Oratório familiar
8
º ANO
| Catequese 2, segunda parte
A família reúne-se no seu «Oratório familiar». Sugere-se a colocação de uma cruz, uma vela acesa e uma imagem de Nossa Senhora. Podem usar-se estatuetas ou estampas. Se a família tiver alguma devoção especial a um santo ou santa em particular, pode também colocar-se a sua imagem. A cruz deve ser sempre central. Convém que haja perto cadeiras para todos se sentarem.
Antes de começar a oração, é preciso combinar tarefas: uma pessoa preside (sugere-se que seja o adolescente) e são necessários 2 leitores. Caso no momento de oração participem apenas duas pessoas, então uma preside e a outra responde e faz as leituras. Após alguns momentos de silêncio, todos rezam como se segue (o V. marca as intervenções de quem preside e o R. a resposta de todos):
V. Em nome do Pai, (†) do Filho e do Espírito Santo.
R. Ámen.
A seguinte oração (Confissão) é rezada por todos ao mesmo tempo:
Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa [batendo com a mão no peito], minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria, aos Anjos e Santos, e a vós, irmãos, que rogueis por mim a Deus, Nosso Senhor.
Então, o adolescente que preside explica o sentido da celebração:
O mundo e tudo o que nele existe são dons maravilhosos que Deus criou e colocou à nossa disposição, confiando-nos a missão de sermos guardiães da natureza e da sociedade. Esta é uma missão da qual nós, seres humanos, nem sempre temos estado à altura. Pelo contrário, a exploração desenfreada dos recursos naturais, a poluição causada pelo um estilo de vida em desarmonia com a natureza e os desequilíbrios ambientais provocados pela nossa ação têm contribuído para tornar o mundo, a nossa Casa Comum, cada vez mais inabitável.
Escreve o papa Francisco a este respeito: «A Terra clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada». E continua: «O urgente apelo de proteger a nossa Casa Comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no Seu projeto de amor, nem se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa Casa Comum» (Laudato si’, n. 2; 13).
Esta é a hora de mudarmos o nosso estilo de vida. Este é o momento de fazermos a diferença. Melhor: de nós próprios sermos a diferença. Vamos pedir a Deus, cuja Beleza se espelha nas coisas do mundo criado, que nos ajude a ser uma geração nova para um tempo novo. Façamos silêncio.
Todos se sentam. Então, todos rezam como se segue:
O auxílio virá do Senhor: do Senhor, o nosso Deus, que fez o céu e a terra.
O leitor 1 proclama a seguinte leitura (Sb 13, 1-9).
Leitura do Livro da Sabedoria
Insensatos são todos aqueles homens em que se instalou a ignorância de Deus e que, a partir dos bens visíveis, não foram capazes de descobrir aquele que é, nem, considerando as obras, reconheceram o Artífice. Antes foi o fogo, o vento ou o ar subtil, a abóbada estrelada, ou a água impetuosa,
ou os luzeiros do céu que tomaram por deuses, governadores do mundo. Se, fascinados pela sua beleza, os tomaram por deuses, aprendam quão mais belo que tudo é o Senhor, pois foi o próprio Autor da beleza que os criou. E se os impressionou a sua força e o seu poder, compreendam quão mais poderoso é Aquele que os criou, pois na grandeza e na beleza das criaturas se contempla, por analogia, o seu Criador. Estes, contudo, merecem só uma leve censura porque talvez se extraviem, apenas por buscarem Deus e quererem encontrá-lo. Movendo-se no meio das Suas obras, investigam-nas, mas deixam-se seduzir pela aparência, pois são belas as coisas que vêem. De qualquer modo, nem sequer estes são desculpáveis, porque, se tiveram tanta capacidade para poderem perscrutar o universo, como não descobriram, primeiro, o Senhor dessas coisas?
Palavra do Senhor. R. Graças a Deus.
Segue-se o Salmo Responsorial.
São grandes as obras do Senhor!
1| Fundastes a terra sobre alicerces firmes: não oscilará por toda a eternidade.
Vós a cobristes com o manto do oceano, por sobre os montes pousavam as águas.
2| Com a chuva regais os montes,
encheis a terra com o fruto das vossas obras. Fazeis germinar a erva para o gado
3| Como são grandes as vossas obras! Tudo fizestes com sabedoria:
a terra está cheia das vossas criaturas. Glória a Deus para sempre.
O leitor 2 faz a seguinte leitura:
O Senhor Jesus faz-nos hoje o mesmo convite para nos encontrarmos com Deus através da contemplação das obras da criação… e para não O trocarmos por falsos «ídolos» ou por criaturas que usemos só ao nosso serviço, até as esgotarmos e destruirmos. Este convite foi ouvido com a maior atenção por alguém que veio a tornar-se uma referência no cuidado pela criação: Francisco de Assis.
Como indica o nome pelo qual é conhecido, Francisco nasceu em Assis, na Itália. Corria o ano de 1182. Filho de uma família rica (o seu pai, Pietro di Bernardone, era comerciante), até aos 25 anos viveu uma vida de excessos e luxos. Sonhava ser um herói e, em 1202, alistou-se no exército. Foi capturado, esteve preso, ficou doente… Três anos mais tarde, voltava para o campo de batalha. Porém, pelo caminho, ouviu uma voz que lhe perguntava: «Francisco, a quem é melhor servir? Ao amo ou ao criado?»; ao que Francisco respondeu: «Ao senhor». Então, a voz retorquiu: «Então, porque transformas o amo em criado?». Francisco perguntou: «Que queres que eu faça?»; a voz replicou: «Volta para tua terra e ser-te-á dito o que haverás de fazer». Francisco regressou a Assis e a sua vida começou a mudar.
Peregrinou até Roma e pôs-se um dia a pedir esmola na Praça de São Pedro, para experimentar o que era a pobreza. Depois, tendo voltado a Assis, encontrou-se um dia com um leproso que lhe estendeu a mão. Francisco desceu do cavalo, beijou-lhe a mão e abraçou-o. A partir de então, começou a socorrer outros leprosos. Fora dos muros de Assis havia uma pequena igreja dedicada a São Damião, que ameaçava ruir. Rezando certo dia diante do crucifixo dessa igreja, ouviu a voz de Jesus: «Francisco, vai e repara a Minha Igreja». Pensando que se referia ao edifício, Francisco pôs-se imediatamente a reconstruí-la, pedindo esmola para arranjar dinheiro. O pai ficou furioso. Chegou a prender o filho com correntes numa pequena cela, «até ele ganhar juízo». Foi a mãe que o libertou, aproveitando uma ausência do marido. O pai de Francisco acabou por deserdá-lo e expulsá-lo de casa. Daí por diante, Francisco dizia que o seu único pai é Deus. Estando de novo a orar em frente do crucifixo de São Damião, ouviu a mesma frase: «Francisco, vai e repara a Minha Igreja». Compreendeu que Jesus Se referia à Igreja toda, que vivia sufocada por muitos problemas, entre os quais a excessiva riqueza em que viviam muitos padres, bispos e o próprio papa. Francisco entregou-se a uma vida simples de total amor a todas as criaturas. Fundou a Ordem Franciscana e, com Santa Clara, fundou a Ordem das Damas Pobres, ou Clarissas.
O papa João Paulo II proclamou São Francisco de Assis como o padroeiro dos ecologistas, pelo seu grande amor à natureza, já que tudo considerava como irmãos e irmãs. O papa Francisco tem-nos desafiado a uma «conversão ecológica», que nos permita estabelecer relações renovadas com a natureza e dentro da nossa sociedade, baseadas no respeito, no cuidado pela
Casa Comum e na responsabilidade. É um estilo de vida assim que vamos agora pedir a Deus que nos ajude a adotar.
No final da meditação, vem um momento longo de silêncio (3 minutos). Todos são convidados a pedir a graça de ser adotar um estilo de vida que cuide com amor das outras pessoas e respeite a natureza.Quem quiser, pode ajoelhar-se.
Ao fim do tempo assinalado, todos se levantam e recitam em conjunto:
Senhor Jesus, Tu és Luz do mundo: dissipa as trevas que me querem falar. Senhor Jesus, és Luz da minha alma: saiba eu acolher o Teu amor.
O adolescente que preside inicia as preces:
Depois dar graças pelo dom da Criação, vamos implorar a Deus que nos ajude a ser guardiães do mundo que Ele criou para nós, dizendo:
Senhor Deus, ouvi a nossa oração.
Os leitores 1 e 2, alternadamente, propõem as preces.
1| Por todos aqueles que têm responsabilidades na preservação do mundo, sobretudo as pessoas da política, para que respeitem e façam respeitar o valor da natureza e a dignidade de todas as pessoas, oremos irmãos.
2| Por todas as pessoas que não conhecem a Deus, para que, contemplando a beleza extraordinária da natureza criada, cheguem a conhecer a sublime sabedoria do seu Criador, oremos irmãos.
3| Por todos os jovens, protagonistas de tempos novos, para que se deixem arrebatar por Jesus, como São Francisco de Assis, oremos irmãos.
4| Por todos nós, para que aceitemos o desafio de adotar um estilo de vida que respeite a natureza e os outros, oremos irmãos.
O adolescente que preside inicia o Pai-nosso, que todos rezam juntos. No final, o adolescente conclui com a seguinte oração:
V. Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz! Oh, Mestre! Fazei que eu procure mais consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se ressuscita para a vida eterna. R. Ámen.
O momento de oração conclui-se do seguinte modo:
V. O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna.
R. Ámen.
E, voltados para a imagem de Nossa Senhora, rezam em conjunto:
Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Ámen.
Então, em silêncio, todos se benzem.
Desafio!
Que posso eu fazer para cuidar da Natureza?
É preciso comprometer-se e ser protagonista da mudança. É preciso ser «guardião da Criação». Estás pronto? Consulta a página 15 do teu catecismo. Mãos à obra! Deus e o mundo precisam de ti!