Áreas por fracionamento
O método de fracionamento é uma técnica efetiva para determinar as áreas de muitas regiões planas. Dada uma dessas regiões, tome um eixo de referência, por exemplo o eixo s da figura abaixo, e em cada ponto ao longo desse eixo, construa uma reta perpendicular interceptando a região em um segmento de reta de comprimento l. Note que l é uma função de s.
A região a ser calculada a área se situa entre a perpendicular em s = a e a perpendicular em s = b. Denote por A a área da porção da região entre as perpendiculares em a e s. Evidentemente, A é uma função de s e A = 0 quando s = a.
O conceito de diferencial permite-nos formar uma equação diferencial para A. Se s é aumentada por uma quantidade infinitesimal ds, então A cresce de uma quantidade infinitesimal correspondente dA.
Note que dA é virtualmente a área do pequeno retângulo de comprimento l e largura ds, isto é, dA = l ds. Portanto, A pode ser obtida resolvendo-se a equação diferencial dA = l ds sujeita à condição de contorno A = 0 quando s = a. O valor de A quando s = b é a área procurada.
Exemplo: Determine a área da região no primeiro quadrante do plano xy limitada superiormente pela parábola y = x², inferiormente pelo eixo x, e à direita pela reta vertical x = 2.
Aqui, a equação diferencial é dA = l dx, onde , pela figura, l = y = x². Assim:
A=
∫
l dx=∫
x2dx=x3
3 +C
Como sabemos que A = 0, para x = 0, então concluímos que C = 0. Para x = 2, A = 8/3, logo, A = 8/3.
Integral Definida
De forma semelhante ao procedimento anterior, podemos calcular a área de uma função f em um intervalo fechado pertencente ao seu domínio. No entanto, ao usar a integral indefinida para esse cálculo, a área entre a função e o eixo do domínio terá um sinal associado, sempre igual ao sinal da imagem da função no intervalo.
Ao se calcular a área total no intervalo fechado [a,b], o resultado será A = A1 – A2, onde A1 é a área
acima do eixo x, e A2 é a área abaixo do eixo.
Então, seja f uma função definida ao menos no intervalo fechado [a.b], a área (com sinal) sob o gráfico de f entre x = a e x = b é:
∫
a b f (x)dx= A1−A2 A expressão∫
a bf (x)dx é chamada de integral definida de a até b de f(x)dx. O intervalo [a,b] é chamado de intervalo de integração e os números a e b são chamados de limite inferior e superior de integração, respectivamente.
Pela semelhança na notação da integral indefinida e a integral definida, é natural que se estabeleça uma relação entre as duas. Suponha que:
∫
f (x)dx=g (x)+C onde g'(x) = f(x), então:∫
a b f (x)dx=g (b)−g(a)Exemplo: Calcule a área da região sob o gráfico de f(x) = x2/3 entre x = 0 e x = 1.
∫
0 1 x2/ 3dx=3 5(1) 5 /3 −3 5(0) 5/ 3 =3 5Por uma questão de praticidade, é usada uma notação especial para a expressão g(b) – g(a): g(b)−g (a)=g( x)b a Exemplo: Calcule
∫
0 1 (x2+1)dx∫
0 1 (x2+1)dx=[
x3 3 +x]
0 1 =(
1 3 3 +1)
−(
03 3 +0)
= 4 3 SomatórioNo simbolismo matemático, podemos representar a soma de vários termos (em geral relacionados) através do símbolo Σ, que significa “a soma de todos os termos da forma...”. Por exemplo,
Σk2=12+22+32
+⋯ .
Pode-se também limitar o número de termos a serem somados, adicionando-se índices no somatório:
∑
k=1
6
k2=12+22+32+42+52+62=91
Uma aplicação prática da utilização do somatório é o cálculo (aproximado) da área sob a curva de uma função. Por exemplo, calcularemos a área sob a função y = x² no intervalo entre x = 0 e x = 1. Primeiramente, dividimos o intervalo [0,1] em n subintervalos iguais.
Acima de cada intervalo formamos um retângulo circunscrito correspondente. Evidentemente, a altura do k-ésimo retângulo circunscrito é
(
kn
)
2 e sua área é 1 n(
k n)
2. Uma estimativa da área A pode agora ser obtida pela adição das áreas dos n retângulos circunscritos, isto é:
A≈
∑
k=1 n 1 n(
k n)
2 A≈∑
k=1 n(
1 n)
3 k2=(
1 n)
3∑
k=1 n k2 1 n3[
n(n+1)(2 n+1) 6]
= (n+1)(2 n+1) 6 n2 A≈1 3+ 1 2n+ 1 6 n2Uma vez que os retângulos aproximadores são circunscritos, a expressão acima fica:
A⩽1 3+ 1 2 n+ 1 6 n2
Fazendo agora uma aproximação semelhante, mas agora consideramos os retângulos inscritos ao invés dos circunscritos. A altura do k-ésimo retângulo inscrito é
(
k−1n
)
2 e sua área é 1 n(
k −1 n)
2 .Novamente, obtemos uma estimativa da área A através da soma das áreas dos n retângulos inscritos: A≈
∑
k=1 n 1 n(
k−1 n)
2 Agora: A≈∑
k=1 n 1 n(
k−1 n)
2 =∑
k=1 n(
1 n)
3 (k−1)2=(
1 n)
3∑
k=1 n (k2−2 k +1) 1 n3[
n(n+1)(2 n+1) 6 − 2 n (n+1) 2 +n]
= 2 n2−3 n+1 6 n2 então: A≈2 n 2 −3 n+1 6 n2 = 1 3− 1 2 n+ 1 6 n2Uma vez que os retângulos aproximadores são inscritos, a expressão acima fica: 1 3− 1 2 n+ 1 6 n2⩽A Juntando os dois resultados:
1 3− 1 2 n+ 1 6 n2⩽A⩽ 1 3+ 1 2 n+ 1 6 n2
Para aumentar a precisão dos cálculos, aumentamos o número de subintervalos, levando n para infinito, fazendo com que os intervalos em x virem diferenciais dx. Para a expressão acima, fazer n tender a infinito faz com que ambos os lados da inequação se aproximem de 1/3, que é a área sob a curva.
Integral Definida – definição analítica
Se o limite lim
Δx→0
∑
k=1 nf (ck)Δx existe, onde Δx = (b – a)/n, então a função f é dita ser integrável em [a,b]. Se f é integrável, então a integral definida de f no intervalo [a,b] é definida por:
∫
a b f (x)dx= lim Δx →0∑
k=1 n f (ck)ΔxTal integral é chamada de integral de Riemann. É preciso, então, a definição de regras para determinar se uma função é integrável. São elas:
1- Se f é uma função contínua no intervalo fechado [a,b], então f é integrável em [a,b]. Consequentemente, todas as funções polinomiais são integráveis.
A função ilustrada na figura abaixo não é contínua em todo intervalo [a,b], mas é contínua em um número finito de subintervalos entre a e b. Essa função é, então, dita seccionalmente contínua no intervalo [a,b].
A função seguinte é seccionalmente contínua, mas não é limitada no intervalo [-1,1], pois o valor da função tende a +∞ para x → 0+.
2- Se f é uma função limitada e seccionalmente contínua no intervalo fechado [a,b], então f é integrável em [a,b].
3- Se f é definida e integrável em [a,b] e se h é também definida em [a,b] e satisfaz h(x) = f(x) para do x em [a,b] exceto num número finito de pontos, então h é também integrável em [a,b] e
∫
a b h (x)dx=∫
a b f (x)dxExemplo: Seja a função h definida abaixo, ache
∫
−1 1
h(x )dx :
h(x )=
{
1 para x≠0 0 para x=0}
Considerando uma função f(x) = 1 para todo x, h(x) = f(x) para todo x, exceto para x = 0 (número finito de pontos), logo:
∫
−1 1 h(x )dx =∫
−1 1 f (x )dx=∫
−1 1 dx=2Propriedades básicas da integral definida
A propriedades básicas da integral definida podem ser deduzidas a partir da definição analítica. Integral de uma função constante
Seja f uma função constante definida pela equação f(x) = K:
∫
a b f (x)dx=∫
a b K dx= K (b−a) HomogeneidadeSe f é uma função integrável no intervalo [a,b] e K é um número constante, então Kf é também integrável em [a.b] e:
∫
a b Kf (x)dx=K∫
a b f (x)dx AditivaSe f e g são funções integráveis no intervalo [a,b], então f + g é também integrável no mesmo intervalo, e:
∫
a b [f (x )+g (x)]dx=∫
a b f (x )dx +∫
a b g(x )dx LinearSe f e g são funções integráveis no intervalo [a,b] e A e B são números constantes, então Af + Bg é também integrável no mesmo intervalo, e:
∫
a b [Af (x)+Bg(x )]dx=A∫
a b f ( x)dx+B∫
a b g(x )dxPositividade
Se f é uma função integrável no intervalo [a,b] e se f(x) ≥ 0 para todos os valores de x no intervalo, então:
∫
a b f (x)dx⩾0 ComparaçãoSe f e g são funções integráveis no intervalo [a,b] e se f(x) ≥ g(x) é válido para todos os valores de x no intervalo, então:
∫
a b f (x)dx⩽∫
a b g (x)dx Valor absolutoSe f é uma função integrável no intervalo [a,b], então |f(x)| também o será, e:
|
∫
a b f (x)dx|
⩽∫
a b |f (x )|dxAditividade com respeito ao intervalo de integração
Se a < b < c e f é integrável no intervalo [a,b] bem como no intervalo [b,c], então f é também integrável no intervalo [a,c], e:
∫
a c f (x)dx=∫
a b f (x )dx +∫
b c f (x)dxTeorema do valor médio para integrais
f (c)⋅(b−a)=
∫
a b
f (x )dx
Valor médio de uma função em um intervalo
Se f é uma função integrável no intervalo [a,b], então o valor médio de f no intervalo é dado por:
1 (b−a)⋅
∫
ab
f (x )dx
Integral definida para a ≥ b
Se f é uma função qualquer e a é um número no domínio de f, define-se que:
∫
a a
f (x)dx=0
E se a > b e f é integrável no intervalo [b,a], então define-se que: