Profa. Luciane Flávia Rodrigues Cera
SUPOSITÓRIOS
1- DEFINIÇÃO
São preparações farmacêuticas sólidas, de forma e peso adequados que se destinam a serem aplicados nas cavidades inferiores do corpo (reto, vagina, e uretra), onde devem fundir, dissolver ou emulsionar, ou, por qualquer processo, se desagregar.
2- LOCAL DE APLICAÇÃO
Supositórios retais
Supositórios vaginais (óvulos) Supositórios uretrais (velas) 3-
CARACTERÍSITCAS
supositórios retais
- peso: 2g (adulto) e 1g (criança)
- forma: cilíndrica alongada com extremidade afiladas supositórios vaginais
- peso: 3 a 5g
- forma: globulares, ovóides ou cônicos supositórios uretrais
-
forma: mais finas, com forma de lápis e são pontiagudos-
masculino: 4g e 100 a 150mm de comprimento-
feminino: 2g e 60 a 75 mm de comprimento4- USOS TERAPÊUTICOS
Ação local: emoliente, adstringentes, antibacterianos e anestésicos locais (exames uretrais), laxantes (glicerina), catártico (bisacordil – Dulcolax), combate de vaginites (tricomonicidas), contracepção (nonoxinol-9)
Ação Sistêmica: analgésicos (cloridrato de oximorfina), antiespasmódicos, antiemético (ondasetrona), anti-inflamatórios (indometacina – Indocin), tranqüilizantes (clorpromzaina, prometazina – Fenergan), alívio da enxaqueca (tartarto de ergotamina) e agentes bacterianos e quando apresentam vantagens sobre a via oral.
- não são expostos a atividades enzimáticas do estômago - administração de fármacos irritantes ao estômago
- impede parcialmente a primeira passagem dos fármacos através da circulação portal
Profa. Luciane Flávia Rodrigues Cera
5- FATORES QUE AFETAM A ABSORÇÃO DE FÁRMACOS
5.1- FATORES FISIOLÓGICOS
- Conteúdo do cólon - Via circulatória - pH
5.2- CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DO FÁRMACO/BASE
Fármaco na base → Fármaco nos fluidos do cólon → Absorção pela da mucosa retal Solubilidade óleo / água do Fármaco e Base
Quantidade de fármaco
Tamanho da partícula do fármaco Tensoativos
Natureza da base
6- TIPOS DE BASES PARA SUPOSITÓRIOS
6.1- A BASE IDEAL PARA SUPOSITÓRIOS
- sem ação terapêutica - atóxicos
- consistência adequada
- não possuir formas metaestáveis
- facilidade de fundir, dissolver ou emulsionar no líquido retal a 37˚C - compatível com o princípio-ativo
- capacidade de contração por arrefecimento - rápida solidificação
- liberação do fármaco em tempo adequado - índice de água elevado
- é estável durante o armazenamento
6.2- CLASSIFICAÇÕES DAS BASES 6.2.1- Bases gordurosas ou oleosas
Manteiga de cacau
- Vantagens: inócua, suave, não reativa e funde a T˚ corporal
- Desvantagens: rançar, fundir quando o tempo está mais quente e com o sobreaquecimento isomerizar para um ponto de fusão indesejavelmente mais baixo, fraca contractibilidade durante a solidificação.
Profa. Luciane Flávia Rodrigues Cera
Apresenta a propriedade de existir em diversas formas cristalinas
FORMA P.F.(˚ C)
α 24
β 34 a 35
β' 28 a 31
γ 18
- substância como o fenol e os cloridratos têm tendência de abaixar o ponto de fusão da manteiga de cacau
Óleos Vegetais
Envolve processo de hidrogenação para reduzir a insaturação e aumentar a porcentagem de triglicéridos sólidos à temperatura ambiente.
Ex: óleo de coco, óleo de amendoim, óleo de algodão.
6.2.2- Bases hidrossolúveis ou miscíveis em água
Supositórios de gelatina glicerinada
- gelatina granulada (20%) / glicerina (70%) e fármaco (10%) - gelatina granulada (60%) / glicerina (20%) e fármaco (20%) - não fundem à T˚ corporal
- são mais utilizadas para óvulos, nos quais a ação local prolongada do fármaco é desejada, pois dissolve-se mais lentamente nas secreções da cavidade corporal.
- o tempo de dissolução vai depender das proporções de gelatina/glicerina/água e pela reação química do fármaco com a gelatina.
- propriedades higroscópicas
- permitem o crescimento de fungos e bactérias
Os polietilenoglicóis
- São polímeros de óxido de etileno e água, preparados em vários comprimentos de cadeia, pesos moleculares e estados físicos.
- a sua solubilidade em água, higroscopicidade diminuem com o aumento do peso molecular médio.
- não hidrolisam ou deterioram e são fisiologicamente inertes - não permitem o crescimento de fungos.
- não fundem à T˚ corporal
- dissolve-se lentamente nas secreções da cavidade corporal. - liberação mais lenta do princípio-ativo
- armazenagem conveniente - propriedades higroscópicas
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6.2.3- Bases Mistas
- São misturas de materiais oleosos e hidrossolúveis. - São emulsões pré-preparadas
- Tensoativos não-iônicos + polietilenoglicois = veículos supositórios - Ex: Estearato de polioxila 40, empregado em várias bases comerciais.
- é possível preparara misturas de muitas bases graxas (ex: manteiga de cacau) com emulsificante capazes de formar emulsões A/O.
- cuidado com a absorção e interações com fármacos.
7- PREPARAÇÃO DE SUPOSITÓRIOS
7.1- MOLDAGEM MANUAL
- base é ralada e depois amassada com as substâncias ativas usando um almofariz e um pistilo, até que a massa resultante esteja plástica e cuidadosamente misturada.
- a massa é rolada numa forma cilíndrica com o comprimento e diâmetro desejados.
- usa-se amido ou talco para evitar a aderência da massa.
- o cilindro é depois cortado em porções e uma das extremidades é afilada.
7.2- MOLDAGEM POR COMPRESSÃO
- compressão da massa ralada à frio
- um volante rodado manualmente empurra um pistão contra a massa de supositório contida num cilindro, de forma a que massa seja extrusada para moldes.
- desvantagens: incorporação de ar
7.3- MOLDAGEM POR FUSÃO
- base é fundida
- substância ativa são emulsificadas ou suspensas nela - massa é colocada nos moldes metálicos
Obs: dependendo da formulação, os moldes para supositórios podem precisar de lubrificação.
7.4- MÁQUINA AUTOMÁTICA DE MOLDAGEM
- 3500 a 6000 supositórios por hora
- massa é continuamente agitada e mantida a temperatura constante - molde é lubrificado
- cheio com ligeiro excesso
- após a massa ter solidificado, o excesso é raspado e recolhido para ser reutilizado
- os supositórios se movem até a estação de ejeção
- o molde é fechado e depois levado até à estação de aspersão para ser lubrificado e o ciclo repete-se.
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8 – CALIBRAÇÃO DOS MOLDES
trata-se de um enchimento volumétrico
o mesmo molde pode originar supositórios com pesos diferentes quando se usa excipientes diferentes, dependendo da densidade da massa que é usada.
é importante que o farmacêutico calibre cada um de seus moldes: - prepara cerca de 10 supositórios moldados apenas com a base - após a solidificação, remover os supositórios
- pesá-los separadamente
- a média de peso é usada como o valor calibrado para este excipiente no molde usado.
9- CÁLCULO DE QUANTIDADE DE EXCIPIENTE
uma vez que o enchimento dos moldes é volumétrico, um outro problema que surge é a presença de fármacos e excipientes com densidades diferentes
determinar o volume do molde:
- supositórios são fundidos em um béquer calibrado
Ex: 12 mL de manteiga de cacau enche um molde / Fármaco = 2,8mL / manteiga de cacau = 9,2mL (dens mc= 0,86)
Peso excipiente = Peso do supositório – (Peso do fármaco/ densidade)
Outro método de calcular a quantidade de excipiente: - Fator de deslocamento
Peso excipiente = Peso do supositório – (Peso do fármaco x fator)
- cada fármaco tem seu respectivo fator de deslocamento em relação excipiente usado.
10-EMBALAGEM DE SUPOSITÓRIOS MOLDADOS
Os supositórios devem ser embalados de modo a que cada um esteja embrulhado e então devem ser colocados num recipiente de tal forma que não toquem uns aos outros.
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11-EXEMPLOS DE SUPOSITÓRIOS
11.1- SUPOSITÓRIOS RETAIS Nome Químico Nome ComercialDosagem Categoria Tipo de Efeito Base clorpromazina Thorazine 25 a 100mg Antiemético tranquiliznat e sistêmico Glicerina, monopalmitato e monoestearato de glicerila e ácidos graxos hidrogenados de coco e dendê Tartarato de ergotamina e cafeína Cafergot 2mg e 100mg respectiva mente Combate e previne dores de cabeça vasculares como enxaqueca sistêmico Manteiga de cacau Cloridrato de prometazina Phenergan 12,5 / 25 e 50 mg Anti-histamínico, antiemético e sedativo sistêmico Manteiga de cacau e cera branca
bisacordil Dulcolax 10 mg catártico local Óleo vegetal hidrogenado hidrocortisona Anusol-HC 25 mg Para prurido
anal, hemorróidas inflamadas local Glicerídeos hidrogenados 11.2- SUPOSITÓRIOS VAGINAIS Fármacos Categoria
sulfanilamida Tratamento de infecções por Cândida albicans Nitrato de miconazol
200mg
Tratamento antifúngico de candidíase vulvovaginal localizada
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12. CONTROLE DO PESO E DO VOLUME
A quantidade de substância ativa em cada supositório depende: - concentração da massa
- do volume da cavidade do molde - da densidade específica da base - da variação de volume entre moldes
Calcula-se o peso médio, desvio padrão e coeficiente de variação.
13-ARMAZENAGEM
Composição
Acondicionamento
Glicerina ou gelatina glicerinada Vidro bem fechado pra evitar a umidade.
Devem ser armazenadas abaixo de -1˚C, de preferência na geladeira.
Manteiga de cacau Embalados individualmente ou separados em compartimentos para evitar contato e aderência. Devem ser armazenadas abaixo de -1˚C, de preferência na geladeira.
Fármacos sensíveis à luz Envoltos individualmente em material opaco, como laminado metálico.
Polietilenoglicol Pode ser armazenado à temperatura ambiente normal, sem precisar de refrigeração.