INDICADOR DE BEM-ESTAR FINANCEIRO DEZEMBRO 2017

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Texto

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INDICADOR DE

BEM-ESTAR FINANCEIRO

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Sufoco na hora de comprar um presente de casamento; sensação de estar sendo controlado pelo dinheiro; falta de recursos para lidar com imprevistos; e o futuro, seja como Deus quiser... Nestes tempos de crise, os sintomas de que a vida financeira não vai bem acometem uma parte expressiva dos brasileiros. Mas não é só a crise que põe as pessoas em dificuldade: muitas vezes, a negligência com o controle das finanças também pesa. Uma vida financeira mal administrada pode afetar a saúde, a produtividade e até as relações familiares. Hoje, o país contabiliza cerca de 59,0 milhões de consumidores negativados. A elevada cifra tem

impacto direto sobre o comércio e sobre a economia. É diante desse quadro que o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), com o apoio de pesquisadores do Núcleo de Estudos Comportamentais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), lança um indicador inédito de Bem-Estar Financeiro do Brasileiro. O trabalho baseia-se num modelo de score desenvolvido pelo Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), órgão americano de proteção ao consumidor, e tem como objetivo medir, periodicamente, o nível de bem-estar financeiro da população.

INDICADOR DE BEM-ESTAR FINANCEIRO DO

BRASILEIRO MARCA 47,4 PONTOS, NUMA ESCALA

DE ZERO A 100

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Seguindo o conceito proposto pelo CFPB, o bem-estar financeiro pode ser definido como um estado em que o indivíduo tem capacidade de honrar as suas obrigações financeiras; sente-se seguro com relação ao futuro financeiro; e pode fazer escolhas que lhe permitam aproveitar a vida. Quatro pilares sustentam a definição: o controle sobre as finanças; a proteção contra imprevistos; os objetivos financeiros; e a liberdade para fazer escolhas. Na construção do

score e, posteriormente, do Indicador, esses pilares desdobraram-se num conjunto de dez afirmações sobre hábitos, costumes e experiências com o dinheiro. O nível de bem-estar financeiro de cada consumidor varia de acordo com as respostas dadas a cada uma das dez questões. Numa escala que varia de zero a 100, quanto mais próximo de 100, maior o nível médio de bem-estar financeiro da população; quanto mais distante de 100, menor o nível de bem-estar.

O INDICADOR DE BEM-ESTAR FINANCEIRO

EM NOVEMBRO

CONTROLE SOBRE AS FINANÇAS LIBERDADE FINANCEIRA PARA APROVEITAR A VIDA FOCO E COMPROMISSO COM OS OBJETIVOS FINANCEIROS PROTEÇÃO CONTRA IMPREVISTOS

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49 47,4 54 41

100

FAIXAS SCORE MÉDIO

0

34,9

45,6

51,6

60,7

Categoria 1 Categoria 2 Categoria 3 Categoria 4 Em julho de 2017, o score médio do brasileiro foi de 47,4 pontos, valor que se situa na Categoria 2

Calculado desde julho de 2017, em novembro de 2017 o Indicador de Bem-Estar Financeiro do Brasileiro marcou 47,4 pontos. Os aspectos em que os consumidores mostraram-se mais desprevinidos dizem respeito à sobra de dinheiro: a grande parte relatou que nunca ou quase nunca lhe sobra dinheiro no final do mês. Poucos disseram estar prontos para arcar com despesas inesperadas. Isso, porém, não impede os consumidores de acreditar que um dia poderão ter

aquilo que desejam. É nesse quesito, relativo ao futuro, que o consumidor brasileiro saiu-se melhor, como se verá mais adiante. No termômetro abaixo, o intervalo de zero a 41 pontos concentra 25% dos consumidores com menor bem-estar financeiro. A pontuação média entre esses consumidores foi de 34,9 pontos. O intervalo que vai de 54,0 a 100,0 pontos mostra os 25% dos consumidores com maior nível de bem-estar. Nesse intervalo, a média foi de 60,7 pontos.

Desde a primeira medição do bem-estar financeiro da população, os resultados exibiram pouca variação, ficando praticamente estáveis. Isso mostra que os hábitos e costumes, com efeito, só mudam com o tempo. No que concerne à conjuntura econômica,

tampouco houve sensível mudança neste ínterim. O ritmo de retomada segue lento, sem ainda nenhum efeito muito claro sobre o bolso do consumidor. O gráfico abaixo mostra os resultados do indicador de julho a novembro de 2017.

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Em julho de 2017, na primeira onda do indicador, com o auxílio de questões adicionais, constatou-se que os 25% dos consumidores com menor nível de bem-estar financeiro estavam, em geral, muito insatisfeitos com o padrão de vida, dificilmente conseguiam manter as contas em dia e tinham poucas possibilidades para realizar seus sonhos de consumo. Constatou-se também que, caso Constatou-se deparasConstatou-sem com algum imprevisto, poderiam ter dificuldades para manter o padrão de vida. Na outra ponta, entre os 25% com

maior nível de bem-estar financeiro, os consumidores estavam, em geral, satisfeitos com o seu padrão de vida, conseguiam manter suas contas em dia. Normalmente, faziam reserva financeira e mostravam-se mais preparados para lidar com eventuais imprevistos, além de raramente viver no limite do orçamento e grande frequência conseguir realizar seus sonhos de consumo. O exercício serviu para testar a consistência do indicador que, com efeito, consegue captar diversos aspectos da vida financeira do consumidor.

INDICADOR DE BEM-ESTAR FINANCEIRO

JUL/17

47,5

AGO/17

46,8

SET/17

47,2

OUT/17

47,4

NOV/17

47,4

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63% DOS BRASILEIROS NÃO ESTÃO PREPARADOS

PARA LIDAR COM IMPREVISTOS; MAIS DA METADE

DEIXAM A DESEJAR NO CUIDADO COM AS FINANÇAS

AS QUESTÕES DO INDICADOR

Um dos pilares do bem-estar financeiro é a proteção

contra imprevistos. De acordo com o indicador, em

novembro de 2017, apenas 12,1% dos consumidores disseram que a capacidade de lidar com despesas inesperadas descrevia completamente ou muito bem sua situação, enquanto expressivos 62,9% disseram que descrevia pouco ou nada. Para 25,0%, o enunciado descrevia mais ou menos seu estado. Esse foi um dos quesitos que mais impactaram negativamente o nível médio de bem-estar financeiro.

Outro importante pilar é o controle das próprias

finanças. Considerando essa dimensão do bem-estar,

48,1% dos consumidores disseram acreditar que, por causa da forma como administam as finanças, alcançarão as coisas que querem na vida. Mas também houve 23,6% que mostraram-se pouco confiantes a respeito disso. Embora pouco satisfatório, esse foi um dos quesitos em que os entrevistados mais se

saíram bem. A preocupação com a possibilidade de o dinheiro que tem, ou que irá economizar, acabar descrevia completamente ou muito bem 33,5% dos consumidores no momento da pesquisa. Para 26,2%, descrevia mais ou menos a sua situação e para 40,2%, descrevia pouco ou nada.

Investigando a frequência com que o consumidor vivencia algumas situações, outra constatação que toca o controle das finanças é que 21,7% dos consumidores

sempre ou frequentemente deixam a desejar no

cuidado com as finanças, enquanto 32,4% admitiram que o fazem algumas vezes. Na outra ponta, 45,9%

nunca ou raramente descuidam das finanças. Por fim,

a sensação de que a situação financeira controla a vida acompanha 35,1% dos consumidores. 34,5% dizem ter essa sensação algumas vezes e 30,3% dizem que dificilmente são controladas pela suas finanças.

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O foco e o compromisso com os objetivos financeiros também pesam no bem-estar financeiro dos indivíduos. Nesse pilar, os consumidores brasileiros mostram-se especialmente desprecavidos. Em novembro de 2017, expressivos 61,8% dos consumidores disseram que não estão assegurando o futuro financeiro, enquanto 23,6% disseram que estão assegurando mais ou

menos. Apenas 14,6% disseram assegurar seu futuro.

Outra constatação que toca a conquista dos sonhos é que 64,7% nunca ou raramente têm dinheiro sobrando no final do mês, enquanto 23,8% têm algumas vezes e só 11,5% têm frequentemente ou sempre.

Não é só do futuro, no entanto, que o consumidor deve se ocupar para ter bem-estar financeiro. A liberdade

para fazer escolhas que permitam aproveitar a vida

completa os pilares do bem-estar financeiro. Os

números mostram que 59,5% não possuem a condição de poder aproveitar a vida por causa da forma que administra o dinheiro, enquanto 25,4% disseram que possuem mais ou menos. Apenas 15,1% disseram que podem aproveitar a vida completamente ou muito

bem. Indo além, 35,8% dos consumidores disseram

que a condição de apenas sobreviver, e não viver plenamente, descrevia completamente ou muito a sua situação, enquanto 29,2% disseram que descrevia

mais ou menos e 35,0% disseram ser pouco ou nada

descritos descritos pela condição enunciada. Dar um presente a alguém, exemplo de gasto eventual que pode ocorrer a qualquer um, prejudicaria 25,5% dos consumidores frequentemente ou sempre. 35,0% seriam prejudicados algumas vezes e 39,5%, nunca ou raramente.

COM QUE FREQUÊNCIA VOCÊ

VIVENCIA ESSA SITUAÇÃO? RARAMENTENUNCA OU ALGUMAS VEZES FREQUENTEMENTE OU SEMPRE Dar um presente de casamento, aniversário ou outra

ocasião prejudicaria as minhas finanças no mês

39,5%

35,0%

25,5%

Eu tenho dinheiro sobrando no final do mês

64,7%

23,8%

11,5%

Estou deixando a desejar no cuidado com

minhas finanças

45,9%

32,4%

21,7%

A minha situação financeira controla minha vida

30,3%

34,5%

35,1%

QUANTO A SITUAÇÃO ABAIXO

DESCREVE SEU CASO? NADA OU POUCODESCREVE MAIS OU MENOSDESCREVE

DESCREVE COMPLETAMENTE

OU MUITO Eu poderia arcar com uma despesa

significativa inesperada

62,9%

25,0%

12,1%

Eu estou assegurando meu futuro financeiro

61,8%

23,6%

14,6%

Por causa da minha situação financeira, eu sinto

que nunca terei as coisas que quero na vida

48,1%

28,2%

23,6%

Eu posso aproveitar a vida por causa do jeito que

estou administrando meu dinheiro

59,5%

25,4%

15,1%

Minha situação financeira me permite apenas

sobreviver e não viver plenamente

35,0%

29,2%

35,8%

Eu estou preocupado que o dinheiro que tenho,

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NO LIMITE DO ORÇAMENTO, A PRIORIDADE DO

CONSUMIDOR RECAI SOBRE VIVER O “AGORA”

Avaliando cada quesito em separado, aquele em que o consumidor brasileiro mais se destaca é o que diz respeito à conquista futura das coisas que quer na vida. A pontuação média nesse quesito foi de 55,4 pontos. Quando o assunto é a avaliação do cuidado com as próprias finanças, a pontuação é idêntica. As maiores dificuldades, no entanto, estão em fazer reserva contra imprevistos, quesito que na média pontua 38,4 pontos, e em assegurar o futuro financeiro (40,3 pontos), o que pode prejudicar a conquista dos sonhos. A sobra de dinheiro no final do mês também pontua mal (40,3 pontos), como também as possibilidades

para aproveitar a vida (40,3 pontos). Em síntese, ver o dinheiro acabando antes do final do mês e, muitas vezes, não poder poupá-lo, são condições que limitam o bem-estar financeiro do consumidor. Ainda assim, mantem-se a perspectiva de conquista dos próprios objetivos e certo cuidado – ao menos para a maioria relativa – com as finanças. Cumpre notar, porém, que mesmo nos melhores atributos, a pontuação não se distancia muito dos 50 pontos, numa escala que vai de zero a 100. Isso indica que ainda há elevado percentual que nem sempre lida bem com as finanças ou que ainda não acredita que poderá ter aquilo que deseja.

DESEMPENHO MÉDIO DAS QUESTÕES

55,4

52,5

50,4

41,4

40,3

55,4

51,4

50,4

40,3

38,4

Por causa da minha situação financeira, eu sinto que nunca terei as coisas que quero na vida Estou deixando a desejar no cuidado com minhas finanças Dar um presente de casamento, aniversário ou outra ocasião prejudicaria as minhas finanças no mês

Eu estou preocupado que o dinheiro que tenho, ou que irei economizar, não irá durar Minha situação financeira me permite apenas sobreviver e não viver plenamente A minha situação financeira controla minha vida Eu posso aproveitar a vida por causa do jeito que estou administrando meu dinheiro Eu tenho dinheiro sobrando no final do mês Eu estou assegurando meu futuro financeiro Eu poderia arcar com uma despesa significativa inesperada

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Sendo o preparo para situações adversas um dos atributos mais falhos constatados pela sondagem, os entrevistados foram questionados sobre por quanto tempo manteriam o padrão de vida em face da perda

do emprego ou problema de saúde. Os resultados mostram que, em média, o padrão seria mantido por 3,8 meses. Mais de um quarto (26,1%) não conseguiria manter por nem um mês.

Gozar de alto nível de bem-estar financeiro não é algo que vem de graça. O quadro econômico é algo que influencia o bem-estar dos indivíduos, mas está fora do seu controle. A personalidade, o comportamento financeiro e as habilidades individuais em lidar com

econômicas e sociais, o desafio dos consumidores é fazer escolhas que equilibrem o desfrute do presente e o preparo para o futuro. Isso exige, para maior parte, vontade, controle, disciplina e a definição de prioridades.

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METODOLOGIA

Seguindo a metodologia desenvolvida pelo CFPB1, a

mensuração do Indicador de Bem-Estar Financeiro do Brasileiro é feita através de entrevistas aplicadas periodicamente a uma amostra representativa dos brasileiros. O questionário é composto de dez questões, todas elas refletindo algum aspecto do bem-estar. De

acordo com suas respostas, os entrevistados recebem uma nota, que pode variar entre zero e 100. Quanto mais próximo de 100, maior será o nível de bem-estar financeiro; quanto mais próximo de zero, menor o nível de bem-estar. O Indicador é obtido pela média dos scores da amostra.

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Imagem

Referências

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