RECOMENDAÇÃO CONJUNTA Nº 01/2021
A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, por intermédio do Núcleo Especializado em Tutelas Coletivas, no uso das atribuições que lhe são conferidas nos artigos 5º, LXXXIV e 134, da Constituição Federal, no artigo 5º da Lei de nº 7.347/85, o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, o
MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO e o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL no uso
das atribuições que lhes são conferidas pelo art. 129, inciso II, da Constituição Federal, e, ainda:
CONSIDERANDO ser a Defensoria Pública instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos hipossuficientes, na forma do inciso LXXIV, do artigo 5º, desta Constituição Federal;
CONSIDERANDO ser o Ministério Público instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (artigo 127, caput, da Constituição Federal);
CONSIDERANDO ser função institucional do Ministério Público e da Defensoria Pública a promoção da Ação Civil Pública, para a proteção do direito a uma assistência digna à saúde da coletividade, na defesa dos direitos difusos e coletivos;
CONSIDERANDO que a saúde é direito de todos (artigo 6ª da Constituição Federal) e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (artigo 196, Constituição Federal); CONSIDERANDO que a infecção humana causada pelo novo coronavírus (2019-nCoV) foi declarada como situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), conforme expresso no anexo II do Regulamento Sanitário Internacional, tendo sido declarada, no Brasil, em 03 de fevereiro de 2020, através da Portaria nº 188 do Ministério da Saúde, como situação de emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, tendo sido estabelecidas ações e medidas excepcionais de isolamento social e restrição de atividades para prevenção, controle e enfrentamento da Covid-19 na Lei de nº 13.979, de 06 de fevereiro de 2020;
CONSIDERANDO que o artigo 23, inciso II, da Constituição Federal e a Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, em seu art. 15, inciso XXI, dispôs que é atribuição comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios fomentar, coordenar e executar programas e projetos estratégicos e de atendimento emergencial;
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CONSIDERANDO que, nos termos da Lei nº 8.080/1990, as ações e serviços de saúde que integram o Sistema Único de Saúde são organizados de forma regionalizada, regidos pelos princípios da universalidade do acesso, da integralidade da assistência e da conjunção dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos de todos os entes federativos.
CONSIDERANDO que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o uso emergencial da vacina Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e da vacina Covishield, produzida pela farmacêutica Serum
Institute of India, em parceria com a AstraZeneca/Universidade de Oxford/Fiocruz, no dia
17 de janeiro de 2021;
CONSIDERANDO que o Plano Nacional de Imunização1 “organiza toda a política nacional
de vacinação da população brasileira e tem como missão o controle, a erradicação e a eliminação de doenças imunopreveníveis”, e é considerado uma das principais e mais relevantes intervenções em saúde pública no Brasil, em especial pelo importante impacto obtido na redução de doenças nas últimas décadas”, e que incumbe ao Ministério da Saúde a coordenação do PNI (incluindo a definição das vacinas nos calendários e das campanhas nacionais de vacinação), as estratégias e as normatizações técnicas sobre sua utilização;
CONSIDERANDO que o Plano Nacional de Imunização, atualizado em 22 de janeiro de 2021, definiu como grupos prioritários: trabalhadores de saúde; pessoas de 75 anos de idade ou mais; pessoas de 60 anos de idade ou mais institucionalizadas; pessoas com deficiência institucionalizadas, população indígena, povos e comunidades tradicionais ribeirinhas, povos e comunidades tradicionais quilombolas (Fase 1); pessoas com comorbidades (incluindo, entre estas, pessoas com síndrome de down), pessoas com deficiência permanente grave, pessoas em situação de rua, população privada de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade, trabalhadores da educação do ensino básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e EJA), trabalhadores da educação do ensino superior, forças de segurança e salvamento, forças armadas, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiro, trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário, trabalhadores de transporte aéreo, trabalhadores de transporte aquaviário, caminhoneiros, trabalhadores portuários e trabalhadores industriais;
CONSIDERANDO que a Lei nº 13.979/2020, que dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do novo coronavírus, estabeleceu no art. 3º-J, que “durante a emergência de saúde pública decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019, o poder público e os empregadores ou contratantes adotarão, imediatamente, medidas para preservar a saúde e a vida de todos os profissionais considerados essenciais ao controle de doenças e à 1 BRASIL. Lei no 6.259, de 30 de outubro de 1975. Dispõe sobre a organização das ações de Vigilância Epidemiológica, sobre o Programa Nacional de Imunizações, estabelece normas relativas à notificação compulsória de doenças, e dá outras providências.http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 6.259-1975?OpenDocument Diário Oficial da União: seção 1, 30 de out. de 1975. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6259.htm.
manutenção da ordem pública”, e elencou, no seu §1º, dentre as profissões que merecem especial proteção, os trabalhadores vigilantes que trabalham em unidades públicas e privadas de saúde; maqueiros, maqueiros de ambulância e padioleiro; profissionais de limpeza e motoristas de ambulância, indicando, assim, que o critério para definição dos profissionais que estão na linha de frente da pandemia se estende aos terceirizados que prestam serviços auxiliares aos profissionais de saúde, no mesmo ambiente de trabalho; CONSIDERANDO que, em decorrência da insuficiência do número de doses para a Primeira Fase do Processo de Imunização, o Ministério da Saúde, no Informe Técnico da Campanha Nacional de Vacinação contra a Covid-19, publicado em 18 de janeiro de 2021, recomendou que, dentro do grupo de trabalhadores em saúde, fossem priorizados: equipes de vacinação, trabalhadores das Instituições de Longa Permanência de Idosos e de Residências Inclusivas (Serviço de Acolhimento Institucional em Residência Inclusiva para jovens e adultos com deficiência); trabalhadores dos serviços de saúde públicos e privados, tanto da urgência quanto da atenção básica, envolvidos diretamente na atenção/referência para os casos suspeitos e confirmados de covid-19;
CONSIDERANDO que o Protocolo de Manejo Clínico da COVID-19 para a atenção primária prevê que as ações de assistência serão desenvolvidas na APS (Atenção Primária à Saúde)/ESF (Estratégia de Saúde da Família) e nos Centros de Referência/Atenção Especializada, de modo que os profissionais dessas unidades estão reconhecidamente na linha de frente da assistência aos pacientes confirmados ou com suspeita de COVID-19, entre eles os agentes comunitários de saúde;
CONSIDERANDO que a Lei nº 13.979/2020, no seu §1º, elenca os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias como profissionais que estão na linha de frente da pandemia;
CONSIDERANDO que o Estado do Rio Grande do Norte, em 18 de janeiro de 2021, recebeu apenas 82.440 doses da vacina CORONAVAC e que, destas, 12.335 foram destinadas ao Município do Natal para a aplicação da 1ª dose do esquema vacinal, tendo sido recebidas, nos dias 24 e 25 de janeiro de 2021, apenas mais 31.500 doses da vacina CORONAVAC e 14.600 doses da vacina ASTRAZENECA para distribuição em todo o Estado;
CONSIDERANDO que, em informe apresentado na imprensa local e em reunião extrajudicial ocorrida no dia 18 de janeiro de 2021, com a presença de representantes da Defensoria Pública do Estado, do Ministério Público do Estado, do Ministério Público Federal, do Ministério Público do Trabalho, da Secretaria de Saúde do Estado e do Conselho Municipal de Saúde, a Secretaria Municipal de Saúde comunicou que, em face da insuficiência do número de doses, priorizaria os idosos institucionalizados, cuidadores que trabalham nas Instituições de Longa Permanência e profissionais de saúde que atuam em UTIs e nos hospitais e unidades de saúde de referência para atendimentos de pacientes Covid-19, suspeitos ou confirmados, exigindo destes a apresentação de declaração de vínculo e comprovação da escala de plantão;
CONSIDERANDO, portanto, a necessidade de seguir critérios objetivos e impessoais para a escolha dos trabalhadores de saúde que serão contemplados;
CONSIDERANDO a existência de grupo de trabalhadores da saúde especialmente vulnerável às complicações decorrentes da Covid-19, nele incluídos os idosos e as pessoas com comorbidades, a exemplo de hipertensão de difícil controle, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer, obesidade grave, conforme o anexo I do informe técnico de vacinação contra a Covid-19; CONSIDERANDO que os trabalhadores da saúde a serem inicialmente vacinados devem, necessariamente, estar diretamente envolvidos na linha de frente, ou seja, na atenção/referência para os casos suspeitos e confirmados de Covid-19, nos termos do informe técnico de vacinação contra Covid-19;
CONSIDERANDO que, por linha de frente, no caso dos municípios que não têm leitos de UTI ou de enfermaria de Covid-19, consiste nos trabalhadores da saúde que atuam nos serviços da atenção básica;
CONSIDERANDO que não deve haver discriminação entre classes de trabalhadores (técnicos de enfermagem, serviços gerais, médicos, enfermeiros, segurança de unidades de saúde, fisioterapeutas etc.), devendo-se adotar critérios objetivos, como os acima citados, dentro do grupo, conjugados com o risco de morte e de transmissão a que efetivamente está exposto o trabalhador;
CONSIDERANDO que, assim, os agentes públicos responsáveis pela delimitação das prioridades devem identificar, por grau de exposição inerente ao trabalho, as pessoas que se enquadram dentro de grupos de riscos;
CONSIDERANDO que a vacinação de profissionais de saúde em grupo de risco favorece, também, a retomada de sua atividade profissional, mormente no momento atual da crise sanitária em que o país inteiro enfrenta um déficit destes profissionais;
CONSIDERANDO que a vacinação de trabalhadores da saúde promove duplo benefício, pois protege contra transmissão e realiza proteção indireta a pacientes hospitalizados, assim como aqueles que não podem ser vacinados (no caso das vacinas contra a Covid-19, as grávidas, lactantes, menores de 18 anos, imunodeprimidos etc);
CONSIDERANDO as Orientações da Organização Mundial de Saúde a respeito dos critérios de priorização de vacinação em cenários de escassez de vacina;
CONSIDERANDO que o Serviço de Acolhimento Institucional de Pessoas com Deficiência (residências inclusivas) se afigura como serviço público essencial, na forma do artigo 3º, §
7º-C, da Lei nº 13.979/20202 e que a imunização das pessoas com deficiência acolhidas e
respectivos cuidadores contribuirá para a manutenção ininterrupta do serviço e acolhimento de novos residentes em situação de vulnerabilidade;
2 § 7º-C Os serviços públicos e atividades essenciais, cujo funcionamento deverá ser resguardado quando adotadas
as medidas previstas neste artigo, incluem os relacionados ao atendimento a mulheres em situação de violência doméstica e familiar, nos termos da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, a crianças, a adolescentes, a pessoas idosas e a pessoas com deficiência vítimas de crimes tipificados na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), na Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), na Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), e no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal).
CONSIDERANDO que, em 19 de janeiro de 2021, data de início da campanha de vacinação no Município do Natal foi amplamente noticiada na imprensa a aplicação de doses de vacinas a pessoas não integrantes dos quadros de unidades hospitalares ou unidades de saúde, e não enquadradas no conceito de trabalhadores em saúde;
CONSIDERANDO as situações relatadas por membros do Conselho Municipal de Saúde durante a reunião ocorrida em 21 de janeiro de 2021, sobretudo no que pertine à imunização de profissionais que não integram o conceito de profissionais de saúde e a seleção de voluntários para operacionalização do plano municipal de imunização;
CONSIDERANDO que, de acordo com o Manual de Normas e Procedimentos para
Vacinação3, as campanhas, as intensificações, as operações de bloqueio e as atividades
extramuros devem ser operacionalizadas pela equipe da atenção primária, com apoio dos níveis distrital, regional, estadual e federal, sendo fundamental o fortalecimento da esfera municipal.
CONSIDERANDO que, de acordo com o artigo 37, caput, da Constituição Federal, os serviços públicos, dentre os quais os de prevenção, promoção e recuperação da saúde, devem ser prestados com a máxima eficiência e transparência possível, sobretudo por se tratar de direito que busca assegurar o direito à vida digna a todo e qualquer cidadão (artigo 1º, inciso III e artigo 5º, caput, da Constituição Federal);
CONSIDERANDO que a Portaria nº 69, de 14 de janeiro de 2021, que instituiu “a obrigatoriedade de os serviços de vacinação públicos e privados efetuarem o registro das informações sobre as vacinas contra a COVID-19 aplicadas, nos sistemas de informação disponibilizados pelo Ministério da Saúde”, estabeleceu, em seu artigo 5º, que “os serviços de vacinação públicos e privados que utilizam sistemas de informação próprios ou de terceiros poderão fazer a transferência dos dados de vacinação contra a COVID-19 para a base nacional de imunização, por meio do Portal de Serviços da Rede Nacional de Dados em Saúde – RNDS, conforme orientações do Ministério da Saúde.”
CONSIDERANDO que, no Estado do Rio Grande do Norte, o registro das doses aplicadas deverá ser realizado, em todos os Municípios, através do aplicativo RN Mais Vacinas, desenvolvido em parceria pelo LAÍS-UFRN, UERN e SESAP/RN, como forma de dar maior transparência e ampla publicidade à população norte-rio-grandense quanto à aplicação das doses das vacinas para os grupos prioritários estabelecidos pelo Ministério da Saúde no Plano Nacional de Imunização, bem como para fins de controle epidemiológico.
CONSIDERANDO que, de acordo com a Nota Técnica nº 1/2021/SESAP – SUVIGE/SESAP – CPS/SESAP, o RN Mais Vacina “garantirá a interoperabilidade com o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), ou seja, o repasse de todas as informações das doses aplicadas ao Ministério da Saúde, desde que todos os serviços que possuam sala de vacina estejam com o CNES atualizado para esta atividade, seja para pontos de vacinação da rede pública ou privada de saúde. O RN Mais Vacinas tem o objetivo de simplificar a entrada de dados e agilizar o tempo médio de
3 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_vacinacao.pdf. Acesso em 21 janeiro 2021.
realização do registro do vacinado, disponibilizando o MÓDULO DO USUÁRIO. Neste, os usuários poderão se cadastrar previamente, indicando o grupo prioritário ao qual pertence, e disponibilizará informações para a conclusão de seu cadastro.”
CONSIDERANDO que, nesta data, em consulta ao referido sistema, verificou-se que o Município do Natal, embora já tenha imunizado em torno de 10.000 (dez mil) pessoas, até o momento só registrou no RN + Vacinas o quantitativo de 3.582 (três mil, quinhentos e oitenta e duas), circunstância que pode configurar quebra do princípio da transparência e dever de publicidade que rege a Administração Pública;
CONSIDERANDO que, no atual panorama de insuficiência de doses de vacina e da necessidade de vacinar os grupos identificados como prioritários, a prática conhecida como “fura-fila” pode configurar ato de improbidade administrativa por ofensa aos princípios da impessoalidade, legalidade e moralidade, consoante previsão do 11 da lei 8429/92;
CONSIDERANDO que o artigo 2º, inciso IV, da Portaria nº 69, de 14 de janeiro de 2021, do Ministério da Saúde, estabelece que compete aos serviços de vacinação “investigar incidentes e falhas em seus processos que podem ter contribuído para a ocorrência de erros de vacinação”;
CONSIDERANDO que a prática de “furar a fila” da campanha de vacinação pode caracterizar, ainda, os crimes previstos no art. 33, parágrafo único da lei 13.869/2019, arts.268, 317, §2º, 319 e 333 do Código Penal;
CONSIDERANDO que a apresentação de documento ou informação falsa para se vacinar pode configurar a prática dos crimes previstos nos artigos 297, 298 e 304 do Código Penal; e
CONSIDERANDO que a responsabilização por ato de improbidade e por crime pode, em tese, abranger o servidor público e o particular beneficiário dos atos;
RESOLVEM:
1. RECOMENDAR ao Secretário de Saúde do Município do Natal, que no prazo de 05 (cinco) dias:
I. Proceda à atualização do Plano Municipal de Operacionalização da Vacinação
contra a COVID-19, em consonância com as novas diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde no Plano Nacional de Imunização atualizado em 22 de janeiro de 2021, com indicação das estimativas populacionais por grupo prioritário;
II. Inclua no Plano de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 no Município
do Natal o conceito de “trabalhador de saúde”, indicando de forma clara e precisa quais áreas de atuação profissional deverão ser albergadas pelo conceito, inclusive os tipos de profissionais de saúde que integram a equipe de vacinação e os serviços terceirizados executados no mesmo local de trabalho dos trabalhadores de saúde que atuam na
III. Determine a toda a equipe de vacinação o rígido controle dos documentos apresentados pelas pessoas a serem vacinadas nos grupos prioritários, em consonância com os critérios comprobatórios estabelecidos no Plano Nacional de Imunização;
IV. Determine a toda a equipe de vacinação, no caso dos profissionais de saúde, o
controle não apenas do documento de identificação civil e da declaração de vínculo, mas também da respectiva escala de serviço da unidade hospitalar ou serviço de saúde que atue no atendimento direto ao paciente suspeito/confirmado com Covid-19, tendo em vista a insuficiência do número de doses e o estabelecimento de critério de priorização pelo Ministério da Saúde;
V. Apresente as escalas de serviços encaminhadas pelas Unidades Hospitalares,
Serviços de Pronto Atendimento, Centros de Atendimento e Serviços de Saúde de atendimento a pacientes suspeitos e confirmados com COVID-19;
VI. Diligencie para que seja cumprida a ordem de prioridade da vacinação contra a
Covid-19, e, para tanto, que a vacinação dos trabalhadores da saúde seja realizada a partir de listas nominais, previamente elaboradas e encaminhadas pelos gestores das unidades, contendo as informações sobre os critérios de prioridade e risco (idade/comorbidade, local de trabalho e atividades de risco que exercem), devendo essas listas nominais ser encaminhadas ao Ministério Público no prazo de cumprimento desta Recomendação;
VII. Adote todas as providências cabíveis para que, na aplicação da segunda dose das vacinas aos profissionais de saúde, seja elaborada lista nominal, previamente organizada por ordem alfabética ou por unidades/serviços de saúde, a fim de assegurar maior controle do procedimento de imunização, divulgando-as previamente para amplo conhecimento do grupo prioritário a ser imunizado, e encaminhando-as ao Ministério Público para fins de fiscalização e acompanhamento;
VIII. Determine a toda a equipe de vacinação que efetue o registro das doses aplicadas e controle de estoque no sistema informatizado RN + Vacinas, fazendo uso de registros manuais apenas na hipótese de indisponibilidade do sistema, a qual deverá ser registrada em ata ou livro próprio, com indicação do dia e horário da ocorrência, na forma do artigo 5ª da Portaria nº 69, de 14 de janeiro de 2021, do Ministério da Saúde;
IX. Determine que seja registrado, nos cartões de vacinação das pessoas imunizadas,
de forma legível, todos os dados expressos no artigo 4º da Portaria nº 69, de 14 de janeiro de 2021;
X. Operacionalize, em consonância com o Informe Técnico do Ministério da Saúde
publicado no dia 18 de janeiro de 2021, a imunização das pessoas maiores de 18 anos institucionalizadas/acolhidas em residências inclusivas (Serviço de Acolhimento Institucional em Residência Inclusiva para jovens e adultos com deficiência) localizadas no Município do Natal, bem como os profissionais de saúde das referidas unidades;
XI. Priorize, para composição da equipe de vacinadores, ainda que em sistema de
drive-thru, os profissionais de saúde que já integrem o quadro de pessoal da Secretaria
Municipal de Saúde, apresentando, na hipótese de insuficiência desses profissionais, relatório detalhado do quantitativo necessário e do quadro de pessoal existente, e assegurando que sempre se utilize a força de trabalho de enfermeiros ou técnicos de enfermagem devidamente registrados no COREN;
XII. Abstenha-se de, a cada nova fase da campanha, autorizar imunização de voluntários da área administrativa que não integrem a equipe de profissionais de saúde responsável pela vacinação e/ou os grupos prioritários definidos no Plano Nacional de Imunização da COVID-19, e utilize o conceito de equipe de vacinação contido no Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde;
XIII. Estruture, para as demais fases/etapas do processo de imunização, na forma do Plano Nacional de Imunização e do Plano Estadual de Imunização, as salas de vacinas com equipamentos de informática em número suficiente e acesso à rede de internet para fins de registro in loco dos dados, durante o procedimento de imunização, e para evitar aglomerações ou aumento do tempo de espera;
XIV. Adote estratégias, na fase de imunização de idosos, que possam contemplar a vacinação daqueles que possuam mobilidade limitada ou que estejam acamados, cuja busca ativa deverá, se possível, ser previamente realizada pelas equipes de atenção primária de saúde;
XV. Atue com transparência na execução da vacinação contra a Covid-19, envidando esforços para que sejam amplamente divulgadas as metas vacinais atingidas;
XVI. Acione os Conselhos Municipais de Saúde para que exerçam, no âmbito de suas atribuições, o controle social que lhes foi atribuído pela Lei nº 8.142/90, fiscalizando a execução dos planos locais de vacinação contra a Covid-19;
XVII. Comunique imediatamente ao Ministério Público os casos de fraude, irregularidade ou tentativa de fraude na ordem de vacinação.
2. NOTIFICAR o Secretário de Saúde do Município do Natal, a fim de que informe, no referido prazo de 5 (cinco) dias, as providências técnicas que foram adotadas para implementação das medidas recomendadas e remeta a lista dos voluntários profissionais de saúde e de outras categorias que se encontram exercendo atividades nos drive-thrus instalados no Município do Natal para operacionalização da imunização contra a Covid-19, podendo tais informações ser prestadas por meio dos seguintes e-mails:
[email protected] e [email protected].
Adverte-se que a presente Recomendação cientifica e constitui em mora o destinatário quanto às providências solicitadas e poderá implicar a adoção das medidas judiciais cabíveis contra os responsáveis.
A presente Recomendação deverá, ainda, ser encaminhada, em cópia, ao Conselho Municipal de Saúde e à Ouvidoria do SUS no Estado do Rio Grande do Norte para ciência e eventual apoio operacional na fiscalização do cumprimento das medidas indicadas.
Publique-se.
Natal, 26 de janeiro de 2021.
Cláudia Carvalho Queiroz Defensora Pública do Estado
Raquel Batista de Ataide Fagundes Promotora de Justiça Substituta
Gilcilene da Costa de Sousa Promotora de Justiça
Victor Manoel Mariz Procurador da República
Xisto Tiago de Medeiros Neto Procurador Regional do Trabalho
Procurador-Chefe do MPT/RN
Ileana Neiva Mousinho Procuradora Regional do Trabalho
Coordenadora da CONAP/MPT
Luís de Camões Lima Boaventura Procurador da República
Lílian Vilar Dantas Barbosa Procuradora do Trabalho Vice-Procuradora-chefe do MPT/RN
Assinado digitalmente em 27/01/2021 14:11. Para verificar a autenticidade acesse http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 08DCFB7F.51F3167E.E34C0078.475325B6
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