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Morfometria e dinâmica de desmatamento da microbacia Canaã, Amazônia, Brasil / Morphometry and deforestation dynamics of Canaã microbasin, Amazonia, Brazil

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Morfometria e dinâmica de desmatamento da microbacia Canaã, Amazônia,

Brasil

Morphometry and deforestation dynamics of Canaã microbasin,

Amazonia, Brazil

DOI:10.34117/bjdv5n12-187

Recebimento dos originais: 07/10/2019 Aceitação para publicação: 13/12/2019

Diego Pereira Costa

Formação acadêmica mais alta: Engenheiro Florestal Instituição: Universidade Federal de Rondônia, Brasil

Endereço: Av. Norte Sul, 7300 - Nova Morada, Rolim de Moura - RO, CEP 76940-000 E-mail: [email protected]

Jhony Vendruscolo

Formação acadêmica mais alta: Doutor em Ciência do Solo Instituição: Universidade Federal do Amazonas

Endereço: Av. General Rodrigo Octavio Jordão Ramos, 1200 - Coroado I, Manaus-AM, CEP 69067-005

E-mail: [email protected]

Diogo Martins Rosa

Formação acadêmica mais alta: Mestre em Ciências de Florestas Tropicais Instituição: Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental. Ariquemes-RO Endereço: Av. Juscelino Kubitschek, n° 1549, bairro Setor Institucional CEP 76.870-972

E-mail: [email protected]

Dhielen Maisa Mendes

Formação acadêmica mais alta: Engenheira Florestal Instituição: Universidade Federal de Rondônia, Brasil

Endereço: Av. Norte Sul, 7300 - Nova Morada, Rolim de Moura - RO, CEP 76940-000 E-mail: [email protected]

Wanderson Cleiton Schmidt Cavalheiro

Formação acadêmica mais alta: Mestre em Ciências Ambientais Instituição: Universidade Federal de Rondônia, Brasil

Endereço: Av. Norte Sul, 7300 - Nova Morada, Rolim de Moura - RO, CEP 76940-000 E-mail: [email protected]

Antonio Augusto Marques Rodrigues

Formação acadêmica mais alta: Doutor em Agronomia Instituição: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Endereço: Av. André Araújo, 2936 - Petrópolis, Manaus - AM, CEP 69067-375 E-mail: [email protected]

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RESUMO

Informações sobre as características da paisagem são essenciais no planejamento e gestão dos recursos hídricos. Assim, objetivou-se analisar a morfometria e o desmatamento da microbacia Canaã, Amazônia, Brasil. Analisou-se parâmetros geométricos, de relevo e drenagem, e o desmatamento nos anos de 1988 a 2018. A microbacia tem área de 3.125,29 km2, forma alongada, baixa suscetibilidade a enchentes, altitudes de 88 a 530 m, relevos planos a escarpados, padrão de drenagem dendrítico de 7ª ordem com densidade média, baixa densidade de nascentes, canal principal reto e reduzido tempo de concentração. De 1988 à 2018, foram desmatados 1.871,98 km2 de floresta nativa.

Palavras-chave: Geotecnologias, recursos hídricos, topografia, supressão da vegetação, região

amazônica.

ABCTRACT

Information on the characteristics of the landscape is essential in the planning and management of water resources. Thus, the objective was to analyze the morphometry and deforestation of the Canaan microbasin, Amazônia, Brazil. Were analyzed the geometric, relief and drainage parameters, and deforestation in the years 1988 to 2018. The microbasin has an area of 3,125.29 km2, elongated form, low susceptibility to floods, altitudes of 88 to 530 m, flat to steep, 7th order dendritic drainage pattern with mean density, low nascent density, direct main channel and reduced concentration time. From 1988 to 2018, were cleared 1,871.98 km2 of native forest.

Key words: Geotechnologies, water resources, topography, suppression of vegetation, Amazon

region.

1 INTRODUÇÃO

As bacias hidrográficas são áreas de captação natural da água precipitada, formadas por um conjunto de vertentes e uma rede de drenagem que conduz a água para um único ponto, denominado de exutório (TUCCI, 2004). Em função destas características, a bacia é considerada como uma unidade territorial ideal tanto para o planejamento quanto para a gestão dos recursos hídricos (BRASIL, 1997), que tendem a ser mais escassos em função do crescimento populacional, aumento de consumo per capita e/ou poluição (TUNDISI, 2008).

Para melhorar a eficiência do planejamento e gestão dos recursos hídricos também é comum a fragmentação das bacias hidrográficas em sub-bacias, ou até mesmo de sub-bacias em microbacias, para possibilitar o aumento do nível de detalhamento das características de paisagem. O estado de Rondônia tem 7 bacias hidrográficas, 42 sub-bacias (SEDAM, 2002), e inúmeras microbacias. Dentre as microbacias, merece destaque a do rio Canaã, localizada na sub-bacia do Alto Rio Jamari, por abranger 2.745 propriedades rurais, 68,20 km2 da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau e a Pequena Central Hidrelétrica Canaã. Apesar da importância da microbacia do rio Canaã para o Estado de Rondônia, existem poucas informações a respeito das características desta região.

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Existem vários fatores que interferem na dinâmica hídrica da microbacia e, consequentemente, no planejamento ambiental, contudo, dois fatores merecem atenção especial, as características morfométricas e a cobertura do solo. O primeiro por descrever como são as características geométricas, de relevo e da rede de drenagem da região. O segundo ao indicar como está a cobertura da superfície do solo em dado momento, ou como é a dinâmica de uso e ocupação do solo ao longo dos anos.

As características morfométricas e a dinâmica de cobertura do solo podem ser avaliados com o uso integrado de sistemas de informações geográficas (SIG’s), sensoriamento remoto e técnicas de geoprocessamento, em tempo hábil e com baixo custo financeiro. Os SIG’s possibilitam a realização de análises espaciais, ao acrescentar a informação geográfica dos objetos contidos na paisagem (GOODCHILD et al., 2005). O sensoriamento remoto permite a aquisição de dados da paisagem sem o contato direto com a região, mesmo em áreas consideradas extensas (JENSEN, 2009). E o geoprocessamento propicia a eficiência na obtenção, armazenamento, atualização, recuperação e cruzamento dos dados (FARINA, 2006).

O objetivo do presente trabalho é analisar as características morfométricas e a dinâmica de desmatamento da microbacia do rio Canaã, Amazônia Ocidental, Brasil, visando o fornecimento de informações para subsidiar o planejamento e gestão dos recursos hídricos da região.

2 MATERIAL E MÉTODOS

2.1 LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DA ÁREA DE ESTUDO

A área de estudo corresponde à microbacia do rio Canaã, inserida nos municípios de Cacaulândia (17,55 km2), Ariquemes (7,49 km2), Governador Jorge Teixeira (5,70 km2), Jaru (0,52

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Figura 1. Localização da microbacia do rio Canaã no Estado de Rondônia.

A região tem clima do tipo Monção (Am) (ALVARES et al., 2014), com precipitação anual média entre 1.728,9 e 2.008,2 mm, concentradas principalmente entre os meses de outubro e abril (FRANCA, 2015).

2.2 CARACTERIZAÇÃO MORFOMÉTRICA

Para a caracterização mensurou-se e analisou-se os parâmetros geométricos (área, perímetro, fator de forma, coeficiente de compacidade e índice de circularidade), de relevo (altitude mínima, altitude média, altitude máxima e declividade), e da rede de drenagem (padrão de drenagem, ordem dos cursos d’água, densidade hidrográfica, densidade de drenagem, densidade de nascentes, índice de sinuosidade e tempo de concentração (Tabela 1).

Tabela 1. Descrição dos parâmetros morfométricos determinados na microbacia do rio Canaã, Rondônia, Brasil. Características geométricas

Parâmetro Equação Descrição Autor

Área (km2) * Área em projeção horizontal delimitada por seus divisores topográficos. - Perímetro (km) * Comprimento da linha divisora de águas que

limita a bacia hidrográfica. - Fator de forma

(F) 𝐹 =

𝐴 𝐿2

A: área de drenagem (km2); e

(5)

Coeficiente de compacidade (Kc) 𝐾𝑐 = 0,28 𝑥 𝑃 √𝐴 P: perímetro (km); e A: área de drenagem (km2). 2 Índice de circularidade (Ic) 𝐼𝑐 = 12,57 𝑥 𝐴 𝑃2 A: área de drenagem (km 2); e P: perímetro (km). 3 Características do relevo

Altitude (m) * É a distância vertical medida entre um determinado ponto, e o nível médio do mar. 1 Relevo * É uma feição contínua e tridimensional da

paisagem, representado por pontos cotados. 1

Características da rede de drenagem

Parâmetro Equação Descrição Autor

Padrão de

drenagem *

Aspecto do traçado do conjunto dos talvegues da bacia hidrográfica. 4

Ordem dos

cursos d'água *

É a ordenação dos cursos d’água: 1ª ordem são canais sem tributários; 2ª ordem é formado pela junção de dois canais de 1ª ordem; 3ª ordem é formado pela junção de dois canais de 2ª ordem; e assim sucessivamente. 5 Densidade de drenagem (Dd) (km km-2) 𝐷𝑑 = 𝐿 𝐴

L: comprimento total dos canais (km); e

A: área de drenagem total (km2). 5 Densidade

hidrográfica (Dh) (rios km-2)

𝐷ℎ = 𝑁 𝐴

N: número de rios ou cursos de água (unid.); e A: área de drenagem total (km2). 6

Densidade de

nascentes (Dn) 𝐷𝑛 = 𝑁𝑛

𝐴

Nn: número de nascentes; e

A: área de drenagem total (km2). 7 Índice de

sinuosidade (Is) (%)

𝐼𝑠 = 100 (𝐿 − 𝐸𝑣) 𝐿

L: comprimento do rio principal (km); e Ev: distância vetorial entre os pontos extremos do talvegue (km). 2 Tempo de concentração (Tc) (h) 𝑇𝑐 = [0,87 𝑥 (𝐿 3 𝐻)]

0,385 L: comprimento do talvegue principal (km);

e H: desnível entre a parte mais elevada e a seção de controle (m).

8

1- Veiga, Zanetti & Faggion (2012); 2 - Villela & Mattos (1975); 3 - Miller (1953); 4 - Parvis (1950); 5 - Horton (1945); 6 – Christofoletti (1969); 7 – Machado & Souza (2005); 8 - Brisa, (1974) apud Mata-Lima et al. (2007); * - Dados obtidos por geoprocessamento.

Os parâmetros área, perímetro e ordem de drenagem foram obtidos com o software QGIS 2.10.1 (versão Pisa) (QGIS Development Team, 2015) e o complemento Terrain Analysis Using

Digital Elevation Models (TauDEM), tendo como base a imagem altimétrica do projeto Shuttle Radar Topography Mission (SRTM), com resolução espacial de 30 m (USGS, 2018). Utilizaram-se os

seguintes comandos: Pit remove, D8 Flow Directions, D8 Contributing Area (1ª versão), Stream

Definition by Threshold (1ª versão), criação do pondo de exutório, D8 Contributing Area (2ª versão), Stream Definition by Threshold (2ª versão, com limiar de 450) e Stream Reach and Watershed.

Posteriormente, a área e o perímetro foram calculados com a ferramenta "Calculadora de campo", e a rede de drenagem foi comparada com dados de Parvis (1950) para obtenção do padrão de drenagem.

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As altitudes mínima e máxima, foram obtidas diretamente da imagem SRTM, e a altitude média foi mensurada com a ferramenta "Estatística por zona". O relevo foi obtido com base na declividade utilizando a ferramenta "Modelo Digital de Elevação".

Os valores dos parâmetros fator de forma, coeficiente de compacidade, índice de circularidade, relevo, densidade hidrográfica, densidade de drenagem e índice de sinuosidade, foram classificados com base na literatura (Tabela 2).

Tabela 2. Valores de referência para classificação de parâmetros geométricos e de drenagem.

Parâmetro Unidade Limite Classe Autor

Fator de forma (F) -

< 0,50 Não sujeito a enchentes

1 0,50 – 0,75 Tendência mediana a enchentes 0,76 – 1,00 Sujeito a enchentes Coeficiente de compacidade (Kc) -

1,00 – 1,25 Alta propensão a enchentes

1 1,26 – 1,50 Tendência mediana a

enchentes > 1,50 Não sujeito a enchentes Índice de circularidade (Ic) - 0,36 – 0,50 Forma alongada 2 0,51 – 0,75 Forma intermediária 0,76 – 1,00 Forma circular Relevo % 0 – 3 Plano 3 3 – 8 Suave ondulado 8 – 20 Ondulado 20 – 45 Forte ondulado 45 – 75 Montanhoso > 75 Escarpado Densidade hidrográfica (Dh) rios km-2 < 3 Baixa 4 3 – 7 Média 7 – 15 Alta > 15 Muito alta Densidade de drenagem (Dd) km km -2 < 0,50 Baixa 5 0,50 – 2,00 Média 2,01 – 3,50 Alta > 3,50 Muito alta Índice de sinuosidade (Is) % < 20 Muito reto 6 20 – 29 Reto 30 – 39,9 Divagante 40 – 49,95 Sinuoso > 50 Muito sinuoso

1 - Lima Júnior et al. (2012); 2 - Silva (2012); 3 – Santos et al. (2013); 4 – Lollo (1995); 5 - Beltrame (1994); 6 - Romero et al. (2017).

2.3 ÍNDICE DE DESMATAMENTO

O índice de desmatamento foi realizado com base nas imagens dos satélites Landsat 5, anos de 1988, 1998 e 2008, e Landsat 8, ano de 2018 (Tabela 3), correspondentes aos meses de junho ou

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agosto, por haver menores incidências de nuvens (USGS, 2018). Foi utilizado o software QGIS 2.10.1 (versão Pisa) para o geoprocessamento das imagens, o método do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) (Equação 1) e a ferramenta Slicer, para classificação e divisão da cobertura do solo nas classes floresta, antropizada, afloramento rochoso e água.

Tabela 3. Características das imagens dos satélites Landsat 5 e Landsat 8.

Satélite Sensor Resolução espacial (m) Resolução radiométrica (bits) Resolução espectral (µ)

Banda Órbita Ponto Ano

Landsat 5 TM 30 16 0,63-0,69 0,76-0,90 1,55-1,75 3 4 5 231 e 232 67 1988, 1998 e 2008 Landsat 8 OLI 30 16 0,64-0,67 0,85-0,88 1,57-1,65 4 5 6 231 e 232 67 2018

TM: Thematic Mapper; OLI: Operational Land Imager.

Equação:

𝑁𝐷𝑉𝐼 = 𝐼𝑃−𝑉

𝐼𝑃+𝑉 (1)

Onde:

IP: Infravermelho Próximo (B4 = Landsat 5; B5 = Landsat 8) V: vermelho (B3 = Landsat 5; B4 = Landsat 8).

Para auxiliar na interpretação e correção das classes de cobertura do solo, elaboraram-se mosaicos na composição de bandas na falsa cor, utilizando as bandas 5(R), 4(G) e 3(B) do satélite Landsat 5, e 6(R), 5(G) e 4(B) do satélite Landsat 8.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Características morfométricas

A microbacia do rio Canaã tem área de 3.125,29 km2, perímetro de 374,11 km, fator de forma de 0,34, coeficiente de compacidade de 1,87 e índice de circularidade de 0,28. Esses resultados

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sugerem que a microbacia tem forma alongada, de modo que as chuvas tendem a não ocorrer simultaneamente em toda área da bacia, denotando baixa suscetibilidade a enchentes.

Com relação a altitude, constata-se que a microbacia tem valores de 88, 197 e 530 m, para mínima, média e máxima, respectivamente (Figura 2).

Em trabalhos realizados por Johen et al. (2018), na microbacia do rio Bananeira, e por Siqueira et al. (2018), no rio Conceição, ambas localizadas no estado de Rondônia, constatou-se valores mínimos e máximos de 183 e 664 m, e de 172 e 526 m, respectivamente, indicando que esta característica é comum em outras regiões do Estado.

A altitude influência diretamente na quantidade de radiação emitida na microbacia, regulando a temperatura, precipitação e evapotranspiração da região (CASTRO e LOPES, 2001; ROGÉRIO et al., 2014). Com o aumento da altitude geralmente observa-se a elevação dos níveis de precipitação, por causa do efeito orográfico, e a redução da temperatura (VIEIRA et al., 2009). Portanto, constata-se que na microbacia pode haver regiões com microclimas específicos, com tendências de maiores precipitações na cabeceira, visto que, segundo Castro Jr. (2001), em altitudes mais elevadas ocorrem maiores índices pluviométricos.

Figura 2. Altitude da microbacia do rio Canaã, Amazônia Ocidental, Brasil.

Ao considerar a influência da altitude na precipitação, recomenda-se a implantação de reflorestamentos, manejos florestais e sistemas agroflorestais na cabeceira da microbacia. Essa

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recomendação tem como objetivo, aumentar a capacidade de armazenamento de água no solo, visando manter um suprimento de água regular aos cursos d’água ao longo do ano, tanto para as propriedades rurais, quanto para elevar o potencial hidroelétrico da região.

A microbacia tem relevos planos a escarpados, com predominância de planos a ondulados (80,95%) (Figura 3). A declividade é uma das características da paisagem mais importantes para planejar o manejo dos recursos naturais, por influenciar processos como a propagação de incêndios florestais, infiltração de água e erosão do solo. Declividades < 15% indicam baixo nível de influência na propagação do fogo, 16-25% moderado nível e 26-35% alto nível (Ribeiro et al., 2008). A elevação da declividade também promove a redução da taxa de infiltração de água no solo e a eleva o escoamento superficial (PAES JUNIOR & BERNARDES, 2013). Neste contexto, verifica-se que a microbacia do rio Canaã tem 76,95% da área com baixa e 15,72% com moderada influência na propagação de incêndios, e 80,95% de área com boas condições de infiltração, com relação ao relevo. O potencial de mecanização cafeeira é influenciado pelo relevo do terreno, onde áreas com declividade de 0 a 5% são consideradas extremamente aptas, de 5,1 a 10% são muito aptas, 10,1 a 15% são aptas, 15,1 a 20% são moderadamente aptas e > 20% são classificadas como não recomendadas (HÖFIG & ARAUJO-JUNIOR, 2015). Considerando essas informações, contata-se que a microbacia do rio Canaã, tem 76,95% da área classificada como apta a extremamente apta a mecanização para cultivos de cafeeiros, e 11,32% classificada como moderadamente apta. Também é importante ressaltar que o Coffea canephora L. (café conilon) adapta-se bem em altitudes inferiores a 500 m (MESQUITA, 2016), demonstrando que a região da microbacia do rio Canaã pode ter elevado potencial para a atividade da cafeicultura.

A rede de drenagem tem padrão dendrítico de 7ª ordem, comprimento total de 2.703,64 km, densidade de drenagem de 0,86 km km-2 (Figura 4), densidade hidrográfica de 0,39 rios km-2, 1.210

nascentes, densidade de nascentes de 0,39 nascentes km-2 (Figura 5), índice de sinuosidade de 28% e tempo de concentração de 25,44 h.

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Figura 3. Revelo na microbacia do rio Canaã, Amazônia Ocidental, Brasil.

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Figura 5. Nascentes na microbacia do rio Canaã, Amazônia Ocidental, Brasil.

O padrão dendrítico sugere que a microbacia do rio Canaã tem o sistema de drenagem bem ramificado, como observado por Silva e Neto et al. (2013) na bacia do rio Gramame. Esse tipo de padrão de drenagem assemelha-se a uma árvore onde o rio principal é considerado o tronco, e os rios secundários são os ramos e galhos (Figura 4), e indica que a região é formada por rochas horizontais homogêneas, que não interferem no direcionamento do fluxo hídrico, como observado por Parvis (1950).

O número de ordens desta microbacia está diretamente relacionada com as características do relevo, e indica a complexidade do sistema aquático da região. Em trabalho realizado por Vasconcelos et al. (2013), constatou-se que rios de 4ª e 5ª ordem, quando comparados com rios de 1ª a 3ª ordem, tem maior riqueza de gênero e abundância de macroinvertebrados. Portanto, neste contexto é factível supor que a microbacia do rio Canaã tende a ter elevada complexidade do sistema aquático, sendo recomendado estudos mais detalhados relacionados a ecologia aquática para confirmar essa hipótese, e se necessário, a exemplo da identificação de espécie endêmicas, fornecer informações para direcionar políticas públicas voltadas a conservação do ecossistema aquático da região.

A microbacia tem densidade de drenagem média. A densidade de drenagem reflete a tendência da bacia de gerar escoamento superficial e, consequentemente, erodibilidade dos materiais localizados na superfície terrestre, de modo que, regiões com densidades elevadas denotam infiltração limitada, escoamento considerável e presença de materiais moderadamente erodíveis (GABLER et

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al., 2009). Assim, verifica-se que a região de estudos tem problemas naturais de infiltração, que elevam o escoamento superficial e potencializam os processos erosivos.

Com base na densidade de drenagem, constata-se a necessidade de planejamentos mais rigorosos em relação ao manejo da cobertura do solo, com o intuito de reduzir a perda de solo por erosão hídrica e os assoreamentos das nascentes, rios e reservatórios. O aumento da vida útil dos reservatórios tem influência direta na viabilidade de atividades econômica na região, visto que os reservatórios são destinados para dessedentação de animais, pisciculturas, irrigação de lavouras e geração de energia (PCH Canaã).

A densidade hidrográfica é considerada baixa, e está diretamente relacionada com a densidade de nascentes da região, tendo em vista que cada nascente é o início de um curso de água. Estes parâmetros são influenciados pelo relevo da região, onde é observado maiores concentrações de nascentes em relevos plano (52,6%) e suave ondulado (37,9%) (Figura 6).

Figura 6. Distribuição das nascentes em função da declividade, na microbacia do rio Canaã, Amazônia Ocidental, Brasil.

O valor do índice de sinuosidade indica que o canal principal da microbacia é classificado como reto. Essa característica permite reduzir o tempo de reabastecimento do reservatório da PCH Canaã, uma vez que canais retilíneos possibilitam maior velocidade de escoamento. Apesar de elevar o potencial de reabastecimento do reservatório da PCH, após as precipitações pluviométricas, a baixa sinuosidade do canal principal também reduz a capacidade de retenção de sedimentos, diminuindo a vida útil do reservatório.

O tempo de concentração da microbacia de 25,44 h, é considerado baixo quando comparado com o tempo de concentração de 34,78 h da sub-bacia do rio Rolim, o qual tem área de 2.822,46 km2 (MAURO et al., 2018 in prelo). Apesar de ser considerado baixo, o tempo de concentração é afetado pela construção da barragem correspondente a PCH Canaã, podendo elevar-se em função do tempo

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de residência da água no reservatório. Essas informações são relevantes em função da localização da área urbana do município de Ariquemes, que está logo abaixo ao exutório da microbacia do rio Canaã.

3.1 ÍNDICE DE DESMATAMENTO DE 1988 A 2018

Os resultados mostram que desde o ano de 1988 ao ano de 2018, ocorreram desflorestamentos e antropizações crescentes da microbacia (Figura 7).

Figura 7. Índice de desmatamento de 1988 a 2018 na microbacia do rio Canaã, Amazônia Ocidental, Brasil.

Resultados semelhantes foram encontrados por Cavalheiro et al. (2015), na região da Zona da Mata Rondoniense, ao avaliar o impacto de 26 anos de colonização (1985 a 2011), e por Soares (2018), na Território Central do estado de Rondônia, ao avaliar o índice de desmatamento de 1984 a

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2017. Portanto, constata-se um padrão de supressão das florestas nativas na região, com o desmatamento iniciando geralmente próximo as estradas, em formato espinha de peixe.

O desmatamento da microbacia foi impulsionado pela implementação de projetos de assentamentos fundiários realizados pelo INCRA, a partir da década de 70, para instalação de sistemas agropecuários, com destaque para a pecuária de corte. Esta atividade apresentou crescimentos constantes de 1988 a 2017 (Figura 8), sendo considerada como a base econômica das propriedades rurais da região. A grande influência da pecuária no desmatamento também foi observada por Rivero et al. (2009) e Piontekowski et al. (2014), em toda região da Amazônia Legal, incluindo o Estado de Rondônia.

Figura 8. Evolução do efetivo bovino nos municípios que compõe a microbacia do rio Canaã, de 1988 a 2017. Fonte: IBGE, 2018.

A supressão desordenada da floresta nativa é preocupante, tendo em vista que essa cobertura é responsável por diversos serviços ecossistêmicos, como exemplo tem-se a regulação da temperatura e umidade da atmosfera, mitigação dos riscos de enchentes, recarga dos lençóis freáticos e abastecimento dos rios, controle de erosão hídrica, manutenção da qualidade da água, atenuação da poluição atmosférica, provimento do oxigênio, absorção do dióxido de carbono e fornecimento de energia (BALBINOT et al., 2008).

Com relação ao espelho de água, constatou-se valores pouco variáveis de 1988 a 2008, e elevação de 1.915,39% de 2008 a 2018. O rápido crescimento da área de água está associado com a construção da barragem da PCH Canaã, inaugurada em 2014 no município de Ariquemes.

4 CONCLUSÃO

A microbacia do rio Canaã tem forma alongada, predominância dos relevos suave ondulado, ondulado e plano. Possui densidade de drenagem média e um sistema bem ramificado, já a densidade

0 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 600.000 1988 1998 2008 2017 E fe ti v o b o v in o ( n ú m e ro d e c a b e ç a s) Ano Ariquemes Cacaulândia

Governador Jorge Teixeira

Jaru

Monte Negro

Ouro Preto D'Oeste

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hidrográfica é considerada baixa. O índice de sinuosidade indica que o canal principal é classificado como reto e um tempo de concentração considerado baixo. Portanto a microbacia tem baixa suscetibilidade a enchentes.

O índice de desmatamento na microbacia do rio Canaã mostra que desde o ano de 1988 ao ano de 2018, ocorreram desflorestamentos de 44,81% e antropizações de 44,66% da microbacia. Ocorreu aumento nas áreas de espelhos d’agua no período de 2008 a 2018 (1.826,44%), associado com a construção da barragem da PCH Canaã.

O estudo permitiu a elaboração dos mapas de altitude, relevo, drenagem, distribuição de nascentes e dinâmica de desmatamento, na microbacia do rio Canaã, essenciais para futuros planejamentos ambientais da região.

REFÊRENCIAS

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Köppen’s climate classification map for Brazil. Gerbrüder Borntraeger, 22(6): 711-728, 2014.

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Figura 1. Localização da microbacia do rio Canaã no Estado de Rondônia.
Tabela 2. Valores de referência para classificação de parâmetros geométricos e de drenagem
Tabela 3.  Características das imagens dos satélites Landsat 5 e Landsat 8.
Figura 2. Altitude da microbacia do rio Canaã, Amazônia Ocidental, Brasil.
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Referências

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