINIÃO

ONDE

O LEITOR TEM VOZ

faltammarinas paraopovo

guardar

suas lanchas. O

gancho

da repor­

tagem foi uma

pesquisa

revelando,

entre outros

dados,

queo

município

temamaior

proporção

de barcos de

passeio

em

relação

à

população.

O

valor-notícia curiosidadesuperouto­

dososoutroscritériosque

poderiam

viràtonasefosse feitaaconexãoen­

treosdadoscomoutrasestatísticase,

principalmente,

com umaboa apu­

ração

decampo. Oresultado foiuma

o

Zero,

nesta

edição,

se

propôs

a

não

repetir

o

discurso da

mídia

tradicional

reportagemquerefletearealidade de

umaminoriacomo sefosseo

quadro

dominante da

capital

catarinense.

Quando

omaior

jornal

do

estado,

oDiário Catarinense,

reproduziu

a mesma reportagem, a

repercussão

nasredessociaisfoi imediatae

logo

aweb disseminavaoutravisãodare­

alidade,

mais

próxima

do diaadia

de moradoresevisitantesde

Floripa.

Essemovimento inverteuoscritérios

Parabénsao

Jornal

ZerodaUFSC. Asmatérias

pautadas

sãotemasde relevânciaparaacomunidade

universitária,

porémfaz-se

necessário queosalunos

redatores

ultrapassem

oslimites da

simples

exposição

de dois lados da

questão

e

aprofundem

suaanálise

político

socialse

pretendem

contribuir

tifetivamente

para

transformação

da sociedadeemquevivemos.

Umavisão mais

pluralista

econtextualizada

socialmente sairá dos domínios da mídia

globalizada

que

aqui

noestado

estáestabelecida

pela edição

medíocre do

jornal

DiárioCatarinense.

ThaisHelena

Lippel

-Florianópolis

de notícia:parao

público,

oquede­

veriasermancheteera o seucotidia­

no enãoarupturadessa

rotina,

a ex­

ceção.

Passoua ser um

compromisso

nosso mostrar um pouco do outro

lado da

capital

catarinense

Uma das razões de ser de um

jornal

laboratório éousarfazer ex­

periências.

E oZerodecidiu

experi­

mentar ao transformar o cotidiano emnotícia.A

grande

rupturadanor­

malidade,

nessecaso, élevar às

pági­

nasdeum

jornal

oqueacidadevive, mas nuncavê

publicada

nosveículos

que deveriam abrir espaço para o

debate dos

problemas

e

alegrias

que

compõem

odiaadia do leitor.

****

É preciso registrar

que, na se­ mana de fechamento desta

edição,

Florianópolis

eoutros 15

municípios

catarinenses viveram momentos de

violênciae

insegurança

pública

sem

precedentes

na história recente.

Às

vezes, os fatos que não ocupam o

devido

lugar

nas

páginas

dos

jornais,

vêm à luz de

qualquer

maneira,in­

dependentemente

dos donos damí­

dia.A

força

docrime

organizado

e a

apatia

do Estado

podem

ter surpre­

endido o

público

que pensavaestar

bem

informado,

masnãoeram no­

vidade paraasfontese osdonos das

notícias.

PARTICIPE!

Mandecríticas,

sugestões

ecomentários

E-mail

[email protected]

Telefone

-(48)

3721-4833

Joaquim

Toscano Neto

-Belém,

PA Twitter

-@zeroufsc

Amigos,

valeapena.Trabalhoconsistente,esclarecedor e

inteligente.

Sem mais

delongas,

saboreiema nova

criadas alunos docursode

jornalismo

daUFSC

OMBUDSMAN

BERNARDO KUCINSKI

Denuncismo

como

gênero

, uascontendasnas

eleições

para

direção

doscentrosdeen­

sino foram

superadas pela rápida

intervenção

da reitoria.

No Centrode Ciências

Jurídicas,

houve

impugnação

contra

A

oprazo de apenasquatrodias úteis para

inscrição

das

cha-....l1iiii000''''' pas.

prolongado

oprazo, foram

homologadas

duas

chapas,

vencendoa

encabeçada pelo

ProfessorLuizCarlos

Canceller,

com74%dos

votos.Na

eleição

paraa

direção

doHU,além doprazocurto,oDiretório

Central de Estudantescontestoua

participação

defuncionários daFun­

dação

de

Amparo

á

Pesquisa

eExtensão por serem,a

rigor,

terceirizados.

Excluídosesses funcionários e

prolongado

o prazo, concorreram duas

chapas,

vencendoalideradaporCarlos Alberto

Justo

da Silva

(Paraná).

Das 11unidades docampus,noveaindaestavamemprocesso eleitoralno

fechamento desta

edição.

Escrevi o

parágrafo

quevocês acabaram de lera

partir

da

complicada

reportagemda

página

3 doZeroanterior

[edição

de

outubro].

Emportu­

guês

macarrônico,

desdeotituloatéaultima

frase,

citandoofato

gerador

apenaslá

pela trigésima

linha,

areportagemdoZerofaz

tempestade

em

copo

d'água,

gastauma

página

inteira paracontarumahistória queeu

consegui

sintetizarempoucaslinhas sem

perda

de

informações

essen­

ciaise

-oque é

pior

-permite

umaleituraquefaz dareitoraavilã deum

episódio onde, pelas informações

da

própria

matéria,

ela

agiu

de modoa

aprimorar

oprocesso eleitoral.

Se aminha leituraestácorreta, temosum

exemplo

do denuncismo como

gênero.

Entresuascaracterísticasestáadenão ouviro"denuncia­

do",

no caso a"interventora" Roselane

Neckel,

reitoradesta

Universidade,

ade destacar trechos de documentos rotineiroscomo sefossem provas

deumcrime,e adeinsinuarmá fé.Amatériafaz tudoisso. E mais: a

sucessãode títulos da última

edição

doZero,mefaztemerqueacultura

do denuncismo

esteja

seinsinuandono

espírito

do

jornal:

quase todos

puxamparaaidéiade denúncia.

Amatéria sobreaadesão doHUao novosistemade

gerenciamento

proposto

pelo

governofederal

joga

uma falacontra aoutra, deixando o leitor mais

angustiado

do que esclarecido. Issotambém não ébom.

Gerenciamento de

hospitais

é

hoje

atividade extremamente

complexa.

É

reconhecidoo

problema

da

paralisia

dos

serviços

públicos

porterem

querecorrer a concursos

públicos

e

licitações

para

qualquer

contratação

oucompra, sempre

sujeitos

aliminares na

justiça

pelos perdedores.

As

políticas públicas

paraasaúde dogovernofederaltemse

pautado pelos

princípios

doSUS enãohárazão para

suspeitar

queestaproposta

seja

uma

privatização

disfarçada

- fio condutor de

reportagem.

É

falaciosooargumentodaEdileuzaFortuna,articuladora daFrente

Nacionalcontraa

Privatização

da

Saúde,

dequeapropostacontem"ir­

regularidades"

entreelasanão

contratação

porconcurso ecomprassem

licitação pública.

Ora,

esseéo

próprio objetivo

dapropostaenãouma

irregularidade.

A

própria

reportagemrevelaque60leitos doHU estãode­ sativadosporfalta de

pessoal.

Descobri

(isso

areportagemnão

diz)

queé

um emcadaquatro.Umescândalo.

Pergunto:

quanto tempodesativa­

dos?Amatériadeveriaterseconcentradoemduas

questões

substantivas:

ocontratocria"duas

portas"

ounão cria? Ocontratodáemtesemaior

eficiênciaaoHUounãodá?Uma

explicação

melhor decomofuncionao

Hospital

das ClinicasdePorto

Alegre poderia

teresclarecidoisso. Pauta:

mandarum

repórter

doZeroaPorto

Alegre.

AReitoriae oHU

agradecem.

I r

,

(3)

ESPAÇO

OCUPADO ETRANSFORMADO

/

Indice de

saneamento

na

Capital

é

ficção

Casan estima que metade dos imóveis

apresentam

alguma

irregularidade

em

Florianópolis

s dados oficiais indicam

que

Florianópolis

está

entreas 100 cidades bra­ sileirascommelhor

aten-dimento de saneamento

básico. A

pesquisa

foi realizada em

julho

pelo

Instituto TrataBrasil

(ITB),

que avalia os índices de

população

atendida com

água

tratada e coleta de esgoto, que

correspondem

respec­

tivamente a98 e55%.Mas apesar do

índice considerado

alto,

o sistemade

saneamento na

Capital

está compro­

metido por

irregularidades

que atin­ gem tanto as redes de coleta quanto

as

estações

de tratamento de esgoto.

A

Companhia

Catarinense de

Águas

e

Saneamento

(Casan)

estima que em

cada bairro

atendido,

cerca de 50%

dos imóveis apresentem

algum

tipo

de

irregularidade.

No

estado,

somente

12%da

população

têmesses

serviços

à

disposição.

Uma vistoriarealizada

pela

Funda­

ção

do MeioAmbiente

(Fatma)

entre

osdias26e29 demarçonas noveesta­

ções

detratamentodeesgotodaGran­

de

Florianópolis

encontrou

problemas

estruturais,

administrativos,

opera­

cionaise de atendimento à

legislação

ambiental,

resultandoem umtotal de 15

autuações.

Elasserãoatendidaspor

umtermode

ajustamento

de conduta que está sendo

redigido pela

Fatma

e

pela

Casan, com

supervisão

da 28°

Promotoria de Justiça do Ministério

Público Estadual.A Promotoria recu­ sou a

primeira

propostado termo e

outraversão deve ser

apresentada

no

dia22de novembro.

O

presidente

daFatmaMurilo Flo­

resesclarece queaescolha de

redigir

umtermode

ajustamento

aoinvés de

penalizar

a Casan,

responsável pela

administração

da

rede,

se deve aos

tipos

de

infrações

cometidas. "Nestes

Multa

de

R$12

milhões

As

ligações

deesgoto clandestinas preocupam aSecretaria

Municipal

de

Saúde,

que constatou alta incidência de

doenças

relacionadas à

poluição

da

água

como

hepatite

A,dermatitee

conjuntivite,

principalmente

noverão. Emcarta à

direção

daCasan,odire­

torda

Vigilância Municipal

emSaúde

e osecretário de Saúde da

prefeitura

afirmaram que

grande

parte do es­

gotoque provoca as

doenças

vemdas

r.edes instaladas

pela

Casan antes que as

estações

de trata-mento

estejam

pron-tas para funcionar.

As

contaminações

seriam

responsabili-dade da

companhia

"ao

permitir

que os

usuários efetuem

li-gações

em umarede

inativa,que deveser

aúltimaetapadeumsistema

implan­

tado",

dizem as autoridades munici­

pais.

No mesmo

documento,

afirma­

se que as

estações

de tratamento de

esgoto vemsendo autuadas

pela

Vig­

ilância Sanitária desde 2007equeum

monitoramento realizado em 2011

demonstrou,

a

partir

de análises reali­ zadas

pelo

Laboratório

Municipal

de

Florianópolis (Lamuf),

que "aCasan não consegue manter um

padrão

de

operação

quegarantaa

qualidade

na

saída dos efluentes das

estações

de

tratamento de esgoto, estando estes

naimensa maioriadasvezes emdesa­

cordocom

parâmetros

aceitáveis

pela

legislação

sanitária e ambiental em

Novembro de 2012

vigor".

O estudo sobreestemonitora­

mento foi entregue à

presidência

da

Casanem

janeiro

de

2012,

doismeses

antesdavistoriarealizada

pela

Fatma. No

total,

as

penalidades impostas

pe­

las

autuações

da

Vigilância

Sanitária

Municipal

contraaCasan são estima­

das em

R$

12

milhões,

relativas a

69

processos que estão em fase final de

julgamento.

Ochefe dosetor

operacional

de esgoto da Casan Oci Silva

alega

que no

geral

as

estações

de tratamentode esgotooperam bem equeem

algumas

situ­

ações

isoladas a

qualidade

final do

eflu-ente saiu um pouco do

parâmetro.

Em

relação

às outras

irregularidades,

Silva afirmaque osvazamentos indi­ cados

pela

vistoriadaFatma

foram resolvidosequeasdemais

adequações

serão realizadas

após

a

definição

do

termode

ajustamento

de conduta.So­

breafalta de

licença

ambiental para

operação

das

estações,

adiretoria da

Casan

afirmou,

emcartaaoMinistério

Público,

que solicitou diversas vezes

desde 2010 a

renovação

da

licença

junto

à Fatma, mas não recebeu re­

tornodo

órgão

ambiental.

Mariana Rosa

[email protected]

casosé mais

importante

discutira so­

lução

parao

problema

doque

simples­

mentemultar."

Entreas

principais

irregularidades

apontadas pela

vistoria estão a qua­

lidade da

água

que sai de quatrodas

nove

estações

detratamentoeestáfora dos

padrões legais,

a

contaminação

do solo porvazamento, falta de ma­

nutenção

dos

equipamentos

e

licença

ambiental de

operação

vencida desde

2010."Háumasérie de

problemas,

al­

guns graves,outrosnemtanto.Do

jeito

queestánãodápra

ficar",

avaliaFlo­

res, para quemas

irregularidades

não

têm

impacto

significativo

nacontami­

nação

de

praias

e riosda cidade. "Se

as

estações

funcionassem

plenamente,

contribuiriapara melhorarabalnea­ bilidade.Masaindatemosmuitas

liga­

ções

de esgoto

clandestinas,

a ocupa­

ção

desordenadaéamaior

responsável

pela poluição",

conclui.

Qualidade

da

água

foiumdos fatores avaliados navistoria

A

Vigilância

Sanitária

Municipal

firmou um

convêniocom aCasan para fiscalizaras

ligações

de

esgoto

de 18mil

construções

das diferentes

regiões

de

Florianópolis.

Nãohá levantamentosobrea

quantidade

decasasque não estão

ligados

à rede de

esgotonasáreas de

abrangência

da coleta.

A estimativaéqueem cada bairroatendido,

cercade 50%dosimóveis apresentem

algum tipo

de

irregularidade.

Oci Silvaavalia que entreas

principais

ir­

regularidades

estãoaausênciade caixa de

gordura

e acoleta de

água

de chuva

ligada

na redeesgoto,oque

sobrecarrega

a rede.

"A

fiscalização

é

importante

para

garantir

que

seja

feita a

interligação

corretacom a

rede",

explica

chefe do setor

operacional

de

esgotoda Casan.

Um dosmotivos paraqueos moradores

não

façam

a

ligação

com a redeécustoda

obra. Em

alguns

bairros,como a Costeira do

Pirajubaé,

casasconstruídasabaixo donível da rede coletora da Casan

precisam

de uma

estrutura para bombearoesgoto, oque

pode

custaratéR$ 2 mil.Silva afirmaque

a Casan

estudou um

projeto

de financia­

mento dos

equipamentos

para os mora­

dores que não

puderem

pagarestevalor,

masatualmentenão hánenhum programa

em

vigor.

Ele ressalta que são poucosos casos nos

quais

ocustoda

ligação

na rede

pode chegar

aestevalor, edizquena maio­

ria doscasos osmoradores não

ligam

por

desleixo.

Abrangência

da Rede de

Esgoto

Dos

domicílios de

Florianópolis,

82

..

042

são

atendidos

pela

rede de

esgoto

dos domicílios atendidos

apresentam

irregulidades

Principais

Irregularidades

---'

,

I"�

4Ow

calha deáguadachuva

ligadanaredeesgoto

ZERO

ligaçãodo esgoto

emredesinativas

falta de caixa degordura

,"";Z!íJ

�.,

ligaçãodo esgotonoscanos

(4)

ZERO ENTR VISTA

CESAR

SOUZA JR.

Prefeito eleito da

Capital

expõe

suas

metas

Aprovar

novo

Plano

Diretor

ern

2013 é

urna

das

prioridades

do futuro Chefe do Executivo

DUas

semanas

após

vencer as

eleições

paraa

prefeitura

de Floria­

nópolis,

umdia

após

voltar de

viagem

dosEstados

Unidos,

Cesar

Souza

Júnior

recebeuos

repórteres

doZeroem seu escritóriono

Centroda

Capital

parauma

rápida

entrevista. Nas

primeiras

ho­

rasdeumasemanacheia de

compromissos

e

definições

na sua

equipe

detransição,em cercademeiahora deconversa,o

prefeito

eleitofalou sobreseus

planos

imediatos.Dentreelesa

intenção

dereestruturaroInstituto

de

Planejamento

Urbano de

Florianópolis (IPUF),

aprovarumPlanoDiretor

e

implantar

a

licitação

dotransportecoletivo aindaem2013, além de elevar

para 80%acobertura dasredes deesgotonacidadeduranteo seumandato.

Eleitocompouco maisde 117 mil votos,ohomemque

governará

acidade

nos

próximos

quatro anos é formadoem Direito

pela Univali,

foi

deputado

estadual por duasvezesconsecutivas esecretário de

Turismo,

Culturae Es­

portedeSanta Catarina. Durantesua

gestão,

o novo

prefeito,

quetomaposse

em1°de

janeiro

de

2013,

temodesafio dedesenvolver

políticas públicas

que

atendam àdemandadeumacidadecom1,7mil lanchasemetade dassuas

residênciassem acessoàrede de coleta deesgoto.

Comoserá a

elaboração

donovo

PlanoDiretor?

O

primeiro

passo vaiser o fortaleci­

mentodoIPUF. Nosso

objetivo

vaiser

recuperar o

espírito

das audiências

públicas já

realizadas,

formatartec­

nicamenteo

projeto

do PlanoDiretor

e

depois juridicamente

encaminhar o

projeto

à Câmarapara que ele

seja

apreciado

e votado ainda em 2013.

Vamos colocar muita

energia

nisso.

Vou

precisar

da

parceria

da Câma­

ra, da sociedade. Mas não

podemos

esperar mais.

Chega,

acidade

es­

perou muito

pelo

seu Plano Diretor.

A gente

precisa,

dentro do

espírito

das audiências

públicas já

realizadas realmente

formatar,

recuperar esse

espírito

eatéofinalde 2013 votaro novoPlanoDiretor.

Nas últimas semanas a Câmara

Municipal

votou

projetos

de mu­

dança

de zoneamento da cidade.

Amaioriados

projetos

implica

em

mais

construções

em áreas que

nãotêmainfraestrura

adequada.

Osaneamentonacidadeenfrenta

hoje

dois

problemas principais:

a

precariedade

das

estações

detra­ tamentodeesgotoe anecessidade

de

ampliação

da rede.

Quais

são

suas propostas para estas ques­

tões?

Primeiro, quero deixar muito clara minha contrariedade em

relação

a

alterações

pontuais

no zoneamento

enquantoacidadenãotem um novo

PlanoDiretor. Em

relação

ao sanea­

mento, um

compromisso

de campa­

nhanossomuitoforteé: não

permitir

maisadensamentoemáreasquenão

têmestruturadeesgotamentosanitá­

rio. Temos

hoje

cercade 52% de co­

bertura dacidade comesgotamento

sanitárioe anossametaélevaresse

índicepara até80%em quatro anos

demandato.Agente

pode,

sim,avan­

çar muitonos

próximos

anos,

que

é uma área que tem muito recurso

federal

disponível.

Acidade tem que

cobrar daCasan,queé a

prestadora

do

serviço,

metaseprazos.Mas,além

disso,

também tem que recuperar

aquela função

que é da

Prefeitura,

que éa

fiscalização.

Como pensa em administrar

o conflito entre os

"poderosos

empresanos da

construção

civil" e a

população

que sofreas

consequencias da

degradação

ambiental e da

especulação

do

setorimobiliárionacidade?

Na

eleição, já

enfrentei esse assunto

de maneira bastante firme. Quero

dizer o seguinte: nãovou promover

aqui

umalutadosricoscontraospo­

bres.Nãosetratadisso.Acidadetem

que ter

lei,

e elatem que valer para

todomundo.Ofatoé que

hoje,

como aleinãoé

cumprida,

àsvezesquem

temmais

condição

financeira acaba

conseguindo algumas

coisas equem

é mais humildefica anos

esperando

por um alvará de

construção.

A lei

temqueser

cumprida,

oPlanoDire­

tor tem que ser

respeitado,

tem que

haver

fiscalização.

E tem que ficar

muito claropara todo mundo oque

pode

e o que não

pode.

A

partir

daí

cabe à Prefeitura

organizar

eexercer seu

papel

de

fiscalização.

Como o senhor

pretende

tratar

quemmora emáreas

irregulares?

Meu foco vai ser

agir primeiro

nas cercadeseis mil pessoas quemoram

em área de risco em

Florianópolis.

Primeiro vamos

agir

no risco. Tem

muitagentevivendoemencosta,tem

muitagentevivendoemárea deala­

gamento.E paraessaspessoas

preci­

samos realmente reativarosprogra­

mashabitacionaisda Prefeitura que

estão

parados. Principalmente

em

relação

às obrasdoPACdoMaciçodo

MorrodaCruzetambémem

relação

à vila do

Arvoredo,

anteriormente

conhecida como favela do Siri, e à

duais,

queo

orçamento

daPrefei­

turanãodácontadetodaademanda.

A

primeira questão

é trazeraclasse

médica de volta para

junto

da ad­

ministração

pública municipal,

com

diálogo.

Como

candidato,

estive no

sindicato.

Logicamente

que nãovou

poder

atender a todas as demandas

dodiaparaanoite,maséimportante que agentetenhauma

relação

mui­

to

próxima.

Porque

quem atende às

pessoas éo

médico,

não é o

prédio.

Não adianta ter

prédio

bonito. Não

vouconstruirumaúnica obra nova

nasaúdeenquanto agentenão tiver

a

normalização

do númerode médi­ cosnospostosdesaúdeedos médicos

especialistas.

Então, se a atual ges­

tão teveum

foco

em

obras,

aminha

vai terofoconaspessoas. De

prédio

a gente

está razoavelmente bem atendido em

Florianópolis.

Tem que

terofocona

valorização

dos

profis­

sionais,nãosó do

médico,

etambém

terabusca derecursosfederaise

esta-,

"No

transporte

coletivo a

licitação

deve estardentrodo

espírito

de

região

metropolitana"

Durante a

campanha,

foi mui­

to destacada a proposta de uma nova

licitação

dotransportecole­

tivo. Comoseráfeitoisso?

Ao assumir,vamoscriaracentralde

inteligência

no trânsito. Meu foco

é fortalecer essa área com técnicos.

Criarofundo

municipal

de

trânsito,

que vai ser oriundo de recursos de

multaseverbas deestacionamento e

de licenciamento deautomóveis. Isso vai dar uma estrutura de

gestão

de trânsito que acidade não tinha até

agora.Na

sequência,

fazera novalici­

tação

e, ato

contínuo,

estruturarum novo

projeto

demobilidadeurbanae

de transporte

público

encaminhan­

do esses recursos viaBNDES. Minha

ideia é

poder

formatar esse

projeto

no

primeiro

anode mandatoeiniciar

Novembro de 2012

Ponta do

Leal,

no continente. São

questões

bem

objetivas, já

projetos

no governofederale agente

precisa

buscar esses recursos para

agir pri­

meiro nas áreas de risco. E

aquelas

construções

que tenham sido feitas

em

descompasso

com a

legislação

oufraude à

lei,

aPrefeitura

pode

sim

exercer o seu

papel

de

fiscalização

e

até,

nasque

sejam

muito

agressivas,

entrarcom

ações

demolitórias.

A

Organização

Mundial daSaúde

(OMS)

trabalha com um índice

idealdeummédicoparacada mil

pessoas, mas

Florianópolis

tem

um paracada quatro mil. Na úl­

tima entrevistaaoZero,osenhor

dissequecolocariaacidadenesse

índiceeaté melhor.Como

quadri­

plicar

o número de médicos na

cidade se o mercado não forma

tantos

profissionais

porano?

(5)

asobras de faixa exclusivaa

partir

de 2014.

feitos eleitos da Grande

Florianópolis

justamente

para tratar disso. Falta

uma efetiva

integração

entreos mu­

nicípios.

Tem muita gente que pra ir

de

Forquilhinhas

paraSerraria,dentro

de São

José,

vem até

Florianópolis.

O

primeiro

passo é a gente

integrar

os

prefeitos.

Notransportecoletivoalici­

tação

temqueestardentro do

espírito

de

região

metropolitana.

Osusuários do

transporte

coletivo reclamamafalta deconexãoentre

aslinhase ademora dos

trajetos.

Além da

licitação,

sua

gestão

vai

considerara

possibilidade

de alte­

rações

na

logística

dosistema? Devofazeruma reunião com os

pre-Como a

prefeitura

tratará a

questão

do trans­ po rte marítimo? Não adianta fa­ zer de uma maneira desco­

nectada,

colocar

uma

barcaça

para

atravessar as pessoas

deumladoparaooutro.

Transporte

marítimo é

importante,

mas

precisa

estar

integrado

aotrans­

porte coletivo dos outros

municípios.

Paraser

barato,

todoessemovi­

mento

precisará

de sub­ sídios. Tem que

ser

algo

bem

pensado

Novembro

de 2012

,

e

interligado

aotransportecoletivode

ônibus.Sófazsentidose essetranspor­

te for

metropolitano, já

que 54%dos usuários do TICEN são oriundos dos demais

municípios

da Grande Floria­

nópolis.

Sobrea

questão

dos moradores de

rua,acidade nãotem

albergues

e

só há umcentro de

atendimento,

quenão

permite

o

pernoite.

Como

o Senhor vai resolver essa situa­

ção?

Noscomprometemosacriaro

abrigo

municipal

paraomorador derua.Va­

mosfazer nocentro da cidadee será

integrado

a outras iniciativas que

trabalhamnaáreasocial. Queremos

criar no

abrigo

uma alternativa de

qualificação

e

recuperação

de

depen­

dentes

químicos.

isso

junto

à Prefeitura paranão

permi­

tir queo

jovem

saiaprematuramente

dosistemaeducacional. Também

agi­

remos em

parceria

com o estado em

nível de

segundo

grau na

criação

de

centrosde

formação

profissional

nos

bairros. Em Canasvieiras vai terum

centrodesse

tipo,

assimcomo um no

sule nocontinentetambém.

No final de agosto foi sancionada

alei que determina que 50% das

vagas em universidades federais

sejam

destinadas para alunos da rede

pública,

além denegros, par­ dos e Índios. Como isso aumenta

a

responsabilidade

da

prefeitura

paraos

próximos

anos?

O

grande

desafio de

Florianópolis

e

do Brasil é a melhoria da

educação

básica. Com

relação

aoIdeb

(Índice

de De­ senvolvimento da

Educação

Básica),

há uma

grande

discrepância

entreescolas da mesma cidade. Na Trindade é

"Quero

dizer que

Existe uma

pré­

via de

quantas

vagas existirão

nesse

abrigo?

Trabalhocom uma

hipótese

de abrir

80vagasrotativas.

não

vou

promover

aqui

uma

luta

dos ricos

contra

os

pobres"

A rede munici­

pal

de

educação

é

responsável pelo

ensino básico

(até

o

quinto ano),

período

em

que a

criança

aprende

aler e es­ crever.Umadas20metasdo Plano Nacional de

Educação

é reduzir o

analfabetismo funcional em 50%.

Como o senhor

pretende cumprir

essametaem

Florianópolis?

Vamos atuar fortemente na área da

educação, principalmente

na melho­

riada

qualidade

nas séries finais. Se

nas iniciaisela é

boa,

nas finais ela

cai eé aí quemora o

perigo.

Perde­ mos

qualidade

no decorrer do siste­

ma. Vamos articular com o Governo

Federal através deprogramascomo o

Pró-Jovem

e

projetos

quedãoum

com-plemento

de rendaao

jovem

emsi­

tuação

carente.Vamos

realizar

ZERO

excelente,

nível de escola

particular,

na Coloninha é

comparável

aosertão nordestino. Te­

mos que

agir

nas escolas de

pior

de­

sempenho

paramelhorara

qualidade

e

igualar

as

oportunidades.

Vamos

melhorar também

independente

de

bairros,

procuramos melhorarosiste­

ma como umtodo.

Florianópolis

aparece na mídia

nacional como umacidade classe

A,

com belezas naturais e turis­

mo de luxo. Como desenvolver a

atividade de forma sustentávelna

cidade?

Temos uma sazonalidade muito

grande

de turismo. Notadamente no

revéillon e no carnaval. Assumirei

acidade com odobro do número de

habitantesqueelatemnormalmente.

Imagine

opeso quetodaessa

popu-lação

tempara os

serviços

.

como coleta de

lixo,

tratamento de

esgoto,

ener-]'

fi!

gia,

trânsito.Mascidade turísticapaga

esse preço. O turismo é

importante,

mas não

pode

ser

predatório.

Temos quedistribuir melhoressefluxo turís­

ticodurante todoo ano.Agente

pode

avançar muitoem trazer eventoscul­

turais,

esportivos, sociais,

paraatrair

o turismo fora do

período

de verão.

Queremos inaugurar

um turismo de eventos, atémesmopara atenderàde­

manda dos

hotéis, principalmente

do

norte da

ilha,

que ficamociososfora da

temporada

deverão. Voutrabalhar obsessivamentena

atração

de

grandes

eventosparaacidade.

/ •

Sobre a

Copa

2014, Florianópolis

será

promovida

comosubsede?

Como secretário

trabalhei para

atrair

seleções

depontapara acida­

de. Há

possibilidades

reais.Temos que

aproveitar,

criareventoseatrairocir­

cuitoda

Copa

do Mundoparaacidade.

Há viabilidade de promover esses

eventospor

aqui,

mesmoficandoa

300kme400 km das outrascida­ des sede da

região?

Trezentos

quilômetros

são três horas

decarro,35 minutosde avião. Adis­

tânciaentreos

jogos

édeuma semana.

Temostodoo

público

doConeSulque

virá parao Brasil. Tenho certezaque

quem estiveremPorto

Alegre

eCuriti­

baterábonsmotivos para viraFloria­

nópolis

fazerumavisita.

Florianópolis

éumacidadedefasa­ da na

questão

cultural secompa­

rada a cidades comoBlumenau e

Joinville.

Como fazer para desen­

volveracultura nacidade sem se

apoiar

exclusivamenteem

grandes

e

esporádicos

eventoscomo oshow do Paul

McCartney?

A

função

da Prefeitura é anterior a

apoiar

grandes

shows.

É

valorizar

quem

produz

culturaem

Florianópo­

lis.

Quando

secretário,

fiz aMaratona

Cultural. Forammaisde 800 artistas

locaisque

participaram.

Minhainten­

ção

étornaramaratonanão maisum

evento

esporádico,

mas permanente,

espalhada

nos

bairros,

para queagen­

tepossaofertaráreaspara queo nosso

artista local

esteja

integrado

à nossa

classe culturale à

educação integral,

levandoaculturaparadentro da sala de aula.Com

relação

a

grandes

even­

tos, a Prefeitura

pode

ser umafacili­

tadora,

mas recurso

público

temque

ir paraofomento da cultura local. O

orçamento é

apertado,

portanto vou

buscar recursos estaduais e federais

paraatenderessaárea.

Leonardo Lima [email protected] Lucas Inácio [email protected] Mariana Rosa [email protected] Sâmia Fiates [email protected]

(6)

E

Õ

5

LINKS

PARA A VIDA SOCIAL

Quem

navega

na

Ilha

é

o

barco

de

pescador

Embarcações pesqueiras

superam

em

três

vezes o

número de

superlanchas

em

Florianópolis

final de semana e overão não começou

oficialmente,

E

mas ocalor convidaparaumaidaà

praia.

Melhor ain­

da:ótima

oportunidade

paradarumrolêcom alancha

comprada

noano

passado,

apatroavaicurtir,ascrian­

ças vão adorar.Finalmenteserá

possível

tirá-ladama­

rinaefazer valeros

R$

800 mensais quesepagapara

guardá-la,

lá, paradinha.

Muito

legal

aquela

reportagemquesaiuoutrodia.

Um

amigo

passa

pela

mesma

situação:

querum

barquinho

para

si,masfaltammarinasnacidade.

É

assimcom as1,7milfamílias

que queremter,

podem

ter,mas nãohá

lugar

onde

guardar

...

ê,

província!

Enfrentamosuma

superlotação

nasmarinas.

Apoucosmetrosdessamarina,naBarrada

Lagoa,

osábado

não

significa

muita coisaeé hora de

aproveitar

osúltimosdias

antesdo

período

de defesopara pescaromáximode

peixes

pos­

sível.

Desperta-se

às quatrohoras da

matina,

esó retornacom odia

escuro.

É importante

providenciar

o

pé-de-meia

paraos

próximos

quatromeses,

quando

será

proibido

pescar

algumas

es­

pécies

preciso

sevirarcom osalário mínimo dosegurodefeso.

Assim vivemosmaisde

4,5

mil

pescadores registrados

na

região

da Grande

Florianópolis.

Outrostantosnãotêm

registro

e,portan­ to,nãorecebemoauxílio,

Em

Florianópolis

existem,

hoje,

17 marinas, que

hospedam

umtotal de 1,7mil

embarcações

de

passeio,

aproximadamente.

É

unanimidadeentreosfuncionáriosqueogrossodomovimento

ficanoverão. Nosoutros mesesdo ano aslanchasraramentevão paraa

água,

apenas

quando

ventos

fracos,

mar

tranquilo

etemperatura

agradável

coincidemcom umsábadoou

domingo.

Aomesmotempo,a

região

tem42 comunidades

pesqueiras,

nas

quais

trabalhammaisde

4,5

mil

pescadores.

A maioriadelesnãotem

condições

de

registrar

seusbarcos.A

Capitania

dos '

Portoséo

órgão

que reúneoscadastros de

embarcações,

econtabilizaape­

nas167barcos depescaoutransporte.A

disparidade

entreodado oficiale oqueseencontranosranchosé

consequência

dastaxase

impostos,

quase

sempre

impagáveis

paraos

pescadores

artesanais.

Além doscustos usuaisde

manutenção

das

embarcações,

queenvolvem

renovação

da

pintura,

trocadepartesda estrutura,motor e

combustível,

é necessáriocadastrá-las

-comofazemoscom umcarro,por

exemplo.

É

preciso

pagarseu

registro,

o seguro,a

licença

ambientale arevisãofeita

pela

Marinha,

emqueobarco deve

possuir

boia,

extintorde

incêndio,

cabos

ecoletessalva-vidas.Obarcocusta

aproximadamente

R$

3

mil,

e omotor

(usado) R$

4 mil.

Nocanal da Barra da

Lagoa,

barcos depesca artesanaldividem espaçocom

embarcações

de

passeio

Atravessador

diminui

os

ganhos

A

figura

do

intermediário,

um

revendedor entre o

pescador

e as

peixarias,

tem dois lados para as

comunidades de

pescadores

artesa­

nais.Ele fazotrabalho

logístico

de

transporte,

negociação

evenda dos

peixes.

Noentanto, pagamenos ao

pescador

eelevaopreço finalpara o consumidor. O

presidente

daFe­

deração

de Pescadores de Santa

Catarina,Ivo da

Silva,

vêcomo ne­

cessidade

importante

paraa

região

a

construção

de

pelo

menos dois

entrepostos.

Com essa estrutura,

pescadores

poderiam

qualificar

maiso

produto,

limpando,

selecionando e venden­ do-o diretamente. Isso

geraria

no­ vospontosdecomércioe

eliminaria,

pelo

menos

parcialmente,

a

figura

do intermediário.

Os

pescadores

daBarradaLa­

goa, por

exemplo,

nunca se

organi­

zaram em uma

cooperativa,

e por

isso acabam

dependendo

do inter­

mediário,

que compra deles para

revender às

peixarias

do Centro e

restaurantesda cidade.Issocortaos

ganhos

dos

pescadores

quase

pela

metade.

Na Pontado

Leal,

parte da pro­

dução

évendidaa um intermediá­

rio,

mas os

pescadores

dacomuni­

dade conseguem se

organizar

em

um esquema de venda direta ao

consumidor,

no caso, de porta em

porta.O

quilo

de

corvina,

para citar

um

exemplo,

évendido aointerme­

diáriopor

R$

3,00,que revende para

peixarias,

custando

R$

8,00parao

consumidor.Deporta emporta,os

pescadores

vendempor

R$

6,00.

Giovanni Bello

[email protected]

LauraVaz

[email protected]

João Geraldo

Carvalho, 52anos,

vivee

pesca naPonta do Lealdesdeosseteanos

de idadee

explica

outro

problema

quesua

comunidadede

pescadores

enfrenta.Ome­

lhor

lugar

parapescarnas

proximidades

é

ocanal que passa sobas

pontes

que

ligam

ilhaecontinente. Noentanto,é

proibido

pescarna

região

pcr.caussdo

tráfego

de outros barcos,

prihcipalrnente

osde pas­

seio. Emcasode

flagrante,.

aMarinha

pode

apreender

a

embarcação,

ea multapara

liberá-Ia

pode chegar

a

R$

5,8mil. Com um recurso

judicial,

obarco

pode

serliberado por

aproximadamente

R$ 400,

depois

de

uma

declaração

formal

explicando

o

porquê

de nãoarcar com ovalortotal da multa.

Aescassezno maré

sentida

nasbaías sul

enorte,mas

JucemarTeiX�ira,

72anos,

pescador

maisvelhoem

(ltividade

na Barra da

Lagoa,

reclama domesmo

problema.

A

praia

fica dooutroladoda

ilha,

onde

sepescaem mar

aberto,

.eaindaassim

faltam

peixes.

Com 36anosdeatividade na

Barra,Teixeira

garante:

"Há

15,

20anosera

melhor,sepescavaaté12toneladaspor mês.

Hoje,

em umaboa safra,pescaruma

toneladaestá muito bom...

"

A falta de

peixes

nomar,somadaà

moder-nizaçãOijas

ferramentas,

acabouiPor

cortar

onúmerodepessoas

necessárias

parao

trabalho.Antesumbarco

empregavaaté

seis homensnas

saídas,

hoje

apenas dois outrês. Oremo deu

lugar

aomotornosanos

1990.As

pesadas

redesnão

precisam

mais

ser

puxadas

comos

braços,

um

guincho

espE}cial

fazotrabalhosem

grandes

esfor­

ços.Jss9possibilitou

a.

adoção

deredes

dearrastomaiores·

-se

antestionam.

300

metros,agora chegam

ateratétrêsmilhas de

comprimento.

A

praticidade

dosnovos

equipamentos

mudouocenárionaBarra.

NascontasdeTeixeira hámais barcose

menos

pescadores

que

antigamente.

AfacHidadedeacessoà

educaçãotambém

acabaincentivando uma

diminuição

do

nÚrYl.erode

pescadores.

Teixeiratem

sete

filh()slf3

sÓurn.·

deles..escolheu

seguir(i

profissão

do

pai.

Provavelmente,

nenhum

dosnovenetos

seguirá

ocaminho doavô.

Geraldotemquatroirmãos que,assimcomo

ele,viraram

pescadores.

Dosseis

filhos

que

teve,apenas dois

seguiram

na

profissão.

Dos cinconetos,um

acompanhaas

pes­

cariasdoavô."Elesolham pra

gente aqui

ganhando

poucoeresolvem

estudar,

não

querem maisessa

vida, não",

lamenta.

Cenas assimsetornamcadavezmaisraras em

função

dasnovas ferramentas de pesca

(7)

CO

EXÕES

LINKS

PARA A VIDA SOCIAL

Paciência

à prova

com o

transporte

coletivo

Usuários enfrentam

longos períodos

de espera por ônibus

e

falta de linhas

nos

fins de

semana

ntreosmaisde 72 mil caminhosque

umusuário doSistema

Integrado

de

Transporte (SIT)

pode

optarem Flo­

rianópolis,

há inúmeras históriasque

serepetemdiariamente. Hácasosde

quantidades

insuficientes de

linhas,

esperanas

filas dos terminais ehoras

perdidas

dentro do ônibus.

Apesar

desuas

semelhanças,

raramente

ganham

visibilidade e acabam

esquecidas

ao

fim de cada

trajeto.

No Terminal doRio Tavares

(TIRIO),

pas­

savadas 21h de

quinta-feira,

oito de outubro.

Alheia à confusão de ônibus

lotados,'

pessoas

apressadas

eváriasoutrasestáticasnasmuitas

opções

de

filas,

aartista

plástica

AnaPi,de 25

anos, folheia as

páginas

de um caderno com

rabiscosàprocura de

algo

para passarotempo

- exatos

quarentaminutos atéo

próximo

ôni­

bus da linhaCostadeDentro

chegar.

"Venho do Terminal doCentroeacabo de

perder

a

integra­

ção

por4minutos.

Agora

perderei

mais40min

aqui.

Escreveisso!", dizao

empolgar-se

com a

oportunidade

de expor a

situação

rotineirade

seu

trajeto

de volta paracasa,

quedesistiude

reclamar paraosfiscais que ficamnoTerminal.

Ela

justifica

sua

indignação

com o sistema

integrado pela

falta de linhas do TIRIO até o

bairro Costa de Dentro, onde mora,

(apenas

duas das181 existentesna

Capital)

e

pelos

horá­

riosescassos no

período

noturno

(somente

oito

Mais de 157 mil

passageiros

por dia

dependem

do

serviço

em

Florianópolis

ônibusdas 20hOO à OOhOOparaum

trajeto

que

atende à demanda de seis bairros

diferentes).

Aos

domingos,

alinhaCostadeCima,que circu­

lana mesma

região,

nãotemnenhum

horário,

comooutras80emtodo

município,

"comose as

pessoasnão

precisassem

sairnofinal desema­

na",ironiza. A artista

plástica

defendeque, por

ser umdireito

público,

que deveriaser

gratuito,

o

serviço

émuitocaro epouco eficiente.

A

opinião

é

compartilhada pela

estudante

MariaEduardaSoares,de22 anos,que também

sabe oque

significa

contarminutosnaespera

deônibusnoTIRIO.

"Já

levei quatro

horas,

em um dia

útil,

parafazer o

trajeto

de

Ingleses

a

Açores".

Soares, que diariamente leva duas horas

para irde sua casa, em

Açores,

até a Univer­

sidade Federal de Santa Catarina

(UFSC),

não

Sistema

integrado

é

criticado

em

Palhoça

Se nos terminaisde

Florianópolis

as rec­

lamações

são constantes, em

Palhoça,

onde

osistema

integrado

foi

implantado

em

julho

desseano,as

queixas

ganham

umtomde re­

volta.A

expressão

de

indignação

deMaria Mi­

randa,

56anos, éporgastar

R$

4,20

parafazer

o

trajeto

do bairro BelaVista,ondemora,até

oTermínal Central de

Florianópolis

(TICEN).

Miranda paga

R$

2,65

no

trajeto

bairro-Es­

tação,

emais

R$

1,55,para iratéoTICEN,

pois

osistemade

Palhoça

nãofuncionacomtarifa

única,

oque

significa

queaomudarparaum

ônibus quecustamais,paga-sea

diferença.

Nem mesmo o ônibus novo daJotur, for­

radocomadesivosdestacandosupostas

quali­

dades do

serviço,

convence a usuária de que ovalor da

viagem

é

justo.

Mesmo assim,seu

trajeto

para

chegar

ao trabalho é feito dia­

riamente,saindo5h30da manhã decasa,no

bairro BelaVista,para pegaro

primeiro

ônibus

dodia e

chegar

à

Estação

Palhoça

por volta

das

6h30, quando

embarcaemoutrocomdes­

tinoao Centrode

Florianópolis

(antes

dain­

tegração,

íadecasa aoCentro usando apenas

um

ônibus).

Como nãohá

integração

tarifária

com osistema

intermunicipal

da

Capital,

ela

pagauma novapassagem até o

Abraão,

para

finalmente

chegar,

15minutos

atrasada,

aolo­ cal onde trabalhacomobabá.

Nos

domingos, quando

Mirandavai para

Florianópolis

cuidar damãe,a

solução

é sair

cedo paranãopegar trânsito. "O

problema

é queo

primeiro

ônibus

chega

nobairro às5h50

da manhãe o

próximo

só às

08hOO",

reclama.

Háum ano emeio,

quando

mudouparaPal­

hoça procurando

um local mais

sossegado

para morar,ela pensou que pegarseis ônibus

por dia não seria

problema. Após

registrar

maisde três

reclamações

naouvidoria

dajotur,

principal

empresa da

região,

mudou de

opin­

ião,

principalmente

aosentiracontapesarno

bolso: "nãosei exatamente quanto gastopor

mês,

masacabo de colocarmais

R$

50no meu

cartãoesei que nãoduraumasemana". Em

Palhoça

colocar dinheiro no cartão

significa

pagaro mesmopreço dapassagem

comprada

comdinheirovivo.

Thaine Machado

thaíne.rnachaooesqmall.com

Passagens

vendidas

Mais

de

de

cartões

emitidos

em

9

anos Custo médio de cada carro Idade média dos ônibus

Arrecadação

mensal

executivos

Novembro de

2012

ZERO

serendeu às regras doSITedecidiu mudar de

endereço,

indomorar naTrindade.O dinheiro

antes gasto com o passe de

estudante, R$

70

por

mês,

éagoradestinadoa

ajudar

no

aluguel,

juntamente

com o salário doemprego que ar­

ranjou

numaacademia do bairro.Aestudanteé

prática:

"otempoqueeu

perdia

noônibusago­ ra eu

ganho

trabalhando".

Quem

nãoreclama de

perder

temponoôni­

bus é Carlos Eduardo

Santos,

que trabalha há doisanos comomotoristada empresa

Transol,

na linha Titri-UFSC. Aos 32 anos, Santos faz

partedalistade2.250motoristasecobradores

quetrabalhamna

Capital

(cada

ônibus

precisa

de,

em

média,

2,5motoristase2,3

cobradores,

o querepresenta 60% docusto paramantero

sistema).

Após

seis horas no

volante,

o funcionário

vira maisumusuário deônibus

querendo

vol­

tarparacasa

após

o trabalho.NoTerminal de

Canasvieiras, onde

aguarda

o

próximo

ônibus

para o Rio

Vermelho,

Santos garante que a

integração

facilitou sua

vida,

"porque

antes o

ônibusiadoCentroatéoRioVermelho

pegando

e

largando

genteemtodosos

pontos".

Ele ainda

acrescenta:"não dá para

agradar

todo mundo".

O motorista tem razão, as maisde 72 mil

combinações

de

trajeto

não

agradam

toda a

população

de

Florianópolis.

E,para

alguns

usu­

ários,

estão

longe

disso.

�.0Ji]

riJE)�

gill

"Já

acabpu

Otempoemqueo

sistema

integrado

era

bom",

diz

o

jornalista

João Batista Soares

enquanto aguarda

seuônibus

chegar

noTIRIO. Aos 70anos,omorador do

Campeche

lembra a

confusão

de

quando

osistemafoi

implantado,

em

2003: "Foi umsusto, uma

migração

intensadetodoo

jeito".

O esquema

que distribuía 131linhas cobertas porumaafrota de 360

ônibus,

sem

contaro investimentodeR$ 27

milhões da

prefeitura

nosistema

viário,

não

agradou

imediatamenteos

moradores da

capital.

Após

nove anosdefuncionamento,

a demanda aindaé

praticamente

a mesma

(mais

de cinco milhões de

passagens/mês),

e os 110 ônibus

incorporados

à frotade

um atendimento

igualou pior,

por

um motivo que Soares sabe bem:

"otrânsito saturou". Mudandoa

expressão,

o

jornalista

sorriao

relembrarque "trinta, quarentaanos

atrás fumava-senos

ônibus,

asfichas

eram de

papel

e

quando

se puxava

a

campainha

era uma

berraçada

de

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