UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE DESPORTOS
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
NELSON LUIZ DA COSTA
MINI-TÊNIS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
Florianópolis, 2019
NELSON LUIZ DA COSTA
MINI-TÊNIS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
Projeto de Conclusão do Curso de Graduação em Educação Física – Licenciatura do Centro de Desportos da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para a obtenção do Título de Licenciado em Educação Física.
Orientador: Prof. Dr. Adilson Monte
Florianópolis, 2019
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente ao meu mestre e orientador Professor Doutor Adilson Monte, por ter resignificado o aprendizado superior como uma filosofia de vida simplificada e eficiente, seu apoio e sua dedicação deram um novo sentido aos estudos desse acadêmico.
Um agradecimento especial as mestras Priscila e Anne, pelas orientações e carinho que dedicaram aos meus questionamentos, um agradecimento especial também ao Professor Douglas pela amizade e pelos momentos de alegria vividos na vida acadêmica.
Não poderia deixar de agradecer com muito carinho aos meus compadres e irmãos, Guilherme e Flávia que nunca deixaram de acreditar no meu potencial, sempre me instigando a seguir em frente.
Um agradecimento também especial ao meu filósofo preferido, Professor Luiz Marcon, que abriu as portas do CCFV, para que meu projeto pudesse tomar forma.
O curso de EF foi um sonho perseguido por uma vida, foi um divisor de águas onde passei a entender o outro dentro do seu contexto. Dessa maneira gostaria de deixar registrado que a força do amor nos faz mais fortes e que através dessa força superamos nossas limitações e os obstáculos que a vida oferece, e foi por amor que as portas da Universidade Federal de Santa Catarina se abriram para mim.
argumentos do desejo: elas são ferramentas e brinquedos do desejo". Rubens Alves
RESUMO
Mergulhado dentro de um Projeto voluntário garimpando estratégias didáticas com bases qualitativa e quantitativa, referenciado pela busca em pesquisas de revisão bibliográficas sobre a possibilidade da utilização do jogo Mini-Tênis como um recurso pedagógico para o professor de EFE do ensino fundamental, acreditamos poder estabelecer um desenvolvimento social, técnico e critico dentro do ensino escolar, pautado em um viez superador.
Atraves do Mini-Tênis, que é uma versão do Tênis de Campo em uma concepção minimizada relativo aos espaços que necessita para ser jogado, podemos constatar a sua versatilidade dentro de uma estrutura educacional.
Essa monografia relata a experiência vivida em um projeto voluntario apresentado ao Centro de Convivencia e Fortalecimento de Vínculos de Crianças e Adolescentes da Prefeitura Municipal de Florianópolis, projeto esse voltado para prática do Mini-Tênis para crianças entre sete e treze anos, objetivando um movimento pedagógico de viez superador de maneira a contribuir criticamente com o desenvolvimento integral da criança, naquilo que propomos como um aprendizado de caráter transformador, no que colhemos resultados expressivos que corroboraram com a eficácia do projeto oferecido.
Palavras-chave: Educação escolar, jogos, MiniTênis , lúdico, Educação Fisica Escolar, esporte.
Immersed in a volunteer project, with a qualitative and quantitative teaching strategy, referenced by the search for bibliographic review research on the possibility of using the Mini-Tennis game as a pedagogical resource for the EFE elementary school teacher, we believe we can establish a social, technical and critical development within the school
education .
Through Mini Tennis, which is a version of Field Tennis in a minimized design relative to the spaces it needs to be played, we can see its versatility within an educational structure.This monograph relates the experience lived in a volunteer project presented to the Center for Coexistence and Strengthening of Links of Children and Adolescents of the Florianopolis City Hall, a project aimed at practicing Mini-Tennis for children between seven and thirteen years, aiming at a pedagogical movement of viez superador in order to contribute critically with the integral development of the child, in what we propose as a learning of transforming character, in which we obtain expressive results that corroborated with the effectiveness of the offered project.
LISTA DE FIGURAS Figura 1 ...37 Figura 2 ... ..37 Figura 3 ... 38 Figura 4 ... 38 Figura 5 ... 39 Figura 6 ... 39 Figura 7 ... ..40 Figura 8 ... ..41 Figura 9 ... 41 Figura 10 ... ..42 Figura 11 ... 42 Figura 12 ... ..43 Figura 13 ... ..43 Figura 14 ... 44 Figura 15 ... 44 Figura 16 ... 45
EF Educação Física
EFE Educação Física Escolar
CCFV Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos de Crianças – Tapera. UFSC Universidade Federal de Santa Catarina
SUMÁRIO INTRODUÇÃO ... 12 CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA ... 13 1. JUSTIFICATIVA ... 16 2. OBJETIVOS ... 18 2.1 OBJETIVO GERAL ... 18 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 18 3. METODOLOGIA ... 19 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ... 19
3.2 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ... 20
3.3 PROCEDIMENTO DE COLETA ... 20
3.4 ANALISE DE CONTEÚDOS ....... 21
3.5 ANALISE DE DADOS ...... 22
3.6 AVALIAÇÃO DO PROCESSO ...... 22
4. MINI TÊNIS - REVISÃO DE LITERATURA ...... 24
4.1 A EDUCAÇÃO FISICA ESCOLAR BRASILEIRA ...... 25
4.2 AS ABORDAGENS DA EDUCAÇÃO FISICA ..... 27
4.3 PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ....... 28
4.4 PRÁTICAS CORPORAIS MIN-TÊNIS ....... 28
5. RESULTADOS ....... 30
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......34
7. ANEXO ..... 35
8. FOTOS ...... 37
INTRODUÇÃO
Encontramos na EFE um grande repertório de temas a serem explorados nas pesquisas e estudos, a exemplo de algumas modalidades de jogos que trazem aplicações por vezes pouco conhecidas do público estudantil, em especial nas primeiras séries. Oliveira (1997, p. 21) salienta que, “o ensino vem, historicamente, organizando meios e formas metodológicas que sejam colocadas em prática para o atendimento das exigências que o permeiam”.
Buscamos então no Mini Tenis a possibilidade de uma prática desportiva com conteúdos procedimentais que possibilitem o desenvolvimento do aluno alinhado à valorização histórica do seu movimento corporal e seus elementos, visamos ainda, estimular a reflexão atitudinal atrelada a sua inclusão nos espaços a que a ele, e os demais pertençam. Esse projeto é resultado de uma provocação feita pelo Professor Doutor da cadeira de Tênis de Campo da UFSC, Adilson Monte, que nos estimulou a pesquisar e entender o Mini Tênis como mais uma possibilidade de enriquecimento nos saberes escolar através de conteúdos motivacionais e intelectuais.
[...] um conteúdo que possibilitará ao aluno refletir a respeito do mundo em que vive, tendo condições de elaborar uma reflexão articulada sobre as determinações econômicas, políticas, sociais e pedagógicas relacionadas ao seu desenvolvimento humano e que delimitam sua apropriação da cultura corporal em geral, e do Esporte em específico. Libâneo (1994, p. 52):
O Mini-Tênis é um jogo de apelo ativo que se pode desenvolver em diversas formas de ação dentro da escola, sendo uma variante do Tênis de Campo nos remete a impressão de que seria um jogo segregacionista, no entanto sua prática está longe disso, pois permite ser jogado em qualquer tipo de espaço, desde que a superfície seja plana, como quadras poliesportiva, áreas ao ar livre de grama, terra, pisos sintéticos de madeira, pátios ou até mesmo em ambientes com espaço limitados, como salas de aula (em dias de chuva, por exemplo), bem como seus equipamentos podem oferecer outros tipos de opções de jogos. As regras do Tenis de Campos emprestam à pratica do Mini-Tênis os principios vinculados que norteiam a educação fisica no ensino fundamental - Principio da inclusão e Principio da diversidade - O Mini-Tênis apresenta todas as características, e aspectos corporais positivos do movimento e desenvolvimento físico, psicológico e social dos alunos.
13
Na questão da pesquisa bibliográfica, ela se debruça sobre uma proposta Crítico-Superadora, objetivando o desenvolvimento do sujeito com possibilidades de um papel reflexivo e ativo na sua relação com o objeto do conhecimento e na construção de suas representações da realidade, “A escola é erigida, pois, no grande instrumento para converter súditos em cidadãos. (SAVIANI, 1991. p. 18)”.
Vemos que a relação histórica sobre o movimento corporal e corporeidade podem ser entendidos como um marcador temporal da classe social, procurou-se compreender então se a EFE, ao se apropriar dessas inteirações, movimento e corporiedade, poderia ser facilitadora do acesso ao Mini-Tênis, principalmente no ensino fundamental para exploração das suas possibilidades ampliando conhecimentos e provocando questionamentos entre os alunos..
Encontramos então no Mini-Tênis, a possibilidade de estimular o aluno a abandonar o processo de aprendizagem passiva, criando, interagindo e apoderando-se do jogo dentro do potencial das suas possibilidades. Não se trata de uma prática esportiva excludente que limita o jogo em razão das intempéries, do espaço ou do numero de jogadores, pelo contrário, trata-se de uma prática esportiva que apretrata-senta poucos obstáculos para sua execução como um jogo ou uma brincadeira; Ferraz e Knijnik (2007) propõem que: “ o Tênis de Campo não é mais um esporte de elite, sendo praticado hoje em toda parte, seja em quadras oficias ou através da adaptação dos espaços disponíveis.”. Podemos constatar nessas pesquisas uma afinidade de abordagens que a prática do Mini-Tênis pode se identificar, principalmente dentro de uma proposta lúdica para o ensino fundamental. Sua flexibilidade de adaptação a pequenos espaços abre outras possibilidades para criar mais opções de jogos ou brincadeiras com os equipamentos que possui. A criatividade entre professor e aluno, passa a ter significado no pensar e no fazer a brincadeira ou o jogo. (GONZÁLEZ; FENSTERSEIFERA, 2009), abre espaço para essa interpretação: “busca-se uma ruptura com a tradição do que podemos denominar de o “exercitar para”, que colocou na EFE a necessidade de reinventar o seu espaço, agora com o caráter de uma disciplina escolar”.
CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA
Conforme Bracht (1992) - “A EF não é algo concreto, ela é construída diariamente em nossas atividades”. Para nós ela se apresenta em um vasto campo de temas, muitos ainda a serem explorados em pesquisas e estudos com aplicações que deveriam trazer reflexões e questionamentos aos alunos. O contato com realidade fora do ambiente acadêmico por intermédio do Projeto voluntário - apresentado ao CCFV, nos apresentou uma busca
dentro de uma abordagem a ser proposta atraves da transformação do sujeito passivo diante das problematizações, identificamos assim, uma possibilidade de ação para articular com o tema que nos levou a uma reflexão sobre conceitos antigos tensionado ás novas teorias; a tensão entre a tradição e o progressismo, geram um movimento nos velhos paradigmas - uma metáfora,” ... como velhas folhas que caem das árvores e são repostas por folhas novas novas,” assim são os caminhos do conhecimento transformador buscando sempre um aprofundamento dentro desse conhecimento. Essa busca academica trouxe uma oportunidade de na provocação de novos movimentos a serem explorados com as brincadeiras ou com o jogo do Mini-Tênis. A EFE tem progredido a ponto de mostrar que não basta para o homem apenas o pular, o correr, o jogar, etc... Sua corporeidade, no entendimento que responde pela mecânica de seu movimento, necessita estar em sintonia com o todo do ser humano, ela não se limita apenas ao mecanismo do corpo físico, temos o subjetivo “conversando” com o cognitivo de maneira a perceber e interpretar as os fenomenos, a si mesmo e ao mundo. Historicamente o todo responde ao meio onde se encontra inserido. Esse corpo deve ser compreendido no contexto de sua complexidade para não permanecer acomodado ou incomodado dentro de “ilhas sociais” . Essa reflexão nos conduziu a uma revisão histórica da Educação Física no Brasil para entendermos seus rumos e tendencias partir de sua inclusão nas escolas. Cremos que dentro da instituição escola como a entendemos, desenvolveu-se um processo histórico, material, dialético nas interpretações, compreensões e resoluções dos conflitos, o olhar dentro de uma perspectiva superadora através de suas metodologias fundamentadas, nos ofereceu uma ação voltada para a ressignificação qualitativa do sujeito, no entanto, sem despresar o perfil quantitativo que a aptidão física pede. Buscou-se nas metodologias aquelas que contemplem uma dimensão humanista, histórica, cultural e social com vistas a preparação dos sujeitos para a sua plena cidadania.
(...) no contexto da Educação Física, o século passado presenciou, nas sociedades ocidentais, a consolidação da Educação Física na escola pautada no conhecimento médico-biológico e orientada pela ideia de que sua função principal era a promoção da saúde, articulada discursivamente como uma ideia genérica de educação integral do homem no sentido do desenvolvimento de todas as suas potencialidades. (BRACHT; GONZÁLEZ, 2005, p. 9-24).
Oliveira (1997, p. 22), salienta que: “o ensino vem, historicamente organizando meios e formas metodológicas que sejam colocadas em prática para o atendimento das exigências que o permeiam”. Levando-se em conta que essas exigências sejam a melhora do aluno como indivíduo, visando a construção de um cidadão crítico, emponderado de sua autonomia,
15
construindo a busca constante de respostas diante dos problemas, procuramos uma ação didática, através da pesquisa do Mini-Tênis, como uma indicação que possibilite esse processo.
A articulação de pluralidades e vivencias no ensino cotidiano, entre professor/aluno, ou pais/filhos, historicamente pede uma aprendizagem que flua para um ponto comum abrindo espaço para que essa pluralidade possa ser incluída às práticas dos diferentes jogos ou brincadeiras em suas evoluções históricas. Buscamos caminhos onde a corporeidade em seu movimento mais amplo possa trazer à conscientização dos sujeitos para que eles identifiquem diferenças, potencialidades, criatividades e limitações, associadas aos elementos fundamentais já conhecidos da Educação Física tais como: arremessos, deslocamentos, passes, fintas, receber e rebater, etc... ações encontradas dentro Mini-Tênis, associadas ao estimulo da cordialidade e da justiça, facilitando essa compreensão conforme perspectiva dos autores De Souza; Junior; (2009)
Por meio do esporte, o indivíduo pode melhorar a qualidade de vida, exercer o convívio social, ampliar as relações de amizade, vivenciar o trabalho em equipe, gerar resoluções de problemas na prática de jogos, desenvolver condutas esportivas apropriadas por meio do jogo e o respeito às regras, assumir papeis de liderança e experimentar o prazer e o divertimento (DE SOUZA; JUNIOR, 2009, p. 2).
1. JUSTIFICATIVA
O homem primitivo em seu movimento, se identificou socialmente, formou aldeias para sobreviver e se fortalecer, transformou-se em guerreiro de corpos rígidos para a guerra; corpos higienizados e saudável para o trabalho; corpos perfeitos para a arte, corpos mecânicos para o esporte, e por fim passa a ser compreentendido como corpo integral.
(...) no contexto da Educação Física, o século passado presenciou, nas sociedades ocidentais, a consolidação da Educação Física na escola pautada no conhecimento médico-biológico e orientada pela ideia de que sua função principal era a promoção da saúde, articulada discursivamente como uma ideia genérica de educação integral do homem no sentido do desenvolvimento de todas as suas potencialidades. (BRACHT; GONZÁLEZ, 2005, p. 9-24).
Historicamente existe uma evolução natural nos aprendizados, seguindo esse raciocínio, entendemos que a EFE contemple muito mais do que apenas o preencher o espaço do movimento corporal na vida do aluno dentro da escola. O impacto dos propósitos de inclusão social permeiam os valores libertadores e superadores, de maneira que a historicidade persista na continuidade de busca da evolução do ser humano na sua integralidade. Bourdieu 1982, p.367, diz que, “a escola e seu método de ensino asseguram a continuidade dos privilégios culturais ao reproduzir as relações de classes presentes na sociedade”. O Professor Doutor Amauri de Oliveira, do Departamento de Educação Física Universidade Estadual de Maringá, publicou um ensaio intitulado “Analisando a prática pedagógica da Educação Física, onde apresenta reflexões sobre a situação da EFE , pontuando a necessidade de mudanças, busca por novos conteúdos, revisão das estratégias metodológicas bem como o resgate do docente desmotivado.
No ensino fundamental, Oliveira (1997, p. 22), salienta que: “o ensino vem, historicamente organizando meios e formas metodológicas que sejam colocadas em prática para o atendimento das exigências que o permeiam”. Levando-se em conta que essas exigências sejam a melhora do aluno como indivíduo, visando a construção de um cidadão crítico, ciente de sua autonomia em constante busca de respostas diante das problematizações, nos sentimos naturalmente agregados a esse processo, De Souza; Junior; (2009)
17
Por meio do esporte, o indivíduo pode melhorar a qualidade de vida, exercer o convívio social, ampliar as relações de amizade, vivenciar o trabalho em equipe, gerar resoluções de problemas na prática de jogos, desenvolver condutas esportivas apropriadas por meio do jogo e o respeito às regras, assumir papeis de liderança e experimentar o prazer e o divertimento (DE SOUZA; JUNIOR, 2009, p. 2).
Existiu uma motivação pessoal gerada por uma oportunidade de intervenção na EFE através desse projeto, cujo foco foi o de analisar por meio de pesquisas acadêmicas e aplicar através dos conceitos estabelecidos do brincar e do jogar, um momento de incentivo para que os alunos se familiarizassem e explorassem o tema Mini-Tênis, como mais uma ferramenta de auxílio pedagógico do professor de EF,
Crespo (1999), afirma que os professores de educação física são capazes de levar conhecimentos gerais sobre a educação física de base, pois contam com conhecimentos acadêmicos de biomecânica, didática, pedagogia, organização social grupal, que se convertem a ser o candidato ideal para a difusão e desenvolvimento do tênis na versão escolar, mini tênis.
2. OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
Analisar as possibilidades científicas das atuais praticas esportivas do Mini-Tênis para elaboração de um Projeto de proposta de ensino nas aulas de EFE como um método didático transformador dos sujeitos envolvidos nele.
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Verificar como as produções cientificas relacionam o Mini-tênis com as abordagens metodológicas da EFE.
Identificar como as produções científicas abordam o Mini-Tênis como possibilidade de ensino na EFE.
Relacionar as particularidades do Mini-tênis como uma pratica laboratorial em um ambiente escolar.
19
3. METODOLOGIA
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
Bibliográfica
Houve busca e pesquisa de dados relacionados ao Mini-Tênis como um esporte voltado para a Educação escolar; bem como pesquisou-se Métodos pedadógicos que dessem sustensaçãoao projeto, com utilização de livros, revistas, artigos acadêmicos, teses entre outros materiais já publicados.
Participativa Com a interação do pesquisador fazendo intervenções diretamente na escola fundamentado pelo projeto..
Natureza aplicada - Procuramos gerar conhecimentos na solução de problemas em pesquisas especificas voltadas a Educação escolar e ao jogo Mini- Tênis.
Abordagem Teorica ímpirica - Alinhando-se a teoria a prática dentro do tema pesquisado. Classificamos como pesquisa:
Qualitativa
Buscamos uma dimensão humanista, histórica, cultural e social através da EFE trazendo para dentro da escola mais uma possibilidade de aprendizado junto ao brincar e jogar. Alves e Bianchin (2010, p. 287), “[...] então objetiva-se através do aspecto lúdico o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança”, a atuação lúdica, quase que intuitiva dos saberes através de jogos e brinquedos facilita a compreensão daquilo que se pretende.
Quantitativa
Utilizou-se de números para mensurar e traduzir em mensagens construídas junto a análise de indicadores cinemáticos, a elaboraração de uma matriz de avaliação de dados biométricos e de motricidade dos alunos.
Exploratória
No estudo da simetria corporal e seu desenvolvimento, na intelectualidade e cognições, buscamos referências a níveis de inteligências diferenciadas. Alves e Bianchin (2010, p. 287), “[...] então objetiva-se através do aspecto lúdico o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança”. O brincar e o jogo na escola podem ser um método poderoso de
transformação, e segue ainda Alves e Bianchin, “Jogando, a criança experimenta, inventa, descobre, aprende e confere habilidades, sua inteligência e sua sensibilidade estão sendo desenvolvidas.” Vimos que a ludicidade conforme se apresenta, aparenta ser um caminho mais receptivo dos níveis de inteligência. . Lincamos a Teoria das Inteligências Múltiplas, Gardner (1995a, 1995b) divulgada no Brasil, por Antunes (1998a e 1998b, p. 83, onde propõe que a vida humana requer o desenvolvimento de vários tipos de inteligências.
“[...] torna-se uma importante justificativa para a utilização do jogo no contexto educacional, tendo em vista a posição dos autores que concebem a escola como espaço privilegiado para o desenvolvimento de todas as competências das crianças e a urgência de se estabelecer no contexto educacional, uma relação simétrica entre atividades intelectuais e atividades corporais.”
Citamos Rubens Alves, em Cenas da Vida "As inteligências dormem. Inúteis são todas as tentativas de acordá-las por meio da força e das ameaças. As inteligências só entendem os argumentos do desejo: elas são ferramentas e brinquedos do desejo". Panisset conclui que “Não existe nenhuma receita para a educação das inteligências múltiplas”.
3.2 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
A como instrumentos de coleta de dados acessamos fontes documentais através de livros, textos acadêmicos, cadernos e revistas para orientação didática pedagógica na pratica do Mini-Tenis nas escolas. Outros textos também nos forneceram dados para aferição da antopemetria do aluno.
3.3 PROCEDIMENTO DE COLETA
O procedimento foi elaborado em duas linhas de ação:
- Pesquisa documental de orientação didática pedagógica na pratica do Mini-Tenis na escola.
21
3.4 ANALISE DE CONTEÚDOS
Os conteúdos analizados proporcionaram uma maior familiaridade com os alunos de maneira a tornar mais fácil a leitura e a construção de hipóteses viáveis para oferecer dentro das tarefas do brincar e do jogar o Mini-Tênis. Nosso objetivo, passa pela validação de ideias ou descobertas para expandir o potencial das relações cognitivas, afetivas e físicas dos alunos diante do jogo (enquanto brincadeira), tentou-se obter uma resposta positiva a essas intervenções. Considerando os mais variados aspectos relativos a pesquisa, questionamos por analise de problemáticas apresentadas a eles, a possibilidade de ampliar a leitura e a significação dos jogos e brincadeiras cujo conteúdos didáticos e pedagógicos, nos apresentou um caminho associando a pratica corporal com desenvolvimento superador do aluno.
Referente ao Mini-Tênis, a literatura acadêmica oferta um viés específico de grande apelo Desenvolvimentista, relacionado a aptidão física e ao desenvolvimento motor do indivíduo, focando no aperfeiçoamento das habilidades motoras em acordo com a faixa etária em que os alunos se encontram. Existe uma visão tradicionalista voltada à busca de “novos talentos”, conforme
No sentido de popularizar o tênis nas escolas, a (ITF, 2008) O mini-tênis é ideal para ensinar o mini-tênis nos colégios, é um elemento chave para popularizar o tênis em todo o mundo em nível de base, oferece uma oportunidade para atrair novos participantes e descobrir novos talentos, serve como introdução ao tênis em todas as idades, as habilidades utilizadas no futuro podem ser aprendidas no mini-tênis e transferidas para a quadra grande”.
No entanto, os conteúdos ofertados aos alunos, não ignora o potencial da aptidão física ou competitiva de cada um deles, desde que a competição não tenha caráter de exclusão. As pesquisas debruçam-se principalmente sobre os valores de ascensão coletiva, no entanto, sempre haverá um praticante naturalmente diferenciado dos demais e isso não quer dizer que esse praticante deverá ser colocado em uma espécie de “geladeira”, afinal, na inclusão dos excluídos, deve-se articular a favor do indivíduo e em benefício do grupo.
3.5 ANALISE DE DADOS
As análises apresentaram indicadores qualitativos e quantitativos expressivos dentro de uma perspectiva Humanística fundamentada em produções acadêmicas que se relacionem ao tema Mini-Tênis na escola.
Na aferição do desenvolvimento motor dos alunos, constatamos através da Cinemática do salto horizontal de crianças, um perfil de evolução já esperada para os ângulos intersegmentares nos diferentes segmentos corporais dos alunos relacionado aos dados da anamnese, os resultados cruzados obtidos nos mostraram uma linha de maturação dentro dos padrões razoáveis, conforme a tabela de CARDOSO DA SILVA para que pudéssemos aplicar as atividades aos alunos . No inicio das tarefas foi observado em alguns alunos, em especial aqueles abaixo de 11 anos, uma certa dificuldade na motricidade fina nas habilidades motoras de circuito aberto, essa é uma das competências a ser desenvolvida desde tenra idade. Na anamenese, e nos índices antropométricos, inicialmente, encontramos uma variação já esperada também, relacionada ao perfil sócio-economico dos alunos. Levando-se em conta o pequeno numero da nossa amostra da população do Projeto, ao fazermos a leitura da Tabela por massa corporal, idade e sexo, destacaram-se três grupos em questão:
grupo 1 - abaixo do peso - grupo 2 - peso normal - grupo 3 - acima do peso;
Os grupos 2 e 3 formaram maioria em detrimento do grupo 1 que apresentou números abaixo do esperado relacionado a massa corporal, idade e altura. Ao final desse primeiro semestre, foi possível observar uma mudança qualitativa no grupo, os alunos apresentaram um avanço nas suas habilidades motoras de circuito aberto, em especial naqueles alunos acima dos 11 anos; outra mudança observada também se refere ao comportamento afetivo desses alunos dentro das atividades da aula de EF relativo ao a ética e ao respeito, extendendo-se para outros espaços de relacionamento dentro da escola, conforme percebido pelos demais professores com a valorização espontânea do signo representativo da palavra – fairplay – que passou a ser entendido e utilizado em outras atividades daquele Centro de Convivência. .
3.6 AVALIAÇÃO DO PROCESSO
Acreditamos que através de uma intervenção transformadora obtivemos éxito em fortalecer a prática da brincadeira e do jogo relacionando a saúde e a interação social através
23
da dialética histórica do professor e do aluno com a intenção de integrar o sujeito a sua essência de cidadão com seus valores e prerrogativas. Nos pareceu termos alcançado bons resultados, provocando aqueles alunos a se localizarem como cidadãos e pensarem criticamente. Não objetivamos à prática revolucionária da competição, mas sim a prática crítica e transformadora visando a superação do sujeito através dos pensares e resoluções das problematizações, construindo um movimento ascendente de conhecimento, bem como criar e agir coletivamente com respeito, cordialidade e justiça, orientando-se pela troca desses conhecimentos, questionando e questionando-se, sobre direitos e espaços a serem preenchidos em todos os seguimentos sociais.
4. MINI-TÊNIS - REVISÃO DE LITERATURA
É um esporte pouco difundido no Brasil, contudo, não é algo recente, Hustlar (1989) afirma que Houba e Van Der Meer realizaram uma demonstração do Jogo de Tênis "em dimensões reduzidas" na Checoslovaquia em 1955. Aos poucos foi se difundindo na Europa e passou a ser conhecido a nível mundial no final da década de 70; em Hustlar(1989) “El mini-tenis no es algo recinte.”
A Grã-Bretanha, em 1980, criou-se um evento esportivo e a partir de 1982 foi criado o Programa Nacional de Mini-Tênis. Ao pesquisar sobre a história do Tenis de Campo para relacioná-lo a pratica do Mini-Tênis dentro da escola como uma ferramenta pedagógica, buscou-se caminhos para uma prática aplicada a uma didática abrangente e lúdica.
No Brasil por volta de 1942 se praticava uma versão (semelhante) do Mini-Tênis na cidade de São Vicente em Santos, onde existia um clube de Tênis de Campo. Como as quadras estavam sempre lotadas os grupos excedentes se dirigiam a praia próxima, marcavam as linhas de uma quadra de menores dimensões na areia, providenciavam uma pequena rede divisória do campo e jogavam; aqui no Brasil esse jogo teve o seu auge na década de 1980 impulsionado por vários campeonatos.
O Mini-Tenis é uma modalidade derivada do Tenis de Campo, esse segundo, praticado com duas ou quatro raquetes, uma bolinha, uma quadra demarcada em formato retangular coposta de outras linhas (de grandes proporções). Ao pesquisar dados sobre o Mini-Tênis ou Tênis de Campo na área escolar, nos deparamos com uma escases de estudos no idioma português, acreditamos que o Tenis de Campo, por tratar-se de um jogo cujas raízes históricas europeias remontam a um passado histórico burgues, ele apresenta um viez que orbita dentro do sistema seletista tradicionalista no método de aprendizagem. Contudo, buscamos nessa revisão de literatura, espaços onde o Mini-Tênis possa ser conduzido através de métodos pedagógicos de ensino de maneira que possamos nos localizar dentro do projeto proposto, abrindo novos espaços sociais na sua aplicação.
O Mini-Tênis oferece certas facilidades, pode ser jogado em uma quadra de proporções menores do que a quadra oficial do Tenis de Campo, utiliza-se uma rede de altura normal porém mais curta, é jogado com uma bola mais lenta (soft bol), duas raquetes de menores dimensões da raquete oficial do Tênis de Campo e segue as regras normais desse jogo.
25
A partir de Miguel Crespo Celda, Profesor de Tênis de la Escuela Nacional de Maestría de Tênis de la Real Federación Española de Tenis, apresentou o Mini-Tenis, como uma prática desportiva considerada nova:
A partir de su popularización, la utilización del mini-tenis en programas de promoción del tênis a todos los niveles se ha visto incrementada de forma muy considerable. No entanto, afirma Miguel Crespo: “El mini-tenis viene a romper esa dinámica de forma que puede facilitar una psicomotricidad general del niño en relación a una actividad que pose e todas las características del tênis reglamentario. O Mini Tênis apresenta características de desenvolvimento físico semelhante ao Tênis de Campo, podemos ter dentro de um jogo um trabalho aeróbio, conforme o tempo jogado, bem como um trabalho de explosão, anairóbio, em função aos saques e mudanças radicais de sentido e direção (BERGERON et al. 1991).
Segundo pesquisadores, através do Mini-Tênis podemos obter , velocidade, agilidade, força, coordenação motora, reflexos, cognição. além de desenvolvimento social e qualidade de vida, confiança e auto-estima entre outros ganhos. Acreditamos que o Mini-Tênis nos ofereça uma possibilidade de pesquisa como método para auxiliar o professor no desenvolvimento do seu conteúdo disciplinar; não priorizamos o processo de busca de talentos no meio escolar, não pontuamos esse estudo à essa busca, no entanto, não se ignorou essa possibilidade respeitando a potencialidade de cada aluno. Para uma adequação da atividade, referenciou-se dentro da Taxonomia de Bloom do Domínio Cognitivo, BLOOM, B. S. et al. p. 198, uma indicação de como aplicar a didática no jogo de Mini-Tênis, qual seja, avançar de maneira simples e compreensiva evitando-se inicialmente a atividade meio
“(...) do mais simples ao mais complexo – e isso significa que, para adquirir uma nova habilidade pertencente ao próximo nível, o aluno deve ter dominado e adquirido a habilidade do nível anterior. – 424 Ferraz & Belhot Gest. Prod., São
Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010 “
. A orientação é de que se inicie de uma ação simples, com uma estrutura em níveis de complexidade crescente; pode-se aplicar ainda a esse método, o conceito da Navalha de Occan, Willyans Maciel, Mestre em filosofia (UFPR, 2013), que sugere que as explicações mais simples - são sempre as “verdadeiras” – ( ou entendidas), daquilo que se propõe, indo de encontro a um dos pilares da estrutura educacional cujo avanço paulatino e constante é indicado a seguir do – mais simples para o mais complexo - nessa ordem.
4.1 A EDUCAÇÃO FISICA ESCOLAR BRASILEIRA
UMA RESSIGNIFICAÇÃO CORPORAL
Foi implantada oficialmente no Brasil a partir de 1854 quando é referida pela primeira vez, como ginástica; no século XX, até a década dos anos 1950 a Educação Física escolar sofreu influencias de correntes de pensamentos filosóficos, tendência políticas, científicas e pedagógicas. A Educação Física Escolar passa por diversas mudanças em seus paradigmas durante sua trajetória no Brasil e entender esses processos é importante para que se construa uma linha de pesquisa na EF com um conteúdo progressista. No decorrer de seu histórico no meio acadêmico, o corpo passa a ser entendido como algo mais complexo do que meramente uma peça mecanicista, pois responde aos estudos da história da filosofia, da antropologia, da psicologia da aprendizagem etc. Nas perspectivas críticas das concepções e na ressignificação humana do corpo em relação a sua dialética histórica, relacionamos aos seus usos e significados, a pesquisa encontrada dentro da literatura como uma possibilidade lógica e fundamentada que possa oferecer uma abordagem dentro do atual contexto de corporeidade, de maneira que nosso diapasão vibre na mesma frequência a que se segue à evolução da EFE, afinal, segundo Bracht, são muitos os questionamentos:
(...) do ponto de vista educativo, o que tem significado a educação “corporal”“? Que tipo de educação “corporal” a escola e a educação física vêm realizando? Por que surge o interesse pela educação “corporal” (também na escola) e quais suas determinações sócio-históricas? (BRACHT, 1999, p. 45).
Santin (1994, p. 13) constata um movimento positivista no uso da razão nas dimensões humanas: “O humano do homem ficou enclausurado nos limites da racionalidade. Ser racional e ter o uso da razão constituíram-se nos únicos pressupostos para assegurar os plenos direitos de pertencer à humanidade.” Para Veiga Neto (1996, p. 161), se existe alguma culpa na ciência ou na racionalidade moderna, ela se situa na divisão entre res extensa e res cogitans, (expressões utilizadas pelo filósofo francês Descartes (1596-1650) para designar, respectivamente, a matéria ou o corpo (“coisa extensa”) e o espírito ou a mente (“eu pensante” ou “coisa pensante”), pois essa separação fundamentou o nosso afastamento em relação ao resto do mundo. A ciência não atribuía papel importante para a construção de uma prática emancipatória, como também não desenhava nenhum movimento de subversão em sentido a emancipação humana. As necessidades de produção a partir do iluminismo e da Era Moderna, foi pensado em: o (Corpo produtivo), do trabalhador; o (Corpo “saudável) das
27
necessidades sanitárias, o (Corpo deserotizado) das necessidades morais; o (Corpo dócil) das necessidades de adaptação e controle social.
Historicamente a evolução da EF no Brasil, na sua origem médica/higienista, exerceram uma prática pedagógica de forte influência na instituição escolar emergente dos séculos XVIII, XIX e XX. No final do século XIX, os estudos foram se aprofundando fundamentalmente nas ciências biológicas, sendo o corpo aqui igualado a uma estrutura mecânica – a visão mecanicista do mundo é aplicada ao corpo e ao seu funcionamento. Paulatinamente no século XX, saímos de um controle de repressão com enfoque biológico, para um controle via estimulação, enaltecimento do prazer corporal com enfoque psicológico. Muitos estudos citam a década de 1960 (Cortine 1996; Le Breton 1995) “[...]como o momento mais importante dessa inflexão.” (Cadernos Cedes, ano XIX, nº 48, Agosto/99 p. 72, 73).
4.2 AS ABORDAGENS DA EDUCAÇÃO FISICA
Das diversas abordagens pesquisadas, ancoramos nossa fundamentação na linha da criticidade como um meio de questionamento para avaliar o ensino e a aprendizagem dentro de um contexto de Aulas Abertas nas diferentes maneiras de desenvolvimento do indivíduo através dos seus pensares relacionados as suas correlações e os princípios que norteiam a EFE no ensino fundamental, como: Principio da inclusão, que não especifica o publico, é a inclusão das diferenças na cultura corporal de movimento; e o Principio da diversidade, participante da construção de processos de ensino e aprendizagem, visando ampliar as relações entre os conhecimentos da cultura corporal e do movimento dos sujeitos.
Encontramos convergências em outras tantas abordagens que não poderia-mos deixar de levar em conta quanto aos seus aspectos inclusivos, pois se apresentam dentro do espectro social de emancipação do sujeito ; contudo, nos identificamos mais à míude com a abordagem Crítico Superadora, apresentada no coletivo de autores. Entendemos alí uma opção de fácil construção com possibilidade de propor através do Mini-Tênis, onde os elementos da cultura do movimento possa desenvolver nos alunos a capacidade de analisar e agir criticamente. Bracht aponta que os argumentos que legitimavam a EF na escola sob o prisma conservador, aptidão física e esportiva, não se sustentam isoladas numa perspectiva progressista da EFE.
4.3 PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA
As linhas de atuação pedagógicas na área da Educação Física Escolar sofreram criticas em momentos que se sucederam a um viés cientificista ou do paradigma da aptidão física. Entre os anos 70 e 80, a influência da universidade nas ciências humanas, como a sociologia e a filosofia da educação, provocaram uma problematização dos seus paradigmas; identificamos então uma orientação dentro da abordagem critica superadora na tentativa em estimular no sujeito seu potencial junto as possibilidades aparentemente distantes, vivenciando e desenvolvendo sua leitura de mundo, entendendo o aspecto social como uma inteiração do físico e do cognitivo e para efeito da proposta. Ofertaremos ao cidadão enquanto criança, o brincar e o jogo como ponte de acesso as veredas distantes de seu olhar de maneira a conduzi-lo a superação através de sua conscientização de cidadão crítico.
4.4 PRÁTICAS CORPORAIS MIN-TÊNIS
Joaquim Martins Junior, Professor, Doutor do curso de Educação Física do Centro Universitário de Maringá – CESUMAR, Maringá – PR. Apresenta uma proposta para os alunos vivenciarem diferentes práticas corporais oriundas das mais diversas manifestações culturais e das mais variadas combinações de influências presentes na vida cotidiana dos indivíduos, entre as propostas, ele coloca o Tênis de Campo como uma escolha ideal para ofertar as crianças nas escolas como um elemento chave para popularizar o tênis, contudo essa proposta acena à uma raiz de abordagem tecnicista, pois seu foco é a formação de base ou iniciação ao esporte, diz ele: “(...) podendo proporcionar uma fonte excelente para identificação de talentos”.
Encontramos no trabalho de Geovane Krüger, Acadêmico do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina, uma possibilidade de ação na pratica do Tênis de Campo na figura do Mini-Tênis na Educação Física Escolar; : “(...) é possível trabalhar o tênis de campo nas escolas, mas é preciso rever a forma como o mesmo deve ser trabalhado, desenvolver novos meios e técnicas” Nesta perspectiva, autores como Alexander e Luckmann (2001) e Balbinotti (2009) referem que:
“Por meio do esporte, o indivíduo pode melhorar a qualidade de vida, exercer o convívio social, ampliar as relações de amizade, vivenciar o trabalho em equipe, gerar resoluções de problemas na prática de jogos, desenvolver condutas esportivas apropriadas por meio do jogo e o respeito às regras. Assumir papéis de liderança e experimentar o prazer e o divertimento”
29
Contudo ele pontua que a prática do Mini Tênis, considerada pouco usual no âmbito escolar, provavelmente seja pela falta de materiais e espaço para sua prática, não estaria alinhada à realidade das escolas públicas.
Encontramos ainda na monografia do professor Douglas Dalsenter, indicações de que a pratica do Mini-Tenis, segundo ele, Ao mesmo tempo que trabalhe todos os aspectos motores necessários para um desenvolvimento completo do aluno, ajuda em questões que quase nenhum esporte se vê mais, o fair-play. Isso faz com que o aluno aprenda a respeitar o adversário e faça um jogo honesto, sem tentar tirar vantagem de situações adversas para se beneficiar e sair vitorioso; ele ainda afirma que, “ Uma das características que mais viabilizam a propagação do mini tênis nas escolas, é sua fácil aplicabilidade, pois os materiais são de fácil acesso, uma vez que podem ser construídos pelos próprios alunos, e não precisa de um espaço ideal, basta um espaço plano e sem obstáculos.”
“o mini tênis é uma ferramenta extremamente relevante para ensino na escola, pois leva em conta todos os aspectos cognitivos e motores do tênis convencional, tornando assim uma possibilidade essencial para a modalidade dentro da escola” DALCENTER, MINI-TÊNIS: Uma possibilidade alternativa para o ensino do Tênis de Campo nas Escolas
O professor Fernando Pereira Candido da Instituição de Ensino Superior da Universidade Estadual de Londrina, apresenta uma intervenção visando desenvolver o Tênis de Campo como um conteúdo da EF, possibilitando ao aluno refletir a respeito do mundo em que vive, sobre as determinações econômicas, políticas, sociais e biológicas decisivas na sua apropriação da cultura corporal através do esporte e dos jogos relacionados ao movimento humano. A busca de uma reflexão sobre as diferentes classes sociais, as diferenças entre quem joga na escolinha de tênis de campo com material adequado e oficial, de quem joga o tênis de campo com os materiais adaptados, muitas vezes construidos pelos próprios alunos, faz um chamamento onde as concepções políticas para a educação passa a ser um obstáculo a ser superado.
A aplicação do Mini-Tênis como uma prática lúdica, realizado com materiais adaptados naquelas escolas em que não tenha recursos, apresenta mais uma possibilidade de poder ampliar laços e troca de conhecimento, formamando meios de produção artesanal, fortalecendo laços sociais onde o professor possa instigar seus alunos a criarem opções com materiais reciclados e vivenciarem uma nova experiência no brincar e no jogar.
5. RESULTADOS
Esse Projeto fundamentou-se nos conhecimentos adquiridos no curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina, foi desenvolvido a partir de uma provocação e foi executado no Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos - Tapera da rede municipal de Florianópolis, com crianças de 6 a13 anos de idade; durante um semestre onde foram efetuadas 26 intervenções, com práticas desportivas todas as sextas-feiras, com a duração de quatro horas de intervenção distribuídas entre duas turmas, sendo oferecida duas horas pra cada turma, no horário das 08:00 às 10:00h e das 10:00h às 12:00 h.
Antes da intervenção propriamente dita, obtivemos conhecimento sobre o Projeto Político-Pedagógico daquele CCFV, encontramos alí, paridade com a nossa proposta de projeto e aquele PPP. Apresentamos uma abordagem sócio-economico-cultural de caráter crítico, com a intervenção do Mini-Tênis na Educação Escolar.
“...que o esporte não pode ser desconsiderado nos ambientes educacionais,
independentemente da etapa da Educação Básica, cabendo-lhes a tarefa de debatê-lo, de criticá-lo, de produzi-lo e de praticá-lo como elemento da cultura.” Bracht (2000) DESCRIÇÃO DO CENTRO - O CCFV, destina-se ao apoio de crianças entre 06 a 13 anos, em contra turno com as escolas do bairro; são oriundas de encaminhamenros de politicas públicas (PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Conselho Tutelar, CRASS - Centro de Referencia de Assistência Social, e outros), que visam sua proteção diante de sua condição de vulnerabilidade social, sejam elas de ordem econômica, por violência e negligencia, localiza-se à rua José Olimpio s/n no bairro Pedregal - Tapera, em Florianópolis. A edificação do CCFV possui uma área de terreno de aproximadamente 400 m2, seu predio possui uma área de 120m2, composta de uma cozinha, um refeitório, um grande salão, três salas de aula que servem para estudo, atividades culturais, pequena biblioteca, videoteca, brinquedoteca; uma pequena saleta serve de almoxarifado, uma sala da direção, dois banheiros (masc. e fem), área externa apresenta horta cuidada pelos próprios alunos, um espaço razoavel cimentado de aproximadamente 80 m2 para diversas atividades, em especial a EF, proximo da horta existe um pequeno parquinho onde os alunos construíram uma casinha de 2X2m de madeira. Procuramos registrar com fotos as as atividades de EF, maneira a criar um documento visual do planejamento e da intervenção pedagógica com auxílio das imagens. POSSIBILIDADES - No primeiro dia naquele CCFV, encaminhado pelo Educador Social Luiz Valentin Marcon, um dos responsáveis pela administração, conheci as instalações do prédio e da rotina dos alunos, professores e colaboradores, posteriormente fui
31
apresentado aos alunos como acadêmico de Educação Física da UFSC. Me apresentei ao grupo de 25 crianças cuja idade variava de 7 a 13 anos. Após perguntar o nome de cada um, expliquei a eles sobre meu objetivo ali, que seria apresentar uma modalidade de jogo pouco praticada nas escolas. Ao serem questionados sobre o Mini-Tênis, mostraram desconhecimento sobre o jogo, no entanto, alguns o relacionaram minimamente ao Tênis de Campo, mas que nenhum dos alunos haviam praticado esse tipo de modalidade esportiva. Ainda nesse primeiro encontro, convidei todos da sala de aula para nos dirigirmos ao pátio cimentado que fica ao lado do prédio onde as atividades de EF são executadas. Nos sentamos no chão em uma roda e iniciamos uma conversa sobre brincar e jogar; durante a conversa ofereci uma bolinha soft na roda, foi uma balançada geral, os alunos manifestaram uma grande euforia que interpremos como comportamento normal referente a novidade na EF deles, a primeira preocupação da aula passou pela conscientização de respeito aos seus colegas e aos professores, nesse primeiro momento estipulamos uma orientação relacionada a questão da fala de cada um; ação que foi reforçada durante todo Estágio da seguinte maneira: quando alguém quisesse questionar algo que levantasse a mão e na sua vez da fala, todos deveriam ouvir. Como primeira intervenção, aguardamos em silencio para retomar a conversa que só aconteceu uns 5 minutos após todos alunos tiverem contato com a bolinha soft. Reiniciamos o tema Mini-Tênis, “do que se trata e quais seus benefícios? Como se joga”. Foram estimulados a questionar sobre o esporte apresentado, talvez por inibição, houveram poucas perguntas.
Na segunda intervenção, auxiliado pelo Educador Social Luiz Valentin Marcon, nos dedicamos a fazer uma coleta de dados antropométrico de 10 alunos, tais como, peso/idade/altura, aferindo seus índices corporais; durante o processo de coleta, o Professor Marcon me ofertava dados discricionários (de maneira particular) sobre a situação social de cada aluno ; nesse mesmo dia filmamos todos os dez alunos para aferir grau de maturação através da Análise Biomecânica do Salto Horizontal. Na terceira intervenção montamos dois grupos de alunos, conforme a faixa de idades. A turma A de 7 a 9 anos; A turma B, de 10 à 13 anos. Cada turma acompanharia as atividades com duração de 2 horas; Turma B, das 08:00h às 10:00hs; Turma A, das 10:00h às 12:00 h. As aulas foram estruturadas em conversa/atividade/intervalo/volta-calma. Iniciamos as aulas práticas com as duas turmas reunidas, apresentamos o material, as raquetes, e as bolas, que em seguida foram entregues à eles e deixados à vontade para explorar as possibilidades de brincadeiras que imaginassem. No inicio todos apresentaram curiosidade quanto ao material, no entanto, se
identificaram mais com a bolinha soft, a textura, a leveza, a facilidade de manipulação, o fato de não machucar (se acertasse alguém) as atraiu.
Na segunda aula prática, com as turmas respeitando seus horários, a Turma B, (das 08:00h às 10:00h), iniciou as atividades com - Aulas Abertas - (... são aulas que se contrapõe uma mera reprodução de gestos por parte dos discentes. O ensino é parte do aluno, que se torna o elemento central no processo de ensino-aprendizagem), sem restrições ou orientações específicas. Curiosamente, os alunos passaram a manipular as bolinhas soft de maneira a explorar arremessos, precisão e equilíbrio, posteriormente virou queimada, e não demorou muito para que a brincadeira, naturalmente se transformasse em um jogo, uma partida de futebol com gol fechado, nesse momento entramos com nova intervenção, estabelecemos uma condição, que todos deveriam jogar, aqueles que não desejassem participar ativamente do jogo, poderia ajudar como gandula, bandeirinha ou juiz, enfim, onde todos participariam e após um tempo com o jogo em andamento, a bola soft foi trocada pela bola oficial de tênis, naturalmente, surgiu uma problematização, houve uma dificuldade maior de controle da bola e alguns passaram a pedir para chutar mais fraco porque estava machucando; Após o intervalo do 3º quarto da aula para irem ao banheiro ou beber água, fizemos o fechamento da aula com a Volta Calma como parte da didática. Nessa conversa de roda, os alunos foram provocados a pensar as problematizações que surgiram durante a prática da brincadeira ou do jogo, ficando em aberto espaço para manifestarem-se, no que rendeu uma boa conversa com eles, principalmente no tocante as “regras” que foram introduzindo para resolverem as questões surgidas durante a prática esportiva.
Com a turma “A” no horário seguinte ( das 10:00h às 12:00 h), o processo inicial também se deu pelas – Aulas Abertas – com a entrega das bolinhas soft para que elas explorassem. Praticamente tiveram o mesmo comportamento inicial dos maiores, a bolinha passou a ser arremessada de um lado para o outro, e mais tarde se transformou em uma espécie de queimada individual, contudo, não houve uma migração para o jogo de futebol, e aos poucos foram perdendo interesse em brincar; então entramos com a exploração da questão espacial para os menores; dentro de uma temática lúdica, os alunos eram provocados a quicar a bola no chão e pega-la apenas com uma das mãos, ou quicar as bolinhas com força para ver quem conseguia fazer ir mais alto, ou ficando de frente para o seu coleguinha, jogando a bolinha para ele, de maneira que a bola desse apenas uma quicada no chão e então o coleguinha tentasse pega-la, na realidade essa tarefa foi a que passou a motiva-los, a troca de bola com o seu parceiro, com apenas uma quicada e a tentativa de pega-la sem que a bola
33
caisse no chão. . Curiosamente, e diferentemente dos maiores, depois de algum tempo, os alunos da turma “A” pediram para usarem as raquetes, conforme eles tomavam consciência dos dois objetos; bolinha e raquete, oferecemos nova provocação com certo grau de dificuldade, pedindo aos alunos para brincar de equilibrar a bolinha no centro das raquete e aqueles que conseguisse, tentassem andar sem derrubar a bolinha. Apos o retorno do intervalo, na Volta a calma, com a turma A, fizemos a conversa de roda para saber se gostaram ou não da brincadeira, deixando esse momento para escutar os alunos e seus questionamentos, suas dúvidas suas sugestões, compartilhar com o grupo uma maneira de processar as dificuldades surgidas, afinal estava sendo uma novidade para eles esse tal de Mini Tênis. Nesse primeiro dia de aula, propriamente dito, identificamos certas nuances comportamentais dos alunos, as suas ansiedades, seus medos, suas limitações, suas dúvidas e dessa maneira obtivemos maiores informações para ajuste fino do projeto.
Com o desenvolvimento das demais aulas da Turma “B”, (os maiores), rapidamente dominaram a manipulação da raquete, pediram para que jogássemos o tal de Mini-Tênis, propriamente dito, a partir daquele momento, fomos retirando aos poucos o perfil de “Aulas Abertas” e iniciamos a relação da bola com a raquete e as demarcações de quadra. Foi visível o avanço das habilidades motoras de circuito aberto da maioria, paulatinamente íamos oferecendo mais conteúdo do jogo no aprendizado, no entanto procuramos manter o espírito do brincar de Mini-Tênis e conforme as problematizações foram se apresentando, as regras eram explicadas e os alunos iam introduzindo essas regras à brincadeira e a brincadeira ia transformando com um perfil de jogo. A quadra foi demarcada, a rede obedeceu a uma altura específica orientada por eles, a marcação de ponto duvidoso, deveria ser confirmado ou não pelo time que teria perdido esse ponto, de maneira a se confiar na decisão, não cabendo reclamação, No inicio houve certa resistência, no entanto a brincadeira aos poucos foi se transformando em jogo e com o jogo a força do fairplay se tornou presente e atuante.
Ao final de um semestre de trabalho com o Mini Tênis, recebemos um feedback do CCFV, nos informaram que o projeto executado apresentou resultados positivos nos alunos envolvidos, principalmente no tocante aos conceitos dos valores morais apresentados aos alunos, onde a palavra – fairplay – passou a fazer parte do vocabulário deles com reflexo nas suas atitudes. O fato constatado por nós e a certeza de que houve um avanço significativo na educação, na motricidade, na saúde física e mental desses alunos, foi ve-los, no último dia de aula, participarem de uma aula magna ministrada pelo Professor Adilson Monte na quadra/sala de aula de Tenis de campo da Universidade Federal, UFSC, manipulando a raquete e a bolinha nos exercícios solicitados por aquele Doutor Professor.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Passamos a entender o corpo humano como uma manifestação da história de uma alma, eu chamo de alma aquilo que se entende como o afetivo, o cognitivo, sistema nervoso e suas sinapses, e cada alma tem um entendimento conforme seu contexto histórico. O homem como produto do meio tende a perpetuar os costumes e a cultura do seu meio, até que seus valores sofram interferencias e se transformem em novos valores, e assim segue a humanidade criando e modificando seus paradigmas...
Como equilibrar nossa própria experiência com a de nossos alunos através da transformação do sujeito? Questiono se a transformação é que altera o meio ou é o meio que altera a transformação do sujeito? – Como se dá a construção da cultura de movimento ?
Aplicamos nosso projeto a área de Ciências Humanas, acompanhando sua Históricidade na compreensão da filosofia e da sociologia que passaram a fazer parte integrante da EFE; ou seja, passamos a entender o corpo que se compreende e se expressa em seu movimento através de sua relação com o outro .
O Tênis de Campo, cujas origens fundadas no seio da nobresa europeia, com suas ações próprias de uma parte privilegiada da sociedade, ofereceram uma derivação desse jogo através do Mini-Tenis, onde fundamentamos nele um perfil didatico dentro de uma pratica pedagógica a ser aplicada às crianças, em especial aquelas com vulnerabilidade sócio econômica; obtivemos uma resposta positiva relativo aos seus conteúdos, conceituais, procedimentais e atitudinais; (aprender a conhecer); conheceram o jogo e sua finalidade como atividade física associada ao prazer de jogar (ou brincar), do companheirismo e da justiça através do fairplay; (aprender a fazer) a questão do conceito procedimental provocou a idéia de que se pode elaborar com meios próprios, não apenas o mini tênis, como outros jogos e brinquedos dando conta aos alunos do que se faz , se faz na vida, esse conceito é pontuado (entre outros), naquele Centro de Convivência, pois muita coisa que é reutilizado pelas crianças são elaboradas a partir de rejeitos recicláveis que são reutilizados para benefício deles próprios, existe aí um movimento de uma perspectiva de educação ambiental com vies sócio-econômico; (aprender a viver juntos), qual a minha surpresa que mesmo percebendo uma certa tensão no relacionamento entre os alunos, compreendido por nós como pequenos ajustes de identidade, saltou aos olhos a existencia de uma necessidade de justiça e proteção que conseguimos transmitir as crianças, que ao meu entender foi provocado pela pratica do brincar e do jogar Mini Tênis, associado a didática pedagógica pesquisada, que
35
mesmo em um projeto de curtíssima duração, o resultado final foi positivo, pois respondeu proporcionalmente as expectativas dentro daquilo que foi oferecido as crianças.
7. ANEXO
PREFEITURA MUNICIPAL DE FLORIANOPOLIS SECRETARIA DE DESENVLVIMENTO SOCIAL
CENTRO DE CONVIVENCIA E FORTALECIMENTO DE VINCULOS - TAPERA CONSIDERAÇOES SOBRE O PROJETO MINI TÊNIS
No ano de 2017, o acadêmico de Educação Fisica da UFSC, Nelson da Costa, desenvolveu um Projeto de Mini Tênis no Centro de convivência e Fortalecimento de Vínculos da Tapera em Florianopolis. Este Centro (CCFV), destina-se à crianças de 06 a 12 anos, em contra turno com as escolas do bairro, oriundas de encaminhamenros de politicas públicas (PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Conselho Tutelar, CRASS - Centro de Referencia de Assistencia Social, e outros), que visam sua proteção diante de sua condição de vulnerabilidade social, sejam elas de ordem economica, por violencia e negligencia.
As considerações expostas adveem da observação de alguns encontros com os grupos especificos que foram organizados nas sextas feiras, no periodo matutino, pelo Educador Social Luiz Valentin Marcon, Funcionario da Instituição, que atuou como facilitador do referido projeto, o Mini Tênis. Sendo assim, estas considerações não caracterizam uma avaliação do Projeto Nini Tênis, pelo contrario, são provocações com intuito de fortalecer esta proposta, que nesce de forma subjetiva ao se apresentar como vontade, inexperiente ao dar os primeiros passos, mas que se consolida afetivamente com o decorrer dos encontros, resignificando a prática esportiva enquanto fortalecimento de vinculos.
Diante desta descrição, as considerções serão delimitadas por duas perguntas: 1. Quais as atitudes e motivaçoes dos alunos diante do Projeto Mini Tênis?
2. Quais os benefícios que percebemos como provenientes da participação do Projeto Mini Tênis?
A primeira pergunta, inicialmente pode ser respondida pela curiosiosidade, o tênis é uma prática esportiva cultuada como eletista, e no momento que se aproxima das classes populares desperta a vontade de descobrir aquilo que lhes é distante, mas não
impossível. Então, atitudes e motivações se fluem nas variadas respostas , "desenvolver o corpo", "ter mais saude", "aprender a competir", e no caráter psicológico, "perder o medo". Os alunos possuem uma imagem valorizada da Educação Física, facilitando a execução do Projeto Mini Tênis, ao vê-lo como extensão de práticas de aspecto positivo, encontrando mais liberdade do que constrangimento, mais alegria do que tristeza, mais interesse que aborrecimento, mais prazer que sofrimento.
A segunda pergunta, responde-se pela construção metodológica e didática desenvolvida pelo professor Nelson, que visando o desenvolvimento do aluno com este novo equipamento, raquete e bola, deu ênfase a atividades lúdicas na relação Eu-bola, Eu-bola-colega(s), eu-bola-alvo, eu-bola- “adversário”, estabelecendo os chamados fundamentos da prática do mini tênis. Foram desenvovidades atividades baseadas no relacionamento do aluno com a bola e a raquete, variações de espaço, finalização e presença do “adversário”. Os problemas que se apresentaram na prática do mini tênis foram incentivados a solução, com os valores do fair play, ou seja, uma conduta respeitosa diante dos impasses, reduzindo os conflitos, e valorizando as regras pré estabelecidas pelo grupo e modalidade esportiva. A concepção de fair play foi significativa para os alunos na solução de conflitos, tornando-se uma ferramenta mediadora no fortalecimento de vínculos, proposta concomitante às concepções de um Centro de Convivência.
Finalizamos estas considerações, acreditando na experiência pedagógica do Projeto Mini Tênis, que apesar de sua brevidade despertou para os que participaram, mais do que competividade um respeito de grupo. Agradecemos a oportunidade.
37
8. FOTOS
Curiosidade
Figura 1
Fonte: acervo pessoal
Ambietando-se com os materiais, observou-se a hegemonia que alguns jogos exercem sobre outros, a relação com a bola passa a ser predominantemente limitada a um viez cultural do vôlei, basquete e futebol.
Figura 2
Aos poucos a bola responde positivamente ao controle da raquete Figura 3
Fonte: acervo pessoal
O processo lúdico se transforma gradualmente em ajustes tecnicos conforme o entendimento do jogo vai se formando; as habilidades motoras de circuito aberto se desenvolvem conforme a capacidade de cada um.
Figura 4
39
Aos poucos o jogo ganha corpo, conforme as problematizações aparecem com os questionamentos, as regras surgem naturalmente e ajustam o ritmo do jogo.
Figura 5
Fonte: acervo pessoal
As delimitações de quadra surgem com as regras, e com elas os movimentos diferenciados com aumento namotricidade, fortalecemos então o foco na inclusão e na ética do jogo, sempre conduzindo para o fairplay.
Figura 6
A aceitação do Mini Tênis entres os mais velhos da turma foi positiva, em especial no reforço aos laços de amizade e compartilhamento dos materiais. Mesmo com caráter competitivo, o jogo fluiu como brincadeira e suavizou-se através da gentileza e da ética que faz parte do parte do corpo desse jogo.
Figura 7
Fonte: acervo pessoal
Para os mais novos entramos com uma abordagem mais lúdica voltada a cooperação do trabalho em equipe, já que esse é um dos temas basilares do Centro de Convivência e do objetivo do Projeto.
41
Figura 8
Fonte: acervo pessoal
A relação com a bola, o equilíbrio e o mundo passaram a fazer parte das atividades com os menores. Não houve pressa em apresentar de imediato o jogo Mini Tênis, conforme a curiosidade instigava os questionamentos, os materiais iam sendo colocados a disposição deles.
Figura 9
Ao término de cada aula era vez de fazer a roda de conversa sobre a atividade e sobre conceitos simples de inclusão, cooperação, compartilhamento e ética, porém o mais significativo era conhecer as suas expectativas de futuro, seus sonhos e seus desejos.
Figura 10
Fonte: acervo pessoal
O POR QUÊ das coisas??? (muitas vezes de difícil resposta)
Figura 13
43
UFSC se fez presente nesseprojetoatravés do NETEC na pessoa do nosso grande Mestre, Prof Adilson Monte que foi o provocador desse Projeto.
Figura 12
Fonte: acervo pessoal
A partir desse momento, o Mini Tênis se tornou uma porta aberta para o conhecimento, de que é possível o acesso a Educação e a Cultura através dos jogos e brincadeiras.
Figura 13
Fonte: acervo pessoal
UFSC - Abrindo espaço para sonhos e crescimento através de processos de transformação de cidadãos.
Figura 14
Fonte: acervo pessoal
UFSC – Uma lembrança que se leva para a vida.
Figura 15
45
Centro de Convivencia e Fortalecimento de Vínculos de Crianças e Adolescentes abrindo portas para novos desafios, incansavelmente trabalhando em prol de uma causa justa. Sozinhos enfraquecemos, juntos somos fortes e inquebráveis.
Figura 16
REFERENCIAS
ANTUNES, C. Dimensão de Uma Mudança. Papirus Editora, 1999.
BALBINOTTI, C. O ensino do tênis: novas perspectivas de aprendizagem. Artmed Editora, 2009.
BLOOM, B. S. et al. Manual de avaliação formativa e somativa do aprendizado escolar. São Paulo: Pioneira, 1983.
BOURDIEU, P. Reprodução cultural e reprodução social. A economia das trocas simbólicas, v. 2, p. 295-336, 1982.
BRACHT, V. A constituição das teorias pedagógicas da educação física. Cadernos Cedes, n. 48,1999.
BRACHT, V.; GONZÁLEZ, F. J. Educação física escolar. Dicionário crítico de educação física. Ijuí: Unijuí, p. 150-157, 2005
DALCENTER. MINI-TÊNIS: Uma possibilidade alternativa para o ensino do Tênis de Campo nas Escolas. UFSC - Monografia
DE AZEVEDO, E. S.; SHIGUNOV, V. Reflexões sobre as abordagens pedagógicas em Educação Física, p. 1-9, 2001.
DE LIMA, J. M. O jogo como recurso pedagógico no contexto educacional. Editora Cultura Acadêmica. Universidade Estatual Paulista, São Paulo, p. 157, 2008.
DE OLIVEIRA, A. A. B. Metodologias emergentes no ensino da educação física. Journal of Physical Education, v. 8, n. 1, p. 21-27, 1997.
DE SOUZA, S. P.; JUNIOR, J. M. O tênis nas escolas: diagnóstico da necessidade e perspectivas para sua implantação. Encontro Internacional de Produção Científica Cesumar, 2009
FREITAS M. C.; RINALDI, I. P. B. Abordagem Crítico-Superadora: Aportes para o trato com a ginástica Geral na Educação Física Escolar, p. 1-23, 2009.