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Sara Einsfeld, Roberto Salgado UFSC / CTC/ EEL Laboratório de Sistemas de Potência Florianópolis, SC, Brasil

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Academic year: 2021

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SOLU ¸C ˜OES DO FLUXO DE POTˆENCIA COM RESTRI ¸C ˜OES DE INTERC ˆAMBIO L´IQUIDO DE POTˆENCIA ATIVA

Sara Einsfeld∗, Roberto Salgado∗

UFSC / CTC/ EEL

Laborat´orio de Sistemas de Potˆencia Florian´opolis, SC, Brasil

Emails: [email protected], [email protected]

Abstract— This work proposes a methodology to determine power flow solutions taking into account the constraints on the net interchange of active power between areas. These solutions are obtained by solving the set of nonlinear power flow equations, augmented by the analytical model of the active power interchange. At each iteration of the solution process through Newton-Raphson method, the general solution of an undetermined linear system is obtained. The load is modelled as constant power and the power flow equations are expressed in rectangular coordinates. Numerical results obtained with the IEEE 118-bus test system illustrate the features of the proposed methodology.

Keywords— power flow control, active power interchange, underdetermined linear system, rectangular coor-dinates.

Resumo— Este trabalho apresenta uma metodologia para a determina¸c˜ao de solu¸c˜oes do fluxo de potˆencia considerando restri¸c˜oes de intercˆambio l´ıquido de potˆencia ativa entre ´areas. Este problema ´e representado analiticamente por um conjunto de equa¸c˜oes alg´ebricas n˜ao lineares, no qual as equa¸c˜oes do fluxo de potˆencia convencional s˜ao complementadas com o modelo anal´ıtico das restri¸c˜oes de intercˆambio. As vari´aveis deste problema s˜ao selecionadas de tal forma que em cada itera¸c˜ao do processo de solu¸c˜ao via m´etodo de Newton-Raphson, determina-se a solu¸c˜ao geral do sistema linear subdeterminado. A carga ´e modelada como potˆencia constante e as equa¸c˜oes que representam a rede el´etrica em regime permanente s˜ao expressas em coordenadas retangulares. Resultados num´ericos com o sistema IEEE 118-barras ilustram as caracter´ısticas da metodologia proposta.

Palavras-chave— Controle de fluxo de potˆencia, intercˆambio de potˆencia ativa, sistema linear subdetermi-nado, coordenadas retangulares.

1 Introdu¸c˜ao

Sistemas de energia el´etrica de grande porte ge-ralmente s˜ao divididos em ´areas conectadas por li-nhas de transmiss˜ao, atrav´es das quais ´e realizada a transferˆencia de potˆencia. Durante a opera¸c˜ao desses sistemas, o suprimento de determinados n´ı-veis de carga em certas regi˜oes ´e dificultado pela limita¸c˜ao da capacidade de gera¸c˜ao no interior da pr´opria ´area e/ou por restri¸c˜oes de transmiss˜ao em determinados elos de interliga¸c˜ao. Por esta raz˜ao, ´e necess´ario identificar os n´ıveis de carregamento para os quais a solu¸c˜ao das equa¸c˜oes do fluxo de potˆencia ´e compat´ıvel com as restri¸c˜oes de inter-cˆambio programado.

No Brasil o Sistema Interligado Nacional (SIN) ´e operado de forma coordenada a fim de aproveitar ao m´aximo as diversidades das bacias hidrogr´aficas do extenso territ´orio. Para viabilizar a transferˆencia de energia entre estas diferentes regi˜oes, com a consequente otimiza¸c˜ao dos recur-sos energ´eticos existentes, s˜ao utilizadas as inter-liga¸c˜oes regionais, tornando assim o sistema el´e-trico mais robusto e aumentando significadamente a confiabilidade do atendimento `as cargas. Os li-mites de intercˆambio juntamente com os pontos de opera¸c˜ao do SIN s˜ao determinados pelo Opera-dor Nacional do Sistema El´etrico (ONS). Por´em, esta tarefa ´e realizada geralmente de forma ma-nual, atrav´es de aplicativos de fluxo de potˆencia convencional, o que requer frequentemente tempo de estudo e esfor¸co computacional elevados.

Em geral, o estudo de transferˆencia de potˆen-cia requer a execu¸c˜ao de trˆes etapas fundamentais (Echavarren et al., 2011): 1) obten¸c˜ao da solu-¸c˜ao do fluxo de potˆencia para um caso base; 2) a pr´e-especifica¸c˜ao da varia¸c˜ao da carga e da ´area onde ela ocorre; e 3) a determina¸c˜ao da solu¸c˜ao do fluxo de potˆencia com a programa¸c˜ao de inter-cˆambio inclu´ıda. Os m´etodos existentes na litera-tura para o Controle de Intercˆambio entre ´Areas (CIA) baseiam-se geralmente em duas estrat´egias. A primeira consiste em alternar a aplica¸c˜ao de ajustes na gera¸c˜ao de potˆencia ativa com as so-lu¸c˜oes do fluxo de potˆencia, at´e que o intercˆambio alcance o valor desejado. As rela¸c˜oes de sensibi-lidade entre as vari´aveis do sistema de potˆencia s˜ao utilizadas para estimar a corre¸c˜ao da potˆen-cia ativa gerada em cada ´area, nas barras previ-amente selecionadas para esta finalidade. Apesar desta t´ecnica ser atrativa pela sua simplicidade, os ajustes na gera¸c˜ao de potˆencia ativa s˜ao calcula-dos de forma indireta num processo de tentativa-erro, o que pode demandar um consider´avel es-for¸co computacional, sem garantir a determina¸c˜ao as melhores solu¸c˜oes em termos do n´ıvel de potˆen-cia gerada. A referˆenpotˆen-cia (Ibsais e Ajjarapu, 1996) aborda o problema do limite de intercˆambio de po-tˆencia devido a restri¸c˜oes de estabilidade de tens˜ao utilizando uma metodologia baseada na estrat´e-gia dos ajustes alternados e no fluxo de potˆencia continuado. Busca-se o m´aximo fluxo de potˆen-cia que pode ser estabelecido entre as ´areas, sem causar problemas de estabilidade de tens˜ao. A

(2)

se-gunda estrat´egia ´e baseada na inclus˜ao das equa-¸c˜oes do Controle de Intercˆambio entre ´Areas no conjunto de equa¸c˜oes do fluxo de potˆencia. Neste caso, a gera¸c˜ao de potˆencia ativa das barras sele-cionadas para compensar o desvio de intercˆambio ´e inclu´ıda no conjunto de vari´aveis a serem deter-minadas na solu¸c˜ao das equa¸c˜oes da rede el´etrica em regime permanente. A formula¸c˜ao anal´ıtica proposta (Okamura et al., 1975) aborda este pro-blema sob o ponto de vista da resposta dos gerado-res a uma varia¸c˜ao do fluxo de potˆencia nas linhas de interliga¸c˜ao. A potˆencia de sa´ıda dos geradores dentro de uma certa ´area ´e regulada automatica-mente, de modo a manter o intercˆambio progra-mado com as outras ´areas. O modelo de fluxo de potˆencia proposto em (Calovic e Strezoski, 1981), considera o erro est´atico de controle de ´area com-posto dos desvios de frequˆencia em regime per-manente e de fluxo de potˆencia nas linhas de in-tercˆambio. Esses desvios s˜ao calculados explicita-mente na solu¸c˜ao das equa¸c˜oes da rede el´etrica em regime permanente e distribu´ıdos entre as barras de gera¸c˜ao que participam do controle secund´a-rio, segundo crit´erios baseados na capacidade de regula¸c˜ao dos geradores. Em (Santos et al., 2004), prop˜oe-se o controle do fluxo de potˆencia de inter-cˆambio baseado na utiliza¸c˜ao de m´ultiplas barras de folga em uma mesma ´area. Os incrementos de potˆencia ativa gerada nas barras de folga de cada ´area s˜ao inclu´ıdos como vari´aveis adicionais no problema de fluxo de potˆencia, e o Controle do Intercˆambio entre ´Areas ´e representado explicita-mente na formula¸c˜ao anal´ıtica. A gera¸c˜ao de po-tˆencia ativa de cada barra de folga depende do seu fator de participa¸c˜ao no intercˆambio. A inclus˜ao das equa¸c˜oes do CIA no fluxo de potˆencia continu-ado ´e proposta em (Carhuallanqui e Alves, 2012). Uma sequˆencia de solu¸c˜oes do fluxo de potˆencia desde um caso base at´e o ponto de carregamento m´aximo, considerando as restri¸c˜oes de intercˆam-bio entre ´areas, ´e determinada. As equa¸c˜oes do fluxo de potˆencia s˜ao modificadas conforme suge-rido em (Santos et al., 2004), considerando m´ ulti-plas barras de folga em uma mesma ´area. A prin-cipal desvantagem das metodologias baseadas na inclus˜ao das equa¸c˜oes de intercˆambio ´e o risco de inviabilidade na solu¸c˜ao do fluxo de potˆencia, por efeito de conflito entre as restri¸c˜oes de intercˆam-bio e a disponibilidade dos geradores selecionados para a compensa¸c˜ao dos desbalan¸cos no fluxo de potˆencia.

O presente trabalho prop˜oe uma abordagem para considerar o intercˆambio de potˆencia entre ´areas no problema de fluxo de potˆencia. Segundo o ONS, cada ´area de controle do sistema brasileiro ´e operada de tal forma que o seus intercˆambio l´ı-quido com o SIN coincida com o seu valor progra-mado. Assim, esta metodologia pode ser inserida no contexto do controle autom´atico de gera¸c˜ao (controle secund´ario), com o objetivo de manter a potˆencia de intercˆambio no seu valor nominal, distribuindo os desvios de intercˆambios entre as m´ultiplas barras reguladoras da ´area, conforme o

crit´erio de gera¸c˜ao de potˆencia ativa.

A principal diferen¸ca da metodologia pro-posta com rela¸c˜ao aquelas existentes na literatura (particularmente (Okamura et al., 1975; Santos et al., 2004; Carhuallanqui e Alves, 2012)) diz res-peito a forma como os controles (potˆencia ativa gerada nas barras reguladoras) s˜ao inclu´ıdas na modelagem do problema de fluxo de potˆencia com restri¸c˜oes de intercˆambio entre ´areas. Usualmente os controles s˜ao selecionados em ´areas distintas, de uma maneira tal que o n´umero de equa¸c˜oes do sistema n˜ao linear ´e igual ao n´umero de vari´aveis. Al´em de restringir a regi˜ao das solu¸c˜oes vi´aveis, isto aumenta o risco de inviabilidade da solu¸c˜ao se os fluxos de intercˆambio n˜ao forem adequada-mente especificados. Na abordagem apresentada aqui, a modelagem anal´ıtica dos controles ´e es-tabelecida de forma que o numero de vari´aveis ´e maior do que o n´umero de inc´ognitas. Conse-quentemente, a aplica¸c˜ao do m´etodo de Newton-Raphson requer a solu¸c˜ao de um sistema linear subdeterminado a cada itera¸c˜ao. Isto aumenta a regi˜ao de viabilidade da solu¸c˜ao e possibilita de-terminar n´ıveis de gera¸c˜ao de potˆencia ativa com diferentes caracter´ısticas.

O texto apresentado a seguir est´a organizado da seguinte forma: a Se¸c˜ao 2 descreve os funda-mentos te´oricos do problema de fluxo de potˆen-cia com a inclus˜ao dos intercˆambios programados; a Se¸c˜ao 3 descreve a metodologia proposta, in-cluindo os aspectos computacionais; os resultados num´ericos da implementa¸c˜ao computacional, ob-tidos com o sistema IEEE-118 barras s˜ao apresen-tados na Se¸c˜ao 4, e as principais conclus˜oes s˜ao sumarizadas na Se¸c˜ao 5.

2 Fluxo de potˆencia com restri¸c˜oes de intercˆambio entre ´areas 2.1 Modelo anal´ıtico

Na formula¸c˜ao do problema de fluxo de potˆencia convencional, uma barra de gera¸c˜ao ´e escolhida para regular o balan¸co de potˆencia total do sis-tema. Isto dificulta a redistribui¸c˜ao de potˆencia ativa e reativa gerada, necess´aria para compensar os desbalan¸cos de potˆencia causados por eventuais varia¸c˜oes de carga e/ou contingˆencias. Alternati-vamente, um conjunto de barras de gera¸c˜ao (re-feridas em (Okamura et al., 1975; Calovic e Stre-zoski, 1981) como barras reguladoras e em (Santos et al., 2004; Carhuallanqui e Alves, 2012) como barras de folga), ´e selecionado para realizar esta compensa¸c˜ao, o que torna o modelo de fluxo de potˆencia mais real´ıstico. Neste caso, a potˆencia ativa gerada na i-´esima barra reguladora pode ser determinada atrav´es de diversas formas alternati-vas. Neste trabalho ´e suposto que um conjunto de barras reguladoras ´e previamente selecionando com base em crit´erios econˆomicos e/ou de segu-ran¸ca. A formula¸c˜ao anal´ıtica da gera¸c˜ao de po-tˆencia ativa ´e parametrizada segundo a equa¸c˜ao,

Pg

i(ρgi) = P

ref

(3)

onde Pref

gi ´e o valor de referˆencia, o parˆametro si

determina a parcela de varia¸c˜ao na potˆencia ativa de sa´ıda da i-´esima barra reguladora, e ∆Pgi ´e

uma constante que representa a taxa de varia¸c˜ao da potˆencia ativa gerada, a qual ´e especificada ge-ralmente com base em crit´erios econˆomicos e/ou de seguran¸ca. Por exemplo, o uso de fatores iguais para todos os geradores reguladores sup˜oe que a varia¸c˜ao de potˆencia ativa independe do custo, da capacidade ou da localiza¸c˜ao destas unidades. Em (Carhuallanqui e Alves, 2012), esses fatores s˜ao definidos de acordo com a equa¸c˜ao,

∆Pgi = Pgref i P iǫΩj Pg i (2)

onde Ωjrepresenta o conjunto de barras

regulado-ras da ´area j, e P

iǫΩj

Pg

i ´e a potˆencia total gerada

na ´area j. Este crit´erio ´e baseado na participa¸c˜ao da i-´esima barra reguladora na gera¸c˜ao total da ´

area em que a mesma est´a localizada.

Para formular o problema de fluxo de po-tˆencia com restri¸c˜oes de intercˆambio entre ´areas, sup˜oem-se que o gerador da barra reguladora con-tribui para a compensa¸c˜ao de ambos, a varia¸c˜ao de carga e o controle dos fluxos de intercˆambio. Assume-se que o mesmo opera com a magnitude da tens˜ao constante e a potˆencia ativa de sa´ıda varia de acordo com a Eq. (1). A gera¸c˜ao de potˆencia reativa dessas unidades ´e dada por,

Qg

i = Qdi+ Qdi(e, f ) (3)

onde a demanda de potˆencia na barra i ´e modelada como potˆencia constante.

O j-´esimo intercˆambio l´ıquido de potˆencia ativa, denotado PTj, entre as ´areas i e k ´e expresso

de forma semelhante `a (Monticelli, 1983), PT

j =

X

ikǫΓj

Pik(e, f ) (4)

onde Pik ´e o fluxo de potˆencia na linha de

trans-miss˜ao ik, e Γj ´e o conjunto de linhas de

trans-miss˜ao que interligam as ´areas i e k.

A inclus˜ao das equa¸c˜oes que representam o in-tercˆambio entre ´areas na formula¸c˜ao do problema de fluxo de potˆencia resulta num o sistema de equa¸c˜oes n˜ao lineares composto de: 1) a equa¸c˜ao de balan¸co de potˆencia ativa de todas as barras, exceto a de referˆencia angular; 2) a equa¸c˜ao de balan¸co de potˆencia reativa das barras PQ; 3) a equa¸c˜ao quadr´atica da magnitude da tens˜ao das barras PV e de regula¸c˜ao; e 4) as equa¸c˜oes de es-pecifica¸c˜ao dos fluxos nas linhas de intercˆambio programado. Em termos anal´ıticos,

Pg i− Pdi(ei, fi) − Pi(e, f ) = 0 Qg i− Qdi− Qi(e, f ) = 0 Vref 2 i − e 2 i − f 2 i = 0 Ppgr Tj − PTj(e, f ) = 0 (5)

onde PTpgrj e PTj(e, f ) s˜ao respectivamente os

valo-res programado e calculado do intercˆambio j. As vari´aveis a serem determinadas na solu¸c˜ao deste problema s˜ao as componentes real e imagin´aria da tens˜ao nas barras e a potˆencia ativa gerada nas barras reguladoras.

O balan¸co de potˆencia ativa das barras regula-doras ´e modelado expressando-se a potˆencia ativa gerada Pgi segundo a Eq. (1), tal que as vari´aveis

adicionais s˜ao os si correspondentes aos

gerado-res de regula¸c˜ao. As restri¸c˜oes de desigualdade impostas na formula¸c˜ao do fluxo de potˆencia es-tendido s˜ao os limites de gera¸c˜ao de potˆencia ativa e de potˆencia reativa, isto ´e,

Pgm i ≤ Pgi(si) ≤ P M gi Qmg i ≤ Qgi(e, f ) ≤ Q M gi (6) onde Pm gi, P M gi e Q m gi, Q M gi s˜ao respectivamente os

limites m´ınimo e m´aximo de gera¸c˜ao de potˆencia ativa e reativa.

A imposi¸c˜ao das restri¸c˜oes de igualdade adi-cionais relativas a especifica¸c˜ao dos intercˆambios l´ıquidos est´a inevitavelmente associada ao risco de inviabiliza¸c˜ao da solu¸c˜ao do problema da Eq. (5), se as unidades reguladoras n˜ao forem convenien-temente selecionadas ou se as restri¸c˜oes de inter-cˆambio forem conflitantes com as caracter´ısticas do sistema de potˆencia. Portanto, para estabele-cer o problema representado na Eq. (5), as se-guintes suposi¸c˜oes s˜ao adotadas:

• os geradores reguladores dispon´ıveis para o ajuste dos intercˆambios entre ´areas s˜ao pre-viamente selecionados;

• o n´umero de intercˆambios programados ´e me-nor ou igual ao que o n´umero de geradores reguladores;

• considera-se que cada ´area possui pelo menos um gerador regulador;

• o n´umero de intercˆambios programados ´e me-nor do que o n´umero de ´areas interligadas; • a parcela da varia¸c˜ao de carga atribu´ıda a

cada intercˆambio de potˆencia ´e especificada a priori;

2.2 M´etodo de Solu¸c˜ao

A solu¸c˜ao do problema expresso pela Eq. (5) atra-v´es do m´etodo de Newton requer que a cada ite-ra¸c˜ao seja resolvido um sistema linear da forma,

   ∆P ∆Q ∆V2 ∆T   =    J1 J2 Ft J3 J4 0 J5 J6 0 H1 H2 0    " ∆e ∆f ∆s # (7)

(4)

onde, J1= ∂ P(e, f ) ∂ e J2= ∂ P(e, f ) ∂ f J3= ∂ Q(e, f ) ∂ e J4= ∂ Q(e, f ) ∂ f J5= ∂ V2(e, f ) ∂ e J6= ∂ V2(e, f ) ∂ f H1= ∂ PT(e, f ) ∂ e H2= ∂ PT(e, f ) ∂ f (8)

e, ∆s ´e um vetor coluna e Ft ´e uma matriz

es-parsa. A ordem e natureza dos elementos de ∆s e Ftdependem da forma como a gera¸c˜ao de

potˆen-cia ativa das barras reguladoras ´e modelada. Os aspectos da implementa¸c˜ao computacional para o c´alculo das matrizes da Eq. (8) s˜ao apresentados em (Qin, 2008).

Suponha que: nb ´e o n´umero total de barras

do sistema; nr´e o n´umero de barras reguladoras

dispon´ıveis para o controle do intercˆambio; na o

n´umero de ´areas interligadas; e nt´e o n´umero de

intercˆambios programados. O n´umero de equa¸c˜oes a serem resolvidas e o n´umero de vari´aveis a serem determinadas no problema de fluxo de potˆencia estendido s˜ao respectivamente,

neq = 2nb− 2 + nt nvr= 2nb− 2 + ns

onde ns´e a ordem do vetor ∆s, cujas componentes

s˜ao as vari´aveis adicionais inclu´ıdas no problema de fluxo de potˆencia estendido pelas equa¸c˜oes que representam as restri¸c˜oes de intercˆambio l´ıquido de potˆencia ativa.

O vetor ∆s possui ns= nr componentes ∆si

e a matriz Ft tem dimens˜ao (nb − 1) × nr. A

solu¸c˜ao do problema de fluxo de potˆencia esten-dido fornece nvr= 2nb− 2 + nrvari´aveis, ou seja,

(2nb− 2) relativas as componentes real e imagin´

a-ria das tens˜oes nas barras e nr vari´aveis si para

o ajuste da potˆencia ativa gerada. Os elementos Ft(i, j) n˜ao nulos ocupam as posi¸c˜oes em que o

regulador j est´a localizado na barra i. Esses ele-mentos s˜ao os fatores ∆Pgi (desde que a gera¸c˜ao

de potˆencia ativa ´e modelada pela Eq. (1)). A dimens˜ao do sistema linear da Eq. (7) de-pende do n´umero de ´areas envolvidas, do n´umero de intercˆambios programados e do n´umero de bar-ras reguladobar-ras dispon´ıveis para ajustar os inter-cˆambios. A an´alise desta equa¸c˜ao revela a matriz Jacobiana tem dimens˜ao (2nb− 2 + nt)×(2nb− 2 + ns), tal que os seguintes trˆes casos podem ocorrer: 1. o n´umero de fluxos de intercˆambio progra-mados ´e menor do que o n´umero de barras reguladoras. Ent˜ao, ns > nt, isto ´e, o n´ u-mero de equa¸c˜oes ´e menor do que o n´umero de vari´aveis, tal que o sistema linear ´e subde-terminado e admite infinitas solu¸c˜oes. 2. o n´umero de intercˆambios programados ´e

igual ao n´umero de barras reguladoras. Neste

caso, ns = nt, ou seja, o n´umero de

equa-¸c˜oes ´e igual ao n´umero de vari´aveis, tal que o sistema linear admite uma ´unica solu¸c˜ao, supondo-se que a matriz Jacobiana ´e n˜ ao-singular.

3. o n´umero de fluxos de intercˆambio programa-dos ´e maior do que o n´umero de barras regu-ladoras. Ent˜ao, ns< nt, isto ´e, o n´umero de equa¸c˜oes ´e maior do que o n´umero de vari´a-veis, tal que a Eq. (7) representa um sistema linear sobredeterminado. Neste caso, t´ecnicas baseadas no crit´erio dos m´ınimos quadrados poderiam ser utilizadas para obter uma so-lu¸c˜ao, a qual seria in´util para as aplica¸c˜oes pr´aticas, desde que as restri¸c˜oes de igualdade representadas pelas equa¸c˜oes n˜ao lineares do fluxo de potˆencia n˜ao seriam necessariamente satisfeitas.

3 Metodologia proposta

As equa¸c˜oes que representam o fluxo de potˆencia estendido podem ser escritas na forma compacta como

g(x, s) = 0 (9)

onde g(x, s) ´e um vetor coluna de ordem neq, cujos

componentes s˜ao as fun¸c˜oes alg´ebricas n˜ao lineares representando as equa¸c˜oes de balan¸co de potˆencia e os intercˆambios l´ıquidos programados.

Fazendo yt = [xt

| st], a lineariza¸c˜ao da Eq. (9) no ponto yee na dire¸c˜ao ∆y fornece

W(ye)∆y = b (10)

onde W(ye) ´e a matriz Jacobiana, de ordem

neq× nvr e b = −g(xe) ´e um vetor coluna de or-dem neq, ambos calculados no ponto onde ´e feita

a lineariza¸c˜ao.

Quando o n´umero de intercˆambios de potˆencia ativa programados ´e menor do que o n´umero de controles (ou ´areas com intercˆambio controlado), a Eq. (10) caracteriza um sistema linear subde-terminado, com infinitas solu¸c˜oes. Neste caso, se o posto da matriz W(xe) ´e neq, o seu espa¸co nulo

tem dimens˜ao (nvr− neq) × nvr. Isto significa que

a solu¸c˜ao geral da Eq. (10) pode ser expressa num sub-espa¸co reduzido, de dimens˜ao (nvr− neq), em

fun¸c˜ao de (nvr− neq) vari´aveis. No presente

es-tudo, a estrat´egia utilizada para incorporar as res-tri¸c˜oes de fluxo de potˆencia ativa nos intercˆambios consiste em determinar inicialmente uma solu¸c˜ao geral para a Eq. (10), e posteriormente calcular a solu¸c˜ao particular de acordo com um crit´erio pr´e-estabelecido, de forma an´aloga aquela proposta em (Sim˜oes Costa et al., 1985).

A solu¸c˜ao geral da Eq. (10) ´e dada por (Hanson e Lawson, 1969)

∆y= ∆y0+ T0z (11)

onde ∆y0 ´e a solu¸c˜ao de m´ınima norma

Euclide-ana, T0 ´e a matriz de ordem nvr× (nvr− neq),

(5)

W(ye)T0 = Θ (Θ ´e uma matriz nula de ordem

neq× (nvr− neq)), e z ´e um vetor coluna arbitr´a-rio de ordem (nvr− neq).

A solu¸c˜ao de m´ınima norma Euclideana ´e ob-tida resolvendo-se o problema de otimiza¸c˜ao

M aximiz e 1 2∆y

t 0∆y0

suj eito a W(ye)∆y

0= b

(12)

ou seja,

∆y0= W(ye)tW(ye)W(ye)t

−1 b λ0= W(ye)W(ye)t

−1

b (13)

onde λ0´e o vetor dos multiplicadores de Lagrange

das restri¸c˜oes de igualdade da Eq. (12).

Diversos crit´erios podem ser utilizados para calcular a solu¸c˜ao particular, definida com o aux´ı-lio das vari´aveis z da Eq. (11). Em todos os casos, a matriz de espa¸co nulo T0 ´e suposta conhecida

(no presente trabalho foi utilizado um comando espec´ıfico do ambiente MatLab para esta finali-dade). Considerando que a potˆencia ativa gerada varia de acordo com a Eq. (1), a determina¸c˜ao do vetor z que minimiza os desvios quadr´aticos da potˆencia ativa gerada nas barras reguladoras com rela¸c˜ao ao valor de referˆencia pode ser estabelecido como o objetivo. Neste caso, ´e necess´ario resolver um problema de otimiza¸c˜ao de porte reduzido, da forma, Minimize 1 2(P ref gr + Ftr∆s) t(Pref gr + Ftr∆s) (14) onde Pref

gr ´e um vetor coluna de ordem nr, cujos

componentes s˜ao os valores de referˆencia da gera-¸c˜ao de potˆencia ativa nas barras reguladoras; Ftr

a submatriz da matriz Ftdefinida anteriormente,

correspondente as barras de regula¸c˜ao (e portanto de dimens˜ao (nr× nr)), e ∆s ´e um vetor coluna

de ordem nr, com componentes ∆si.

Da Eq. (11),

∆s= ∆y0s+ T0rz (15)

onde ∆y0s e T0r s˜ao respectivamente o vetor com

as componentes de ∆y0e a submatriz de T0,

am-bos relativos as barras reguladoras. Substituindo-se a Eq. (15) na Eq. (14) e aplicando-Substituindo-se as con-di¸c˜oes de otimalidade de primeira ordem, a solu-¸c˜ao do problema de otimiza¸c˜ao resultante ´e obtida resolvendo-se o sistema linear

(Tt 0rF t trFtrT0r)z = −T t 0rF t trFtr(P ref gr + ∆y0s) (16) onde a matriz de coeficientes e o vetor do lado direito tem dimens˜oes (nr− nt) × (nr− nt) e (nr−

nt) × 1), respectivamente.

O problema de otimiza¸c˜ao da Eq. (14) ´e ir-restrito e portanto a solu¸c˜ao correspondente ao espa¸co nulo tende a minimizar acentuadamente os desvios na gera¸c˜ao de potˆencia ativa das bar-ras reguladobar-ras. Isto ´e compensado pela gera-¸c˜ao da barra de folga, calculada ap´os a conver-gˆencia do processo iterativo. Al´em disso, devido

a inclus˜ao de Pref

gr no vetor do lado direito da

Eq. (16), os incrementos obtidos como solu¸c˜ao deste sistema linear possuem consider´avel magni-tude quando comparados com os respectivos com-ponentes da solu¸c˜ao de m´ınima norma Euclideana. Visando determinar uma solu¸c˜ao geral mais equi-librada em termos dessas duas componentes, a so-lu¸c˜ao correspondente ao espa¸co nulo ´e modificada pelo fator de passo,

α= β||∆y0|| ||T0z||

(17) onde β ´e um escalar especificado pelo usu´ario. O componente ||∆y0||

||T0z||

uniformiza as duas solu¸c˜oes em termos de magnitude dos componentes. O es-calar β pode ser usado controlar diretamente os incrementos de gera¸c˜ao de potˆencia das barras re-guladoras e indiretamente a gera¸c˜ao de potˆencia ativa da barra de folga. Assim, β = 0 implica em desvios de pequena magnitude, distribu´ıdos uni-formemente como decorrˆencia da natureza da so-lu¸c˜ao de m´ınima norma Euclideana. Na medida em que este escalar aumenta, mais gera¸c˜ao de po-tˆencia ativa ´e atribu´ıda a barra de folga. Note ainda, que o fator α tende a zero na convergˆencia do processo iterativo.

Visando avaliar a solu¸c˜ao do problema de fluxo de potˆencia com restri¸c˜oes de intercˆambio, o procedimento sumarizado na sequˆencia de pas-sos descrita a seguir foi utilizado.

1. determina¸c˜ao da solu¸c˜ao do fluxo de potˆencia convencional para o caso base;

2. especifica¸c˜ao da varia¸c˜ao percentual da carga de cada ´area e dos intercˆambios de potˆencia ativa;

3. solu¸c˜ao do problema de fluxo de potˆencia es-tendido expresso pela Eq. (5).

O objetivo dos testes foi observar os seguintes aspectos:

1. o processo iterativo com rela¸c˜ao a influˆencia dos diferentes fatores de pondera¸c˜ao atribu´ı-dos a solu¸c˜ao correspondente ao espa¸co nulo; 2. a qualidade das solu¸c˜oes obtidas com o uso dos fatores ∆Pgi da Eq. (1) definidos com

base na capacidade m´axima de gera¸c˜ao de po-tˆencia ativa da ´area segundo a Eq. (2).

4 Resultados da simula¸c˜ao

Para a obten¸c˜ao dos resultados num´ericos, o sistema-teste IEEE 118-barras foi decomposto nas quatro ´areas mostradas na figura 1. A divis˜ao das ´areas de intercˆambio foi proposta em (Lin e Horng, 2011).

O sistema ´e composto por 54 geradores distri-bu´ıdos nas quatros ´areas: ´area 1 (15 geradores), ´

(6)

Figura 1: Sistema-teste IEEE 118 barras: 4 ´areas interligadas

4 (16 geradores). Destes geradores foram deter-minadas 16 barras de regula¸c˜ao: ´area 1 (barras 49, 54, 59, 61, 65 e 66), ´area 2 (barras 12 e 46), ´area 3 (barras 10, 25 e 26) e ´area 4 (barras 80, 89, 100, 103 e 111). Inicialmente foi determinada a solu¸c˜ao do fluxo de potˆencia para o caso base, a qual ´e apresentada por ´area nas tabelas 1 e 2. Nesta condi¸c˜ao, os fluxos de intercˆambio entre as ´areas s˜ao: P12= 503, 14 MW, P13= 26, 57 MW,

P14= −269, 66 MW e P23= −434, 61 MW. Posteriormente, foi suposto um aumento de 15% na demanda total do sistema, com um au-mento de 15% nos fluxos de potˆencia ativa dos intercˆambios P12, P13 e P14 o que restringe

es-tes fluxos aos valores 578,61, 30,55 e -310,11 MW, respectivamente.

A tabela 3 mostra a solu¸c˜ao do problema de fluxo de potˆencia com a inclus˜ao dos intercˆam-bios programados e aumento de carga, obtida ap´os 18 itera¸c˜oes do m´etodo de Newton-Raphson. Du-rante o processo iterativo a potˆencia ativa das bar-ras de regula¸c˜ao ´e ajustada de acordo a com a Eq. (1) at´e que os desbalan¸cos nos fluxos de intercˆam-bio programados satisfa¸cam o crit´erio de conver-gˆencia adotado (1.0 ×10−3 pu(MW)). Ap´os isto,

o ajuste ´e feito para satisfazer o desbalan¸co de po-tˆencia ativa das barras de regula¸c˜ao, o que requer em geral duas itera¸c˜oes adicionais para a conver-gˆencia. Deve ser observado que o n´umero de itera-¸c˜oes para a convergˆencia depende mais das restri-¸c˜oes impostas do que do porte do sistema el´etrico. Em ternos de CPU, as 18 itera¸c˜oes correspondem a um esfor¸co computacional de 4,2 segundos.

Pode ser observado que as gera¸c˜oes de po-tˆencia ativa totais das ´areas 1, 2, 3 e 4

aumen-Tabela 1: Resultado do fluxo de potˆencia - caso base Barra V delta Pg Qg ´ Area 1 49 1,02 -9,00 204,00 115,69 54 0,95 -14,70 48,00 3,93 59 0,98 -10,62 155,00 105,26 61 0,98 -5,80 160,00 -146,35 65 1,00 -2,28 391,00 101,97 66 1,05 -2,47 392,00 -2,13 ´ Area 2 1246 0,991,00 -17,51-11,44 85,0019,00 91,28-5,25 ´ Area 3 10 1,05 5,87 450,00 -51,04 25 1,05 -1,82 220,00 49,72 26 1,01 -0,04 314,00 9,89 ´ Area 4 80 1,04 -1,00 477,00 104,90 89 1,00 9,73 607,00 -13,66 100 1,02 -1,92 252,00 108,87 103 1,00 -5,52 40,00 41,69 111 0,98 -10,22 36,00 -1,84

(7)

Tabela 2: Fluxos nas Interliga¸c˜oes - caso base De Para MW Mvar interliga¸c˜ao 1-2 47 46 25,84 0,38 49 42 119,00 18,73 49 42 119,00 18,73 49 45 36,22 0,21 49 48 29,30 3,85 65 38 173,75 -8,53 Total 503,14 interliga¸c˜ao 1-3 70 24 6,24 -1,86 70 71 20,32 -11,95 Total 26,57 interliga¸c˜ao 1-4 77 80 -81,47 -54,39 77 80 -81,47 -54,39 79 80 -46,60 -28,62 81 80 -44,38 -124,12 77 82 -15,73 21,40 Total -269,66 interliga¸c˜ao 2-3 4 5 -82,41 -26,69 3 5 -56,05 -13,16 7 6 -34,18 -4,49 11 5 -63,74 3,84 12 16 4,04 5,33 15 17 -74,04 -22,32 18 17 -60,42 25,49 19 20 -12,45 6,70 38 30 -55,33 38,52 Total -434,61 taram de 1350 MW , 104 MW, 984 MW e 1412 MW para 1480,20 MW, 107,64 MW, 1118,10 MW e 1585,20 MW, respectivamente. As demandas totais do caso base das ´areas 1(1432 MW e 486 MVAr), 2 (941 MW e 393 MVAr), 3 (372 MW e 138 MVAr) e 4 (923 MW e 421 MVAr) atingiram os valores 1646,80 MW e 558,90 MVAr (´area 1); 1082,10 MW e 451,95 MVAr (´area 2); 427,80 MW e 158,70 MVAr (´area 3) e 1061,4 MW e 484,15 MVAr (´area 4) na solu¸c˜ao obtida ap´os o aumento de carga.

Os fluxos de potˆencia ativa e reativa nas li-nhas de intercˆambio ap´os a varia¸c˜ao da demanda s˜ao mostrados na tabela 4. Observe que as restri-¸c˜oes programadas nos intercˆambios (´areas 1 e 2 , ´areas 1 e 3 e ´areas 1 e 4) s˜ao satisfeitas, ou seja, es-tes fluxos de intercˆambio aumentam em 15% com rela¸c˜ao aos valores do caso base (P12 = 578, 61

MW, P13 = 30, 55 MW, P14 = −310, 02 MW).

Por outro lado, o intercˆambio entre as ´areas 2 e 3 tem uma varia¸c˜ao de 17% (-434,61/-508,59) em re-la¸c˜ao ao caso base, o que ´e atribu´ıdo a ausˆencia de restri¸c˜ao correspondente a um valor programado. Deve ser enfatizado que h´a um compromisso en-tre o aumento de carga, a programa¸c˜ao do fluxo de intercˆambio que suprir´a este aumento e a ge-ra¸c˜ao de potˆencia ativa de cada ´area. Desde que o problema de fluxo de potˆencia com restri¸c˜oes de intercˆambio ´e resolvido sob o ponto de vista global, a programa¸c˜ao equivocada do intercˆambio de potˆencia pode facilmente inviabilizar a solu¸c˜ao. Por exemplo, pode haver reserva de potˆencia ativa numa determinada ´area, mas a restri¸c˜ao de inter-cˆambio impede que a mesma seja utilizada.

Na tabela 5 ´e apresentada a varia¸c˜ao na ge-ra¸c˜ao de potˆencia ativa na barra de folga do

sis-Tabela 3: Resultado do fluxo de potˆencia - ap´os a varia¸c˜ao de carga Barra V delta Pg Qg ´ Area 1 49 1,02 -12,12 220,68 145,45 54 0,95 -19,20 48,89 22,20 59 0,98 -14,43 163,23 139,21 61 0,98 -8,70 168,27 -99,75 65 1,00 -3,83 436,23 85,78 66 1,05 -4,40 442,90 17,00 ´ Area 2 1246 0,991,00 -22,78-15,25 94,8812,75 110,475,69 ´ Area 3 10 1.05 2,15 465,63 -48,66 25 1,03 -2,49 267,51 -34,02 26 1,02 -0,58 384,92 104,36 ´ Area 4 80 1,00 -1,43 546,61 -27,94 89 1,02 9,68 692,31 37,83 100 1,03 -3,96 269,41 155,00 103 0,99 -7,88 40,45 14,82 111 0,98 -13,46 36,38 -1,75

Tabela 4: Fluxos nas Interliga¸c˜oes - ap´os a varia-¸c˜ao de carga De Para MW Mvar interliga¸c˜ao 1-2 47 46 36,65 0,38 49 42 138,29 18,73 49 42 138,29 18,73 49 45 43,99 0,21 49 48 34,78 3,85 65 38 209,47 -8,53 Total 578,61 interliga¸c˜ao 1-3 70 24 8,33 -1,86 70 71 22.21 -11.95 Total 30,55 interliga¸c˜ao 1-4 77 80 -97,36 -54,39 77 80 -97,36 -54,39 79 80 -52,86 -28,62 81 80 -57,68 -124,12 77 82 -4,74 21,40 Total -310,02 interliga¸c˜ao 2-3 4 5 -93,51 -26,69 3 5 -65,08 -13,16 7 6 -37,57 4.76 11 5 -70,10 0.21 12 16 -0,53 5,33 15 17 -92,49 -22,31 18 17 -71,43 -25,49 19 20 -18,35 -6,70 38 30 -56,52 -35.52 Total -508,59

(8)

tema, devido ao valor especificado de β. Pode ser observado que o valor de potˆencia ativa gerada au-menta conforme o valor de β ´e acrescido, passando de 667,48 MW na solu¸c˜ao de m´ınima norma para 750,42 MW (β = 1, 6).

Tabela 5: Varia¸c˜ao da Potˆencia gerada na Barra de folga em Fun¸c˜ao de β β Pg f (MW) Qgf (MVar) -1,5 665,85 -9,73 -1,0 657,92 -97,76 0 667,48 -40,73 1,0 729,17 -158,11 1,6 750,42 -31,03

Os resultados num´ericos apresentados nesta se¸c˜ao foram obtidos com os fatores ∆Pgi definidos

de acordo com a Eq. (2). Valores unit´arios tam-b´em foram testados. Entretanto, verificou-se que geralmente a especifica¸c˜ao dos fluxos nas linhas de intercˆambio conduz a uma solu¸c˜ao do fluxo de potˆencia na qual estes fatores de distribui¸c˜ao exer-cem pouca influˆencia.

A an´alise dos resultados do fluxo de potˆencia mostra que o n´ıvel de tens˜ao das barras do siste-mas se manteve dentro dos limites especificados (0,90 e 1,05 pu), tanto no caso base quanto ap´os a varia¸c˜ao da carga e do intercˆambio. Isto se deve ao grau de acoplamento reduzido entre as malhas P δ− QV do sistema-teste. Outro dado impor-tante s˜ao as perdas de potˆencia ativa nas linhas de transmiss˜ao, que no caso base foram 132.99 MW e ap´os a varia¸c˜ao de carga atingiram o valor de 177,40 MW. Este aumento de 33,44% ´e devido a localiza¸c˜ao das barras de regula¸c˜ao em cada ´area.

5 Conclus˜oes

Este trabalho aborda o problema da determina¸c˜ao de solu¸c˜oes das equa¸c˜oes da rede el´etrica em re-gime permanente com restri¸c˜oes de intercˆambio programado. A formula¸c˜ao do fluxo de potˆen-cia convencional ´e estendida para incluir o mo-delo anal´ıtico das restri¸c˜oes de intercˆambio. A inclus˜ao da potˆencia ativa gerada nas barras re-guladoras como vari´avel do problema de fluxo de potˆencia resulta num sistema linear subdetermi-nado na solu¸c˜ao atrav´es do m´etodo de Newton-Raphson. Este tipo de modelagem tem a vanta-gem de flexibilizar a determina¸c˜ao de diferentes n´ıveis de potˆencia ativa gerada. Os resultados nu-m´ericos apresentados para um modelo de potˆen-cia constante ilustram o potenpotˆen-cial da metodologia proposta em estudos de planejamento da opera¸c˜ao dos sistemas el´etricos de potˆencia.

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