Texto

(1)

Mais conteúdo de qualidade em www.headcoachbrasil.com 1

APRESENTAÇÃO DO AUTOR

Coach Pokey Allen escreveu esse artigo em 1988, quando era head coach da Universidade de Portland State. Ele acumulou 6 títulos de conferências em sua carreira de 1987 a 1994, sendo 5 deles no segundo escalão do futebol universitário.

O time mais tradicional que ele treinou, no entanto, foi quando assumiu o comando de Boise State University em 1993. Ele ficou por lá até 1996 e conquistou 1 título de conferência da Divisão 1 do FBS (Football Bowl Subdivision)

Seu recorde é de 87 vitórias e apenas 41 derrotas (2 empates), um ótimo aproveitamento. Infelizmente, morreu cedo, com 53 anos em 1996, vítima de um câncer raro.

(2)

Mais conteúdo de qualidade em www.headcoachbrasil.com 2

“Jogo aéreo em terceiras descidas”

Pokey Allen

Na semana anterior a cada jogo, nós preparamos uma folha “pronta” para lidar com cada situação com que podemos nos deparar no jogo. Na segunda-feira à noite, nós começamos a considerar nosso plano de jogo preliminar. Nós avaliamos quais jogadas nós vamos executar em cada situação e que formações nós vamos usar em cada jogada. Na quarta-feira à noite finalizamos nosso plano de jogo e colocamos as jogadas na ordem que elas serão chamadas.

Esse processo de planejamento ajuda a eliminar as decisões impulsivas na partida que podem ser geralmente inconsistentes com nosso plano de jogo. Isso também ajuda a aumentar nossa velocidade, diminuindo faltas por atraso de jogo e permitindo ao quarterback usar audibles se necessário. Decisões pertinentes ao play-calling são feitas mais racionalmente durante a semana do que no dia do jogo, onde geralmente o emocional está ativamente envolvido no processo decisório.

Esse artigo descreve algo do processo de pensamento sobre como nós lidamos com várias situações de terceiras descidas em determinados jogos. Nós iremos focar em jogadas de passe, mas note que nós não “só corremos” ou “só passamos” nessa ou em qualquer outra situação.

TERCEIRA DESCIDA CURTA

Essa é uma situação de corrida em 70%/80% das oportunidades para nós, de modo que é natural que, quando nós decidimos lançar a bola, isso virá em forma de play-action. Como regra geral, as defesas são mais orientadas à pressão nesse tipo de situação, então em muitos casos, nós estamos procurando mover nosso quarterback do ponto de dropback dele. O bootleg da ação da Counter1 é um de nossos favoritos.

1

Aqui o autor fala sobre fingir a execução da jogada Counter e seguir a movimentação para um bootleg, abrindo em direção oposta à counter para fazer um passe.

(3)

Mais conteúdo de qualidade em www.headcoachbrasil.com 3 Nós temos muitas variações dessa jogada, de muitas formações e situações, mas nosso objetivo é congelar o OLB do lado fraco ou alcançar o tackle do pulling2. Isso, se tudo funcionar, permite limpar o caminho do fullback na direção da flat, além de dar uma saída para o QB quebrar a contenção (ver figura 1).

A ação do crossing guard3 pode geralmente distorcer a leitura dos LBs e impedir a habilidade deles de voltar eficientemente para sua respectiva responsabilidade. Isso, em conjunto com o cruzamento dos backs, é muito difícil para os LBs lidar em uma situação de mano-a-mano.

TERCEIRA DESCIDA MÉDIA

Essa situação pode também ser uma “pressão” para muitas defesas. Se nós estamos indo para os dropback passes, nossa mentalidade é proteger e lançar rápido. Nosso pacote de receivers “hot” é uma grande parte de nosso

2

Como o autor fala em “tackle do pulling”, provavelmente ele se referia ao offensive tackle que, normalmente, é responsável por liderar a counter. Alguns times, como o do autor no caso, usam pulling falsos para enganar ainda mais a defesa em situações de play-action. Embora não esteja demonstrado isso em nenhuma das figuras, esse é provavelmente o caso aqui.

3

(4)

Mais conteúdo de qualidade em www.headcoachbrasil.com 4 ataque e nós acreditamos que isso pode ser implementado nessa situação se necessário. Nós temos tido sucesso com a rota Choice do tight end nessa situação (ver figura 2).

O tight end tem uma rota “hot” com inside release e irá fazer uma option route4 no primeiro LB por dentro. O fullback tem um release livre para a Flat. O split end (X) corre uma Speed Out de 10 jardas ou irá correr uma Fade contra qualquer roll coverage5. O quarterback irá dar um drop de cinco passadas e irá fazer um ajuste “com os olhos” com o TE.

Se o QB sentir que o caminho está comprimido por qualquer um dos dois defensores (MLB e SLB, SS e FS, etc), ele irá lançar a bola no FB. Se, na leitura pré-snap, o QB vir o FS se aproximando (“cheating”) do TE, o QB deve saber que ele tem uma cobertura simples no split end (X) e pode lançar na Out.

TERCEIRA DESCIDA LONGA

4

O TE pode cortar para dentro ou para fora, dependendo do alinhamento do LB de dentro.

5 Tipo de cobertura no qual a defesa mostra o shell (aparência) de determinada cobertura e “rola” (muda) para outra depois do

(5)

Mais conteúdo de qualidade em www.headcoachbrasil.com 5 Nós temos milhares de coisas que podemos fazer nessa situação, mas a personalidade da defesa vai ditar quais jogadas nós vamos priorizar. Contra times que pressionam ou times que não gostam de roll coverage ou press coverage com seus cornerbacks, nós iremos executar a Double Square Out (ver figura 3). “Double” significa que tanto o X quanto o Z correm rotas espelhadas. A Speed Out em 10 jardas é desenhada para ser lançada em sincronia com a passada do QB.

É muito importante que o receiver mantenha sua velocidade após quebrar na rota. Nós usamos o termo “speed cut” para determinar isso. Nós queremos eliminar que o pé de dentro seja plantado, pois isso atrasa a rota. Um bom speed cut ajudará o QB na sincronia do lançamento e tirará o tempo de reação do defensor.

O QB irá dar um drop de cinco passadas rápidas e lançar a tempo com a área alvo sendo o quadril do recebedor. Nós não queremos liderar a bola para receiver porque se a bola for lançada no tempo certo, o receiver não vai ter tempo suficiente para quebrar a rota e ainda chegar à bola.

Ambos os wide receivers correm rotas Out de 10 jardas. O tight end corre uma rota Choice de 8 a 10 jardas. O halfback checa e corre uma option route para o lado oposto do drop do primeiro LB por dentro. O fullback checa e corre uma rota média.

(6)

Mais conteúdo de qualidade em www.headcoachbrasil.com 6 Na leitura pré-snap, o quarterback lê o safety melhor localizado, isto é, o safety na PIOR posição possível para ajudar na cobertura de qualquer uma das Outs de 10 jardas. Conforme ele dropa, o QB lê o lado que ele escolheu antes do snap. Se ele escolheu o lado do X, ele irá ler a raia de lançamento através do OLB do lado fraco. Se este LB estiver no meio da linha de passe, ele deve olhar para o halfback. É responsabilidade do halfback ganhar do inside linebacker, preferencialmente num corte para fora.

Se o QB escolher o lado do Z, ele deve ler a linha de passe através do SS ou SLB. Se esse defensor estiver na linha de passe, o QB deve procurar pelo tight end. É responsabilidade do TE ganhar do primeiro LB por dentro, novamente, de preferência com um corte para fora do campo. Se ambas as linhas de passe forem comprimidas pela defesa, a bola deve ser lançada para o fullback.

Imagem

Referências

temas relacionados :